Motivação, ansiedade e estilos de aprendizagem: Contribuições para o ensino de inglês na educação básica

MOTIVATION, ANXIETY, AND LEARNING STYLES: CONTRIBUTIONS TO ENGLISH LANGUAGE TEACHING IN BASIC EDUCATION

MOTIVACIÓN, ANSIEDAD Y ESTILOS DE APRENDIZAJE: CONTRIBUCIONES A LA ENSEÑANZA DEL INGLÉS EN LA EDUCACIÓN BÁSICA

Autor

URL do Artigo

https://iiscientific.com/artigos/EECAB4

DOI

doi.org/10.63391/EECAB4

Sales, Felipe Henrique de Sousa. Motivação, ansiedade e estilos de aprendizagem: Contribuições para o ensino de inglês na educação básica. International Integralize Scientific. v 5, n 50, Agosto/2025 ISSN/3085-654X

Resumo

Este artigo tem como objetivo investigar os fatores que influenciam o interesse espontâneo de estudantes pela aprendizagem da língua inglesa fora do ambiente escolar e propor estratégias para integrar esses fatores ao ensino formal na educação básica. A pesquisa é de natureza qualitativa e foi conduzida por meio de revisão bibliográfica. A análise concentrou-se em três eixos principais: motivação, ansiedade e estilos de aprendizagem. Autores como Gardner e Lambert (1972) e Krashen (1982) foram fundamentais para a compreensão desses aspectos, ao destacarem a importância da motivação integrativa e dos fatores afetivos no processo de aquisição de uma segunda língua. Com base nos achados da literatura, o estudo apresenta sugestões práticas para o ambiente escolar, como a personalização de atividades segundo os interesses dos alunos, a criação de espaços seguros para a expressão oral e o uso de diferentes métodos de ensino que respeitem os estilos individuais de aprendizagem. Conclui-se que a aplicação dessas estratégias pode tornar o ensino de inglês mais significativo, eficaz e alinhado à realidade dos estudantes.
Palavras-chave
ensino de inglês; motivação; ansiedade; estilos de aprendizagem.

Summary

This article aims to investigate the factors that influence students’ spontaneous interest in learning English outside the school environment and to propose strategies for integrating these factors into formal education in basic schooling. The research is qualitative in nature and was conducted through a literature review. The analysis focused on three main areas: motivation, anxiety, and learning styles. Authors such as Gardner and Lambert (1972) and Krashen (1982) were essential to understanding these aspects, as they emphasized the importance of integrative motivation and affective factors in second language acquisition. Based on findings from the literature, the study presents practical suggestions for the classroom, such as personalizing activities according to students’ interests, creating safe spaces for oral expression, and using diverse teaching methods that respect individual learning styles. It concludes that the application of these strategies can make English teaching more meaningful, effective, and aligned with students’ realities.
Keywords
english teaching; motivation; anxiety; learning styles.

Resumen

Este artículo tiene como objetivo investigar los factores que influyen en el interés espontáneo de los estudiantes por el aprendizaje del idioma inglés fuera del entorno escolar y proponer estrategias para integrar dichos factores a la enseñanza formal en la educación básica. La investigación es de carácter cualitativo y se llevó a cabo mediante una revisión bibliográfica. El análisis se centró en tres ejes principales: motivación, ansiedad y estilos de aprendizaje. Autores como Gardner y Lambert (1972) y Krashen (1982) fueron fundamentales para la comprensión de estos aspectos, al destacar la importancia de la motivación integradora y de los factores afectivos en el proceso de adquisición de una segunda lengua. Con base en los hallazgos de la literatura, el estudio presenta sugerencias prácticas para el ámbito escolar, como la personalización de actividades según los intereses del alumnado, la creación de espacios seguros para la expresión oral y el uso de diferentes métodos de enseñanza que respeten los estilos individuales de aprendizaje. Se concluye que la aplicación de estas estrategias puede hacer que la enseñanza del inglés sea más significativa, eficaz y alineada con la realidad de los estudiantes.
Palavras-clave
nseñanza del inglês; motivación; ansiedad; estilos de aprendizaje.

