Abordagem Reggio Emília e neurociência: Integrações necessárias para uma educação transformadora na infância

REGGIO EMILIA APPROACH AND NEUROSCIENCE: NECESSARY INTEGRATIONS FOR A TRANSFORMATIVE EDUCATION IN CHILDHOOD

ENFOQUE REGGIO EMILIA Y NEUROCIENCIA: INTEGRACIONES NECESARIAS PARA UNA EDUCACIÓN TRANSFORMADORA EN LA INFANCIA

Autor

URL do Artigo

https://iiscientific.com/artigos/43A93E

DOI

doi.org/10.63391/43A93E

Oliveira, Paula Fernanda Freitas de . Abordagem Reggio Emília e neurociência: Integrações necessárias para uma educação transformadora na infância. International Integralize Scientific. v 5, n 51, Setembro/2025 ISSN/3085-654X

Resumo

O estudo analisa práticas pedagógicas na Educação Infantil fundamentadas na escuta ativa, na afetividade e na responsividade, articulando saberes educacionais e neurocientíficos. A pesquisa adota abordagem qualitativa, com base em revisão de literatura e análise documental, a fim de compreender como essas práticas contribuem para o desenvolvimento integral da criança. As reflexões apontam que a escuta ativa permite ao educador reconhecer as múltiplas linguagens da infância, reorganizar planejamentos e favorecer vínculos afetivos significativos. A organização intencional dos ambientes e a valorização das experiências sensoriais emergem como estratégias centrais. Conclui-se que a escuta e o afeto constituem fundamentos éticos e pedagógicos essenciais para práticas responsivas que respeitam a infância como tempo presente e formativo.
Palavras-chave
educação infantil; escuta ativa; prática pedagógica; desenvolvimento infantil; responsividade.

Summary

This study analyzes pedagogical practices in Early Childhood Education based on active listening, affectivity, and responsiveness, integrating educational and neuroscientific knowledge. The research adopts a qualitative approach, grounded in literature review and document analysis, to understand how these practices contribute to the child’s holistic development. The reflections suggest that active listening allows educators to recognize children’s multiple forms of expression, adapt planning, and foster meaningful emotional bonds. Intentional organization of learning environments and the appreciation of sensory experiences emerge as central strategies. It is concluded that listening and affection are essential ethical and pedagogical foundations for responsive practices that respect childhood as a formative and present stage.
Keywords
early childhood education; active listening; pedagogical practice; child development; responsiveness.

Resumen

El estudio analiza prácticas pedagógicas en la Educación Infantil basadas en la escucha activa, la afectividad y la capacidad de respuesta, articulando conocimientos educativos y neurocientíficos. La investigación adopta un enfoque cualitativo, fundamentado en revisión bibliográfica y análisis documental, con el objetivo de comprender cómo estas prácticas contribuyen al desarrollo integral del niño. Las reflexiones indican que la escucha activa permite al educador reconocer los múltiples lenguajes de la infancia, reorganizar la planificación y fomentar vínculos afectivos significativos. La organización intencional de los ambientes de aprendizaje y la valorización de las experiencias sensoriales surgen como estrategias centrales. Se concluye que la escucha y el afecto son fundamentos éticos y pedagógicos esenciales para prácticas responsivas que respetan la infancia como una etapa formativa y presente.
Palavras-clave
educación infantil; escucha activa; práctica pedagógica; desarrollo infantil; capacidad de respuesta.

INTRODUÇÃO

A Educação Infantil tem sido objeto de crescente valorização nas políticas públicas e nos debates acadêmicos nas últimas décadas, sendo reconhecida como etapa fundamental para o desenvolvimento integral da criança. Segundo a Base Nacional Comum Curricular (BNCC), essa fase deve garantir vivências que incentivem o bem-estar, o aprendizado e o respeito aos direitos de desenvolvimento das crianças (Brasil, 2017). Assim, a forma como os espaços são organizados, as práticas de ensino e as interações se tornam elementos centrais no contexto educacional.

