O uso da escuta atenta na educação infantil e seus impactos

THE USE OF ATTENTIVE LISTENING IN EARLY CHILDHOOD EDUCATION AND ITS IMPACTS

EL USO DE LA ESCUCHA ATENTA EN LA EDUCACIÓN INFANTIL Y SUS IMPACTOS

Autor

URL do Artigo

https://iiscientific.com/artigos/E1BE38

DOI

doi.org/10.63391/E1BE38

Brisola, Amanda Andrade. O uso da escuta atenta na educação infantil e seus impactos. International Integralize Scientific. v 5, n 51, Setembro/2025 ISSN/3085-654X

Resumo

A escuta atenta na Educação Infantil: uma ferramenta pedagógica para educar a criança como um todo. Não se trata apenas de ouvir e digerir palavras, mas de gestos, expressões, silêncios e uma infinidade de mídias. O estudo aqui apresentado analisará e examinará as consequências da escuta atenta através das lentes de uma perspectiva multidimensional, a saber: (1) Os fundamentos teóricos e conceituais; (2) A formação da identidade e subjetividade das crianças; (3) O fomento da autorregulação emocional e socioemocional; (4) Práticas pedagógicas inclusivas; (5) Formação de professores. Inspirado por educadores de renome como Freire, Rinaldi, Malaguzzi, Vygotsky e Wallon, e respaldado por pesquisas nacionais e internacionais, foi comprovado que a escuta atenta promove laços afetivos, autonomia, desenvolvimento cognitivo, social e emocional e experiências escolares mais inclusivas. Sugere-se que o momento de investir no poder do ouvido atento é agora, de forma indutiva e dedutiva, para um currículo compassivo, transformador e orientado para a criança.
Palavras-chave
escuta atenta; educação infantil; desenvolvimento infantil.

Summary

Attentive listening in Early Childhood Education is an essential pedagogical practice for children’s holistic development. It involves not only hearing words but also understanding gestures, expressions, silences, and multiple forms of communication. This article explores the impacts of attentive listening across five dimensions: (1) theoretical and conceptual foundations; (2) formation of child identity and subjectivity; (3) promotion of emotional and socioemotional self-regulation; (4) inclusive pedagogical practices; (5) teacher education. Based on renowned authors such as Freire, Rinaldi, Malaguzzi, Vygotsky, and Wallon, as well as national and international research, attentive listening was found to strengthen affective bonds, enhance autonomy, support cognitive and socioemotional development, and foster more inclusive educational environments. Investing in attentive listening is therefore crucial for ethical, transformative, and child-centered pedagogical practices.
Keywords
attentive listening; early childhood education; child development.

Resumen

La escucha atenta en la Educación Infantil es una práctica pedagógica esencial para el desarrollo integral de los niños. Implica no solo percibir palabras, sino también comprender gestos, expresiones, silencios y múltiples formas de comunicación. Este artículo analiza los impactos de la escucha atenta en cinco dimensiones: (1) fundamentos teóricos y conceptuales; (2) constitución de la identidad y subjetividad infantil; (3) promoción de la autorregulación emocional y socioemocional; (4) prácticas pedagógicas inclusivas; (5) formación docente. Con base en autores reconocidos como Freire, Rinaldi, Malaguzzi, Vygotsky y Wallon, así como investigaciones nacionales e internacionales, se evidencia que la escucha atenta fortalece los vínculos afectivos, amplía la autonomía, favorece el desarrollo cognitivo y socioemocional y contribuye a ambientes educativos más inclusivos. Se concluye que invertir en la escucha atenta es fundamental para prácticas pedagógicas éticas, transformadoras y centradas en el niño.
Palavras-clave
escucha atenta; educación infantile; desarrollo infantile.

INTRODUÇÃO

A educação infantil é a primeira etapa da educação obrigatória. Esta etapa é muito importante para o crescimento mental, psicológico, social e étnico das crianças. A escuta atenta durante esta fase realiza uma conotação pedagógica essencial, lembrando as muitas formas de oportunidade de expressão da criança; estabelecendo um diálogo emocional com ela e promovendo seu desenvolvimento integral (Rinaldi, 2006; Malaguzzi, 1993). Trata-se tanto de ouvir as palavras quanto de saber ler passos, gestos, expressões, olhares, silêncios e comunicação não verbal. Como Freire (1996:17) aponta, as crianças pequenas realmente entendem isso; elas vivem pelo exemplo. A Base Nacional Comum Curricular (BNCC, 2017), por sua vez, acentua a compreensão e o pleno respeito a cada criança como um elemento da pedagogia democrática.

