Leitura literária no ensino de inglês: Contribuições, desafios e possibilidades na escola pública

LITERARY READING IN ENGLISH LANGUAGE TEACHING: CONTRIBUTIONS, CHALLENGES, AND POSSIBILITIES IN PUBLIC SCHOOLS

LECTURA LITERARIA EN LA ENSEÑANZA DEL INGLÉS: CONTRIBUCIONES, DESAFÍOS Y POSIBILIDADES EN LA ESCUELA PÚBLICA

Autor

URL do Artigo

https://iiscientific.com/artigos/BDCF5D

DOI

doi.org/10.63391/BDCF5D

Sales, Felipe Henrique de Sousa. Leitura literária no ensino de inglês: Contribuições, desafios e possibilidades na escola pública. International Integralize Scientific. v 5, n 50, Agosto/2025 ISSN/3085-654X

Resumo

Este artigo discute o papel da leitura literária no ensino de inglês como língua estrangeira na escola pública. Por meio de uma revisão bibliográfica, analisa como os textos literários podem contribuir para o desenvolvimento linguístico, cultural e crítico dos estudantes, além de identificar os principais desafios e estratégias para sua aplicação no contexto educacional brasileiro. A literatura é apresentada como um recurso que amplia o vocabulário, promove empatia e fortalece a competência comunicativa intercultural. Autores como Calafato & Hunstadbråten (2024) e Khan & Alasmari (2018) destacam que a presença da literatura em sala de aula pode motivar os alunos e enriquecer a aprendizagem da língua inglesa. Apesar disso, o artigo também evidencia entraves como a falta de formação docente e de materiais adequados. Como alternativa, são propostas metodologias como o ensino recíproco, o uso de adaptações literárias e a combinação entre leitura extensiva e intensiva.
Palavras-chave
leitura literária; ensino de inglês; escola pública; competência intercultural.

Summary

This article discusses the role of literary reading in English as a foreign language teaching in public schools. Through a bibliographic review, it analyzes how literary texts can contribute to students’ linguistic, cultural, and critical development, as well as identifying the main challenges and strategies for implementing this practice in Brazilian education. Literature is presented as a resource that expands vocabulary, promotes empathy, and strengthens intercultural communicative competence. Authors such as Calafato & Hunstadbråten (2024) and Khan & Alasmari (2018) emphasize that the presence of literature in the classroom can motivate students and enrich English language learning. Nevertheless, the article also highlights barriers such as the lack of teacher training and suitable materials. As alternatives, it proposes methodologies such as reciprocal teaching, the use of literary adaptations, and the combination of extensive and intensive reading.
Keywords
literary reading; english teaching; public school; intercultural competence.

Resumen

Este artículo analiza el papel de la lectura literaria en la enseñanza del inglés como lengua extranjera en la escuela pública. A través de una revisión bibliográfica, examina cómo los textos literarios pueden contribuir al desarrollo lingüístico, cultural y crítico de los estudiantes, además de identificar los principales desafíos y estrategias para su aplicación en el contexto educativo brasileño. La literatura se presenta como un recurso que amplía el vocabulario, promueve la empatía y fortalece la competencia comunicativa intercultural. Autores como Calafato & Hunstadbråten (2024) y Khan & Alasmari (2018) destacan que la presencia de la literatura en el aula puede motivar a los alumnos y enriquecer el aprendizaje del idioma inglés. A pesar de ello, el artículo también señala obstáculos como la falta de formación docente y de materiales adecuados. Como alternativa, se proponen metodologías como la enseñanza recíproca, el uso de adaptaciones literarias y la combinación entre lectura extensiva e intensiva.
Palavras-clave
lectura literaria; enseñanza del inglés; escuela pública; competencia intercultural.

INTRODUÇÃO

O ensino de inglês como língua estrangeira na rede pública enfrenta limitações que vão desde a falta de recursos até práticas pedagógicas pouco conectadas à realidade dos estudantes. Em muitos casos, o foco excessivo em regras gramaticais e exercícios repetitivos distancia o aluno de um contato mais vivo com a língua. A leitura literária, nesse contexto, pode representar uma alternativa enriquecedora. Ao oferecer acesso a narrativas, personagens e contextos culturais variados, o texto literário, de acordo com Lazar (1993, p.19), ajuda a “estimular a imaginação dos nossos alunos, desenvolverem suas habilidades críticas e aumentar sua consciência emocional.” (Tradução Livre).  Dessa forma, há uma contribuição tanto para o desenvolvimento linguístico quanto para a formação cultural dos estudantes.

