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Resumo
INTRODUÇÃO
A relação entre Pedagogia e Neurociência Cognitiva tem se consolidado como um campo de diálogo interdisciplinar. Ela traz contribuições relevantes para a compreensão dos processos de aprendizagem e para o aprimoramento da prática docente. Compreender como o cérebro aprende possibilita ao professor planejar estratégias mais eficazes, capazes de considerar tanto os aspectos cognitivos quanto os emocionais dos estudantes. Nesse sentido, destaca-se que não há aprendizagem sem emoção, pois ela é essencial para a retenção de conhecimentos, para o pensamento crítico, para a resolução de problemas e para a atenção focada.
Como afirma Damásio (2012), emoção e razão são inseparáveis na construção do conhecimento. A razão depende da emoção como um primeiro conselheiro para tomar decisões eficazes, mesmo em situações complexas. A incapacidade de integrar essas duas funções pode levar a falhas no julgamento. Segundo Immordino-Yang (2016), o cérebro humano tende a registrar com maior intensidade experiências marcadas por emoções positivas do que situações neutras ou entediantes. Este fator reforça a importância de promover um ambiente criativo e motivador na sala de aula.
As mudanças ocorridas na sociedade atual, geradas principalmente pelo avanço tecnológico que nos disponibiliza inúmeras informações exigem que haja uma cultura de aprendizagem que gere conhecimento. Tornou-se mister fazer uma revisão nas formas de pensar e de preparar os indivíduos para as relações interpessoais, para o mercado de trabalho e para a cidadania. Conforme Fonseca (1998), o professor tem o dever de preparar os estudantes para pensar, para aprender a serem flexíveis, para estarem aptos para sobreviver em nossa aldeia de informação acelerada.
Entre os desafios que envolvem o processo de aprender destacam-se as dificuldades de aprendizagem, a desatenção, a falta de motivação e as demandas da inclusão escolar. O ambiente, representado por condições familiares, educacionais, nutricionais e sociais, exerce papel determinante na formação cerebral. Segundo Mora (2004), a aprendizagem é o processo em virtude do qual se associam coisas ou eventos no mundo, graças à qual adquirimos novos conhecimentos. A ausência de estímulos adequados e de necessidades básicas, como afeto, segurança e estabilidade, pode comprometer a estrutura e o funcionamento do cérebro, acarretando prejuízos cognitivos, emocionais e comportamentais. Lent (2001), preconiza que percepção é a capacidade de associar as informações sensoriais à memória e à cognição, de modo a formar conceitos sobre o mundo, sobre o próprio sujeito e orientar seu comportamento.
A motivação, por sua vez, constitui elemento decisivo nesse processo. Enquanto a motivação extrínseca, sustentada por recompensas externas, tende a se esgotar após a conquista do objetivo, a motivação intrínseca leva o estudante a se engajar de forma autônoma e significativa em sua aprendizagem. Segundo Ryan e Deci (2000), práticas educativas que favorecem a autonomia e o interesse pessoal do aluno resultam em aprendizagens mais consistentes e duradouras.
Cabe ao educador estimular esse tipo de motivação por meio de metodologias que despertem interesse genuíno, favorecendo a apropriação do conhecimento. Pesquisas em Neurociência, de acordo com Consenza; Guerra (2011) ainda indicam que as emoções são contagiosas e que o cérebro é um órgão social. Isso amplia a responsabilidade do professor como mediador de experiências significativas. O estímulo adequado do potencial dos estudantes fará com que haja um melhor desempenho individual, diminuindo a exclusão social.
A Neurociência tem demonstrado que o desenvolvimento humano resulta da interação entre fatores genéticos e experiências vividas em diferentes contextos. Segundo Kandel (2013), o ambiente, representado por condições familiares, educacionais, nutricionais e sociais, exerce papel determinante na formação cerebral.
