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Resumo
INTRODUÇÃO
Este estudo fundamenta-se na necessidade de analisar de forma aprofundada os fatores que levam a sociedade, sobretudo em municípios de menor porte, a apresentar resistência à implementação da Educação em Tempo Integral. Tal proposta educativa tem como finalidade atender às múltiplas dimensões do desenvolvimento humano, abrangendo aspectos culturais, artísticos e sociais.
É relevante destacar que a Educação em Tempo Integral não deve ser reduzida a uma simples modalidade de ensino ou a uma metodologia voltada exclusivamente à promoção da aprendizagem. Trata-se de um modelo que necessita ser compreendido como uma proposta com identidade própria, cuja finalidade é estabelecer relações de reciprocidade com o desenvolvimento integral do indivíduo, tornando-o apto a interagir de maneira crítica e significativa com as diferentes situações que se apresentam ao longo da vida.
Sob esta perspectiva, torna-se imprescindível estabelecer uma relação democrática com a comunidade escolar, não apenas no processo de elaboração ou reestruturação do Projeto Político-Pedagógico (PPP), mas também nas múltiplas demandas que permeiam a instituição de ensino, sejam elas de ordem pedagógica, didática, estrutural ou relacionadas à reorganização da rede educacional.
No cenário educacional contemporâneo, a efetividade das práticas pedagógicas exige a construção de relações fundamentadas no diálogo entre famílias, profissionais da docência e equipes de apoio pedagógico e técnico-administrativo. A Educação em Tempo Integral, nesse sentido, configura-se como um processo que requer o engajamento coletivo, uma vez que objetiva o atendimento integral a crianças e adolescentes em situação de vulnerabilidade social, favorecendo um processo contínuo e ampliado de aprendizagem.
Ressalta-se a relevância de aprofundar os estudos acerca das dificuldades e desafios relacionados à implementação da Educação em Tempo Integral, bem como das possibilidades de superação dos preconceitos que ainda incidem sobre essa modalidade. A presente investigação foi conduzida por meio de abordagem quantitativa, ancorada na vivência cotidiana das instituições de ensino do município de Aporá, o que possibilitou identificar aspectos concretos da realidade escolar local.
Os resultados apontam que a consolidação dessa identidade educacional somente se torna viável quando sustentada por uma gestão participativa, que valorize a escuta ativa, a pedagogia da pergunta e a constante consideração das necessidades dos educandos. Tal dinâmica revela-se fundamental para a inovação e adaptação das estratégias de ensino, assegurando a efetividade do processo de aprendizagem.
Esse estudo assume relevância significativa para o campo educacional, na medida em que possibilita compreender as características da resistência manifestada pela sociedade aporaense, bem como os entraves enfrentados cotidianamente pelas escolas, sejam eles de natureza pedagógica ou de infraestrutura. Evidencia-se, ainda, a problemática acerca dos fatores que levam comunidades escolares e equipes gestoras a conceberem a Educação Integral mais como desafio do que como solução para a melhoria da qualidade da oferta educacional.
Por fim, destaca-se que a organização dos tempos escolares requer a valorização do professor como mediador do conhecimento, bem como a mobilização da comunidade – frequentemente resistente – para a participação ativa na gestão escolar. Tal articulação se mostra essencial para a construção de uma educação democrática, capaz de responder de forma efetiva às necessidades reais dos sujeitos envolvidos no processo de ensino-aprendizagem.
Para além das resistências manifestadas pelas famílias a implementação da Educação em Tempo Integral enfrenta desafios estruturais significativos. Entre eles, destacam-se as inadequações dos espaços físicos escolares, os quais, em grande parte, não se encontram devidamente preparados para acolher, de forma integral e humanizadora, crianças e adolescentes no processo educativo.
