Os gêneros textuais no ensino fundamental e o ensino e aprendizagem

TEXTUAL GENRES IN ELEMENTARY EDUCATION AND TEACHING AND LEARNING

GÉNEROS TEXTUALES EN LA EDUCACIÓN PRIMARIA Y EN LA ENSEÑANZA Y EL APRENDIZAJE

Autor

URL do Artigo

https://iiscientific.com/artigos/F890A3

DOI

doi.org/10.63391/F890A3

Santos, Maria Erisvânia Rodrigues dos . Os gêneros textuais no ensino fundamental e o ensino e aprendizagem. International Integralize Scientific. v 5, n 51, Setembro/2025 ISSN/3085-654X

Resumo

Este trabalho se constitui em discutir os gêneros textuais dentro do processo de ensino e aprendizagem do ensino fundamental, fundamentando-se em entender o que são gêneros textuais, tipo e classificação; analisar os gêneros textuais e o ensino e aprendizagem; compreender o ensino dos gêneros textuais no ensino fundamental. Assim, entender a importância dos gêneros textuais para o ensino e aprendizagem, que percorre toda a educação básica como a superior, enfatizando a importância dos mesmos no contexto do ensino fundamental. Refletindo a grande importância da produção e da compreensão de diferentes gêneros textuais no desenvolvimento crítico, linguístico, social e cognitivo dos alunos em formação escolar contínua.
Palavras-chave
ensino; fundamental; gêneros; textuais.

Summary

This work discusses textual genres within the teaching and learning process in elementary school. It is based on understanding textual genres, their types, and classifications; analyzing textual genres and teaching and learning; and understanding the teaching of textual genres in elementary school. Thus, it is important to understand the importance of textual genres for teaching and learning, which permeates both basic and higher education, emphasizing their importance in the context of elementary school. It reflects the significant importance of the production and understanding of different textual genres in the critical, linguistic, social, and cognitive development of students in continuing education.
Keywords
teaching; elementary; genres; textual.

Resumen

Este trabajo aborda los géneros textuales en el proceso de enseñanza y aprendizaje en la educación primaria. Se basa en la comprensión de los géneros textuales, sus tipos y clasificaciones; el análisis de los géneros textuales y su enseñanza y aprendizaje; y la comprensión de la enseñanza de los géneros textuales en la educación primaria. Por lo tanto, es fundamental comprender la importancia de los géneros textuales para la enseñanza y el aprendizaje, que permea tanto la educación básica como la superior, destacando su relevancia en el contexto de la educación primaria. Refleja la importancia de la producción y comprensión de diferentes géneros textuales en el desarrollo crítico, lingüístico, social y cognitivo del alumnado en formación continua.
Palavras-clave
enseñanza; primaria; géneros; textual.

INTRODUÇÃO

Os gêneros textuais, no âmbito do ensino de línguas, apresentam-se como um instrumento inesgotável e de fundamental importância, pois é por meio deles que ocorrem trocas interativas nas mais variadas esferas e contextos sociais, há inúmeros gêneros textuais que permitem essa interação, esse diálogo entre autor e leitor por meio do texto escrito, na medida em que o redator se pergunta: para quê e para quem irá escrever.

Sabe-se que a apropriação da linguagem escrita ocorre mediante a aliança das práticas de alfabetização e de letramento, este trabalho parte do pressuposto que o ensino dos gêneros textuais seja fundamental para que os alunos aprendam a ler e a escrever textos que fazem parte de seu cotidiano e de outros espaços sociais dos quais elas possam vir a participar. Desse modo, o ensino dos gêneros textuais justifica-se, uma vez que os gêneros representam a concretização dos enunciados linguísticos em práticas reais de uso da linguagem, ou seja, os gêneros textuais escritos apresentam-se como produto final da escrita e aprendê-los significa apropriar-se das práticas de linguagem escritas nos mais diversos espaços sociais.