O avanço das pesquisas em educação e neurociência tem evidenciado como as vivências nos primeiros anos de vida são cruciais para moldar nossas habilidades mentais, emocionais e sociais (Almeida; Brito, 2021). Essa conexão entre áreas do conhecimento ajuda a criar espaços de aprendizado mais atentos ao crescimento das crianças. Tal cenário nos leva a reavaliar o trabalho do professor e as ações na escola com base em dados científicos modernos.

Nesse cenário, métodos de ensino como o de Reggio Emilia ganharam notoriedade devido à sua visão da criança como indivíduo capaz, criativo e detentor de direitos, além de priorizar a atenção à voz dos alunos, o registro de suas atividades e a beleza dos ambientes de aprendizado (Edwards; Gandini; Forman, 2016). Tais ideias têm inspirado mudanças em várias escolas que almejam proporcionar vivências relevantes na primeira etapa da vida escolar.

A escuta ativa e a responsividade surgem como princípios metodológicos e éticos que atravessam as práticas pedagógicas contemporâneas, deslocando o foco da educação centrada no ensino para a valorização da experiência e da expressão infantil. Conforme aponta Rinaldi (2012), escutar é um ato pedagógico e político, que implica em reconhecer as múltiplas linguagens das crianças e a legitimidade de suas narrativas. Essa perspectiva transforma a prática docente em um processo contínuo de observação, interpretação e diálogo.

Justifica-se, portanto, o estudo como forma de investigar implicações das práticas educativas responsivas e afetivas na organização do cotidiano pedagógico, tendo como base os saberes produzidos pelas neurociências e pelas pedagogias participativas. Tais práticas possuem potencial para fortalecer o vínculo entre criança e educador, promover ambientes mais inclusivos e qualificar os processos de aprendizagem (Souza; Gonçalves, 2020).

Além disso, a valorização do protagonismo infantil, associada à criação de espaços esteticamente organizados, tem sido considerada uma estratégia relevante para o estímulo da curiosidade, da criatividade e da formação de conexões neurais complexas, conforme defendem Damásio (2012) e Bronfenbrenner (1996). A articulação entre teoria e prática, entre conhecimento científico e saber pedagógico, configura-se como eixo estruturante para o desenvolvimento de propostas inovadoras e transformadoras na Educação Infantil.

Diante disso, este estudo tem como objetivo compreender como práticas pedagógicas fundamentadas na escuta ativa, na afetividade e na responsividade, articuladas com os saberes das neurociências, contribuem para o desenvolvimento integral da criança na Educação Infantil. A relevância da pesquisa está ancorada na necessidade de qualificar a atuação docente a partir de evidências teóricas e científicas que respeitem a infância como tempo legítimo de produção de cultura, identidade e conhecimento.

METODOLOGIA

Este estudo adotou uma abordagem qualitativa por compreender que os fenômenos investigados como a escuta ativa, a afetividade e as práticas pedagógicas na Educação Infantil envolvem significados, valores e experiências subjetivas que não podem ser reduzidos a dados quantificáveis. De acordo com Lüdke e André (2012), a pesquisa qualitativa busca interpretar a realidade a partir do ponto de vista dos sujeitos, valorizando a compreensão dos contextos sociais e educativos nos quais os fenômenos ocorrem.

Conforme Minayo (2001), essa abordagem permite acessar o universo simbólico dos participantes, revelando aspectos profundos das relações sociais, das práticas educativas e das representações de mundo. O estudo fundamenta-se na análise de produções acadêmicas e documentos pedagógicos, por meio de revisão de literatura e análise documental, sendo conduzido com base na interpretação crítica e no diálogo entre teoria e prática.