Apesar de seu potencial, a literatura ainda ocupa um espaço restrito nas aulas de inglês em escolas públicas. A dificuldade de acesso a obras adequadas, o pouco tempo destinado à disciplina, a ausência de formação específica para o trabalho com textos literários e a ideia de que a literatura não seria uma ferramenta eficaz para o ensino de línguas acabam limitando sua presença em sala de aula. Diante disso, é necessário refletir sobre os caminhos possíveis para integrar a leitura literária ao ensino de inglês de forma efetiva e significativa.

Este artigo tem como objetivo analisar de que maneira a leitura literária pode ser incorporada ao ensino de inglês como língua estrangeira na escola pública, considerando suas contribuições e os obstáculos que envolvem essa prática. Como objetivos específicos, propõe-se: compreender como o contato com a literatura em inglês pode favorecer o aprendizado da língua e a ampliação cultural dos estudantes; identificar os principais desafios enfrentados por professores da rede pública no uso de textos literários; e apresentar sugestões para tornar essa prática mais acessível e viável no cotidiano escolar.

As perguntas que orientam esta pesquisa são: Em que medida a leitura literária pode contribuir para o ensino de inglês na escola pública? Quais são as barreiras para sua aplicação? Que estratégias podem facilitar sua presença nas aulas?

METODOLOGIA

Este artigo é resultado de uma pesquisa de natureza qualitativa, com enfoque em revisão bibliográfica. A abordagem qualitativa é adequada quando se busca compreender fenômenos sociais a partir da análise de significados, interpretações e contextos, sem a pretensão de mensuração exata dos dados (Denzin; Lincoln, 2006). O método bibliográfico, por sua vez, permite reunir, interpretar e discutir os principais estudos já publicados sobre determinado tema, sendo especialmente útil quando se deseja construir uma base teórica sólida que dê suporte à investigação (Gil, 2017).

O levantamento teórico foi orientado por critérios de relevância e atualidade, com a seleção de obras que abordam a relação entre leitura literária, ensino de inglês, competência crítica, consciência intercultural e práticas pedagógicas. Foram incluídos estudos nacionais e internacionais publicados em periódicos científicos, livros acadêmicos e artigos de acesso aberto. 

A análise do material bibliográfico seguiu uma leitura interpretativa e comparativa, priorizando a identificação de conceitos-chave, argumentos recorrentes e evidências empíricas que sustentam ou problematizam o uso da literatura no ensino de inglês em contextos públicos. Conforme Lakatos e Marconi (2003), a revisão bibliográfica é uma técnica essencial para examinar o estado atual do conhecimento sobre determinado assunto e identificar lacunas ou possibilidades de aprofundamento. Neste estudo, as referências foram organizadas de acordo com quatro eixos principais: (1) os benefícios da leitura literária para a aprendizagem linguística e cultural; (2) a formação crítica e intercultural dos alunos; (3) os obstáculos enfrentados nas escolas públicas; e (4) as estratégias pedagógicas possíveis para integrar a literatura às práticas de ensino.

Essa metodologia permitiu construir uma visão ampla e fundamentada sobre o papel da literatura no ensino de inglês como língua estrangeira, respeitando os limites de uma pesquisa teórica, mas oferecendo subsídios que podem orientar ações práticas em contextos escolares.

APORTE TEÓRICO

A leitura literária no ensino de línguas estrangeiras tem sido tema de interesse entre pesquisadores que reconhecem seu potencial para além do desenvolvimento linguístico. Ao trazer textos que envolvem narrativas, personagens e diferentes contextos culturais, a literatura contribui para a formação de leitores mais críticos e conscientes. Esta seção apresenta algumas reflexões teóricas que ajudam a compreender como o uso de textos literários pode favorecer o aprendizado de inglês nas escolas públicas, ao mesmo tempo em que discute os limites e possibilidades dessa prática.

LEITURA LITERÁRIA E ENSINO DE LÍNGUAS

De acordo com Calafato e Hunstadbråten (2024), a leitura literária pode ser uma ferramenta poderosa no ensino de inglês como língua estrangeira, especialmente por seu potencial de promover o desenvolvimento simultâneo da linguagem e da consciência cultural. Textos literários, como contos, poemas e romances, apresentam uma linguagem rica e expressiva, que ajuda os alunos a entrarem em contato com diferentes estruturas gramaticais, vocabulários variados e formas estilísticas. No entanto, infelizmente, eles nem sempre estão presentes em livros didáticos disponibilizados para a rede pública.

