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Resumo
INTRODUÇÃO
Os processos acelerados de urbanização precarizam a qualidade dos corpos hídricos urbanos por, primeiro, as construções inadequadas avançarem sobre os cursos d’água, segundo, a falta de saneamento básico e sistemas de esgotamento urbano utilizarem das águas como depósito para dejetos e efluentes, terceiro, a falta de conscientização da população e órgãos públicos defronte aos problemas associados a poluição das águas, fauna e flora local.
Neste contexto, o rio Sapato, localizado no município de Lauro Freitas, região metropolitana de Salvador, Bahia, apresenta um processo de poluição acelerado que já vem sendo delatado em sites de notícias, pela população local e mídias diversas há algum tempo. Iniciativas variadas foram tomadas pela prefeitura em conjunto a comunidade, visando a construção de parques para revitalização ambiental, bem como para proteger a biodiversidade local, entretanto, a situação do rio permanece a mesma.
Para melhor entendimento, o rio Sapato está infestado por plantas aquáticas da espécie Eichhornia crassipes, popularmente chamada de baronesa. De acordo com Lopes (2018) o surgimento deste tipo de planta é um indicador significativo de poluição, especialmente pela propagação que forma um “tapete verde” sob o rio. As plantas normalmente nutrem-se de efluentes bioquímicos e da matéria orgânica de esgotos, reproduzindo-se a partir das sementes que são depositadas no fundo do corpo hídrico. Além disso, as baronesas acabam por infestar toda a superfície d’água, acarretando na contenção do oxigênio e outros nutrientes fundamentais para a vida aquática de peixes e outras plantas.
Por se tratar de uma temática polêmica na região de Salvador, é imprescindível abordar mais intimamente as condições ambientais do rio Sapato e como a falta de intervenções prejudicam a qualidade de vida dos residentes locais. Impedindo, muitas vezes, que as novas gerações aproveitem do recurso hídrico e conheçam as riquezas que a natureza proporciona para o bem-estar humano.
Realizou-se uma pesquisa bibliográfica, de método exploratório, com dados coletados a partir das bases de dados eletrônicas Scielo, Google Scholar e Portal de Periódicos da CAPES. Os estudos selecionados atenderam as palavras-chaves “controle de” AND “Eichhornia crassipes”, publicados nos últimos 20 anos. Além disso, foram abordados outros mecanismos de controle e limpeza de rios urbanos, com a utilização das ferramentas de pesquisa de Inteligência Artificial (IA). Os estudos foram selecionados e apresentados de forma dissertativa possíveis soluções para a problemática existente, atendendo os critérios de inclusão: 1) gratuitos; 2) na íntegra; 3) em língua portuguesa ou inglesa; 4) com as palavras-chaves presentes no título, resumo ou assunto principal.
Esse artigo trata-se da segunda parte de um estudo aprofundado que será desenvolvido acerca do rio Sapato, que está atrelado a outros dois estudos, publicados sequencialmente. Para tanto, foi realizado um estudo básico de fundamento bibliográfico. Os dados serão analisados sob a abordagem qualitativa em que preponderam os aspectos subjetivos do estudo, enfatizando a importância de se propor alternativas e soluções para conter a poluição e, melhor, despoluir o rio Sapato.
RETROSPECTIVA SOBRE O RIO SAPATO
O rio Sapato está localizado no município de Lauro Freitas, Região Metropolitana de Salvador-BA (RMS), fazendo parte da Área de Proteção Ambiental (APA) Lagoas e Dunas do Abataé e da APA Joanes/Ipitanga. Trata-se de um rio de água doce, com salinidade ≤0,5% em águas salobras e ≥0,5% até 30% em ambiente lótico, um volume total de 36.000m³, largura média total de 10m e longitude total de 5km na extensão do município de Lauro Freitas (Pereira, 2019).
Figura 1 – Rio Sapato (A).
Fonte: Lauro Freitas (2021).
Fonte: Branco (2015).
O monitoramento da qualidade da água do rio Sapato é realizado desde 2000, especialmente para que novas propostas projetuais consigam atender as demandas necessárias para tratar o trecho de água que delata presença de poluição desde os anos 80. Apesar disso, somadas as várias iniciativas da Prefeitura Municipal de Lauro Freitas em conjunto a Diretoria de Gestão Ambiental (DGA), as atuais condições do corpo hídrico permanecem denunciando a presença de poluição por esgoto e lixo urbano.
