Tecnologias digitais e comunicação oral: Causas e consequências

DIGITAL TECHNOLOGIES AND ORAL COMMUNICATION: CAUSES AND CONSEQUENCES

TECNOLOGÍAS DIGITALES Y COMUNICACIÓN ORAL: CAUSAS Y CONSECUENCIAS

Autor

URL do Artigo

https://iiscientific.com/artigos/D08FD3

DOI

doi.org/10.63391/D08FD3

Oliveira, José Nilson dos Santos. Tecnologias digitais e comunicação oral: Causas e consequências. International Integralize Scientific. v 5, n 49, Julho/2025 ISSN/3085-654X

Resumo

As tecnologias digitais têm provocado transformações profundas na forma como os indivíduos se comunicam, especialmente no que diz respeito à comunicação oral em ambientes educacionais. Este artigo realiza uma pesquisa bibliográfica com o objetivo de analisar as causas e consequências da inserção das Tecnologias Digitais de Informação e Comunicação (TDIC) no desenvolvimento da oralidade. A investigação fundamenta-se em produções acadêmicas publicadas entre 2020 e 2024, com enfoque qualitativo e interpretativo, buscando compreender como os recursos tecnológicos influenciam as práticas comunicativas contemporâneas. Os resultados revelam que, quando utilizadas de maneira crítica e intencional, as TDIC ampliam as possibilidades de expressão, promovem a interação e favorecem o protagonismo dos estudantes. No entanto, os dados também indicam que o uso inadequado ou descontextualizado desses recursos pode comprometer elementos essenciais da oralidade, como a escuta ativa, a fluência verbal e a argumentação coerente. A análise conclui que a integração eficaz das tecnologias digitais à comunicação oral exige planejamento pedagógico, mediação qualificada e uma abordagem crítica que valorize as dimensões humanas da linguagem. Assim, o trabalho contribui para a reflexão sobre os desafios e potencialidades da oralidade na era digital, destacando a importância da intencionalidade formativa no uso das tecnologias.
Palavras-chave
tecnologias digitais; comunicação oral; educação.

Summary

Digital technologies have caused profound changes in the way individuals communicate, especially with regard to oral communication in educational settings. This article conducts a bibliographical research with the objective of analyzing the causes and consequences of the insertion of Digital Information and Communication Technologies (DICT) in the development of oral skills. The research is based on academic productions published between 2020 and 2024, with a qualitative and interpretative focus, seeking to understand how technological resources influence contemporary communicative practices. The results reveal that, when used critically and intentionally, DICT expands the possibilities of expression, promotes interaction and favors the protagonism of students. However, the data also indicate that the inadequate or decontextualized use of these resources can compromise essential elements of oral skills, such as active listening, verbal fluency and coherent argumentation. The analysis concludes that the effective integration of digital technologies into oral communication requires pedagogical planning, qualified mediation and a critical approach that values ​​the human dimensions of language. Thus, the work contributes to the reflection on the challenges and potential of orality in the digital age, highlighting the importance of formative intentionality in the use of technologies.
Keywords
digital technologies; oral communication; education.

Resumen

Las tecnologías digitales han provocado profundos cambios en la forma de comunicarse, especialmente en la comunicación oral en entornos educativos. Este artículo realiza una investigación bibliográfica con el objetivo de analizar las causas y consecuencias de la incorporación de las Tecnologías Digitales de la Información y la Comunicación (TDIC) en el desarrollo de la oralidad. La investigación se basa en producciones académicas publicadas entre 2020 y 2024, con un enfoque cualitativo e interpretativo, buscando comprender cómo los recursos tecnológicos influyen en las prácticas comunicativas contemporáneas. Los resultados revelan que, cuando se utilizan de forma crítica e intencional, las TDIC amplían las posibilidades de expresión, promueven la interacción y favorecen el protagonismo del alumnado. Sin embargo, los datos también indican que el uso inadecuado o descontextualizado de estos recursos puede comprometer elementos esenciales de la oralidad, como la escucha activa, la fluidez verbal y la argumentación coherente. El análisis concluye que la integración efectiva de las tecnologías digitales en la comunicación oral requiere planificación pedagógica, mediación cualificada y un enfoque crítico que valore las dimensiones humanas del lenguaje. De este modo, el trabajo contribuye a la reflexión sobre los retos y el potencial de la oralidad en la era digital, destacando la importancia de la intencionalidad formativa en el uso de las tecnologías.
Palavras-clave
tecnologías digitales; comunicación oral; educación.