Os gêneros textuais, por sua vez, têm como funções básicas a de permitir a comunicação dos indivíduos e a de guardar informações de uma sociedade, e, por meio deles, seus falantes expressam seus pensamentos, vontades e decisões. A forma que dá valia poder de documento, a essas expressões é a forma escrita, por esse motivo os estudiosos da linguagem preocuparam-se em instituir normas e regras para esses gêneros, para que assim se tenha um padrão estrutural para cada gênero textual.

No que tange a normatização da escrita, os estudiosos formularam livros e técnicas que tiveram e têm como objetivo a padronização dos gêneros escritos através de regras, que muitas vezes não levam em consideração a produção oral dos falantes da língua e nem os gêneros mais literários, deixando dessa maneira os gêneros mais simples como sendo os menos valorizados e até mesmo menos estudados e produzidos.

Os Parâmetros Curriculares Nacionais mencionam essa noção e se valem dela para tratar das práticas de compreensão e produção de textos orais e escritos. Os critérios de avaliação de livros didáticos do PNLD (Programa Nacional do Livro Didático) enfatizam a importância da diversidade de gêneros textuais nas atividades de compreensão e produção de textos, tanto escritos quanto orais. Além de se depararem com um discurso acadêmico que compreendem muito pouco, sofrem o impacto de não conseguirem organizar de modo reflexivo a expressão escrita em gêneros científicos.

O objetivo geral desse trabalho visa compreender os gêneros textuais dentro do processo de ensino e aprendizagem do ensino fundamental, haja vista que nessa fase os aprendentes devem compreender os gêneros diversos, a fim de consolidar a compreensão e interpretação desses textos.

Quanto aos objetivos específicos são: entender o que são gêneros textuais, tipo e classificação; analisar os gêneros textuais e o ensino e aprendizagem; compreender o ensino dos gêneros textuais no ensino fundamental anos iniciais e finais.

Ao atuar na docência no ensino fundamental, percebe-se que boa parte dos alunos ainda não estão alfabetizados, logo, isso compromete o aprendizado das demais componentes curriculares, sendo de extrema necessidade a abordagem dos gêneros textuais nessa etapa escolar. 

Já a metodologia desse artigo se baseia em uma linha de pesquisa bibliográfica, utilizando-se de conceitos argumentativos e discursivos. Fundamentado se em Aranha (2009), Coscarelli(2009),  Marcuschi (2002) e os Parâmetros Curriculares Nacionais (1997,1998, 2001) .

GÊNEROS TEXTUAIS

Os gêneros textuais são considerados um conjunto de textos orais, escritos e visuais socialmente reconhecidos por suas características semelhantes. Os gêneros textuais classificam os textos de acordo com suas funções sociocomunicativas. Sendo assim: 

Os gêneros textuais são formas de uso da linguagem que se estabilizam historicamente em função das necessidades comunicativas dos grupos sociais. Eles são definidos por propriedades como conteúdo temático, estilo e composição, e estão diretamente ligados às atividades comunicativas da vida cotidiana. (Bakhtin, 2003, p. 279).

A tipologia textual classifica os textos quanto à forma, isto é, como os seus elementos linguísticos estruturais como: sintáticos, lexicais, sequenciais e composicionais, se organizam para que o texto cumpra com a sua função comunicativa: 

A expressão gênero textual como uma noção propositadamente vaga para referir os textos materializados que encontramos em nossa vida diária e que apresentam características sócio-comunicativas definidas por conteúdos, propriedades funcionais, estilo e composição característica. […] os gêneros são muitos. Alguns exemplos de gêneros textuais seriam: telefonema, sermão, carta comercial, carta pessoal, romance, bilhete, reportagem jornalística, aula expositiva, reunião de condomínio, notícia jornalística, horóscopo, receita culinária, bula de remédio, lista de compras, cardápio de restaurante, instruções de uso, outdoor, inquérito policial, resenha, edital de concurso, piada, conversação espontânea, conferência, carta eletrônica, bate-papo por computador, aulas virtuais e assim por diante (Marcuschi, 2002, p. 22-23).

