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Resumo
INTRODUÇÃO
Ao final da década de 1980, o Brasil passou por um período de redemocratização caracterizado por inúmeras mudanças sociopolíticas, com respaldo legal no texto da Constituição Brasileira de 1988, conhecida como Constituição Cidadã. Já naquela época, o texto constitucional previa como direito fundamental o acesso à saúde de forma igualitária e universal.
Nesse contexto, após um amplo movimento de diversas camadas da sociedade, e considerando o cenário democrático de direito que se instalou novamente no País, o Sistema Único de Saúde (SUS) foi institucionalizado por meio das Leis nº. 8.0880/90 e nº. 8.142/90. O SUS é organizado de modo a atender em nível primário, secundário e terciário, e sua concepção de atuação é caracterizada por ações de saúde integrais, igualitárias, universais e descentralizadas (Brasil, 2025).
Atualmente, o SUS oferece um diversificado rol de tratamentos assistenciais, de baixa, média e alta complexidade, além de exames, medicamentos, políticas de vigilância em saúde, dentre outras iniciativas. Inseridas nesse rol se encontram as chamadas Práticas Integrativas e Complementares (PICS), que correspondem a um conjunto de terapias oriundas da medicina tradicional de diversas culturas, tal como a japonesa cuja terapia denominada reiki remonta suas origens.
Em termos globais, existem atualmente por volta de 231 terapias complementares em uso (Eidelwein, 2020). O reiki está entre essas terapias, e é uma técnica de cunho energético e não invasivo, que se faz por meio da imposição das mãos do terapeuta sobre pontos específicos do corpo do paciente, não sendo necessário o contato físico, mas tão somente a aproximação entre mãos e corpo (Alves; Silva; Freitas, 2021).
A técnica está entre os 29 tipos de PICS ofertadas pelo SUS e é classificada como serviço especializado do tipo imposição de mãos. Entre os anos de 2017 e 2023, o Ministério da Saúde realizou um levantamento que resultou no Relatório de Monitoramento Nacional das Práticas Integrativas e Complementares em Saúde nos Sistemas de Informação em Saúde do SUS, publicado em 2024. Com base no Relatório, no ano de 2023 foram registrados 93.398 procedimentos do tipo sessão de imposição de mãos. Entre os anos de 2017 e 2023, o número corresponde a um total de 255.719 (Brasil, 2024).
Em 2007, o reiki foi reconhecido pela Organização Mundial da Saúde (OMS) como uma terapia que auxilia no tratamento da dor. No cenário de institucionalização de práticas integrativas e complementares de imposição de mãos no SUS, que registram um número expressivo de atendimentos (Brasil, 2025), pergunta-se: na seara acadêmico-científica, cujo resultado das pesquisas é notadamente conhecido pela publicação de artigos, o assunto relativo à inserção da prática de reiki no setor de saúde pública brasileiro está sendo pesquisado o suficiente para o fomento de discussões, propositura de mudanças e melhorias?
No que se refere aos objetivos, tem-se como objetivo geral apresentar o tema proposto com base nas reflexões extraídas do referencial teórico, destacando conceitos e principais características da técnica de reiki. Como objetivo específico pretende-se realizar um levantamento do estado do conhecimento no Portal de Periódicos da Capes, para verificar como se encontra atualmente a produção de artigos que cuja investigação se refere ao estudo do reiki enquanto terapia ofertada no SUS.
REFERENCIAL TEÓRICO
O autor Andrade (2018) afirma que o Brasil é um país caracterizado por contrastes socioeconômicos e ampla diversidade cultural, o que exige do SUS o constante desenvolvimento de alternativas de atenção à saúde que sejam capaz de garantir direitos de cidadania, por meio de assistência universal e igualitária à população. Nesse contexto, a publicação da Política Nacional de Práticas Integrativas e Complementares (PNPIC), no ano de 2006, representa um importante avanço para institucionalização de terapias originárias de tradições de cuidados em saúde de outras culturas, como é o caso do reiki, que passou fazer parte das PICS em 2017.
“A palavra Reiki deriva dos caracteres japoneses “Rei” (energia universal, tudo que está entre nós) e “Ki” (energia vital, presente em todos os seres vivos). Assim, o Reiki pode ser entendido como a energia universal disponível para a energia vital de todos” (Barbieri et al., 2024, p. 4). A prática trabalha sob a premissa de que a energia de força vital universal pode ser canalizada e direcionada para as regiões do corpo que necessitam de tratamento, para promover bem-estar físico e mental. Os autores Barbieri et al. (2024, p. 5) acrescentam que isso é feito por meio da “eliminação dos nós energéticos que bloqueiam o fluxo da energia vital pelo indivíduo, e pela energização dos órgãos e centros energéticos do organismo. Assim, o Reiki visa harmonizar as condições do corpo, da mente e do espírito”.
