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Resumo
INTRODUÇÃO
Durante infância as crianças são apresentadas a diversas literaturas infantis e contos animados; Onde começam a construir seu conhecimento de mundo, e ver diferentes ideais a partir do que ler e compreender, ou seja, ela entende a verdade exposta na obra literária e compreende a sua concepção individual, social, real, e até mesmo disseminar a irrealidade lida que é por vez corriqueira nas literaturas infantis. Assim poder desenvolver autonomia, criatividade, personalidade, cognição e descobertas fundamentadas pelo ato de ler literaturas e contos. Afirmadas no pensamento de Fanny Abramovich (1991):“Ah, como é importante para a formação de qualquer criança ouvir muitas e muitas histórias… escutá-las é o início da aprendizagem para ser um leitor, e ser leitor é ter um caminho absolutamente infinito de descobertas e compreensão do mundo. ”
Ao ler um conto, fábulas ou outras literaturas, ela capta a realidade de mundo, conceitos, e valores ali explícita ou implicitamente dita na obra, onde ela pode analisar e selecionar o que está sendo apresentado e começar a formar em seu cognitivo o papel daquele elemento literário apresentado. É devido às construções de literatura infantil em que se usa a imaginação, criar um mundo e elementos fora do comum, possibilitam às crianças um outro mundo que ela presencia ao ler ou ouvir, trazendo ao meio real que ela convive, os conceitos lidos e adquiridos.
Seria, portanto, a hora de se formar e posicionar-se em alguns aspectos da vida expressos na obra como em “O Patinho Feio” de Andersen, onde a criança pode notar: a dispersão, o preconceito, a família, o bonito, o feio, a vivência, entre outras funcionalidades existentes na obra literária. Assim ela constrói seu entendimento e recria o lido em seus aspectos já pré-existentes criando o novo em sua formação crítica pessoal em relação ao que foi exposto no contexto da história passando a fazer uso do mesmo como uma bagagem sendo preenchida aos poucos pela compreensão e conhecimento de mundo, diferente e novo.
É preciso entender a formação, a conceitualização que as crianças realizam ao ler uma literatura infantil ou um conto para ela apresentado; E o que está relacionado ao seu psicológico que irá refletir em suas capacidades e ações críticas de assuntos sociais ou individuais. É compreender os impactos que podem gerar na formalização da mente da criança, dependendo do modo que é apresentada a literatura e como ela correlaciona o verossímil do inverossímil e interpretar a mensagem foco dos contos de diversas literaturas. A partir do momento que fala-se de criança, é preciso atentar que trata-se de pequenos cidadãos e cidadãs, e todo conhecimento que ela se depara e tiver acesso vai refletir no seu desenvolvimento principalmente no seu aspecto crítico de como agir, falar ou portar-se e compreender a relação da obra na vida da criança e na sua formação futura é o objetivo deste artigo.
“Crianças são artífices do novo, das ideias que ainda ninguém teve, das concepções que vão suplantar as que possuem atualmente. Para tanto elas precisam ter uma formação livre e criativa, precisam saber lidar com ambiguidade, precisam saber a se expressar, precisam ter coragem de dizer a palavra nova, o pensamento que ainda nunca foi pensado. Neste aspecto, a literatura pode dar uma grande e insubstituível construção. ”(Azevedo,2001).
Esta pesquisa tem o objetivo de compreender a influência das literaturas infantis na formação do senso crítico a partir da infância, baseado nas múltiplas capacidades da mente infantil aberta ao novo. E por meio deste contexto literário evoluir sua capacidade comunicativa e expressiva.
Dessa forma pode-se através da interpretação de literaturas infantis, a criança obter e formar sua criticidade de acordo com o contexto ao qual ela é exposta. De modo que podem executar uma leitura própria do mundo e reconhecer o implícito da obra e usar no seu ser, que está em construção e que provavelmente irá exercer assim que for colocado em situação semelhante em sua vivência. Trazendo, portanto, obras literárias e os contos de fadas ou animados, como agente influenciador e formador das mentes e ações infantis, a partir de sua verdade (ou não) abordada.