Além disso, ao apresentar personagens diversos e contextos culturais autênticos, a literatura permite que os alunos ampliem sua visão de mundo e desenvolvam empatia por realidades diferentes das suas (Khan e Alasmari (2018)). Essa experiência contribui para a formação de leitores mais sensíveis e abertos à diversidade cultural. O contato com diferentes pontos de vista também favorece o desenvolvimento de atitudes críticas, fundamentais para a formação integral do estudante.

Khan e Alasmari (2018) reforçam essa perspectiva ao afirmarem que “textos literários desempenham um papel importante no aprendizado da língua inglesa, especialmente ao melhorar a competência comunicativa, aumentar a consciência cultural e gerar motivação entre os estudantes.” (p. 167, tradução livre). Dessa forma, os textos literários contribuem para um aprendizado mais profundo e envolvente, ao mesmo tempo em que fortalecem o domínio da língua inglesa por meio da leitura significativa e do envolvimento emocional com os conteúdos trabalhados.

A leitura literária pode desempenhar um papel significativo no ensino de inglês como língua estrangeira, por favorecer tanto o desenvolvimento linguístico quanto a ampliação da consciência cultural. Textos como contos, poemas e romances expõem os alunos a uma linguagem rica e a diferentes perspectivas sociais e culturais, estimulando o pensamento crítico, a empatia e o envolvimento emocional com a aprendizagem. Embora nem sempre estejam presentes nos materiais didáticos da rede pública, esses textos são valorizados por estudiosos como Calafato e Hunstadbråten (2024) e Khan e Alasmari (2018), que destacam sua contribuição para o aumento da motivação, da competência comunicativa e da formação de leitores mais sensíveis à diversidade.

FORMAÇÃO CRÍTICA POR MEIO DA LITERATURA

O uso de textos literários no ensino de inglês como língua estrangeira pode desempenhar um papel essencial no desenvolvimento do pensamento crítico. Ao lidar com temas sociais, culturais e identitários, a literatura convida os alunos a refletirem sobre o mundo em que vivem e a adotarem uma postura mais analítica diante das informações que recebem. Como destacam Bobkina e Stefanova (2016, apud Stefanova; Bobkina; Sánchez-Verdejo Pérez, 2017), as habilidades de pensamento crítico associadas ao trabalho com textos literários envolvem múltiplas dimensões, como “interpretação do mundo, autorreflexão, consciência intercultural, consciência crítica, raciocínio e resolução de problemas, e uso da linguagem” (p. 685, tradução livre).

Essas dimensões se confirmam em contextos práticos, como demonstrou Stefanova et al. (2017) em um estudo de caso realizado com estudantes de inglês como língua estrangeira na Espanha. Por meio de atividades baseadas em histórias literárias que abordavam temas como imigração e discriminação, os alunos demonstraram avanços significativos em autorreflexão e passaram a interpretar com mais profundidade problemas do mundo real. Os dados revelam que o uso de textos literários pode ser uma estratégia eficaz para promover o pensamento crítico e o engajamento social entre estudantes de contextos públicos.

Complementando essa perspectiva, Xu, Ahmad e Abd Rahman (2024), em uma revisão sistemática, reforçam que o contato com narrativas multiculturais amplia a empatia e fortalece a consciência intercultural. Os autores observam que “a literatura multicultural melhora significativamente a competência comunicativa intercultural dos alunos ao expô-los a diferentes narrativas culturais, promovendo o pensamento crítico, a empatia e a mente aberta” (p. 308, tradução livre). A presença de múltiplas vozes, contextos e conflitos nos textos literários contribui para que os alunos se sensibilizem diante da diversidade e desenvolvam posturas mais abertas e reflexivas.

Nesse sentido, o conceito de competência comunicativa intercultural, elaborado por Byram (1997), oferece um referencial teórico importante para compreender o papel da literatura na formação crítica e cultural dos estudantes. Para ele, ser um “falante intercultural” significa ir além da habilidade linguística, envolvendo também atitudes de curiosidade, respeito e disposição para compreender perspectivas distintas. Como afirma o autor, é necessário estar disposto a “suspender o julgamento diante das crenças e comportamentos dos outros” (p. 34, tradução livre). Ao se engajarem com textos que retratam experiências humanas diversas, os alunos exercitam justamente essa postura interpretativa e comparativa, essencial para o diálogo em contextos multiculturais.

DESAFIOS DA LEITURA LITERÁRIA NO ESPAÇO PÚBLICO

Apesar das contribuições positivas da literatura para o ensino de inglês, sua implementação nas escolas públicas enfrenta uma série de obstáculos. Um dos principais desafios é a disponibilidade limitada de textos literários multiculturais adequados ao nível e à realidade dos alunos. Xu et al. (2024) destacam que “acessar textos multiculturais diversos e adequados que estejam alinhados aos objetivos educacionais e às necessidades dos estudantes continua sendo um desafio significativo” (p. 318, tradução livre). Isso reduz a exposição dos alunos a diferentes perspectivas culturais, comprometendo a eficácia da literatura na promoção da competência comunicativa intercultural.