O tratamento dos dados foi orientado pela identificação de categorias emergentes e pela articulação reflexiva com referenciais teóricos contemporâneos. A análise seguiu os princípios da indução analítica, conforme proposto por Lüdke e André (2012), buscando compreender os sentidos atribuídos às práticas educativas a partir das evidências analisadas. Dessa forma, o estudo valoriza a profundidade interpretativa e o compromisso com a realidade investigada, conforme defendem os princípios metodológicos da pesquisa qualitativa.

RESULTADOS E DISCUSSÃO

A ESCUTA NAS PRÁTICAS PEDAGÓGICAS

Schiratto et al. (2025) destacam que a escuta da criança é um dos elementos centrais para a construção de uma transição respeitosa entre a Educação Infantil e o Ensino Fundamental. Para os autores, a escuta ativa constitui-se como uma prática pedagógica que reconhece a criança como sujeito ativo de direitos, sendo essencial para evitar rupturas nos processos de aprendizagem e desenvolvimento emocional. 

Gabriel et al. (2023) ressaltam que a escuta ativa constitui-se em uma dimensão fundamental para a organização do trabalho pedagógico na Educação Infantil, sobretudo em propostas que valorizam a escuta como metodologia. Os autores argumentam que a escuta, entendida como prática pedagógica, permite ao educador acolher as manifestações das crianças e, a partir delas, construir planejamentos mais coerentes com suas necessidades e interesses. Essa abordagem reforça a centralidade da criança no processo educativo.

Medeiros et al. (2023) indicam que a escuta ativa é componente essencial nas práticas de documentação pedagógica, as quais, ao registrarem falas e ações das crianças, promovem uma reflexão constante sobre os modos de aprender e interagir dos sujeitos infantis. A escuta, nesse contexto, não se resume à captação de falas, mas se amplia para uma observação atenta e intencional que subsidia práticas mais responsivas. Os autores associam diretamente a escuta à construção de registros significativos.

Souza e Martins (2023) afirmam que, no processo de construção de práticas pedagógicas, a escuta da criança se configura como mediação essencial para o reconhecimento da infância como categoria social. Para os autores, escutar a criança é considerar sua história, seu lugar na cultura e suas formas próprias de expressão. 

Gabriel et al. (2023) enfatizam que, em experiências educativas marcadas pela escuta, os planejamentos se tornam mais flexíveis e abertos, pois partem dos repertórios culturais das crianças. Os autores observam que a escuta permite o desenvolvimento de um currículo emergente, no qual as ações das crianças ganham centralidade e as intenções do educador são constantemente reelaboradas. 

Schiratto et al. (2025) relatam que, ao se reconhecer a escuta como fundamento da ação pedagógica, a escola se transforma em um espaço que respeita o tempo da criança, seu ritmo e suas formas próprias de interação. Os autores sustentam que práticas pedagógicas ancoradas na escuta favorecem a continuidade entre as etapas escolares e diminuem a incidência de tensões no processo de transição. 

Medeiros et al. (2023) observam que a escuta se concretiza nas práticas de observação sistemática, nas conversas cotidianas e na organização dos espaços educativos. Para os autores, trata-se de uma atitude profissional que requer disponibilidade para ouvir e registrar, sem julgamentos ou intervenções precipitadas.

Segundo Araújo (2023), a abordagem de Reggio Emilia, a escuta ativa permite que o educador compreenda os processos simbólicos e expressivos da criança, essa concepção se apoia na ideia de que a criança é um sujeito de direitos, que constrói conhecimento por meio da interação com o outro e com o ambiente, sendo escutar um gesto pedagógico e ético fundamental.

Para Edwards et al. (2016), essa escuta está diretamente ligada ao protagonismo infantil e à valorização das expressões não verbais. Ao compreender o que a criança comunica com seus gestos, desenhos, movimentos ou silêncio, o educador amplia as possibilidades de mediação e proposição pedagógica, criando ambientes mais responsivos, como defende Araújo (2023).

A escuta ativa também está relacionada ao desenvolvimento de vínculos afetivos entre educadores e crianças, os quais influenciam diretamente na organização do sistema nervoso central. Pesquisas recentes destacam que o afeto é um dos elementos centrais para a neuroplasticidade  a capacidade do cérebro de se adaptar e formar novas conexões (Almeida; Brito, 2021).