São considerados tipos de gêneros textuais: narrativo, deve apresentar personagens, um enredo, um narrador ou foco narrativo, um espaço onde se desenrola a história, num determinado intervalo temporal, como romance, novela, crônica, conto, biografia; descritivos, são textos que, descrevem ou relatam situações, lugares, coisas ou pessoas detalhadamente, exemplos: cardápio, relato de viagem, diário, folheto turístico, classificados; argumentativos o emissor defende ou critica um determinado ponto de vista por meio de argumentos, sua estrutura é semelhante ás das dissertações escolares, composta por introdução, desenvolvimento e conclusão, como resenha crítica, editorial jornalístico, abaixo-assinado, manifesto, carta de opinião; expositivo tem por objetivo apresentar um assunto ou acrescentar informações sobre um determinado tema. 

Para tanto, estes textos costumam apresentar testemunhos, datas, fontes autorizadas de pesquisa, dados estatísticos, descrições, comparações, definições, entre outros, são exemplos; verbetes de dicionário; enciclopédia, seminário, jornal, entrevista; os injuntivos apresentam ordens ou instruções ao receptor, tentando persuadi-lo ou orientá-lo. Nesse tipo textual, é comum o uso de verbos no infinitivo, que indicam mando ou pedido, exemplos do mesmo, culinária, manual de instruções, bula de remédio, regulamento, propaganda. Dessa forma: 

[…] o texto ganha centralidade na definição dos conteúdos, habilidades e objetivos, considerado a partir de seu pertencimento a um gênero discursivo que circula em diferentes esferas/campos sociais de atividade/comunicação/uso da linguagem. Os conhecimentos sobre os gêneros, sobre os textos, sobre a língua, sobre a normapadrão, sobre as diferentes linguagens (semioses) devem ser mobilizados em favor do desenvolvimento das capacidades de leitura, produção e tratamento das linguagens, que, por sua vez, devem estar a serviço da ampliação das possibilidades de participação em práticas de diferentes esferas/campos de atividades humanas (Brasil, 2018, p. 67).

As novas tecnologias da comunicação propiciam o surgimento de novos gêneros textuais, há uma intensidade de uso dessas tecnologias, nas atividades comunicativas. Esses gêneros surgiu no contexto das diversas mídias criaram formas comunicativas mais dinâmica com esses gêneros textuais novos; Neste sentido nas atividades humanas no dia a dia, usa se variedades de gêneros: no e-mail, uma bula de remédio,  uma receita para fazer uma comida, quando se ler um cardápio de um restaurante, uma placa de um veículo, uma lista de compras, ouvir uma propaganda na rua, um diálogo com uma pessoa, assistir um jornal na TV, ao receber um convite para um casamento.                    

A inclusão de gêneros textuais, e seus usos no cotidiano escolar, o professor deve organizar e selecionar os gêneros para serem trabalhados na sala de aula, porém para se trabalhar com os diferentes gêneros textuais com os alunos, deve se saber explorar exatamente qual é a finalidade deste texto e a razão pelo o qual, esse texto existe numa situação de comunicação. 

Não é preciso conhecer todos os gêneros textuais. Há gêneros para ler e gêneros para escrever, para ouvir, para falar. A maioria das pessoas não precisa saber escrever bula de remédio, mas a maioria delas precisam saber ler onde encontrar as informações de que precisamos […] (Coscarelli, 2009, P. 83).

Pode-se destacar que existem os gêneros textuais acadêmicos como o artigo que talvez seja o mais conhecido e produzido ao longo de toda a carreira. Ele é um documento importante, que apresenta uma investigação científica, com um problema a ser investigado, por exemplo: objetivos, materiais e métodos que foram utilizados na pesquisa, uma análise e considerações sobre a investigação do problema. Ele possui uma linguagem objetivamente científica, com citações comprovadas e deve obedecer uma certa estrutura, com introdução, métodos, resultados e discussão; A resenha é um tipo de texto que serve para divulgar novos estudos ou obras,  ela é uma forma de atualizar tanto o leitor da academia, como o público leigo, é dos gêneros acadêmicos mais leves de se ler, sem tantas formalidade do meio acadêmico, embora contenha citações e bibliografia comprovadas, pode ser um tipo de escrita que serve para expandir o conhecimento em geral, emitir julgamento de verdade ou valor. Dessa forma, podem existir alguns tipos de resenhas específicas. 

