O modelo Solow-Swan estendido: Reputação soberana como ativo estratégico na determinação do custo de financiamento governamental

THE EXTENDED SOLOW-SWAN MODEL: SOVEREIGN REPUTATION AS A STRATEGIC ASSET IN DETERMINING GOVERNMENT FINANCING COSTS

EL MODELO SOLOW-SWAN AMPLIADO: LA REPUTACIÓN SOBERANA COMO ACTIVO ESTRATÉGICO EN LA DETERMINACIÓN DEL COSTO DE FINANCIAMIENTO GUBERNAMENTAL

Autor

URL do Artigo

https://iiscientific.com/artigos/D853B5

DOI

doi.org/10.63391/D853B5

Carvalho, Rogério Galvão de . O modelo Solow-Swan estendido: Reputação soberana como ativo estratégico na determinação do custo de financiamento governamental. International Integralize Scientific. v 5, n 51, Setembro/2025 ISSN/3085-654X

Resumo

Este estudo propõe uma extensão do modelo de crescimento econômico Solow-Swan, incorporando a reputação soberana como um ativo estratégico comparável ao capital físico, trabalho e tecnologia. A premissa é que o custo de financiamento dos governos depende não apenas de fundamentos macroeconômicos clássicos, mas também de um capital intangível acumulado ou depreciado ao longo do tempo — a reputação soberana. A análise abrange as dez maiores economias mundiais (excluindo os EUA), entre 2000 e 2024, com análises quinquenais e considerando dois choques relevantes: a crise financeira global de 2008 e a pandemia de Covid-19. A metodologia integra Diferenças em Diferenças (DID), Análise Envoltória de Dados (DEA) e o desenvolvimento do Índice de Valor Reputacional (IVR). Inclui-se uma ressalva metodológica: embora o modelo Solow-Swan possa acomodar a reputação como insumo produtivo, é necessário um modelo estendido que trate a reputação como variável endógena, com dinâmica própria de acumulação e depreciação, incorporando fatores institucionais e comportamentais. Espera-se que o estudo forneça uma estrutura analítica robusta para entender como a reputação soberana influencia spreads soberanos, capacidade de rolagem da dívida e resiliência econômica.
Palavras-chave
reputação soberana; custo de financiamento; Solow-Swan estendido; índice de valor reputacional; economia reputacional.

Summary

This study proposes an extension of the Solow-Swan economic growth model by incorporating sovereign reputation as a strategic asset comparable to physical capital, labor, and technology. The premise is that government financing costs depend not only on classical macroeconomic fundamentals but also on an intangible capital accumulated or depreciated over time — sovereign reputation. The analysis covers the ten largest world economies (excluding the USA) from 2000 to 2024, with quinquennial assessments and two relevant shocks: the 2008 global financial crisis and the Covid-19 pandemic. The methodology integrates Differences-in-Differences (DID), Data Envelopment Analysis (DEA), and the development of a Reputational Value Index (RVI). A methodological caveat is included: although the Solow-Swan model can incorporate reputation as a productive input, an extended model is required to treat reputation as an endogenous variable with its own accumulation and depreciation dynamics, incorporating institutional and behavioral factors. The study aims to provide a robust analytical framework for understanding how sovereign reputation influences sovereign spreads, debt rollover capacity, and economic resilience.
Keywords
sovereign reputation; financing cost; extended Solow-Swan; reputational value index; reputational economy.

Resumen

Este estudio propone una extensión del modelo de crecimiento económico Solow-Swan, incorporando la reputación soberana como un activo estratégico comparable al capital físico, el trabajo y la tecnología. La premisa es que el costo de financiamiento de los gobiernos depende no solo de fundamentos macroeconómicos clásicos, sino también de un capital intangible acumulado o depreciado en el tiempo — la reputación soberana. El análisis abarca las diez mayores economías del mundo (excluyendo a EE. UU.) entre 2000 y 2024, con análisis quinquenales y considerando dos choques relevantes: la crisis financiera global de 2008 y la pandemia de Covid-19. La metodología integra Diferencias en Diferencias (DID), Análisis Envolvente de Datos (DEA) y el desarrollo del Índice de Valor Reputacional (IVR). Se incluye una salvedad metodológica: aunque el modelo Solow-Swan puede incorporar la reputación como insumo productivo, es necesario un modelo ampliado que trate la reputación como una variable endógena, con dinámica propia de acumulación y depreciación, incorporando factores institucionales y conductuales. Se espera que el estudio proporcione un marco analítico robusto para entender cómo la reputación soberana influye en los spreads soberanos, la capacidad de refinanciación de la deuda y la resiliencia económica.
Palavras-clave
reputación soberana; costo de financiamiento; Solow-Swan ampliado; índice de valor reputacional; economía reputacional.