Esses entraves revelam não apenas uma limitação material, mas também uma dimensão simbólica que interfere diretamente na qualidade da oferta educacional. A ausência de ambientes planejados e adaptados para atividades diversificadas – sejam elas pedagógicas, culturais, artísticas ou de convivência – compromete o potencial formativo da Educação Integral, cujo objetivo é atender às múltiplas dimensões do desenvolvimento humano
A efetivação da Educação em Tempo Integral requer, para além da superação das resistências culturais e familiares, investimentos consistentes em infraestrutura escolar, acompanhados de uma gestão democrática e participativa. Apenas mediante a articulação entre famílias, comunidade e poder público será possível consolidar práticas pedagógicas que garantam condições materiais e simbólicas adequadas ao processo educativo.
Nesse sentido, a Educação Integral não deve ser compreendida como mera ampliação da jornada escolar, mas como uma política pública capaz de assegurar a formação plena dos educandos, especialmente daqueles em situação de vulnerabilidade social, contribuindo para a construção de uma sociedade mais equitativa e inclusiva.
CONCEITOS NORTEADORES DE EDUCAÇÃO
No processo de formação integral dos sujeitos, várias áreas do conhecimento se integram, conversam entre si, harmonizando-se coerentemente, dentre os diversos trabalhos, há a necessidade de destacar a educação em tempo integral como a educação capaz de preparar literalmente o sujeito para a vida.
É notório, que o ensino com uma metodologia tradicional, não dá conta do aprendizado dos alunos da atualidade como deu conta no passado, mesmo se for desenvolvido nas melhores escolas. Com isso, é preciso reunir o que há de melhor no ensino tradicional e ainda funciona, para aplicar de forma sistemática e delineada de acordo com as limitações e habilidades de cada escola, pautando a gestão ouvinte, que dialogue com todos os interessados no processo de aprender.
Segundo o Dicionário Aurélio online, (2008) educação é o “Conjunto de normas pedagógicas tendentes ao desenvolvimento geral do corpo e do espírito”, para tanto, em sua dimensão ampla a palavra educação pode ser entendida como o processo de desempenho de uma sociedade, sobre o desenvolvimento do indivíduo afim de que esse possa opinar na sociedade visando o alcance dos objetivos individuais ou coletivos.
A educação é um processo contínuo que norteia o indivíduo das novas descobertas a fim de organizar suas ações e assumir suas decisões dentro de suas habilidades e competências encontradas durante toda a vida profissional.
O Art. 1º da Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional – LDB Nº. 9.394/1996 evidencia que:
A educação abrange os processos formativos que se desenvolvem na vida familiar, na convivência humana, no trabalho, nas instituições de ensino e pesquisa, nos movimentos sociais e organizações da sociedade civil e nas manifestações culturais. (LDB. 1996 p. 01)
A Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional- -LDB Nº. 9.394/1996, ainda comprova em seu artigo 2º que:
A educação é dever da família e do estado, inspirada nos princípios de liberdade e nos ideais de solidariedade humana, tem por finalidade o pleno desenvolvimento do educando, seu preparo para o exercício da cidadania e sua qualificação para o trabalho. (LDB, 1996 p. 01)
Paulo Freire (1991, p.126), discorre a respeito do papel ímpar que a educação ocupa na sociedade, ele discorre que a educação detém do poder capaz de transformar a sociedade.
Você, eu, um sem-número de educadores sabemos todos que a educação não é a chave das transformações do mundo, mas sabemos também que as mudanças do mundo são um que fazer educativo em si mesmo. Sabemos que a educação não pode tudo, mas pode alguma coisa. Sua força reside exatamente na sua fraqueza. Cabe a nós pôr sua força a serviço de nossos sonhos.
O trabalho pedagógico, interligado com a Gestão Democrática é de importância fundamental para a construção do conhecimento, pautado na coleta de opiniões, gerenciando as diversas informações que visem a melhoria do ensino aprendizado dentro e fora das Instituições de Ensino, formando o cidadão de forma a atender todas as dimensões do desenvolvimento humano.
NORMATIZAÇÃO DA EDUCAÇÃO EM TEMPO INTEGRAL
Para a implementação da Educação em tempo Integral é preciso que o gestor municipal institua que as escolas dialoguem com todos os envolvidos no processo de ensino-aprendizagem, de forma que a família, os profissionais do Magistério e a comunidade a qual a escola está inserida dialoguem entre si.
