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Resumo
INTRODUÇÃO
Este trabalho de pesquisa científica, tem como metodologia a revisão bibliográfica, tem como objetivo provocar a reflexão sobre o tema alfabetização, letramento e alfabetização tecnológica e visa enfatizar a reflexão sobre a questão: a alfabetização e letramento aliada à alfabetização tecnologia pode contribuir para a aprendizagem significativa de alunos em idade de 6 a 8 anos, 1º e 2º anos do Ensino fundamental?
Sabe-se que a alfabetização no Brasil, era entendida como sendo uma mera decifração e cifração de palavras em um código, a Língua portuguesa. Até os anos 80, as crianças, nas escolas públicas brasileiras aprendiam a como relacionar os sons às letras e a partir disto combinavam estes sons e letras para formar palavras. Em seguida, combinavam estas palavras com outras e formavam frases e após, formavam textos e que a alfabetização científica tem sido objeto de estudo, críticas e reflexões à cerca das transformações sociais que são impulsionadas pelo crescente uso da tecnologia no dia-a-dia das pessoas e das crianças também, tanto no âmbito familiar quanto na própria escola.
Com o advento da Base nacional comum curricular – BNCC, e nesta etapa de aprendizado cabe aos educadores aproveitar as mudanças naturais do aluno para desenvolver e estimular o pensamento criativo, lógico e crítico dos alunos com o intuito de fortalecer a construção e o fomento à leitura, escrita, capacidade de fazer perguntas e avaliar o uso da tecnologia no dia-a-dia e o combate ao bullying e ao cyberbullying.
Anteriormente à BNCC, a leitura era pautada em textos desconectados da realidade dos alunos e muitas vezes utilizavam sons parecidos entre as palavras para enfatizar a letra que estavam estudando. Já com a BNCC a orientação é de que haja a valorização das situações lúdicas de aprendizagem, articulação com as experiências vivenciadas na Educação infantil e a progressiva sistematização das experiências articuladas com o mundo, possibilidades de ler e escrever, formular hipóteses sobre os fenômenos, testá-los, refutá-los e elaborar conclusões em uma atitude ativa para a construção do conhecimento fazendo uso de tecnologias da informação e da comunicação e sequência didática.
Segundo Soares, 2021, pp.35 “a criança que aprende um objeto de conhecimento – a língua escrita – aquele que com ela interage para que ela se aproprie deste objeto”. Percebe-se neste trecho da citação da autora Magda Soares que a interação é um fator que muito possibilita a construção do conhecimento no ambiente educacional, a escola.
DESENVOLVIMENTO
A aprendizagem da leitura e da escrita ocorre ao longo de uma vida inteira, mas inicia-se já nos primeiros anos de vida de uma criança. No contexto familiar é possível perceber que a criança que tem acesso a cultura escrita e a suportes de leitura e escrita como jornais, revistas, livros etc. pode iniciar a percepção da construção desta cultura na medida em que demonstra que a leitura inicia-se de cima para baixo, da esquerda para a direita, tem sentido, pode produzir humor e interatividade entre as pessoas.
Neste sentido pode-se perceber que a aprendizagem da leitura e da escrita ocorre por camadas, como afirma a autora Magda Soares:
Imagem 1 – Camadas na aprendizagem da língua escrita

Fonte: Soares, Magda. Alfaletrar: Toda criança tem o direito de aprender a ler e a escrever. São Paulo, Contexto (2021).
Nas camadas de aprendizagem da leitura e da escrita pode-se citar a interação social e cultural da criança em ambiente familiar e escolar na educação infantil e séries inicias do Ensino Fundamental, a leitura e a escrita de textos nos mesmo ambientes, seja o professor como leitor ou alguma familiar ou pessoa que tenha convívio com a criança, a criança como escritora ou o professor como escriba e por último , mas noção menos importante, o processo de alfabetização sistematizado em escola na idade certa, para crianças de 6 a 8 anos de idade.