A compreensão de um texto é um processo que se caracteriza pela utilização do conhecimento prévio: o leitor utiliza na leitura o que ele já sabe, o conhecimento adquirido ao longo de sua vida. É mediante a interação de diversos níveis: conhecimento textual, conhecimento linguístico e conhecimento do mundo, […]. E porque o leitor utiliza justamente diversos níveis de conhecimento que interage entre si, a leitura é considerada um processo interativo. Pode-se dizer com segurança que sem o engajamento do conhecimento prévio do leitor não haverá compreensão (Kleiman, 1989, p. 152).

A resenha descritiva, por exemplo, que é um gênero de texto que contém um tipo de crítica. Essa categoria textual, também, traz a explanação de um conteúdo determinado como conhecimento ou verdade, dessa forma, ela faz um julgamento de verdade sobre determinada obra ou estudo; Já a resenha crítica, que é um dos gêneros acadêmicos de texto que contém uma avaliação valorativa de uma obra, considera os diversos aspectos formais que nela estão contidos, como: Estética, estilo, etc. neste sentido, seu objetivo não é um julgamento de verdade, mas sim de valores, por exemplo: Qual é a representatividade de determinada obra, nesse estilo de texto, é evidenciada a postura do escritor diante do objeto que será escrito; resenhas temáticas um tipo de resenha abarca vários tipos de autores, mas que abordam o mesmo tema com um norte principal de pensamento, nesta resenha são explanados os diferentes textos desses autores e assim comparados a sua relevância para o objetivo de estudo que será escrito; resenha-resumo, pode ser um tipo de resenha bem comum e simples de se fazer, basicamente um tipo de resumo sem atribuir nenhum tipo de julgamento ou comparação. 

Por outro lado, o ensaio, que por sinal pode ser considerado o gênero mais flexível, comparado aos outros gêneros, mas isso não quer dizer que não deva obedecer às normas, dessa forma, o redator desse texto deve ter cuidado para não cometer erros, uma boa coerência nesse texto demonstra comprometimento e seriedade intelectual por parte do ensaísta;  fichamento é um gênero de texto que não é possível ser publicado serve mais como um guia de estudo e é um registro bibliográfico de uma disciplina específica, dessa forma, ele serve somente ao aluno que irá elaborar a ficha de leitura, pois é caracterizado pelo roteiro de estudo subjetivo de cada aluno; position paper é um artigo de forma reduzida e contextualizada, conforme os autores se posicionam a determinados assuntos ou temas, sendo um gênero de texto objetivo e simples, mas deve conter a devida contextualização, não tem valor de publicação, mas pode ser muito útil para organizar os estudos. Assim:

A necessidade de dominar gêneros acadêmicos é inquestionável, mas os meios para alcançar esse domínio parecem ser limitados. Cursos de graduação no Brasil não incluem disciplinas cujos objetivos são desenvolver as habilidades de escrita dos alunos, nem mesmo em sua língua materna (o curso descrito por Figueiredo e Bonine é uma exceção e não é parte do programa regular de graduação no qual foi ensinado), embora seja esperado que os alunos publiquem os resultados de suas investigações. (Aranha 2009, p. 465).

Em suma, com a grande variedade de gêneros textuais, faz-necessário conhecer as características dos mesmos, para uma comunicação eficiente dentro das práticas sociais.