Como professores, educadores, nós temos que estar engajados num palco de luta permanente, que é a luta pela superação que nós mesmos aceitamos. É preciso estarmos abertos constantemente ao novo e ao diferente, para poder crescer e aprender. (Freire, 1996 p. 165)
Os pais, assim como a comunidade, de modo geral, precisam mobilizar a causa dessa identidade de ensino, apoiando à gestão, opinando quando necessário e dando suas contribuições sempre que requisitados e desta forma, proporcionar uma educação com interdisciplinaridade.
Segundo Nogueira (1999, p.14):
Da formação para a cidadania, da possibilidade de promover uma educação mais significativa na escola, da solução de problemas de violência e vandalismo nas unidades escolares, da permanência das crianças na escola, das questões sobre a relação entre educação e trabalho…
Convém ressaltar que desde o ano de 2007 o Governo federal aprovou e instaurou o Programa Mais educação, atualmente reformulado e conhecido como Novo Mais Educação, que por sua vez, coloca as instituições educadoras para refletir sobre a preciosidade da educação Integral, bem como seus desafios.
Nos dias atuais o Plano Nacional de Educação com vigência de 2014 a 2024 propõe na 1ª meta universalização da oferta da Educação Infantil e consequentemente até o último ano de vigência oferecer educação integral para pelo menos 25% das crianças de 0 a 5 anos.
Mediante isso, percebe-se que não há muito que ser discutido, é preciso reestruturar a rede, promover educação continuada aos profissionais, não somente aos professores, como também às equipes pedagógicas e equipes de apoio das instituições de Ensino.
É preciso promover parcerias com a comunidade enquanto não se adequa a rede, podendo fazer utilização de espaços privados sob cooperação do proprietário, visando a democratização das opiniões, bem como, a interação comunidade e escola, de forma a articular todos os envolvidos na aprendizagem.
Os parâmetros Curriculares Nacionais (PCNs) em sua introdução, aborda a relevância em:
[…] mostrar a importância da participação da comunidade na escola, de forma que o conhecimento apreendido gere maior compreensão, integração e inserção do mundo; a prática escolar comprometida com a interdependência escola-sociedade tem como objetivo situar as pessoas como participantes da sociedade – cidadãos – desde o primeiro dia de sua escolaridade. (Brasil, 1998, p. 10).
As parcerias estabelecidas entre a comunidade e a iniciativa privada necessitam ser orientadas por um diálogo efetivo, que contemple não apenas a cessão de espaços, mas também a socialização de experiências.
Nesse contexto, torna-se relevante a inserção de membros da comunidade que possuam habilidades específicas para atuação em oficinas de acompanhamento pedagógico, bem como em atividades de caráter cultural, esportivo e de lazer. Tal iniciativa possibilita a ampliação das oportunidades educativas e promove o engajamento social, configurando-se como um incentivo à participação ativa dos sujeitos no processo formativo.
É crucial, portanto, reconhecer o papel do professor e apoiá-lo sempre de acordo com as possibilidades orçamentárias de cada cidade. Um ponto positivo é a lotação do professor ser integralmente em uma única escola, fortalecendo desta forma, o vínculo efetivo do professor com a comunidade.
EDUCAÇÃO E OS PROCESSOS DEMOCRÁTICOS NA EDUCAÇÃO INTEGRAL
Ao discutir sobre a importância ímpar do trabalho desenvolvido pela Gestão Democrática, no município de Aporá e, por consequência, pautado na educação integral, percebeu-se grande resistência a estes processos e insegurança ao buscar meios que transforme o ensino tradicional em ensino democrático, em educação capaz de formar o cidadão na totalidade.
Observa-se que os sujeitos envolvidos no processo de ensino-aprendizagem frequentemente apresentam preferência por práticas tradicionais, evidenciando uma tendência ao conservadorismo educacional. Nesse contexto, o ensino tradicional é percebido como modelo de maior eficácia, ainda que propicie uma postura passiva do educando frente ao conhecimento. Essa valorização de metodologias consolidadas pode, contudo, limitar a abertura para inovações pedagógicas e restringir a implementação de estratégias dinâmicas e transformadoras, essenciais para atender às demandas contemporâneas da educação.
