Práticas pedagógicas inclusivas: Integrando autorregulação da aprendizagem e comunicação em estudantes com TEA

INCLUSIVE PEDAGOGICAL PRACTICES: INTEGRATING SELF-REGULATED LEARNING AND COMMUNICATION IN STUDENTS WITH ASD

PRÁCTICAS PEDAGÓGICAS INCLUSIVAS: INTEGRANDO AUTORREGULACIÓN DEL APRENDIZAJE Y COMUNICACIÓN EN ESTUDIANTES CON TEA

Autor

URL do Artigo

https://iiscientific.com/artigos/C1B582

DOI

doi.org/10.63391/C1B582

SOARES, Laiane Silva de Araújo. Práticas pedagógicas inclusivas: Integrando autorregulação da aprendizagem e comunicação em estudantes com TEA. International Integralize Scientific. v 5, n 51, Setembro/2025 ISSN/3085-654X

Resumo

A aprendizagem autorregulada tem ganhado destaque no campo educacional por sua contribuição no desenvolvimento da autonomia e no protagonismo discente. Fundamentada na Teoria Social Cognitiva, essa perspectiva compreende a autorregulação como um processo ativo em que o estudante define metas, mobiliza estratégias, monitora o desempenho e avalia os resultados de sua aprendizagem. Paralelamente, a inclusão escolar de estudantes com Transtorno do Espectro Autista (TEA) exige práticas pedagógicas que favoreçam tanto o desenvolvimento da comunicação quanto o fortalecimento de habilidades autorregulatórias. Nesse sentido, a comunicação é compreendida como recurso essencial para a participação social e acadêmica, viabilizando processos de interação e engajamento. O presente artigo discute a integração entre autorregulação e comunicação no contexto da inclusão escolar, destacando o papel do professor como mediador e a importância de estratégias pedagógicas intencionais que promovam a equidade e o desenvolvimento integral dos estudantes.
Palavras-chave
autorregulação da aprendizagem; comunicação; inclusão escolar.

Summary

Self-regulated learning has gained prominence in the educational field due to its contribution to students’ autonomy and active engagement in the learning process. Grounded in Social Cognitive Theory, self-regulation is understood as an active process in which learners set goals, apply strategies, monitor performance, and evaluate outcomes. At the same time, the school inclusion of students with Autism Spectrum Disorder (ASD) requires pedagogical practices that foster both communicative development and self-regulation skills. In this sense, communication is conceived as an essential resource for social and academic participation, enabling interaction and engagement. This article discusses the integration between self-regulation and communication within the context of school inclusion, highlighting the teacher’s role as a mediator and the importance of intentional pedagogical strategies that promote equity and students’ holistic development.
Keywords
self-regulated learning; communication; school inclusion.

Resumen

El aprendizaje autorregulado ha adquirido relevancia en el ámbito educativo por su aporte a la autonomía y al protagonismo del estudiante. Basado en la Teoría Social Cognitiva, este enfoque entiende la autorregulación como un proceso activo en el que el alumno establece metas, aplica estrategias, supervisa su desempeño y evalúa los resultados de su aprendizaje. Al mismo tiempo, la inclusión escolar de estudiantes con Trastorno del Espectro Autista (TEA) requiere prácticas pedagógicas que fortalezcan tanto el desarrollo de la comunicación como las habilidades autorregulatorias. En este sentido, la comunicación se concibe como un recurso esencial para la participación social y académica, posibilitando procesos de interacción y compromiso. Este artículo analiza la integración entre autorregulación y comunicación en el contexto de la inclusión escolar, resaltando el papel del docente como mediador y la relevancia de estrategias pedagógicas intencionales que promuevan la equidad y el desarrollo integral de los estudiantes.
Palavras-clave
aprendizaje autorregulado; comunicación; inclusión escolar.

