Frações em ritmo: A interdisciplinaridade entre música e matemática no ensino fundamental

FRACTIONS IN RHYTHM: INTERDISCIPLINARITY BETWEEN MUSIC AND MATHEMATICS IN ELEMENTARY EDUCATION

FRACCIONES EN RITMO: INTERDISCIPLINARIEDAD ENTRE MÚSICA Y MATEMÁTICAS EN EDUCACIÓN PRIMARIA

Autor

URL do Artigo

https://iiscientific.com/artigos/CD0100

DOI

doi.org/10.63391/CD0100

Raimundo, Kaio Eugenio Martines . Frações em ritmo: A interdisciplinaridade entre música e matemática no ensino fundamental. International Integralize Scientific. v 5, n 51, Setembro/2025 ISSN/3085-654X

Resumo

A música tem papel muito importante na educação e dentro dela podemos abordar de forma indisciplinar de forma interdisciplinar e em especial no ensino de frações. Podemos ver entre diversos autores dentro deste conteúdo como o Bertoni (2009) e Silva et al. (2022), e até mesmo o próprio BNCC as frações representam uma das áreas desafiadoras da matemática, devido a dificuldade que os discentes neste conteúdo por ser mais abstrato e acaba sendo muito difícil realizar os cálculos. No entanto sua interação com a música com o uso das fórmulas de compasso, oferece um método mais didático e acessível. As fórmulas de compasso musical, como 4/4 e 3/4, representam fração músicas, com o ritmo deverá ser organizado, enquanto as figuras musicais como breve semibreve mostram as divisões dos tempos. Trabalhar essas repressões ajudam os alunos a aprender e compreender melhor as operações matemáticas como soma, subtração, multiplicação e divisão de frações. Segundo o autor, Ribeiro (2016) reforça a importância da fração na música, destacando como conceitos de ritmo, tempo e escalas musicais e relacionam as razões matemáticas. Dessa forma podem tornar o ensino mais lúdico, promovendo uma aprendizagem mais divertida.
Palavras-chave
fração; música; interdisciplinaridade; fórmula de compasso.

Summary

Music plays a fundamental role in education and offers an interdisciplinary approach, especially in the teaching of fractions. Several authors, such as BERTONI (2009) and SILVA et al. (2022), as well as the Brazilian National Common Core (BNCC), emphasize that fractions are one of the most challenging topics in mathematics due to their abstract nature. This characteristic makes understanding and performing calculations difficult for students. However, the interaction between music and mathematics, through the use of time signatures, offers a more engaging and accessible teaching method.Musical time signatures, such as 4/4 and 3/4, represent fractional divisions of musical rhythm, organizing the beats. Additionally, musical notes like the breve and semibreve illustrate time divisions within measures. Working with these representations helps students better understand and master mathematical operations, such as addition, subtraction, multiplication, and division of fractions. According to RIBEIRO (2016) fractions play a key role in music, highlighting how concepts of rhythm, timing, and musical scales are deeply connected to mathematical ratios. This connection can make learning more enjoyable and foster a more engaging educational experience.
Keywords
fraction; music; interdisciplinarity; time signature.

Resumen

La música juega un papel muy importante en la educación y ofrece un enfoque interdisciplinario, especialmente en la enseñanza de las fracciones. Según diversos autores, como BERTONI (2009) y SILVA et al. (2022), e incluso la propia BNCC, las fracciones representan una de las áreas más desafiantes de las matemáticas debido a su carácter abstracto, lo que dificulta que los estudiantes realicen cálculos de manera efectiva. Sin embargo, su integración con la música, mediante el uso de fórmulas de compás, ofrece un método más didáctico y accesible. Las fórmulas de compás musical, como 4/4 y 3/4, representan fracciones musicales donde el ritmo debe ser organizado, mientras que las figuras musicales como la breve y la semibreve ilustran las divisiones de los tiempos. Trabajar estas representaciones ayuda a los estudiantes a aprender y comprender mejor operaciones matemáticas como la suma, la resta, la multiplicación y la división de fracciones. Según RIBEIRO (2016) se refuerza la importancia de las fracciones en la música, destacando cómo conceptos de ritmo, tiempo y escalas musicales están relacionados con razones matemáticas. De esta manera, se puede hacer que la enseñanza sea más lúdica, promoviendo un aprendizaje más divertido.
Palavras-clave
fracción; música; interdisciplinariedad; compás.