Somente por meio da criação de estruturas democráticas que poderemos romper com a tradição autoritária do sistema de ensino: Era impossível fazer uma administração democrática, em favor da autonomia da escola que, sendo pública fosse também popular, com estruturas administrativas que só viabilizavam o poder autoritário e hierarquizado […] O que quero deixar claro é que um maior nível de participação democrática dos alunos, dos professores, das professoras, das mães, dos pais da comunidade local, de uma escola que, sendo pública, pretenda ir tornando‐se popular, demanda estruturas leves, disponíveis à mudança, descentralizadas, que viabilizem, com rapidez e eficiência, a ação governamental. (Freire, 2001, p. 74/75).
É pertinente que a escola empenhe toda a comunidade escolar, nos processos que dizem respeito ao aprendizado, pois só assim, aqueles que por consequências de muitos anos no tradicionalismo, não valorizam as mudanças que aprimoram o ensino, sendo a comunidade impulsionada por uma gestão democrática, não somente para opinar, mas para juntos pensar e buscar melhorias para a aprendizagem, viabilizando um planejamento pedagógico voltado para o avanço do ensino e do aprendizado.
O Art. 14 da Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional – LDB Nº. 9.394/1996 evidencia que:
Os sistemas de ensino definirão as normas da gestão democrática do ensino público na educação básica, de acordo com as suas peculiaridades e conforme os seguintes princípios:
I – Participação dos profissionais da educação na elaboração do projeto pedagógico da escola;
II – Participação das comunidades escolar e local em conselhos escolares ou equivalentes.
Ao longo de anos de convivência trabalhando diretamente dentro das escolas, foi perceptível observar que algumas opiniões ricas, até são ouvidas, porém nunca colocadas em prática, segundo Placco (2003, p. 52).
Toda a equipe deverá ter oportunidade e momentos de trocas, de comunicação para buscar de parcerias e solidariedade entre os profissionais, no caminho de reflexões que gerem soluções mais aprofundadas e criativas quanto aos obstáculos e problemas emergentes no caminho do cotidiano.
Ao conversar com professores e funcionários das Escolas Municipais, observou-se a necessidade da atuação da Gestão Democrática, que seja capaz de colocar em primeira instância a aprendizagem dos alunos, visando à melhoria do ensino e não apenas cumprindo regras advindas e ditadas pela secretaria de educação, que muitas das vezes, não comunga com a realidade social, cultural e geográfica de todas as instituições atendidas pela mesma.
Em conversas constantes nota-se que para muitos, é de fácil execução o planejamento feito em tempos de outrora, que por sua vez era eficiente, em momentos de muitas conversas e diálogos abertos exortando sobre a importância de diversificar os conteúdos de colocar algo que possa satisfazer os sujeitos integralmente, dinamizando às práticas de ensino, inserindo aulas de campo, aulas lúdicas, culturais, artísticas, implantando práticas que tomem a atenção dos alunos, sendo as necessidades dos educandos a cerne para a elaboração de todo o planejamento.
Foi a partir da conversação que professores e direção passaram a deliberar sobre a importância da Gestão Ouvinte e que promova o diálogo que segundo Libâneo (2008, p.202-203).
Trata-se, pois, de investir em processos democráticos de gestão que sejam, eficazes, em duas frentes: a) nos órgãos centrais e intermediários do sistema de ensino, para formular políticas e diretrizes claras de ação…; b) na gestão interna das escolas, em que se destaca o papel da direção e da coordenação pedagógica.
É a partir de então que é possível entender que a escola é uma instituição social que, seu objetivo é formar cidadãos, preparados para o exercício da cidadania, não podendo ser vista como um ambiente proveniente de isolamentos de opiniões, mas uma entidade que traça de maneira democrática com objetivos de bens comuns, pois a Educação Integral torna o cidadão mais humano.