Em 2013 o portal Bahia no Ar denunciou a morte de peixes no rio Sapato, sendo o principal fator o baixo lençol freático do rio devido a mistura entre água e esgoto (figura 3). É perceptível a aglomeração dos restos físicos dos peixes devido a falta de oxigenação da água.
No ano de 2017, matéria publicada pelo Portal R7 Bahia (2017) denunciou a “morte” do rio Sapato em virtude do excesso de resíduos sólidos e a ausência de limpezas no rio e encontas. Entre os principais resíduos encontrados citam-se os químicos, os plásticos e outros contaminantes oriundos de dejetos residenciais e comerciais.
Apesar da publicação do projeto Tecnologia EMTM (EM 1®) em 2019 para melhorar o emprego da matéria orgânica, melhorar o condicionamento do solo e corroborar com a quebra de compostos orgânicos por Pereira (2019), os resultados do projeto não foram efetivos pois a situação manteve-se instável.
Figura 3 – Peixes mortos no rio Sapato, 2013.
Fonte: Bahia no Ar (2013).
Em 2020 o Portal FB Comunicação divulgou registro fotográfico da retirada de plantas, entulhos e resíduos sólidos diversos do curso d’água em meio a paisagem urbana (FB Comunicação, 2020). No registro percebe-se que o colaborador da empresa de limpeza da prefeitura utiliza uma pá coletora para agrupar as plantas aquáticas, garrafas pets, embalagens plásticas e outros tipos de resíduos sólidos para proporcionar melhor escoamento do curso hídrico. Em relação a coloração e a textura do rio, percebe-se que o rio encontra-se poluído, devido a sua baixa cristalinidade e o tom marrom (figura 4).
Figura 4 – Retirada de lixo e resíduos do rio Sapato, 2020.
Fonte: FB Comunicação (2020).
Atualmente, em 2024, o Portal Globoplay divulgou denúncia da população de Lauro Freitas sobre a presença de plantas aquáticas, especialmente as baronesas e as samambaias, no rio Sapato. Segundo a população, o caso de infestação por plantas aquáticas é recorrente, mesmo com iniciativa municipal em realizar limpezas no rio (Globoplay, 2024).
Figura 5 – Registros fotográficos da condição atual do rio Sapato, 2024.
Fonte: Do arquivo do autor.
Figura 6 – Registros fotográficos da condição atual do rio Sapato, 2024.
Fonte: Do arquivo do autor.
Figura 7 – Registros fotográficos da condição atual do rio Sapato, 2024.
Fonte: Do arquivo do autor.
Além destas, outros tipos de vegetação são percebidas, especialmente nas encostas e arredores do rio, que sem a devida manutenção acabam por ofuscar a visibilidade da área e o fluxo da água, circulação de animais e desenvolvimento in natura do ecossistema. A falta de oxigenação no fundo do rio é relatada por Pereira (2019), bem como a presença de nitratos.
Figura 8 – Registros fotográficos da condição atual do rio Sapato, 2024.
Fonte: Do arquivo do autor.
Figura 9 – Registros fotográficos da condição atual do rio Sapato, 2024.
Fonte: Do arquivo do autor.
Figura 10 – Registros fotográficos da condição atual do rio Sapato, 2024.
Fonte: Do arquivo do autor.
Apesar das várias iniciativas do DGA, infelizmente a atual situação do rio Sapato delata nítida existência de poluição nas águas, por uma predominância evidente das baronesas. Moradores locais continuam incessantemente manifestando-se para que a situação seja contornada.
POSSÍVEIS SOLUÇÕES PARA DESPOLUIR O RIO SAPATO
As principais denúncias do rio Sapato dizem respeito a presença de infestação das baronesas, espécie Eichhornia crassipes, em alguns trechos específicos pela extensão do rio, conforme as figuras 7 e 8 demonstram.
Essas plantas fazem parte do grupo de macrófitas aquáticas, apresentando ampla adaptabilidade e expansão ecológica, multivariadas podem habitar ambientes variados, seja em água doce, salobra ou salgada, com corrente no curso hídrico ou estacionária, inerte. Possuem vasta capacidade para suportar períodos de seca, pois seus folículos se ajustam aos extremos de temperatura, com sementes em ciclo de desenvolvimento nos corpos hídricos por até 15 anos (Moura e Mello; Franco; Matallo, 2001).