INTRODUÇÃO

BNCC 2017 EF07MA09 cita o uso de frações para resolução de problemas, com isso o conceito de frações pode reproduzir as fórmulas de compasso musicais, que organizam o ritmo em notas e pausas das frações de uns compassos completos ou incompletos e a utilização das operações de soma, subtração, multiplicação e divisão de frações que auxilia a entender como combinar tempos e dividir composições em partes menores.

Bertoni 2009 o termo fração é usado para o valor total de uma unidade ou parte dela de forma numérica. O autor cita que a ideia de fração é saber diferenciar pedaços de um todo ou do inverso a partir disso, nas escolas os discentes reconhece frações de imagens com forma geométricas como círculos, retângulos e triângulos, para somas e subtração de denominadores iguais, porém nas operações de soma, subtração de denominadores diferentes e multiplicação e divisão estes conceitos acabam sendo mais difíceis de serem utilizados.

Ribeiro et al. (2016),   comenta sobre as razões e medidas de construção de escalas musicais, ou seja, focando no conceito de altura musical, estrutura musical como o pentagrama, as sete notas musicais, e trabalhar um pouco sobre duração musical dentro das figuras, fórmulas de compassos simples e intervalos musicais. Neste contexto o autor relata a importância das frações na construção de escalas musicais, razões onde definem a altura das notas e outras relações que a música está envolvida.

Diante dos desafios de ensinar frações com o uso da música como uma ferramenta pedagógica facilitadora para relações das frações dentro em operações da matemática que contribui numa aprendizagem mais prazerosa e significativa. As fórmulas de compasso analisando com detalhes, as figuras e pausas musicais auxiliará na busca de atividades didáticas que explorem essa conexão, assim os discentes constrói conceitos mais sólidos de frações. Os resultados destas pesquisas poderão contribuir para a elaboração de materiais didáticos inovadores e formação de Docentes, promovendo uma abordagem mais lúdica para o ensino aprendizagem dentro do ensino de matemática.

FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA 

BEYER, O. H. (Música e Matemática) é um dos autores que mais explorou a relação intrínseca entre música e matemática no contexto brasileiro. Ele frequentemente discute como a estrutura musical, desde a organização rítmica até a harmonia, é fundamentada em princípios matemáticos. Em seus trabalhos, é comum encontrar análises sobre como a divisão do tempo em compassos e a duração das notas musicais são expressas através de relações fracionárias. Ele defende a interdisciplinaridade como um caminho para um aprendizado mais significativo.

Beyer aborda diretamente como as frações são a linguagem para descrever as durações relativas das notas musicais (semibreve, mínima, semínima, colcheia, etc.) e como essas divisões criam os padrões rítmicos. Ele também pode explorar como a construção de escalas e intervalos musicais se baseia em razões matemáticas, que são a essência das frações.

D’ambrosio, U. (Etnomatemática) é um dos criadores do conceito de Etnomatemática, que busca reconhecer e valorizar as diferentes formas de saber matemático que existem em diversas culturas e contextos sociais. Ele argumenta que a matemática não é uma disciplina universal e abstrata, mas sim uma ferramenta de compreensão e interação com o mundo, presente em práticas cotidianas, sob a ótica da etnomatemática, D’Ambrosio nos convida a buscar as manifestações matemáticas em práticas culturais, incluindo a música, em diversas tradições musicais (incluindo as brasileiras), formas de organizar o tempo, ritmos e melodias que utilizam princípios de divisão e proporção, que podem ser expressos ou compreendidos através de frações, mesmo que não formalmente apresentados assim. A música folclórica, por exemplo, pode ser um campo fértil para essa análise.

