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Resumo
INTRODUÇÃO
A matriz energética mundial encontra-se em profunda transformação diante das crescentes preocupações ambientais, da necessidade de redução das emissões de gases de efeito estufa e da busca por fontes sustentáveis que garantam segurança no fornecimento. Nesse contexto, a energia solar surge como alternativa estratégica, por tratar-se de recurso abundante, renovável e disponível em praticamente todas as regiões do planeta. A crescente expansão dessa fonte demonstra sua relevância para o futuro energético global, com destaque para o papel central que pode desempenhar na mitigação da crise climática e na promoção do desenvolvimento sustentável.
A escolha do tema justifica-se pela urgência de compreender os caminhos possíveis para a transição energética em escala mundial e pelo fato de a energia solar representar a fonte renovável de maior crescimento na última década. Além disso, a redução de custos, o aumento da eficiência tecnológica e a integração com novas soluções de armazenamento e digitalização colocam a energia solar como protagonista das estratégias de descarbonização.
O objetivo geral deste artigo é analisar a importância e as tendências da energia solar no cenário mundial, destacando suas contribuições para a sustentabilidade ambiental, a economia global e a segurança energética. Como objetivos específicos, busca-se: compreender o funcionamento básico da energia solar e suas aplicações; identificar os fatores que explicam seu crescimento acelerado; examinar as perspectivas tecnológicas emergentes; e discutir sua relevância geopolítica e socioeconômica.
O problema de pesquisa que orienta o estudo pode ser assim formulado: de que maneira a energia solar poderá consolidar-se como fonte essencial da matriz energética mundial no século XXI, contribuindo efetivamente para a transição energética e para a redução dos impactos ambientais? A hipótese norteadora sugere que a integração da energia solar a sistemas de armazenamento avançados, tecnologias digitais e políticas públicas consistentes é determinante para que se alcance esse protagonismo global.
A metodologia utilizada baseia-se em pesquisa bibliográfica e documental, com natureza qualitativa, de caráter exploratório e descritivo. Foram consultados relatórios de organismos internacionais, como a Agência Internacional de Energia (IEA) e a Agência Internacional de Energias Renováveis (IRENA), além de estudos científicos recentes publicados em bases indexadas. O tratamento dos dados pautou-se na análise de conteúdo, priorizando a identificação de tendências, desafios e projeções.
A estrutura do artigo está organizada em cinco seções. Após esta introdução, o referencial teórico apresenta conceitos e discussões fundamentais sobre a energia solar. A seção de metodologia detalha os procedimentos adotados para a realização do estudo. Em seguida, os resultados e discussão exploram os principais achados sobre a importância e o futuro da energia solar. Por fim, as considerações finais sintetizam os resultados e apresentam reflexões sobre as perspectivas da área.
REFERENCIAL TEÓRICO
O debate científico sobre a energia solar insere-se em um contexto mais amplo de transformação da matriz energética mundial, fortemente impulsionada pelos compromissos internacionais de mitigação das mudanças climáticas. As discussões acadêmicas e institucionais convergem na necessidade de substituição progressiva de combustíveis fósseis por fontes renováveis, capazes de assegurar desenvolvimento sustentável e segurança energética. Nesse sentido, a energia solar ocupa posição estratégica por aliar disponibilidade quase ilimitada, potencial de descentralização e custo em constante redução.
A literatura recente também tem demonstrado que a transição energética não se restringe ao campo técnico, mas envolve dimensões sociais e culturais. Para (Sovacool; Griffiths, 2020), a adoção de energias renováveis deve ser entendida como processo de transformação civilizatória, pois redefine padrões de consumo, cadeias produtivas e até mesmo o imaginário coletivo em relação ao futuro energético. Portanto, compreender a energia solar não significa apenas analisá-la em termos de eficiência ou custo, mas também em relação à sua capacidade de moldar novos paradigmas de vida em sociedade.