INTRODUÇÃO

Nas últimas décadas, o campo da educação tem se voltado, de maneira crescente, para a compreensão de processos que favoreçam o protagonismo do estudante e sua participação ativa na construção do conhecimento. Nesse cenário, a autorregulação da aprendizagem tem se consolidado como um conceito-chave, fundamentado sobretudo na Teoria Social Cognitiva de Bandura (1986) e aprofundado por autores como Zimmerman (2013) e Schunk (2007). 

A aprendizagem autorregulada caracteriza-se pela capacidade do estudante de monitorar, controlar e avaliar suas ações, pensamentos e emoções, em um movimento cíclico de antecipação, execução e reflexão. Assim, o aluno deixa de ser mero receptor de informações e passa a assumir papel central no planejamento e na gestão de seu percurso formativo.

Paralelamente, o debate educacional contemporâneo também tem priorizado a inclusão escolar, assegurada pela legislação brasileira e reforçada por movimentos internacionais em prol da equidade. Nesse contexto, os estudantes com Transtorno do Espectro Autista (TEA) representam um público cuja presença crescente nas escolas demanda práticas pedagógicas diferenciadas e intencionais. 

Tais alunos apresentam, com frequência, desafios relacionados à comunicação e às funções executivas, que podem comprometer sua autonomia e sua participação plena no ambiente educacional (American Psychiatric Association, 2014).

A comunicação, nesse sentido, desempenha papel essencial para o desenvolvimento cognitivo, social e acadêmico de estudantes com TEA. Pesquisas indicam que o uso de estratégias como a comunicação alternativa e ampliada, a atenção compartilhada e as atividades cooperativas possibilitam avanços significativos na interação e no engajamento desses alunos (Nunes; Barbosa; Nunes, 2021). Quando integradas a práticas de autorregulação, tais estratégias não apenas ampliam o repertório comunicativo, mas também fortalecem a autonomia e a capacidade de autorreflexão.

Diante disso, observa-se a necessidade de investigar a relação entre autorregulação e comunicação como dimensões complementares para o processo de inclusão educacional. Enquanto a primeira favorece o desenvolvimento de competências cognitivas, motivacionais e comportamentais, a segunda garante as condições necessárias para que o aluno com TEA possa interagir, aprender e se desenvolver de maneira plena.

Nesse sentido, este artigo tem como objetivo discutir a importância da autorregulação no processo de aprendizagem e sua articulação com o desenvolvimento da comunicação em alunos com TEA. Busca-se, assim, analisar como tais práticas podem potencializar a inclusão escolar e contribuir para a formação integral dos estudantes, destacando o papel do professor como mediador fundamental na criação de ambientes educativos mais justos, acessíveis e transformadores.

APRENDIZAGEM E INCLUSÃO

A autorregulação constitui um dos pilares da psicologia educacional contemporânea, sendo amplamente estudada e aplicada como estratégia essencial para promover aprendizagens significativas e sustentáveis. Na perspectiva da Teoria Social Cognitiva de Bandura (1986), o comportamento humano é compreendido como resultado da interação dinâmica entre fatores pessoais, ambientais e comportamentais, fenômeno denominado de determinismo recíproco. 

Dentro desse arcabouço teórico, a autorregulação emerge como um processo pelo qual os indivíduos monitoram, controlam e ajustam seus pensamentos, emoções e condutas de forma intencional, direcionando-os à consecução de metas específicas (Schunk; Dibenedetto, 2020).

No contexto educacional, a autorregulação não se restringe apenas ao domínio cognitivo, mas envolve também aspectos motivacionais, metacognitivos e contextuais (Zimmerman, 2013). 

Isso significa que o estudante, ao aprender de maneira autorregulada, desenvolve não apenas estratégias para lidar com conteúdos acadêmicos, mas também competências relacionadas à autonomia, ao planejamento e à autoavaliação. Dessa forma, a aprendizagem autorregulada é entendida como um processo ativo, em que os estudantes participam de forma intencional e consciente na gestão de sua própria formação, diferindo de concepções tradicionais em que o aprendiz ocupa papel passivo frente à transmissão de conhecimento.