Ferreira, E. S. (Música e Aprendizagem), embora a obra específica de Ferreira que liga diretamente música e frações possa ser mais focada em artigos ou capítulos de livros didáticos, sua linha de pesquisa geralmente aborda como a música pode ser uma ferramenta poderosa para facilitar a aprendizagem em diversas áreas, incluindo a matemática. Ela explora os benefícios cognitivos e afetivos da música para o desenvolvimento do raciocínio lógico e da capacidade de abstração. Ferreira pode apresentar estudos de caso ou propostas de atividades onde o ensino de frações é potencializado pelo uso de elementos musicais. Por exemplo, canções que explicam o conceito de frações, ou atividades rítmicas que envolvem a divisão de um tempo em partes iguais, utilizando a música como mediadora para a compreensão de conceitos fracionários.

Guzmán, M. de (Matemática e Arte), foi um grande defensor da beleza e da criatividade na matemática, e sua obra frequentemente explora as conexões entre a matemática e as artes. Ele argumenta que a matemática não é apenas lógica e rigor, mas também estética e criatividade, e que as artes podem ser um veículo para desmistificar a matemática e torná-la mais acessível e inspiradora. Guzmán certamente abordaria como a estrutura matemática da música, incluindo as relações de proporção que definem os intervalos e a organização rítmica (frações), contribui para a beleza e a harmonia musical. Ele poderia apresentar exemplos de como a compreensão dessas relações fracionárias aprofunda a apreciação da música e como a própria música pode ser vista como uma forma de “arte matemática” em ação. 

AS ILUSTRAÇÕES

Fórmulas de Compassos são agrupamentos regulares de batidas que ajudam a estruturar a música, compasso simples, agrupamentos em que cada batida pode ser dividida em duas partes (por exemplo, 2/4, 3/4, 4/4). O compasso 4/4 é o mais comum na música ocidental moderna, proporcionando uma sensação de estabilidade. Compasso Composto, agrupamentos onde cada batida pode ser dividida em três partes (por exemplo, 6/8, 9/8), esses compassos criam um fluxo mais fluido e muitas vezes são usados em danças ou músicas folclóricas. Compasso Irregular, combinações não convencionais de tempos (como 5/4 ou 7/8) que criam uma sensação única e muitas vezes surpreendente na música é uma linguagem rica e complexa, e um dos seus aspectos fundamentais é a organização rítmica, que é garantida pelas figuras de compasso. 

As figuras musicais são símbolos que representam a duração das notas e os silêncios, enquanto as fórmulas de compasso definem como essas figuras se agrupam em unidades rítmicas.

Semibreve representa a nota mais longa em composições comuns, valendo quatro tempos. É frequentemente usada para criar pausas prolongadas ou para dar ênfase a uma melodia. Mínima, vale dois tempos, sendo metade da semibreve. É uma figura muito utilizada para criar variações rítmicas.

Semínima, com um valor de um tempo, é a figura mais comum em muitos estilos musicais. A semínima pode ser combinada para criar ritmos mais complexos. Colcheia vale meio tempo, permitindo que o compositor adicione mais movimento à música.

Colcheias são frequentemente usadas em passagens rápidas. 

Semicolcheia representa um quarto de tempo, sendo utilizada para criar ritmos ainda mais rápidos e dinâmicos. Silêncios, assim como as notas, os silêncios também têm suas figuras (silêncio de semibreve, mínima, semínima, etc.) e são essenciais para criar pausas dramáticas e dar espaço à musicalidade. 

Figura 1 – Compasso Musical – a Matemática da música

Fonte: Cursos de Canto. Compasso musical: a matemática da música. Disponível em: https://cursosdecanto.com.br/compasso-musical/

METODOLOGIA 

Perguntas e Respostas sobre a Importância da Música na Aprendizagem de Frações.

