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Resumo
INTRODUÇÃO
O processo de inclusão escolar de alunos com Transtorno do Espectro Autista (TEA) é um mecanismo complexo que exige uma reflexão ampla sobre práticas pedagógicas e recursos didáticos que favoreçam a aprendizagem. Entre tais práticas, a leitura assume um papel estratégico, pois promove o desenvolvimento da linguagem, a imaginação, a criatividade e o acesso à cultura escrita. Entretanto, para que o processo de inclusão seja efetivo, não basta a intervenção pedagógica do professor; é necessário que haja um trabalho colaborativo com a família, fortalecendo os vínculos entre escola, estudante. Este artigo pretende discutir a mediação da leitura como prática inclusiva, destacando as possibilidades de parceria entre professores e familiares no processo de desenvolvimento de alunos com TEA. Surge então uma indagação, de que forma a mediação da leitura, articulada entre professores e famílias, pode favorecer a inclusão escolar e social de alunos com TEA?
A escolha deste tema decorre da crescente demanda por práticas educativas que ajudem a promover a inclusão efetiva de alunos com TEA, um público que apresenta especificidades de aprendizagem que desafiam o sistema educacional. A leitura, como prática de linguagem, pode ser um caminho para superar barreiras comunicativas, promover interação social e favorecer a autonomia do aluno. Ao mesmo tempo, entende-se que a escola sozinha não consegue atender a todas as necessidades do estudante, sendo indispensável a participação da família. Essa perspectiva colaborativa reforça a necessidade de compreender a leitura como prática de mediação inclusiva, sustentada por uma rede de apoio e corresponsabilidade. O grande objetivo desse estudo é analisar a mediação da leitura como estratégia de inclusão de alunos com TEA, ressaltando a importância da parceria escola e família
Sendo assim pode-se cogitar algumas hipóteses algumas situações tais como mediação da leitura favorece a aquisição de habilidades cognitivas, sociais e comunicativas em alunos com TEA, a parceria entre família e professores fortalece o processo inclusivo e amplia os resultados da aprendizagem, estratégias de leitura mediada podem reduzir barreiras de aprendizagem, ampliar repertórios linguísticos e promover maior engajamento escolar e social.
METODOLOGIA
Este estudo consiste em uma revisão literária bibliográfica de caráter qualitativo. Foram selecionados artigos científicos, livros, dissertações e teses publicados a partir de 1984 até 2024, disponíveis em bases de dados como SciELO, Google Acadêmico e Periódicos CAPES. Os descritores utilizados para a pesquisa foram: Transtorno do Espectro Autista, inclusão escolar, mediação da leitura e família e professor. Os critérios de inclusão consideraram publicações que abordassem práticas inclusivas e estratégias de leitura aplicadas a estudantes com TEA. O processo desse trabalho científico analisou seguiu a metodologia de busca literária com algumas temáticas, permitindo organizar os resultados em três eixos principais: (1) a leitura como ferramenta de inclusão; (2) a mediação docente e familiar; (3) as contribuições das práticas colaborativas.
RESULTADOS ESPERADOS
Espera-se que a pesquisa evidencie a leitura como instrumento de mediação capaz de contribuir para o desenvolvimento da linguagem, da autonomia e da socialização de alunos com TEA. Espera-se ainda que os dados reforcem a importância da cooperação entre professores e familiares, apontando caminhos para superar os desafios que ainda persistem na inclusão escolar. Os resultados previstos indicam que a mediação da leitura pode transformar práticas pedagógicas, tornando-as mais humanizadas e centradas no aluno.
FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA
A fundamentação teórica desta pesquisa se debruça em diferentes perspectivas que convergem para a importância da leitura como instrumento de inclusão. A leitura, compreendida como prática social, possibilita a inserção do aluno em contextos de interação, desenvolvendo não apenas habilidades linguísticas, mas também cognitivas e socioemocionais. A leitura como maneira de incluir tem caráter transformado Freire (2014) fala dessa libertação que amplia de forma significativa a visão de mundo, a leitura proporciona a imaginação, criação de conceitos e signos que que moldam valores e ajudam a construir a identidade, a leitura tem esse dom de ajudar na construção do eu e sua lugar no mundo.
Diversos autores destacam que os alunos com TEA apresentam características singulares no processo de aprendizagem, especialmente relacionadas à linguagem e à comunicação. Por isso, a mediação da leitura deve ser adaptada, utilizando recursos visuais, livros acessíveis, histórias sociais e tecnologias digitais. Dias; Henrique (2018) discorre sobre a importância de matérias adaptados como forma de otimizar o processo da leitura
Outro aspecto importante refere-se à formação do professor que precisa estar preparado para adotar estratégias diferenciadas, essa questão da formação está para além da graduação, há uma necessidade de pesquisa, a pesquisa continuada, Freire (2014) ressalta que não tem como desvincular a teoria da prática, num mundo de mudanças dinâmicas em velocidade a formação continuada é primordial para o entendimento do que está acontecendo na educação contemporânea.