DESENVOLVIMENTO
A LITERATURA INFANTIL
Nos dias de hoje a literatura vem concebendo vários debates em torno da sua conceitualização, pois ela vem variando anos após anos acompanhando seu contexto histórico. No entanto referir –se que a literatura tem por dom recompor a realidade baseado no modo de ver de quem a escreve, trazendo o ilusório para o real, fazendo com que o leitor reflita sobre a nova experiência apresentada pelo autor. Assim Coutinho (1978) ressalta: “A literatura, como toda arte, é a transfiguração do real, é a realidade recriada, através do espírito do artista e retransmitida através da língua para as formas, que são os gêneros, e com os quais ela toma corpo e nova realidade” (Coutinho,1997).
De modo que o conceito de literatura foi se expandindo, vários textos foram se incluindo ao gênero literário conhecidos hoje, por exemplo a literatura infantil. De origem europeia lá no século XVIII, A literatura infantil faz jus ao nome aborda a realidade, temática delicada de forma sutil de forma com que ela adquira um conhecimento daquela situação abordada.
A literatura infantil é uma produção que contribui para a formação da criança, abre portas para um universo encantador cheio de curiosidades e conhecimentos, buscando despertar na criança elementos indispensáveis no seu desenvolvimento, fazendo-o crescer acompanhado de experiências, sentimentos e emoções adquiridos através dos livros infantis. Em virtude disso, Cagnet (1996) aborda:”A literatura infantil é, antes de tudo, literatura, ou melhor, é arte: fenômeno de criatividade que representa o mundo, o homem, a vida, através da palavra. Funde os sonhos e a vida prática; o imaginário e o real; os ideais e possível/impossível realização. (Cagnet, 1996 ).
Nesse sentido, a literatura infantil mostra a criança em outro mundo explorando a imaginação levando a descobrir um novo mundo inserindo seus sonhos com a realidade.
ESTILOS LITERÁRIOS INFANTIS (GÊNERO NARRAR)
A leitura de histórias é um momento em que a criança pode conhecer a forma de viver, pensar e agir e o universo de valores, costumes e comportamentos de outras culturas situadas em outros tempos e lugares que não são seus (Brasil, 1998).
Por vezes pensa-se que por se tratar de literatura infantil, elas não sejam importantes ou não possuem construção de aprendizagem; Do contrário são caminhos essenciais para o desempenho interpretativo da criança seja de si próprio ou do meio social no qual está inserida, e o leque de narrações existentes são diversos e distintos em sua construção, possibilitando a criança, chegar na ideia principal do texto, e compreender a mensagem por ele transmitido e todas as informações contidas na narração, dependendo do estilo ao qual foi escrita. São inúmeros as características e os modos de narrar histórias para o público infantil, e toda representação existente nesses estilos literários agem no ser formador das crianças contribuindo para sua postura crítica. Não importando tratarem-se de histórias imaginárias, ou seja, a imaginação permite junto com os estilos de literatura para o público infantil, construir entendimento principalmente nas questões do certo, ou errado, do bom ou ruim, a interação é a facilitação de conhecimento transmitido da narração para a criança. Logo por meio da literatura a criança aprende ao analisar os fatos.
O APÓLOGO
Neste estilo é possível, a interpretação e formação moral da criança por meio de objetos inanimados, diferente da Fábula ela vai a objetos que agem, objetivando passar uma lição ao leitor de algo que na realidade jamais teriam qualquer atitude, como exemplo a agulha e o novelo de Machado de Assis, assim mostra para criança objetos que a cercam e como os personagens agem na história e são entendidas por elas pelas suas atitudes, referenciando algo que ela não pode se inspirar mais pode entender, logo é sabido pelas crianças que ela não é uma agulha, e que nem será parte daquela história, mas atribuiu a si e formar-se-a baseada na mensagem que está sendo ali repassada de forma real. Portanto, a inanição do apólogo faz ao leitor relacionar o agir da irrealidade exercendo seu ser crítico de forma realista.
Nesta narrativa obtém-se um exemplo de formação crítica que vai além da fase da criança infantil, e mostra que a mesma se estende ao longo de sua juventude; Um bom exemplo é Harry Potter que apresenta mesmo de forma imaginária, mágica e fictícia as formas do bem e do mal, onde o leitor consegue compreender e assimilar as atitudes dos personagens, dando também a noção de integração social, e todas consequências de um convívio bom ou ruim. Não é uma história curta, logo isso possibilita que o jovem acompanhe a fim de quem entenda os fatos da narrativa, fato bastante proveitoso para a construção cognitiva, e separação da realidade, e até mesmo a fixação da esperança e de algo bom a ser feito. Para Black (2007,9.15) “O mundo não se divide em pessoas boas e más. Todos possuem luz e trevas dentro de si. O que importa é o lado que se escolhe para agir. Isso é o melhor que realmente cada ser é.