A ausência de estímulos adequados e de necessidades básicas, de acordo com Shonkoff; Phillips (2000), tais como afeto, segurança e estabilidade, pode comprometer a estrutura e o funcionamento do cérebro. Isso acarretará prejuízos cognitivos, emocionais e comportamentais. A aprendizagem humana não se dá através de um simples armazenamento de dados perceptuais. Ela acontece através do processamento e elaboração das informações oriundas das percepções no cérebro. A aprendizagem é o processo em virtude do qual se associam coisas ou eventos no mundo. É através dela que novos conhecimentos são adquiridos (Mora, 2024).
DESENVOLVIMENTO E NEUROCIÊNCIAS COGNITIVAS: UM PANORAMA
A neurociência cognitiva é uma área de investigação que estuda o funcionamento do cérebro e como ele sustenta os processos mentais ligados à cognição. Ela investiga de que maneira ocorrem a percepção, a atenção, a linguagem, as emoções, as funções executivas, o raciocínio, a aprendizagem e a memória no cérebro. Esse campo se aproxima da educação por esclarecer como a criança aprende, retém informações e se desenvolve. Atentar-se às necessidades fundamentais dos indivíduos durante sua formação e reconhecer as diferenças nos aspectos biológicos, psicológicos e sociais de crianças, adolescentes, jovens e adultos faz com que práticas educacionais mais empáticas e eficazes surjam.
O conhecimento produzido pela neurociência pode auxiliar educadores a compreenderem os processos de aprendizagem e memória, permitindo que o ensino se torne mais eficiente e respeite as diferenças individuais dos estudantes (Relvas, 2012, p. 45).
O trecho de Relvas revela que a neurociência fornece contribuições para que os professores entendam melhor como os alunos aprendem e retêm informações. Isso possibilita planejar atividades mais eficazes, adaptadas às exigências individuais de cada estudante, estimulando um ensino mais inclusivo e singular.
A neurociência atrelada à educação se deu a partir do momento em que o professor teve interesse em compreender como o desempenho cerebral interfere nos processos de aprendizagem. Desde a segunda metade do século XX, houve avanços nas pesquisas em neurociência cognitiva, psicologia e pedagogia. Estes avanços ofereceram novos pontos de vistas sobre atenção, memória, linguagem e emoção no contexto escolar. Tal movimento histórico mediou o início de uma relação entre as descobertas científicas sobre o cérebro e as práticas pedagógicas. Este fator fomentou reflexões sobre metodologias mais eficazes e adaptadas às necessidades individuais dos estudantes.
A neurociência tem mostrado que memória, atenção e emoção são inseparáveis no processo de aprender, o que implica repensar práticas pedagógicas tradicionais. (Lent, 2010, p. 89). O enunciado de Lent mostra que a aprendizagem não é apenas cognitiva, mas também emocional, revelando que práticas pedagógicas devem estabelecer estratégias que compreendam atenção, memória e sentimentos.
No âmbito do espaço escolar é comum haver certo conflito com relação ao entendimento e a delimitação entre aquilo que é considerado didático e o que se entende por pedagógico. Podemos considerar que o aspecto didático se refere, especificamente, à teoria e à prática do ensino e da aprendizagem, considerando o ensino como uma modalidade de trabalho pedagógico. No tocante ao aspecto pedagógico, ele apresenta um caráter mais amplo, que abrange não apenas as estratégias e métodos de ensino, mas também a reflexão crítica sobre os fundamentos, objetivos e finalidades do processo educativo. O pedagógico refere-se à articulação entre valores, concepções de formação humana e escolhas metodológicas, orientando a prática docente de forma a promover o desenvolvimento integral do aluno. Ele é voltado para o sentido mais global da educação, contempla a dimensão ética, social e cultural da educação do educando.
A pedagogia é a ciência que investiga a teoria e a prática da educação em seus vínculos com a prática social global. A Didática é um dos ramos de estudo da pedagogia que tem por objeto de estudo o processo de ensino (Libâneo, 1994, p.13).
A pedagogia busca organizar métodos e estratégias para facilitar a aprendizagem e formar cidadãos críticos. Tem toda uma relação social e está relacionada de forma interdependente aos aspectos sociais. A pedagogia não pode ser trabalhada de forma isolada, sem considerar a sociedade. É um todo relacionado à educação. Dentro da pedagogia, estudam-se várias disciplinas, como a História da Educação, aspectos psicológicos e sociológicos da educação e também a Didática. A pedagogia pode ser considerada como a teoria global da educação, construída a partir e em função das exigências da realidade educacional.