Outro entrave importante pode estar relacionado à preparação e formação dos professores. Alguns docentes podem sentir-se despreparados para abordar, de forma crítica e sensível, os temas culturais complexos presentes em textos literários. Como apontam Bagui e Zohra (2020) e Ousiali et al. (2023), citados por Xu et al. (2024), a falta de formação pode levar a um tratamento superficial dos conteúdos ou até à reprodução de estereótipos culturais, o que prejudica o desenvolvimento da consciência intercultural dos estudantes

Além disso, existem dificuldades no que diz respeito à avaliação das aprendizagens mediadas pela literatura. Os métodos tradicionais de avaliação em língua inglesa frequentemente não contemplam as habilidades críticas e culturais que o trabalho com textos literários busca desenvolver. Xu et al. (2024) observam que “avaliar e mensurar o desenvolvimento da competência comunicativa intercultural por meio da literatura multicultural representa um grande desafio” (p. 318, tradução livre), e que os instrumentos de avaliação precisam ser repensados para refletir os objetivos formativos desse tipo de abordagem.

Esses desafios se somam a fatores estruturais das redes públicas, como currículos engessados, falta de tempo e sobrecarga de conteúdos, que muitas vezes inviabilizam a inserção de práticas literárias significativas no ensino regular de inglês. Para superá-los, é necessário investir em formação continuada de professores, criação de materiais didáticos contextualizados e políticas públicas que reconheçam a importância da literatura como ferramenta crítica, cultural e linguística.

POSSIBILIDADES E CAMINHOS PARA A PRÁTICA PEDAGÓGICA

Uma estratégia que pode ser eficaz para tornar a literatura mais acessível e significativa nas salas de aula de inglês é a utilização de adaptações literárias. Ao serem transformadas em filmes, peças ou outras mídias, essas obras oferecem novas formas de engajamento dos alunos com os temas culturais presentes na narrativa original. Daniel & Olaoye (2024) afirmam que “As adaptações literárias dão vida a essas histórias diversas em formas visuais e auditivas, permitindo que o público se envolva profundamente com os cenários culturais, tradições e estilos de vida retratados.” (p. 106, tradução livre). Ou seja, tais adaptações tornam os textos literários mais envolventes e compreensíveis, além de favorecerem a discussão sobre valores, tradições e experiências humanas. Essa abordagem contribui para que os estudantes desenvolvam empatia e ampliem sua compreensão sobre diferentes culturas e formas de ver o mundo.

Outra técnica que pode enriquecer a leitura literária é o ensino recíproco (reciprocal teaching), uma abordagem interativa em que professor e alunos se revezam na aplicação de estratégias como resumir, fazer perguntas, esclarecer dúvidas e prever o conteúdo. Rawengwan & Yawiloeng (2020), em um estudo com estudantes tailandeses de Inglês como Segunda Língua, observaram que essa metodologia favorece tanto a compreensão leitora quanto o desenvolvimento da metacognição. Os autores afirmam que “os alunos conseguem usar estratégias metacognitivas de leitura para completar a tarefa em grupo” (p. 105, tradução livre). Ao promover a cooperação e a autorregulação, esse método amplia o engajamento dos alunos com os textos e favorece o pensamento crítico.

Além disso, abordagens baseadas na leitura extensiva (ER) e intensiva (IR) oferecem caminhos sólidos para enriquecer o ensino de literatura em aulas de inglês como língua estrangeira. Segundo Ali et al. (2022), a leitura extensiva é caracterizada pela leitura de grandes volumes de textos, geralmente escolhidos pelos próprios alunos, com o objetivo de promover prazer e compreensão geral. Essa prática estimula a autonomia, melhora a fluência leitora e expõe os estudantes a estruturas linguísticas autênticas em um ritmo mais natural. Já a leitura intensiva é centrada na análise detalhada de textos curtos, muitas vezes selecionados pelo professor, com foco em vocabulário, gramática e interpretação minuciosa. Essa abordagem favorece o desenvolvimento de habilidades específicas, como inferência e escaneamento textual.

A combinação dessas duas estratégias, conhecida como abordagem híbrida, tem sido apontada como uma alternativa eficaz para equilibrar o desenvolvimento linguístico e crítico dos estudantes. Ao alternar momentos de leitura livre com momentos de análise estruturada, o professor pode atender a diferentes objetivos pedagógicos e perfis de aprendizagem. Ali et al. (2022) destacam que, embora muitos educadores priorizem apenas a leitura intensiva, a integração com a leitura extensiva pode ampliar o engajamento dos alunos, melhorar sua motivação e promover ganhos mais abrangentes em termos linguísticos e culturais.

