Rede social e comunicação escrita: Desafios e possibilidades

SOCIAL NETWORKS AND WRITTEN COMMUNICATION: CHALLENGES AND POSSIBILITIES

REDES SOCIALES Y COMUNICACIÓN ESCRITA: RETOS Y POSIBILIDADES

Autor

URL do Artigo

https://iiscientific.com/artigos/F4D148

DOI

doi.org/10.63391/F4D148

Oliveira, José Nilson dos Santos. Rede social e comunicação escrita: Desafios e possibilidades. International Integralize Scientific. v 5, n 50, Agosto/2025 ISSN/3085-654X

Resumo

O presente artigo intitulado “Rede social e comunicação escrita: desafios e possibilidades” discute a influência das redes sociais digitais na comunicação escrita, destacando os desafios e as possibilidades que emergem nesse novo contexto comunicacional. A escrita, mediada pelas plataformas digitais, tem se transformado em uma prática social cada vez mais multimodal, interativa e dinâmica, exigindo dos sujeitos novas competências linguísticas e discursivas. O estudo, de natureza qualitativa, foi desenvolvido por meio de pesquisa bibliográfica, com base em obras publicadas nos últimos dez anos, selecionadas a partir dos critérios de relevância temática, reconhecimento acadêmico e atualidade. A análise do material permitiu identificar que, embora existam críticas relacionadas à informalidade da linguagem nas redes sociais, essas plataformas também favorecem o desenvolvimento de habilidades argumentativas, criativas e colaborativas, desde que mediadas por uma proposta pedagógica crítica e intencional. Os resultados apontam a importância de integrar as tecnologias digitais ao ensino da escrita de forma planejada, com foco na formação de sujeitos autônomos, críticos e preparados para atuar na sociedade da informação. Conclui-se que as redes sociais, se bem utilizadas no ambiente educacional, podem ser aliadas do processo formativo, contribuindo para a valorização dos multiletramentos e para o fortalecimento da linguagem como instrumento de expressão, aprendizagem e cidadania ativa.
Palavras-chave
escrita digital; redes sociais; letramento.

Summary

This article, titled “Social Networks and Written Communication: Challenges and Possibilities,” discusses the influence of digital social networks on written communication, highlighting the challenges and possibilities emerging in this new communicational context. Writing, mediated by digital platforms, has become an increasingly multimodal, interactive, and dynamic social practice, requiring new linguistic and discursive skills from its subjects. This qualitative study was developed through bibliographical research, based on works published in the last ten years, selected based on criteria of thematic relevance, academic recognition, and current relevance. Analysis of the material revealed that, although there are criticisms regarding the informality of language on social networks, these platforms also foster the development of argumentative, creative, and collaborative skills, provided they are mediated by a critical and intentional pedagogical approach. The results highlight the importance of integrating digital technologies into writing instruction in a planned manner, with a focus on developing autonomous, critical individuals prepared to function in the information society. It is concluded that social networks, if well used in the educational environment, can be allies of the formative process, contributing to the valorization of multiliteracies and to the strengthening of language as an instrument of expression, learning and active citizenship.
Keywords
digital writing; social media; literacy.

Resumen

Este artículo analiza la influencia de las redes sociales digitales en la comunicación escrita, destacando los retos y las posibilidades que surgen en este nuevo contexto comunicacional. La escritura, mediada por plataformas digitales, se ha convertido en una práctica social cada vez más multimodal, interactiva y dinámica, que exige nuevas habilidades lingüísticas y discursivas a sus participantes. Este estudio cualitativo se desarrolló mediante una investigación bibliográfica, basada en trabajos publicados en los últimos diez años, seleccionados según criterios de relevancia temática, reconocimiento académico y actualidad. El análisis del material reveló que, si bien existen críticas sobre la informalidad del lenguaje en las redes sociales, estas plataformas también fomentan el desarrollo de habilidades argumentativas, creativas y colaborativas, siempre que estén mediadas por un enfoque pedagógico crítico e intencional. Los resultados destacan la importancia de integrar las tecnologías digitales en la enseñanza de la escritura de forma planificada, con el foco puesto en el desarrollo de individuos autónomos y críticos, preparados para desenvolverse en la sociedad de la información. Se puede concluir que las redes sociales, si se utilizan adecuadamente en el entorno educativo, pueden ser un aliado en el proceso educativo, contribuyendo a la apreciación de las alfabetizaciones múltiples y fortaleciendo el lenguaje como instrumento de expresión, aprendizaje y ciudadanía activa.
Palavras-clave
escritura digital; redes sociales; alfabetización.

