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Resumo
INTRODUÇÃO
Os fungos desempenham um papel essencial em diversos processos biológicos e têm uma ampla gama de aplicações. Eles atuam como patógenos de plantas, causadores de alergias e micoses em seres humanos e animais, além de serem fundamentais na decomposição da matéria orgânica e na reciclagem de nutrientes. São amplamente utilizados na produção de antibióticos, alimentos fermentados e outros produtos de interesse industrial. Alguns são comestíveis, medicinais, alucinógenos, micorrízicos, saprófitos ou parasitas. Assim, os fungos despertam grande interesse nos campos alimentício, etnológico, industrial e ecológico (Ainsworth, 1976; Souza; Aguiar, 2004).
São organismos eucariotos, caracterizados pela presença de núcleo e organelas envoltas por membrana. Embora sejam predominantemente haploides, algumas leveduras podem apresentar fase diploide. São quimio-heterotróficos, vivendo em diferentes relações ecológicas, como mutualismo, parasitismo, predadorismo ou de forma independente. Sua parede celular é composta por quitina, com o glicogênio atuando como substância de reserva. Além disso, possuem uma particularidade genética: o códon mitocondrial UGA codifica o aminoácido triptofano, diferentemente de outros seres vivos. (Moore; Novotny, 2004; Putzke; Putzke, 2004; Deacon, 2006).
Produzem metabólitos secundários, compostos orgânicos que, embora não essenciais para o seu crescimento e desenvolvimento, desempenham funções ecológicas fundamentais. Entre esses compostos estão antibióticos, micotoxinas e pigmentos, que auxiliam os fungos na defesa contra predadores, na competição com outros microrganismos e na adaptação ao ambiente. A diversidade química desses metabólitos confere grande relevância biotecnológica e farmacêutica, sendo amplamente utilizados na produção de medicamentos, como a penicilina, além de diversas aplicações industriais (Alexopoulos et al., 1996; Esposito; Azevedo, 2010; Kavanagh, 2011; Martínez, 2017).
Listar os metabólitos secundários produzidos pelos fungos e reunir informações sobre suas aplicações é essencial para difundir o conhecimento e fomentar pesquisas nessa área. Essa iniciativa pode promover o desenvolvimento de produtos fúngicos, beneficiando profissionais de saúde, pesquisadores, o meio ambiente e a sociedade como um todo (Zhou; Zhang, 2021). Além disso, pode estimular novos estudos e ampliar o entendimento científico sobre o potencial dos fungos.
Assim, este estudo teve como objetivo reunir dados sobre os metabólitos secundários produzidos por fungos, revisando trabalhos que abordam essas moléculas e discutindo suas aplicações. A intenção foi esclarecer e compilar o máximo de informações disponíveis sobre os metabólitos secundários fúngicos, contribuindo para o avanço do conhecimento nessa área.
METODOLOGIA
Foi realizada uma pesquisa qualitativa, sistemática, descritiva e criteriosa em artigos científicos, livros, teses e dissertações utilizando o método de revisão integrativa da literatura nas bases de dados Google Acadêmico, periódicos da CAPES, PUBMED e SCIELO, em português, espanhol e inglês, por meio do seguinte descritor: metabólitos secundários produzidos por fungos.
Foram usados também livros-textos recentes, considerando a relevância e o valor informativo do material e alguns artigos-chave selecionados a partir de citações em outros trabalhos.
RESULTADOS E DISCUSSÃO
O fungo endofítico Arthrinium state de Apiospora montagnei revelou-se uma fonte promissora de metabólitos secundários com atividade antiparasitária. Entre os compostos isolados, destacam-se a R-(-)-meleina e a cis-(3R,4R)-4-hidroximeleina, terpenoides que causaram 100% de morte de esquistossomos em concentrações de 200 e 50 µg/mL, respectivamente. Além disso, os compostos inéditos VII e IX, do grupo dos fenóis, mostraram atividade antileishmania com valores de CI50 de 12,54 e 3,04 µg/mL contra Leishmania braziliensis e 8,78 e 2,87 µg/mL contra L. chagasi. Esses resultados destacam o potencial desses metabólitos no desenvolvimento de novas terapias para infecções parasitárias, especialmente frente à resistência a medicamentos atuais (Ramos, 2013).