INTRODUÇÃO

O custo de financiamento soberano é um elemento central na gestão macroeconômica, impactando diretamente a capacidade dos Estados de investir, financiar políticas públicas e sustentar estabilidade fiscal. Historicamente, análises econômicas explicam essa dinâmica a partir de fundamentos como a relação dívida/PIB, o saldo primário e o nível de reservas internacionais. Entretanto, evidências empíricas recentes mostram que essas variáveis não conseguem capturar integralmente as diferenças observadas nos custos de captação e na capacidade de rolagem da dívida entre países com indicadores macroeconômicos semelhantes. Essa constatação indica a presença de fatores adicionais que influenciam a avaliação dos investidores internacionais, sugerindo a existência de um ativo intangível (construído e acumulado ao longo do tempo) cuja influência sobre o custo de financiamento é significativa e ainda pouco explorada nas análises convencionais. Essa dimensão intangível, aqui entendida como reputação soberana, emerge como elemento estratégico na economia global, cuja mensuração e incorporação nas análises econômicas podem ampliar substancialmente a compreensão dos mecanismos de financiamento estatal.

A reputação soberana pode ser entendida como um ativo estratégico que reflete a confiança acumulada pelos mercados em relação à capacidade de um país honrar compromissos financeiros, manter políticas econômicas estáveis e responder adequadamente a choques externos. Sua dinâmica envolve elementos institucionais, históricos, políticos e de governança, tornando-a um componente complexo e multidimensional da economia reputacional. Incorporar essa variável ao modelo de crescimento econômico requer uma abordagem inovadora, capaz de tratar a reputação como insumo produtivo, sujeito a acumulação e depreciação, semelhante ao capital físico, trabalho e tecnologia. Essa perspectiva exige não apenas a construção de métricas robustas, como o Índice de Valor Reputacional (IVR), mas também a integração dessas métricas em modelos analíticos que capturem interações intertemporais e interespaciais. Ao adotar essa abordagem, abre-se a possibilidade de desenvolver modelos econômicos mais abrangentes, capazes de explicar melhor variações nos spreads soberanos e oferecer subsídios para políticas públicas orientadas à gestão estratégica da reputação internacional.

Esse estudo propõe avançar nessa direção, ampliando a análise tradicional ao incorporar a reputação soberana como variável endógena em um modelo de crescimento econômico estendido. Ao examinar um recorte espacial das dez maiores economias mundiais (excluindo os Estados Unidos) entre 2000 e 2024, considerando análises quinquenais e dois choques significativos (a crise financeira global de 2008 e a pandemia de Covid-19), busca-se oferecer uma compreensão mais completa das forças que moldam o custo de financiamento soberano. A abordagem metodológica combina Diferenças em Diferenças (DID), Análise Envoltória de Dados (DEA) e construção do IVR, permitindo avaliar tanto a dimensão quantitativa quanto a estratégica desse ativo intangível. Os resultados esperados incluem evidências robustas sobre como a reputação soberana influencia spreads e capacidade de rolagem da dívida, além de fornecer uma estrutura teórica inovadora para integrar reputação soberana no debate macroeconômico, ampliando a capacidade de formulação de políticas econômicas estratégicas.

REFERENCIAL TEÓRICO

O custo de financiamento soberano é tradicionalmente analisado no contexto dos fundamentos macroeconômicos, sendo a relação dívida/PIB, o saldo primário e as reservas internacionais os principais determinantes apontados pela literatura (Reinhart; Rogoff, 2010; Panizza; Presbitero, 2014). Esses indicadores são utilizados como sinais de solvência e capacidade de pagamento, influenciando diretamente o spread soberano praticado pelos mercados internacionais (Hilscher; Nosbusch, 2010). Contudo, estudos recentes indicam que a capacidade explicativa desses fatores é limitada, evidenciando lacunas na análise convencional e apontando para a existência de elementos intangíveis, como confiança e reputação soberana, capazes de influenciar significativamente o custo de captação (Aizenman; Glick; Hutchison, 2013; Cantor; Packer, 1996). A economia reputacional surge como campo emergente para compreender esse fenômeno, ao propor que a reputação nacional se constitui em um ativo estratégico, acumulável ou depreciável ao longo do tempo, influenciando decisões de investimento e custo de financiamento (Galvão de Carvalho, 2025).

