Alfabetização e Tecnologia

LITERACY AND TECHNOLOGY

ALFABETIZACIÓN Y TECNOLOGÍA

Autor

URL do Artigo

https://iiscientific.com/artigos/DA5739

DOI

doi.org/10.63391/DA5739

Leite, Clarice de Sá. Alfabetização e Tecnologia. International Integralize Scientific. v 5, n 50, Agosto/2025 ISSN/3085-654X

Resumo

A alfabetização trata de levar a criança a refletir sobre a língua portuguesa e a partir destas operações mentais construir a notação e a representação do código através dos sons da fala, seguindo o letramento e a cultura digital. Alfabetizar uma criança toca no que há de mais profundo, pois remonta toda a história cultura da humanidade por meio de escrita e da leitura, partindo da oralidade. Neste contexto, possibilitar através da práxis pedagógica a formação do saber crítico e reflexivo para a alfabetização de crianças passa a ser uma ferramenta transformação cultura que atravessa a história. Por isso, a prática pedagógica, bem como a escola precisa de modernização e atualização, à qual vem sendo constantemente impulsionada pelas necessidades e transformações sociais.
Palavras-chave
alfabetização; educação; letramento; cultura digital.

Summary

Literacy involves leading children to reflect on the Portuguese language and, based on these mental operations, constructing the notation and representation of the code through the sounds of speech, following literacy and digital culture. Teaching a child to read and write touches on what is most profound, as it traces the entire cultural history of humanity through writing and reading, starting from orality. In this context, enabling the formation of critical and reflective knowledge for the literacy of children through pedagogical practice becomes a tool for cultural transformation that spans history. Therefore, pedagogical practice, as well as schools, need to be modernized and updated, which has been constantly driven by social needs and transformations.
Keywords
literacy; education; literacy; digital culture.

Resumen

La alfabetización implica guiar a los niños a reflexionar sobre la lengua portuguesa y, a partir de estas operaciones mentales, construir la notación y la representación del código a través de los sonidos del habla, siguiendo la alfabetización y la cultura digital. Enseñar a un niño a leer y escribir toca lo más profundo, ya que recorre toda la historia cultural de la humanidad a través de la escritura y la lectura, comenzando desde la oralidad. En este contexto, facilitar la formación de conocimientos críticos y reflexivos para la alfabetización de los niños mediante la práctica pedagógica se convierte en una herramienta para la transformación cultural que abarca la historia. Por lo tanto, la práctica pedagógica, así como las escuelas, necesitan modernizarse y actualizarse, lo cual se ha visto constantemente impulsado por las necesidades y transformaciones sociales.
Palavras-clave
alfabetización; educación; alfabetización; cultura digital.

INTRODUÇÃO

Este trabalho de pesquisa científica, tem como metodologia a revisão bibliográfica, tem como objetivo provocar a reflexão sobre o tema alfabetização, letramento e alfabetização tecnológica e visa enfatizar a reflexão sobre a questão: a alfabetização e letramento aliada à alfabetização tecnologia pode contribuir para a aprendizagem significativa de alunos em idade de 6 a 8 anos, 1º e 2º anos do Ensino fundamental?

Sabe-se que a alfabetização no Brasil, era entendida como sendo uma mera decifração e cifração de palavras em um código, a Língua portuguesa. Até os anos 80, as crianças, nas escolas públicas brasileiras aprendiam a como relacionar os sons às letras e a partir disto combinavam estes sons e letras para formar palavras. Em seguida, combinavam estas palavras com outras e formavam frases e após, formavam textos e que a alfabetização científica tem sido objeto de estudo, críticas e reflexões à cerca das transformações sociais que são impulsionadas pelo crescente uso da tecnologia no dia-a-dia das pessoas e das crianças também, tanto no âmbito familiar quanto na própria escola. 

Com o advento da Base nacional comum curricular – BNCC, e nesta etapa de aprendizado cabe aos educadores aproveitar as mudanças naturais do aluno para desenvolver e estimular o pensamento criativo, lógico e crítico dos alunos com o intuito de fortalecer a construção e o fomento à leitura, escrita, capacidade de fazer perguntas e avaliar o uso da tecnologia no dia-a-dia e o combate ao bullying e ao cyberbullying.

Anteriormente à BNCC, a leitura era pautada em textos desconectados da realidade dos alunos  e muitas vezes utilizavam sons parecidos entre as palavras para enfatizar a letra que estavam estudando.  Já com a BNCC a orientação é de que haja a valorização das situações lúdicas de aprendizagem, articulação com as experiências vivenciadas na Educação infantil e a progressiva sistematização das experiências articuladas com o mundo, possibilidades de ler e escrever, formular hipóteses sobre os fenômenos, testá-los, refutá-los e elaborar conclusões em uma atitude ativa para a construção do conhecimento fazendo uso de tecnologias da informação e da comunicação e sequência didática.

Segundo Soares, 2021, pp.35 “a criança que aprende um objeto de conhecimento – a língua escrita – aquele que com ela interage para que ela se aproprie deste objeto”. Percebe-se neste trecho da citação da autora Magda Soares que a interação é um fator que muito possibilita a construção do conhecimento no ambiente educacional, a escola.