Pergunta: Qual é a principal ideia por trás de usar a música para ensinar operações com frações em aulas de 45 minutos?

Resposta: A ideia central é que a música oferece um contexto concreto e lúdico para a compreensão de conceitos abstratos como frações. Em vez de apenas ver números em um papel, os discentes vivenciam as divisões e proporções através de elementos musicais como fórmulas de compasso, figuras e pausas. Isso torna a aprendizagem mais acessível, divertida e memorável, aproveitando a natureza rítmica e estrutural da música para ilustrar operações fracionárias.

Pergunta: Como as fórmulas de compasso e as figuras musicais se relacionam com as frações?

Resposta: As fórmulas de compasso, como o famoso 4/4, são, essencialmente, uma representação de como o tempo em uma música é dividido em partes iguais. O número superior (4) indica quantas batidas há em cada compasso, e o número inferior (4) indica qual figura musical representa uma batida. Isso se traduz diretamente em frações: em um compasso 4/4, o compasso inteiro é dividido em 4 partes, com a semínima (representada pelo “4” na fórmula) valendo 1/4 do compasso. As figuras musicais (semibreve, mínima, semínima, colcheia, etc.) têm durações que são frações umas das outras (uma mínima vale metade de uma semibreve, uma semínima vale metade de uma mínima, e assim por diante). As pausas também seguem essa lógica de duração fracionária.

Pergunta: De que maneira essa abordagem se diferencia das aulas tradicionais de matemática sobre frações?

Resposta: A diferença fundamental está na metodologia e no engajamento. As aulas tradicionais podem se concentrar em explicações abstratas e exercícios repetitivos. Nossa abordagem interdisciplinar com a música introduz um elemento sensorial e artístico, transformando a aprendizagem em uma experiência mais imersiva. Em vez de apenas calcular \( \frac{1}{2} + \frac{1}{4} \), os alunos podem associar isso a ritmos musicais que, juntos, formam uma unidade maior, tornando o conceito mais intuitivo. Além disso, a curta duração de 45 minutos exige atividades focadas e de impacto imediato, onde a música se encaixa perfeitamente.

Pergunta: Quais são os benefícios específicos para os discentes ao aprenderem frações através da música?

Resposta: Os benefícios são múltiplos; Concretização do Abstrato, a música ajuda a “ver” e “ouvir” as frações, tornando-as menos abstratas. Aumento do engajamento, a natureza musical e rítmica capta a atenção dos discentes de forma mais eficaz. Desenvolvimento do Raciocínio Lógico e Espacial, a compreensão das divisões e proporções musicais estimula o raciocínio matemático. Melhora da Percepção Temporal e Rítmica, habilidades essenciais na música que também se aplicam à compreensão de sequências e divisões. Redução da Ansiedade em Matemática, ao associar a matemática a uma atividade prazerosa como a música, pode-se diminuir o receio que alguns discentes sentem pela disciplina. Aprendizagem Divertida, transforma o que poderia ser uma tarefa árdua em uma atividade prazerosa.

Pergunta: Como uma aula de 45 minutos pode ser eficaz para ensinar esse conteúdo?

Resposta: A eficácia em 45 minutos reside na focalização e na interatividade. 

A aula seria estruturada com, introdução rápida (5-10 min), apresentação do conceito musical (ex: fórmula de compasso) e sua ligação com a fração. Atividade Principal (20-25 min), uso de materiais manipuláveis (partituras simplificadas, cartões de figuras musicais, blocos) para demonstrar e praticar operações com frações através de ritmos. Pode envolver a criação de pequenos ritmos ou a resolução de problemas musicais. Fechamento e Consolidação (10 min), revisão rápida dos conceitos aprendidos, talvez com um pequeno desafio ou uma demonstração final, reforçando a conexão música-matemática. A chave é ter atividades bem planejadas, com transições rápidas e materiais que permitam a participação ativa de todos.

Pergunta: Que tipos de operações com frações podem ser exploradas com essa abordagem?