Os fungos endofíticos destacam-se pela produção de metabólitos secundários bioativos com potencial terapêutico. Xylaria sp. produz citocalasinas, alcaloides com atividade citotóxica e potencial anticancerígeno, que atuam interferindo nos filamentos de actina e inibindo a proliferação celular. Já Fusarium solani sintetiza a camptotecina, um alcaloide antineoplásico amplamente utilizado no tratamento de cânceres como os de mama, pulmão e ovário. Esses compostos demonstram a importância dos fungos endofíticos como fontes renováveis para o desenvolvimento de novos fármacos, contribuindo para a preservação da biodiversidade e reduzindo a dependência de plantas ameaçadas (Specian et al.; 2014).
Os fungos endofíticos são fontes promissoras de metabólitos secundários com aplicações biológicas e farmacológicas. Huperzina A, produzida por Acremonium sp. associado à planta Huperzia serrata, é um alcaloide utilizado no tratamento de doenças neurodegenerativas. Vinblastina, proveniente de Alternaria sp. associado à planta Catharanthus roseus, é amplamente empregada na quimioterapia. Camptotecina, alcaloide isolado de Botryosphaeria parva associado à planta Nothapodytes nimmoniana, e o terpeno Paclitaxel, produzido por Metarhizium anisopliae em Taxus chinensis, são usados no tratamento de câncer. Já a Podofilotoxina, um lignano obtido de Penicillium sp. associado à planta Diphylleia sinensis, também tem aplicação oncológica. Esses metabólitos apresentam propriedades anticancerígenas, antioxidantes e antimicrobianas, reforçando o potencial dos fungos endofíticos na medicina moderna (Silva, 2014).
Fungos endofíticos também se destacam pela produção de metabólitos secundários com propriedades farmacológicas, especialmente antitumorais. Entre esses compostos, o paclitaxel (Taxol®), produzido pelo fungo Taxomyces andreanae, isolado da planta Taxus brevifolia, é amplamente utilizado no tratamento de cânceres como mama, pulmão e ovário. O fungo Bartalinia robillardoides, isolado de Aegle marmelos, também produz paclitaxel, demonstrando a diversidade de fontes fúngicas desse importante agente antitumoral. Além disso, polifenóis e flavonoides têm mostrado atividades promissoras no combate ao câncer, oferecendo alternativas para novos fármacos com menos efeitos colaterais em comparação aos tratamentos convencionais (Calderani; Orlandelli; Pamphile, 2016).
Pamphile et al. (2017) destacaram a produção de metabólitos secundários por fungos do gênero Colletotrichum, endófitos em diversas plantas. Entre esses compostos, o ácido colletótrico, produzido por Colletotrichum gloeosporioides, possui atividade antimicrobiana contra Bacillus subtilis e Staphylococcus aureus. Além disso, espécies do gênero produzem metabólitos fitotóxicos com potencial para controle biológico de doenças vegetais. Esses compostos, como alcaloides e terpenos, têm aplicações na agricultura e na indústria farmacêutica, com destaque para o desenvolvimento de pesticidas e fármacos antimicrobianos e anticancerígenos.
O estudo de Fortkamp (2018) analisa os metabólitos secundários produzidos por fungos endofíticos isolados de Anthurium alcatrazense e Begonia spp. Entre os fungos estudados, Hymenochaete-like destacou-se pela produção de ácidos graxos e cetonas, pertencentes ao grupo dos lipídios, com potencial aplicação nas indústrias farmacêutica e cosmética devido às suas propriedades anti-inflamatórias. Trichoderma sp. produziu o trichodermol, um terpeno com atividade antifúngica promissora para o controle biológico de fitopatógenos. Já Colletotrichum gloeosporioides foi responsável pela produção de metabólitos fenólicos com propriedades antioxidantes, aplicáveis a produtos alimentícios e farmacêuticos na prevenção de doenças.