INTRODUÇÃO

O ensino de língua inglesa nas escolas brasileiras ainda apresenta muitos desafios. Apesar de estar presente na grade curricular, o inglês nem sempre é ensinado de maneira eficaz com enfoque nas quatro habilidades lingüísticas, o que pode dificultar o desenvolvimento da comunicação dos alunos em situações reais de uso. Em muitos casos, as aulas se concentram em regras gramaticais e traduções, com pouca conexão com os interesses dos estudantes ou com o uso prático da língua.

Por outro lado, é possível observar que alguns estudantes buscam aprender inglês por conta própria, fora do ambiente escolar. Essa aprendizagem acontece, muitas vezes, de forma espontânea, motivada pelo contato com músicas, filmes, séries, jogos e redes sociais, além do desejo de se comunicar com pessoas de outros países ou de ter acesso a mais oportunidades profissionais no futuro. Esse comportamento mostra que existem fatores importantes que podem despertar o interesse dos discentes pela língua inglesa, mesmo sem a mediação direta do professor.

Essa realidade levanta questões importantes sobre os fatores que, fora do ambiente formal escolar, contribuem para o interesse dos alunos com a língua inglesa. Dessa forma, o presente estudo busca compreender quais fatores contribui para o interesse espontâneo de indivíduos na aprendizagem de inglês e, a partir disso, propor possibilidades de integração desses fatores ao contexto escolar. Portanto, pretende-se identificar, por meio da literatura, os principais aspectos afetivos e cognitivos que influenciam a aprendizagem de línguas e sugerir propostas pedagógicas para a aplicação desses achados em aulas de inglês no ambiente formal da educação básica.

A presente investigação é orientada pelas seguintes perguntas norteadoras: Quais fatores motivam os indivíduos a aprender inglês por iniciativa própria, fora do ambiente escolar? Como esses fatores podem ser aproveitados no planejamento de aulas de inglês na educação básica?

METODOLOGIA

Este trabalho é de natureza qualitativa e tem como principal abordagem a pesquisa bibliográfica, realizada por meio da leitura, seleção e análise de obras acadêmicas relevantes sobre a aprendizagem de língua inglesa. A pesquisa buscou identificar, na literatura especializada, os principais fatores que influenciam esse processo, com foco em aspectos como motivação, ansiedade e estilos de aprendizagem. 

A escolha por uma abordagem qualitativa justifica-se pela natureza interpretativa do estudo, que busca compreender significados e padrões a partir da análise de textos e conceitos relacionados ao ensino de língua inglesa. Segundo Minayo (2001), a pesquisa qualitativa trabalha com o universo dos significados, das motivações e das relações humanas, sendo apropriada para estudos em educação. Já a pesquisa bibliográfica, de acordo com Gil (2017), é desenvolvida com base em material já publicado, principalmente livros e artigos científicos, e tem como objetivo analisar contribuições teóricas sobre o tema investigado. Assim, a combinação entre essas duas abordagens permite uma compreensão aprofundada dos fatores que influenciam a aprendizagem do inglês, com base em estudos consolidados.

Além da revisão teórica, o estudo também propõe sugestões de como esses fatores podem ser aplicados na prática pedagógica. Essas sugestões foram formuladas com base na análise dos dados encontrados na literatura e têm o objetivo de sugerir possíveis caminhos para tornar as aulas de inglês mais próximas da realidade dos estudantes e de seus interesses pessoais. O levantamento, portanto, não parte de uma investigação empírica direta com estudantes ou professores, mas de uma reflexão fundamentada em estudos já existentes.

A metodologia adotada permite compreender os principais elementos que despertam o interesse dos discentes pela língua inglesa e, ao mesmo tempo, pensar em maneiras de aproximar o ensino formal do ambiente escolar das práticas informais de aprendizagem vivenciadas pelos alunos fora da sala de aula.