As baronesas (Eichhornia crassipes) tem origem na América do Sul, com característica invasora devido sua capacidade de multiplicação vegetativa. Essa capacidade ocasiona problemas em diversos setores econômicos, especialmente no pesqueiro, em virtude das baixas concentrações de oxigênio nos corpos d’água. Sobretudo, contribuem na proliferação de insetos, larvas e moluscos, grandes potenciais transmissores de doenças, reduzem o fluxo hídrico, dificultam a acessibilidade de barcos e outros veículos aquáticos, elevam a perda d’água por evapotranspiração (Martins; Pitelli, 2005).
Figura 11 – Infestação de Eichhornia crassipes no rio Sapato, 2024.
Fonte: Do arquivo do autor.
Figura 12 – Infestação de Eichhornia crassipes no rio Sapato, 2024.
Fonte: Do arquivo do autor.
Figura 13 – Infestação de Eichhornia crassipes no rio Sapato, 2024.
Fonte: Do arquivo do autor.
De acordo com Flores (2017) a E. crassipes é utilizada como um bioindicador de imprescindível importância para avaliação de condicionamento ambiental de corpos hídricos, pois possui em seu sistema a capacidade de nutrir-se dos dejetos humanos, especialmente dos nitratos e minerais como o fósforo, favorecendo o sistema reprodutivo destas plantas de modo espontâneo.
Em condições naturais, elas são fundamentais na manutenção do equilíbrio ecológico, justamente por realizarem essa “limpeza” de agentes bioquímicos nocivos para a vida natural. Entretanto, quando presentes em locais com alta propagação de efluentes poluentes, acabam por alimentarem-se dos dejetos, reproduzindo-se por sementes e brotos laterais, de maneira infestiva, o que promove acúmulo de matéria orgânica e sombreamento. Por assim ser, as baronesas acabam por impedir o fluxo de ar, oprimindo o oxigênio local, responsabilizando-se pela falência das demais plantas e animais aquáticos presentes no ecossistema (Flores, 2017).
Figura 14 – Interrupção do canal hídrico devido a infestação de Eichhornia crassipes no rio Sapato, 2024.
Fonte: Do arquivo do autor.
Figura 15 – Interrupção do canal hídrico devido a infestação de Eichhornia crassipes no rio Sapato, 2024.
Fonte: Do arquivo do autor.
Figura 16 – Interrupção do canal hídrico devido a infestação de Eichhornia crassipes no rio Sapato, 2024.
Fonte: Do arquivo do autor.
Para Moura et al. (2009), as baronesas são a espécie que mais repercute em problema no Brasil pois, dentro de condições favoráveis, reproduzem-se e crescem de forma significativa. A capacidade é de duplicar o tamanho semanalmente, produzindo biomassa e infestado os corpos hídricos.
Os métodos mais eficazes para contenção da propagação das baronesas são o controle biológico, o químico e o mecânico, conforme será melhor discutido na seção seguinte.
CONTROLE BIOLÓGICO DE BARONESAS
O controle biológico de macrófitas aquáticas é o procedimento de contenção a propagação destas espécies mais recomendado pela literatura em conjunto com o controle mecânico. Para melhor evidenciar como ocorre o controle biológico destas plantas infestivas expressam-se alguns dos conceitos e concepções presentes na bibliografia consultada.
Por conceituação, “[…] o controle biológico pode ser definido como a ação dos fatores bióticos do ecossistema regulando a instalação e crescimento de populações de plantas daninhas.” (Pitelli; Nachtigal, Pitelli, 2017, p.1). Esse controle faz uso de seres vivos para conter a propagação das plantas “[…] para matar, controlar o crescimento, expansão populacional e/ou reduzir a capacidade competitiva de uma ou mais espécies de plantas daninhas.” (Pitelli; Nachtigal, Pitelli, 2017, p.1).
De acordo com Moura e Mello, Franco e Matallo (2001) ambientalistas indicam o emprego do controle biológico para tratar as macrófitas aquáticas, neste caso inclusas as baronesas. Enfatizam que os resultados são rápidos, de baixo custo e incorporam a própria biomassa das plantas e dos animais herbívoros. Como exemplo alguns peixes, citando a tilápia, o pacu e o carpa-capim (figura 17).
Figura 17 – Peixes utilizados na contenção biológica de macrófitas.