INTRODUÇÃO

Nas últimas décadas, o avanço das Tecnologias Digitais de Informação e Comunicação (TDICs) tem provocado profundas transformações nas formas de interação, ensino, aprendizagem e, sobretudo, nos modos de produção e circulação da linguagem escrita. Nesse contexto, as redes sociais digitais destacam-se como ambientes privilegiados para a expressão, compartilhamento e debate de ideias, promovendo novas práticas discursivas e desafiando os modelos tradicionais de escrita. 

Conforme apontam De Oliveira, Baptista e Arão (2016), vivencia-se um cenário em que a leitura e a escrita são ressignificadas, exigindo dos sujeitos habilidades múltiplas para lidar com textos multimodais, fragmentados e interativos. Esse novo ecossistema comunicacional impõe à educação, em especial ao ensino de língua portuguesa, a necessidade de rever práticas pedagógicas, integrando criticamente essas ferramentas ao processo formativo.

A emergência das redes sociais como espaços de produção textual evidencia um movimento crescente de apropriação dessas plataformas por diferentes públicos, sobretudo os jovens. Segundo Massini et al. (2023), blogs, vlogs, podcasts e outras formas de textualidades digitais têm se configurado como ambientes de experimentação e criação, nos quais os usuários transitam entre a informalidade da linguagem coloquial e as exigências da comunicação eficaz. 

Por sua vez, Nonato e Sales (2019) ressaltam que, embora as redes sociais possibilitem novas práticas de letramento, elas também revelam desafios significativos para a formação de sujeitos críticos e proficientes na linguagem escrita. A convivência simultânea entre escrita funcional, abreviações, emojis e rupturas gramaticais suscita questionamentos sobre a qualidade, a finalidade e o impacto dessas produções no desenvolvimento das competências linguísticas.

Nesse cenário, o presente trabalho justifica-se pela necessidade de compreender como as redes sociais influenciam os modos de escrita na contemporaneidade, contribuindo para o debate acadêmico sobre a linguagem na era digital. A relevância da temática reside na urgência de se repensar o ensino da escrita frente às novas práticas sociais e culturais, a fim de promover uma educação linguística que valorize a pluralidade de vozes e a criticidade dos discursos. 

Assim, o estudo visa não apenas refletir sobre os impactos das redes sociais na comunicação escrita, mas também propor caminhos que considerem os potenciais pedagógicos dessas plataformas no desenvolvimento de habilidades argumentativas, criativas e reflexivas.

O tema central deste artigo, intitulado “Rede social e comunicação escrita: desafios e possibilidades” será explorado a partir das seguintes perguntas norteadoras: De que forma as redes sociais digitais influenciam as práticas de escrita dos sujeitos, especialmente no contexto educacional? Quais são os principais desafios enfrentados pelos professores no uso pedagógico dessas plataformas? Quais possibilidades se abrem para o aprimoramento da comunicação escrita a partir das redes sociais?

Para responder a essas questões, o presente estudo utiliza a metodologia de pesquisa bibliográfica, fundamentada em autores que tratam da interface entre tecnologias digitais, educação, linguagem e redes sociais, com recorte em publicações dos últimos dez anos. O procedimento metodológico consistiu na seleção e análise crítica de artigos científicos, dissertações, livros e periódicos acadêmicos que abordam a influência das redes sociais na produção escrita e suas implicações pedagógicas.

Dessa forma, o objetivo geral do trabalho é analisar os desafios e as possibilidades que as redes sociais digitais oferecem à comunicação escrita na contemporaneidade, com foco nas implicações educacionais. Para alcance deste, propõe-se o uso dos seguintes objetivos específicos: (I) Investigar como as redes sociais digitais impactam os processos de leitura e escrita dos usuários; (II) Identificar os principais desafios enfrentados no contexto escolar quanto ao uso das redes sociais na formação da escrita; (III) Apontar estratégias pedagógicas que favoreçam o uso crítico e criativo das redes sociais na promoção de práticas discursivas significativas.