Resposta: Praticamente todas as operações básicas com frações podem ser visualizadas e praticadas, identificação de Frações, reconhecer a duração de cada figura musical como uma fração do compasso. Adição de Frações, combinar ritmos de diferentes durações para formar um compasso completo (ex: uma mínima + duas semínimas = 1 compasso inteiro, ou \( \frac{1}{2} + \frac{1}{4} + \frac{1}{4} = 1 \)). Subtração de Frações, remover ritmos de um compasso para ver o que resta.

Multiplicação e Divisão de Frações, conceitos mais avançados, mas que podem ser introduzidos através da ideia de “repetir um ritmo” (multiplicação) ou “dividir um ritmo em partes menores” (divisão).

MATERIAIS E MÉTODOS

Materiais que podem ser muito úteis; Materiais Visuais e Manipuláveis, partituras simplificadas que destaquem as fórmulas de compasso e as figuras musicais (semibreve, mínima, semínima, colcheia, etc.). Pode imprimir essas partituras em tamanhos maiores para que todos vejam bem. Cartões com figuras musicais e suas frações. Criar cartões onde de um lado esteja a figura musical (desenho da nota) e do outro o valor fracionário que representa dentro de um compasso específico (ex: compasso 4/4), isso ajuda na associação direta. Blocos ou peças de montar coloridas podem ser usados para representar as durações das notas, por exemplo, um bloco grande para a semibreve e blocos menores para as notas de menor duração, mostrando como elas se encaixam para formar o compasso inteiro. Tiras de Papel ou Fitas Coloridas, para demonstrar como as figuras se dividem em partes iguais, como uma barra de chocolate ou uma pizza, mas com a representação musical. Quadro Branco ou Lousa e Marcadores/Giz, essencial para escrever as fórmulas de compasso, as frações, desenhar as figuras musicais e fazer as operações.

Materiais Sonoros (se possível e adequado ao espaço); Caixa de Som ou Computador/Tablet, para reproduzir exemplos musicais que ilustrem as durações das notas e as fórmulas de compasso. Instrumentos Simples, se houver a possibilidade, instrumentos de percussão como chocalhos, pandeiros, ou até mesmo um teclado simples podem ser usados para que os alunos experimentem as durações e as divisões rítmicas.

Materiais de Registro; Folhas de Atividade, com exercícios para os alunos preencherem, associarem figuras a frações, ou até mesmo criarem pequenos ritmos usando as figuras aprendidas. Cadernos dos Alunos, para que anotem os conceitos, resolvam problemas e façam seus próprios desenhos de figuras musicais.

Dicas de organização para 45 minutos; Preparação antecipada, tenha todos os materiais prontos e organizados antes da aula começar. Distribuição rápida, pense em como distribuir os materiais de forma ágil para não perder tempo.

Foco: Escolha 2 ou 3 materiais principais para a aula, para não sobrecarregar os discentes com muitas opções. Com esses materiais criar uma aula dinâmica e muito visual, que facilita a compreensão das frações através da linguagem universal da música. Para execução do artigo a música e matemática em prática, os materiais são essenciais em uma aula de 45 minutos, o ideal é ter materiais que sejam fáceis de manusear e que permitam uma rápida transição entre as atividades.

Figura 2 – Aplicando a matemática básica.

Fonte: Clube de Matemática da Obmep. Disponível em: https://clubes.obmep.org.br/blog/aplicando-a-matematica-basica-sala-2/

RESULTADOS

PROPOSTA DIDÁTICA: RITMO E FIGURAS MUSICAIS (45 MINUTOS)

Componentes Curriculares: Matemática e Artes (Música)

Público-alvo: Alunos do Ensino Fundamental 

Objetivos Gerais, compreender a relação entre figuras musicais e frações. Desenvolver o raciocínio lógico-matemático através da música.

Estimular a criatividade e o trabalho em equipe. Introduzir conceitos básicos de ritmo musical.