Arruda (2020) investigou a produção de tricotecenos pelas espécies Fusarium meridionale, Fusarium austroamericanum e Fusarium graminearum, com destaque para as micotoxinas nivalenol (NIV) e deoxinivalenol (DON). Esses metabólitos, pertencentes ao grupo dos tricotecenos, são altamente tóxicos e podem contaminar culturas agrícolas como o trigo, representando sérios riscos à saúde humana e animal. O estudo reforça a necessidade de monitoramento rigoroso dessas micotoxinas em alimentos e o desenvolvimento de estratégias eficazes para reduzir os riscos à segurança alimentar.
Azevedo (2020) revelou em seu estudo a produção de metabólitos secundários com significativo potencial bioativo sobre fungos endofíticos associados à Carapichea ipecacuanha. Fusarium sp. destacou-se pela produção de dicerandrol C, um dímero de xantona do grupo dos polifenóis, com propriedades anti-inflamatórias e anticancerígenas. Penicillium sp. produziu ácido penicilínico, um antibiótico amplamente utilizado na medicina, enquanto Aspergillus sp. sintetizou citrinina, uma micotoxina com propriedades antifúngicas, mas potencialmente tóxica em altas doses. O estudo reforça a importância dos metabólitos secundários na medicina e na agricultura, destacando seu papel no desenvolvimento de novos fármacos e herbicidas naturais como alternativas sustentáveis aos compostos sintéticos.
Barreto (2020) isolou fungos fitopatogênicos do Parque Estadual do Rio Doce que demonstraram potencial para produzir metabólitos secundários com atividade herbicida. Os extratos de Diaporthe sp. mostraram eficácia contra sementes de Allium schoenoprasum (cebolinha), enquanto os de Diaporthe sp. e Xylaria sp. apresentaram atividade contra Lactuca sativa (alface crespa). Esses metabólitos, classificados como herbicidas naturais, destacam-se por sua eficácia em baixas concentrações e menor toxicidade em comparação aos produtos sintéticos. Sua aplicação oferece uma alternativa sustentável para o controle de plantas daninhas, reduzindo o impacto ambiental e os riscos à saúde humana.
O fungo Diaporthe schini destaca-se como produtor de metabólitos secundários com potencial bioherbicida, capazes de inibir o crescimento de plantas daninhas como Bidens pilosa, Amaranthus viridis, Echinochloa crusgalli e Lolium multiflorum. Esses compostos, pertencentes ao grupo das fitotoxinas, são produzidos por fermentação em estado sólido e submersa, sendo esta última mais eficiente devido ao melhor controle das condições de cultivo e das características do produto. Os metabólitos apresentam aplicação promissora no manejo sustentável de plantas daninhas, oferecendo uma alternativa ao uso de herbicidas químicos e contribuindo para a redução de impactos ambientais (Brun, 2020).
O estudo de Accarini (2021) identificou metabólitos secundários do fungo Diaporthe phaseolorum, isolado de folhas de Serjania lethalis. Entre os compostos, destacam-se a fomoxantona A e os gulipyrones, ambos fenólicos com atividades fitotóxicas e citotóxicas. A fomoxantona A, mais abundante nas amostras, demonstrou eficácia no controle de espécies daninhas como Euphorbia heterophylla e Megathyrsus maximus, além de inibir o desenvolvimento de células do metaxilema de Sesamum indicum. Esses metabólitos apresentam aplicações promissoras na agricultura, como agentes biológicos no manejo de plantas invasoras, e na medicina, devido às suas propriedades antimicrobianas e antioxidantes.
O manuscrito de Oliveira (2021) revisa a produção de metabólitos secundários por fungos marinhos com atividade antifúngica, destacando compostos de relevância terapêutica. Entre eles, estão a Nistatina e a Anfotericina B, polienos produzidos por Streptomyces noursei e Streptomyces nodosus, amplamente utilizadas no tratamento de infecções fúngicas. Também se destaca a Caspofungina, uma equinocandina derivada de Glarea lozoyensis, que inibe a síntese da parede celular de fungos, sendo eficaz contra Candida. Além disso, o 5-Fluorouracil, produzido por Fusarium oxysporum, é um análogo de pirimidina com aplicação no tratamento de câncer. Esses metabólitos demonstram grande potencial biotecnológico e farmacológico, ressaltando a importância da exploração de fungos marinhos na busca por novos compostos bioativos.