AFETIVIDADE E PLASTICIDADE NO DESENVOLVIMENTO COGNITIVO

Rabelo et al. (2021) afirmam que as emoções exercem papel estruturante no processo de desenvolvimento da aprendizagem, especialmente na faixa etária de zero a cinco anos. De acordo com as autoras, o vínculo afetivo entre educador e criança constitui-se como um elemento central para a mediação pedagógica, influenciando diretamente a organização das funções cognitivas. 

Souza e Martins (2023) observam que os estudos da infância revelam uma conexão profunda entre afetividade e cognição, sendo a plasticidade cerebral na primeira infância um fenômeno amplamente reconhecido pelas neurociências. Os autores analisam diversas correntes pedagógicas e teóricas que apontam para a relevância de ambientes afetivamente positivos, que contribuem para o fortalecimento das conexões neurais, ampliando o potencial de aprendizagem da criança nos primeiros anos de vida.

Santos e Carvalho (2025) enfatizam que a arte contemporânea, quando integrada à Educação Infantil, oferece experiências estéticas e afetivas que mobilizam o corpo e os sentidos das crianças, favorecendo a construção de vínculos e o desenvolvimento de habilidades cognitivas. Segundo os autores, as instalações de jogo operam como dispositivos que estimulam a curiosidade, a experimentação e a imaginação, elementos diretamente relacionados à plasticidade cerebral e à formação de circuitos cognitivos.

Rabelo et al. (2021) analisam que o afeto não apenas influencia a aprendizagem como também está presente nas bases fisiológicas do desenvolvimento cerebral. As autoras apontam que o cérebro infantil é altamente receptivo às emoções vividas na interação com os adultos e que experiências afetivamente negativas podem comprometer a capacidade de atenção, a memória e a linguagem, enquanto vivências positivas potencializam essas funções cognitivas.

Gabriel et al. (2023) observam que ambientes que valorizam o protagonismo infantil e o acolhimento das emoções favorecem o desenvolvimento de competências cognitivas por meio de interações afetivas e colaborativas. Os autores relatam que a abordagem de Reggio Emilia considera o afeto como parte da estética educacional, promovendo situações de aprendizagem que respeitam os sentimentos das crianças e estimulam a expressão e a reflexão, elementos associados ao desenvolvimento do pensamento lógico e simbólico.

Souza e Martins (2023) reforçam que o reconhecimento da infância como categoria histórica exige que o educador compreenda a criança em sua totalidade, o que inclui os aspectos afetivos e emocionais. Para os autores, práticas pedagógicas que ignoram as dimensões afetivas tendem a produzir distanciamento e desmotivação, ao passo que aquelas que consideram os sentimentos da criança como centrais favorecem a apropriação ativa de saberes e a construção do raciocínio crítico.

Santos e Carvalho (2025) concluem que as interações afetivas proporcionadas por experiências artísticas na Educação Infantil contribuem para a consolidação de aprendizagens significativas e duradouras. Segundo os autores, as experiências sensoriais e emocionais vivenciadas nas instalações de jogo, por exemplo, possibilitam que a criança organize esquemas mentais e elabore hipóteses sobre o mundo, demonstrando como o afeto e a cognição operam de forma interdependente no início da vida.

PRÁTICAS RESPONSIVAS  NO DESENVOLVIMENTO DA CRIANÇA

Medeiros et al. (2023) destacam que a prática educativa responsiva se manifesta por meio da documentação pedagógica, a qual tem o propósito de tornar visível o pensamento e as ações da criança. Os autores afirmam que essa estratégia não apenas valoriza a escuta e a observação atenta, mas também fomenta a construção de um ambiente pedagógico no qual as crianças são protagonistas de seus processos de aprendizagem. 