Além da importância de se pesquisar, a construção do saber do aluno TEA como protagonista perpassa pela participação da família, que desempenha papel crucial ao reforçar em casa e em conjunto com a escola as práticas pedagógicas vivenciadas pelo aluno com transtorno espectro autista, segundo a pesquisa de Paro (2000) torna-se evidente a participação efetiva da família traz benefícios significativos no processo de ensino aprendizagem do aluno TEA, a leitura mediada pela família num trabalho em conjunto a proposta pedagógica do discente segundo Rodrigues (2022) pode mediar a inclusão ao universo da leitura e sua gama de benefícios advindos dela.
Dessa forma, compreende-se que a mediação da leitura se configura como prática pedagógica potente, desde que acompanhada por uma rede de apoio sólida, nesta proposta é fundamental que a família participe de forma ativa da vida estudantil do aluno com TEA, podemos pontuar aqui reunião pedagógica, elaboração do PPP, comunhão na proposta pedagógica do professor e o acompanhamento de perto das atividades, além do auxílio na contribuição pedagógico didático para construção de conhecimento do aluno.
Sendo assim a leitura com auxílio da mediação pôr essa parceria família e professor torna-se uma ferramenta inclusão de alunos com Transtorno do Espectro Autista (TEA) no ambiente escolar que é desafiador e que exige práticas pedagógicas inovadoras e colaborativas como a desta proposta de parceria. Nesse processo de busca pelo saber, a leitura tem papel central, pois promove o desenvolvimento da linguagem, da imaginação e da interação social. Para que esse trabalho seja eficaz, a parceria entre família e professores é essencial, uma vez que ambos compartilham responsabilidades no processo de ensino-aprendizagem na pesquisa de Cunha (2020) ele deixa claro a relevância do núcleo familiar no sucesso do processo ensino aprendizagem.
Ainda Cunha (2020), falando sobre a parceria família e professor, essa parceria tem um papel construtor no contexto socialização da criança, e a participação da família de forma ativa nas práticas escolares fortalece o desenvolvimento integral do aluno. Assim, quando a escola estabelece uma relação colaborativa com os familiares, a leitura deixa de ser apenas um exercício escolar e passa a ser também uma prática social estimulada no cotidiano da criança, Junior (2024) contribui com o pensamento de que não é só estar, mas participar e se desenvolver.
Além disso, os professores necessitam do apoio das famílias para conhecer melhor as especificidades de cada estudante com TEA. De acordo com Balbino (2021), a mediação pedagógica deve considerar as singularidades do aluno autista, construindo estratégias que dialoguem com sua realidade e potencialidades, não enfatizando o TEA, sim a pessoa.
Dessa forma, o envolvimento da família possibilita ao professor planejar atividades de leitura mais assertivas, adaptadas ao nível de compreensão e aos interesses do aluno mediante a isso torna-se fundamental a parceria entre professor e família para a inclusão pela leitura do aluno TEA.
Outro aspecto relevante é a continuidade do processo de mediação da leitura em casa, para Silva (2023) quando a leitura é estimulada também no ambiente familiar, o aluno autista amplia suas oportunidades de aprendizagem e fortalece vínculos afetivos e comunicativos. Isso demonstra que a família não deve ser apenas espectadora, mas coautora do processo inclusivo, a ajuda no processo de aprendizagem em casa pode dar-se pela colaboração na proposta didático pedagógica do professor com foco na mediação de tal proposta em conjunto com o docente em favor discente.
A parceria também favorece a quebra de barreiras sociais. Silva (2023) destaca que a mediação da leitura constitui uma ferramenta de inclusão ao possibilitar que o aluno com TEA participe ativamente da vida escolar, interagindo com colegas e professores em atividades coletivas, assim como ampliando sua visão de mundo.
Nesse sentido, a leitura, quando mediada conjuntamente, se torna um caminho para o desenvolvimento da autonomia e para a inserção plena do aluno no contexto escolar, assim como formar a sua personalidade e autonomia, Freire (2014) aborda essa situação quando destaca que a educação concebe um caráter transformador.
Por fim, é importante ressaltar que a inclusão pela leitura não é responsabilidade exclusiva da escola. Conforme Brasil (1988), a efetivação da educação inclusiva requer o engajamento de todos os atores envolvidos no processo educacional, destacamos aqui o professor e a família, que exerce papel central no acompanhamento e na continuidade das práticas iniciadas no espaço escolar.