DESENVOLVIMENTO

A aprendizagem da leitura e da escrita ocorre ao longo de uma vida inteira, mas inicia-se já nos primeiros anos de vida de uma criança. No contexto familiar é possível perceber que a criança que tem acesso a cultura escrita e a suportes de leitura e escrita como jornais, revistas, livros etc. pode iniciar a percepção da construção desta cultura na medida em que demonstra que a  leitura inicia-se de cima para baixo, da esquerda para a direita, tem sentido, pode produzir humor e interatividade entre as pessoas.

Neste sentido pode-se perceber que a aprendizagem da leitura e da escrita ocorre por camadas, como afirma a autora Magda Soares:

Imagem 1 – Camadas na aprendizagem da língua escrita

Fonte: Soares, Magda. Alfaletrar: Toda criança tem o direito de aprender a ler e a escrever. São Paulo, Contexto (2021). 

Nas camadas de aprendizagem da leitura e da escrita pode-se citar a interação social e cultural da criança em ambiente familiar e escolar na educação infantil e séries inicias do Ensino Fundamental, a leitura e a escrita de textos nos mesmo ambientes, seja o professor como leitor ou alguma familiar ou pessoa que tenha convívio com a criança, a criança como escritora ou o professor como escriba e por último , mas noção menos importante, o processo de alfabetização sistematizado em escola na idade certa,  para crianças de 6 a 8 anos de idade.

Este processo pode ser intermediado por diferentes suportes e recursos tecnológicos como livros, revistas, cartas, encarte de supermercado, lojas de brinquedos, farmácia, celulares, tablets, televisão e internet.

A interação aliada a estes recursos pode possibilitar a ampliação da compreensão do eu , de si mesmo, no mundo natural e social ao qual a criança está inserida e também as relações dos seres humanos entre si e com a natureza social e natural.

CONCEITOS DE ALFABETIZAÇÃO E LETRAMENTO

A alfabetização é o processo em que ocorre a apropriação  da leitura e da escrita, por meio do  ensino e da aprendizagem que ocorrem nas escolas e no âmbito familiar. 

A “tecnologia da escrita”, é o mesmo que construir a aprendizagem significativa de um conjunto de técnicas, domínio de convenções e normas ortográficas e dos modos de ler e compreender um texto e dá significado a ele na própria vida natural e social. 

Com isso o letramento acontece simultaneamente ao desenvolvimento da leitura e da escrita tem o propósito de inserir significado às práticas sociais aquilo que constrói que envolve a língua escrita. É a própria inserção social e pessoal da prática de alfabetizar-se.

Alfabetização e letramento, desta forma, são processos cognitivos e linguísticos considerados distintos um do outro, mas que se complementam e que ocorrem de maneira simultânea e são interdependentes.

CONCEITOS SOBRE CULTURA DIGITAL E TECNOLOGIAS DIGITAIS DA INFORMAÇÃO E COMUNICAÇÃO

Atualmente  é possível afirmar que o conceito de cultura digital envolve as habilidades de compreender, utilizar e criar tecnologias digitais de informação e comunicação de maneira crítica, significativa, reflexiva e ética em diversas práticas sociais com o objetivo de comunicar-se, acessar e disseminar informações, produzir conhecimento, resolver problemas e exercer protagonismo de autoria na vida pessoal e coletiva de alunos  e professores. Pois, a intencionalidade desta utilização das tecnologias digitais da informação e comunicação é contribuir para a modernização da práxis pedagógica, bem como possibilitar  a melhoria da aprendizagem e do sucesso escolar.

Sabe-se que a educação tem sido objeto de reflexões ao longo do tempo e que transformações são necessárias para a escola modernizar-se e atualizar-se junto com docentes e discentes e a própria sociedade. Transformação esta que vem sendo impulsionada pela crescente necessidade de promoção da cultura, da crítica, contextualização e uso e reflexivo de recursos e suportes digitais por seus atores.

A formação dos alunos e dos professores pode dar-se de maneira mais significativa quando o conhecimento é construído de maneira mais contextualizada possível, pois atribui valor ao que é socialmente construído por professores e alunos dentro e fora de sala de aula.

Tem sido alvo de reflexão a formação de professores, equipes técnicas e pedagógicas e também dirigentes e diretores escolares, por isso o Programa Nacional Criança alfabetizada iniciado em 2024, por iniciativa do Governo Federal  e em parceria com a Fundação Getúlio Vargas,  muito exitosamente as trilhas de formação para os atores da educação como estratégia de âmbito nacional a contribuir com a formação continuada e atualização para que a prática pedagógica ocorra de maneira ainda mais assertiva, atualizada e contextualizada nas escolas brasileiras

SEQUÊNCIAS DIDÁTICAS

Sequência didática para a alfabetização de crianças é um modo de organização e estruturação que possui texto como centro do trabalho, o professor parte para a análise de palavras-chave denominadas estáveis, tendo como objetivo provocar a reflexão fonológica das estruturas das palavras e como estas funcionam. 

