A gestão democrática na educação básica: Fundamentos e legislação

THE DEMOCRATIC MANAGEMENT IN BASIC EDUCATION: FOUNDATIONS AND LEGISLATION

LA GESTIÓN DEMOCRÁTICA EN LA EDUCACIÓN BÁSICA: FUNDAMENTOS Y LEGISLACIÓN

Autor

URL do Artigo

https://iiscientific.com/artigos/AE6B50

DOI

doi.org/10.63391/AE6B50

Duz, Lucinéia Silveira. A gestão democrática na educação básica: Fundamentos e legislação. International Integralize Scientific. v 5, n 50, Agosto/2025 ISSN/3085-654X

Resumo

A gestão democrática na educação básica, prevista na Constituição e na LDB, é essencial para uma escola inclusiva e participativa, mas enfrenta desafios históricos, culturais e estruturais que dificultam sua plena implementação. Nesse contexto, o presente estudo tem como objetivo analisar os fundamentos e as práticas da gestão democrática na educação básica, identificando os principais obstáculos e propondo caminhos para fortalecer a participação da comunidade escolar. Trata-se de uma revisão bibliográfica. A pesquisa foi realizada nas bases de dados SciELO e Google Acadêmico utilizando as seguintes palavras-chave: gestão escolar participativa; educação básica; políticas educacionais no recorte temporal entre 2020 a 2025.Os resultados indicam que a gestão democrática promove maior participação da comunidade escolar e contribui para a melhoria da qualidade educacional. Identificaram-se, entretanto, desafios relacionados à capacitação dos gestores e à resistência cultural em algumas escolas. A efetiva implementação depende do fortalecimento das políticas públicas e do engajamento coletivo. Conclui-se que avanços são possíveis, mas demandam investimento contínuo em formação e diálogo entre todos os atores da comunidade escolar.
Palavras-chave
gestão escolar participativa; educação básica; políticas públicas educacionais.

Summary

Democratic management in basic education, established by the Constitution and the LDB, is essential for an inclusive and participatory school, but faces historical, cultural, and structural challenges that hinder its full implementation. In this context, the present study aims to analyze the foundations and practices of democratic management in basic education, identifying the mainobstacles and proposingways to strengthencommunityparticipation in schools. This is a bibliographic review. The research was conducted in the SciELO and Google Scholar databasesusing the followingkeywords: participativeschool management; basiceducation; educational policies within the periodfrom 2020 to 2025. The resultsindicate that democratic management promotesgreaterparticipation of the schoolcommunity and contributes to the improvement of educational quality. However, challenges related to the training of managers and cultural resistance in some schools were identified. Effective implementationdependsonstrengtheningpublic policies and collective engagement. It is concluded that progress is possible but requirescontinuousinvestment in training and dialogue amongallmembers of the schoolcommunity.
Keywords
participative school management; basiceducation; publiceducational policies.

Resumen

La gestión democrática en educación básica, prevista enlaConstitución y en la LDB, es esencial para una escuela inclusiva y participativa, pero enfrenta desafíos históricos, culturales y estructurales que dificultan su plena implementación. En este contexto, el presente estudio tiene como objetivo analizarlos fundamentos y las prácticas de la gestión democrática en educación básica, identificando los principales obstáculos y proponiendo caminos para fortalecer la participación de la comunidad escolar. Se trata de una revisión bibliográfica. La investigación se realizó en las bases de datos SciELO y Google Académico utilizando las siguientes palabras clave: gestión escolar participativa; educación básica; políticas educativas en el período de 2020 a 2025. Los resultados indican que la gestión democrática promueve una mayor participación de lacomunidad escolar y contribuye a la mejora de lacalidad educativa. Sin embargo, se identificaron desafíos relacionados con la capacitación de los gestores y la resistencia cultural en algunas escuelas. La implementaciónefectiva depende del fortalecimiento de las políticas públicas y del compromiso colectivo. Se concluye que son posibles avances, pero que se requiere inversión continua en formación y diálogo entre todos los actores de la comunidad escolar.
Palavras-clave
gestión escolar participativa; educación básica; políticas públicas educativas.

INTRODUÇÃO 

A gestão democrática na educação básica representa um dos pilares fundamentais para a consolidação de uma escola pública comprometida com a cidadania, a equidade e a qualidade social do ensino. Este modelo de gestão pressupõe a participação ativa de todos os segmentos da comunidade escolar – professores, alunos, pais, funcionários e gestores – na formulação, execução e avaliação das políticas educacionais da escola (Oliveira; Souza, 2024).