APORTE TEÓRICO

FATORES DO APRENDIZADO DE INGLÊS EXTRACLASSE 

Com base na revisão da literatura, observou-se que diversos fatores podem influenciar o processo de aprendizagem de língua inglesa, em especial fora do contexto escolar. No entanto, para fins deste estudo, optou-se por concentrar a análise em três aspectos centrais: a motivação, a ansiedade e os estilos de aprendizagem. Esses elementos oferecem importantes contribuições para compreender por que alguns estudantes se interessam espontaneamente no aprendizado do inglês, mesmo diante de desafios no ambiente escolar.

MOTIVAÇÃO

A motivação é considerada um dos fatores mais importantes no aprendizado de uma segunda língua. Gardner e Lambert (1972), dois dos principais estudiosos sobre o tema, propôs a distinção entre motivação integrativa e instrumental, sendo a primeira associada ao desejo de se conectar com a cultura da língua alvo e a segunda relacionada a objetivos práticos, como conseguir um emprego. A partir desse modelo, estudos mais recentes têm explorado como a motivação está ligada à disposição para se comunicar em inglês e ao autoconhecimento do estudante. Fan e Wang (2025), ao discutirem a Teoria do Self Motivacional na segunda Língua, mencionam a pesquisa de Yashima (2009), que mostrou como a disposição para se comunicar em inglês se relaciona com a imagem que o aluno tem de si mesmo no futuro. Segundo o estudo, “atividades que incentivam os alunos a imaginar cenários de comunicação bem-sucedidos podem aumentar significativamente sua motivação e sua disposição para comunicar” (Fan; Wang, 2025, p. 2, tradução livre).

Outro pesquisador importante na área é Zoltán Dörnyei (2009), que propôs o modelo chamado L2 Motivational Self System. Esse modelo inclui três dimensões: o “eu ideal” (ideal L2 self), que representa a imagem que o aluno tem de si mesmo como um falante bem-sucedido da língua; o “eu obrigatório” (ought-to L2 self), ligado às expectativas de outras pessoas (como pais e professores). Esse modelo mostra que a motivação está ligada tanto a fatores internos quanto ao ambiente social e escolar.

Outro ponto relevante na literatura recente é a ligação entre motivação e interação real. Fan e Wang (2025) argumentam que os estudantes motivados por uma visão positiva de si mesmos como futuros falantes de inglês se envolvem mais facilmente em atividades comunicativas, especialmente quando percebem valor pessoal no uso da língua. Isso reforça a importância de estratégias pedagógicas que valorizem o engajamento dos alunos por meio de situações autênticas de fala, como apresentações, diálogos e interações virtuais com falantes de outros contextos socioculturais.

Além disso, autores como Deci e Ryan (1985) explicam a motivação a partir da teoria da autodeterminação (Self-Determination Theory), que diferencia motivação intrínseca (quando o aluno aprende porque gosta ou tem interesse) e motivação extrínseca (quando aprende por obrigação ou para receber recompensas). Segundo essa teoria, quanto mais autonomia o aluno tiver, maiores são as chances de desenvolver uma motivação duradoura.

Essas teorias ajudam a compreender por que alguns alunos, mesmo fora da escola, se envolvem no aprendizado do inglês quando se sentem motivados por seus interesses pessoais, como jogos, músicas, filmes e redes sociais. Ao mesmo tempo, mostram que o ambiente escolar pode tanto ajudar quanto dificultar esse processo, dependendo das estratégias usadas pelo professor.

A ANSIEDADE

A ansiedade linguística é compreendida como uma forma de ansiedade situacional relacionada ao uso de uma língua estrangeira. Horwitz, Horwitz e Cope (1986) identificaram três dimensões principais: o medo de avaliação negativa, a apreensão pela comunicação e a ansiedade em atividades formais. Essa ansiedade pode impedir o estudante de participar das aulas, afetar sua autoestima e comprometer o aprendizado. Estudos mais recentes, como o de Fan e Wang (2025), sugerem que a ansiedade comunicativa é um fator que limita significativamente a frequência e a fluência nas interações em sala de aula, reduzindo as oportunidades de uso autêntico do idioma estrangeiro. Os autores observam que esse tipo de bloqueio é especialmente comum quando os alunos temem ser julgados ao falar em público ou ao cometer erros.