Em termos históricos, essa técnica remonta suas origens no Japão do século XIX, e acredita-se que tenha sido criada por Mikao Usui, um professor a quem se atribui a redescoberta do sistema radicular hoje chamado Reiki. Atualmente, a técnica assume diversas formas, porém, o Sistema Usui de Cura Natural ainda é o mais amplamente praticado. Segundo Eidelwein (2020, p. 11),
no Tibete, região ao norte da Índia, existem registros com mais de oito mil anos, sobre técnicas que se baseavam no uso de energia através de imposição das mãos, técnicas essas que se expandiram pelo Egito, Grécia, Índia entre outros países, mas que acabaram ficando esquecidos nos últimos anos. (…) Outro nome que precisa ser mencionado é o de Hawayo Takata, a primeira mulher a se tornar Mestre em Reiki. (…) Na sociedade japonesa daquela época, a técnica era um tesouro reservado aos seus cidadãos e só teve permissão após argumentar que usaria o Reiki para tratar os japonese nos EUA.
No Brasil, em novembro de 1983, realizou-se o primeiro seminário sobre o tema Reiki, tendo como convidado o mestre norte-americano Stephen Cord Saik. Nos anos seguintes o reiki foi difundido junto a outras práticas complementares. É fato que desde os anos 70, a OMS fomenta a utilização de práticas integrativas na saúde, as chamadas Medicinas Tradicionais, Complementares e Integrativas (MTCI), considerando que a adoção deve ser amplamente desenvolvida sob políticas de regulamentação que estabeleçam requisitos relativos à segurança, formação profissional etc (Brasil, 2006).
METODOLOGIA
A investigação metodológica desta pesquisa consistiu em uma revisão bibliográfica de caráter exploratório, descritivo e com análise qualitativa, em materiais produzidos por pesquisadores e/ou grupos de pesquisa acerca do tema, para apresentação de conceitos e reflexões advindas do referencial bibliográfico, coletado em bases científicas nacionais e internacionais de reconhecida relevância, tais como SciELO, ERIC, Web of Science, Scopus e PubMed, além de repositórios da CAPES, documentos da OMS e do Ministério da Saúde.
A seleção não é exaustiva; prioriza obras basilares e documentos com maior impacto na definição dos descritores, nos critérios de inclusão e exclusão e na organização das categorias analíticas. Esse mapeamento funcionou como matriz teórico-metodológica para a triagem em dupla leitura, a categorização temática e a interpretação qualitativa dos achados, assegurando coerência entre problema, objetivos e procedimentos.
Por sua vez, o levantamento do estado do conhecimento foi realizado exclusivamente no Portal de Periódicos da Capes, que é “(…) um dos maiores acervos científicos virtuais do País, que reúne e disponibiliza conteúdos produzidos nacionalmente e outros assinados com editoras internacionais a instituições de ensino e pesquisa no Brasil” (Capes, 2020). Trata-se de uma base de dados que hospeda milhares de periódicos científicos de conteúdos diversos.
Com base nos descritores “reiki” e “práticas integrativas”, realizou-se uma pesquisa na sessão de busca por assunto no Portal. Os critérios de inclusão foram: artigos publicadas nos últimos 5 anos, em idioma estrangeiro ou pátrio, que apresentaram no título ao menos 1 dos descritores utilizados, o que foi suficiente para o atendimento dos objetivos pretendidos.
A relevância deste tipo de estudo relaciona-se diretamente com a necessidade de se identificar trabalhos científicos de qualidade e mapear tendências, “(…) mediante uma imersão crítico-reflexiva em um número significativo e expansivo de pesquisas realizadas no cenário acadêmico” (Santos et al., 2020, p. 203). Em uma pesquisa compreende-se que a metodologia escolhida “inclui as concepções teóricas (…) e deve dispor de um instrumental claro, coerente, elaborado, capaz de encaminhar os impasses teóricos para o desafio da prática” (Minayo, 2002, p. 16).
RESULTADOS
A pesquisa no Portal de Periódicos da Capes foi realizada com base na combinação dos descritores “reiki” e “práticas integrativas”. O termo “reiki” foi escolhido por se tratar da denominação do tipo de terapia investigado, e a expressão “práticas integrativas” foi escolhida por conta da sua utilização nos documentos de cunho legal e regulatório que tratam do uso desses recursos terapêuticos no SUS.