O conceito, embora previsto em legislações nacionais como a Constituição Federal de 1988 e a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB nº 9.394/1996), ainda encontra desafios significativos para sua plena efetivação, especialmente em razão de fatores históricos, culturais e estruturais que dificultam a apropriação do processo democrático como prática cotidiana nas instituições educacionais (Fernandes et al., 2024).

A presente pesquisa parte da seguinte questão: como efetivar, de maneira significativa, a gestão democrática nas escolas de educação básica brasileiras, considerando os entraves históricos, culturais e institucionais existentes? Esta indagação busca promover uma reflexão crítica sobre os elementos que sustentam e, ao mesmo tempo, comprometem o desenvolvimento de práticas gestoras mais participativas e dialógicas nas escolas públicas. 

O objetivo geral deste estudo é analisar os fundamentos e as práticas da gestão democrática na educação básica, identificando os principais obstáculos e propondo caminhos para fortalecer a participação da comunidade escolar. Dentre os objetivos específicos, propõe-se: compreender o conceito de gestão democrática e seus desdobramentos no contexto educacional brasileiro; identificar os princípios da gestão democrática presentes na LDB e em outras legislações; analisar a importância da participação da comunidade escolar no processo de tomada de decisões; e discutir os desafios históricos, culturais e institucionais que dificultam a consolidação dessa prática no cotidiano das escolas públicas.

A justificativa para o desenvolvimento deste estudo reside na importância de fortalecer uma cultura participativa no âmbito escolar, que valorize o diálogo, a corresponsabilidade e a autonomia das instituições de ensino. Em um contexto social marcado por desigualdades e autoritarismos históricos, discutir a gestão democrática torna-se uma ação urgente e necessária para a construção de um projeto educacional comprometido com a formação de sujeitos críticos, conscientes e atuantes.

Trata-se de uma revisão bibliográfica. A pesquisa foi realizada nas bases de dados SciELO e Google Acadêmico utilizando as seguintes palavras-chave: gestão escolar participativa; educação básica; políticas educacionais no recorte temporal entre 2020 a 2025.

REVISÃO DE LITERATURA 

CONCEITO DE GESTÃO DEMOCRÁTICA

A gestão democrática na educação é um princípio norteador previsto na Constituição Federal de 1988 e na Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB nº 9.394/96), sendo entendida como um modelo de administração escolar que valoriza a participação ativa de todos os membros da comunidade escolar – professores, estudantes, pais, funcionários e gestores – nos processos de tomada de decisão. Essa concepção rompe com o modelo centralizador e autoritário, promovendo um ambiente de diálogo, cooperação e corresponsabilidade na construção de uma escola mais justa, inclusiva e eficaz (Da Costa et al., 2022).

Esse tipo de gestão pressupõe o envolvimento coletivo na definição de metas, estratégias e ações pedagógicas e administrativas, fortalecendo a autonomia das escolas e promovendo a corresponsabilidade nos resultados educacionais. A gestão democrática reconhece que a participação de diferentes vozes contribui para a construção de um ambiente escolar mais sensível às necessidades da comunidade, favorecendo a elaboração de projetos pedagógicos mais coerentes com a realidade local e estimulando o sentimento de pertencimento e engajamento entre os sujeitos escolares (Costa et al., 2023).

Além disso, a gestão democrática está diretamente relacionada à promoção da cidadania e da formação de sujeitos críticos e participativos. Ao vivenciar práticas democráticas dentro da escola, os estudantes têm a oportunidade de desenvolver valores como o respeito à diversidade, a solidariedade, a escuta ativa e a negociação de conflitos, elementos fundamentais para a convivência em sociedade e o fortalecimento das instituições democráticas. A escola, nesse sentido, assume não apenas uma função educativa, mas também política e social (Moura; Bispo, 2021).

Contudo, a efetivação da gestão democrática ainda enfrenta desafios consideráveis no contexto brasileiro, tais como a resistência cultural de algumas instituições, a ausência de formação adequada para os gestores e a pouca valorização da participação da comunidade nas decisões escolares. Muitas vezes, os conselhos escolares e os colegiados, que deveriam ser espaços deliberativos e autônomos, funcionam de maneira limitada, com baixa representatividade e influência. (Freires et al., 2024).