A estrutura do trabalho está organizada em cinco seções: na primeira, apresenta-se a introdução, na qual se contextualiza o tema, delimita-se o problema e explicitam-se os objetivos e a metodologia; na segunda seção, realiza-se a fundamentação teórica, baseada em autores contemporâneos que discutem a relação entre redes sociais, escrita e educação; na terceira, descrevem-se os procedimentos metodológicos adotados; a quarta seção é dedicada à análise e discussão dos dados e reflexões extraídas da literatura; por fim, na quinta seção, apresentam-se as considerações finais, sintetizando os principais resultados e propondo encaminhamentos para futuras pesquisas.

Diante disso, o presente estudo pretende contribuir com a comunidade acadêmica e com profissionais da educação na compreensão crítica das redes sociais como instrumentos que, embora apresentem desafios à comunicação escrita, também abrem horizontes para práticas inovadoras de ensino, aprendizagem e produção textual no século XXI.

FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA

O advento das redes sociais digitais transformou significativamente os modos de produção e circulação da escrita na contemporaneidade, modificando não apenas a linguagem utilizada pelos sujeitos, mas também o espaço social em que os discursos se constroem. Nesse novo cenário, os usuários deixam de ser apenas receptores passivos de conteúdo e tornam-se também produtores de enunciados, interagindo em tempo real com públicos diversos, em múltiplos formatos textuais. 

A escrita, nesse contexto, ganha novas dimensões de sentido, sendo influenciada por fatores como instantaneidade, fragmentação, multimodalidade e interatividade. Segundo Gomes (2021), essa reconfiguração das práticas comunicativas demanda uma compreensão mais ampla das competências linguísticas exigidas no ambiente digital, as quais não se limitam às normas gramaticais, mas incluem também aspectos discursivos, sociais e tecnológicos.

A presença das redes sociais na vida cotidiana, especialmente entre jovens e adolescentes, tem gerado debates sobre a qualidade da escrita e os impactos dessas plataformas na formação do sujeito-leitor-escritor. De acordo com Barreto et al. (2018), os dispositivos móveis digitais, aliados ao uso intensivo de redes sociais, proporcionam novas possibilidades para o ensino e aprendizagem da leitura e da escrita, mas também impõem desafios metodológicos aos professores. Tais desafios incluem desde o domínio técnico das ferramentas até a elaboração de propostas pedagógicas que integrem criticamente as linguagens digitais. 

Essa discussão é reforçada por Gaydeczka e Karwoski (2015), ao afirmarem que a pedagogia dos multiletramentos se apresenta como um caminho promissor para lidar com a diversidade textual presente nas redes sociais, exigindo do educador uma atuação mais sensível às novas formas de produção de sentido.

Nesse sentido, Blikstein (2024) contribui com reflexões acerca das técnicas de comunicação escrita, argumentando que a clareza, a coesão e a coerência continuam sendo elementos centrais na produção textual, independentemente do suporte em que se escreve. O autor ressalta, contudo, que a linguagem digital introduz novas estratégias de construção do discurso, como a utilização de hiperlinks, emojis e hashtags, que demandam dos sujeitos novas habilidades de leitura e escrita. 

Assim, a comunicação escrita nas redes sociais não deve ser vista como uma deterioração da língua, mas como uma forma distinta de expressão, com características próprias, que precisa ser compreendida em sua complexidade.

Moretto e Feitoza (2021) destacam que as TDICs, quando bem utilizadas, podem favorecer a autonomia do estudante e ampliar o seu repertório comunicativo. No entanto, os autores alertam que o uso dessas tecnologias no contexto educacional exige um planejamento didático que considere os objetivos de aprendizagem e as especificidades do meio digital. 

Nessa perspectiva, é fundamental que o ensino da escrita contemple as diferentes linguagens utilizadas nas redes sociais, desenvolvendo nos alunos a capacidade de produzir textos adequados a cada situação de comunicação. Essa visão é compartilhada por De Novaes Alves et al. (2025), que enfatizam a importância de um olhar crítico sobre as redes sociais, reconhecendo tanto seus potenciais quanto seus limites no processo de alfabetização e letramento.

Em relação à escrita nos ambientes digitais, Kersch et al. (2017) apontam que as redes sociais promovem conexões afetivas e cognitivas entre os sujeitos, favorecendo a construção coletiva do conhecimento. A escrita, nesse ambiente, deixa de ser uma atividade solitária e passa a integrar práticas colaborativas, nas quais os textos são frequentemente comentados, compartilhados e reformulados. Nesse contexto, a autoria torna-se fluida e a noção de texto como produto fechado é substituída pela ideia de texto em constante atualização.