Diante das diversas conversações com comunidade, professores e gestão, foi possível entender que antes, é preciso pautar a gestão democrática, não somente na forma de escola dos diretores, mas no desempenhar das funções, as quais competem ao gestor. Este precisa pautar a pedagogia da pergunta a qual é possível ouvir toda a comunidade escolar e a partir de então, construir, através do PPP uma escola que atenda a todas as especificidades.
Esse pressuposto é reforçado por Freire (2005, p. 79):
Não se trata obviamente de impor à população espoliada e sofrida que se rebele, que se mobilize, que se organize para defender-se, vale dizer, para mudar o mundo. Trata-se na verdade – não importa se trabalhamos com alfabetização, com saúde, com evangelização ou com todas elas –, de, simultaneamente com o trabalho específico de cada um desses campos, desafiar os grupos populares para que percebam, em termos críticos a violência e a profunda injustiça que caracterizam a sua situação concreta. Mais ainda, que sua situação concreta não é destino certo ou vontade de Deus, algo que não pode ser mudado.
Entretanto, é imprescindível ressaltar a importância ímpar dos Projetos Político Pedagógico das Instituições de Ensino, das de pequeno às de grande porte, pois é o PPP que norteia as ações que cada escola desenvolve. Não basta ser democrático, é preciso estabelecer uma didática de diálogo que possibilite a elaboração de uma educação eficaz capaz de formar o cidadão para a vida.
Nesse sentido, torna-se imprescindível deliberar as ações voltadas à implementação da Educação em Tempo Integral, de modo a considerar as especificidades inerentes a cada escola, a cada comunidade e a cada criança. Essa modalidade de ensino demanda uma organização pedagógica que contemple a diversidade cultural, social e econômica dos territórios, respeitando as singularidades do contexto local e as necessidades formativas dos educandos.
Assim, a construção de seus caminhos, a definição de seus limites e a ampliação de suas possibilidades configuram-se como processos dinâmicos que exigem planejamento participativo, gestão democrática e constante reflexão crítica. A Educação em Tempo Integral, portanto, não pode ser compreendida como um modelo uniforme e homogêneo, mas como uma política educacional que deve se adaptar às realidades plurais, assegurando a equidade, a inclusão e a formação integral dos sujeitos.
EDUCAÇÃO INTEGRAL, DESAFIOS E RESULTADOS
Ao priorizar a educação com a prática e nomenclatura integral, imprescindível salientar a necessidade de viabilizar um diálogo promissor no sentido de atender a todas as necessidades dos sujeitos, a todas as necessidades dos educandos.
Desafiada pala ociosidade de espaços nas instituições de ensino e a falta de formação continuada dos profissionais que atuam no magistério, a Educação Integral, passa por discursões importantes, as quais visa ampliação da carga horárias de 4 para 7 horas de efetivo trabalho pedagógico. No entanto, não basta somente colocar o estudante dentro da escola, é preciso colocar e colocar com qualidade.
Mediante esse pressuposto, faz-se necessário encarar a modalidade de educação integral com propriedade, segurança e planejamento que visem atender a todas as necessidades pedagógicas, artísticas e culturais dos seres humanos, pautando assim, uma educação que viabilize caminhos para um futuro promissor.
Os educandos dos dias atuais nascem dentro de culturas letradas, as chamadas culturas digitais, para tanto, a escola precisa acompanhar todas essas especificidades, dando segmentos a aprendizagem pautada a atender à demanda dos novos discípulos, que por sua vez, imprimem uma didática um tanto tecnológica.
A educação, desafiada em todas as esferas do planeta, ao ser estudada na Itália por Gramsci, (2004, p. 49) entendia-se que:
A marca social é dada pelo fato que cada grupo social tem um tipo de escola próprio, destinado a perpetuar nestes es- tratos uma determinada função tradicional, dirigente ou instrumental. Se se quer destruir esta trama, portanto, deve-se não multiplicar e hierarquizar os tipos de escola profissional, mas criar um tipo único de escola prepara- tória (primária-média) que conduza o jovem até os um-brais da escolha profissional, formando-o durante este meio tempo, como pessoa capaz de pensar, de estudar, de dirigir ou de controlar quem dirige.