Na novela, o objetivo é a concretização das inúmeras tentativas do personagem de conquistar e vencer problemas, mas de forma real, sem varinha mágica e sim com atitudes certas motivadas pelo gênero trabalhado.
LENDA
É preciso bastante atenção às lendas, que por vezes são entendidas como imaginativas ao extremo, onde contrário ao que se pensa elas são literaturas que captam a atenção das crianças, extingam as mesmas a compreensão do motivo das coisas. Segundo site InfoEscola e a sua abordagem de literatura infantil, no século XVIII ou antes as crianças da nobreza liam os grandes clássicos e as crianças das classes populares liam lendas e contos folclóricos, com o passar do tempo esses clássicos sofreram adaptações e os contos folclóricos inspiraram os contos de fada que serão abordados mais adiante.
A lenda por ter base histórica ajuda as crianças a organizar suas noções e que tudo parte de um fundamento e tudo o que é contado precisa ser observado e levado em consideração.
A lenda pode apresentar versões diferentes, algo que na vida a criança também se deparará com essas situações ou fará parte, e procurar entender e chegar a resolução certa é o ponto formador da lenda.
Mesmo sendo uma narração de criação coletiva de um povo ela tem um ideal moral e de ensinamento do respeito, como a lenda de “Mani” que se refere a lenda da mandioca, que conta um fato triste, mais que no final traz esperança e a crença que se hoje foi ruim amanhã pode melhorar, fazendo com que a criança entenda uma noção do tempo e toda sua mudança, ajudando a compreender que as situações variam, principalmente na vida.
A CRÔNICA
Neste gênero tem uma grande representação do cotidiano e quando ler-se é facilmente interligada a vida pessoal ao texto da crônica, onde aspectos são integrados e compreendidos, por vezes as crianças podem ver-se dentro da história narrada.
Ao ler uma história a criança, também desenvolve todo potencial crítico. A partir daí ela pode pensar, dividir, perguntar, questionar […] Pode se sentir inquieta, cutucada, querendo saber mais e melhor ou percebendo que se pode mudar de opinião […]
E isso não sendo feito uma vez ao ano[…] Mas fazendo parte da rotina escolar, sendo sistematizado, sempre presente – o que significa trabalhar em cima. De um esquema rígido e apenas repetitivo. (Abramovich,2006).
Com o gênero da crônica ela pode ampliar outras realidades, entender outras histórias e tirar lições das mesmas, fazendo sua própria construção e realizar de forma crítica e posicionar-se sobre o texto identificando-se no texto da crônica. Carlos Drummond de Andrade, em sua crônica “O carro, a jardineira, a calçada; traz elementos cotidianos, de fácil compreensão desperta sentimentos e sensações que possuem em comum, mas vista de modo diferente, dão uma outra visão a esses elementos, essa é uma característica da crônica com o objetivo de que a criança reflita, e ao refletir compreenda e torne-se ativa no meio.
O MITO
Os mitos contam de forma não racional, onde o imaginário tem livre acesso de compreensão e até mesmo de criação, no aspecto de construção cognitiva do mesmo tem a facilidade da linguagem, dos elementos atrativos e do próprio enredo que consegue explicá-los sem um porquê levando ao leitor mais uma modalidade de literatura infantil prazerosa e que possibilita a criança a realizar um senso do real e do imaginário, exercendo uma função de separar os elementos irreais da realidade, o gênero bem semelhante a lenda e seu aspecto ilusório, mais que buscam sempre explicar.
Para Coelho (Oliveira, 2010), ele diz que os mitos: “São narrativas que nos falam de deuses, duendes e heróis fabulosos ou situações que o sobrenatural domina.
Logo a sequência existente no mito da contação, e a transmissão consecutiva de gerações e as fixações realizadas da história, além da maturidade de que nas obras infantis é possível pela imaginação e a interpretação do texto e seus aspectos formadores para o desenvolvimento dos leitores, são abordagens que compõem e ajudam a facilitar a assimilação e a criação própria.