ANÁLISE E DISCUSSÃO DOS RESULTADOS

Os estudos revisados demonstram que o uso de textos literários no ensino de inglês como língua estrangeira traz benefícios significativos tanto para o desenvolvimento linguístico quanto para a formação crítica e intercultural dos estudantes. Ao entrar em contato com narrativas ficcionais, os alunos ampliam o vocabulário, reconhecem estruturas gramaticais em uso real e desenvolvem sensibilidade para a linguagem, conforme destacam Khan e Alasmari (2018), ao afirmarem que a literatura contribui para o enriquecimento das competências linguísticas por meio da exposição a uma linguagem autêntica e expressiva.

Além do ganho linguístico, os textos literários também promovem o engajamento emocional e o pensamento crítico. Alguns estudos indicam que obras com temáticas sociais relevantes, como migração, discriminação ou desigualdade, incentivam os alunos a refletirem sobre questões do mundo real, adotando uma postura de empatia e análise. Stefanova, Bobkina e Sánchez-Verdejo Pérez (2017) mostram que esse tipo de abordagem torna os alunos mais conscientes e reflexivos, o que fortalece sua autonomia e senso de responsabilidade diante das informações recebidas.

No entanto, a implementação da leitura literária em escolas públicas enfrenta desafios importantes. Um deles é a formação dos professores. Xu et al. (2024) identificam que o despreparo para lidar com os conteúdos culturais complexos presentes nos textos, pode levar a abordagens superficiais ou à evasão de certos temas. Além disso, a ausência de materiais adequados e a limitação de tempo e recursos também comprometem a integração efetiva da literatura no currículo escolar.

Apesar desses obstáculos, há caminhos viáveis para promover o uso da literatura na educação pública. Entre eles, destacam-se as estratégias didáticas interativas, como o ensino recíproco e o uso de adaptações literárias, além do equilíbrio entre leitura extensiva e intensiva. Essas práticas podem tornar a leitura mais acessível e significativa, sobretudo quando alinhadas com o nível linguístico dos alunos e com sua realidade sociocultural.

Por fim, os resultados apontam que, para que a literatura cumpra plenamente seu papel pedagógico, é necessário investir na formação contínua de professores, na seleção cuidadosa de textos e na criação de ambientes de aprendizagem que incentivem a leitura crítica e a troca de experiências. A literatura, portanto, não deve ser vista apenas como um recurso complementar, mas como uma ferramenta potente de formação integral.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

Este artigo buscou compreender como a leitura literária pode contribuir para o ensino de inglês como língua estrangeira no contexto da escola pública, a partir de uma perspectiva crítica, cultural e pedagógica. Com base na revisão de estudos nacionais e internacionais, foi possível identificar que os textos literários oferecem não apenas um rico material linguístico, mas também oportunidades para o desenvolvimento da empatia, da reflexão e da consciência intercultural dos estudantes.

A análise mostrou que, embora existam desafios reais — como a falta de formação específica dos professores, a limitação de tempo e recursos e a ausência de materiais contextualizados —, há também estratégias viáveis para integrar a literatura ao ensino de inglês de forma significativa. Práticas como o ensino recíproco, os círculos de leitura e a combinação entre leitura extensiva e intensiva demonstram potencial para aproximar os alunos do texto literário e ampliar suas competências linguísticas e críticas.

Diante disso, destaca-se a importância de políticas públicas que valorizem a leitura literária nas aulas de inglês e de investimentos em formação continuada que capacitem os professores para mediar textos com sensibilidade e intencionalidade pedagógica. Como sugestão para pesquisas futuras, propõe-se a realização de estudos empíricos que investiguem a aplicação prática dessas estratégias em contextos escolares diversos, a fim de avaliar sua eficácia e adaptabilidade. A literatura, assim, reafirma seu papel como ferramenta potente na formação de leitores autônomos, críticos e interculturais.

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Sales, Felipe Henrique de Sousa. Leitura literária no ensino de inglês: Contribuições, desafios e possibilidades na escola pública.International Integralize Scientific. v 5, n 50, Agosto/2025 ISSN/3085-654X

Referencias

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Disponível em: https://academic.oup.com/cid/article/67/7/1208/6141108.
Acesso em: 2024-09-03.

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Leitura literária no ensino de inglês: Contribuições, desafios e possibilidades na escola pública

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