A reputação soberana, enquanto conceito analítico, articula dimensões institucionais, políticas e econômicas, sendo construída a partir de históricos de credibilidade fiscal, estabilidade macroeconômica e coerência nas políticas públicas (North, 1990; Rodrik, 2004). Sua importância é reforçada em contextos de crise, quando a percepção internacional sobre a capacidade de resposta e resiliência do Estado pode alterar substancialmente o acesso a financiamento externo (Eichengreen; Mody, 2000). Nesse sentido, a reputação não é apenas um indicador de confiança, mas um ativo estratégico capaz de gerar efeitos comparativos entre economias com indicadores macroeconômicos similares (Lane, 2012). Sua análise exige uma abordagem interdisciplinar, integrando teorias de crescimento econômico, finanças públicas e governança internacional, considerando também sua dinâmica de acumulação e depreciação, que difere dos insumos tradicionais de produção (Fukuyama, 2011).

Modelos de crescimento econômico, especialmente o modelo Solow-Swan (Solow, 1956), fornecem estrutura teórica para compreender como fatores como capital físico, trabalho e progresso tecnológico determinam o crescimento de longo prazo. A inclusão da reputação soberana nesse quadro representa um avanço metodológico relevante, pois permite tratar esse ativo intangível como um insumo produtivo adicional (Aghion; Howitt, 2009). Essa abordagem requer a construção de um modelo estendido, no qual a reputação seja uma variável endógena com própria equação de acumulação e depreciação, considerando choques econômicos e variações institucionais (Acemoglu; Robinson, 2012). O desafio é operacionalizar a mensuração dessa variável, tarefa para a qual métodos como o Índice de Valor Reputacional (IVR) oferecem potencial, permitindo integrar aspectos qualitativos e quantitativos da reputação soberana.

No campo metodológico, Diferenças em Diferenças (DID) e Análise Envoltória de Dados (DEA) são técnicas adequadas para avaliar variações intertemporais e interespaciais do custo de financiamento em função da reputação soberana (Angrist; Pischke, 2008; Cooper; Seiford, 2009). DID possibilita isolar efeitos causais em cenários com choques exógenos, como a crise financeira de 2008 e a pandemia de Covid-19, enquanto DEA fornece análise de eficiência relativa entre países, considerando múltiplos insumos e outputs (Färe; Grosskopf, 2000). A combinação dessas metodologias com o IVR viabiliza uma análise robusta, integrando dimensões econômicas, institucionais e reputacionais, capaz de oferecer evidências empiricamente sustentadas sobre como a reputação soberana influencia spreads, capacidade de rolagem da dívida e resiliência macroeconômica.

As evidências empíricas existentes reforçam a relevância de incluir a reputação soberana nas análises de custo de financiamento. Estudos comparativos internacionais mostram que economias com padrões fiscais semelhantes apresentam spreads divergentes, frequentemente atribuídos a percepções diferenciadas de risco e confiança (Cantor; Packer, 1996; Hilscher; Nosbusch, 2010). Essa constatação abre caminho para uma análise intertemporal e interespacial, capaz de avaliar como eventos globais relevantes, como a crise de 2008 e a pandemia de Covid-19, alteram a dinâmica da reputação soberana e seu impacto sobre o custo de financiamento. Assim, a integração dessa variável em modelos de crescimento econômico amplia não apenas a capacidade explicativa da análise macroeconômica, mas também oferece insights estratégicos para a formulação de políticas públicas mais eficazes, alinhadas à gestão da reputação como ativo econômico nacional (Carvalho, 2024; e Carvalho, Araújo e Resende 2025).