FÁBULA
A ênfase das fábulas é a “moral” da história, é toda com a possibilidade de ensinamentos, sendo ela uma boa história ou não. Até as que mostram algo ruim, possuem de forma implícita um pensamento e uma lição, e isso faz com que a criança forme o seu ser crítico.
É por meio deste gênero, que se consegue fazer essa captação, porque os textos em si possibilitam a compreensão da moralidade ali apresentada, e captar que não é apenas uma história contada, inventada ou imaginada, existe uma verdade ali expressa sempre terá uma informação sendo passada.
O encanto das fábulas é a possibilidade expressa nelas de animais tomarem forma e atitude humanas, e interagir como o meio possibilitando a criança algo que ela goste e que irá lhe passar alguma informação importante, cabível de entendimento (a moral), e que ela levará no seu agir no meio em que convive com influência da mesma. Ronize Aline (2015) tem outra visão bastante relevante no quesito da fábula ter um objetivo influenciador e formador crítico, quando diz: “As fábulas apresentam esses personagens dialogando para mostrar pontos de vista diferentes”, tudo que cerca o dia a dia infantil ou de qualquer ser, sempre haverá o outro, com uma segunda opinião, onde todos devem ser ouvidos e ponderar-se no certo e no errado, fazendo uma associação dos discursos e aderi-los como ensinamento e construção crítica dos mais variados assuntos abordados.
Na Fábula de Esopo (1994), O cão que levava a carne, trata da questão da ambição representada num animal, mais que mostra que ser ambicioso não leva ninguém a nada, e sim perder o que já tem, no caso da personagem da fábula, possue, portanto, mais um exemplo de que na literatura infantil as obras e elementos que atuam no entretenimento e na formação cidadã dos leitores.
Mais do que falar e preencher, o texto houve silencia, para que a voz do seu parceiro o leitor, possa ocupar espaços e ensinar também. Redescobre-se, então, o verdadeiro sentido de uma ação pedagógica que é mais do que ensinar o pouco que se sabe, e estar de prontidão para aprender a vastidão daquilo que não se sabe. A arte literária é um dos caminhos para esse aprendizado. (Paulo,2001).
Logo é possível sim, que a criança construa com o objetivo de exercer a sua criticidade, a partir das obras literárias lidas ou apresentadas para a mesma. Fazendo assimilações e compreendendo a lição nela apresentada.
O CONTO
O Conto normalmente apresenta-se numa visão mágica da realidade, expressa o real mais liga-se a magia, seja de fadas ou não, onde ocorrem elementos que tratam do cotidiano mais prendem a atenção das crianças devido a seus elementos de beleza, acontecimentos, a fim de organizar o enredo de forma instigante.
O Conto mais apresentado na infância, trata-se do que narra, fadas, príncipes e princesas, mágicas e personagens bem conhecidos como a Barbie por exemplo ou ainda as grandes obras da Disney que mostram a motivação e a vontade do bem vencer, e ultrapassar todas as barreiras e conseguir o êxito almejado e o tão esperado “Felizes para sempre”. Fazendo com que a criança assemelhe na sua vida, ou meio no qual está inserida e passe a persistir em suas atitudes com objetivos positivos em conseguir o que deseja. É um mundo encantado, que possibilita a força de vontade, e ainda mais. Existem momentos no conto, onde tudo parece está perdido mais aí a vida, o tempo, ou as situações dão uma reviravolta na história, ajudando o leitor a entender o tempo de tudo, até no mais mágico conto, onde a Bela Adormecida estava inibida de viver e logo com o passar das situações e do amor verdadeiro ela consegue acordar e viver, além de antes ser possível entender a maldade e a inveja humana e que isso em nada fortifica não sendo bom para ninguém.