Pesquisas recentes confirmam a relevância desse assunto, para Panadero (2017), a aprendizagem autorregulada deve ser compreendida como um ciclo adaptativo, em que os alunos se envolvem em planejamento, execução e reflexão, ajustando suas estratégias de acordo com os resultados obtidos. Esse modelo amplia a compreensão de Zimmerman (2013) ao reforçar a necessidade de práticas pedagógicas que incentivem a metacognição e a autorreflexão crítica, especialmente em ambientes escolares marcados pela diversidade cultural e pela inclusão.

DIMENSÕES 

A autorregulação é composta por diferentes dimensões que se interconectam e se potencializam mutuamente. Segundo Asadi e Sourtiji (2020), tais dimensões podem ser compreendidas em quatro eixos principais: cognitivo, comportamental, motivacional e contextual.

A autorregulação da aprendizagem é uma concepção teórica construída para entender como os estudantes planejam, controlam e refletem sobre sua aprendizagem, e envolve diversas dimensões interdependentes, cada uma desempenhando papel essencial no desenvolvimento das competências do estudante. 

A dimensão cognitiva refere-se à capacidade do aluno de elaborar estratégias de estudo, organizar informações, planejar métodos de aprendizagem e monitorar sua compreensão. Este componente está diretamente ligado à aquisição do conhecimento, uma vez que permite que o estudante identifique lacunas, selecione recursos adequados e ajuste seus procedimentos conforme a complexidade das tarefas.

A dimensão comportamental, por sua vez, diz respeito às ações concretas que o estudante realiza para atingir seus objetivos. Inclui a manutenção da atenção, a administração eficiente do tempo e o uso estratégico dos recursos disponíveis, garantindo que as metas propostas sejam alcançadas de forma consistente e estruturada.

Complementando essas duas dimensões, a dimensão motivacional atua como motor da autorregulação, envolvendo perseverança, esforço contínuo e resiliência diante das dificuldades. Alunos com motivação intrínseca tendem a demonstrar maior capacidade autorregulatória, pois encontram satisfação no próprio processo de aprender (Boekaerts, 2018). 

Nesse sentido, Panadero (2017, p. 10) destaca:

A aprendizagem autorregulada deve ser entendida como um processo cíclico e dinâmico, no qual o estudante participa de maneira ativa em todas as fases de sua aprendizagem: planejamento, execução e reflexão. Essa concepção ultrapassa a visão reducionista de estratégias de estudo, englobando aspectos motivacionais, emocionais e contextuais que interferem no engajamento do aluno. Nesse sentido, é fundamental que os professores promovam situações que estimulem a metacognição, o feedback formativo e a autoavaliação, permitindo que os estudantes se tornem sujeitos autônomos e capazes de ajustar continuamente suas ações.

Por fim, a dimensão contextual compreende o ambiente em que a aprendizagem ocorre, incluindo organização espacial, recursos pedagógicos, oportunidades de colaboração e mecanismos de feedback. Ambientes bem estruturados favorecem o desenvolvimento das demais dimensões da autorregulação, proporcionando ao estudante condições adequadas para planejar, executar e revisar suas estratégias de aprendizagem. 

Dessa forma, a integração dessas quatro dimensões, cognitiva, comportamental, motivacional e contextual, se configura a base para uma aprendizagem mais autônoma, reflexiva e eficaz, destacando a importância de práticas pedagógicas intencionais e adaptadas às necessidades individuais de cada estudante.

Essas dimensões, quando integradas, contribuem para que o estudante desenvolva autonomia, responsabilidade e pensamento crítico, elementos indispensáveis para a formação integral e para a inserção em uma sociedade cada vez mais complexa e exigente.

MODELOS EXPLICATIVOS 

A aprendizagem autorregulada, conforme proposta por Zimmerman (2013), pode ser compreendida como um processo cíclico composto por três fases interdependentes: antecipação, execução e autorreflexão. Cada etapa desempenha um papel específico na construção de competências, permitindo ao estudante planejar, monitorar e avaliar suas próprias aprendizagens.