INTRODUÇÃO

O avanço tecnológico das últimas décadas tem provocado transformações significativas nas formas de interação social, especialmente no campo da comunicação. As tecnologias digitais, hoje amplamente disseminadas no cotidiano das pessoas, modificaram substancialmente os modos de produzir, transmitir e consumir informações. Em particular, a comunicação oral tem sido diretamente influenciada por esses processos, na medida em que os meios digitais passaram a mediar boa parte das interações humanas, seja em ambientes formais ou informais. 

De acordo com Carvalho e Soares (2020), o uso das tecnologias digitais no desenvolvimento da habilidade oral vem ganhando relevância no cenário educacional, dado o seu potencial de ampliar as oportunidades comunicativas, além de favorecer práticas mais interativas e contextualizadas.

Nesse contexto, percebe-se a emergência de novas formas de expressão oral, marcadas por características como a instantaneidade, a informalidade e a multimodalidade, características que desafiam modelos tradicionais de ensino e práticas comunicativas. Entretanto, tais transformações não ocorrem de maneira homogênea nem isenta de impactos. É preciso considerar que o uso das tecnologias digitais pode, por um lado, favorecer o aprimoramento da oralidade, e, por outro, contribuir para o empobrecimento das interações face a face, gerando efeitos colaterais no que diz respeito à escuta ativa, à argumentação estruturada e à fluência verbal em contextos presenciais.

Diante desse panorama, a presente pesquisa delimita-se à análise das causas e consequências do uso das tecnologias digitais na comunicação oral, com ênfase nos ambientes educacionais e nas interações sociais cotidianas. A partir disso, formula-se a seguinte pergunta de pesquisa: de que forma o uso das tecnologias digitais tem influenciado o desenvolvimento e a qualidade da comunicação oral entre os indivíduos?

Considerando essa problemática, levantam-se algumas hipóteses que norteiam o estudo. Primeiramente, pressupõe-se que as tecnologias digitais têm ampliado as possibilidades de expressão oral por meio de ferramentas interativas, como vídeos, podcasts, reuniões virtuais e aplicativos de mensagens. Em segundo lugar, cogita-se que o uso excessivo e desregulado desses recursos pode ocasionar a redução da habilidade de argumentação e escuta, devido à superficialidade das interações mediadas por telas. Por fim, considera-se que há uma lacuna significativa na formação educacional voltada à comunicação oral crítica e reflexiva mediada pelas tecnologias.

Dessa forma, o presente artigo tem como objetivo geral analisar os impactos das tecnologias digitais no desenvolvimento da comunicação oral. Como objetivos específicos, busca-se: (1) investigar os principais recursos tecnológicos utilizados no aprimoramento da oralidade; (2) identificar as implicações positivas e negativas do uso dessas tecnologias nas práticas comunicativas; e (3) refletir sobre as possibilidades de mediação pedagógica que favoreçam o uso crítico e responsável das tecnologias digitais no desenvolvimento da oralidade.

A relevância deste estudo reside na necessidade de compreender os efeitos concretos das transformações tecnológicas sobre as habilidades comunicativas humanas, especialmente em um cenário em que a comunicação oral é cada vez mais mediada por dispositivos digitais. Trata-se de uma discussão pertinente tanto para a comunidade científica, que busca compreender os efeitos socioculturais das novas tecnologias, quanto para os profissionais da educação, que enfrentam o desafio de promover o desenvolvimento integral da linguagem em meio à era digital.

Quanto aos procedimentos metodológicos, trata-se de uma pesquisa de natureza bibliográfica, de caráter qualitativo, fundamentada em autores que discutem os impactos das tecnologias digitais no campo da linguagem, com especial atenção às habilidades orais. A escolha por esse tipo de investigação se justifica pela possibilidade de reunir, analisar e interpretar criticamente estudos já consolidados sobre o tema, oferecendo subsídios teóricos para novas reflexões.

Por fim, a estrutura do presente artigo organiza-se em cinco seções: Introdução, que contextualiza o tema e apresenta os objetivos do estudo; Fundamentação Teórica, na qual são discutidos os principais conceitos e autores que embasam a pesquisa; Procedimentos Metodológicos, que detalham o percurso investigativo adotado; Resultados e Discussão, onde são apresentados os dados levantados e a análise crítica dos achados; e, por fim, as Considerações Finais, que sintetizam as conclusões obtidas e sugerem possíveis caminhos para futuras investigações.

FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA

O desenvolvimento da comunicação oral tem se reconfigurado diante das transformações promovidas pelas Tecnologias Digitais de Informação e Comunicação (TDIC), cuja presença nos contextos educacionais e sociais se mostra cada vez mais marcante. A oralidade, tradicionalmente compreendida como uma habilidade linguística vinculada ao espaço presencial, à escuta ativa e à construção coletiva de sentidos, passa agora a ser constantemente mediada por dispositivos digitais, plataformas virtuais e formatos multimodais de interação. A esse respeito, Carvalho e Soares (2020) apontam que as tecnologias digitais, quando bem utilizadas, têm o potencial de ampliar o repertório comunicativo dos sujeitos, promovendo práticas discursivas mais colaborativas e contextualizadas.

Ao tratar da comunicação oral mediada por tecnologias digitais, é necessário considerar o surgimento de novas práticas de letramento que se distanciam da oralidade convencional. Fischer e Vicentini (2020) argumentam que as TDIC contribuem para a formação de identidades comunicativas por meio de atividades gamificadas, especialmente em ambientes de aprendizagem de línguas. Em sua pesquisa, os autores analisaram práticas orais em um clube de inglês mediado por recursos tecnológicos, identificando que a gamificação pode favorecer o engajamento, a espontaneidade e a autonomia dos participantes no uso da língua oral. A comunicação oral, nesse cenário, ganha contornos lúdicos e interativos, promovendo experiências mais significativas de aprendizagem.

A atuação pedagógica mediada por tecnologias digitais também é destacada por Gorgens e Andrade (2020), os quais defendem que a incorporação consciente de recursos tecnológicos no ensino superior pode estimular a autonomia dos estudantes e o protagonismo na construção do conhecimento. Para os autores, a oralidade desenvolvida em contextos digitais precisa ser pensada a partir da diversidade de linguagens que circulam nesses ambientes, exigindo dos docentes estratégias didáticas que integrem diferentes mídias e promovam a escuta ativa e a expressão clara de ideias.

Entretanto, a mera inserção de tecnologias no processo educativo não garante, por si só, uma melhoria na comunicação oral. Gitahy, Fernandez e Terçariol (2021) ressaltam que é fundamental haver intencionalidade pedagógica e mediação qualificada para que as TDIC contribuam efetivamente no desenvolvimento de competências linguísticas. Em seu estudo, ao analisarem discussões de grupo com apoio de recursos digitais, os autores destacam a importância do planejamento docente para garantir que as atividades orais não se limitem à superficialidade, mas estimulem a argumentação crítica, o diálogo respeitoso e a organização lógica do discurso.

Nesse mesmo sentido, Lubachewski e Cerutti (2020) consideram que as metodologias ativas, aliadas às tecnologias digitais, podem potencializar o processo ensino-aprendizagem. A oralidade, nesse caso, é entendida como ferramenta de protagonismo estudantil, já que os ambientes digitais permitem maior liberdade de expressão, possibilidade de ensaios orais, gravações e apresentações em formatos diversificados. As autoras destacam que o uso de plataformas digitais pode democratizar as interações e estimular a participação de estudantes que, no ambiente físico, costumam se manter retraídos, favorecendo, assim, a inclusão comunicativa.

Por outro lado, é necessário refletir sobre os limites do uso excessivo das tecnologias na comunicação oral. Conforme apontam Oliveira e Dias (2024), as interações mediadas por telas podem provocar a perda de elementos essenciais da oralidade, como o contato visual, a entonação espontânea e os gestos, comprometendo a expressividade e a escuta ativa. Os autores defendem que o ensino da oralidade no contexto digital deve considerar os princípios dos letramentos multimodais, mas também deve preservar os fundamentos da comunicação interpessoal, criando espaços em que os estudantes possam experimentar tanto a oralidade virtual quanto a presencial.

Victorino da Silva (2020) propõe três perspectivas de abordagem das tecnologias digitais na educação: a instrumental, a relacional e a crítica. Em sua análise, ele afirma que, quando as tecnologias são utilizadas apenas como ferramentas de reprodução de conteúdo, pouco contribuem para o desenvolvimento da oralidade. Contudo, quando são integradas em uma abordagem crítica e relacional, tornam-se instrumentos poderosos de diálogo, de construção coletiva de sentidos e de fortalecimento das práticas comunicativas dos estudantes. A oralidade, nesse contexto, adquire uma dimensão política e social, ao promover a escuta mútua e a expressão de identidades diversas.

