Autor
URL do Artigo
DOI
Resumo
INTRODUÇÃO
Este estudo tende a explanar a nova metodologia do Ensino Médio numa perspectiva unificada do saber, pois os projetos integradores, trabalham, de modo integrado, os componentes curriculares de cada área do conhecimento: Linguagens, Matemática, Ciências da Natureza e Ciências Humanas e Sociais.
Tem como objetivo ampliar o potencial de aprendizado do aluno, engajando-os em descobertas dos fenômenos que acontecem no mundo para além das portas da escola.
Apresenta como proposta pedagógica: projetos independentes que garantem uma organização flexível, variedade de estratégias didáticas e atividades, valoriza a convivência de forma colaborativa, favorece o protagonismo juvenil, incentivo ao trabalho colaborativo, ênfase nas tecnologias digitais e comunicação e valoriza a diversidade sociocultural.
Atualmente, são inúmeros os desafios enfrentados pela educação para continuar exercendo o papel fundamental de contribuir para o desenvolvimento social e econômico do país e para a formação global do indivíduo, como cidadão consciente de seus direitos e deveres perante a sociedade, moralmente comprometido com o bem-estar coletivo, com os princípios éticos e os valores que norteiam as normas de convívio social. A intensidade e a velocidade das transformações ocorridas nas relações de produção e de consumo, assim como no mercado de trabalho, nas esferas social, política, cultural e ambiental, nas formas de produção, aquisição e difusão da informação e do conhecimento e no desenvolvimento tecnológico tornam o mundo mais dinâmico e suscitam uma constante reflexão sobre o papel da educação e da escola no século XXI.
Nesse contexto, busca-se criar situações de aprendizagem que envolvam ativamente os alunos na busca pela resolução de problemas reais ou na realização de tarefas complexas que fomentem a produção e a aplicação prática do conhecimento adquirido de forma criativa e estimulante para a turma e o professor. A metodologia de projetos está em consonância com os quatro pilares do conhecimento: aprender a conhecer; aprender a fazer; aprender a viver juntos; aprender a ser. Desenvolver esses pilares é uma das principais missões da educação no século XXI, segundo o Relatório para a Unesco da Comissão Internacional sobre Educação para o Século XXI, coordenado pelo economista e político francês Jacques Delors (2003).
O papel do professor na Aprendizagem Baseada em Projetos Na ABP, o professor assume o papel de facilitador da aprendizagem (Bender, 2014), orientando os alunos no desenvolvimento de todas as etapas do projeto e no processo avaliativo. Para que o uso dessa estratégia tenha êxito, cabe ao professor planejar as etapas de sua concretização, averiguando, de início, a possibilidade de viabilizar e concretizar esse tipo de projeto no ambiente escolar. Para isso, o professor deverá considerar a disponibilidade e o interesse de outros docentes em sua realização, o perfil da turma e os possíveis entraves para a concretização de algumas das etapas do projeto. Segundo Behrens e José (2001, p. 12): Nessa ocasião, os docentes poderão discutir, reelaborar, manter ou alinhar seus Programas de Aprendizagem de acordo com a proposta curricular, com o perfil do profissional desejado, com as recomendações internas da instituição e das Diretrizes Curriculares propostas pelo Ministério de Educação.
No desenvolvimento desse tipo de projeto, os professores deixam de ser uma personificação do conhecimento para se tornarem facilitadores e orientadores da aprendizagem, a partir da relação horizontal com o aluno, em um ambiente de ensino marcado pela análise, investigação, elaboração de estratégias, criatividade e resolução de problemas. Cabe, portanto, ao professor contribuir para o desenvolvimento do espírito investigativo dos alunos, aguçando seu interesse e estimulando sua curiosidade desde a fase de apresentação da proposta até sua concretização, deixando claro para eles seu papel de protagonistas na busca pelo conhecimento e no desenvolvimento das habilidades requeridas para a realização do projeto.