Com ações proativas a educação integral visa tirar os sujeitos da inércia, colocando, a comunidade escolar para não somente opinar, mas dialogar e pensar juntas formas de sanar situações e alcançar o êxito na aprendizagem. Colocando as crianças para aprender fazendo, para aprender lidando com as reais e distintas situações.
O diálogo é este encontro dos homens, mediatizados pelo mundo, para pronunciá-lo, não se esgotando, portanto, na relação eu-tu (…) se é dizendo a palavra com que, ‘pronunciando’ o mundo, os homens o transformam, o diálogo se impõe como caminho pelo qual os homens ganham significação enquanto homens. (Freire, 1987, p. 78-79)
Nos dias atuais é preciso pautar uma educação em que transforme a vida do cidadão e dê prazer durante o período de transformação, sendo a escola a mentora de tais transformações, por isso, a educação integral é resultante de participação comunitária, para assim, conseguir os objetivos reais de uma escola que visa formar cidadãos capazes de enfrentar o mundo com conhecimentos, habilidades e atitudes.
Desta forma, entende-se que educação nos dias atuais se faz com proatividade, onde os sujeitos participam da modelagem do planejamento, buscando juntos estratégias que possam sanar problemas existentes ou prevenir situações desagradáveis.
Todo planejamento educacional, para qualquer sociedade, tem que responder às marcas e aos valores dessa sociedade. Só assim é que pode funcionar o processo educativo, ora como força estabilizadora, ora como fator de mudança. (…) para ser autêntico, é necessário ao processo educativo que se ponha em relação de organicidade com a contextura da sociedade a que se aplica. (Freire, 2001, pg. 10)
É nesse pensamento que se faz necessário oferecer uma educação com gestões democráticas, que os desafios sejam sanados com participação de todos, onde todos possam, não somente opinar, mas ajudar nos processos de tomada de decisão pensando junto, entretanto, pensar junto não significa pensar igual.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
Objetivado pela importância de enfatizar a educação em tempo integral e suas adversidades, o presente trabalho, teve como objeto de pesquisa as escolas que possuem o Novo Mais Educação no município de Aporá estado da Bahia.
Surgiu a partir do gritante problema o qual as direções de escolas e a comunidade escolar, pais, professores, profissionais de apoio, enfim… encaram a educação em tempo Integral como um desafio, ou como um problema e não como uma solução para melhorar a qualidade da oferta do ensino, onde na verdade a mesma é uma educação capaz de tirar o aluno da inércia.
Pautado numa metodologia quantitativa com uma abordagem descritiva, através da presente pesquisa, conclui-se que todos os envolvidos no processo educacional passe por uma formação, eu diria uma severa formação continuada e obrigatória, que objetive a conscientização da proatividade da educação integral.
Quando os que integram o quadro de professores, equipes pedagógicas e equipes de apoio, começarem a falar a mesma língua, começarem a comungar dos mesmos objetivos, aí sim, será possível dialogar com as famílias e implantar de verdade a educação que contemple todas as especificidades dos educandos.
Em meio a essa formação e conscientização pauta-se a necessidade de adequação dos espaços escolares, que por sua vez, não imprimem a realidade da educação dos dias atuais, não somente a educação integral, mas também da educação como um todo.
Ademais, para que a educação se efetive de fato, seja proativa e gere resultados é preciso investir em bibliotecas, brinquedotecas, salas de informática, quadra de esportes. Ressalta-se que é preciso um amplo investimento advindo das esferas, federais, estaduais e municipais.
Em suma, a partir desse pressuposto, implantar aulas práticas objetivando elencar a cultura regional a qual a escola está inserida, isso seria possível com a adequação do currículo e a organização dos horários, pautado nas adversas necessidades e habilidades dos educandos, principalmente àqueles que residem na zona rural ou provém de culturas desfavorecidas socialmente.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
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