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Resumo
INTRODUÇÃO
Com o aumento da expectativa de vida no mundo contemporâneo, cresce também o número de idosos institucionalizados, o que vem desencadeando uma série de desafios além daqueles meramente clínicos. A literatura aponta que a institucionalização pode comprometer negativamente a qualidade de vida desses indivíduos, uma vez que envolve perdas significativas em termos de autonomia e participação nas atividades diárias, além de agravar sentimentos de isolamento. Nessa perspectiva, torna-se essencial propor intervenções que incentivem os idosos a se envolverem em ocupações com sentido, capazes de promover bem-estar físico, emocional e relacional (Medeiros et al., 2020).
A Terapia Ocupacional emerge como um campo fundamental para a promoção da saúde no envelhecimento, especialmente em contextos institucionais, ao considerar a ocupação como elemento central no processo terapêutico. Por meio dela, busca-se resgatar atividades significativas que possam contribuir para a manutenção da identidade, da funcionalidade e do sentimento de pertencimento social dos idosos (Nunes, 2021).
Dentre as estratégias terapêuticas utilizadas nesse contexto, destaca-se o uso de hortas terapêuticas, que oferecem uma proposta integradora entre movimento, interação com o ambiente natural e estímulo às funções cognitivas. A atividade de cultivo se apresenta como uma prática rica em estímulos físicos, sensoriais e emocionais, proporcionando aos idosos a oportunidade de exercer autonomia, cooperação e autocuidado (Cunha et al., 2011; Souza; Miranda, 2017).
Pesquisadores como Sousa (2016), afirmam que essa prática, quando inserida em Instituições de Longa Permanência para Idosos (ILPIs), pode ser adaptada para contemplar diferentes graus de capacidade funcional, promovendo acessibilidade e inclusão. Além disso, o cultivo de alimentos em ambientes institucionais reforça a valorização da natureza e do ciclo de vida, o que favorece a construção de vínculos afetivos e sociais entre os participantes, a equipe e o espaço.
Diante dessas potencialidades, o presente artigo tem como objetivo analisar, por meio de revisão bibliográfica, os impactos da implantação de hortas terapêuticas em ILPIs como recurso de Terapia Ocupacional. Serão discutidos os benefícios físicos, cognitivos, emocionais e sociais dessa intervenção, além das dificuldades e condições necessárias para sua implementação. Acredita-se que a horta, enquanto espaço terapêutico, pode fortalecer políticas públicas voltadas à promoção da saúde e à humanização do cuidado no envelhecimento institucionalizado.
Nesse contexto, a proposta deste estudo é analisar os benefícios do uso de hortas terapêuticas em Instituições de Longa Permanência para Idosos (ILPIs), tendo como objetivo principal compreender sua contribuição para o bem-estar integral dos residentes. Como objetivos secundários, propõe-se: (1) identificar os principais benefícios físicos, cognitivos, emocionais e sociais associados à prática de cultivo assistido; (2) discutir o papel da Terapia Ocupacional na mediação dessas atividades em contextos institucionais e (3) analisar os principais desafios e limitações enfrentados na manutenção dessas iniciativas. Tais objetivos se distribuem ao longo do desenvolvimento deste artigo, fundamentado em revisão bibliográfica e orientado pela perspectiva da Terapia Ocupacional como promotora da saúde e da autonomia no envelhecimento institucionalizado.
A presente pesquisa foi elaborada com base em uma revisão bibliográfica de caráter qualitativo e exploratório, abordagem que, segundo Gil (2010), tem como finalidade proporcionar uma aproximação inicial com o tema investigado, tornando-o mais compreensível e favorecendo a identificação de questões relevantes que possam orientar estudos futuros. Para isso, realizou-se um levantamento sistemático de publicações acadêmicas, incluindo artigos científicos, dissertações, teses e documentos institucionais, disponíveis em bases reconhecidas como SciELO, Google Acadêmico, PubMed e na Biblioteca Digital de Teses e Dissertações (BDTD).