Na primeira tela do Portal há um campo inicial para pesquisa, e logo abaixo são disponibilizadas quatro opções de busca, a saber: buscar por assunto; lista de bases e coleções; lista de livros; lista de periódicos. Escolheu-se a opção buscar por assunto, e em seguida os descritores foram lançados em um novo campo, com a aplicação dos seguintes filtros: artigos de acesso aberto; intervalo tempo de 2020 a 2025. Outro critério de inclusão utilizado foi a escolha de trabalhos cujo cita em sua redação os 2 descritores ou ao menos 1.
A esse respeito, as autoras Garcia, Gattaz e Gattaz (2019, p.2) afirmam que o título “(…) é geralmente a primeira e, em muitos casos, a única informação que o leitor tem durante seu levantamento bibliográfico acerca de um determinado assunto (…)” e tem a capacidade de atrair ou afastar o leitor, portanto, deve cumprir com o propósito de veicular a informação a respeito do que se trata o trabalho de forma precisa. Com base nos argumentos de autores como González Aguilar, que em 2017 afirmou, no artigo intitulado La redacción del título en artículos científicos, que o título de um trabalho acadêmico é a porta de entrada para leitura do material.
Assim sendo, em um primeiro momento, o Portal forneceu 29 trabalhos, mas após a leitura dos títulos, 4 artigos foram excluídos porque não fazem uso de nenhum dos descritores no título.
O resultado final corresponde a 25 artigos, conforme listado no Quadro 1:
Quadro 1 – Trabalhos coletados no Portal de Periódicos da CAPES, em ordem alfabética.
| Autores | Título | Ano | Base de publicação |
| Alves et al. | O manejo não farmacológico da dor em clientes oncológicos: sugestão de reiki como prática complementar: revisão integrativa. | 2023 | Brazilian Journal of Development |
| Barbieri et al. | O efeito da terapia Reiki na dor de pacientes oncológicos: uma revisão sistemática. | 2024 | Brazilian Journal of Health Review |
| Barros et al. | Terapias integrativas como constelação familiar, reiki, all-love, xamanismo-caravana do despertar. | 2021 | Revista Integrativa Em Inovações Tecnológicas Nas Ciências Da Saúde |
| Copatti et al. | Conhecimento e uso de práticas integrativas e complementares por docentes durante a pandemia da covid-19: estudo transversal. | 2024 | Cuadernos De Educación Y Desarrollo |
| Damasceno; Barreto | Cuidado além da biomedicina: práticas integrativas e complementares para pacientes e acompanhantes do Hospital Universitário da Univasf (HU-UNIVASF). | 2020 | Brazilian Journal of health Review |
| Diniz et al. | Práticas integrativas e complementares na Atenção Primária à Saúde. | 2022 | Ciência, Cuidado e Saúde |
| Dumke et al. | Práticas integrativas e complementares para o bem-estar animal como contribuição ao aprendizado da medicina veterinária | 2024 | Contraponto |
| Goecks et al. | Formação de estudantes da área da saúde em práticas integrativas e complementares. | 2019 | Revista Interdisciplinar De Promoção Da Saúde |
| Gontijo et al. | Práticas integrativas e complementares. | 2020 | Interfaces – Revista de Extensão da UFMG |
| Gnatta et al. | Perfil sociodemográfico e de formação dos profissionais de Enfermagem do estado de São Paulo em relação às práticas integrativas e complementares em Saúde. | 2024 | Rev. Latino-Am. Enfermagem |
| Kos | Benefícios das práticas integrativas e complementares para usuários do sistema único de saúde: revisão integrativa. | 2023 | Revista Ibero-Americana de Humanidades, Ciências e Educação |
| Kurebayashi et al. | Massagem e Reiki para redução de estresse e melhoria de qualidade de vida: ensaio clínico randomizado. | 2020 | Revista da Escola de Enfermagem |
| Lima; Caetano | Práticas integrativas e complementares na Rede de Atenção à Saúde pública do Distrito Federal – Brasil | 2023 | Tempus – Actas De Saúde Coletiva |
| Medeiros et al. | Práticas integrativas e complementares: estratégia de cuidado por meio do Reiki em pessoas com depressão. | 2019 | Research, Society and Development |
| Medeiros et al. | O uso das práticas integrativas e complementares em saúde no estímulo à qualidade de vida e ao autocuidado: relato de experiência. | 2021 | Brazilian Journal of Health Review |
| Mildemberg et al. | Práticas integrativas e complementares na atuação dos enfermeiros da atenção primária à saúde. | 2023 | Escola Anna Nery |