O ENSINO E APRENDIZAGEM E OS GÊNEROS TEXTUAIS 

Quando se fala do ensino-aprendizagem dos gêneros textuais na escola, é de fundamental importância, antes, que fique claro qual é a concepção de língua e de linguagem. Também que se discutam os conceitos de discurso e de texto revelando a relação que se estabelece entre eles e o gênero textual no qual se concretizam

O texto, num âmbito geral, é uma espécie de tecido formado por palavras que trata, reordena ou reconstrói o mundo; um tipo de entidade de comunicação que propicia um sentido completo, ou seja, o texto é a unidade máxima de funcionamento da língua que carrega os significados completos daquilo que se produz por meio dela. Se o texto é aquilo que produz sentido para os indivíduos por meio da língua, o discurso é aquilo que o texto produz como resultado de sua enunciação e isto é determinado segundo o contexto no qual ele é produzido. Assim, depreender se que o gênero textual se encontra entre o discurso e o texto, já que é por meio dele que ambos se unificam e se materializam socialmente.  

[…] deve-se ter o cuidado de não confundir texto e discurso como se fossem a mesma coisa. Embora haja muita discussão a esse respeito, pode-se dizer que texto é uma entidade concreta realizada materialmente e corporificada em algum gênero textual. Discurso é aquilo que um texto produz ao se manifestar em alguma instância discursiva. Assim, o discurso se realiza nos textos. Em outros termos, os textos realizam discursos em situações institucionais históricas, sociais e ideológicas (Marcuschi, 2002, p. 24).

O discurso somente se constrói motivado pela situação discursiva, ou seja, o contexto, e a partir de algo concreto. Um texto, por sua vez, como evento produtor de sentido, somente acontecerá se produzir um discurso motivado também por um contexto. Quando, a memória para recuperar e analisar informações sobre o tema e sobre a maneira correta de organizar as ideias. Assim, produzir um texto envolve, uma combinação de conhecimentos e habilidades que precisam ser desenvolvidos ao longo do aprendizado.

Existe uma grande diversidade de gêneros textuais onde os mesmos estão presentes dentro do processo educacional desde a educação básica até a educação superior. É notório que existem muitos alunos que não conseguem o domínio, compreensão e distinção dos mesmos, dessa forma, prejudicando o desenvolvimento da aprendizagem principalmente na questão da escrita e da compreensão de textos e por consequência no prejudicando o desenvolvimento do letramento.

O ENSINO FUNDAMENTAL E OS GÊNEROS TEXTUAIS 

O ensino fundamental é a etapa da educação básica na qual os discentes constroem sua base de conhecimentos que possibilita o prosseguimento de sua carreira estudantil com uma aprendizagem satisfatória dessa forma a compreensão dos gêneros textuais nessa fase do ensino é indispensável. 

Tendo em vista a condição para a integração na vida social e profissional, produzir textos diversos dentro das convenções da língua e da comunicação tem papel importante na socialização e êxito escolar. Portanto, a língua oral e escrita atua como instrumento de mediação dos comportamentos humanos, e, nas atividades escolares a leitura e a escrita são necessárias para o bom desempenho em todas as disciplinas, pelo uso de ambas na leitura dos textos e na socialização das aprendizagens. 

Além desses aspectos, ler envolve mais do que compreender, pois, a leitura é prazer para os sentidos e abstração do mundo dos sentidos; é uma experiência única e individual e evento social e coletivo; fazendo parte dela tanto o entendido como os mal-entendidos. O conhecimento textual é o conjunto de noções e conceitos sobre o texto, ele faz parte do conhecimento prévio e desempenha um papel importante na compreensão do texto. (Santos. 2006, p.25) afirma que: A razão para as diferenças dos tipos textuais encontra-se, portanto, nos diferentes propósitos sociais de cada texto. Da mesma forma, a leitura não pode ser tomada como uma habilidade única que independe do texto a ser lido.