Em consonância com essa análise, Santos e Silva Neto (2025) discutem o fenômeno da “escrita-fantasma” nas redes, caracterizado pelo uso de textos predefinidos, memes, modelos e estruturas padronizadas, o que pode limitar a criatividade e a autonomia dos sujeitos na produção textual. A escrita nas redes, embora mais acessível e democratizada, também está sujeita a processos de padronização e homogeneização discursiva, que devem ser problematizados no ambiente escolar. Como observam os autores:

Na sociedade de midiatização, o sujeito se comunica por meio de dispositivos que não apenas mediam, mas moldam a forma como os textos são produzidos, compartilhados e apropriados. A escrita, nesse contexto, assume uma aparência de espontaneidade, mas frequentemente está sujeita a algoritmos, filtros e padrões discursivos impostos pelas plataformas. (Santos; Silva Neto, 2025, p. 5)

A análise desse trecho permite compreender que a escrita digital não é isenta de condicionantes sociais e tecnológicos. Ao contrário, está profundamente atravessada por mecanismos de controle e direcionamento discursivo, muitas vezes invisíveis ao usuário comum. Isso exige do educador uma postura crítica diante das redes sociais, de modo a capacitar os alunos para uma leitura consciente e uma escrita autêntica, que vá além da mera reprodução de modelos prontos.

Nesse mesmo eixo de discussão, Massini et al. (2023) destacam as estratégias utilizadas por sujeitos que escrevem em blogs, vlogs e podcasts, ressaltando que a escrita digital exige domínio de múltiplas linguagens e formas de argumentação. A comunicação online, segundo os autores, é marcada por um dinamismo que desafia os padrões tradicionais da escrita escolar. Para eles:

O universo das redes sociais demanda um tipo de escrita mais ágil, persuasiva e visual, que articula elementos verbais, não verbais e audiovisuais. Nesse cenário, o sujeito precisa saber adequar seu discurso ao público, ao gênero textual e à plataforma utilizada, mobilizando conhecimentos linguísticos, estéticos e comunicativos. (Massini et al., 2023, p. 6)

Tal constatação reforça a ideia de que o ensino da escrita precisa considerar as especificidades da linguagem digital, superando uma visão puramente normativa da língua. A valorização da diversidade textual e da criatividade linguística é fundamental para formar sujeitos capazes de se expressar com clareza e criticidade nas diferentes esferas da vida social.

Além disso, Vieira e Silva (2020) defendem que as redes sociais podem ser espaços potentes para o desenvolvimento de práticas argumentativas, desde que utilizadas de forma intencional e orientada pedagogicamente. Para isso, é necessário que o professor estimule a produção de textos que promovam o diálogo, a problematização e a construção coletiva do saber. 

Essa abordagem dialoga com as ideias de Sousa et al. (2022), que analisam os enunciados responsivos na rede social Facebook e concluem que esse ambiente favorece o exercício da argumentação e do posicionamento crítico, desde que o sujeito esteja consciente das regras de interação e do papel social da linguagem.

Outro aspecto importante diz respeito ao papel da escola na mediação do uso das redes sociais como instrumentos pedagógicos. Scrimim (2015) investiga o uso do Facebook como ferramenta de incentivo à leitura e à escrita, constatando que, quando há intencionalidade educativa, a rede pode ampliar o engajamento dos estudantes e melhorar seu desempenho comunicativo. No entanto, a autora adverte que o sucesso dessa proposta depende da formação dos professores e da existência de um projeto pedagógico que contemple a integração das TDICs ao currículo escolar.

Dessa forma, a literatura aponta que o uso das redes sociais no ensino da escrita não deve se restringir à instrumentalização tecnológica. É preciso, antes, uma abordagem crítica e reflexiva, que considere o contexto sociocultural dos alunos, as características das plataformas digitais e os objetivos educacionais. Como observa Nonato e Sales (2019), é necessário repensar o papel da escrita na cultura digital, compreendendo-a não apenas como habilidade técnica, mas como prática social carregada de significados.