FUNCIONAMENTO DA ENERGIA SOLAR
A energia solar pode ser aproveitada de duas formas principais: a conversão direta em eletricidade, por meio de células fotovoltaicas, e a conversão térmica, em sistemas de aquecimento ou usinas heliotérmicas. No caso do efeito fotovoltaico, trata-se de um fenômeno físico descoberto por Alexandre Edmond Becquerel em 1839, que consiste na emissão de elétrons quando materiais semicondutores recebem radiação solar.
O efeito fotovoltaico constitui a base científica que viabilizou a construção de dispositivos capazes de gerar eletricidade a partir da luz solar. Entre os materiais empregados, o silício monocristalino consolidou-se como o mais utilizado pela indústria em razão de sua eficiência e estabilidade (Green, 1982, p. 45).
Nas últimas décadas, houve avanços significativos em tecnologias de alta eficiência, como as células de perovskita, bifaciais e tandem, que ampliam a capacidade de conversão energética e reduzem a necessidade de grandes superfícies. Além disso, cresce a adoção de sistemas integrados em edificações (Building Integrated Photovoltaics – BIPV), nos quais fachadas e telhados passam a funcionar como elementos arquitetônicos e geradores de energia simultaneamente.
Em complemento, é relevante ressaltar que a energia solar não depende apenas da eficiência dos módulos, mas também da qualidade dos inversores, cabos e sistemas de monitoramento, que garantem a estabilidade do fornecimento. Para (Fraas, 2014), a evolução da engenharia de sistemas fotovoltaicos foi decisiva para transformar uma tecnologia antes restrita ao uso espacial em solução aplicável ao cotidiano de milhões de consumidores.
No horizonte atual, pesquisas interdisciplinares em nanotecnologia têm permitido o desenvolvimento de materiais mais resistentes e flexíveis, capazes de gerar energia mesmo em condições adversas de luminosidade. Esse movimento aponta para a descentralização definitiva da geração elétrica, na qual cada residência ou edificação poderá atuar como pequena central produtora.
IMPORTÂNCIA GLOBAL DA ENERGIA SOLAR
A energia solar é considerada uma das soluções mais viáveis para atender às demandas globais por eletricidade de forma sustentável. Sua importância decorre não apenas da abundância do recurso, mas também do papel estratégico na redução das emissões de gases de efeito estufa.
Conforme relatório da Agência Internacional de Energia (IEA, 2023), a energia solar representou mais de 60% da capacidade renovável adicionada em 2022, consolidando-se como a fonte de maior expansão global. Essa tendência reflete tanto a queda nos custos quanto os compromissos internacionais firmados em acordos climáticos, como o Acordo de Paris.
De acordo com Jacobson (2019, p. 132):
A substituição de combustíveis fósseis por fontes renováveis, com destaque para a solar, é capaz de reduzir em até 80% as emissões globais de dióxido de carbono até 2050. Tal processo não apenas promove a sustentabilidade ambiental, mas também contribui para a criação de empregos, a segurança energética e a estabilidade geopolítica.
Esse dado evidencia que a energia solar transcende a esfera técnica, assumindo também dimensões sociais e econômicas. Em países de grande potencial solar, como o Brasil, a energia fotovoltaica oferece ainda a possibilidade de democratizar o acesso à eletricidade, sobretudo em regiões remotas e com infraestrutura limitada.
Além disso, merece destaque o impacto econômico da energia solar, especialmente em termos de criação de novos mercados e cadeias produtivas. A instalação de usinas solares, tanto em grande escala quanto em sistemas residenciais, gera oportunidades de emprego em áreas diversas, como engenharia, manutenção, logística e serviços financeiros. Segundo a IRENA (2022), o setor solar emprega mais de 4 milhões de pessoas em todo o mundo, e esse número tende a crescer significativamente até 2030.
Do ponto de vista geopolítico, a energia solar contribui para a autonomia energética de países que dependem de importações de combustíveis fósseis. Esse fator fortalece a soberania nacional e reduz vulnerabilidades internacionais, transformando a energia em elemento estratégico não apenas ambiental, mas também de defesa e política externa.