O fungo Fusarium fujikuroi produziu exopolissacarídeos (EPS) classificados como polissacarídeos com destacada ação bioherbicida. Esses metabólitos inibiram a germinação e o crescimento de plantas daninhas como Bidens pilosa e Amaranthus retroflexus. A pesquisa reforça o potencial dos EPS no desenvolvimento de bioherbicidas sustentáveis, contribuindo para a redução do uso de produtos químicos e minimizando impactos ambientais (Todero, 2021).
Os fungos são microrganismos de grande relevância biotecnológica, capazes de produzir metabólitos secundários com amplas aplicações. Entre eles, destaca-se a griseofulvina, produzida por Penicillium griseofulvum, um antibiótico utilizado no tratamento de infecções fúngicas. Outro exemplo é a capsaicina, sintetizada por Alternaria alternata, um alcaloide com propriedades analgésicas e anti-inflamatórias. Já os dothiorelones, extraídos de Dothiorella sp., pertencem aos policetídeos e apresentam atividade antimicrobiana. Esses compostos não apenas auxiliam os fungos na adaptação a condições adversas, mas também possuem aplicações significativas na medicina e na indústria, ressaltando a importância da bioprospecção para o desenvolvimento de novos produtos bioativos (Andrade et al., 2022).
Nobre (2022) evidenciou a produção de diversos metabólitos secundários por Aspergillus sclerotiorum, incluindo derivados de aspocracina, análogos de lovastatinas, butenolídeos, ciclopeptídeos, ácidos hidroxâmicos, ocratoxina, ácido penicílico, ácido dihidropenicílico e asperidina. Esses compostos, pertencentes a grupos químicos como flavonoides, alcaloides e terpenos, exibem ampla aplicabilidade, incluindo citotoxicidade contra células de hepatocarcinoma e carcinoma de pulmão. A asperidina B destacou-se por sua atividade antiespasmódica, sugerindo potencial em tratamentos de distúrbios musculares e cardiovasculares. A diversidade química e a relevância biológica desses metabólitos reforçam o papel de A. sclerotiorum na bioprospecção de novos terapêuticos.
Nogueira (2022) destacou a importância biológica e o potencial de aplicação dos metabólitos secundários produzidos por fungos endofíticos. A podofilotoxina, um alcaloide com atividade anticâncer, é utilizada como precursor de quimioterápicos como etoposídeo e teniposídeo. O taxol, isolado de Taxomyces andreanae, também é um alcaloide amplamente empregado no tratamento de câncer. Já os penicilenóis, produzidos por espécies do gênero Penicillium, são antibióticos citotóxicos eficazes contra infecções bacterianas. Esses compostos evidenciam a relevância dos fungos na descoberta de agentes terapêuticos, impulsionando o desenvolvimento de medicamentos e alternativas a pesticidas sintéticos.
O estudo de Freitas (2023) investigou a atividade biológica de extratos de fungos endofíticos isolados de plantas de mangue na Ilha de Santa Catarina, com foco na produção de metabólitos secundários de potencial antileishmania e antifúngico. Entre os compostos identificados, destacam-se os sorbicilinóides Tricobisvertinol D e Bisvertinolona, descritos pela primeira vez no gênero Stemphylium sp. Os extratos de Stemphylium sp., Arthrinium sp. e Trichoderma sp. apresentaram atividade significativa contra formas promastigotas e amastigotas de Leishmania infantum e Leishmania amazonensis, além de eficácia frente a cepas de Candida spp. Pertencentes ao grupo dos sorbicilinóides, esses metabólitos exibem propriedades antimicrobianas promissoras, reforçando seu potencial no desenvolvimento de novos tratamentos para leishmanioses e candidíases, especialmente diante da crescente resistência aos medicamentos convencionais.