Krashen (1982), por meio de sua Teoria do Filtro Afetivo, também aponta que fatores emocionais como ansiedade, motivação e autoestima afetam a aquisição de uma segunda língua. Segundo o autor, quanto mais altos os níveis de ansiedade, mais alto é o “filtro afetivo”, que atua como uma barreira, impedindo que o input linguístico seja adequadamente processado pelo aprendiz. Isso significa que, mesmo que o estudante esteja exposto à língua, ele pode não assimilar o conteúdo se estiver emocionalmente desconfortável.

Esses estudos mostram que a ansiedade não é apenas uma questão emocional, mas também pode atrapalhar diretamente o aprendizado da língua no contexto escolar. Fora desse contexto é comum muitos adolescentes demonstrarem mais segurança e vontade de usar o inglês, especialmente em situações informais, como assistindo a vídeos, jogando online ou conversando em redes sociais. Nessas situações, como não há medo de julgamentos externos quando cometem erros ou cobrança por notas, os estudantes se sentem mais à vontade, o que facilita o aprendizado e a prática do idioma de maneira mais espontânea.

ESTILOS DE APRENDIZAGEM

Os estilos de aprendizagem se referem às maneiras preferidas com que os indivíduos processam informações durante o processo de aquisição de conhecimento. Fleming (2001) propôs o modelo VARK, que agrupa os alunos em quatro categorias: visual, auditivo, leitura/escrita e cinestésico. Já Felder e Silverman (1988) sugerem que os estilos de aprendizagem podem ser classificados em dimensões como o sensorial-intuitivo (tipo de informação preferida), visual-verbal (forma de representação da informação), ativo-reflexivo (modo de processamento) e sequencial-global (forma de compreensão). Eles argumentam que alunos com estilos divergentes podem reagir de forma muito diferente a uma mesma prática pedagógica, o que torna essencial o mapeamento prévio do perfil da turma. Quando o ensino ignora essas variações, muitos alunos podem se sentir desmotivados ou confusos diante de abordagens que não correspondem à sua forma natural de aprender.

Pesquisas recentes reforçam a importância dessa diversidade. Liu (2023), ao analisar universitários chineses em aulas de inglês, identificou que alunos com preferências visuais e auditivas apresentaram melhor desempenho e menores níveis de ansiedade, enquanto os que preferem interações em grupo mostraram-se mais sensíveis ao estresse causado por avaliações formais. Esses achados mostram que considerar os estilos de aprendizagem não é apenas uma questão de adaptação didática, mas também de bem-estar emocional e engajamento. Um ensino de inglês que valoriza essas diferenças pode ser mais efetivo, inclusivo e motivador.

Fora do contexto escolar, estudantes motivados tendem a aprender inglês de maneira mais autônoma, escolhendo estratégias que estejam alinhadas com seus próprios estilos de aprendizagem. Essas escolhas, no entanto, podem ou não ocorrer de forma espontânea, já que nem todos os alunos podem ter consciência plena de estratégias pedagógicas oriundas de pesquisas acadêmicas. Quando acontece, essa autorregulação permite que priorizem métodos que lhes tragam mais conforto, eficácia e prazer durante o estudo, como assistir a vídeos, ouvir músicas, praticar jogos, ler conteúdos de interesse pessoal ou interagir em ambientes digitais. Essa liberdade favorece a permanência na prática da língua, pois o aluno evita situações que causam ansiedade e foca naquelas que ampliam sua autoconfiança. Diante disso, é essencial que o ambiente escolar promova o reconhecimento dos diferentes estilos de aprendizagem, oferecendo oportunidades para que os estudantes identifiquem suas preferências e desenvolvam estratégias eficazes para aprender inglês de forma mais consciente e significativa.

DISCUSSÕES

Muitos discentes se envolvem com o inglês de forma espontânea, motivados por interesses pessoais e experiências significativas com a língua. Diante disso, é importante pensar em estratégias que aproximem as aulas de inglês da realidade desses estudantes, tornando o ensino mais atrativo, relevante e eficaz. A seguir, serão apresentadas algumas possibilidades de aplicação prática desses fatores no ambiente escolar, com o objetivo de tornar a aprendizagem mais envolvente e conectada com os interesses e necessidades dos alunos.