Deve-se também instigá-los a se mobilizar coletivamente para a superação dos desafios existentes em cada uma das etapas do projeto, por meio da cooperação entre os pares. Cabe, também, ao professor orientar os alunos quanto à seleção e à filtragem das fontes de pesquisa, assim como das informações obtidas, por meio do estabelecimento de critérios de busca, como o uso de palavras-chave relacionadas aos temas e assuntos vinculados ao projeto; quanto à triagem de fontes confiáveis para evitar a utilização indevida de notícias falsas; quanto ao uso de dados e informações derivados de pesquisas científicas e de instituições confiáveis, que assegurem maior credibilidade ao conteúdo pesquisado e à investigação proposta no projeto.
Segundo Rosa e Fagundes (2014, p. 1194-95), O foco do professor, enquanto orientador, consiste em fazer uma escuta que lhe permita conhecer as formas de pensar do aluno e de orientá-lo quanto a suas escolhas, às tomadas de decisões sobre o projeto, à sua postura perante seu grupo e a suas dúvidas, entre outros fatores que possibilitam instruí-lo a participar ativamente da construção do conhecimento. A cooperação entre professor e aluno na realização do projeto requer de ambos a adoção de uma postura investigativa (Toyohara et al., 2010), suscitando o interesse e o comprometimento coletivo na concretização do projeto, englobando todo o repertório de conhecimentos, atitudes e valores que figuram como parte constitutiva dessa metodologia de aprendizagem.
DESENVOLVIMENTO
O Ensino Médio com sua nova roupagem requer personagens co-autores e proativos que aceite mudança e não tenha restrição com o novo. Que desempenhem um trabalho articulado e de apoio conjunto. O professor coordenador contribui com os demais docentes na realização das tarefas propostas, ajudando a orientar os grupos de trabalho, acompanhando as pesquisas desenvolvidas, participando da organização das rodas de conversa e auxiliando na análise, interpretação e apresentação dos resultados obtidos. Pode também ajudar a equipe a divulgar o produto para a comunidade escolar e a comunidade externa, a fim de valorizar o trabalho de alunos e professores, contribuindo com a difusão do conhecimento e o estreitamento do diálogo entre as duas partes.
Um dos principais pressupostos da ABP é a construção coletiva do conhecimento, de forma ativa e colaborativa. Como se trata de uma forma de aprendizagem centrada no aluno, pressupõe-se que ele se envolva ativamente nos projetos e aprenda a aplicar o conhecimento adquirido em diferentes situações ao longo da vida. A busca pela superação dos desafios de forma autônoma e coletiva é um pressuposto importante para a concretização do projeto, instigando o aluno a engajar-se na resolução de problemas e no compartilhamento dos resultados obtidos com seus pares e com a comunidade.
Aprender a trabalhar em equipe para alcançar os objetivos propostos pelo projeto é um quesito importante para a aprendizagem e demanda a cooperação de todos para valorizar os conhecimentos e as habilidades de cada um. Esse tipo de proposta aguça o senso de responsabilidade do aluno diante da equipe, visando à superação conjunta dos desafios e à obtenção de uma experiência educativa significativa. Esse tipo de metodologia mais colaborativa pressupõe o desenvolvimento dos conteúdos conceituais (aprender a conhecer), procedimentais (aprender a fazer) e atitudinais (aprender a viver juntos e aprender a ser).
CONTEÚDOS CONCEITUAIS, PROCEDIMENTAIS E ATITUDINAIS
Com relação aos conteúdos conceituais, cabe ao aluno engajar-se na busca pelo conhecimento para aprender a conhecer não apenas durante sua formação escolar, mas também ao longo da vida. Portanto, ele deve sentir-se estimulado a desenvolver certa autonomia intelectual que lhe possibilite compreender o mundo que o rodeia inserido em sua teia de conexões com as diversas áreas do saber, assim como a aplicar seu conhecimento na vida pessoal e em suas atividades profissionais. Nesse contexto, o aluno deve desenvolver o hábito de conduzir a pesquisa de forma criteriosa e em fontes confiáveis. É importante que o aluno preze pela realização de pesquisas em fontes diversas visando à obtenção de dados, informações, teorias e conceitos que assegurem ao projeto maior embasamento científico.