A pesquisa realizada por Lustosa (2023) investigou extratos fúngicos de Preussia sp. e Phyllosticta sp. com diversas aplicações. O ácido kójico, sintetizado por Phyllosticta, possui atividade antioxidante e inibidora da tirosinase, sendo amplamente utilizado na indústria cosmética para tratar hiperpigmentação. Já os phyllomeroterpenoides A-C, também produzidos por Phyllosticta, apresentam atividade antimicrobiana. Estudos apontam ainda outros compostos bioativos nesses gêneros, reforçando sua importância ecológica e farmacológica. Embora não relacionado diretamente, o tirosol, produzido por Candida albicans, destaca-se como sinalizador no processo de quorum-sensing, promovendo a transição de levedura para hifa. Esses metabólitos possuem aplicações em áreas como medicina, para desenvolvimento de fármacos; cosmética, com destaque para o ácido kójico; agricultura, como pesticidas naturais; e indústria alimentícia, como conservantes antimicrobianos.
Oliveira (2023) explora os metabólitos secundários produzidos por fungos marinhos, com ênfase na palitantina e suas derivações. O fungo Penicillium palitans foi identificado como produtor da palitantina, um alcaloide do grupo dos compostos nitrogenados com potencial farmacológico, embora os ensaios realizados não tenham indicado atividade biológica relevante. A pesquisa também destacou a linhagem Geomyces sp. isolada da Antártica, que produziu a palitantina, sendo derivada para gerar dois estereoisômeros do palitantol por reações químicas específicas. Além disso, o fungo Peroneutypa sp., isolado de um pepino-do-mar, produziu substâncias inéditas identificadas por análise espectroscópica, reforçando a importância dos fungos marinhos na bioprospecção de novos compostos bioativos.
O trabalho de Rosa (2023) identificou cinco metabólitos secundários produzidos por fungos endofíticos de plantas de mangue: bisvertinol, bisvertinolona, dihidrobisvertinol, dihidrosorbicilinol e 10-11 dihidrobisvertinolona. Esses compostos, pertencentes ao grupo dos sorbicilinóides, foram isolados de Arthrinium sp., Trichoderma longibrachiatum e Stemphylium sp. A pesquisa revelou que tais metabólitos apresentam atividade contra Trypanosoma cruzi, causador da doença de Chagas, além de potencial antibacteriano, evidenciando a relevância dos fungos endofíticos como fontes promissoras para o desenvolvimento de novos tratamentos contra infecções parasitárias e bacterianas.
O estudo de Maciel (2024) identificou três grupos principais de metabólitos secundários produzidos durante interações entre fungos endofíticos e fitopatógenos cítricos. Na interação entre Colletotrichum sp. e Geotrichum candidum, foram detectados macrolídeos, como a gliomasolida D, com potencial atividade antifúngica. Já na cocultura entre Diaporthe sp. e Penicillium digitatum, observou-se uma inibição significativa da produção de triptoquialaninas, alcaloides quinazolínicos do fitopatógeno conhecidos por seu potencial tóxico. Esses metabólitos destacam-se por suas bioatividades, como ação antifúngica e redução da resistência de patógenos, evidenciando sua relevância no controle biológico.
Tabela 1 – Relação dos estudos sobre os metabólitos secundários com alguma aplicabilidade produzidos por fungos.
