A (re) construção dos saberes sobre plantas medicinais por estudantes da educação básica: Do conhecimento empírico ao científico

THE (RE)CONSTRUCTION OF KNOWLEDGE ON MEDICINAL PLANTS AMONG BASIC EDUCATION STUDENTS: BRIDGING EMPIRICAL AND SCIENTIFIC UNDERSTANDING

LA (RE)CONSTRUCCIÓN DE LOS SABERES SOBRE PLANTAS MEDICINALES POR ESTUDIANTES DE LA EDUCACIÓN BÁSICA: DEL CONOCIMIENTO EMPÍRICO AL CIENTÍFICO

Autor

URL do Artigo

https://iiscientific.com/artigos/B61A2E

DOI

doi.org/10.63391/B61A2E

Vicente, Michele Cagnin. A (re) construção dos saberes sobre plantas medicinais por estudantes da educação básica: Do conhecimento empírico ao científico. International Integralize Scientific. v 5, n 49, Julho/2025 ISSN/3085-654X

Resumo

O ensino de Botânica, frequentemente abordado de forma teórica e descontextualizada, pode desmotivar estudantes da Educação Básica. Esta pesquisa investigou a aplicabilidade de uma oficina pedagógica com plantas medicinais como estratégia para tornar o ensino de Botânica mais significativo para alunos do 7º ano do Ensino Fundamental. Com abordagem qualiquantitativa, foram aplicados questionários antes e após as oficinas, os quais evidenciaram os conhecimentos prévios dos estudantes e a relevância do tema para o seu contexto. Após a realização da atividade, observou-se um aumento na compreensão de conceitos científicos, na valorização de práticas como a produção de exsicatas e no engajamento dos alunos, promovendo uma efetiva integração entre teoria e prática. Os resultados destacam o potencial das metodologias ativas e a importância de conectar a cultura local ao conteúdo escolar, contribuindo para uma formação científica crítica, participativa e contextualizada.
Palavras-chave
ensino de ciências; botânica; plantas medicinais; saberes populares; metodologias ativas.

Summary

The teaching of Botany, often approached in a theoretical and decontextualized manner, can demotivate students in Basic Education. This research investigated the applicability of a pedagogical workshop with medicinal plants as a strategy to make the teaching of Botany more meaningful for 7th-grade students in Elementary School. Using a qualitative-quantitative approach, questionnaires were applied before and after the workshops, which revealed students’ prior knowledge and the relevance of the topic to their context. After the activity, there was an increase in the understanding of scientific concepts, in the appreciation of practices such as the production of exsiccates, and in student engagement, promoting an effective integration between theory and practice. The results highlight the potential of active methodologies and the importance of connecting local culture with school content, contributing to a critical, participatory, and contextualized scientific education.
Keywords
science teaching; botany; medicinal plants; traditional knowledge; active methodologies.

Resumen

La enseñanza de la Botánica, frecuentemente abordada de forma teórica y descontextualizada, puede desmotivar a los estudiantes de la Educación Básica. Esta investigación investigó la aplicabilidad de un taller pedagógico con plantas medicinales como estrategia para hacer que la enseñanza de la Botánica sea más significativa para los alumnos del séptimo grado de la Educación Primaria. Con un enfoque cualicuantitativo, se aplicaron cuestionarios antes y después de los talleres, los cuales evidenciaron los conocimientos previos de los estudiantes y la relevancia del tema en su contexto. Tras la realización de la actividad, se observó un aumento en la comprensión de conceptos científicos, en la valorización de prácticas como la elaboración de exicatas y en el compromiso de los alumnos, promoviendo una integración efectiva entre teoría y práctica. Los resultados destacan el potencial de las metodologías activas y la importancia de conectar la cultura local con los contenidos escolares, contribuyendo a una formación científica crítica, participativa y contextualizada.
Palavras-clave
enseñanza de las ciencias; botánica; plantas medicinales; saberes populares; metodologías activas.

INTRODUÇÃO 

O ensino de Botânica, em todos os níveis acadêmicos, tem sido motivo de preocupação no Brasil, sendo frequentemente caracterizado como excessivamente teórico, desestimulante e subvalorizado no conjunto das Ciências Naturais (SALATINO; BUCKERIDGE, 2016). Para Ursi et al. (2018), em muitas situações, os conteúdos de Botânica são abordados de forma descontextualizada, o que pode ser um dos principais fatores do desinteresse e das dificuldades de aprendizagem por parte dos estudantes.