Logo os contos encantados levam as crianças a dois paralelos e duas distinções, do caminho a seguir e dos métodos a serem usados, do bem e do mal e qual deles escolher. Nessa literatura possui um leque de observações a serem analisadas, principalmente nos contos encantados da Walt Disney e toda abordagem positiva e negativa que o mesmo pode causar, mais sem esquecer da essência do conto em seus acontecimentos cotidianos de vida, morte, filhos, casamento, onde o leitor constrói ideias pela leitura do texto e desenvolve para seu crítico algumas atribuições que ache relevante, quem nunca lutou para conseguir algo, e ao fim sentiu a magia da conquista. Mais adiante será abordado a multifuncionalidades dos contos e seus aspectos formadores, mas para compreender seus objetivos, Coelho traz no seu livro O Conto de Fadas: Histórias são narrações de acontecimentos ou situações significativas para o conhecimento da evolução dos tempos, culturas, civilizações, nações etc. não é mera exposição de fatos, mas resulta de uma indagação inteligente e crítica dos fenômenos que tem por fim o conhecimento da verdade. (Coelho,1991). Quando observa “… resulta de uma indagação… crítica dos fenômenos… conhecimento da verdade.” Tem a finalidade formadora da literatura infantil, e o leque de possibilidades de pensar e agir regidos pela mesma. Contudo os contos possuem um papel de destaque.
OS CONTOS DE FADAS OU MARAVILHOSOS E AS SUAS ABORDAGENS
Quando fala em Contos maravilhosos fala do texto (Conto) referido a criança, ou adultos, mais que caracterizam-se também pela abordagem narrativa de um início, meio e fim, iniciando-se de um pressuposto sem muitas explicações de origem, mais que acontecem num tempo geralmente de “era uma vez…”, e que permanecem com a narração de fatos, mais que evoluem da infância até a vida, realizando seu papel formador.
Uma forte abordagem no conto seja maravilhoso ou de Fadas, onde o desfecho é o êxito do seu personagem principal, ou seja, o herói da narrativa é a parte mais aguardada da História. Além de outras abordagens presentes como a luta com os monstros (mal), a persistência do amor, vencer os obstáculos, resolver problemas, iniciar ações, organizar estratégias etc. Mostram-nos a variedade de caminhos seguidos pelo canto falado ou escrito. Onde a intriga existente nessas obras e o desenrolar das mesmas perante os personagens aguçam o leitor principalmente na infância para chegar ao entendimento final da obra.
Nos Contos de Fadas, é possível segundo Jean-Marie Gillig (1999, P. 76) que a criança tenha um diálogo intuitivo onde o inconsciente, o pré-consciente e o consciente; sejam abordados e trabalhados de forma conjunta na compreensão.
Trazendo assim a característica da construção crítica na mente do leitor dos contos em literatura infantil. Desde o século XVII que se iniciou com fortificação a abordagem da literatura infantil, e desde então foi construído o modo de aplicabilidade dos mesmos e as características neles existentes, onde os de fadas tiveram sua impulsionabilidade positiva, onde a imaginação nunca atrapalhou a distinção do real ou não, e sim contribuiu e contribui para o entender das situações e os métodos de construção dos conhecimentos baseados na história narrada. Na perspectiva (Gillig ,1999)“.
Ninguém é enganado no Conto de Fadas, o qual não expressa a realidade externa, mas, de modo simbólico, expressa uma realidade interna fantasiada, desenvolvendo-se a partir das angústias e das aspirações. Nesse sentido, o Conto Maravilhoso, colocando em cena problemáticas mais íntimas, permite simbolizar o trabalho psicoafetivo do inconsciente coletivo que aí é exprimido em significações mais ou menos ocultas permitindo a projeção e a identificação. (Gillig ,1999).
A narrativa dos contos de fada foca sempre nos finais felizes, o qual os personagens enfrentam grandes dificuldades, passam por vários obstáculos até conseguir vencer o mal do lado da pessoa amada.
Essa leitura (tipo de narrativa) passa para o leitor um universo imaginário recheado de fatores presentes na sua realidade, tais como maldade, bondade e também os valores morais.
A temática dos contos de fadas ajuda a criança a enfrentar situações do dia a dia, utilizando os pensamentos dos personagens fazendo-os entender alguns sentimentos como raiva da bruxa, medo do lobo mau e orgulho do mocinho por salvar a mocinha e serem felizes para sempre. Os contos de fadas realçam um ponto bem importante também na vida real, sobre a punição ocorrida pelo crime, na qual as pessoas que praticam más ações perdem, assim tornando para as crianças os heróis/heroínas mais chamativo.