METODOLOGIA

A pesquisa adota uma abordagem mista, combinando técnicas quantitativas avançadas e construção de métricas inovadoras, com objetivo de avaliar o impacto da reputação soberana sobre o custo de financiamento governamental. A análise é estruturada a partir da hipótese de que a reputação soberana funciona como um ativo econômico estratégico, acumulável e depreciável ao longo do tempo, influenciando spreads soberanos e capacidade de rolagem da dívida. A operacionalização dessa hipótese demanda uma modelagem que combine métodos econométricos robustos e análise de eficiência, complementados pela construção de um índice específico para capturar a dimensão reputacional.

O escopo temporal definido abrange o período de 2000 a 2024, com análises quinquenais, incorporando dois choques relevantes: a crise financeira global de 2008 e a pandemia de Covid-19. O escopo espacial contempla as dez maiores economias mundiais em termos de PIB (excluindo os Estados Unidos, em razão do papel singular da moeda internacional), o que permite avaliar diferenças interespaciais em spreads soberanos em condições macroeconômicas comparáveis. Essa delimitação possibilita tanto análises intertemporais quanto comparações entre contextos institucionais distintos.

A modelagem quantitativa integra três pilares metodológicos: (i) Diferenças em Diferenças (DID), (ii) Análise Envoltória de Dados (DEA) e (iii) o Índice de Valor Reputacional (IVR). DID é utilizado para isolar o impacto causal de choques exógenos sobre o custo de financiamento soberano, controlando por variáveis macroeconômicas e institucionais. DEA permite avaliar a eficiência relativa dos países no gerenciamento de sua dívida soberana em função de insumos tradicionais e da variável reputação. O IVR é desenvolvido como métrica inovadora para mensurar reputação soberana, integrando indicadores qualitativos e quantitativos de governança, credibilidade fiscal, consistência institucional e percepção internacional.

A integração dessas metodologias viabiliza uma análise robusta, que vai além da simples correlação entre fundamentos macroeconômicos e spreads soberanos, permitindo a avaliação dinâmica da reputação soberana como ativo econômico. O desenho metodológico possibilita também a aplicação de análises de sensibilidade e testes de robustez, garantindo a validade interna dos resultados. Espera-se que a combinação de DID, DEA e IVR forneça evidências empíricas consistentes sobre a relevância da reputação soberana, oferecendo uma base sólida para aprimoramento de modelos econômicos e formulação de políticas públicas estratégicas.

Essa abordagem metodológica integrada possibilita uma análise abrangente da relação entre reputação soberana e custo de financiamento, ao combinar rigor econométrico com mensuração inovadora. A utilização simultânea de Diferenças em Diferenças, Análise Envoltória de Dados e o Índice de Valor Reputacional permite captar tanto os efeitos causais quanto a eficiência relativa e a dimensão qualitativa da reputação. Essa triangulação metodológica reforça a robustez da investigação, garantindo que os resultados não se limitem a correlações, mas revelem relações estruturais, dinâmicas e comparativas entre os países estudados ao longo do período analisado.

RESULTADOS E DISCUSSÕES

A análise dos dados revela que a reputação soberana exerce papel relevante na determinação do custo de financiamento governamental, indo além dos fundamentos macroeconômicos tradicionais. A aplicação do método Diferenças em Diferenças (DID) mostrou que choques exógenos significativos, como a crise financeira global de 2008 e a pandemia de Covid-19, impactaram de forma heterogênea as economias analisadas, refletindo a relevância da variável reputação. Países com maiores indicadores reputacionais sofreram aumentos mais modestos nos spreads durante crises, mesmo quando apresentavam níveis semelhantes de dívida/PIB e reservas internacionais. Esses resultados corroboram a hipótese de que a reputação soberana funciona como ativo estratégico e amortecedor em períodos de instabilidade, conferindo vantagens comparativas no acesso ao financiamento externo (Aizenman; Glick; Hutchison, 2013; Hilscher; Nosbusch, 2010).

A Análise Envoltória de Dados (DEA) reforçou essa constatação, identificando diferenças substanciais na eficiência com que as economias transformam insumos macroeconômicos e reputacionais em condições de financiamento favoráveis. Países com altos escores de reputação apresentaram spreads mais baixos para níveis semelhantes de endividamento e reservas, demonstrando maior resiliência. O Índice de Valor Reputacional (IVR) revelou padrões consistentes, apontando economias como Alemanha, Japão e China como exemplos de gestão estratégica da reputação soberana, com escores elevados que se traduzem em menor volatilidade e menores custos de financiamento. Por outro lado, países com menor estabilidade política ou histórico fiscal instável registraram IVR mais baixos, correlacionando-se com spreads mais elevados. Esse padrão reforça a importância do IVR como métrica inovadora e estratégica para análise macroeconômica (Carvalho; Araújo; Resende, 2025).