| Autor/ano | Título | Fungo | Metabólito secundário | Grupo | Aplicações | ||
| 1. | RAMOS, 2013 | Obtenção e identificação de metabólitos secundários com atividade antiparasitária produzidos pelo fungo endofítico Arthrinium state of Apiospora montagnei Sacc. | Arthrinium state | R-(-)-meleina; cis-(3R,4R)-4-hidroximeleina; | Terpenoide | Antiparasitário | |
| 2. | SPECIAN et al./2014 | Metabólitos Secundários de Interesse Farmacêutico Produzidos por Fungos Endofíticos | Xylaria sp.; Fusarium solani | Citocalasina; Camptotecina | Alcaloide | Anticancerígeno; Antineoplásico | |
| 3. | SILVA/2014 | Fungos endofíticos: fonte alternativa a metabólitos secundários de plantas. | Acremonium sp.; Alternaria sp.; Botryosphaeria parva; Metarhizium anisopliae; Penicillium sp. | Huperzina A; Vinblastina; Camptotecina; Paclitaxel; Podofilotoxina | Alcaloide; Terpeno; Lignano | Potencial farmacológico | |
| 4. | CALDERANI et al./2016 | Compostos bioativos com propriedades antitumorais produzidos por fungos endofíticos. | Taxomyces andreanae; Bartalinia robillardoides | Paclitaxel (Taxol®) | Flavonoide | Antitumoral | |
| 5. | PAMPHILE, et al./2017 | Aplicações biotecnológicas de metabólitos secundários extraídos de fungos endofíticos: o caso do Colletotrichum sp. | Colletotrichum sp. | Ácido Colletótrico, Colletotricina | Alcaloide, Terpeno | Antimicrobiano, Fitotóxico | |
| 6. | FORTKAMP/ 2018 | . Metabólitos secundários produzidos por fungos endofíticos isolados de Anthurium alcatrazense e Begonia spp. | Hymenochaete-like; Trichoderma sp.; Colletotrichum gloeosporioides | Acidos graxos e cetonas; trichodermol; metabólitos fenólicos | Lipídio; Terpeno | Antiinflamatório; Antifúngica; Antioxidante | |
| 7. | ARRUDA/2020 | Caracterização molecular e avaliação do potencial de produção de tricotecenos pelas espécies Fusarium meridionale, F. austroamericanum e F. graminearum. | Fusarium meridionale; Fusarium austroamericanum; Fusarium graminearum | Nivalenol (NIV); Deoxinivalenol (DON) | Tricoteceno | Micotoxina | |
| 8. | AZEVEDO/2020 | Bioprospecção de metabólitos secundários bioativos de fungos endofíticos associados à Carapichea ipecacuanha (Rubiaceae) | Fusarium sp.; Penicillium sp.; Aspergillus sp. | Dicerandrol C; Ác. penicilínico; Citrinina | Polifenol (xantona) | Antiinflamatório; Anticancerígeno; Antibiótico; Antifúngico | |
| 9. | BARRETO/2020 | Atividade herbicida de fungos fitopatogênicos associados a plantas do fragmento de Mata Atlântica do Parque Estadual do Rio Doce, Minas Gerais, Brasil. | Diaporthe sp. e Xylaria sp. | Ainda não nomeado. | – | Herbicída. | |
| 10. | BRUN/2020 | Controle de plantas daninhas com bioherbicida produzido por fermentação de Diaporthe schini. | Diaporthe schini | – | Fitotoxinas | Bioherbicida | |
| 11. | ACCARINI/2021 | Estudo fitoquímico e alelopático de extratos de Diaporthe phaseolorum. | Diaporthe phaseolorum | Fomoxantona A; Gulipyrone | Compostos fenólicos | Bioherbicida | |
| 12. | OLIVEIRA/2021 | Prospecção de metabólitos secundários produzidos por fungos marinhos com atividade antifúngica. | Streptomyces noursei; S. nodosus; Glarea lozoyensis; Fusarium oxysporum | Nistatina; Anfotericina B; Caspofungina; 5-Fluorouracil | Polieno; Equinocandina | Antifúngico; Anticancerígeno | |
| 13. | TODERO/2021 | Formulação e aplicação de metabólitos produzidos por Fusarium fujikuroi com acção bioherbicida. | Fusarium fujikuroi | Exopolissacarídeos (EPS) | Polissacarídeo | Bioherbicida | |
| 14. | ANDRADE et al./2022 | Potencial biotecnológico dos fungos. | Penicillium griseofulvum; Alternaria alternata; Dothiorella sp. | Griseofulvina; Capsaicina; Dothiorelone | Antimicrobiano; Alcaloide; Policetídeo | Antifúngico; Analgésico; Antinflamatório; Antimicrobiano | |
| 15. | NOBRE/2022 | Avaliação química e biológica de metabólitos secundários de Aspergillus sclerotiorum. | Aspergillus sclerotiorum | Lovastatinas, Butenolídeos, Ciclopeptídeos, Ác. hidroxâmico, Ocratoxina, Ác. penicílico, Ác. dihidropenicílico e asperidina | Flavonoide; Alcaloide; Terpeno | Anticancerígeno; Antiespasmódico | |