Sendo assim Bruno Bettelheim destaca: “Está é exatamente a mensagem que os contos de fadas transmitem à criança de forma múltipla: que uma luta contra dificuldades graves da vida é inevitável, é parte intrínseca da existência humana, mas que se a pessoa não se intimida, mas se defronta de modo firme com as opressões inesperadas e muitas vezes injustas, ela dominará os obstáculos e, ao fim, emergirá vitoriosa”. (Bettelheim, 2002).
Os contos com suas histórias cativa a concentração estimulando a curiosidade, criatividade, emoção e o mais importante a sua imaginação, elaborando para o desenvolvimento intelectual, logo a sua abordagem cheia de magia faz com que a criança se assemelhe com características peculiares dos personagens principais, como a valentia do príncipe, delicadeza das princesas, inteligência do rei e até mesmo a mente malvada da bruxa tais características que podem serem encontradas em várias situações da vida fora dos contos. Oferecendo para elas um modo de pensar para solucionar essas dificuldades.
Partindo desse pressuposto sobre os contos de fadas, vale destacar os contos animados que também apresenta uma temática bem parecida com a dos contos de fadas, mas com um toque mais real e cômico. Nos contos de fada todo enredo cheio de magia e coisas fascinantes o qual faz a criança viajar sobre a leitura, os contos animados focam mais na humanização das coisas tratando também de traços não comuns como nos contos de fadas. Observa-se um exemplo do filme Shrek que o personagem principal não é um príncipe, com todas características anti-herói, mas que se torna o mocinho para salvar a princesa.
A CONSTRUÇÃO DO CONHECIMENTO
Por meio dos Contos é possível a percepção de habilidades e autonomias, ou seja, obtém diversas formas de aprendizagem e construção do cidadão crítico, logo em se tratando de criança, nessas literaturas eles lidam com o seus medos e aprendem a superá- los e tornam isso para sua realidade, assim pela atitude da chapeuzinho vermelho por exemplo em enfrentar o lobo, da Bela e a fera se aproximarem independente da aparência, da nova versão da Cinderela na visão de sua Madrasta Malévola onde o amor e a bondade sempre estavam nela, observa-se a exposição de medos frequentes da infância, os monstros, bruxas, fantasmas que na narrativa são superados e essa superação, essa autonomia dada na obra, vai possibilitando ao leitor vencer seu medo, e transformam a criticidade infantil os tornando agentes a partir do momento que atribuem a maturidade de enfrentá-los ou entender a situação e tirar do conto a mensagem implícita no mundo encantado.
O Sítio do Pica Pau Amarelo expressa o Brasil sonhado por Monteiro, com as possibilidades de crescimento e modernização, onde reinam a paz, a sabedoria e a liberdade. Dona Benta, sua dirigente, é culta, liberal e democrata, modelo do político idealizado por Lobato para dirigir o país. Tia Nastácia é a representante do povo, em toda sua sabedoria intuitiva e tradicional e tio Barnabé legitima o folclore que levas os domínios do inconsciente coletivo. (Blazzio, 2013).
Segundo ele, a narrativa de Monteiro Lobato demonstra de forma divertida e lúdica algumas situações cotidianas com toda sua funcionalidade, onde os personagens não atuam apenas, do contrário, eles representam sempre algum atributo crítico ou orientador permeando por meio do autor. Crítica essa que também ajuda o leitor dos contos do Sítio do Pica Pau Amarelo a compreender a união de três personagens distintos na vida social e agentes no mundo da imaginação, da narrativa e todos seus efeitos, por meio da mansidão, compreensão, respeito e amor, fortificando a forma de tomar atitudes perante algumas circunstâncias da vida, a qual são presentes da infância até a fase adulta.
Sendo assim, é visível a construção de conhecimento permeadas pelas literaturas infantis, em específicos ao conto, devido a toda sua narrativa de personagens fortes, ativos e que não se contentam com o depois vão em busca, procuram a justificativa, o porquê e entender as situações buscando a resolução, contribuindo para o crescimento infantil.
Enfim os contos possuem a habilidade de trazer as crianças ao novo mundo, leva-los de volta ao meio social que vivem, e atuar sobre sua vivência de forma crítica, e vai ainda mais além ao instigar que a criança volte aos monstros dos contos que muitas vezes estão presentes ou o homem mal, mas com a certeza da aparição do herói, do amor, das fadas e da resolução das situações expostas na narrativa.