Nesse contexto, a Base Nacional Comum Curricular (BNCC) destaca a importância de promover experiências investigativas desde a Educação Infantil:

A Educação Infantil precisa promover experiências nas quais as crianças possam fazer observações, manipular objetos, investigar e explorar seu entorno, levantar hipóteses e consultar fontes de informação para buscar respostas às suas curiosidades e indagações (Brasil, 2018, p. 43).

O Brasil, detentor da maior diversidade vegetal do planeta, apresenta uma forte tradição no uso de plantas medicinais, enraizada nos conhecimentos dos povos originários, com influências africanas e europeias (NESPOLI et al., 2021). Nesse sentido, as plantas medicinais constituem recursos didáticos potentes no ensino de Botânica, pois possibilitam aos alunos o contato com espécies do cotidiano, promovendo a aproximação entre o saber popular e o conhecimento científico (BRITO et al., 2021).

As oficinas pedagógicas, por sua vez, contribuem significativamente para a construção do conhecimento de forma contextualizada e significativa. Segundo Pinheiro et al., 2024, p. 16:

A oficina consiste em uma metodologia de ensino e aprendizagem com potencial para dinamizar a prática pedagógica, promover a interação entre os participantes por meio da integração teoria-prática e do trabalho coletivo, investigativo, dado seu caráter participativo, dialógico e interdisciplinar, bem como para estimular o interesse, a curiosidade e a criatividade dos participantes.

Diante deste cenário, o objetivo deste trabalho foi analisar a contribuição de uma Oficina Pedagógica sobre Plantas Medicinais para o ensino e a aprendizagem significativa dos conteúdos de Botânica, desenvolvida com alunos do 7º ano do Ensino Fundamental, durante as aulas de Ciências.

MATERIAL E MÉTODOS

O presente trabalho caracterizou-se como uma pesquisa qualitativa, de natureza aplicada, com abordagem exploratória, estruturada como uma proposta de intervenção pedagógica. Foi desenvolvido em 2023, durante as aulas de Ciências do 7º ano do Ensino Fundamental, em uma escola pública de Mendes/RJ. A intervenção consistiu em uma Oficina Pedagógica intitulada “Plantas medicinais: do conhecimento empírico ao científico”, com o objetivo de valorizar saberes populares sobre plantas medicinais, articulando-os ao conhecimento científico e estimulando o interesse pela Ciência.

A oficina foi realizada em três encontros, com a participação de 30 estudantes, combinando momentos teóricos e práticos. O primeiro encontro iniciou-se com a apresentação da proposta da oficina e a aplicação de um Questionário Diagnóstico 1 (QD1) para identificar os conhecimentos prévios dos alunos sobre a temática. O questionário incluiu as seguintes perguntas:

  1. O que são plantas medicinais? 
  2. Você acredita que plantas medicinais podem tratar ou curar algumas doenças?

(   ) Sim   (   ) Não. Caso positivo (sim), cite o nome de 03 (três) doenças que você acredita que podem ser tratadas ou curadas com o uso de plantas medicinais.

  1. Em sua opinião, as plantas medicinais podem provocar efeitos maléficos/adversos ao usuário? (   ) Sim (   ) Não. Explique.
  2. Você já fez uso de alguma planta medicinal? (   ) Sim     (   ) Não. Caso positivo (sim), cite o nome de 03 (três) plantas medicinais que você mais costuma utilizar.
  3.   Você cultiva alguma planta medicinal em sua casa? (   ) Sim     (   ) Não Caso positivo (sim), cite o nome da(s) planta(s) medicinal(is) que você cultiva.
  4. As substâncias benéficas à saúde das pessoas presentes nas plantas medicinais são chamadas de (marque uma das alternativas abaixo):
  5. a) Princípios ativos. b) Compostos aromáticos. c) Compostos voláteis. d) Não sei o nome.
  6. Você sabe o que é ou já ouviu falar em herbário e/ou em exsicata?  (   ) Sim   Não (   ). Caso positivo (sim), explique.

Em seguida, realizou-se uma discussão dialógica sobre o uso de plantas medicinais no contexto familiar e comunitário. A parte teórica, apoiada em recursos multimídia, abordou aspectos culturais, sociais e científicos das plantas medicinais. Ao final, os alunos receberam a orientação para coletar partes de, no mínimo, três espécies de uso medicinal, para a atividade prática seguinte.