A fase de antecipação é o momento inicial do processo, em que o estudante estabelece objetivos claros e concretos, planeja estratégias de estudo e define critérios para avaliar o próprio desempenho. Essa etapa envolve não apenas o planejamento de atividades acadêmicas, mas também a preparação cognitiva e motivacional necessária para enfrentar desafios, mobilizando recursos internos e externos de forma intencional. 

Segundo Panadero (2017, p. 10):

A aprendizagem autorregulada deve ser entendida como um processo cíclico e dinâmico, no qual o estudante participa de maneira ativa em todas as fases de sua aprendizagem: planejamento, execução e reflexão. Essa concepção ultrapassa a visão reducionista de estratégias de estudo, englobando aspectos motivacionais, emocionais e contextuais que interferem no engajamento do aluno. Nesse sentido, é fundamental que os professores promovam situações que estimulem a metacognição, o feedback formativo e a autoavaliação, permitindo que os estudantes se tornem sujeitos autônomos e capazes de ajustar continuamente suas ações.

Em seguida, a fase de execução se caracteriza pela aplicação das estratégias planejadas, pelo monitoramento do progresso e pela realização de ajustes em tempo real. Durante essa etapa, o estudante atua de forma ativa, avaliando constantemente se suas ações estão alinhadas aos objetivos definidos e adaptando suas abordagens diante de obstáculos ou dificuldades encontradas. Esse processo exige atenção contínua, controle do esforço e uso eficiente de recursos disponíveis, promovendo a internalização de estratégias eficazes de aprendizagem.

Por fim, a fase de autorreflexão consiste na avaliação crítica dos resultados alcançados, na identificação de erros e acertos e na reelaboração de estratégias para aprendizagens futuras. Essa etapa é essencial para o fortalecimento da metacognição, pois permite ao estudante compreender suas próprias formas de aprender e ajustar seu comportamento e raciocínio para melhorar o desempenho em tarefas subsequentes. Além disso, a autorreflexão fortalece a autonomia e a responsabilidade sobre o próprio processo de aprendizagem, consolidando o ciclo da autorregulação de forma contínua e progressiva.

Dessa maneira, a integração dessas três fases, antecipação, execução e autorreflexão, evidencia a complexidade da aprendizagem autorregulada e a necessidade de práticas pedagógicas que incentivem o planejamento, o monitoramento e a avaliação constantes por parte do estudante. A atuação do professor como mediador e o fornecimento de feedback formativo são elementos essenciais para que o aluno desenvolva competências autônomas, críticas e adaptativas, capazes de sustentar aprendizagens significativas ao longo de sua trajetória acadêmica.

Já Schunk e Zimmerman (2007), em sua abordagem desenvolvimentista, descrevem o processo de aquisição da autorregulação em quatro etapas progressivas: observação, emulação, autocontrole e autorregulação. Esse modelo demonstra que a autonomia não é inata, mas construída gradualmente a partir da observação de modelos, da prática guiada e da internalização de estratégias eficazes.

Zimmerman (2013) ainda propôs um modelo cíclico para explicar a autorregulação da aprendizagem, composto por três fases interdependentes: antecipação, execução e autorreflexão. De acordo com Efklides (2011), essas etapas se articulam com o conceito de metacognição, compreendida como a capacidade de refletir sobre os próprios processos de pensamento e aprendizagem.

De acordo com Efklides (2011), essas etapas se articulam com o conceito de metacognição, compreendida como a capacidade de refletir sobre os próprios processos de pensamento e aprendizagem. Assim, a autorregulação pode ser vista como o estágio avançado da metacognição, no qual o estudante não apenas tem consciência de seus processos, mas também age sobre eles de maneira intencional.