| Moura; Gonçalves | Práticas integrativas e complementares para alívio ou controle da dor em oncologia | 2020 | Revista de Enfermagem Contemporânea |
| Mouta et al. | As práticas integrativas e complementares em saúde e a qualidade de vida de idosos: revisão integrativa. | 2021 | Brazilian Journal of Health Review |
| Munhoz et al. | Práticas integrativas e complementares para promoção e recuperação da saúde | 2020 | Revista Científica de Enfermagem |
| Negro-Dellacqua et al. | Extensão universitária: implantação do projeto “reiki por amor: toque terapêutico”. | 2022 | Revista Científica Multidisciplinar |
| Pavon et al. | O papel do reiki na redução da dor oncológica. | 2020 | Anais do VII Congresso Médico Universitário São Camilo |
| Pereira et al. | A utilização das práticas integrativas e complementares em Saúde e a atuação multiprofissional no atendimento odontológico | 2021 | Journal of Management & Primary Health Care |
| Ramos; Silva | Reiki como prática integrativa e complementares para o cuidado integral na saúde. | 2021 | Revista Pró-UniverSUS |
| Santos et al. | Protocolo de Reiki para ansiedade, depressão e bem-estar pré-operatórios: ensaio clínico controlado não randomizado | 2020 | Revista de Enfermagem da USP |
| Silva; Kobayasi | Práticas integrativas e complementares utilizadas para manejo da dor em idosos: revisão integrativa | 2021 | Global Academic Nursing Journal |
Fonte: Elaboração própria (2025).
Do total de trabalhos encontrados, o termo “reiki” aparece sozinho no título de 7 artigos, e desse quantitativo, 5 trabalhos relacionam o descritivo com a utilização da terapia na área da saúde, ressaltando que em 3 trabalhos, o uso de reiki está associado ao manejo de pacientes oncológicos.
No caso do descritor “práticas integrativas” verificou-se sua utilização na redação de 16 títulos, seguido do termo “complementares”. A associação dos 2 descritores se deu em 2 títulos
Com relação a análise dos periódicos, a maioria dos artigos foi publicada em revistas cujo escopo temático se relaciona com a área da saúde, totalizando 21 periódicos e 1 anual de congresso, conforme se verifica no Quadro 2:
Quadro 2 – Áreas de publicação.
| Base de publicação | Área de publicação |
| Brazilian Journal of Development | Multidisciplinar |
| Brazilian Journal of Health Review | Saúde |
| Revista Integrativa Em Inovações Tecnológicas Nas Ciências Da Saúde | Inovações tecnológicas e processos educativos na área da saúde |
| Cuadernos De Educación Y Desarrollo | Multidisciplinar |
| Ciência, Cuidado e Saúde | Saúde |
| Contraponto | Educação; Educação em Ciências e Educação Matemática |
| Revista Interdisciplinar De Promoção Da Saúde | Saúde |
| Interfaces – Revista de Extensão da UFMG | Multidisciplinar |
| Rev. Latino-Americana de Enfermagem | Enfermagem e área de saúde |
| Revista Ibero-Americana de Humanidades, Ciências e Educação | Multidisciplinar |
| Revista da Escola de Enfermagem | Enfermagem e área de saúde |
| Tempus – Actas De Saúde Coletiva | Saúde pública |
| Research, Society and Development | Multidisciplinar |
| Escola Anna Nery | Enfermagem |
| Revista de Enfermagem Contemporânea | Enfermagem e saúde coletiva |
| Revista Científica de Enfermagem | Enfermagem e saúde |
| Revista Científica Multidisciplinar | Multidisciplinar |
| Anais do VII Congresso Médico Universitário São Camilo | Medicina e outras áreas da saúde |
| Journal of Management & Primary Health Care | Atenção primária à saúde, multi e interdisciplinar |
| Revista Pró-UniverSUS | Educação, extensão e práticas de saúde |
| Revista de Enfermagem da USP | Enfermagem e saúde |
| Global Academic Nursing Journal | Enfermagem e Medicina |
Fonte: Elaborado pelo autor (2025).
DISCUSSÃO
A prática de reiki não é amplamente conhecida pela população brasileira, e sua herança oriental e princípios advindos de diferentes crenças culturais podem causar certo estranhamento. Contudo, a técnica foi institucionalizada pelo Ministério da Saúde por meio da PNPIC, e tem sido utilizada em ambiente hospitalar (Andrade, 2018). Não há consenso científico a respeito dos reais benefícios que o reiki pode apresentar, mas sua prática é difundida nas esferas pública e privada da saúde.