Objetivos Específicos, identificar e nomear as figuras musicais básicas (semibreve, mínima, semínima, colcheia). Compreender o valor de cada figura musical em relação ao compasso. Associar o valor das figuras musicais a frações matemáticas.

Realizar a soma de frações correspondentes às figuras musicais para completar um compasso. Criar sequências rítmicas utilizando diferentes figuras musicais. 

Conteúdo Programático, figuras musicais e seus valores (semibreve, mínima, semínima, colcheia). Conceito de compasso (4/4). Frações: unidade, numerador, denominador. Soma de frações com o mesmo denominador.

DESENVOLVIMENTO DAS AULAS

Aula 1: Conhecendo os Blocos de Construção do Ritmo e da Matemática

Introdução (15 min), começar com uma pergunta instigante: “Vocês sabiam que a música e a matemática têm muito em comum? Que tal descobrirmos juntos como elas se conectam?”

Breve conversa sobre o que os alunos já sabem sobre música (sons, ritmos, instrumentos) e matemática (números, contas).

Apresentação das Figuras Musicais (25 min), mostrar visualmente as figuras musicais: semibreve, mínima, semínima e colcheia. Utilizar um quadro branco, projetor ou cartazes.

Explicar o nome de cada figura e sua forma. Introduzir o conceito de Compasso 4/4, explicar que ele é como uma “caixinha” que comporta um determinado número de batidas. No 4/4, cabem 4 batidas, e a semínima vale uma batida.

Conexão com Frações, comparar o compasso 4/4 a um “inteiro” (uma pizza completa, um bolo inteiro).

Semibreve, mostrar que ela dura o compasso inteiro (4 tempos). Se o compasso é 4/4, a semibreve vale 4/4 (ou seja, o inteiro).

Mínima, explicar que ela vale a metade da semibreve. Se a semibreve é 4/4, a mínima vale 2/4 (ou 1/2). Mostrar que duas mínimas preenchem um compasso 4/4.

Semínima, explicar que ela vale a metade da mínima. Se a mínima é 2/4, a semínima vale 1/4. Mostrar que quatro semínimas preenchem um compasso 4/4.

Colcheia, explicar que ela vale a metade da semínima. Se a semínima é 1/4, a colcheia vale 1/8. Mostrar que oito colcheias preenchem um compasso 4/4.

Exemplos Matemáticos e Tabela Didática (15 min), mostrar exemplos matemáticos.

Compasso 4/4 = inteiro.

Semibreve = 4/4

Mínima = 2/4 (ou 1/2)

Semínima = 1/4

Colcheia = 1/8

Soma de figuras, demonstrar como somar para completar um compasso.

Exemplo: 1/4 (semínima) + 1/4 (semínima) + 2/4 (mínima) = 4/4 (compasso completo).

Outro exemplo: 1/8 (colcheia) + 1/8 (colcheia) + 1/4 (semínima) + 1/2 (mínima) = 1/4 + 1/4 + 1/2 = 2/4 + 1/2 = 1/2 + 1/2 = 1 (ou 4/4).

Para o Ensino Fundamental, a semibreve pode ser chamada de “redonda” e a mínima de “branca”, pois são termos mais comuns em algumas abordagens didáticas.

Encerramento da Aula 1 (5 min);

Revisar rapidamente os conceitos.

Pedir para os alunos pensarem em combinações de figuras que somem 4 tempos.

Aula 2: Colocando a Mão na Massa (e no Ritmo)

Revisão e Aquecimento (10 min), relembrar as figuras musicais e seus valores em frações.

Fazer um pequeno exercício rítmico em conjunto: bater palmas ou usar instrumentos simples (chocalho, tambor) para representar figuras (ex: uma palma para semínima, duas palmas rápidas para colcheias, uma palma longa para mínima).