PRÁTICAS PEDAGÓGICAS INCLUSIVAS

Um dos maiores desafios da educação contemporânea é conciliar a promoção da autonomia dos estudantes com as demandas de um ensino inclusivo. Professores são agentes fundamentais nesse processo, pois têm a responsabilidade de criar condições pedagógicas que estimulem a autorregulação. Entre as práticas destacam-se:

Feedback formativo: possibilita que o aluno compreenda seus erros e acertos, ajustando suas estratégias de aprendizagem (Hattie; Timperley, 2007).

Autoavaliação e heteroavaliação: promovem o desenvolvimento da consciência crítica e a corresponsabilidade pelo processo de aprender (Panadero et al., 2018).

Ambientes colaborativos: permitem que os estudantes aprendam uns com os outros, favorecendo tanto a dimensão cognitiva quanto a social da autorregulação.

No Brasil, autores como Veiga Simão (2020) e Boruchovitch (2014) ressaltam a importância de se integrar a autorregulação às práticas curriculares, destacando que a mera transmissão de conteúdo é insuficiente para a formação de sujeitos críticos e autônomos.

Quando se trata de alunos com Transtorno do Espectro Autista (TEA), a autorregulação assume papel ainda mais central. Indivíduos com TEA apresentam, frequentemente, dificuldades relacionadas às funções executivas, como planejamento, flexibilidade cognitiva e controle inibitório (American Psychiatric Association, 2014). Nesse sentido, promover práticas pedagógicas que estimulem a autorregulação é fundamental para o desenvolvimento da autonomia, da comunicação e da inclusão escolar.

Pesquisas como a de Siller e Morgan (2018) apontam que intervenções focadas na autorregulação contribuem para a ampliação da linguagem, da comunicação funcional e da interação social de estudantes com TEA. Estratégias como o uso de recursos visuais, a segmentação de tarefas em etapas menores e a prática da interregulação, quando o professor guia e apoia o estudante até que ele alcance independência, são fundamentais nesse processo.

IMPORTÂNCIA DA COMUNICAÇÃO DE ALUNOS COM TEA

A comunicação é um dos elementos centrais para o desenvolvimento humano, pois constitui a base para a socialização, a aprendizagem e a construção de identidades. No caso de alunos com TEA, a comunicação adquire ainda mais relevância, já que muitos deles apresentam déficits significativos nessa área, impactando diretamente sua inclusão escolar e social.

Segundo Vygotsky (2010), o desenvolvimento das funções psicológicas superiores ocorre por meio da interação social mediada pela linguagem e por instrumentos culturais. Essa perspectiva evidencia que a comunicação não é apenas uma habilidade isolada, mas um processo mediador do desenvolvimento cognitivo e social. 

Assim, em estudantes com TEA, a promoção de estratégias comunicativas adequadas é essencial para o avanço das aprendizagens e para o fortalecimento das relações interpessoais.

COMUNICAÇÃO E AUTORREGULAÇÃO COM TEA

Alunos com TEA frequentemente apresentam dificuldades na comunicação intencional, o que pode gerar barreiras para a aprendizagem e a socialização (Nunes, 2021). Nesse contexto, práticas pedagógicas baseadas na autorregulação podem potencializar o desenvolvimento comunicativo.

Entre as estratégias mais eficazes destacam-se: Comunicação Alternativa e Ampliada (CAA); atenção compartilhada; atividades cooperativas estruturadas. Essas práticas, ao mesmo tempo em que fortalecem a comunicação, estimulam a autorregulação, já que exigem do estudante planejamento, execução de tarefas e reflexão sobre seus resultados.

A comunicação alternativa e ampliada desempenha um papel essencial para a inclusão de alunos com transtorno do espectro autista, pois amplia as possibilidades de expressão e compreensão em diferentes contextos. O uso de recursos pictográficos, gestos, expressões faciais e tecnologias assistivas não apenas facilita a interação social, mas também possibilita a participação efetiva do aluno em atividades escolares. É imprescindível que o professor atue como mediador desse processo, criando ambientes estruturados e previsíveis, nos quais o aluno possa utilizar diferentes formas de comunicação e, gradativamente, conquistar maior autonomia em suas interações (Nunes, 2021, p. 67).