Schiratto et al. (2025) observam que o respeito ao tempo e ao modo próprio de aprender das crianças constitui uma das bases das práticas educativas responsivas. Os autores defendem que a transição entre a Educação Infantil e o Ensino Fundamental deve ser construída com base em escuta ativa, continuidade de vínculos e planejamento compartilhado. 

Santos e Carvalho (2025) indicam que as práticas pedagógicas que promovem instalações de jogo são exemplos de ações responsivas que reconhecem a criança como sujeito estético e criador. Os autores ressaltam que, ao serem convidadas a participar de contextos lúdicos e abertos, as crianças desenvolvem habilidades cognitivas e socioemocionais de maneira integrada. 

Gabriel et al. (2023) descrevem que, na abordagem de Reggio Emilia, a responsividade está presente na organização dos espaços escolares, pensados como ambientes provocadores e estimulantes. Os autores afirmam que a disposição dos materiais, a estética dos espaços e a valorização do diálogo são formas concretas de reconhecer e responder às múltiplas linguagens das crianças. 

Souza e Martins (2023) argumentam que as práticas educativas responsivas se fundamentam na compreensão da infância como tempo de produção cultural e não apenas como preparação para a vida adulta. Os autores afirmam que, ao reconhecer a criança como sujeito de direitos, o educador é instado a repensar suas ações pedagógicas, abandonando modelos autoritários e valorizando a participação ativa dos pequenos nas decisões cotidianas. 

Schiratto et al. (2025) ressaltam que a formação continuada dos professores é um dos pilares para a construção de práticas responsivas. Os autores defendem que o educador deve ser preparado para atuar como pesquisador de seu cotidiano, desenvolvendo a capacidade de escutar, interpretar e dialogar com as manifestações infantis. 

Medeiros et al. (2023) afirmam que a prática educativa responsiva requer um olhar investigativo sobre o cotidiano escolar, orientado por registros sistemáticos e pela reflexão constante. Para os autores, essa abordagem possibilita que o planejamento pedagógico seja ajustado às realidades observadas, respeitando os tempos e interesses das crianças. 

ARTICULAÇÃO DE SABERES EDUCACIONAIS E NEUROCIENTÍFICOS

Souza e Martins (2023) apontam que a integração entre os saberes pedagógicos e os conhecimentos oriundos das neurociências é fundamental para repensar os ambientes de aprendizagem na Educação Infantil. Os autores defendem que o reconhecimento da infância como tempo de produção de cultura exige práticas fundamentadas em evidências científicas sobre o desenvolvimento cerebral. Segundo eles, é necessário que o educador compreenda a complexidade das experiências infantis e o papel que o ambiente exerce sobre as funções cognitivas em construção.

Medeiros et al. (2023) enfatizam que os ambientes de aprendizagem devem ser organizados com base em planejamentos intencionais, que considerem tanto os aspectos afetivos quanto os estímulos necessários à formação das conexões neurais. Os autores afirmam que o espaço educativo precisa funcionar como mediador do processo de aprendizagem, proporcionando condições adequadas para a exploração, a investigação e o exercício da autonomia pelas crianças. 

Segundo Araújo (2023), o ambiente pedagógico deve ser esteticamente organizado, estimulante e aberto à experimentação, permitindo que a criança explore o mundo e construa significados. Essa configuração está alinhada com as contribuições das neurociências para a educação, que indicam que o aprendizado significativo é mediado pelo afeto e pela curiosidade (Damásio, 2012).

Gabriel et al. (2023) analisam que, na abordagem de Reggio Emilia, o ambiente é considerado o terceiro educador, ao lado da criança e do adulto. Os autores destacam que essa concepção implica uma profunda valorização das contribuições das neurociências, ao considerar que a estética, a organização dos espaços e a presença de elementos naturais e culturais potencializam as experiências sensoriais e cognitivas. Para eles, o ambiente deve ser preparado como um lugar de aprendizagem relacional, no qual as interações promovem o desenvolvimento integral.