Segundo Delors (2003, p. 91), o aumento dos saberes, que permite compreender melhor o ambiente sob os seus diversos aspectos, favorece o despertar da curiosidade intelectual, estimula o sentido crítico e permite compreender o real, mediante a aquisição de autonomia na capacidade de discernir. Para tanto, o educador ressalta a relevância da formação do aluno quanto à compreensão das referências e dos conceitos decorrentes dos avanços científicos e dos novos paradigmas do nosso tempo para aprofundar seus conhecimentos em determinados assuntos e, ao mesmo tempo, cultivar uma cultura de caráter geral que lhe permita ampliar seus horizontes (Delors, 2003). O desejo de aprender suscitado por experiências de aprendizagem significativas motiva o aluno a buscar o conhecimento incessantemente, aprofundando, desse modo, as formas de apreensão da realidade, que estão em constante mutação.
Em relação aos conteúdos procedimentais, espera-se que o aluno se sinta desafiado a resolver um problema ou a responder a uma questão complexa proposta no projeto. Para isso, é importante que ele se envolva no levantamento das hipóteses sobre como atingir os objetivos propostos, que, nesta obra, demanda a elaboração de um produto. Nesse sentido, os estudantes precisam planejar cooperativamente as ações de sua equipe à medida que avançam na solução do problema, desenvolvendo um plano de ação e começando a elaborar descrições ou diretrizes para o desenvolvimento de seus produtos ou artefatos. Esse processo envolve a relação entre os saberes teóricos e os saberes práticos, já que o aluno passa a perceber com mais facilidade de que forma o conhecimento adquirido pode ser aplicado em situações concretas do cotidiano.
Tal metodologia propicia o desenvolvimento e o aperfeiçoamento de uma série de competências no aluno, tais como: a comunicação oral e escrita; a capacidade de trabalhar em equipe; a realização de pesquisas; a capacidade de lidar com dados e informações e com o uso das novas TICs; a identificação e a resolução de problemas, entre outras. Com o andamento do projeto, o aluno tende a desenvolver o raciocínio e se sente motivado a gerenciar a própria aprendizagem, o que pode contribuir muito para seu desempenho profissional e para sua vida pessoal. A utilização de múltiplos métodos para alcançar soluções leva os alunos a resolverem conflitos de ideias, o que resulta no estímulo à inovação e à criatividade, habilidades tão importantes na sociedade contemporânea.
O desenvolvimento dos conteúdos atitudinais é um dos grandes desafios da ABP. O trabalho em equipe pode acirrar o clima de competição e os conflitos entre os integrantes da equipe. Portanto, para que essa metodologia de aprendizagem seja exitosa, o aluno deve ser estimulado a cooperar em vez de competir, de modo a evitar, remediar e resolver conflitos e desavenças entre os participantes do projeto. Agir de forma ética e responsável é um dos pressupostos dessa metodologia, que incentiva a reflexão, a ação e o diálogo entre os pares. Lidar com a divergência de opiniões e aprender a ouvir o outro também é uma metodologia de aprendizagem requerida para o trabalho em equipe e a construção coletiva do conhecimento.
Acolhimento e amistosidade criam um ambiente de aprendizagem mais saudável e, geralmente, elevam a motivação e melhoram o desempenho acadêmico. Desse modo, razão e emoção devem caminhar juntas, propiciando o desenvolvimento de práticas pedagógicas mais eficazes e a formação de alunos dotados de maior inteligência emocional que saibam lidar com anseios e limitações, conquistas e frustrações, de maneira a assegurar sua formação integral.
METODOLOGIA DOS PROJETOS INTEGRADORES
Os elementos essenciais para a Aprendizagem Baseada em Projetos são considerados uma metodologia ativa que tem como eixo central a atuação do aluno como sujeito do processo de ensino e aprendizagem, com base no uso de múltiplos recursos educacionais e das novas TICs. Sua execução pressupõe o planejamento prévio de todas as etapas do projeto pelos docentes nele envolvidos. Esse planejamento prévio abarca a relação dos conteúdos disciplinares contemplados no projeto, a averiguação dos recursos tecnológicos disponíveis para sua utilização, o tempo necessário para a realização de cada etapa do projeto e para a apresentação do produto – demonstrado aos alunos por meio de um cronograma de atividades – e a definição das formas e critérios de avaliação. É importante estabelecer um diálogo contínuo com os alunos ao longo das etapas do projeto e durante sua apresentação.