Essas práticas, ao mesmo tempo em que fortalecem a comunicação, estimulam a autorregulação, já que exigem do estudante planejamento, execução de tarefas e reflexão sobre seus resultados.

O professor, como mediador do processo educativo, exerce função decisiva na promoção da comunicação e da autorregulação de alunos com TEA. Estratégias como o feedback imediato, o uso de recursos visuais adaptados e a organização de ambientes previsíveis são fundamentais para facilitar a compreensão e a expressão desses estudantes.

Além disso, a prática da interregulação, descrita por Leão, Martins e Camargo (2019), mostra-se fundamental. Trata-se de uma intervenção em que o adulto apoia o aluno em suas interações comunicativas, guiando-o progressivamente até que alcance maior autonomia. Esse processo é fundamental para que o estudante avance de um estado de dependência para um estágio de independência comunicativa.

A inclusão de alunos com TEA não pode ser reduzida ao acesso físico à escola; ela exige condições que garantam a participação ativa em todas as dimensões da vida escolar. A comunicação, nesse sentido, é elemento central, pois sem ela o aluno fica impossibilitado de interagir, colaborar e aprender de forma plena.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

A análise apresentada ao longo deste artigo evidenciou que a autorregulação constitui um eixo fundamental para o processo de aprendizagem, uma vez que promove o desenvolvimento da autonomia, da metacognição e da responsabilidade dos estudantes diante de suas trajetórias formativas. Amparada pela Teoria Social Cognitiva de Bandura e pelos modelos cíclicos de Zimmerman, a autorregulação demonstra ser um processo dinâmico, em que dimensões cognitivas, comportamentais, motivacionais e contextuais interagem de forma integrada, ampliando as possibilidades de aprendizagem significativa.

No contexto escolar inclusivo, essa competência ganha relevância ainda maior quando aplicada a estudantes com Transtorno do Espectro Autista (TEA). As dificuldades comunicativas e os déficits em funções executivas característicos desse grupo exigem intervenções pedagógicas intencionais, capazes de favorecer não apenas a aquisição de conhecimentos acadêmicos, mas também o fortalecimento da comunicação, da interação social e da autonomia. 

As estratégias baseadas na comunicação alternativa e ampliada, no feedback formativo, na atenção compartilhada e na interregulação revelam-se eficazes para superar barreiras e promover uma participação mais ativa e funcional desses alunos no ambiente escolar. Além disso, a revisão de autores como Panadero, Nunes e Zimmerman evidencia que a aprendizagem autorregulada deve ser compreendida como um processo contínuo, sustentado por práticas pedagógicas que incentivem a reflexão crítica, a autoavaliação e o engajamento dos estudantes em seu próprio percurso de aprendizagem. 

Dessa forma, a comunicação e a autorregulação se apresentam como dimensões indissociáveis no fortalecimento das competências dos alunos, em especial daqueles que apresentam necessidades educacionais específicas.

Portanto, fomentar a autorregulação da aprendizagem e investir em estratégias de comunicação inclusivas representam caminhos promissores para a promoção da equidade educacional e da formação integral dos estudantes. Ao integrar tais práticas no cotidiano escolar, os professores não apenas potencializam os resultados acadêmicos, mas também contribuem para a construção de uma educação mais justa, acessível e transformadora, capaz de preparar os indivíduos para enfrentar, de forma crítica e autônoma, os desafios sociais contemporâneos.

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SOARES, Laiane Silva de Araújo. Práticas pedagógicas inclusivas: Integrando autorregulação da aprendizagem e comunicação em estudantes com TEA.International Integralize Scientific. v 5, n 51, Setembro/2025 ISSN/3085-654X

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Disponível em: https://academic.oup.com/cid/article/67/7/1208/6141108.
Acesso em: 2024-09-03.

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Práticas pedagógicas inclusivas: Integrando autorregulação da aprendizagem e comunicação em estudantes com TEA

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