A didática é o principal ramo de estudo da pedagogia. Ela situa-se em um conjunto de conhecimentos pedagógicos, investiga os fundamentos, as condições e os modos de realização da instrução e do ensino. É considerada a ciência de ensinar. Nesse contexto, o professor tem como papel principal garantir uma relação didática entre ensino e aprendizagem através da arte de ensinar, pois ambos fazem parte de um mesmo processo. Segundo Libâneo (1994), o docente tem a responsabilidade de organizar, conduzir e supervisionar esse processo de ensino. Incentivar as ações e habilidades do aluno para promover sua aprendizagem também faz parte dessas responsabilidades.
A instrução se refere ao processo e ao resultado da assimilação sólida de conhecimentos sistematizados e ao desenvolvimento de capacidades cognitivas. O núcleo da instrução são os conteúdos das matérias. O ensino consiste no planejamento, organização, direção e avaliação da atividade didática, concretizando as tarefas da instrução. O ensino inclui tanto o trabalho do professor como a direção da atividade de estudos do aluno (Libâneo, 1994, p.54).
O ensino e a aprendizagem são dois processos distintos que se comunicam, mas não se confundem. O sujeito do processo de ensino é o professor, o da aprendizagem é o aluno. O processo de ensino e aprendizagem, para ser adequadamente compreendido, precisa ser analisado sob uma ótica que articule constantemente as dimensões humanas, técnicas e político-sociais. Há que se ter em vista como o desempenho cerebral e os processos cognitivos modificam e impactam a obtenção e a retenção do conhecimento por parte do aluno.
É comum que os professores enfrentem dificuldades como falta de concentração dos alunos, desmotivação, falta de engajamento nas aulas e problemas de leitura e escrita. Questões como essas a neurociência ajuda a compreender. Se o professor adquirir conhecimentos em neurociência cognitiva, poderá utilizar estratégias significativas para driblar estes problemas, dinamizar e melhorar a aprendizagem em sala de aula. Segundo Tokuhama-Espinosa, 2011, tais conhecimentos fornecem indicadores sobre o funcionamento do cérebro e orientações sobre estratégias para desenvolver a aprendizagem de forma mais clara, dinâmica e eficaz.
Ainda de acordo com Tokuhama-Espinosa, 2011, o professor poderá desenvolver práticas que envolvam mais as emoções, pois o cérebro retém melhor aquilo que é trabalhado em associação com sentimentos. Ele pode adotar ações que estimulem o cérebro dos alunos a se reorganizar e fortalecer conexões neurais.
Organizar a sala de forma diversificada e estratégica conforme a atividade aplicada, propor atividades com dificuldade crescente que estimulem novas conexões neurais e a adaptação cognitiva; trabalhar de forma contextualizada, utilizar imagens, música, movimento e recursos tecnológicos para ativar diferentes vias cerebrais, incentivar discussões, experimentos e resolução de problemas para engajar múltiplas áreas do cérebro, promover leitura, correções e orientações conjuntas para ajustar estratégias de aprendizagem, trabalhar os erros como oportunidades de aprendizado, aplicar cálculo mental com desafios crescentes; e verificar se os alunos estão dormindo o suficiente, estão entre as ações a serem desenvolvidas com vistas a esse objetivo.
Além da metodologia e da compreensão aprofundada do conteúdo, o conhecimento, por parte dos professores, acerca de como o cérebro assimila o que é ensinado constitui uma ferramenta essencial para garantir a qualidade do processo educativo. Conhecimentos sobre memória, atenção, plasticidade cerebral e desenvolvimento infantil podem contribuir significativamente para a prática docente.
No tocante à memória, o professor pode adotar estratégias como a revisão espaçada de conteúdos e utilizar recursos que estimulem os canais visuais, auditivos e cinestésicos. Assim, torna-se possível alcançar de maneira mais inclusiva todos os estudantes e favorecer a consolidação do conhecimento, a fixação da aprendizagem.