Portanto, os desafios e possibilidades da comunicação escrita nas redes sociais estão diretamente relacionados à capacidade da escola de dialogar com as práticas digitais dos alunos, integrando-as ao processo de ensino-aprendizagem de forma consciente, crítica e inovadora. 

A construção de uma pedagogia que valorize os multiletramentos e promova a autoria é essencial para preparar os sujeitos para atuar em uma sociedade cada vez mais conectada, interativa e marcada pela linguagem.

PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS

O referido estudo caracteriza-se como uma pesquisa bibliográfica, de natureza qualitativa, com enfoque exploratório e analítico. Trata-se de um estudo fundamentado na análise de produções acadêmicas disponíveis em plataformas digitais de livre acesso, com o objetivo de refletir sobre os desafios e possibilidades da comunicação escrita no contexto das redes sociais digitais. 

A pesquisa foi realizada de forma remota, utilizando como cenário os ambientes virtuais de consulta e armazenamento científico, especificamente o Google Acadêmico e o portal de Periódicos da CAPES, fontes reconhecidas pela confiabilidade e variedade de publicações científicas de qualidade.

O recorte temporal estabelecido abrangeu publicações dos últimos dez anos (2015 a 2025), com a finalidade de garantir a atualidade e relevância das reflexões sobre as práticas comunicativas em ambientes digitais contemporâneos. 

Para a seleção das fontes, foram definidos critérios de inclusão como: pertinência ao tema proposto (escrita digital, redes sociais, linguagem, letramento digital, multiletramentos e ensino de escrita); reconhecimento acadêmico dos autores; e publicação em periódicos científicos ou editoras confiáveis. Como critérios de exclusão, foram descartadas publicações sem referencial teórico consolidado, textos opinativos ou artigos sem revisão por pares.

Os autores selecionados, como: Massini et al. (2023), Gomes (2021), Nonato e Sales (2019), entre outros, foram escolhidos em razão da consistência teórica, da proximidade com o tema e da atualidade das abordagens. A escolha das referências buscou diversificar olhares e perspectivas, contemplando estudos com foco pedagógico, linguístico e tecnológico. Essa diversidade permitiu uma compreensão mais ampla e crítica do fenômeno analisado.

No que se refere aos procedimentos éticos, por tratar-se de uma pesquisa exclusivamente bibliográfica, não houve envolvimento direto com seres humanos, não sendo necessária submissão a comitê de ética. Entretanto, foram rigorosamente respeitados os princípios da ética acadêmica, como a devida citação das fontes, evitando-se qualquer forma de plágio ou uso indevido de ideias.

A coleta de dados consistiu na busca por artigos, livros e dissertações que tratassem da relação entre redes sociais e comunicação escrita, utilizando palavras-chave como “escrita digital”, “redes sociais”, “letramento digital” e “comunicação online”. 

A análise do material coletado foi realizada de forma crítica e reflexiva, com base na leitura criteriosa, fichamento temático e identificação de convergências e divergências entre os autores. A abordagem utilizada foi analítico-descritiva, permitindo tanto a descrição dos dados como a construção de interpretações sobre os achados da literatura.

Desse modo, a metodologia adotada nesta pesquisa permitiu uma compreensão aprofundada do fenômeno investigado, respeitando os parâmetros científicos exigidos pela produção acadêmica, e garantindo a coerência entre os objetivos propostos, os métodos empregados e os resultados esperados.

RESULTADOS E DISCUSSÃO

A análise bibliográfica realizada permitiu identificar que a relação entre redes sociais digitais e a comunicação escrita é marcada por uma tensão entre o uso funcional da linguagem e os desafios impostos pelas novas formas de interação mediadas pelas tecnologias. Verificou-se que, embora existam preocupações com o impacto das redes sociais na qualidade da escrita, há consenso entre os autores quanto à necessidade de reconhecer a legitimidade dessas plataformas como espaços de produção textual (Gomes, 2021; Massini et al., 2023).

A pesquisa evidenciou que as redes sociais têm contribuído para o surgimento de novas práticas de letramento, nas quais a escrita adquire características multimodais e dialógicas. Segundo Nonato e Sales (2019), essa transformação exige dos sujeitos não apenas domínio da norma-padrão, mas também capacidade de adaptação discursiva aos diferentes contextos digitais. Os textos produzidos nesses ambientes são, em geral, mais breves, interativos e marcados por uma linguagem híbrida, o que desafia os modelos tradicionais de ensino da escrita.