Este processo pode ser intermediado por diferentes suportes e recursos tecnológicos como livros, revistas, cartas, encarte de supermercado, lojas de brinquedos, farmácia, celulares, tablets, televisão e internet.
A interação aliada a estes recursos pode possibilitar a ampliação da compreensão do eu , de si mesmo, no mundo natural e social ao qual a criança está inserida e também as relações dos seres humanos entre si e com a natureza social e natural.
CONCEITOS DE ALFABETIZAÇÃO E LETRAMENTO
A alfabetização é o processo em que ocorre a apropriação da leitura e da escrita, por meio do ensino e da aprendizagem que ocorrem nas escolas e no âmbito familiar.
A “tecnologia da escrita”, é o mesmo que construir a aprendizagem significativa de um conjunto de técnicas, domínio de convenções e normas ortográficas e dos modos de ler e compreender um texto e dá significado a ele na própria vida natural e social.
Com isso o letramento acontece simultaneamente ao desenvolvimento da leitura e da escrita tem o propósito de inserir significado às práticas sociais aquilo que constrói que envolve a língua escrita. É a própria inserção social e pessoal da prática de alfabetizar-se.
Alfabetização e letramento, desta forma, são processos cognitivos e linguísticos considerados distintos um do outro, mas que se complementam e que ocorrem de maneira simultânea e são interdependentes.
CONCEITOS SOBRE CULTURA DIGITAL E TECNOLOGIAS DIGITAIS DA INFORMAÇÃO E COMUNICAÇÃO
Atualmente é possível afirmar que o conceito de cultura digital envolve as habilidades de compreender, utilizar e criar tecnologias digitais de informação e comunicação de maneira crítica, significativa, reflexiva e ética em diversas práticas sociais com o objetivo de comunicar-se, acessar e disseminar informações, produzir conhecimento, resolver problemas e exercer protagonismo de autoria na vida pessoal e coletiva de alunos e professores. Pois, a intencionalidade desta utilização das tecnologias digitais da informação e comunicação é contribuir para a modernização da práxis pedagógica, bem como possibilitar a melhoria da aprendizagem e do sucesso escolar.
Sabe-se que a educação tem sido objeto de reflexões ao longo do tempo e que transformações são necessárias para a escola modernizar-se e atualizar-se junto com docentes e discentes e a própria sociedade. Transformação esta que vem sendo impulsionada pela crescente necessidade de promoção da cultura, da crítica, contextualização e uso e reflexivo de recursos e suportes digitais por seus atores.
A formação dos alunos e dos professores pode dar-se de maneira mais significativa quando o conhecimento é construído de maneira mais contextualizada possível, pois atribui valor ao que é socialmente construído por professores e alunos dentro e fora de sala de aula.
Tem sido alvo de reflexão a formação de professores, equipes técnicas e pedagógicas e também dirigentes e diretores escolares, por isso o Programa Nacional Criança alfabetizada iniciado em 2024, por iniciativa do Governo Federal e em parceria com a Fundação Getúlio Vargas, muito exitosamente as trilhas de formação para os atores da educação como estratégia de âmbito nacional a contribuir com a formação continuada e atualização para que a prática pedagógica ocorra de maneira ainda mais assertiva, atualizada e contextualizada nas escolas brasileiras
SEQUÊNCIAS DIDÁTICAS
Sequência didática para a alfabetização de crianças é um modo de organização e estruturação que possui texto como centro do trabalho, o professor parte para a análise de palavras-chave denominadas estáveis, tendo como objetivo provocar a reflexão fonológica das estruturas das palavras e como estas funcionam.
Ao correlacionar significado e significante, o professor possibilita ao aluno a construção de hipóteses de escrita que contribuam para o aluno perceber a estrutura do Sistema de escrita alfabético em conjunto com o letramento, a prática e a função social do que se aprende na escola e o uso de tecnologias digitais e modernas, em momento oportuno.