Desse modo, os objetivos serão devidamente esclarecidos, as situações de aprendizagem serão explicitadas, as formas e os critérios de avaliação serão conhecidos antes mesmo do início do projeto. O estreitamento da comunicação entre professores e alunos facilita a possível readequação e revisão das metas e situações de aprendizagem, a fim de torná-las viáveis e fazê-las atingir seus propósitos. Também dá mais abertura ao aluno para que exponha suas dúvidas e sugestões para reforçar a construção coletiva.
As fases de desenvolvimento do projeto devem ser devidamente elucidadas e acompanhadas pelo professor, que terá o papel de facilitador da aprendizagem. Na fase de apresentação e discussão do projeto, os alunos têm um primeiro contato com o tema integrador, a justificativa, os objetivos, o produto, o cronograma de atividades, os materiais necessários para sua realização, a situação-problema, as competências e habilidades da BNCC que serão exigidas, os professores coordenadores e um guia resumido das atividades propostas. É fundamental também que eles saibam, de início, como serão as avaliações, para que saibam o que será solicitado e para que possam se dedicar ao desenvolvimento das competências relacionadas a cada projeto. Nesse momento, é importante dar voz aos alunos para que explicitem suas dúvidas, anseios e expectativas em relação ao projeto, já que muitos deles não estão acostumados a essa metodologia.
O diálogo entre o professor e os alunos deve ser constante para que a atividade seja produtiva e participativa, contemplando, também, a possibilidade de readequação da proposta por motivações diversas. Segundo Behrens e José (2001, p. 9), o docente precisa ter clareza que há necessidade de apreciar e reconstruir, se necessário e pertinente, a proposta com os alunos. A aceitação das opiniões dos alunos numa relação dialógica é significativa e relevante para o sucesso da produção do conhecimento. Ainda conforme Behrens e José (2001, p. 9), A problematização precisa ser colocada como provocação para estimular os alunos a se envolver no projeto. Assim, ao apresentar a problematização do projeto, relacionada à temática proposta ou à questão norteadora, o professor deverá averiguar o conhecimento prévio dos alunos sobre ele, a fim de que percebam a conexão do projeto com a realidade e as demandas concretas da sociedade, adquirindo consciência de sua relevância.
Segundo Behrens e José (2001, p. 9), nas aulas teóricas e exploratórias os conteúdos disciplinares referentes à temática do projeto são apresentados de forma mais interativa e dinâmica, para alicerçar o repertório de conhecimentos requeridos para a resolução do problema ou questão proposta. Bender (2014) sugere que sejam propostas mini lições, que podem ser apresentadas aos alunos de forma tradicional, em aulas expositivas protagonizadas pelo professor, ou de forma participativa, envolvendo maior interação do aluno.
Segundo Bender (2014, p. 48), “Uma mini lição é uma lição em tópicos, bastante curta, na qual um professor ou um grupo de alunos apresenta uma instrução específica e direta sobre informações de que todos os grupos […] poderiam necessitar para completar seus projetos”. Nas minis lições, o professor pode trabalhar com interpretação de textos e de imagens, ilustrações, gráficos, infográficos, vídeos, podcasts, aplicativos, entre outros recursos tecnológicos destinados a tornar as aulas mais envolventes e instigantes. Ao assumir o papel de facilitador da aprendizagem, o professor deve instigar os alunos a contribuírem com a ampliação do repertório de informações e conhecimentos sobre o tema do projeto, por meio de pesquisas focadas nesse tema. A proposição de perguntas relacionadas ao projeto eleva o envolvimento dos alunos por levá-los a buscar respondê-las com base no resultado de pesquisas em fontes de informações variadas. Desse modo, os alunos “descobrem que eles também têm uma responsabilidade na sua própria aprendizagem, que não podem esperar passivamente que o professor tenha todas as respostas e lhe ofereça todas as soluções […]” (hernández, 1998, p. 75).