Infelizmente, há uma falta de escuta ativa e atenta na Educação Infantil de hoje. Portanto, este artigo tenta delinear cinco aspectos das percepções obtidas a partir da escuta na Educação Infantil – quadro teórico, identidade própria das crianças, práticas de autorregulação e bem-estar socioemocional que funcionam de forma inclusiva, bem como formação de professores projetada para atender a esses propósitos. 

OS FUNDAMENTOS TEÓRICOS E CONCEITUAIS DA ESCUTA ATENTA

A escuta atenta possui sólida base teórica, conectando-se a perspectivas da psicologia do desenvolvimento, pedagogia crítica e abordagens contemporâneas de educação infantil. Vygotsky (2007) ressalta que o desenvolvimento humano ocorre por meio da interação social, e que a linguagem é instrumento central para a construção do pensamento. A escuta atenta permite ao educador reconhecer as ideias da criança e ampliar oportunidades de aprendizagem.

Wallon (1975) enfatiza a relação indissociável entre afetividade e cognição, apontando que reconhecer e validar emoções é condição essencial para o desenvolvimento intelectual. Nesse contexto, a escuta ativa fortalece vínculos afetivos e cria ambiente propício à aprendizagem significativa.

Na abordagem de Reggio Emilia, Malaguzzi (1993) e Rinaldi (2006) destacam as “cem linguagens da criança”, valorizando expressões múltiplas — fala, gesto, desenho, brincadeira e silêncio. O educador atua como mediador, observador e registrador, promovendo ambientes ricos em significado e estímulo à criatividade.

Freire (1996) aponta que a escuta é ética: sem ela, a educação se torna mecânica e desconsidera a experiência da criança. Estudos recentes (Oliveira-Formosinho, 2019) indicam que ambientes de aprendizagem que incorporam escuta ativa apresentam maior engajamento, cooperação e participação infantil.

A escuta atenta também se relaciona a práticas contemplativas, como mindfulness na Educação Infantil (Demarzo & Garcia-Campayo, 2020), promovendo atenção plena, empatia e regulação emocional.

Em resumo, a escuta atenta é ética, pedagógica, afetiva e cognitiva, reconhecendo a criança como sujeito ativo e potencializando aprendizagens significativas.

CONTRIBUIÇÕES PARA A AUTORREGULAÇÃO E BEM-ESTAR SOCIOEMOCIONAL

A autorregulação emocional está intimamente relacionada à escuta ativa. Lugares favoráveis à atenção e aceitação promovem a possibilidade de as crianças reconhecerem suas emoções, bem como aceitá-las e lidarem com a frustração, medo e ansiedade (Dalagnol; Loss, 2020). Além de aprimorar a autoconsciência, essa prática permite à criança a possibilidade de aprender, desde muito cedo, a se conscientizar desses limites internos e externos, modulando suas respostas aos desafios cotidianos.

A escuta é uma constante em ‘ambientes afetivos’, naqueles que reforçam variadas relações expressivas e receptivas de confiança e reciprocidade, elementos-chave no desenvolvimento socioemocional. É uma parte importante do encorajamento, pois permite ao professor ouvir além da superfície, ler sinais emocionais mais sutis e responder de maneira afirmativa, permitindo que a criança construa segurança interna para lidar com o estresse (Wilmsen; Ramos; Maciel, 2021). Nesse sentido, a escuta torna-se “ativa”: não apenas para ouvir palavras, mas também para interpretações, silêncios e gestos, permitindo que os espaços para a expressão da infância se ampliem (Rinaldi, 2006).

A atenção plena e outros estilos contemplativos também melhoram a prontidão escolar. Pesquisas sugerem que esses exercícios aprimoram funções cognitivas relacionadas à atenção, como concentração, capacidade de prestar atenção no momento presente e distração, com base em suas associações com a melhoria da função executiva (ou seja, controle inibitório, memória de trabalho e flexibilidade cognitiva) (Demarzo; Garcia-Campayo, 2020). Esse conjunto de habilidades está associado à capacidade da criança de lidar com novas experiências, resolver problemas e se engajar de forma mais cooperativa com os colegas.