A gestão democrática deve ser entendida como um processo contínuo de aprendizado coletivo e como uma prática política que exige comprometimento, escuta e disposição para o diálogo. Mais do que um modelo administrativo, trata-se de uma concepção de escola pública comprometida com a transformação social e com a construção de uma educação de qualidade para todos. Nesse sentido, a formação de gestores, professores e demais membros da comunidade escolar precisa incorporar o princípio democrático como um valor central e orientador das ações educativas (Oliveira; Souza, 2024).

PRINCÍPIOS DA GESTÃO DEMOCRÁTICA SEGUNDO A LDB

A Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB nº 9.394/1996), em seu artigo 14, estabelece que os sistemas de ensino devem assegurar às escolas públicas de educação básica a participação da comunidade escolar na gestão, com base nos princípios da gestão democrática. Esses princípios são fundamentados na valorização da autonomia das instituições escolares, na descentralização das decisões e na construção coletiva dos projetos pedagógicos, promovendo a corresponsabilidade entre gestores, professores, estudantes, pais e demais atores envolvidos no processo educacional (Leitão; Pordeus, 2022).

Um dos princípios centrais da gestão democrática segundo a LDB é a participação efetiva da comunidade na definição das diretrizes pedagógicas e administrativas. Essa participação deve ocorrer por meio de conselhos escolares, associações de pais e mestres, grêmios estudantis e outras instâncias representativas que assegurem a pluralidade de vozes no cotidiano escolar. Ao fomentar esse tipo de envolvimento, a LDB propõe que as decisões deixem de ser exclusividade da equipe gestora e passem a refletir os interesses coletivos da comunidade educativa (Moura; Bispo, 2021).

Outro princípio importante é a transparência na gestão dos recursos financeiros, materiais e humanos. A LDB indica que a escola deve prestar contas de suas ações e de sua aplicação de recursos, fortalecendo a cultura da responsabilidade e do controle social. A transparência contribui para a construção de uma escola pública mais eficiente e legítima, na qual os sujeitos escolares conhecem, compreendem e influenciam os processos administrativos, estabelecendo um ambiente de confiança e colaboração mútua (De Melo et al., 2021).

Além disso, a LDB reforça a necessidade de autonomia das escolas para que possam elaborar seus próprios projetos políticos-pedagógicos, respeitando as especificidades regionais, culturais e sociais da comunidade em que estão inseridas. Essa autonomia deve ser exercida com responsabilidade e em consonância com as diretrizes gerais do sistema de ensino, garantindo que a gestão democrática se realize como prática concreta e transformadora. Esses princípios, juntos, delineiam um modelo de escola comprometida com a formação cidadã, a justiça social e a qualidade da educação pública (Silva, 2021).

A IMPORTÂNCIA DA PARTICIPAÇÃO DA COMUNIDADE ESCOLAR

A participação da família na comunidade escolar é fundamental para o fortalecimento do processo educativo e para a construção de uma escola mais acolhedora, democrática e comprometida com o desenvolvimento integral dos estudantes. A presença ativa das famílias nas atividades escolares contribui para criar uma rede de apoio entre escola e comunidade, promovendo o sentimento de pertencimento, o diálogo contínuo e a corresponsabilidade na formação dos alunos. Quando as famílias se envolvem, há maior compreensão dos desafios enfrentados pelos educadores, assim como um reforço positivo no comportamento e no desempenho dos estudantes (Da Costa et al., 2022).

A aproximação entre escola e família também favorece a identificação precoce de dificuldades de aprendizagem, emocionais ou comportamentais, permitindo intervenções mais eficazes e individualizadas. Os vínculos estabelecidos possibilitam que os educadores conheçam melhor o contexto de vida dos estudantes, o que contribui para a construção de práticas pedagógicas mais sensíveis e inclusivas. Além disso, a escola passa a ser vista não apenas como um espaço institucional, mas como uma extensão da comunidade, aberta à participação, escuta e colaboração dos pais e responsáveis (Moura; Bispo, 2021).

Em contextos marcados por desigualdades sociais, a parceria entre escola e família torna-se ainda mais estratégica, pois amplia as oportunidades de apoio mútuo e mobilização por melhores condições educacionais. A presença ativa da família fortalece os espaços de gestão participativa, como conselhos escolares e reuniões pedagógicas, incentivando práticas democráticas e decisões mais alinhadas às necessidades da comunidade. A construção de uma cultura de cooperação entre os diferentes atores da escola é essencial para enfrentar os desafios educacionais contemporâneos (Fernandes et al., 2024).