Ao compreender como as conexões neurais se fortalecem com a prática e a repetição, professores podem estruturar metodologias que potencializem a consolidação da aprendizagem (Kandel, 2009, p. 112).
A concepção da repetição é de total relevância no processo de aprendizagem. Ao analisar o desempenho do aluno, percebe-se que ele se sente mais seguro e mais confiante diante de situações já vivenciadas, praticadas e compreendidas. Neste caso, a repetição não se limita meramente à memorização. Ela atua como mecanismo de consolidação, permitindo que os conhecimentos sejam incorporados de forma mais estável e duradoura.
No que concerne à atenção e à motivação, é de suma importância planejar aulas mais dinâmicas, capazes de estimular a participação ativa dos alunos e de criar um ambiente propício ao engajamento. Para tanto, é possível fazer uso de recursos pedagógicos tais como lousas interativas, aplicativos educacionais e plataformas online, atividades lúdicas desenvolvidas com materiais atrativos e experiências externas, como visitas a museus, zoológicos e centros culturais. Essas estratégias não apenas contribuem para a manutenção do foco, como ampliam a interação com o conhecimento. Além de despertar a curiosidade e favorecer a construção de aprendizagens mais significativas e duradouras. Segundo Damásio (2012), o cérebro humano é moldado pela experiência e a aprendizagem ocorre justamente quando essas experiências são significativas e emocionalmente relevantes.
A neuroplasticidade demonstra que o ser humano possui a capacidade de aprender em qualquer fase da vida, desde que receba estímulos adequados e contínuos. Esse processo refere-se à habilidade do cérebro de reorganizar suas redes neurais, criando novas conexões e ajustando as já existentes de acordo com as demandas cognitivas e ambientais. Tal fenômeno pode ser observado em diferentes contextos, como por exemplo, quando um adulto se propõe a aprender um novo idioma, uma criança supera dificuldades de leitura por meio de treinamento sistemático e acompanhamento pedagógico. Isso ocorre também quando uma pessoa que sofreu um acidente precisa reaprender movimentos através da reabilitação fisioterápica.
A neuroplasticidade é mais do que um mecanismo biológico. Ela reforça a ideia de que a aprendizagem é um processo dinâmico e contínuo, profundamente influenciado pelas experiências, pela motivação e pelo ambiente em que o indivíduo está inserido. De acordo com Oliveira (2015), a aproximação entre neurociência e educação é essencial para construir ambientes de aprendizagem mais humanos, em que se respeite o ritmo e a singularidade de cada estudante.
A afetividade, especialmente quando associada a emoções positivas, exerce um papel fundamental na potencialização do processo de aprendizagem. Ela fortalece os vínculos entre o aluno e o professor e cria um ambiente escolar mais acolhedor.
A afetividade permite que vínculos afetivos consistentes sejam estabelecidos. Isso faz com que o estudante não apenas desenvolva maior interesse e motivação pelos conteúdos, como também construa uma relação mais significativa com o conhecimento e com a própria instituição escolar. Nesse contexto, a aprendizagem deixa de ser uma atividade meramente cognitiva para tornar-se uma experiência integral, que mobiliza tanto a razão quanto a emoção. Segundo Piage (2014), a afetividade desempenharia, então, uma fonte energética, da qual dependeria o funcionamento da inteligência, mas não suas estruturas:
Piaget, Vygotsky e Wallon demonstram em suas teorias que a afetividade constitui um motor importante para o processo de desenvolvimento e aprendizagem humana. É na relação com o outro e por meio desse outro que o indivíduo se desenvolve (La Taille, 1992).
O docente desempenha um papel fundamental no campo da afetividade do estudante. A forma como o diálogo é conduzido pode favorecer a aproximação entre professor, aluno e demais colegas. Tal aproximação estabelece um vínculo sólido e significativo. Ao criar um ambiente de confiança e respeito, o educador fortalece não apenas as relações interpessoais, mas também o engajamento do estudante com o processo de aprendizagem. Nesse contexto, o educador assume a responsabilidade de orientar o processo formativo, planejando, intervindo e organizando atividades diversificadas conforme as necessidades individuais de cada aprendiz. Tal ação evidencia a importância da integração entre a pedagogia e a neurociência. O processo educativo será compreendido em sua totalidade e contemplará tanto os aspectos cognitivos quanto os afetivos.