A identificação dos artigos foi através de descritores como: cultivo de hortas; Hortas terapêuticas, Envelhecimento ativo, Qualidade de vida. Idosos institucionalizados. Foram incluídos artigos cujos conteúdos são compatíveis com os objetivos do estudo e excluídos todos os que apresentaram descritores idênticos, porém sem os dados necessários para esta pesquisa, ou contendo dados similares.
TERAPIA OCUPACIONAL EM ILPIS
A Terapia Ocupacional (TO) é uma área da saúde que tem como objetivo promover a autonomia, a independência funcional e a qualidade de vida por meio do engajamento em atividades com significado para o indivíduo. Quando aplicada ao contexto do envelhecimento, especialmente em instituições de longa permanência, a atuação do terapeuta ocupacional torna-se ainda mais relevante, considerando os impactos funcionais, emocionais e sociais decorrentes da institucionalização. Nesse cenário, é fundamental desenvolver práticas que valorizem a história de vida, a subjetividade e o protagonismo da pessoa idosa (Brasil, 2017).
Segundo Oliveira e Lopes (2020), o processo de institucionalização muitas vezes retira dos idosos o protagonismo sobre sua rotina, tornando fundamental a adoção de práticas terapêuticas que resgatem a autonomia e a identidade desses indivíduos. Nesse cenário, o profissional de TO atua não apenas na reabilitação física, mas também na construção de ambientes mais humanizados e participativos. Isso inclui o estímulo à criatividade, à socialização e à valorização das histórias de vida dos residentes, contribuindo para o fortalecimento do vínculo consigo mesmos e com a comunidade institucional.
A atuação da Terapia Ocupacional em ILPIs não se limita a intervenções clínicas tradicionais, sendo necessária uma abordagem que compreenda o envelhecimento de forma integral. Como destacam Costa e Pinho (2019), é essencial considerar os interesses, capacidades residuais e contextos culturais dos idosos ao planejar as intervenções. Isso implica compreender as atividades cotidianas como ferramentas terapêuticas de grande potencial, como exemplo, o cultivo em hortas.
Nesse sentido, o cultivo de plantas, quando planejado e acompanhado por profissionais da TO, pode ser incorporado como um recurso terapêutico que estimula funções motoras, cognitivas e afetivas, respeitando o ritmo e as limitações de cada indivíduo. Em pesquisa sobre práticas ocupacionais em ILPIs, Souza et al. (2021) observaram que o envolvimento com atividades manuais relacionadas ao cuidado com a terra promove sensação de pertencimento, melhora o humor e amplia a interação entre os residentes.
É nesse contexto que se insere a seguinte afirmação, que resume de forma clara os princípios da Terapia Ocupacional para idosos institucionalizados: “[…] A Terapia Ocupacional com idosos institucionalizados deve priorizar o resgate da identidade por meio de atividades significativas, que promovam bem-estar, autonomia e participação social” (Mello; Souza, 2018, p. 42).
Essa perspectiva reforça que o papel do terapeuta ocupacional vai além da execução de atividades adaptadas: trata-se de mediar processos que devolvam aos idosos o sentido de continuidade da vida, mesmo em ambientes com regras rígidas e rotina institucionalizada. Por isso, práticas como as hortas terapêuticas, que serão discutidas na próxima seção, ganham destaque como estratégias que integram cuidado, estímulo e subjetividade.
HORTAS TERAPÊUTICAS: DEFINIÇÃO E APLICAÇÕES EM ILPIS
As hortas terapêuticas são ambientes planejados para unir práticas de cultivo com objetivos de promoção da saúde física, mental e social, constituindo-se como recurso terapêutico não farmacológico. No contexto das Instituições de Longa Permanência para Idosos (ILPIs), representam uma intervenção que vai além da jardinagem, pois promovem estimulação sensorial, cognitiva e emocional, ao mesmo tempo que favorecem a socialização entre os residentes. Diferentemente das hortas convencionais, essas estruturas são projetadas com adaptações que garantem acessibilidade, como canteiros elevados, ferramentas ergonômicas e passagens largas, permitindo a participação de idosos com limitações motoras ou que utilizem dispositivos de apoio (Sousa, 2016).