Santos e Carvalho (2025) argumentam que a arte contemporânea, especialmente por meio das instalações de jogo, constitui-se como potente articuladora entre saberes educacionais e sensoriais. Os autores indicam que a construção de espaços lúdicos e experimentais favorece a imersão das crianças em experiências que estimulam diferentes áreas cerebrais, fortalecendo habilidades como atenção, coordenação motora e criatividade. 

Quando o educador realiza uma escuta ativa e valoriza a narrativa da criança, ele contribui diretamente para a formação das sinapses e para o fortalecimento de processos cognitivos como memória, atenção e linguagem (Souza; Gonçalves, 2020).

Medeiros et al. (2023) sustentam que a documentação pedagógica é uma estratégia que promove a aproximação entre a prática docente e os princípios das neurociências. Para os autores, ao registrar e refletir sobre as ações das crianças, o educador tem a possibilidade de reorganizar o espaço e os materiais de acordo com os interesses e as necessidades identificadas. 

Souza e Martins (2023) observam que os ambientes de aprendizagem não devem ser neutros, mas sim contextos culturalmente significativos que provoquem a curiosidade e favoreçam o pensamento crítico. Os autores afirmam que a organização dos espaços deve dialogar com os conhecimentos produzidos sobre a cognição infantil, respeitando os modos próprios de exploração e simbolização característicos da infância. 

Gabriel et al. (2023) reforçam que o ambiente escolar precisa estar em constante transformação, acompanhando o desenvolvimento das crianças e os novos dados produzidos pelas pesquisas educacionais e científicas. Os autores indicam que os espaços devem ser pensados como territórios de escuta e de expressão, nos quais o corpo, os sentidos e os afetos participam ativamente do processo de aprendizagem. 

De acordo com Bronfenbrenner (1996), o desenvolvimento humano ocorre em função das interações nos múltiplos sistemas em que a criança está inserida. Práticas educativas que reconhecem esse princípio tendem a ser mais eficazes em promover o engajamento, a autoestima e o autoconceito infantil.

CONSTRUÇÃO DE ESPAÇO EDUCATIVO

Rinaldi (1999) destaca que o planejamento nos Ateliês Reggio Emilianos deve considerar a organização dos espaços, dos materiais e das situações pedagógicas com base nas hipóteses e escolhas feitas pelas crianças. A autora aponta que o processo educativo requer a preparação cuidadosa dos ambientes, articulando-se com os sentidos atribuídos pelas crianças ao que vivenciam.

Ostetto (2008) orienta que é necessário reconhecer o caráter poético e metafórico do pensamento infantil, sendo esse reconhecimento uma condição para favorecer a expressão das múltiplas linguagens das crianças. A autora destaca que a escuta sensível e o compartilhamento de experiências são fundamentais nesse processo.

Rinaldi (2012) aponta que o processo de aprendizagem é construído individual e socialmente, sendo compreendido como um ato de construção entre sujeitos em interação. A autora ressalta que as explicações e os significados atribuídos por outras pessoas são indispensáveis à construção do conhecimento de cada indivíduo.

Senna (2010) destaca a imagem da criança como alguém que experimenta o mundo desde o nascimento, estando repleta de curiosidade e desejo de significação. A autora afirma que essa criança possui capacidades cognitivas, afetivas e sociais que a posicionam como sujeito participante da vida e da cultura.

Hoyuelos (2006) apresenta a imagem da infância proposta por Malaguzzi como uma concepção construtivista, em que a criança é percebida como potente, criativa e inventiva desde os primeiros anos. O autor evidencia a atribuição de grandes riquezas ao ser infantil, reforçando sua centralidade na proposta pedagógica.

Rinaldi (2012) ressalta que não há criatividade na criança sem criatividade no adulto, indicando que a presença de um educador criativo é essencial para que a criança possa expressar seu potencial criador. A autora reforça a necessidade de envolvimento consciente do adulto na proposta pedagógica.