CONTRIBUIÇÕES E LIMITAÇÕES DA INTERFACE
A criança que recebe estímulos adequados e incentivos constantes diante de seus esforços e progressos no desenvolvimento das atividades relacionadas à aprendizagem em sala de aula — como, por exemplo, nas aulas de Português — tende a apresentar uma redução nos sintomas de ansiedade e estresse frequentemente associados à pressão de ler ou escrever corretamente durante a realização de uma atividade. É de suma importância que os professores fiquem atentos às necessidades individuais dos alunos durante a execução da tarefa. Promover um ambiente aberto, criativo, seguro e lúdico também é necessário para o sucesso da atividade. Práticas como brincar, jogar e cooperar além de favorecerem a socialização, contribuem para a compreensão de regras, valores e reciprocidade, aspectos fundamentais para o desenvolvimento socioemocional. Ampliam capacidades intelectuais e cognitivas para o estabelecimento de uma base sólida para aprendizagens mais complexas.
A adoção de estratégias de ensino ativas e diversificadas, que envolvam estímulos cognitivos, artísticos e físicos, potencializa a aprendizagem. Dessa forma, o ambiente escolar deixa de ser apenas um espaço de transmissão de conteúdos e torna-se um espaço de desenvolvimento integral. A dimensão cognitiva se articula de maneira equilibrada com os aspectos afetivos, sociais e criativos, favorecendo uma aprendizagem mais significativa e duradoura.
A Resolução CNE/CP nº 1/2020 – cap. I e II, art. 6º, inciso V estabelece a necessidade de formação continuada e de diálogo permanente entre cientistas e educadores. Ela destaca a importância da atualização constante do profissional da educação. O docente deve se manter informado acerca das pesquisas científicas relacionadas à aprendizagem, aos contextos socioculturais dos alunos e às metodologias pedagógicas mais adequadas. Ressalta-se, assim, a relevância do compromisso com uma prática pedagógica fundamentada em decisões que se amparem em evidências científicas confiáveis e que promovam ações mais consistentes e contextualizadas e eficazes.
A formação continuada deve ser compreendida como um componente indispensável da profissionalização docente. O professor atuará como agente ativo na produção e na disseminação de conhecimento e cultura. A ausência de formação específica ou o distanciamento em relação às inovações educacionais pode gerar consequências negativas em sua atuação como profissional. Este fator afetará a qualidade do conhecimento transmitido, as práticas pedagógicas desenvolvidas e o nível de engajamento profissional. Tal fator impactará diretamente no desenvolvimento integral dos alunos, assim como na motivação e realização do próprio educador no exercício de sua função.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
Este estudo propõe analisar a aplicação da neurociência à aprendizagem, destacando as diferentes formas de aquisição de conhecimento pelos alunos e os desafios decorrentes da falta de motivação e de concentração dos mesmos. Nesse contexto, ressalta-se o papel fundamental do professor como agente reflexivo e atuante capaz de tornar as aulas mais dinâmicas e atrativas e significativas.
O docente necessita de conhecimento amplo para identificar possíveis lacunas no processo de ensino-aprendizagem e utilizar metodologias que integrem múltiplos canais sensoriais como audição, visão e cinestesia. Isso lhe permitirá promover o desenvolvimento integral e a inclusão de todos os alunos. Fatores como empatia, afetividade, diálogo, atividades lúdicas e atenção às necessidades individuais dos estudantes são fundamentais para garantir o direito universal à aprendizagem.
A articulação entre neurociência e pedagogia tende a assegurar a elevação da qualidade do processo educativo. Dessa forma, cabe ao professor investir em formação continuada, que integre conhecimentos científicos às práticas pedagógicas, assegurando aulas mais efetivas e fundamentadas.
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