No segundo encontro, os alunos organizados em grupos, confeccionaram exsicatas com as amostras coletadas. Para isso, utilizaram materiais simples, como tesouras sem ponta, papelão, barbante, papel sulfite, fita adesiva, cola branca e etiquetas. As etiquetas continham campos para o nome do coletor, nome popular e científico (quando identificado), local e data da coleta. Esta etapa teve como finalidade a familiarização com técnicas básicas de preservação botânica e a sistematização de dados para organização científica de coleções vegetais.

O terceiro encontro foi dedicado à elaboração de livretos ilustrados contendo as principais características das plantas estudadas (parte utilizada, formato, cor) e suas indicações de uso medicinal, integrando os saberes empíricos e científicos discutidos. Simultaneamente, os grupos organizaram algumas exsicatas que foram incorporadas ao Espaço da Ciência da escola. Ao término das atividades, aplicou-se o Questionário Diagnóstico 2 (QD2) para avaliar a (re)construção dos conhecimentos, os avanços conceituais e a valorização dos saberes locais em diálogo com a ciência. Este questionário foi composto pelas seguintes perguntas:

  1. Você considera que as atividades desenvolvidas a partir das plantas medicinais contribuíram para aprendizagem mais interessante dos conteúdos de botânica? (   ) Sim (   ) Não. Justifique.
  2. Durante as atividades do projeto você aprendeu sobre alguma planta medicinal que você ainda não conhecia? (   ) Sim (   ) Não. Caso positivo (sim), qual(is)?
  3. Em sua opinião, as plantas medicinais podem provocar efeitos maléficos/adversos ao usuário? (   ) Sim (   ) Não. Explique.
  4. Em sua opinião, qual das atividades desenvolvidas durante o projeto com as plantas medicinais foi a mais interessante? 
  5. As substâncias benéficas à saúde das pessoas presentes nas plantas medicinais são chamadas de (marque uma das alternativas abaixo):
  6. a) Princípios ativos. b) Compostos aromáticos. c) Compostos voláteis. d) Não sei o nome.
  7. Em relação à produção de exsicatas e herbários de plantas medicinais você considera:

(     ) Muito importante para o aprendizado de botânica e para a pesquisa científica.

(     ) Pouco importante para o aprendizado de botânica e para a pesquisa científica

(     ) Não é importante para o aprendizado de botânica e para a pesquisa científica.

Adicionalmente, dois alunos foram convidados a apresentar os livretos e as exsicatas em uma Mostra de Ciências regional, como forma de estimular o protagonismo estudantil, a comunicação científica e a valorização dos saberes locais. 

RESULTADOS E DISCUSSÕES

Os resultados do QD1 mostraram que a maioria dos alunos associa plantas medicinais à cura de doenças, refletindo conhecimentos empíricos e culturais presentes no cotidiano dos estudantes. Na questão sobre o significado de plantas medicinais, a maioria definiu como aquelas usadas para curar ou como remédios (Figura 1).

Figura 1 – Nuvem de palavras representando os termos mais utilizados pelos alunos na Questão n° 1 do QD1 – “O que são plantas medicinais?”.

Fonte: Elaborado pelos autores (2025).

Sobre a eficácia medicinal, 83% acreditam que as plantas tratam ou curam doenças (Figura 2), evidenciando familiaridade com seu uso terapêutico, conforme definição da ANVISA (BRASIL, 2022).

Figura 2 – Respostas dos alunos durante o Questionário Diagnóstico 1 (QD1) “Você acredita que plantas medicinais podem tratar ou curar algumas doenças?”.

Fonte: Elaborado pelos autores (2025).

Os dados indicam que os alunos já tinham conhecimento prévio sobre o uso de plantas medicinais, revelando familiaridade com seus fins terapêuticos. Isso está alinhado à definição da ANVISA, que as descreve como tradicionalmente utilizadas por comunidades no tratamento ou cura de enfermidades (BRASIL, 2022). As doenças mais citadas pelos estudantes incluem dor de cabeça, ouvidos, garganta e abdômen, além de resfriado e tosse (Figura 3).

Figura 3 – Nuvem de palavras representando os termos mais utilizados pelos alunos na Questão n° 2 – Anexo I – “Caso positivo, cite o nome de 03 (três) doenças que você acredita que podem ser tratadas ou curadas com o uso de plantas medicinais?”.