Ao correlacionar significado e significante, o professor possibilita ao  aluno a construção de hipóteses de escrita que contribuam para o aluno perceber a estrutura do Sistema de escrita alfabético em conjunto com o letramento, a prática e a função social do que se aprende na escola e o uso de tecnologias digitais e modernas, em momento oportuno.

O desafio do professor  é despertar a vontade de aprender com muita motivação e interesse nos alunos que estão em fase de alfabetização. Desta forma, na  alfabetização é necessário que o modo de organização do ensino busque o foco no letramento e em propostas didáticas que possam atrair e encantar as crianças ao mundo da leitura e da escrita, deverá também buscar ser atual e crítico para levar ao aluno a produzir o pensamento crítico necessário à participação social. O uso de recursos tecnológicos modernos e digitais ode contribuir para a ampliação da atração e do interesse dos alunos pelo que está sendo estudado como por exemplo, o uso de recursos como o áudio na voz do autor do texto, músicas, canções infantis, vídeos, jogos entre outros. Por isso,  a Base Nacional Comum Curricular – BNCC – (BRASIL, 2018, p.89) orienta que nos 1ºs e 2ºs anos do Ensino Fundamental I, as práticas de linguagem essenciais à alfabetização e ao letramento girem em torno dos eixos da “Oralidade, Análise Linguística/Semiótica, Leitura/Escuta e Produção de Textos”. Então, as propostas pedagógicas devem garantir oportunidades para que os alunos se apropriem do sistema de escrita alfabética e desenvolvimento de habilidades e estratégias de leitura e de escrita, em conformidade e ao encontro da produção cognitiva que ao aluno desenvolveu durante a Educação infantil.

No tocante a isto, a BNCC ilustra  este entendimento quando cita as competências específicas de linguagens para o Ensino Fundamental, (Brasil, 2018, pp. 65):

Imagem 2 – Competências específicas de linguagem para o ensino fundamental

Fonte: Brasil, Ministério da Educação. Base Nacional Comum Curricular. Brasília (2018).

Cabe então dizer, que ao componente de Língua portuguesa referente à educação e à BNCC,  proporcionar aos alunos, por meio de experiências exitosas de ensino e aprendizagem e de maneira muito acertada a sequência didática como metodologia de organização do ensino, experiências que contribuam para a construção e ampliação dos saber ler e escrever, do letramento, da participação significativa e crítica nas diversas práticas sociais permeadas e construídas pela oralidade, escrita, leitura, cultura digital e outras áreas da linguagem.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

Conclui-se que a alfabetização e o letramento  fazem parte  de  processo contínuo que ocorrem por toda a vida do indivíduo, bem como a alfabetização digital. 

A alfabetização e o letramento tem como a principal finalidade a apreensão pelo aluno da escrita alfabética em acordo com o Sistema de escrita alfabética – SEA – para a total integração do indivíduo no mundo letrado, cultural, artístico e social para que possa praticar a cidadania, compreender-se e ser compreendido como um cidadão, além de ser crítico e reflexivo quanto ao uso das tecnologias digitais da informação e comunicação.

O direito à aprendizagem ultrapassa a universalização do ensino, pois faz-se dentro e fora da escola através de um ensino de qualidade e com igualdade de condições, com a utilização de metodologias e recursos potentes para a viabilização adequada da construção do conhecimento, com professores capacitados e com a participação familiar comprometida com a construção do conhecimento.

A alfabetização e o letramento ultrapassam o espaço da escola, pois fazem-se em todo o correr da vida dos indivíduos e muito contribuem para uma sociedade mais justa e igualitária inclusive para aqueles que mais necessitam.

A universalização do ensino é um direito, a qualidade é um dever que deve ser construída por todos.

Pois, entende-se que muito do que não se sabe ainda, está a favor de quem deseja construir de verdade; e o direito à aprendizagem é universal e proporciona igualdade às pessoas.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

ASSIS, Layanne Nayara de Menezes Souza. ASSIS, Marcia Maria Alves de. Alfabetização científica e  abordagem ciência tecnologia-sociedade: uma proposta de sequência didática. Revista Conedu. Educação matemática. Volume 3. 2024.

BRASIL, Ministério da Educação. Base Nacional Comum Curricular. Brasília, 2018.

SOARES, Magda. Alfaletrar: Toda criança tem o direito de aprender a ler e a escrever. São Paulo, Contexto, 2021. 

SOARES, Magda. Alfabetização: a questão dos métodos. São Paulo, Contexto, 2021.

Leite, Clarice de Sá. Alfabetização e Tecnologia.International Integralize Scientific. v 5, n 50, Agosto/2025 ISSN/3085-654X

Referencias

Vivian Caroline Coraucci.
BAILEY, C. J.; LEE, J. H.
Management of chlamydial infections: A comprehensive review.
Clinical infectious diseases.
v. 67
n. 7
p. 1208-1216,
2021.
Disponível em: https://academic.oup.com/cid/article/67/7/1208/6141108.
Acesso em: 2024-09-03.

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v. 5
n. 50
Alfabetização e Tecnologia

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