Burdzinski (2017) destaca que o conhecimento circula pelas diversas expressões de linguagens e contextos, não sendo imposto por uma via única. A autora sugere que a relação pedagógica deve favorecer a circularidade do saber, promovendo trocas significativas entre crianças, professores e ambientes.

Rabitti (1999) aponta que a proposta dos Ateliês visa ampliar as imagens mentais e as narrativas das crianças sobre o mundo. O autor enfatiza a importância de não se reduzir as experiências infantis às primeiras respostas, incentivando a diversidade de significados.

Larrosa (2004) orienta que as práticas pedagógicas devem considerar o outro e sua alteridade, promovendo uma integração entre escola e comunidade. O autor destaca que a escuta do outro contribui para o reconhecimento das diferenças culturais e sociais, ampliando o horizonte da ação educativa.

Gandini e Goldhaber (2002) afirmam que a Documentação Pedagógica permite registrar e comunicar as descobertas das crianças nos espaços educativos. Os autores indicam que essa prática oferece subsídios para a reflexão docente e para o desenvolvimento profissional contínuo no contexto da Educação Infantil.

CULTURA DA INFÂNCIA E ÉTICA DO CUIDADO

A valorização da cultura da infância é dar importância à cultura infantil é essencial para práticas de ensino inovadoras. Essa ideia entende a criança como um ser com história, cultura e inserção social, com jeitos únicos de mostrar e entender o mundo. Rinaldi (2012) diz que entender a infância é aceitar como ela fala, pensa e sente, e isso pede que os professores ouçam com atenção. Essa visão supera o foco no adulto e estimula a criação de métodos de ensino mais abertos e justos.

Nesse cenário, a ética do cuidado se revela um aspecto crucial da prática educativa. É uma atitude que une delicadeza, responsabilidade e uma dedicação ao bem-estar infantil, encarando o cuidado como um princípio fundamental tanto no ensino quanto nas relações. Noddings (2005) argumenta que o cuidado transcende o mero sentimento, sendo uma ética de relacionamento fundada na abertura, na atenção e na resposta precisa às carências alheias. Essa perspectiva se alinha à filosofia de Reggio Emilia, onde a interação educativa é moldada pela compreensão e pelo respeito recíproco.

A escuta ativa, quando fundamentada na ética do cuidado, torna-se um dispositivo de valorização da subjetividade infantil. Escutar é, portanto, acolher a linguagem da criança em sua totalidade: palavras, gestos, silêncios, desenhos e brincadeiras. Como apontam Schiratto et al. (2025), a escuta é ato político e pedagógico, pois legitima a criança como produtora de sentidos e conhecimentos. Essa concepção permite ao educador construir vínculos autênticos, reorganizar seus planejamentos e elaborar propostas educativas mais significativas.

A cultura da infância também se expressa na maneira como as crianças se relacionam com o ambiente. A abordagem Reggio Emilia, conforme descrita por Edwards, Gandini e Forman (2016), considera o ambiente como o “terceiro educador”, cuja organização estética, sensorial e simbólica é fundamental para a promoção de aprendizagens ricas e interativas. A ética do cuidado se revela na intencionalidade com que se constroem esses espaços: há uma preocupação concreta com o bem-estar, a segurança emocional e o encantamento das crianças diante do mundo.

As contribuições da neurociência reforçam a relevância dessa perspectiva integradora. A afetividade, os vínculos e a qualidade das experiências nos primeiros anos de vida influenciam diretamente a formação de circuitos neurais essenciais para a linguagem, a memória e a autorregulação emocional (Almeida; Brito, 2021). Portanto, práticas pedagógicas que respeitam o ritmo da criança, acolhem suas emoções e proporcionam vivências sensoriais ricas fortalecem o desenvolvimento integral e potencializam os processos de aprendizagem.