No âmbito do ensino superior, Vidal e Mercado (2020) defendem a integração das TDIC em práticas pedagógicas inovadoras que favoreçam a comunicação significativa. Os autores enfatizam a necessidade de superar o modelo tradicional de aula expositiva, estimulando espaços colaborativos em que a oralidade seja exercitada de forma ativa. Segundo eles, o uso de podcasts, debates virtuais, apresentações em vídeo e fóruns interativos pode não apenas ampliar os canais de comunicação, mas também contribuir para a formação de sujeitos críticos e comunicativos.

A partir da análise das obras consultadas, percebe-se que as tecnologias digitais impactam diretamente a forma como a comunicação oral é ensinada, exercida e compreendida nos diversos contextos sociais e educacionais. A maioria dos autores concorda que, quando mediadas por uma intencionalidade pedagógica e por práticas colaborativas, as TDIC podem favorecer o desenvolvimento da oralidade, ampliando as possibilidades de expressão, escuta e interação. Entretanto, também se alerta para os riscos da superficialidade, da fragmentação e do empobrecimento da comunicação, quando as tecnologias são utilizadas sem reflexão crítica ou planejamento adequado.

Dessa forma, é imprescindível compreender que as tecnologias digitais não são neutras: seu impacto sobre a oralidade depende do modo como são inseridas nas práticas sociais e educativas. A comunicação oral, mais do que uma habilidade linguística, constitui uma prática social complexa, atravessada por aspectos culturais, afetivos, cognitivos e éticos. Por isso, a utilização das TDIC deve ser orientada por objetivos formativos que valorizem a argumentação, a escuta sensível e a construção coletiva do conhecimento.

Em síntese, a fundamentação teórica evidencia que a relação entre tecnologias digitais e comunicação oral é multifacetada e demanda uma abordagem equilibrada e crítica. É preciso reconhecer os potenciais das TDIC na promoção da oralidade, sem perder de vista os desafios que acompanham seu uso. A reflexão sobre as práticas pedagógicas, o papel do professor como mediador e a formação crítica dos estudantes se apresentam como elementos centrais para que a comunicação oral, no contexto digital, seja efetivamente significativa, inclusiva e transformadora.

Diante das contribuições analisadas, é necessário destacar que a efetividade da comunicação oral mediada pelas tecnologias também depende da capacidade dos educadores em integrar essas ferramentas às necessidades pedagógicas dos seus estudantes. Conforme indicam Silva, Cuty e Limberger (2023), a formação docente deve incluir o desenvolvimento de competências digitais críticas, que possibilitem ao professor não apenas utilizar ferramentas, mas compreender seus limites e potencialidades no processo de ensino-aprendizagem.

Nesse aspecto, o ensino da oralidade precisa ir além do simples domínio técnico da fala ou do uso de dispositivos. Requer, sobretudo, o estímulo à escuta atenta, à argumentação lógica e ao respeito ao outro, mesmo nos espaços virtuais. As TDIC, como afirmam Veríssimo e Siqueira (2020), podem ser empregadas para criar ambientes colaborativos, onde o diálogo se construa de forma participativa, inclusiva e democrática.

Além disso, é necessário considerar as desigualdades no acesso às tecnologias, o que pode gerar exclusão digital e comprometer o pleno desenvolvimento da comunicação oral entre estudantes de diferentes realidades sociais. Segundo Santos e Oliveira (2021), o planejamento pedagógico deve contemplar estratégias que considerem as condições materiais dos sujeitos envolvidos, garantindo o direito à aprendizagem e à expressão oral a todos.

Pereira e Lima (2022) também destacam que as práticas comunicativas digitais devem valorizar o contexto sociocultural dos alunos, promovendo a oralidade como um instrumento de identidade e pertencimento. Assim, o uso das tecnologias não pode ser visto como uma solução universal, mas como uma ferramenta que, quando utilizada de forma crítica e contextualizada, pode favorecer processos de ensino-aprendizagem mais humanos e significativos.

Nesse sentido, cabe ao professor assumir o papel de mediador e curador das experiências digitais, incentivando práticas orais que levem em conta a diversidade de linguagens e a multiplicidade de sentidos presentes nas interações online. Como concluem Ferreira e Mendes (2024), o desenvolvimento da oralidade na era digital exige uma postura ética e investigativa, que reconheça a complexidade do discurso humano e o papel das tecnologias na sua mediação.

PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS

A presente investigação caracteriza-se como uma pesquisa bibliográfica de natureza qualitativa, cujo objetivo é compreender, por meio da análise de publicações científicas, os impactos das tecnologias digitais sobre a comunicação oral, especialmente no contexto educacional. Conforme destacam Santos e Oliveira (2021), a pesquisa bibliográfica permite o aprofundamento teórico acerca de determinado objeto de estudo, utilizando fontes já consolidadas na literatura científica para fundamentar reflexões e interpretações críticas.

Segundo Pereira e Lima (2022), a pesquisa qualitativa é adequada quando se busca compreender fenômenos sociais em suas múltiplas dimensões, considerando aspectos subjetivos, culturais e históricos. Nesse sentido, este estudo não se propõe a mensurar dados quantitativos, mas sim a interpretar discursos, práticas e implicações pedagógicas presentes em textos acadêmicos. O cenário da pesquisa, portanto, restringe-se ao campo teórico das Ciências Humanas e da Educação, com foco em produções recentes que tratam da oralidade e das tecnologias digitais.

Os critérios de inclusão adotados foram: publicações acadêmicas disponíveis em língua portuguesa, publicadas entre 2020 e 2024, com relevância temática comprovada, indexadas em periódicos qualificados ou em obras de referência. Foram excluídos materiais opinativos, produções não revisadas por pares e textos fora do escopo da área educacional.

Em relação aos procedimentos éticos, ressalta-se que, por se tratar de uma pesquisa de natureza bibliográfica e sem envolvimento direto com seres humanos, não foi necessário submissão a comitês de ética. Ainda assim, todas as fontes utilizadas foram devidamente referenciadas, respeitando-se os princípios de integridade acadêmica e propriedade intelectual, conforme orientam Silva, Cuty e Limberger (2023).

A coleta de dados foi realizada por meio da seleção criteriosa de artigos, livros e e-books especializados, localizados em bases acadêmicas e bibliotecas digitais. As obras selecionadas foram lidas integralmente e organizadas em fichamentos temáticos, com o intuito de sistematizar as ideias centrais, autores, objetivos e conclusões.

A análise de dados ocorreu por meio da técnica de análise de conteúdo, conforme descrita por Egido (2024) e Ferreira e Mendes (2024), possibilitando a identificação de categorias emergentes, recorrências temáticas e posicionamentos críticos dos autores. Essa abordagem possibilitou uma leitura interpretativa das contribuições teóricas relacionadas à influência das tecnologias digitais na comunicação oral, permitindo a construção de um panorama coerente e fundamentado.

Segundo Veríssimo e Siqueira (2020), a escolha metodológica por uma abordagem bibliográfica e qualitativa mostra-se pertinente diante da complexidade do objeto de estudo, contribuindo para a construção de um referencial crítico sobre as relações entre tecnologia, linguagem e educação.

RESULTADOS E DISCUSSÃO

A análise bibliográfica realizada evidenciou que o impacto das tecnologias digitais sobre a comunicação oral apresenta-se de forma ambígua, com potencialidades e desafios que demandam reflexão crítica e ação pedagógica intencional. Os estudos de Carvalho e Soares (2020) confirmam que as tecnologias, quando utilizadas de forma planejada, contribuem para o fortalecimento das habilidades orais, especialmente ao ampliar os espaços interativos e os canais de expressão.

Nesse mesmo sentido, a pesquisa de Fischer e Vicentini (2020) aponta que práticas gamificadas em ambientes digitais promovem um uso mais espontâneo da oralidade, reforçando o protagonismo dos sujeitos e a construção de identidades comunicativas. Tal constatação demonstra a relevância da mediação docente na escolha de estratégias que favoreçam o uso qualificado da oralidade no meio digital.

Por outro lado, os estudos de Oliveira e Dias (2024) ressaltam os riscos de uma comunicação oral empobrecida, quando mediada por telas, devido à ausência de elementos não verbais fundamentais, como a gestualidade e a entonação. Essa limitação pode comprometer o desenvolvimento da escuta ativa e da argumentação estruturada, o que exige atenção no planejamento das atividades.