Nesse sentido, a escuta equivale a um recurso pedagógico e ético que transcende a comunicação verbal, sendo uma prática essencial para a promoção de ambientes afetivamente seguros, significativos e holísticos. Ao valorizar o processo de escuta, o professor reafirma a criança como titular de direitos, produtora de cultura e autora de seu próprio processo de aprendizagem (Malaguzzi, 1993; Vygotsky, 2007). Este conceito revela que ouvir não se refere simplesmente a escutar palavras, mas que o reconhecimento de múltiplas formas de expressão também está envolvido, como gestos, olhares, brincadeiras ou criação de símbolos. Provavelmente, então, uma criança usa essas experiências para comunicar sua história pessoal e apresentação do mundo.

 Simultaneamente, a escuta do professor não apenas nutre relações pedagógicas mais dialógicas e humanizadas, mas também reforça a perspectiva da criança como sujeito/falante, capaz de construir conhecimento e participar ativamente do seu desenvolvimento integral.

ESCUTA E PRÁTICAS INCLUSIVAS

A escuta ativa é uma das bases das práticas pedagógicas inclusivas, sendo central ao lidar com crianças com diferenças funcionais, culturais e sociais. Ao conhecer as necessidades de indivíduos específicos, o professor pode ajustar procedimentos e materiais, proporcionando oportunidades para a participação plena de todos.

A escuta ativa promove respeito, empatia e compreensão das diferenças. Reconhecer dificuldades e interesses possibilita ajustes pedagógicos personalizados para que a aprendizagem efetiva possa ocorrer.

Em ambientes mais inclusivos, a escuta ativa é incentivada pelas escolas e beneficia o protagonismo, a sociabilidade e a abertura das crianças. Todos esses fatores contribuem para uma educação justa. Considerando isso, Llorente, Núñez-Flores e Kaakinen (2024) destacam que a educação inclusiva promovida por professores está positivamente correlacionada com o desenvolvimento de habilidades socioemocionais dos alunos. A escuta ativa, entendida como ouvir com empatia, levando em conta as necessidades das crianças, é propícia ao protagonismo infantil e ajuda a consolidar laços interpessoais. Dentro de um ambiente tão sensível e de apoio, a escola torna-se mais envolvente e uma dimensão emocional é adicionada, espelhando a construção e transferência de informações entre todos.

Portanto, a inclusão aspira além de simplesmente entrar — deve ser uma prática de ensino que promove a justiça social, o acesso igualitário a oportunidades e promove o desenvolvimento geral das crianças.Assim, contribuir e ouvir estão entrelaçados e fazem com que cada criança se sinta aceita, valorizada e ouvida.

IMPLICAÇÕES PARA A FORMAÇÃO DOCENTE

Implementar a escuta ativa requer professores bem treinados, reflexivos e cuidadosos. A formação docente deve viabilizar  habilidades de observação, escuta sensível e perspicaz, mediação (Nogueira, 2023). Essa consideração sugere que a escuta ativa vai além das normas instrumentais e ultrapassa a comunidade técnica para adentrar na ética, emoção e subjetividade das práticas dos professores. Como resultado, a escuta ativa requer não apenas compreender as palavras dos outros — refletir sobre o que foi dito —, mas também entender os sinais não verbais emitidos pelos humanos: gestos, olhares ou pausas na fala, que comunicam pedidos ou significados ocultos adicionais. Esta é uma condição prévia para o sucesso da abordagem. 

Os próprios processos de aprendizagem precisam de estímulos que sejam tanto teóricos quanto práticos para aumentar a sensibilidade dos professores a situações concretas e, ao mesmo tempo, fazê-los pensar criticamente, permitindo assim que o professor seja um mediador na comunicação pedagógica. Portanto, a escuta ativa de forma reflexiva — após se pensar sobre seus propósitos e métodos — não só pode nutrir relacionamentos próximos e mediar conflitos, mas também servir como um ambiente educacional com mais inclusão, diálogo e calor humano.