Outro aspecto relevante diz respeito à necessidade de repensar a formação docente. Barreto et al. (2018) e Gaydeczka e Karwoski (2015) destacam que o uso pedagógico das redes sociais requer não apenas domínio técnico das plataformas, mas também uma compreensão crítica das práticas comunicativas contemporâneas. A escola, nesse sentido, deve deixar de encarar a linguagem digital como ameaça e passar a utilizá-la como recurso didático, ampliando o repertório discursivo dos alunos e promovendo sua participação cidadã.

Além disso, os estudos consultados revelam que a escrita nas redes pode estimular o desenvolvimento de habilidades argumentativas, criativas e colaborativas (Vieira; Silva, 2020; Sousa et al., 2022). No entanto, tal potencial depende da mediação pedagógica e da proposição de atividades que integrem intencionalmente essas práticas ao processo de ensino-aprendizagem.

Constatou-se que o uso consciente e crítico das redes sociais na educação pode contribuir para a formação de sujeitos autônomos e capazes de atuar nas múltiplas esferas da vida social por meio da linguagem, reafirmando o papel transformador da escrita no contexto da cultura digital.

Esses resultados reforçam a importância de uma abordagem pedagógica que compreenda as redes sociais como espaços legítimos de produção textual, e não como meras ferramentas de distração. Como defendem De Oliveira, Baptista e Arão (2016), a escola deve assumir um papel mediador entre as práticas espontâneas de escrita dos alunos e os gêneros textuais exigidos na vida acadêmica e profissional. Para isso, é necessário investir em estratégias que promovam o letramento digital crítico, que envolva a análise dos discursos circulantes nas redes, o reconhecimento das intenções comunicativas e a reflexão sobre os efeitos sociais da linguagem.

A integração das redes sociais ao ensino da escrita não deve ocorrer de forma superficial ou apenas para motivar os estudantes, mas sim como meio de potencializar sua capacidade de expressão, de argumentação e de construção de sentido. Assim, os desafios identificados pela literatura não anulam as possibilidades, mas indicam a urgência de reformulações metodológicas e curriculares que dialoguem com os contextos comunicacionais atuais.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

O presente estudo teve como objetivo analisar os desafios e as possibilidades que as redes sociais digitais oferecem à comunicação escrita, com foco nas implicações pedagógicas e sociais dessas práticas discursivas na contemporaneidade. A partir da análise de referenciais teóricos recentes e relevantes, foi possível compreender que a escrita, no contexto das redes sociais, adquire novas configurações, exigindo habilidades que vão além do domínio da norma culta, como a capacidade de adaptação a diferentes contextos, interlocutores e linguagens.

Verificou-se que, embora existam críticas quanto ao impacto das redes sociais na qualidade da escrita, essas plataformas também oferecem oportunidades significativas para o desenvolvimento de competências comunicativas, argumentativas e criativas. Quando mediadas por práticas pedagógicas intencionais e reflexivas, as redes sociais podem funcionar como espaços de letramento digital, capazes de ampliar as formas de expressão e participação dos sujeitos.

Ademais, os resultados evidenciaram a necessidade de formação docente contínua e crítica, que capacite os educadores a integrarem as Tecnologias Digitais de Informação e Comunicação (TDICs) de forma significativa ao ensino da língua portuguesa. O papel da escola, nesse contexto, é fundamental para que os estudantes desenvolvam uma escrita mais consciente, ética e adequada às demandas da sociedade midiatizada.

Dessa forma, é possível concluir que o uso pedagógico das redes sociais, aliado a uma proposta de ensino que valorize os multiletramentos, pode contribuir para a formação de sujeitos mais críticos, autônomos e preparados para os desafios da comunicação no século XXI. Espera-se que este estudo colabore com novas reflexões e práticas educativas voltadas para a articulação entre linguagem, tecnologia e cidadania.

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Oliveira, José Nilson dos Santos. Rede social e comunicação escrita: Desafios e possibilidades.International Integralize Scientific. v 5, n 50, Agosto/2025 ISSN/3085-654X

Referencias

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Disponível em: https://academic.oup.com/cid/article/67/7/1208/6141108.
Acesso em: 2024-09-03.

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Rede social e comunicação escrita: Desafios e possibilidades

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