O desafio do professor é despertar a vontade de aprender com muita motivação e interesse nos alunos que estão em fase de alfabetização. Desta forma, na alfabetização é necessário que o modo de organização do ensino busque o foco no letramento e em propostas didáticas que possam atrair e encantar as crianças ao mundo da leitura e da escrita, deverá também buscar ser atual e crítico para levar ao aluno a produzir o pensamento crítico necessário à participação social. O uso de recursos tecnológicos modernos e digitais ode contribuir para a ampliação da atração e do interesse dos alunos pelo que está sendo estudado como por exemplo, o uso de recursos como o áudio na voz do autor do texto, músicas, canções infantis, vídeos, jogos entre outros. Por isso, a Base Nacional Comum Curricular – BNCC – (BRASIL, 2018, p.89) orienta que nos 1ºs e 2ºs anos do Ensino Fundamental I, as práticas de linguagem essenciais à alfabetização e ao letramento girem em torno dos eixos da “Oralidade, Análise Linguística/Semiótica, Leitura/Escuta e Produção de Textos”. Então, as propostas pedagógicas devem garantir oportunidades para que os alunos se apropriem do sistema de escrita alfabética e desenvolvimento de habilidades e estratégias de leitura e de escrita, em conformidade e ao encontro da produção cognitiva que ao aluno desenvolveu durante a Educação infantil.
No tocante a isto, a BNCC ilustra este entendimento quando cita as competências específicas de linguagens para o Ensino Fundamental, (Brasil, 2018, pp. 65):
Imagem 2 – Competências específicas de linguagem para o ensino fundamental

Fonte: Brasil, Ministério da Educação. Base Nacional Comum Curricular. Brasília (2018).
Cabe então dizer, que ao componente de Língua portuguesa referente à educação e à BNCC, proporcionar aos alunos, por meio de experiências exitosas de ensino e aprendizagem e de maneira muito acertada a sequência didática como metodologia de organização do ensino, experiências que contribuam para a construção e ampliação dos saber ler e escrever, do letramento, da participação significativa e crítica nas diversas práticas sociais permeadas e construídas pela oralidade, escrita, leitura, cultura digital e outras áreas da linguagem.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
Conclui-se que a alfabetização e o letramento fazem parte de processo contínuo que ocorrem por toda a vida do indivíduo, bem como a alfabetização digital.
A alfabetização e o letramento tem como a principal finalidade a apreensão pelo aluno da escrita alfabética em acordo com o Sistema de escrita alfabética – SEA – para a total integração do indivíduo no mundo letrado, cultural, artístico e social para que possa praticar a cidadania, compreender-se e ser compreendido como um cidadão, além de ser crítico e reflexivo quanto ao uso das tecnologias digitais da informação e comunicação.
O direito à aprendizagem ultrapassa a universalização do ensino, pois faz-se dentro e fora da escola através de um ensino de qualidade e com igualdade de condições, com a utilização de metodologias e recursos potentes para a viabilização adequada da construção do conhecimento, com professores capacitados e com a participação familiar comprometida com a construção do conhecimento.
A alfabetização e o letramento ultrapassam o espaço da escola, pois fazem-se em todo o correr da vida dos indivíduos e muito contribuem para uma sociedade mais justa e igualitária inclusive para aqueles que mais necessitam.
A universalização do ensino é um direito, a qualidade é um dever que deve ser construída por todos.
Pois, entende-se que muito do que não se sabe ainda, está a favor de quem deseja construir de verdade; e o direito à aprendizagem é universal e proporciona igualdade às pessoas.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
ASSIS, Layanne Nayara de Menezes Souza. ASSIS, Marcia Maria Alves de. Alfabetização científica e abordagem ciência tecnologia-sociedade: uma proposta de sequência didática. Revista Conedu. Educação matemática. Volume 3. 2024.
BRASIL, Ministério da Educação. Base Nacional Comum Curricular. Brasília, 2018.
SOARES, Magda. Alfaletrar: Toda criança tem o direito de aprender a ler e a escrever. São Paulo, Contexto, 2021.
SOARES, Magda. Alfabetização: a questão dos métodos. São Paulo, Contexto, 2021.
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