TENDÊNCIAS TECNOLÓGICAS E ECONÔMICAS
A literatura científica e os relatórios técnicos apontam para uma série de tendências que moldarão o futuro da energia solar. Entre elas destacam-se a evolução das células fotovoltaicas, a integração com sistemas de armazenamento, o desenvolvimento de redes inteligentes e a aplicação em larga escala em edificações urbanas.
Segundo a IRENA (2022), o custo médio global da eletricidade proveniente de energia solar caiu 85% entre 2010 e 2022, tornando-se a fonte mais competitiva em mais de 60 países. Essa redução é resultado da economia de escala, do avanço das cadeias produtivas e do incremento em eficiência.
No campo tecnológico, destaca-se a ascensão das células tandem e bifaciais, que permitem ganhos superiores de geração. Além disso, os sistemas de armazenamento em baterias, especialmente de íon-lítio e de estado sólido, estão se consolidando como complementos indispensáveis, viabilizando estabilidade no fornecimento.
Outro avanço que merece atenção é a integração da energia solar ao hidrogênio verde. Como salienta (Bockris, 1975), a eletrólise da água alimentada por energia solar pode representar uma solução viável para setores de difícil descarbonização, como transporte marítimo e siderurgia. Esse processo não apenas amplia o alcance da energia solar, mas também contribui para a diversificação da matriz energética global.
A digitalização, por sua vez, cria novas oportunidades de eficiência e gerenciamento. Smart grids e softwares de monitoramento possibilitam maior precisão no equilíbrio entre oferta e demanda, reduzindo desperdícios e tornando os sistemas mais resilientes. Essa tendência indica que o futuro da energia solar está intrinsecamente ligado à convergência entre inovação tecnológica, economia digital e sustentabilidade ambiental.
QUADRO COMPARATIVO
A evolução da energia solar pode ser compreendida de forma mais clara quando se observa sua trajetória histórica em termos de avanços tecnológicos, custos médios e impactos socioeconômicos. O acompanhamento dessa progressão permite identificar como a energia solar deixou de ser uma solução restrita a usos experimentais ou espaciais para tornar-se protagonista da matriz energética mundial. Nesse sentido, o quadro a seguir sistematiza as principais fases desse desenvolvimento, destacando as mudanças mais significativas e projetando tendências para as próximas décadas.
Quadro 1 – Evolução da Energia Solar: do Passado ao Futuro
| Período | Características Tecnológicas | Custos Médios | Impacto Social e Econômico |
| 1970–1990 | Células de silício cristalino de baixa eficiência | Elevados (mais de 70 US$/MWh) | Uso restrito a satélites e pesquisas |
| 2000–2010 | Expansão do mercado e incentivos governamentais | Redução gradual (20–30 US$/MWh) | Primeiros projetos em larga escala |
| 2010–2020 | Queda acentuada de preços; início das células bifaciais | Redução de até 85% nos custos | Democratização do acesso em países em desenvolvimento |
| 2020–2050 (projeção) | Células tandem e perovskita; integração com armazenamento | Menos de 10 US$/MWh em alguns mercados | Fonte hegemônica da matriz elétrica global |
Fonte: Adaptado de IEA (2023), IRENA (2022) e BloombergNEF (2022).
Esse quadro evidencia a trajetória de evolução tecnológica e econômica da energia solar, reforçando seu potencial de consolidar-se como a principal fonte de geração no futuro. A análise demonstra que a combinação entre queda de custos e avanços científicos está transformando o setor em um dos pilares da sustentabilidade global.
De forma complementar, observa-se que cada etapa do desenvolvimento da energia solar esteve associada não apenas a descobertas tecnológicas, mas também a políticas públicas e estratégias de incentivo. Esse dado reforça a ideia de que a consolidação futura dependerá tanto de inovação quanto de uma governança energética internacional comprometida com a descarbonização.