MOTIVAÇÃO

Uma das formas que pode aumentar a motivação dos alunos em sala de aula é tornar o conteúdo mais próximo de sua realidade e de seus interesses. Dörnyei (2009) sugere que os professores conheçam melhor o perfil dos alunos, incluindo suas preferências culturais, como músicas, séries, jogos e redes sociais, para incorporar esses elementos nas atividades. Por exemplo, ao trabalhar uma letra de música ou um trecho de série em inglês que os estudantes já conhecem e gostam, cria-se uma conexão emocional com o conteúdo, o que pode aumentar significativamente o interesse.

Para conhecer melhor o perfil dos alunos e, assim, planejar aulas mais significativas, o professor pode adotar estratégias simples e eficazes. Uma delas é a aplicação de questionários diagnósticos no início do período letivo, com perguntas sobre interesses pessoais, experiências com o inglês e preferências de aprendizagem. Ferramentas digitais, como o Google Forms, podem ser usadas para mapear melhor os interesses dos alunos e identificar os temas que mais se repetem, auxiliando na escolha dos conteúdos a serem trabalhados em sala de aula. Além disso, momentos de conversa informal durante as aulas, bem como a observação atenta do comportamento dos estudantes diante de diferentes atividades, ajudam a identificar suas motivações e dificuldades. Atividades de apresentação pessoal, como redações e produções orais sobre seus gostos e rotinas, também fornecem pistas valiosas sobre o universo dos adolescentes de uma determinada turma. 

Aliado a isso, a valorização da comunicação como objetivo central do ensino de línguas também contribui no fator motivação. Ela está diretamente relacionada à abordagem comunicativa, explorada por Celce-Murcia (2014), que defende o uso da língua em contextos reais como parte essencial do processo de aprendizagem. Essa abordagem propõe que os alunos desenvolvam a competência comunicativa por meio de tarefas autênticas e interativas, indo além do domínio de estruturas gramaticais isoladas. Essa proposta dialoga com o conceito de motivação integrativa de Gardner e Lambert (1972), pois, ao usar o inglês em situações significativas — como entrevistas entre colegas, apresentações orais ou a criação de vídeos —, os estudantes passam a perceber o idioma como um meio de comunicação real e relevante. Isso contribui para que o inglês deixe de ser visto apenas como uma obrigação escolar e passe a ser compreendido como uma ferramenta útil para interações sociais, culturais e pessoais.

Uma maneira prática de aplicar os princípios da abordagem comunicativa e estimular a motivação integrativa dos alunos é organizar uma videochamada com estudantes de outro país. Nessa atividade, os alunos teriam a oportunidade de se apresentar, compartilhar interesses e fazer perguntas em inglês, usando a língua de forma autêntica e significativa. Essa experiência fortalece o interesse pela comunicação real, conforme propõem Gardner e Lambert (1972) e Celce-Murcia (2014), e permite que os estudantes vejam o inglês como uma ponte para novas conexões e trocas culturais.

A ANSIEDADE

Para ajudar os alunos a lidarem com a ansiedade no aprendizado do inglês, é importante que o professor crie um ambiente acolhedor, onde os estudantes se sintam seguros para errar, experimentar e se expressar. A abordagem affective-humanistic, discutida por Celce-Murcia (2014), propõe que os sentimentos dos alunos devem ser considerados no processo de ensino, valorizando a empatia, o respeito e a valorização da identidade de cada estudante. Segundo essa abordagem, o professor pode utilizar atividades em grupo colaborativas, jogos, trabalhos criativos e momentos de reflexão que favoreçam o bem-estar emocional, reduzam a tensão e incentivem a participação voluntária. A linguagem do erro também deve ser revista: em vez de punições ou constrangimentos, o erro deve ser tratado como parte natural do processo de aprendizagem.