Faz-se necessário salientar que a falta de respaldo científico por vezes provoca discussões que questionam a legitimidade das terapias integrativas, e “os estudos realizados até o momento, ainda são insuficientes para validar a comprovação científica, que seria por meio de testes, experimentos e comprovação da veracidade e eficácia das técnicas” (Eidelwein, 2020, p. 6).
É comum que profissionais e estudiosos da classe médica fomentem muitos empasses acerca da eficácia da medicina alternativa, ainda que a demanda por atendimento terapêutico complementar e integrativo tenha crescido consideravelmente ao longo dos últimos anos, como no caso do Brasil que em 2023, registrou a realização de PICS no SUS em 4.640 municípios, 83% do total (Brasil, , 2024).
Os autores Liu et al. (2025) realizaram uma pesquisa que verificou os efeitos da terapia reiki na qualidade de vida de sujeitos específicos, e afirmam que o reiki não monstrou efeitos nocivos em comparação com outras terapias complementares e alternativas, como fitoterapia, suplementos alimentares e massoterapia. Avaliações sistemáticas têm demonstrado que a terapia reiki melhora significativamente a qualidade de vida, principalmente quando administrada com alta frequência de sessões, ainda que não haja comprovação científica suficiente.
A esse respeito, Andrade (2018, p. 94) esclarece que
não obstante os esforços para a conscientização dos potenciais do reiki e para amenizar a “mística” do atendimento, a técnica ainda é associada com aspectos religiosos, (…). Torna-se importante ressaltar que não é somente o reiki que possui obstáculos sociais para sua difusão, durante as entrevistas, também foi relatado à dificuldade de encaminhar alguns pacientes para o psicólogo, devido ao que se imagina sobre a terapia.
Sendo assim, embora o reiki esteja crescendo em popularidade, há poucas evidências de que ele ofereça algum benefício clínico. “Os praticantes afirmam que o Reiki pode proporcionar relaxamento, reduzir a dor, acelerar a cura e melhorar alguns sintomas. No entanto, poucas pesquisas comprovam quaisquer benefícios específicos para a saúde” (Liu, et al., 2025, p. 7).
Cientistas observam que faltam estudos de alta qualidade sobre sua eficácia, e de acordo com o National Center for Complementary and Integrative Health, principal agência do Governo Federal dos Estados Unidos para pesquisa científica em abordagens de saúde complementares e integrativas, é necessário mais investigações sobre os possíveis benefícios da terapia para a saúde (Liu, et al., 202, p. 7).
CONSIDERAÇÕES FINAIS
Com base na revisão bibliográfica realizada, compreendeu-se que a terapia de reiki tem raízes em antigas práticas de cura japonesas e é considerada uma forma de cura energética. Sua origem se dá pelas palavras japonesas “rei”, que significa universal, e “ki”, que significa energia vital. Em teoria, defende-se a ideia de que um mestre de reiki (um praticante treinado em reiki) pode canalizar a “energia vital universal” e direciona-la à pessoa que está sendo tratada, por meio da imposição de mãos em pontos específicos do corpo.
Culturas ao redor do mundo têm filosofias semelhantes que remontam a séculos. A medicina tradicional chinesa tem o conceito de qi, uma energia vital que flui através dos seres vivos, e a filosofia indiana oferece o conceito de prana, uma força energética vital que flui através dos chakras. Contudo, em termos de rigor científico, estudiosos do tema afirmam que ainda não há dados concretos para corroborar a eficácia do reiki e de outras terapias que trabalham com energia de cura.
Embora o reiki esteja crescendo em popularidade, há poucas evidências de que ele ofereça algum benefício clínico, e cientistas observam que faltam estudos de alta qualidade. No Brasil, embora essa terapia tenha sido oficialmente integrada ao rol de terapias integrativas oferecidas no SUS, o levamento do estado do conhecimento realizado neste artigo verificou que a quantidade de pesquisas acerca do tema ainda é insipiente. Recomenda-se o incentivo a pesquisas interdisciplinares, com foco nos impactos das terapias integrativas e complementares no cuidado à saúde dos indivíduos.
Ademais, é necessário fomentar políticas públicas e garantir investimentos, capacitação de profissionais e formação específica, não só para o exercício da prática de reiki no SUS, mas para apoio a oferta de todas as outras terapias previstas na PNPIC.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
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BRASIL. Ministério da Saúde. Sistema Único de Saúde – SUS. 2025. Disponível em: https://www.gov.br/saude/pt-br/sus. Acesso em: 31 ago. 2025.
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