Fonte: Elaborado pelos autores (2025).

Esses saberes, embora adquiridos informalmente, integram o repertório cultural dos alunos, transmitidos entre gerações (Nascimento, 2024).

Os currículos da educação infantil, do ensino fundamental e do ensino médio devem ter base nacional comum, a ser complementada, em cada sistema de ensino e em cada estabelecimento escolar, por uma parte diversificada, exigida pelas características regionais e locais da sociedade, da cultura, da economia e dos educandos (BRASIL, 1996).

A percepção sobre os riscos aumentou de 37% (QD1) para 70% (QD2), demonstrando maior consciência crítica quanto ao uso de plantas medicinais (Figura 4), alinhado a Pedroso et al. (2021) e Kongkaew et al. (2024). Os estudantes chegam à escola com saberes prévios que influenciam o processo de aprendizagem, podendo facilitar ou dificultar a construção de novos conhecimentos (ALMEIDA et al., 2021). A oficina alertou os alunos sobre riscos de uso inadequado, identificação incorreta e toxicidade, reforçando a necessidade de análise crítica sobre práticas populares (KONGKAEW et al., 2024).

Figura 4 – Respostas dos alunos durante o Questionário Diagnóstico 1 (QD1) e do Questionário Diagnóstico 2 (QD2) da alternativa “Plantas medicinais podem provocar efeitos maléficos/adversos ao usuário?”.

Fonte: Elaborado pelos autores (2025).

Mais de 50% dos alunos relataram já ter usado plantas medicinais (Figura 5), evidenciando a presença dessas práticas no cotidiano.

Figura 5 – Respostas dos alunos durante o Questionário Diagnóstico 1 (QD1), questão n° 4: “Você já fez uso de alguma planta medicinal?”.

Fonte: Elaborado pelos autores (2025).

Camomila, boldo, hortelã e capim-limão foram as plantas mais citadas (Figura 6), indicando forte vínculo com a medicina tradicional.

Figura 6 – Nuvem de palavras representando os termos mais utilizados pelos alunos na Questão n° 4 do Questionário Diagnóstico 1 (QD1) “Caso positivo, cite o nome de 03 (três) plantas medicinais que você mais costuma utilizar?”.

Fonte: Elaborado pelos autores (2025).

Além disso, 57% cultivam plantas medicinais em casa (Figura 7), como camomila, boldo e hortelã, reforçando o caráter tradicional dessas práticas.

Figura 7 – Respostas dos alunos durante o Questionário Diagnóstico 1 (QD1), questão n° 5: “Você cultiva alguma planta medicinal em sua casa?”.

Fonte: Elaborado pelos autores (2025).

Espécies como boldo, babosa, arnica, hortelã e camomila foram destacadas no cultivo doméstico (Figura 8), apontando oportunidade pedagógica baseada na realidade dos alunos.

Figura 8 – Nuvem de palavras representando os termos mais utilizados pelos alunos na Questão n° 5 do Questionário Diagnóstico 1 (QD1) “Caso positivo, cite o nome da(s) planta(s) medicinal(is) que você cultiva”.

Fonte: Elaborado pelos autores (2025).

A valorização dos saberes populares, integrada ao ensino escolar, favorece aprendizagens significativas (FERREIRA et al., 2020), como evidenciado por espécies similares citadas por estudantes na Bahia.

O reconhecimento do termo ‘princípio ativo’ aumentou de 10% para 64% após a oficina (Figura 9), destacando avanços conceituais, mas indicando a necessidade de reforço futuro.

Figura 9 – Respostas dos alunos durante o Questionário Diagnóstico 1 (QD1) e do Questionário Diagnóstico 2 (QD2): “As substâncias benéficas à saúde das pessoas presentes nas plantas medicinais são chamadas de?”.

Fonte: Elaborado pelos autores (2025).

Soares et al. (2021) ressaltam a importância de conhecer plantas benéficas e tóxicas, reforçando o papel da escola na prevenção de intoxicações. A abordagem de questões culturais favorece a reflexão sobre senso comum, cultura popular e a relação entre práticas tradicionais e ciência (LANA; LOBATO, 2016). Antes da oficina, 100% dos alunos desconheciam os termos herbário e exsicata. Após as atividades, 90% passaram a reconhecer a importância dessas práticas para o ensino e a pesquisa científica. Constatou-se que 83% consideraram as atividades com plantas medicinais mais interessantes para o aprendizado de Botânica (Figura 10), corroborando Silva e Ramos (2022).