Os gêneros textuais, nos anos iniciais do ensino fundamental, são fundamentais para ensinar os estudantes a produzir, reconhecer e utilizar diferentes gêneros textuais, sendo essencial que o professor compreenda claramente cada gênero que deseja trabalhar em sala de aula. Assim, o professor deve proporcionar atividades que possibilitem a reflexão sobre os textos, através de intervenções planejadas, de forma que os alunos possam analisar as características de cada gênero e os contextos em que são inseridos. É importante ressaltar que os gêneros textuais conectam as práticas sociais aos conteúdos escolares, viabilizando que os discentes compreendam o funcionamento social da língua, englobando as funções específicas de cada gênero em cenários fora da escola.

As formas de linguagem se organizam em verbal, não verbal e multimodal, e o conhecimento e habilidades das pessoas se fortalece mediante essas diferentes formas. Toda prática linguística oportuniza uma perspectiva de conhecimento, possibilitando às pessoas compreender melhor a si mesmo e o mundo ao seu redor. Segundo a BNCC, a aprendizagem inicial das práticas de leitura, escrita, fala e escuta deve respaldar-se na reorganização das interações que as crianças já vivenciaram, em situações variadas que exigem certa formalidade na comunicação, favorecendo para o enriquecimento do repertório linguístico. Dessa forma: 

O importante é que os alunos se apropriem das especificidades de cada linguagem, sem perder a visão do todo no qual elas estão inseridas, e observem que as particularidades têm sentidos construídos para determinados fins. Mais do que isso, é relevante que compreendam que as linguagens estão em constante processo de mutação e que todos participam deste processo direta ou indiretamente. (Brasil, 2017, p.65).

A Base Nacional Curricular Comum realça que o ensino da produção textual deve observar se as dimensões que envolvem tanto o uso quanto a reflexão sobre a linguagem. Dentre essas dimensões estão: compreender os diferentes contextos e situações sociais em que os textos são produzidos, perceber as variações formais, estilísticas e linguísticas que esses contextos exigem; analisar o papel social do autor e a imagem que ele deseja transmitir; considerar o público-alvo, o veículo ou a mídia de circulação, o contexto imediato e o contexto sociocultural mais amplo, além do gênero e do campo de atuação do texto.

Dessa forma, a escola precisa aumentar as vivências de letramento dos discentes, fortalecendo progressivamente a prática de estratégias de leitura em textos mais difíceis, no eixo de produção textual, motivando a prática da escrita em diferentes gêneros textuais no do componente curricular de língua portuguesa.

Já nos anos finais do fundamental, os alunos devem consolidar a aprendizagem dos gêneros textuais, a utilização dos gêneros na sala de aula e em todo contexto escolar é indispensável como também a interdisciplinaridade. Marcuschi fala que o ensino é mediado por gêneros.

[…] é uma fértil área interdisciplinar, com atenção especial para o funcionamento da língua e para as atividades culturais e sociais. Desde que não concebamos os gêneros como modelos estanques nem como estruturas rígidas, mas como formas culturais e cognitivas de ação social corporificadas de modo particular da linguagem, veremos os gêneros como entidades dinâmicas (Marcuschi, 2011, p. 18).

Ainda que se reconheça a existência de gêneros específicos produzidos em cada área do conhecimento, por exemplo: fábula na língua portuguesa; problema matemático na matemática; mapa geopolítico na geografia, também é fato que determinados gêneros da esfera escolar, por exemplo: o resumo de texto didático-científico, a linha do tempo, o questionário, o seminário, o cartaz que são comuns a diferentes disciplinas do currículo, ou seja, de uma forma ou de outra, e de um modo mais planejado ou não, professores de distintas disciplinas usam esses gêneros como instrumento didático para os alunos aprenderem conteúdos científicos. 