A LITERATURA E A INFLUÊNCIA NO CRÍTICO INFANTIL
Com o avanço das tecnologias as crianças hoje em dia estão ficando cada vez mais solitárias e presas nessa modernidade tecnológica, com isso depende muito de os pais mudarem um pouco essa realidade e hoje a literatura tem sido uma boa arma para os pais combaterem essa solidão. A literatura é tão importante nos dias atuais que ela permite o convívio e o contato físico e intelectual, ensinando e aprendendo vários assuntos entre pais e filhos nas suas horas de lazer. “Bons livros poderão ser presentes e grandes fontes de prazer e conhecimento. Descobrir estes sentimentos desde bebezinhos poderá ser uma excelente conquista para toda a vida. ” (Silva,1992)
A construção da personalidade e da percepção da vida se inicia na infância e permitir que as crianças tenham o poder de escolher livros que se interessam, facilita na formação do ser crítico. Orientar e dar o livre arbítrio para elas permitirá além da melhoria gramatical, lexical como também a comunicativa, pois crianças que leem com mais frequência e tem maior acessibilidade aos livros e as bibliotecas, sejam elas digitais ou físicas tendem a ter mais facilidades na comunicação e criatividade.
“Nessa fase inicial de descoberta dos livros, conta muito não só o texto verbal propriamente dito como também as escolhas gráficas em que se apresenta e as ilustrações às quais preferimos designar como texto não-verbal. Esta opção liga-se ao caráter dialógico que o texto não- verbal mantém com o texto verbal, que adquire grande relevância quando se aprende a ler. Essas duas esferas a verbal e a não-verbal, embora exijam capacidades diferenciadas no processamento da leitura, não se separam. Uma projeta na outra sentidos que se complementam, contrariando, portanto, a função meramente ilustrativa das imagens, que se ofereceram apenas como apoio para confirmar o que se lê no texto verbal. Nesse diálogo, tanto a criança que já lê com fluência como aquela que arrisca adivinhações sobre o que vê/lê participam ativamente do processo de produção de sentidos quando abrem um livro”. (Machado, 2008).
Nesse contexto de leitura e aprendizagem Machado nos mostra que a criança deve interagir com a leitura que a ela é proposta, de forma com que se desenvolva em diálogo complementar entre o texto verbal, que é o texto que ela desenvolve logo após o interesse pelas ilustrações, como o texto não-verbal, onde a criança por não ter conhecimento da leitura inicialmente se interessa. É um combinado de interesses que levam a criança ao aprendizado e a evolução do ser crítico, um cativa pelas cores e desenhos, e o outro pela criatividade e imaginação. Ambas se completam em um denominador comum: A Leitura!
DISNEY E A MÍDIA
A influência da mídia na formação das crianças é enorme, a mídia forma opiniões, cria conceitos, direciona o consumo, e influência o comportamento. As crianças durante a educação infantil imitam o que veem ou incorporam padrões de comportamento por ela propostos. A mídia diz às crianças o que comer, o que vestir, o que ouvir, e até mesmo como se comportar, apresentando um padrão de beleza induzindo ao preconceito.
As crianças por não ter um senso crítico pensam que tudo que a mídia mostra é o melhor, o mais bonito, e o mais legal, assistindo filmes, novelas, e principalmente desenhos animados, se espelham nos personagens propiciando o desejo de serem adultos antes do tempo. Assim também ocorre nas literaturas, principalmente nas dos contos de fadas da Disney, onde a criança idealiza um mundo com características irreais, como os sonhos de princesas, o príncipe vindo em um cavalo branco, e um mundo bom onde há pouca ou quase nada de maldade, um grande exemplo disso é o famoso “Felizes para sempre”.
Há na infância uma importância absurda para que todas as fases sejam visíveis e superadas de forma normal sem pular nenhuma etapa. Crianças precoces demais assim tende- se a ter consumidores mais cedo, esse é outro ponto pelo qual a mídia ataca as crianças, propagandas encantam as crianças, fazendo-as consumir mais, com tudo as da Disney que impõe, ludibriam, e mostram uma imagem de mágica e perfeição em todos os aspectos. “O personagem é essencial e constitui um elemento motor na compra de uma marca. Ele seduz as crianças pelo imaginário que induz e no qual as crianças se projetam. ” Montigneaux (2009, p. 114)
DESMISTIFICAÇÃO E REPRESENTATIVIDADE
“Como se observa, a sociedade desenvolve um conjunto de estereótipos de gênero que são reproduzidos na publicidade” (Furnham,1999, Lourenço; Artemenko; Bragaglia, 2014).