DESAFIOS HISTÓRICOS E CULTURAIS PARA A IMPLEMENTAÇÃO DA GESTÃO DEMOCRÁTICA

A implementação da gestão democrática nas escolas brasileiras enfrenta desafios históricos profundamente enraizados na cultura educacional do país. Durante décadas, o modelo de administração escolar esteve centrado em práticas autoritárias e verticais, em que as decisões eram tomadas por poucos e com escassa participação dos demais atores escolares. Esse histórico contribuiu para consolidar uma cultura de silenciamento da comunidade, especialmente de professores, pais e estudantes, que passaram a ocupar uma posição marginal nos processos decisórios. Essa herança autoritária ainda persiste em muitos contextos educacionais, dificultando a adoção de práticas mais abertas, dialógicas e colaborativas (Freires et al., 2024).

Do ponto de vista cultural, há uma resistência por parte de alguns gestores e membros da equipe escolar em compartilhar o poder decisório, o que revela uma dificuldade em compreender a gestão democrática como um processo de construção coletiva. A ideia de que o gestor é o único responsável pela condução da escola ainda permeia o imaginário institucional, o que compromete o exercício da autonomia dos demais sujeitos envolvidos no cotidiano escolar (Fernandes et al., 2024).

Outro desafio importante está relacionado à ausência de formação específica para os gestores escolares no que diz respeito aos princípios da gestão democrática. Muitos profissionais assumem funções de direção sem o preparo necessário para lidar com os conflitos, mediar interesses diversos e promover um ambiente verdadeiramente participativo. A ausência de políticas públicas consistentes que incentivem e valorizem a formação continuada em gestão democrática também contribui para a fragilidade das práticas participativas, limitando o potencial transformador da escola como espaço de cidadania e construção coletiva do conhecimento (Rossi et al., 2024).

Em muitas escolas, especialmente nas regiões mais vulneráveis, faltam recursos materiais, humanos e estruturais que garantam o funcionamento mínimo necessário para o exercício da participação efetiva. A luta pela sobrevivência institucional, diante da precariedade das condições de trabalho e ensino, muitas vezes inviabiliza a construção de espaços coletivos de decisão. Superar esses desafios exige um esforço conjunto de gestores, educadores, famílias, estudantes e poder público, no sentido de construir uma nova cultura educacional baseada na escuta, no respeito mútuo e na corresponsabilidade (Oliveira; Souza, 2024).

RESULTADOS DA PESQUISA 

Com o intuito de aprofundar a análise sobre os fundamentos e práticas da gestão democrática na educação básica, foi realizada uma revisão de literatura científica produzida entre os anos de 2020 a 2025. Os estudos foram selecionados com base em sua relevância para o tema, diversidade metodológica e contribuição teórica. A seguir, apresenta-se um quadro com a síntese dos principais trabalhos identificados, destacando autorias, objetivos e os principais achados relacionados à gestão escolar participativa.

Quadro 1 – Síntese dos estudos selecionados

Fonte: Elaboração da autora (2025)

A análise dos estudos revela um panorama multifacetado da gestão democrática nas escolas brasileiras. Os dados apontam avanços significativos em termos de participação pedagógica, liderança e uso de tecnologias, ao mesmo tempo em que evidenciam persistentes desafios como a formação insuficiente dos gestores, barreiras institucionais e limitações estruturais. Tais achados reforçam a importância da atuação conjunta entre políticas públicas, formação continuada e engajamento da comunidade escolar para consolidar práticas democráticas mais efetivas e inclusivas no ambiente educacional.

DISCUSSÃO DOS RESULTADOS

Os estudos analisados revelam uma preocupação comum com a implementação de uma gestão escolar democrática e participativa, destacando a importância do envolvimento da comunidade escolar, da formação continuada dos gestores e do fortalecimento de práticas coletivas na tomada de decisões. Da Costa et al. (2022) apontam que as competências e habilidades dos diretores escolares precisam ser constantemente desenvolvidas para garantir um ambiente colaborativo e eficaz, o que é reforçado por Fernandes et al. (2024), ao afirmarem que o desenvolvimento profissional dos professores deve ser prioridade na gestão escolar, especialmente diante das demandas complexas do cotidiano escolar.