A pesquisa em fontes impressas, como livros, jornais, revistas, dicionários, enciclopédias, entre outras fontes documentais disponíveis em bibliotecas, arquivos, hemerotecas e centros de mídia, também deve ser estimulada, para que os alunos tenham maior contato com referências bibliográficas diversas. O uso de computadores, tablets e smartphones para a realização das pesquisas facilita e agiliza o processo de busca de dados e informações, porém, é importante salientar que a falta desses recursos tecnológicos não inviabiliza o desenvolvimento do projeto. Outros tipos de dados e informações podem ser obtidos por meio da aplicação de questionários e entrevistas com pessoas que possam relatar suas experiências e compartilhar seus conhecimentos e opiniões com a equipe sobre assuntos pertinentes e relevantes.
As entrevistas e a aplicação de questionários são técnicas de pesquisa muito utilizadas nessa metodologia de aprendizagem. Os dados e as informações relevantes obtidos propiciam novas descobertas e esclarecimentos sobre os assuntos tratados no projeto, e a explanação de relatos de experiências, opiniões, crenças e valores dos entrevistados dão indícios de seu modo de ser, pensar e agir. No caso da aplicação de questionários, deve-se pensar também no perfil do público abordado e na quantidade de respondentes. Pesquisas de campo também podem ser planejadas, de acordo com o perfil do projeto e a análise prévia de sua viabilidade. Para que sejam bem aproveitadas, recomendam-se a realização de uma pesquisa prévia sobre os locais de visitação e a elaboração de roteiros de observação. Desse modo, os registros escritos e fotográficos realizados durante a pesquisa poderão ser utilizados como dados relevantes para o desenvolvimento do projeto.
Na fase seguinte, os alunos, individualmente ou em equipe, podem apresentar os resultados obtidos nas pesquisas realizadas, a fim de averiguar se foram suficientes para responder aos questionamentos propostos e desenvolver o produto. Para que esse propósito seja alcançado, o professor deverá orientar os alunos a selecionarem, classificar, interpretar e analisar os dados e informações pesquisados e compartilhar os resultados obtidos, de modo a contribuir para a produção do conhecimento de forma coletiva e colaborativa. Segundo Behrens e José (2001, p. 9), […] o docente pode propor uma discussão crítica e reflexiva consubstanciada na pesquisa e produção individual ou coletiva. Essa atividade contribui para estreitar a comunicação na sala de aula, para compartilhar experiências e conhecimentos produzidos e adquiridos de forma coletiva e para aprimorar as relações entre as áreas do saber, entre teoria e prática e para dar um novo sentido à informação e ao conhecimento. Hernández (1998, p. 76), ressalta que […] é sobretudo o diálogo promovido pelo educador para tratar de estabelecer comparações, interferências e relações, o que o ajuda a dar sentido à forma de ensino e de aprendizagem que se pretende com os projetos.
Após a discussão dos assuntos pesquisados e a troca de conhecimentos e experiências obtidos com as pesquisas realizadas, parte-se para a elaboração do produto. Nessa etapa, os alunos devem pôr em prática o conhecimento adquirido nas fases anteriores, em que trabalharam nos produtos parciais, visando à conclusão das tarefas propostas e sua apresentação. Os alunos são instigados a utilizar as competências e o conhecimento adquiridos e suas habilidades para resolver uma situação-problema ou responder às questões propostas ao longo do projeto. Nessa perspectiva, recomenda-se que elaborem uma síntese do que já foi realizado e aprendido nas etapas anteriores para sistematizar e selecionarem os conteúdos cognitivos, procedimentais e atitudinais que serão mobilizados para a resolução dessa situação-problema.