O reconhecimento da criança como ser competente e criativo também requer uma ruptura com modelos pedagógicos autoritários e padronizados. Hoyuelos (2006) destaca que a pedagogia de Reggio Emilia se funda na confiança na potência infantil, incentivando a autonomia e o protagonismo desde os primeiros anos. A ética do cuidado se concretiza, assim, na oferta de experiências que desafiem a criança, mas respeitem seus interesses e sua singularidade. Isso implica escutar para agir, observar para compreender, planejar para responder e não apenas ensinar.

A construção de uma cultura pedagógica baseada na ética do cuidado demanda formação continuada dos educadores. Como destacam Souza e Martins (2023), é necessário que os professores se posicionem como pesquisadores de seus contextos, atentos aos significados das experiências infantis. A escuta não é uma técnica, mas uma postura ética e política que transforma o cotidiano escolar em espaço de aprendizagem recíproca. A ética do cuidado, nesse sentido, é também uma ética da presença: estar com a criança, no tempo da criança, com atenção e respeito.

É fundamental, ainda, envolver as famílias como coautoras do processo educativo. A escuta se estende para além da escola, construindo pontes entre os saberes familiares e os saberes escolares. Segundo Gabriel et al. (2023), essa colaboração fortalece os vínculos entre comunidade e escola e potencializa o desenvolvimento emocional da criança. A ética do cuidado, portanto, extrapola os muros da instituição e se inscreve em uma rede de relações sustentada pelo diálogo, pela confiança e pelo reconhecimento da diversidade cultural.

Em um cenário social marcado por desigualdades e fragilidades emocionais, promover uma pedagogia pautada na ética do cuidado e na valorização da cultura da infância representa um gesto político transformador. Significa afirmar que a infância é tempo de direitos, de dignidade e de produção simbólica. Como defendem Santos e Carvalho (2025), os ambientes educativos devem ser campos de experiências afetivas, estéticas e cognitivas, onde a criança possa experimentar, errar, criar e transformar.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

A partir da análise realizada, é possível afirmar que as práticas pedagógicas que valorizam a escuta ativa, a afetividade e a responsividade são fundamentais para o desenvolvimento integral das crianças na Educação Infantil. Tais práticas permitem que o educador reconheça a criança como sujeito ativo, capaz de expressar ideias, sentimentos e construções sobre o mundo. Ao escutar verdadeiramente, o professor reorganiza seu planejamento e torna a experiência de aprendizagem mais significativa.

Observa-se que a organização intencional dos ambientes, aliada à sensibilidade para observar e interpretar as manifestações infantis, contribui para a criação de contextos mais acolhedores e estimulantes. A escuta não se limita à linguagem verbal, mas envolve a atenção às múltiplas formas de expressão da criança, como o gesto, o desenho, o silêncio e a brincadeira. Isso reforça a importância de um olhar atento e disponível por parte dos educadores.

Além disso, a integração entre saberes pedagógicos e conhecimentos sobre o funcionamento do cérebro infantil amplia a capacidade da escola de atuar com maior consciência sobre os efeitos de suas práticas. A afetividade, nesse contexto, aparece não apenas como um aspecto emocional, mas como um recurso potente para estimular a aprendizagem e fortalecer os vínculos sociais.

A construção de práticas pedagógicas mais abertas, flexíveis e dialógicas exige formação continuada e reflexiva por parte dos profissionais da educação. É necessário superar modelos autoritários e engessados, reconhecendo o valor da infância como um tempo presente, pleno de sentidos e possibilidades. A transformação da prática pedagógica passa pela valorização do cotidiano e pela escuta ativa das crianças.

Dessa forma, conclui-se que uma educação infantil de qualidade depende diretamente do compromisso ético e político dos educadores com a escuta, com o afeto e com a valorização das experiências infantis. Práticas responsivas são mais do que estratégias metodológicas: são formas de reconhecer e respeitar a infância em sua potência, contribuindo para a formação de sujeitos críticos, criativos e sensíveis.

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v. 5
n. 51
Abordagem Reggio Emília e neurociência: Integrações necessárias para uma educação transformadora na infância

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