De Melo et al. (2021) e Oliveira e Souza (2024) convergem ao indicar que a gestão democrática não se resume à simples participação dos atores escolares, mas exige a construção de espaços efetivos de escuta e diálogo, sobretudo através da coordenação pedagógica, que atua como ponte entre o corpo docente e a gestão. Esse ponto de vista é também partilhado em um estudo anterior realizado por Leitão e Pordeus (2022), que defendem uma liderança participativa centrada no processo de ensino-aprendizagem, sugerindo que o papel do gestor deve ser ressignificado a partir de práticas que envolvam a escuta ativa e a mediação de conflitos pedagógicos.

A gestão escolar orientada por princípios democráticos, segundo Costa et al. (2023), fortalece o processo de ensinagem, principalmente em contextos de vulnerabilidade social, onde a participação da comunidade e o protagonismo docente tornam-se estratégias de resistência. Tal perspectiva é fortalecida pela análise de Rossi et al. (2024), que identificam nos desafios enfrentados pelas escolas públicas a necessidade de uma atuação gestora mais sensível às realidades locais, promovendo inclusão e equidade no acesso à educação de qualidade.

O uso de tecnologias digitais também aparece como uma ferramenta relevante para o exercício da gestão democrática, conforme discutido por Freires et al. (2024), que evidenciam como a robótica e os recursos digitais, quando bem integrados, contribuem para o engajamento dos diferentes segmentos escolares e a modernização das práticas pedagógicas. Em sintonia, Moura e Bispo (2021) abordam a gestão a partir da perspectiva da sociomaterialidade, apontando que a tecnologia, os espaços e os artefatos escolares não são neutros, mas participam ativamente da constituição das práticas escolares e da organização do trabalho educativo.

Complementando a discussão supracitada, Oliveira e Lopes (2023) reforçam o olhar histórico e a necessidade de resgate das experiências acumuladas ao longo das décadas no que se refere à gestão democrática, indicando que muitos avanços ainda são limitados por entraves culturais e estruturais. A tradição autoritária em muitas instituições educacionais dificulta a plena consolidação de uma cultura participativa, sendo necessário um processo formativo contínuo que promova a cultura democrática como valor institucional.

CONSIDERAÇÕES FINAIS 

A análise sobre a gestão democrática na educação básica permitiu compreender que, apesar dos avanços legais e das propostas teóricas, ainda existem inúmeros desafios para sua efetivação nas escolas públicas brasileiras. O objetivo do estudo, que consistia em investigar os princípios, a importância da participação da comunidade escolar e os obstáculos históricos e culturais à gestão democrática, foi alcançado à medida que se demonstrou a complexidade do tema e a necessidade de fortalecimento da cultura participativa no ambiente escolar. 

As reflexões apresentadas revelam que a participação ativa da comunidade escolar é um dos pilares fundamentais para consolidar uma gestão democrática de fato. No entanto, para que essa participação ocorra de maneira efetiva, é imprescindível investir na formação dos gestores, valorizar os espaços de escuta e diálogo, e promover ações que fortaleçam o vínculo entre escola, família e sociedade. A superação das barreiras estruturais, históricas e culturais depende de um esforço coletivo e contínuo, orientado por princípios de equidade, justiça social e compromisso com uma educação pública de qualidade.

Para pesquisas futuras, seria relevante aprofundar os estudos de caso em diferentes regiões do país, a fim de identificar práticas bem-sucedidas de gestão democrática e os fatores que contribuem para seu êxito. Além disso, é recomendável investigar o impacto da formação inicial e continuada dos gestores escolares na promoção da participação coletiva, bem como explorar o papel das tecnologias digitais como instrumentos de mediação na construção de uma gestão mais participativa e transparente. 

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

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MOURA, E. O; BISPO, M. S. Compreendendo a Prática da Gestão Escolar pela Perspectiva da Sociomaterialidade. Educar em revista, v. 28, n. 96, 2021.  

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Duz, Lucinéia Silveira. A gestão democrática na educação básica: Fundamentos e legislação.International Integralize Scientific. v 5, n 50, Agosto/2025 ISSN/3085-654X

Referencias

Vivian Caroline Coraucci.
BAILEY, C. J.; LEE, J. H.
Management of chlamydial infections: A comprehensive review.
Clinical infectious diseases.
v. 67
n. 7
p. 1208-1216,
2021.
Disponível em: https://academic.oup.com/cid/article/67/7/1208/6141108.
Acesso em: 2024-09-03.

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A gestão democrática na educação básica: Fundamentos e legislação

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