Figura 10 – Respostas dos alunos durante o Questionário Diagnóstico 2 (QD2): “Você considera que as atividades desenvolvidas a partir das plantas medicinais contribuíram para aprendizagem mais interessante dos conteúdos de botânica?”.

Fonte: Elaborado pelos autores (2025).

Cerca de 60% dos estudantes afirmaram ter aprendido sobre novas espécies (Figura 11), evidenciando a ampliação do repertório vegetal e dos usos terapêuticos. 

Figura 11 – Respostas dos alunos no pós-questionário “Durante as atividades do projeto você aprendeu sobre alguma planta medicinal que você ainda não conhecia?”.

Fonte: Elaborado pelos autores (2025).

A coleta de plantas e a produção de exsicatas foram as atividades mais valorizadas (Figura 12), evidenciando a importância de experiências práticas no ensino de Botânica.

Figura 12 – Nuvem de palavras representando os termos mais utilizados pelos alunos na Questão n° 4 do Questionário Diagnóstico 2 (QD2): “Em sua opinião, qual das atividades desenvolvidas durante o projeto com as plantas medicinais foi a mais interessante?”.

Fonte: Elaborado pelos autores (2025).

A grande maioria dos estudantes (90%) atribuiu alta importância à produção de exsicatas e herbários para o aprendizado em Botânica e pesquisa científica (Figura 13).

Figura 13 – Respostas dos alunos no Questionário Diagnóstico 2 (QD2) “Em relação à produção de exsicatas e herbários de plantas medicinais você considera (muito importante; pouco importante ou não é importante) para o aprendizado de botânica e para a pesquisa científica?”.

Fonte: elaborado pelos autores (2025).

A abordagem metodológica, pautada em práticas investigativas e na valorização dos saberes locais, favoreceu o engajamento dos alunos e a ressignificação do aprendizado em Ciências. A participação na Mostra de Ciências evidenciou o protagonismo estudantil e a eficácia de propostas que integram ciência e cotidiano. Como destacam Santos e Rossi (2020), metodologias contextualizadas fortalecem competências como autonomia, pensamento crítico e comunicação científica, tornando o ensino mais significativo e conectado à realidade dos estudantes.

Apesar do interesse dos alunos, os resultados apontam uma lacuna na educação formal quanto ao uso adequado de plantas medicinais. Embora reconheçam seu valor terapêutico, falta-lhes base científica, indicando a necessidade de maior integração curricular. Como destacam Kindie (2023), Silva e Ramos (2022) e Silva et al. (2024), estratégias que articulam saber empírico e científico favorecem a aprendizagem e o engajamento. Essa abordagem atende à parte diversificada da LDB (BRASIL, 1996) e amplia a compreensão sobre cultura, saúde e ciência (LANA; LOBATO, 2016).

CONSIDERAÇÕES FINAIS

Os resultados indicam que as oficinas pedagógicas com plantas medicinais são uma estratégia eficaz para o ensino e aprendizagem de Botânica. A abordagem contextualizada, que integra saberes tradicionais e experiências dos estudantes, promoveu aprendizagens conceituais relevantes, ampliando a compreensão científica e o interesse pelas práticas como a produção de exsicatas e herbários.

A valorização do conhecimento popular contribuiu para ampliar o repertório dos alunos e estimular uma postura crítica em relação ao uso das plantas medicinais, além de fomentar o protagonismo estudantil por meio de atividades práticas. 

Apesar dos avanços, foi identificada a necessidade de aprofundamento em temas como princípios ativos e uso seguro das plantas, evidenciando a importância de uma abordagem contínua e integrada no currículo escolar. Assim, a pesquisa reforça o papel da escola na valorização dos saberes tradicionais e na construção do conhecimento científico, oferecendo subsídios para práticas pedagógicas que promovam uma educação em Ciências inclusiva, culturalmente sensível e fundamentada cientificamente.

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Vicente, Michele Cagnin. A (re) construção dos saberes sobre plantas medicinais por estudantes da educação básica: Do conhecimento empírico ao científico.International Integralize Scientific. v 5, n 49, Julho/2025 ISSN/3085-654X

Referencias

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Acesso em: 2024-09-03.

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