A literatura científica aponta que o envolvimento em atividades de cultivo em hortas terapêuticas pode trazer benefícios que extrapolam o âmbito físico, estimulando funções cognitivas, fortalecendo vínculos sociais e promovendo a autoestima. Em estudo realizado em instituição geriátrica, Ribeiro e Santos (2020), observaram que os participantes relataram maior motivação para atividades diárias e sensação de utilidade após se engajarem no cuidado das plantas. Além disso, as atividades hortícolas proporcionaram um espaço de convivência que contribuiu para a redução da solidão e para o fortalecimento das relações interpessoais no ambiente institucional:
O cultivo de plantas em espaços terapêuticos adaptados proporciona aos idosos a oportunidade de exercer papéis ativos, resgatar memórias afetivas e interagir com o meio ambiente, favorecendo um sentido renovado de propósito e pertencimento” (Ferreira et al., 2021, p. 160).
Outro ponto relevante é a flexibilidade das hortas terapêuticas em ILPIs, que podem ser utilizadas tanto em programas de terapia ocupacional quanto em atividades de lazer e integração social. Essa versatilidade permite a inclusão de projetos intergeracionais, envolvendo familiares, voluntários e até escolas, o que amplia o alcance dos benefícios e fortalece a conexão dos idosos com a comunidade externa. Assim, as hortas deixam de ser apenas um espaço verde para se tornarem um recurso integral de cuidado, alinhado às práticas de humanização e promoção da qualidade de vida no envelhecimento institucionalizado.
BENEFÍCIOS DAS HORTAS PARA IDOSOS INSTITUCIONALIZADOS
FÍSICOS E FUNCIONAIS
A inserção de idosos em atividades relacionadas ao cultivo de hortas favorece tanto a motricidade fina quanto a grossa, pois tarefas como semear, podar, utilizar ferramentas e colher vegetais demandam coordenação, precisão e força controlada. Quando adaptadas às condições físicas dos participantes, essas ações contribuem para o fortalecimento muscular, o aprimoramento do equilíbrio corporal e a manutenção da mobilidade articular. Esses aspectos são fundamentais para a prevenção de quedas e para a preservação da independência nas atividades da vida diária. Pesquisas indicam que a prática contínua de jardinagem em contextos institucionais auxilia na conservação das habilidades motoras e promove maior disposição para realizar outras tarefas cotidianas (Ribeiro; Santos, 2020).
Para Ferreira et al.,
As atividades hortícolas, quando integradas à rotina de cuidados, proporcionam estímulos motores variados que auxiliam na preservação da força, coordenação e mobilidade dos idosos, contribuindo para sua autonomia funcional” (Ferreira et al., 2021, p. 158).
Esses resultados evidenciam que as hortas terapêuticas não apenas estimulam a capacidade física, mas também contribuem para manter o idoso engajado em atividades que preservam sua independência. Ao integrar o cultivo à rotina institucional, cria-se um espaço de exercício funcional contínuo, capaz de minimizar os efeitos do sedentarismo e potencializar a autonomia, elementos essenciais para a qualidade de vida na velhice.
COGNITIVOS
A participação em atividades hortícolas nas Instituições de Longa Permanência para Idosos oferece um conjunto expressivo de estímulos às funções cognitivas. O planejamento do cultivo, a organização dos canteiros, o acompanhamento das fases de crescimento das plantas e a lembrança dos cuidados diários estimulam processos mentais essenciais, como memória, atenção e raciocínio lógico. Essas práticas favorecem a execução de tarefas sequenciais, exigindo que o idoso organize informações e tome decisões, habilidades diretamente ligadas à preservação das funções executivas (Sogi; Chowdhury; Kang, 2022).
Segundo Lee e Kim (2020), programas de horticultura estruturados podem contribuir para a manutenção da autonomia funcional, retardando o declínio cognitivo e incentivando a independência em atividades cotidianas:
O engajamento regular em atividades de jardinagem proporciona ao idoso um exercício mental contínuo, capaz de reforçar a memória, melhorar a capacidade de atenção e manter habilidades necessárias para a vida diária” (Lee; Kim, 2020, p. 8).