O paradigma interdisciplinar pode permear a proposta pedagógica como um todo, envolvendo todas as disciplinas de todos os anos de uma ou mais etapas da uso prejudicial de tecnologias digitais entre adolescentes e jovens ciências: estudo da física e da química das tecnologias digitais e possíveis prejuízos à saúde; uso de tecnologias no ensino escolar matemática: Formas geométricas, proporcionalidade, gráficos, volume; história a função das tecnologias digitais no mundo e no brasil e reflexões sobre sua utilização consciente filosofia e sociologia: compreensão e produção de textos digitais significativos (infográfico, comentário online, propaganda digital) língua estrangeira: textos, linguagens e tecnologias característicos empregados em suportes digitais e discussão sobre o uso funcional geografia: tipos de tecnologias digitais.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

O processo de aprendizagem da língua escrita e da leitura permeia todo o ensino fundamental, assim o ensino e aprendizagem estar interligado com os gêneros textual, tal qual apresentada, parece já suficiente para justificar a necessidade de seu aprendizado nas escolas, porém, soma-se a isto a noção de letramento. 

Assim, a qualidade da escrita dos gêneros textuais nas escolas significa, se apropriam de práticas de escrita que realmente ocorrem nas vidas dos discentes. 

O ato de ler deve ser uma atividade de rotina com indagação e reflexão crítica de entendimento, de capacitação de sentido e sinais, conteúdos, mensagens e de informação, ferramentas que estão contidas dentro do ensino e aprendizagem, presentes nos gêneros textuais. 

Os gêneros textuais estão presentes no cotidiano das pessoas, estão inseridos no contexto educacional em todos os segmentos, modalidades e níveis de ensino.

Portanto, os gêneros textuais são importantíssimos dentro do ensino e aprendizagem, principalmente, dentro do ensino fundamental, etapa em que tanto a criança, quanto o adolescente estão se apropriando da leitura e da escrita.   

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

ARANHA, S. A argumentação nas introduções de trabalhos científicos da área de Química 1996. 104f. Dissertação (Mestrado em Linguística Aplicada ao Ensino de Línguas) Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, São Paulo, 1996.

BAKHTIN, Mikhail. Estética da criação verbal. Tradução de Paulo Bezerra. 4. ed. São Paulo: Martins Fontes, 2003.

BRASIL, Secretaria de Educação Fundamental. Parâmetros curriculares nacionais: terceiro e quarto ciclos do ensino fundamental: Introdução aos parâmetros curriculares nacionais. Secretaria de Educação Fundamental. – Brasília: MEC/SEF, 1997.

BRASIL. Ministério da Educação. Base Nacional Comum Curricular. Brasília: MEC, 2018. Disponível em: http://basenacionalcomum.mec.gov.br/wpcontent/uploads/2023/07/BNCC.pdf. Acesso em: 08 janeiros 2024.

COSCARELLI, Carla Viana. Gêneros textuais na escola. UFMG 2009

KLEIMAN, Ângela. O conhecimento prévio na leitura. IN – Texto e leitor 2ª ed.: Campinas: São Paulo, Pontes 1989.

MARCUSCHI, Luiz Antônio. Gêneros textuais: Definição e funcionalidade. In: BEZERRA, Maria Auxiliadora; DIONISIO, Ângela Paiva; MACHADO, Anna Rachel. Gêneros textuais e ensino. Rio de Janeiro: Lucerna, 2002, p. 19-36.

SANTOS, Carmi Ferraz, MENDONÇA, Márcia, CAVALCANTE, Marianne. Diversidade textual: Os gêneros na sala de aula. Recife: Autêntica, 2006.

Santos, Maria Erisvânia Rodrigues dos . Os gêneros textuais no ensino fundamental e o ensino e aprendizagem.International Integralize Scientific. v 5, n 51, Setembro/2025 ISSN/3085-654X

Referencias

Vivian Caroline Coraucci.
BAILEY, C. J.; LEE, J. H.
Management of chlamydial infections: A comprehensive review.
Clinical infectious diseases.
v. 67
n. 7
p. 1208-1216,
2021.
Disponível em: https://academic.oup.com/cid/article/67/7/1208/6141108.
Acesso em: 2024-09-03.

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n. 51
Os gêneros textuais no ensino fundamental e o ensino e aprendizagem

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