Fonte: Elaborado pelo autor.
Outro ponto importante diz respeito as condições para controlar a população de plantas, observando aspectos parasitários, de predadores, de competição e amensalismo. Em contextos agrícolas, o uso de plantas cultivadas contribui com a repressão das plantas aquáticas daninhas pois elas cobrem o local mais efetivamente, impedindo a proliferação das daninhas. Entretanto, nos casos que envolvem as macrófitas aquáticas, baronesas, da espécie E. Crassipes o uso de peixes, moluscos e mamíferos, herbívoros, se torna mais efetivo (Pitelli; Nachtigal, Pitelli, 2017).
Os estudiosos refletem sobre a ação do Neochetina eichhorniae e Neochetina brucchi sob as baronesas, reproduzindo defeitos na estética da planta através de cicatrizes foliares. Outros atores biológicos que podem corroborar com a contenção delas são a Arzama densa que reduz a área foliar, o Cercospora spp, Acremonium zonatum e Uredo eichhornia que causam dano nas folhas impedindo o crescimento, os fungos saprofíticos que causam infecções generalizadas na planta e outros predadores, como já citados (figura 16) (Pitelli; Nachtigal, Pitelli, 2017).
Figura 18 – possíveis atores na contenção biológica de baronesas.
Fonte: Elaborado pelo autor.
A seleção deve ser através de inimigos naturais, diretos, que vulnerabilizam a capacidade reprodutiva da planta. Provavelmente predadores e parasitas, cuja alimentação baseia-se no consumo de baronesas, o que exige a pesquisa avançada acerca desses potenciais inimigos. Devem ser dispostos estrategicamente, em densidade populacional suficiente para o controle ser efetivo (Pitelli; Nachtigal, Pitelli, 2017).
CONTROLE QUÍMICO DE BARONESAS
Outra forma de manejo para plantas aquáticas é a utilização de herbicidas. Os herbicidas se tratam de produtos químicos que são empregados diretamente na população de plantas, cujo foco é adentrar a estrutura morfológica da planta e proporcionar um processo de envenenamento/intoxicação, impedindo o desenvolvimento pleno, provando sua morte.
No estudo desenvolvido por Martins et al. (2002) avaliando possíveis reagentes químicos no controle de E. Crassipes, os estudiosos identificaram que os herbicidas 2,4D e glyphosate tiveram efeitos efetivos, conforme segue na íntegra:
Os primeiros sintomas de toxicidade nas plantas de E. crassipes observados para o herbicida glyphosate foram amarelecimento das folhas, seguido de queimaduras e necroses, imergindo após o final do estudo. Para o herbicida 2,4 D, o sintoma inicial foi um encarquilhamento inicial das folhas de aguapé, que evoluíram para amarelecimento e necroses, com posterior afundamento na lâmina de água. O herbicida diquat proporcionou queimaduras severas nas folhas, evoluindo posteriormente para necrose e, em seguida, morte da planta. É importante ressaltar que as plantas pulverizadas com diquat, após a sua morte, ficaram flutuando nas caixas por pelo menos 60 dias (Martins et al., 2002, p.86-87).
Os estudiosos enfatizam que a utilização de qualquer um desses compostos químicos na E. Crassipes proporciona diminuição na propagação de 60 até 100%, evitando ainda a reinfestação por rebroto ou semente (Martins et al., 2002).
Figura 19 – Herbicida 2,4D e glyphosate.
Fonte: Elaborado pelo autor.
Noutro estudo desenvolvido por Neves, Foloni e Pitelli (2002) testando os herbicidas 2,4-D, sulfentrazone, glyphosate, diquat, imazapyr, imazapic, metsulfuron-metil e sulfosate, os resultados demonstraram que o diquat e o glyphosate foram altamente eficazes no controle de E. crassipes, com ação mais rápida e eficaz no controle e contenção da propagação da colônia. Entretanto, todos os compostos são considerados efetivos para controle de plantas aquáticas e dosagens mais altas proporcionam efeitos mais significativos na contenção.
De acordo com Tavares (2003), as baronesas são consideradas como macrófitas flutuantes, devido a sua capacidade de deslocarem-se pois não possuem raizes fixas no fundo do corpo hídrico. A tal modo, o tratamento com herbicidas pode ser eficaz na contenção desta planta, sem que incida em contaminação do leito. Entretanto, apesar de ser eficaz, no Brasil ainda persistem algumas restrições quanto ao uso destes tipos de produtos em controles de baronesas, especialmente pelo composto ativo ser tóxico, nocivo e danoso para todo o ecossistema (Pitelli; Nachtigal, Pitelli, 2017).