Proposta Pedagógica e Atividade Prática (30 min), Atividade: “Compondo Ritmos com Frações”. Dividir a turma em pequenos grupos (3-4 alunos). Distribuir materiais, cartões com figuras musicais (semibreve, mínima, semínima, colcheia) – cada figura em um cartão colorido diferente, se possível. Cartões em branco para os alunos desenharem as figuras. Papel e lápis para anotarem as frações.

Instruções, cada grupo deverá, usando os cartões de figuras musicais, montar um compasso 4/4. Vocês podem usar quantas figuras quiserem, desde que a soma delas complete exatamente 4 tempos (ou 4/4). “Depois, vocês devem escrever as frações correspondentes a cada figura que usaram e mostrar que a soma delas dá 4/4.”

Circular pela sala, auxiliando os grupos, tirando dúvidas sobre as figuras, os valores e as somas das frações. Incentivar a criatividade nas combinações.

Exemplos de combinações que os alunos podem fazer.

4 semínimas (1/4 + 1/4 + 1/4 + 1/4 = 4/4)

2 mínimas (1/2 + 1/2 = 1)

1 mínima e 2 semínimas (1/2 + 1/4 + 1/4 = 1)

8 colcheias (1/8 + … + 1/8 = 8/8 = 1)

Combinações mistas (ex: 1 mínima, 1 semínima, 2 colcheias = 1/2 + 1/4 + 1/8 + 1/8 = 1/2 + 1/4 + 1/4 = 1/2 + 1/2 = 1) 3

Encerramento da Aula 2 (5 min);

Revisar rapidamente os conceitos.

DISCUSSÃO 

Pontos Fortes Observados (Potenciais Resultados Positivos):

Compreensão Concreta de Frações, a associação direta entre figuras musicais e frações (semibreve = 1 inteiro, mínima = 1/2, semínima = 1/4, colcheia = 1/8) torna o conceito abstrato de fração muito mais palpável e visual para os discentes, não estão apenas somando números, mas manipulando “partes de um todo” que têm um significado musical.

Engajamento e Motivação, a música é inerentemente motivadora para essa faixa etária. A introdução com uma pergunta instigante (“Vocês sabiam que a música e a matemática têm muito em comum?”) e a atividade prática de “Compondo Ritmos com Frações” certamente gerarão um alto nível de engajamento.

Raciocínio Lógico-Matemático, necessidade de somar as figuras musicais para completar um compasso (4/4) força os discentes  a aplicarem o raciocínio lógico e a prática da soma de frações de forma contextualizada, precisam pensar em como as partes se encaixam para formar o todo.

Criatividade e Colaboração, a atividade em grupo, onde os discentes montam seus próprios compassos, estimula a criatividade na escolha das figuras e promove o trabalho em equipe, aprendem a colaborar, a compartilhar ideias e a construir algo junto.

Introdução ao Ritmo e à Notação Musical, além da matemática, os discentes estão tendo um primeiro contato com os elementos básicos do ritmo musical e a notação correspondente, o que pode despertar o interesse pela música de forma mais aprofundada.

Conexão Interdisciplinar Clara, a forma como interligou os conteúdos de matemática (frações, soma) e artes (figuras musicais, ritmo) é muito bem-sucedida. Os discentes conseguem ver a aplicabilidade de um conteúdo no outro.

Possíveis Desafios e Como Abordá-los (Resultados a Serem Monitorados):

Dificuldade com a Notação das Colcheias, a colcheia (1/8) pode apresentar um desafio maior, pois exige um entendimento de que duas colcheias formam uma semínima (1/4). A soma de várias colcheias para completar um compasso pode ser mais complexa. 

Como discutir, se os discentes apresentarem dificuldade, na discussão dos resultados, pode-se enfatizar que a colcheia é “metade da metade da metade” da semibreve, ou que são necessárias 8 colcheias para preencher o compasso. A visualização com desenhos ou até mesmo com batidas de palmas mais rápidas pode ajudar.

Compreensão do Conceito de “Tempo” e “Batida”, embora explique o compasso 4/4 como 4 batidas, a percepção do tempo pode variar entre os discentes. 