As contribuições de Gitahy, Fernandez e Terçariol (2021) demonstram que a presença das tecnologias por si só não garante uma melhoria na oralidade; é preciso haver intencionalidade pedagógica, objetivos claros e práticas reflexivas que estimulem o pensamento crítico. Gorgens e Andrade (2020), por sua vez, reforçam que a inclusão das TDIC deve vir acompanhada de estratégias colaborativas que integrem diferentes linguagens e favoreçam a autonomia dos estudantes.

Além disso, Victorino da Silva (2020) propõe que a abordagem crítica das tecnologias seja priorizada, superando a visão meramente instrumental, o que se alinha à perspectiva de Vidal e Mercado (2020), ao defenderem práticas pedagógicas inovadoras que estimulem a interação oral significativa.

Ainda, os achados de Lubachewski e Cerutti (2020) indicam que o uso das TDIC pode favorecer a inclusão comunicativa e ampliar a participação de estudantes com diferentes estilos de aprendizagem, desde que os recursos sejam utilizados com intencionalidade e sensibilidade às necessidades do grupo.

Diante disso, conclui-se que as tecnologias digitais, quando integradas de forma crítica e pedagógica, representam uma oportunidade concreta de ressignificar a comunicação oral nos espaços educacionais. No entanto, sua eficácia depende diretamente do compromisso docente em promover práticas dialógicas, colaborativas e orientadas ao desenvolvimento humano integral.

Esses resultados reforçam a necessidade de repensar as metodologias de ensino da oralidade em consonância com as transformações tecnológicas do século XXI. Conforme apontam Silva, Cuty e Limberger (2023), o trabalho com a linguagem oral no ambiente digital deve envolver múltiplos gêneros discursivos, respeitando a diversidade cultural e linguística dos sujeitos envolvidos. A diversidade de plataformas, como fóruns, videochamadas e aplicativos de gravação de áudio e vídeo, permite a experimentação de formatos discursivos variados, promovendo a flexibilização das práticas comunicativas.

Além disso, deve-se destacar o papel do contexto sociocultural como fator condicionante na apropriação crítica das tecnologias. Santos e Oliveira (2021) enfatizam que o uso pedagógico das TDIC deve considerar as realidades dos estudantes, especialmente em relação às desigualdades de acesso. Essa perspectiva é essencial para garantir a inclusão digital e, por consequência, a democratização da oralidade em ambientes virtuais.

A discussão empreendida neste estudo aponta para a urgência de formar educadores capazes de mediar os processos comunicativos com intencionalidade, criatividade e compromisso ético. O uso das tecnologias digitais, portanto, deve estar ancorado em práticas pedagógicas que promovam o diálogo, o pensamento crítico e a expressão oral significativa.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

O presente artigo teve como objetivo analisar os impactos das tecnologias digitais sobre a comunicação oral, considerando as causas e consequências de sua integração em contextos educacionais. A partir da revisão bibliográfica, foi possível observar que as Tecnologias Digitais de Informação e Comunicação (TDIC) vêm desempenhando papel central na transformação das práticas comunicativas, especialmente entre os estudantes.

Verificou-se que, quando utilizadas de forma pedagógica e crítica, às tecnologias digitais podem potencializar o desenvolvimento da oralidade, favorecendo práticas interativas, colaborativas e contextualizadas. Recursos como plataformas de videoconferência, podcasts, jogos digitais e ambientes virtuais de aprendizagem se mostram eficazes para ampliar o repertório comunicativo, fortalecer a autonomia e estimular o protagonismo discente.

Entretanto, também se constataram limitações importantes. A mediação tecnológica pode comprometer aspectos fundamentais da oralidade presencial, como a escuta ativa, a expressividade e a coesão argumentativa, caso não seja acompanhada por um planejamento didático coerente e intencional. Além disso, a simples presença das tecnologias em sala de aula não garante o desenvolvimento das habilidades orais, sendo necessária a atuação sensível e reflexiva do educador.

Dessa forma, conclui-se que o uso das tecnologias digitais no ensino da comunicação oral deve ser pautado por uma abordagem crítica, que reconheça tanto suas potencialidades quanto seus desafios. A valorização da oralidade, como prática social significativa, requer estratégias que articulem os recursos digitais aos princípios da formação humana, promovendo uma comunicação mais ética, inclusiva e transformadora.

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Oliveira, José Nilson dos Santos. Tecnologias digitais e comunicação oral: Causas e consequências.International Integralize Scientific. v 5, n 49, Julho/2025 ISSN/3085-654X

Referencias

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Acesso em: 2024-09-03.

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n. 49
Tecnologias digitais e comunicação oral: Causas e consequências

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