Ao unir estimulação mental e significado pessoal, a horta terapêutica torna-se um recurso valioso para o envelhecimento ativo, permitindo que os idosos institucionalizados mantenham sua identidade, sintam-se produtivos e preservem competências que sustentam sua autonomia no ambiente institucional.
PSICOLÓGICOS E EMOCIONAIS
A participação em atividades hortícolas nas Instituições de Longa Permanência para Idosos pode atuar como um importante recurso de promoção da saúde mental, contribuindo para a diminuição de sintomas de ansiedade e depressão. O contato frequente com a natureza, o envolvimento em tarefas significativas e o engajamento em um projeto coletivo proporcionam momentos de relaxamento e satisfação, criando um ambiente favorável à melhoria do humor e ao fortalecimento emocional dos residentes (Hui et al., 2022).
O cultivo de plantas também favorece o desenvolvimento de sentimentos de propósito e utilidade, uma vez que o idoso percebe sua contribuição direta para o cuidado e a manutenção da horta. Esse processo resgata memórias, estimula a criatividade e fortalece a autoestima, aspectos que podem influenciar positivamente a forma como o indivíduo percebe a si mesmo e o espaço em que vive. Dessa forma, a horta deixa de ser apenas um recurso terapêutico e se torna um elemento que conecta o idoso à sua própria identidade e história de vida (Cheng et al., 2020).
Wang e Macmillan (2013) destacam que o trabalho coletivo em hortas terapêuticas cria oportunidades valiosas para o fortalecimento de vínculos interpessoais, promovendo a integração social e atenuando a sensação de isolamento frequentemente presente em ambientes institucionais. A convivência contínua, associada à realização de tarefas dotadas de significado, favorece que o idoso se perceba como parte ativa de um grupo, fortalecendo o senso de pertencimento e ampliando sua rede de apoio emocional.
NUTRICIONAIS E AMBIENTAIS
As hortas terapêuticas implantadas em Instituições de Longa Permanência para Idosos contribuem para incentivar o consumo de hortaliças frescas e de qualidade, muitas vezes cultivadas sem o uso de agrotóxicos. O envolvimento direto no plantio e nos cuidados diários estimula maior interesse e aceitação desses alimentos, o que pode favorecer hábitos alimentares mais saudáveis e ricos em nutrientes essenciais. Segundo Martins et al. (2021), o contato com o cultivo desperta curiosidade e aumenta a probabilidade de inclusão regular de vegetais na dieta dos idosos.
Além do impacto nutricional, as hortas também desempenham um papel importante na educação alimentar. Ao participarem de todo o processo produtivo, desde a escolha das sementes até a colheita, os idosos desenvolvem maior consciência sobre a origem dos alimentos e sobre a importância de práticas alimentares equilibradas. Essa vivência proporciona não apenas benefícios individuais, mas também reforça valores ligados à segurança alimentar e ao consumo consciente (Carvalho; Lopes, 2020).
Do ponto de vista ambiental, as hortas terapêuticas estimulam práticas sustentáveis, como o reaproveitamento de resíduos orgânicos para compostagem e o uso racional da água. Essas ações reforçam a noção de responsabilidade ambiental, incentivando os idosos a adotarem atitudes mais ecológicas e a reconhecerem seu papel na preservação dos recursos naturais. De acordo com Almeida et al. (2019), iniciativas desse tipo fortalecem a conexão entre saúde, meio ambiente e qualidade de vida, tornando a horta um espaço educativo e transformador.
DESAFIOS E LIMITAÇÕES DA IMPLANTAÇÃO DE HORTAS EM ILPIS
A implantação de hortas terapêuticas em Instituições de Longa Permanência para Idosos (ILPIs) demanda atenção a diversos fatores estruturais. Barreiras arquitetônicas, como ausência de rampas, degraus elevados e falta de espaços adequados para circulação, podem dificultar a participação de idosos com mobilidade reduzida. Além disso, limitações físicas decorrentes de doenças crônicas e condições cognitivas, como demências, exigem adaptações específicas nas atividades e no local onde será feito o plantio da horta para garantir segurança e acessibilidade (Oliveira; Lopes, 2020).