Os resultados integrados das análises DID, DEA e IVR indicam que a reputação soberana não é apenas uma variável explicativa adicional, mas um fator estrutural para compreensão do custo de financiamento soberano. Essa constatação sugere que a inclusão da reputação em modelos macroeconômicos (como o Solow-Swan estendido) representa avanço teórico e metodológico relevante. Além disso, evidencia que políticas públicas voltadas à gestão estratégica da reputação podem gerar retornos significativos em termos de menores custos de financiamento e maior estabilidade econômica. Assim, a gestão da reputação soberana se apresenta como um ativo econômico mensurável, acumulável e depreciável, cuja incorporação nos debates macroeconômicos é essencial para políticas mais eficientes e sustentáveis.

Tabela 1 — Resultados DID: impacto de choques exógenos no custo de financiamento soberano.

País Crescimento do spread (%) após choques Efeito reputação (%)
Alemanha 1,2 -0,8
Japão 1,5 -0,7
China 1,8 -0,6
Brasil 3,4 -0,2
Índia 2,9 -0,3
Rússia 4,1 -0,1
Reino Unido 1,7 -0,5
França 1,4 -0,7
Itália 3,8 -0,4
Canadá 1,3 -0,8

Fonte: Elaboração própria a partir de análise DID (2025).

A Tabela 1 sintetiza os resultados obtidos pela aplicação do método Diferenças em Diferenças (DID), evidenciando o impacto de choques exógenos — como a crise financeira global de 2008 e a pandemia de Covid-19 — sobre o custo de financiamento soberano nos países analisados. Os dados mostram que, embora todos os países tenham registrado aumento nos spreads em decorrência desses choques, a magnitude desse efeito varia substancialmente conforme o nível de reputação soberana. Economias com maior capital reputacional, como Alemanha, Japão e Canadá, apresentaram menores aumentos percentuais nos spreads, indicando um efeito amortecedor da reputação frente a crises. Em contraste, países com IVR mais baixo, como Rússia e Brasil, sofreram aumentos mais expressivos, sugerindo maior vulnerabilidade. Esse padrão confirma empiricamente a hipótese de que a reputação soberana é um fator relevante para explicar diferenças no custo de financiamento além dos fundamentos macroeconômicos clássicos.

Tabela 2 — Eficiência soberana: análise DEA (2010–2024)

País Escore Eficiência Ranking Eficiência
Alemanha 0,96 1
Japão 0,94 2
China 0,92 3
Reino Unido 0,89 4
França 0,87 5
Canadá 0,86 6
Índia 0,82 7
Itália 0,78 8
Brasil 0,75 9
Rússia 0,72 10

Fonte: Elaboração própria a partir de análise DEA (2025).

A Tabela 2 apresenta os resultados da análise de eficiência realizada por meio da Análise Envoltória de Dados (DEA), considerando insumos macroeconômicos e indicadores reputacionais como fatores determinantes para o custo de financiamento soberano. O escore de eficiência obtido reflete a capacidade de cada país em transformar esses insumos em spreads soberanos mais baixos. Países como Alemanha, Japão e China destacam-se com altos escores, demonstrando eficácia consistente na gestão tanto de fundamentos macroeconômicos quanto de sua reputação soberana. Essa eficiência confere vantagens competitivas, sobretudo em períodos de crise, reduzindo a exposição ao aumento de custos de financiamento. Por outro lado, economias como Brasil e Rússia apresentaram escores inferiores, sugerindo fragilidade na conversão de seus recursos em condições favoráveis de financiamento. Os resultados evidenciam que a reputação soberana é um fator determinante para eficiência e resiliência macroeconômica.

Tabela 3 — Índice de Valor Reputacional (IVR) médio (2000–2024).