Programas de educação continuada e baseados em experiência prática evidenciada são meios fundamentais pelos quais os professores aprendem a incluir a escuta em sua prática pedagógica cotidiana, assim, superando as diferenças normais entre os alunos. A escuta coletiva pode aumentar não apenas o entendimento mútuo entre professores e alunos, mas também o respeito pelos outros e a resolução antecipada de disputas.

Além do exposto, a escuta pedagógica promove a ética profissional, o vínculo entre criança e professor e cria um ambiente de aprendizagem estimulante e seguro para todos. Investir nessa formação é essencial para garantir que a escuta atenta se torne uma prática estruturante na educação infantil, de modo que o desenvolvimento harmonioso ou múltiplos resultados desta única fonte surjam.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

A escuta atenta é, de fato, uma prática de ensino transformadora, que determina diretamente a formação da identidade, o autocontrole das emoções, a inclusão e a qualidade educacional.

Ao ouvir ativamente as crianças, o dever e o papel de protagonista são reconhecidos. Currículos que incluem tais ambientes de escuta promovem respeito, compreensão da diversidade e crescimento integral da personalidade, fortalecendo os vínculos emocionais entre os membros do grupo, bem como as habilidades cognitivas e socioemocionais.

Portanto, educadores, gestores e formuladores de políticas devem promover e implementar práticas que garantam uma análise completa, sensibilidade e escuta eficaz para consolidar a educação infantil como um momento de mudança: as advocacias voltadas para a transformação pedagógica devem ser perseguidas em uníssono.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

BRASIL. Ministério da Educação. Base Nacional Comum Curricular. Brasília: MEC, 2017.

DALAGNOL, R. F.; LOSS, A. S. Educação socioemocional na Educação Infantil: escuta, acolhimento e autofirmação. Universidade Federal da Fronteira Sul, 2020. Disponível em: [https://rd.uffs.edu.br/bitstream/prefix/7005/1/PRODUTO%20FINAL%20FC.pdf]. Acesso em: 25 ago. 2025.

DEMARZO, M. M. P.; GARCIA-CAMPAYO, J. Mindfulness e educação infantil: práticas contemplativas e bem-estar. Frontiers in Psychology, v. 11, 2020. Disponível em: [https://www.frontiersin.org/articles/10.3389/fpsyg.2020.01234/full]. Acesso em: 25 ago. 2025.

FREIRE, P. Pedagogia da autonomia: saberes necessários à prática educativa. 4. ed. São Paulo: Paz e Terra, 1996.

INSTITUTO RODRIGO MENDES (org.). Educação inclusiva na prática. São Paulo: Moderna; Fundação Santillana, 2020.

LLORENT, Vicente J.; NÚÑEZ-FLORES, Mariano; KAAKINEN, Markus. Inclusive education by teachers to the development of the social and emotional competencies of their students in secondary education. Learning and Instruction, v. 91, p. 101892, 2024. DOI: https://doi.org/10.1016/j.learninstruc.2024.101892. Disponível em: https://www.sciencedirect.com/science/article/pii/S0959475224000197. Acesso em: 31 ago. 2025.

MALAGUZZI, L. As cem linguagens da criança. Reggio Emilia: Reggio Children, 1993.

NOGUEIRA, S. N. Educação Infantil: a escuta pedagógica na formação de professores. São Paulo: Cortez, 2023.

OLIVEIRA-FORMOSINHO, J. Ambientes de aprendizagem e escuta ativa na Educação Infantil. Lisboa: EducaPress, 2019.

RINALDI, C. In diálogo con los niños: la educación infantil en Reggio Emilia. Madrid: Morata, 2006.

VYGOTSKY, L. S. A formação social da mente. São Paulo: Martins Fontes, 2007.

WALLON, H. Psicologia e educação da criança. Rio de Janeiro: Zahar, 1975.

Brisola, Amanda Andrade. O uso da escuta atenta na educação infantil e seus impactos.International Integralize Scientific. v 5, n 51, Setembro/2025 ISSN/3085-654X

Referencias

Vivian Caroline Coraucci.
BAILEY, C. J.; LEE, J. H.
Management of chlamydial infections: A comprehensive review.
Clinical infectious diseases.
v. 67
n. 7
p. 1208-1216,
2021.
Disponível em: https://academic.oup.com/cid/article/67/7/1208/6141108.
Acesso em: 2024-09-03.

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v. 5
n. 51
O uso da escuta atenta na educação infantil e seus impactos

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