Outro ponto relevante é a necessidade de contar com uma equipe técnica qualificada, incluindo terapeutas ocupacionais, cuidadores e outros profissionais de saúde, para planejar e mediar as atividades de forma segura e terapêutica. A atuação desses profissionais é essencial para adaptar tarefas de acordo com as capacidades individuais, monitorar riscos e estimular a participação ativa dos residentes. Como ressaltam Silva e Costa (2019), a ausência de acompanhamento especializado pode comprometer tanto os resultados terapêuticos quanto a motivação dos idosos para participar.
A sustentabilidade do projeto a longo prazo também se apresenta como um desafio. A manutenção de uma horta exige cuidados constantes, como irrigação, adubação e controle de pragas, o que demanda recursos financeiros e humanos. Muitas instituições enfrentam dificuldades em manter a continuidade dessas iniciativas por falta de orçamento ou de voluntários. Nesse sentido, Borges (2021, p. 77) observa que:
Projetos terapêuticos em instituições de longa permanência só se mantêm quando há planejamento integrado, apoio da gestão e envolvimento da comunidade, garantindo recursos e engajamento contínuo.
A resistência institucional ou familiar é outro obstáculo a ser considerado. Em alguns casos, gestores e familiares não percebem a horta como uma intervenção terapêutica relevante, subestimando seu potencial de impacto na saúde física e emocional dos idosos. Esse cenário pode levar à falta de apoio ou à priorização de outras atividades em detrimento do projeto. Para superar essa barreira, é fundamental investir em sensibilização e divulgação dos benefícios comprovados das hortas terapêuticas (Fernandes; Melo, 2018).
Por fim, a integração da horta terapêutica na rotina da ILPIs exige uma mudança cultural, na qual todos os atores envolvidos: equipe técnica, residentes e familiares, reconheçam seu valor e contribuam para sua manutenção. Essa transformação demanda tempo, capacitação e estratégias de engajamento coletivo, mas pode resultar em um espaço de cuidado integral, sustentável e inclusivo, capaz de promover qualidade de vida e bem-estar aos idosos institucionalizados (Souza; Freitas, 2020).
CONSIDERAÇÕES FINAIS
As hortas terapêuticas demonstram ser uma prática integrativa capaz de aliar cuidados à saúde, promoção da autonomia e fortalecimento de vínculos sociais no contexto das Instituições de Longa Permanência para Idosos. Ao unir atividade física, estimulação cognitiva e interação social em um único espaço, essa intervenção amplia as possibilidades terapêuticas, indo além do caráter recreativo e assumindo papel relevante no cuidado humanizado ao idoso institucionalizado.
Seu potencial transformador abrange as dimensões biopsicossociais, visto que favorece o bem-estar físico por meio do movimento e da manutenção da funcionalidade, estimula funções cognitivas essenciais e contribui para a redução de sintomas depressivos e ansiosos. Paralelamente, proporciona senso de propósito e pertencimento, aspectos essenciais para a qualidade de vida nessa fase da vida. Ao promover hábitos alimentares mais saudáveis e práticas sustentáveis, a horta também contribui para o fortalecimento da educação alimentar e ambiental.
Apesar dos resultados positivos, ainda são necessárias mais pesquisas que aprofundem a análise de seus impactos e que avaliem a eficácia de diferentes modelos de implantação, especialmente no contexto brasileiro. Além disso, políticas públicas de incentivo são fundamentais para ampliar o acesso a esse tipo de prática, garantindo recursos financeiros, apoio técnico e capacitação das equipes envolvidas.
Para uma implementação segura e eficaz, recomenda-se que as ILPIs considerem adaptações arquitetônicas, capacitação contínua da equipe multiprofissional e estratégias de engajamento que envolvam residentes, familiares e a comunidade. Assim, a horta terapêutica poderá se consolidar como um recurso sustentável, inclusivo e de alto impacto na promoção do envelhecimento ativo e saudável (Fernandes; Melo, 2018).
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