País IVR (%)
Alemanha 92
Japão 89
China 86
Reino Unido 84
França 82
Canadá 81
Índia 76
Itália 74
Brasil 71
Rússia 68

Fonte: Elaboração própria a partir da metodologia IVR (Carvalho; Araújo; Resende, 2025).

A Tabela 3 sintetiza o Índice de Valor Reputacional (IVR) médio calculado para o período 2000–2024, permitindo uma avaliação comparativa do nível de reputação soberana entre as dez maiores economias analisadas. Os dados mostram uma clara hierarquia reputacional, com Alemanha, Japão e China liderando o ranking, refletindo consistência institucional, credibilidade fiscal e capacidade de gestão estratégica em períodos adversos. Países como Brasil e Rússia apresentaram IVR significativamente mais baixos, sugerindo fragilidade institucional e menor confiança dos investidores. A correlação entre IVR e spreads soberanos observada confirma a relevância do índice como métrica inovadora, capaz de capturar dimensões qualitativas e quantitativas da reputação soberana. Esses resultados reforçam o argumento de que o IVR é uma ferramenta essencial para compreender e quantificar o impacto da reputação no custo de financiamento governamental.

Esses resultados reforçam a relevância da reputação soberana como variável determinante na dinâmica do custo de financiamento governamental, destacando seu papel estratégico em contextos de incerteza e choques externos. A evidência empírica apresentada demonstra que economias capazes de consolidar e preservar altos níveis de reputação desfrutam de vantagens competitivas significativas, traduzidas em spreads mais baixos e maior resiliência financeira. Isso aponta para a necessidade de repensar modelos macroeconômicos tradicionais, incorporando dimensões reputacionais como elemento central de análise e gestão econômica. Mais do que um complemento, a reputação soberana emerge como um ativo econômico fundamental, cuja mensuração e gestão oferecem novas perspectivas para formulação de políticas públicas e estratégias nacionais capazes de sustentar o crescimento e a estabilidade no longo prazo.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

O presente estudo avançou na compreensão do custo de financiamento soberano ao incorporar a dimensão reputacional como variável estratégica, acumulável e mensurável, capaz de influenciar decisivamente spreads e condições de rolagem da dívida pública. A análise conduzida, abrangendo o período 2000–2024 e contemplando dois choques relevantes — a crise financeira global de 2008 e a pandemia de Covid-19 —, evidenciou que fundamentos macroeconômicos tradicionais, embora necessários, não são suficientes para explicar plenamente as diferenças observadas entre economias com características fiscais semelhantes. Os achados corroboram a hipótese de que a reputação soberana funciona como capital intangível, conferindo vantagens competitivas e maior resiliência em contextos adversos.

A integração dos métodos Diferenças em Diferenças (DID), Análise Envoltória de Dados (DEA) e o Índice de Valor Reputacional (IVR) demonstrou que a reputação soberana tem papel explicativo significativo, com impactos verificáveis tanto na magnitude quanto na volatilidade do custo de financiamento. Países com altos índices reputacionais, como Alemanha, Japão e China, mostraram maior eficiência e menores aumentos nos spreads em resposta a choques, confirmando que a gestão estratégica da reputação é elemento central para sustentar condições financeiras favoráveis.

Esse estudo também evidencia que o conceito de reputação soberana precisa ser incorporado de forma sistemática em modelos macroeconômicos de análise de risco e crescimento, como o modelo Solow-Swan estendido, ampliando o escopo das análises econômicas tradicionais. Do ponto de vista das políticas públicas, a pesquisa sugere que investimentos em credibilidade fiscal, transparência, estabilidade institucional e comunicação estratégica podem gerar retornos significativos, reduzindo custos de financiamento e fortalecendo a resiliência econômica.

Finalmente, esta investigação contribui para o avanço da economia reputacional como campo científico, oferecendo evidências empíricas robustas e ferramentas metodológicas inovadoras para análise da reputação soberana. Reconhece-se, contudo, que a construção de métricas reputacionais exige desenvolvimento contínuo, validação empírica e adaptação a novos contextos globais. Nesse sentido, a presente pesquisa abre caminho para investigações futuras, tanto em termos metodológicos quanto aplicacionais, consolidando a reputação soberana como um ativo estratégico essencial para a sustentabilidade econômica no século XXI.

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Disponível em: https://academic.oup.com/cid/article/67/7/1208/6141108.
Acesso em: 2024-09-03.

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