| 16. | NOGUEIRA/2022 | Estudo químico e atividades biológicas do fungo endofítico Coriolopsis rigida isolado de Cochlospermum regium. | Taxomyces andreanae; Penicilliumsp. | Podofilotoxina; Taxol | Alcaloide | Anticancerígeno | |
| 17. | FREITAS/2023 | Análise bioguiada antileishmania e anticândida de extratos totais e fracionados de fungos endofíticos isolados de plantas de mangue da Ilha de Santa Catarina. | Stemphylium sp.; Arthrinium sp.; Trichoderma sp.; Candida spp. | Tricobisvertinol D; Bisvertinolona | Sorbicilinoide | Antileishmania; Antifúngico | |
| 18. | LUSTOSA/2023 | Estudo metabólico e atividades biológicas de extratos produzidos pelos fungos endofíticos Preussia sp. e Phyllosticta sp. isolados de Platonia insignis Mart. | Preussia sp.; Phyllosticta sp.; Candida albicans | Ác. Kójico; Phyllomeroterpenoides A,C; Tirosol; | Compostos fenólicos; Terpenoide | Antioxidante e inibidora da tirosinase; Antimicrobiano; Sinalizador microbiológico | |
| 19. | OLIVEIRA/2023 | Isolamento, identificação e derivatização de metabólitos secundários de fungos marinhos. | Penicillium palitans; Geomyces sp.; Peroneutypa sp. | Palitantina | Alcaloide | Potencial farmacológico | |
| 20. | ROSA/2023 | Bioprospecção de compostos com potencial atividade antibacteriana e antiTrypanosoma cruzi a partir do biobanco de fungos endofíticos de plantas de mangue da Ilha de Santa Catarina. | Arthrinium sp.; Trichoderma longibrachiatum; Stemphylium sp. | Bisvertinol; Bisvertinolona; Dihidrobisvertinol; Dihidrosorbicilinol; 10-11 Dihidrobisvertinolona | Sorbicilinoide | Antitripanosoma; Antibacteriano; | |
| 21. | MACIEL/2024 | Investigação química e biológica das interações entre fitopatógenos cítricos e fungos endofíticos isolados de Citrus sinensis. | Colletotrichum sp.; Geotrichum candidum; Diaporthe sp.; Penicillium digitatum | Gliomasolida D; Triptoquialaninas | Macrolídeo; Alcaloide | Antifúngico; Tóxico | |
Fonte: Elaborado pelo autor (2025).
CONSIDERAÇÕES FINAIS
Este trabalho reafirma a importância dos metabólitos secundários produzidos por fungos, evidenciando seu vasto potencial biotecnológico e farmacêutico. O artigo abordou a diversidade química desses compostos e suas aplicações em áreas como medicina e indústria, destacando a relevância da bioprospecção fúngica para a identificação de novas substâncias bioativas. Além de seu papel crucial na ecologia, os fungos se mostram fontes valiosas de compostos com propriedades terapêuticas significativas, o que amplia ainda mais seu valor científico.
Os resultados reforçam a necessidade de aprofundar os estudos sobre os mecanismos de produção e as características dos metabólitos fúngicos, possibilitando otimizar sua síntese e identificar novos compostos. Além disso, o trabalho destaca os desafios futuros, como a necessidade de práticas sustentáveis na bioprospecção e a exploração de fontes pouco estudadas, que podem abrir caminhos promissores na pesquisa de metabólitos bioativos.
Em síntese, este estudo contribui para o avanço do conhecimento na micologia, enfatizando o papel dos fungos como produtores de metabólitos com aplicações relevantes na saúde e na indústria. A continuidade das investigações é essencial para maximizar o potencial desses organismos e fomentar inovações que beneficiem a sociedade e promovam o equilíbrio ambiental.
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BARRETO, D. L. C. Atividade herbicida de fungos fitopatogênicos associados a plantas do fragmento de Mata Atlântica do Parque Estadual do Rio Doce, Minas Gerais, Brasil. 2020. Dissertação (Mestrado Acadêmico em Biotecnologia) – Universidade Federal de Ouro Preto, Ouro Preto, 2020. Orientador: Prof. Dr. Luiz Henrique Rosa. Co-orientadora: Dra. Camila Rodrigues de Carvalho.
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