Além disso, a criação de vínculos afetivos entre professor e alunos é uma estratégia importante para combater a ansiedade em sala de aula. Para bell hooks (2010), o espaço escolar pode se tornar um lugar de crescimento quando há uma conexão real entre o professor e o aluno. Isso exige do profissional docente uma postura sensível, escuta ativa e disposição para enxergar o estudante como sujeito completo, com emoções, histórias e necessidades. Ao criar um ambiente em que o aluno se sente respeitado e valorizado através da construção de uma relação de confiança a ansiedade tende a diminuir, e o aprendizado se torna mais fluído e significativo.

Nessa perspectiva, pode-se mencionar uma ação prática para criar um ambiente livre de ansiedade. Iniciar as aulas com um momento de círculo de diálogo em que os alunos possam expressar seus sentimentos, dúvidas e expectativas em relação ao aprendizado do inglês, sem julgamentos, é um exemplo prático que pode ser adotado nas aulas. Nesse espaço, o professor atua como facilitador, ouvindo atentamente e demonstrando respeito e empatia pelas experiências individuais de cada estudante. Essa prática pode fortalecer a conexão emocional entre professor e alunos, promovendo um senso de comunidade e segurança. Ao sentir-se acolhidos e compreendidos, os alunos tendem a experimentar menos ansiedade, sentindo-se mais motivados e confiantes para participar das atividades linguísticas.

OS ESTILOS DE APRENDIZAGEM

Com base nos estilos propostos por Fleming (2001) e Felder e Silverman (1988), o professor pode diversificar suas estratégias didáticas para atender às diferentes formas de aprender dos alunos. Para estudantes com estilo visual, recursos como mapas mentais, infográficos e vídeos ilustrativos facilitam a compreensão. Já alunos auditivos se beneficiam de atividades como escuta de áudios, debates em grupo e explicações orais estruturadas. Aqueles com estilo cinestésico aprendem melhor por meio de dramatizações, jogos pedagógicos e simulações, enquanto alunos com preferência por leitura/escrita tendem a responder bem a atividades como resumos, exercícios escritos e leitura individual. Além disso, o uso de formulários simples (como questionários anônimos via Google Forms) pode ajudar o professor a mapear essas preferências e ajustar o planejamento de maneira mais eficaz. Essa prática evita decisões baseadas em suposições e favorece uma abordagem mais equitativa.

O ideal é combinar diferentes estratégias numa mesma aula, garantindo que todos os perfis sejam atendidos. Ferramentas digitais como Kahoot, Canva ou Padlet podem ajudar a tornar essas abordagens mais dinâmicas e acessíveis.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

A partir da análise bibliográfica realizada neste estudo, foi possível compreender que fatores como motivação, ansiedade e estilos de aprendizagem exercem influência significativa na forma como os alunos interagem com a língua inglesa, especialmente fora do ambiente escolar. Tais fatores demonstram que o aprendizado espontâneo do idioma é impulsionado por interesses pessoais, liberdade de escolha e ambientes emocionalmente seguros, elementos muitas vezes ausentes nas práticas pedagógicas tradicionais. A escola, portanto, precisa reconhecer e incorporar essas dimensões à sua proposta de ensino, de modo a tornar o aprendizado do inglês mais significativo e conectado à realidade dos estudantes.

Dessa forma, as sugestões práticas apresentadas ao longo deste trabalho — como o uso de questionários diagnósticos, a promoção de círculos de diálogo, a adoção de atividades comunicativas e o respeito aos diferentes estilos de aprendizagem — devem ser mais do que propostas teóricas: precisam ser testadas e implementadas no cotidiano das salas de aula. A aplicação dessas estratégias permitirá verificar, na prática, sua eficácia em promover um ambiente mais motivador, inclusivo e emocionalmente acolhedor para a aprendizagem da língua inglesa. Espera-se que futuras pesquisas e experiências docentes possam validar, adaptar e ampliar essas iniciativas, contribuindo para um ensino mais humano e transformador nas aulas de inglês da educação básica.

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Sales, Felipe Henrique de Sousa. Motivação, ansiedade e estilos de aprendizagem: Contribuições para o ensino de inglês na educação básica.International Integralize Scientific. v 5, n 50, Agosto/2025 ISSN/3085-654X

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Disponível em: https://academic.oup.com/cid/article/67/7/1208/6141108.
Acesso em: 2024-09-03.

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