A Disney mostra em si uma construção da beleza feminina baseada na ideia de perfeição, mas aos poucos está modificando esse lado imposto por si própria para a sociedade, visando e abrindo os olhos do mundo para a inclusão. Reconhecendo assim que todos possuem diferenças e particularidades, sendo seres únicos mesmo assim sendo perfeitos com as “imperfeições”.
A Disney tem como principal objetivo encantar crianças com seus contos de fadas. O fato é que o preconceito é tão intrínseco e tão natural nas nossas criações desde a infância que não dar conta que tudo não passa de um jogo de ilusionismo e alienação, e isso é algo criado, é algo formatado na mente desde crianças através de desenhos, comerciais, novelas, filmes, livros. Mas com relação aos contos de fadas a empresa Disney Princess que é o principal departamento responsável por produtos relacionados aos contos de fadas, vem trabalhando na inclusão, representatividade e desmistificação nos dias atuais, trabalhando para modificar padrões impostos por ela mesma no passado.
As estratégias de marketing da Disney, principalmente com relação aos padrões de beleza femininos estão mudando, é nítido que atualmente ela está trabalhando nas questões de inclusão como: Inclusão racial (nesse caso com a criação da princesa negra Tiana de A princesa e o Sapo), Feminista (com a criação da princesa independente Merída de Valente), como também não irá demorar para que futuramente incluam a esse cenário as questões de identidade de gênero e sexualidade, bem como a questão do sobrepeso.
Com esse projeto de desmistificação a Disney está quebrando tais padrões irreais por ela mesma imposta, este é um processo que está caminhando cada vez melhor e sendo cada vez mais aceito pela sociedade, mas, a empresa Disney ainda tem muito que trabalhar e melhorar nesse sentido.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
Mediante a análise realizada, verificou-se que as literaturas infantis interferem na formação crítica da criança devido ao leque de modalidades das obras existentes e de suas abordagens que fazem uso do enredo formador, dos métodos da narrativa ao discernir o certo e o errado, das atitudes, do amor apresentado, e que o leitor seja capaz de interpretar e compreender os fatos ali expressos, mesmo que de forma implícita, atuando como meio formador de uma criança onde ela possa ser ativa e capaz de por intermédio da literatura infantil atuar na sociedade que vive. Pode – se notar a grande influência, principalmente nos contos encantados da Walt Disney que montam uma narrativa por vezes ilusória mais que possuem caracteres formadores na construção do conhecimento, fazendo o herói o modelo a ser seguido, o que é positivo, pois
sempre supera as maldades com boas atitudes. E mesmo quando por um período a respectiva produção foi de modo idealista como a felicidade presente apenas na vivência do príncipe e da princesa, logo mudou seus conceitos e criou obras imaginativas com aspectos mais reais no caso de Frozen, Shrek, Valente etc. Que mudam a visão dos Contos e contribuem ainda mais para que o leitor assimile o enredo e compreenda-o no seu senso crítico e atue por meio dele.
Desta forma, por meio da literatura infantil (Fábula, Lenda, Conto etc.), o leitor pode exercer e construir seu senso crítico: criativo e modificador, desde a infância lendo as obras e identificando suas funcionalidades. Toda assimilação realizada transforma as ideias existentes antes da leitura é consecutivamente moldados depois; São inúmeras as formas de exposição dos enredos infantis, a fim de que as crianças possam compreender o mundo apresentado na obra e traga para sua vivência, meios, modos e técnicas mesmo que imaginativas, mais representantes de algo significativo ou valoroso, exemplificados numa Fábula que usa a moral da história como lição a ser seguida. Portanto o objetivo deste trabalho foi mostrar a correlação realizada pelo leitor (criança) ao obter uma literatura ou conto infantil e usar o que foi apresentado na obra para sua construção crítica e futura formação como cidadão. Pois, embora por vezes esteja presente o aspecto ilusório e imaginativo, ainda assim a como assimilar a narrativa e desenvolver- se baseada na mesma, pelo que não se encontra nas palavras mais o que está subentendido.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
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