Na fase final, os alunos tornam seu trabalho de projeto público, explicando, exibindo e/ou apresentando-o ao público além da sala de aula (Buck Institute For Education, 2019) e os professores envolvidos no projeto verificam se os resultados obtidos foram satisfatórios ou não. A avaliação da Aprendizagem Baseada em Projetos Na ABP, a avaliação é um dos principais desafios enfrentados por professores e alunos, por vários motivos: por se tratar de um processo contínuo que ocorre ao longo das etapas do projeto; por abranger critérios relacionados à aprendizagem dos conteúdos cognitivos, procedimentais e atitudinais; e por não estar centrada no professor – todos os participantes do projeto são avaliados e se autoavaliam.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
Nessa metodologia de ensino e aprendizagem podem ser utilizados diferentes instrumentos de aprendizagem, se faz que os professores envolvidos deixem claro para os alunos os critérios que serão utilizados. Por se tratar de aprendizagem colaborativa, os alunos são incentivados a desempenhar as tarefas em equipe. Fazendo uso constante da avaliação processual, que ocorre durante a realização das tarefas e na etapa de concretização do projeto.
A avaliação por projetos implica averiguar os níveis de compreensão e envolvimento do aluno no processo de construção do conhecimento. Esse processo abarca a pesquisa, a interpretação dos dados e informações, assim como as formas de aplicabilidade do conhecimento obtido em situações reais. Uma das formas de avaliação consiste em averiguar o conhecimento prévio do aluno acerca da temática do projeto. As perguntas mobilizadoras exercem um papel importante no processo avaliativo, por instigarem os alunos a relatarem seus conhecimentos, experiências, vivências, ideias, informações e opiniões a respeito dos assuntos tratados.
Desse modo, o professor poderá avaliar previamente o grau de compreensão dos alunos sobre os assuntos tratados e seu posicionamento sobre a temática, além das formas de sistematização do raciocínio e de exposição de ideias. Os projetos integradores estão focados no processo de ensino e aprendizagem e tem como propósito verificar as dificuldades dos alunos em cada etapa do projeto, tanto em relação aos conteúdos cognitivos, relacionados à compreensão de conceitos e teorias que o embasam, quanto aos conteúdos procedimentais e atitudinais, relacionados às formas de aplicação do conhecimento adquirido na resolução dos problemas propostos e na elaboração do produto final.
Nessa etapa, podem ser utilizados diversos instrumentos de avaliação. Entre os mais adotados, destacam-se os exercícios de aprendizagem, os materiais escritos (relatórios de pesquisa, atividades de produção textual, jornais, revistas, diários), os materiais gráficos (catálogos, cartazes, folders, portfólios, painéis, fotografias, desenhos, ilustrações), os materiais de representação cartográfica (mapas, plantas, maquetes), os materiais audiovisuais (vídeos, músicas, podcasts) e os materiais digitais (sites, blogs e aplicativos). Atividades de avaliação que estimulam a oralidade, como seminários, rodas de conversa, debates, entre outras, também são valorizadas nesse tipo de proposta. Produções artísticas e culturais, como dramatizações, exposições, saraus literários, mostras fotográficas, apresentações musicais, entre outras atividades, são recorrentes na ABP.
Essas atividades podem ser realizadas ao longo do projeto ou apresentadas como produto. Em tais propostas, a utilização dos conhecimentos prévios e dos adquiridos ao longo do projeto para o desenvolvimento de habilidades práticas mede o desempenho dos alunos nas tarefas realizadas em diferentes momentos de aprendizagem, possibilitando a verificação dos erros e acertos durante o processo para que se atinja um resultado geral satisfatório. Os diversos instrumentos de avaliação possibilitam averiguar os conteúdos atitudinais que estão relacionados às competências socioemocionais requeridas para o bom andamento do projeto, baseado no trabalho em equipe e na aprendizagem colaborativa.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
BEHRENS, Marilda Aparecida, JOSÉ, Eliane Mara Age, Aprendizagem em projetos e os contratos didáticos, v.2, n.3, p. 6 – 35, jan/jun.2001 Disponível em: http://periodicos.pucpr.br/dialogoeducacional/article/view/3511/3427. Acesso em 15 de abril de 2025
BENDER, W. N. Aprendizagem baseada em projetos: educação diferenciada para o século XXI. Porto Alegre: Penso, 2014.
HERNÁNDEZ, F. Transgressão e mudança na educação: os projetos de trabalho. Tradução de Jussara Haubert Rodrigues. Porto Alegre: Artmed, 1998.
Área do Conhecimento