Como discutir, perguntar aos discentes como eles sentiram a duração de cada figura. Por exemplo: “Qual figura durou mais? Qual durou menos? Por quê?”. Comparar a duração percebida com o valor fracionário.

Variações na Soma de Frações, alguns discentes podem ter mais facilidade com a soma de frações do que outros, especialmente se a base matemática não for uniforme.

Como discutir, celebrar as diferentes combinações que os grupos encontraram para somar 4/4. Mostrar que existem várias respostas corretas, incentivando a exploração. Para aqueles com mais dificuldade, pode-se usar materiais manipuláveis (como os cartões de figuras) para auxiliar na soma.

Gerenciamento do Tempo, com atividades práticas e grupos, o tempo pode ser um desafio.

Como discutir, se algumas atividades precisaram ser encurtadas ou adaptadas, isso pode ser mencionado como um aprendizado sobre o planejamento e a dinâmica da sala de aula. O que funcionou bem em termos de tempo e o que poderia ser ajustado para futuras aulas.

CONSIDERAÇÕES FINAIS 

A importância da música na matemática na aprendizagem no uso das operações com frações representa uma abordagem interdisciplinar diferente e acaba sendo uma opção de aprendizagem. Como mencionado durante o trabalho, as fórmulas de compasso, as figuras e pausas musicais não apenas ilustram os conceitos matemáticos de frações de forma mais concreta, mas também tornam mais acessíveis e divertidos para os discentes.

A partir disso a música transcende barreiras culturais, promovendo um ambiente mais lúdico e acolhedor que acaba desenvolvendo a criatividade, a coordenação motora e desenvolve o cognitivo do discente. Por meio dessa conexão, é possível superar desafios como o ensino de frações, ajudando os discentes a compreender e aplicar as operações matemáticas como soma, subtração, multiplicação e divisão de maneira mais intuitiva e divertida.

Por ser interdisciplinar incluir tanto a matemática oferece oportunidade para repensar práticas pedagógicas, favorecendo a elaboração de materiais didáticos diferentes e auxilia no aprimoramento da aula do docente.

Com isso, reforça o conhecimento do discente e torna a aprendizagem mais prazerosa, crítico e traz conhecimento cultural para um entendimento mais amplos dos conteúdos.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS 

BEYER, O. H.Música e Matemática: Uma Abordagem Interdisciplinar para o Ensino. São Paulo: Moderna, 2002.

BEYER, O. H.O Ensino da Matemática e a Música. In: BICUDO, M. A. V.; GIOVANNI, J. R. (Orgs.). Encontros de Álgebra. São Paulo: Editora UNESP, 1999.

D’AMBROSIO, U. Etnomatemática: Elo entre as Tradições e a Modernidade*. São Paulo: Summus Editorial, 1990.

D’AMBROSIO, U.Da Realidade à Ação: Investigando as Relações entre Matemática, Ciência e Sociedade. Campinas: Papirus, 2001.

GUZMÁN, M. de.A Aventura do Pensamento Matemático. São Paulo: Perspectiva, 2002.    

GUZMÁN, M. de. Matemáticas y Arte. In: Actas del IV Congreso de la Sociedad Española de Didáctica de las Matemáticas. (1995).

Raimundo, Kaio Eugenio Martines . Frações em ritmo: A interdisciplinaridade entre música e matemática no ensino fundamental.International Integralize Scientific. v 5, n 51, Setembro/2025 ISSN/3085-654X

Referencias

Vivian Caroline Coraucci.
BAILEY, C. J.; LEE, J. H.
Management of chlamydial infections: A comprehensive review.
Clinical infectious diseases.
v. 67
n. 7
p. 1208-1216,
2021.
Disponível em: https://academic.oup.com/cid/article/67/7/1208/6141108.
Acesso em: 2024-09-03.

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Edição

v. 5
n. 51
Frações em ritmo: A interdisciplinaridade entre música e matemática no ensino fundamental

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junho

Vol.

5

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Junho/2025