De qualquer modo, ao ser escolhida tal método de controle químico, é imprescindível que a aplicação seja realizada observando os aspectos de qualidade da água, pH, condutividade elétrica, temperaura e demais elementos do ecossitema relacionados. Nos casos de corpos hídricos mais profundos, é importante que as aplicações ocorram setorizadas (por partes), com dosagens mais baixas que as superficiais, pois isso evita que as espécies que não são alvo do controle sejam atingidas, bem como os danos aos demais atores do ecossistema não sejam atingidos (Pitelli; Nachtigal, Pitelli, 2017).
Vale-se ressaltar que a aplicação química pode repercutir em efeitos adversos, como mutações genéticas, mudanças comportamentais em animais e peixes, disfunção, contaminação do recurso hídrico, prejuízos para a saúde vegetal, animal e humana, caso consumidos indevidamente.
CONTROLE MECÂNICO DE BARONESAS
O controle mecânico é, atualmente, o método mais utilizado no tratamento do rio Sapato. Esse controle é realizado através da coleta das plantas, transporte e depósito em local próprio. Para que ele seja realizado é indispensável a mão-de-obra humana, o uso de equipamentos de proteção, de ferramentas como pás e coletoras, além de caminhões para transporte. Esse tipo de controle é eficaz para corpos hídricos mais rasos e em espaços menores. Entretanto, apesar de eficaz inicialmente, pois restabelece a paisagem urbana, não trata o leito de rio que normalmente está coberto por sementes de E. crassipes.
De acordo com Carvalho (2013) o controle mecânico pode ser praticado sob as seguintes atividades: a) Monda; b) Capina; c) Cultivo do solo. Para o rio Sapato, essas três opções se tornam viáveis pois, a primeira, monda, diz respeito ao controle realizado com as próprias mãos, em que se coleta a planta e dispensa em local para coleta e transporte; a segunda, faz uso de utensílios como exadas rotativas e rolo-faca, cuja coleta de material é maior e menos trabalhosa que manualmente; a terceira, utiliza-se de subsoladores, fios de aço, coletores, arados mecânicos no próprio solo, leito do corpo hídrico, coletando as sementes e movimentando a terra.
A exemplo, citam-se as máquinas coletoras, a coleta manual com bolsa para dispensação, as redes de contenção (figura 11), o uso de robô aspiradores e esteiras de coleta em consorciação a coleta manual (monda) (figura 12).
Figura 20 – Métodos de controle mecânico para plantas aquáticas.
Fonte: Elaborado pelo autor.
Figura 21 – métodos de controle mecânico para plantas aquáticas.
Fonte: Elaborado pelo autor.
Ressalta-se aqui que, independentemente do método de controle aplicado para solucionar a infestação de baronesas no rio Sapato, é imprescindível que a prefeitura municipal junto da comunidade desenvolva uma consciência coletiva, atuando principalmente nas questões que resolvam o saneamento básico municipal. Além disso, aderir a medidas preventivas para conter a reinfestação por rebroto ou sementes subjacentes.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
O segundo artigo sobre o rio Sapato teve como foco propor alternativas e possibilidades para contribuir com o processo de (des)poluição do curso hídrico através de um estudo bibliográfico.
De acordo com as informações consultadas, existem três formas de controle da propagação das baronesas, sendo o biológico com o uso de inimigos naturais que devem ser escolhidos após pesquisas estruturadas e atender o critério de densidade suficiente para contenção, o químico, onde se utilizam herbicidas dispensados diretamente na planta e produzem efeitos eficazes na interrupção do desenvolvimento e morte, em 60 até 100% dos casos e, por fim, o controle mecânico com a utilização de equipamentos, utensílios e a própria mão-de-obra humana.
Esses métodos podem ser aplicados concomitantemente, entretanto, é necessário realizar uma investigação precoce sobre os trechos estratégicos de intervenção no rio Sapato, pois, como se sabe, nem todas as áreas estão em mesmas condições de poluição que as outras. Além disso, soma-se a importância da Prefeitura Municipal formalizar um planejamento de saneamento básico e conscientização socioambiental para os populares.
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