Portanto, a parceria entre professores e família se mostra indispensável além de não poder ser postergada para que a mediação da leitura se configure como instrumento de inclusão ativa e eficaz. Quando ambas as partes atuam em conjunto nessa mediação, cria-se um ambiente favorável à aprendizagem, acolhedor e acessível e motivador, construindo um caminho para o desenvolvimento integral e a inclusão do aluno com TEA.
Ainda nesse viés de mediação e parceria nos deparamos com Vygotsky (1984), quando ele e estuda os processos superiores e sua formação ele coloca em ênfase dois conceitos importantes para o aluno TEA e sua inclusão, o primeiro é o papel do mediador, como proposto nesse artigo a família e o professor tem relevância nessa questão o autor destaca que o mediador pode levar o aluno a outro nível de aprendizado um nível mais avançado e dessa forma proporcionar um crescimento pessoal pela leitura. Nesse contexto Rodrigues (2022) exorta sobre a mediação da leitura como ferramenta de inclusão, logo então nesse contexto de inclusão pela leitura e mediação mais uma vez é exposto a importância da família em parceria com o professor para o sucesso do processo ensino aprendizagem com o viés de inclusão
Um outro conceito seria a socialização, tendo em vista que segundo Vygotsky (1984) o aluno se desenvolve em grupo essa parceria entre docente e família tem que buscar mecanismo para que tais situações ocorram em casa e no colégio para formação desse aluno, tal conceito na instituição escola requer um olhar apurado do professor quanto sua proposta didática, sendo o trabalho em grupo com foca na troca de informações pela dialética mediado pelo decente uma estratégia a se pensar para o desenvolvimento do aluno, além desse aluno está incluso na mesma proposta que os demais da classe,
Assim como em casa no núcleo familiar e seus constituintes exercer com os demais membros da família trocas de informações naquilo que é a proposta do docente, essa concepção de aprendizagem em grupo pode ajudar o aluno a assimilar o que lhe é apresentado, reforçando laços familiares e corroborando com a proposta pedagógica do professor.
A discussão dos resultados encontrados nas fontes bibliográficas revela que a leitura não deve ser encarada apenas como atividade escolar, mas como prática social capaz de ampliar a inclusão para além do simples estar, mas o transformar o participar. No caso dos alunos com TEA, a leitura mediada possibilita novas formas de comunicação e interação, estimulando o desenvolvimento global.
Além disso, as pesquisas apontam que a participação da família não pode se restringir ao acompanhamento escolar formal, mas deve incluir atividades de leitura em casa, momentos de contação de histórias e o incentivo ao acesso a materiais adaptados. A proposta de mediação em parceria de professores e familiares em conjunto, tende a cria-se um ambiente inclusivo mais consistente, onde o aluno se sente apoiado, valorizado e motivado.
Por mais desafiador que seja o cenário a pesquisa a parceria escola e família tem que ser administrada de forma que o protagonista da aprendizagem o aluno TEA se desenvolva., porém é necessário a criatividade, resiliência, empatia para vencer possíveis obstáculos. Esses aspectos revelam que, embora os avanços sejam significativos, ainda há muito a ser feito no âmbito da educação inclusiva. Políticas públicas de formação continuada e investimentos em recursos pedagógicos acessíveis são caminhos necessários para consolidar a leitura como instrumento de inclusão para alunos com TEA.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
A inclusão de alunos com TEA constitui um dos maiores desafios da educação contemporânea, por conta de tudo que está envolvido nessa esfera. A mediação da leitura, quando entendida como prática pedagógica inclusiva, apresenta-se como estratégia fundamental para o desenvolvimento pleno desses estudantes, de maneira que por conta dos dados coletados na literatura torna-se de suma relevância a parceria entre família e professor nesse processo. A leitura, além de favorecer a comunicação e a aprendizagem, promove o respeito às diferenças e a valorização da diversidade, além de contribuir para a formação de valores personalidade e em especial na inclusão de alunos com TEA, tendo em vista as suas particularidades.
Conclui-se que a parceria entre família e professores é um elemento-chave para que a leitura cumpra seu papel inclusivo, garantindo que o aluno com TEA tenha acesso a oportunidades equitativas de aprendizagem e desenvolvimento, de maneira estratégias metodológicas aqui abordadas e ainda construídas com base na pesquisa é um caminho inevitável rumo ao sucesso da inclusão por mediação em uma parceria família e professor, por mais que essa parceria possa ser difícil e ter barreiras o estudo a criatividade, resiliência são caminhos a ser percorrido nesse processo.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
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