METODOLOGIA
A construção deste estudo exigiu a definição de um percurso metodológico que assegurasse rigor científico e clareza analítica, de modo a responder adequadamente ao problema de pesquisa levantado na introdução. A metodologia, nesse sentido, não deve ser compreendida apenas como um conjunto de técnicas de coleta e tratamento de dados, mas como o alicerce que sustenta a validade e a confiabilidade das conclusões.
De acordo com Gil (2019), a metodologia científica é responsável por oferecer coerência entre os objetivos de uma investigação e os procedimentos adotados, estabelecendo as bases para o caráter científico de qualquer produção acadêmica. Assim, este capítulo apresenta a natureza, a abordagem, os objetivos, os procedimentos técnicos, o universo e a amostra utilizados, bem como os critérios de coleta, análise e limitações do estudo.
TIPO DE PESQUISA
Este trabalho caracteriza-se como uma pesquisa de natureza qualitativa, pois busca compreender fenômenos em profundidade e interpretar significados subjacentes às tendências e projeções sobre a energia solar. Segundo Minayo (2021, p. 28), “a pesquisa qualitativa responde a questões particulares, preocupando-se com um nível de realidade que não pode ser quantificado, mas que precisa ser interpretado”.
A abordagem adotada é exploratória e descritiva, uma vez que o estudo procura, ao mesmo tempo, levantar informações gerais sobre o fenômeno e detalhar aspectos que o compõem, sem a pretensão de formular leis universais. Para (Marconi; Lakatos, 2020), esse tipo de pesquisa é adequado quando o tema ainda apresenta lacunas teóricas ou quando se busca organizar e sistematizar conhecimentos em processo de consolidação, como é o caso das energias renováveis.
MÉTODO DE PESQUISA
O método utilizado foi o dedutivo, partindo-se de teorias gerais sobre sustentabilidade e transição energética para a análise específica da energia solar e de suas tendências. De acordo com Lakatos e Marconi (2017, p. 83), “o raciocínio dedutivo parte de proposições universais para chegar a conclusões particulares, servindo de guia para investigações aplicadas”.
Esse método foi considerado adequado, pois permitiu estruturar o estudo em torno de referenciais consolidados, como os relatórios internacionais da Agência Internacional de Energia (IEA) e da Agência Internacional de Energias Renováveis (IRENA), para então examinar projeções concretas e implicações específicas para o setor solar.
UNIVERSO E AMOSTRA
O universo da pesquisa compreendeu relatórios técnicos, artigos científicos e documentos institucionais relacionados à energia solar, publicados entre 2018 e 2024. Dentro desse universo, definiu-se como amostra uma seleção intencional de materiais provenientes de três grandes grupos:
Esse recorte garantiu diversidade de perspectivas, ao mesmo tempo em que manteve o foco em fontes confiáveis e atualizadas. Como ressalta Creswell (2014), a escolha intencional da amostra em pesquisas qualitativas permite aprofundar a análise em torno de dados de maior relevância para o objeto investigado.
COLETA DE DADOS
A coleta de dados foi realizada por meio de pesquisa bibliográfica e documental. Na etapa bibliográfica, foram selecionados artigos científicos revisados por pares, monografias, teses e livros especializados em energias renováveis. Já na etapa documental, priorizaram-se relatórios técnicos, estatísticas oficiais e estudos de caso disponibilizados por instituições reconhecidas.
Para Silva e Menezes (2018), a pesquisa documental diferencia-se da bibliográfica por utilizar fontes primárias que não receberam tratamento analítico prévio, o que amplia a originalidade da análise. Essa combinação permitiu integrar uma base sólida de informações científicas com dados atualizados de mercado e políticas públicas.
TRATAMENTO DE ANÁLISE DOS DADOS
O tratamento dos dados fundamentou-se na análise de conteúdo, entendida como técnica sistemática de interpretação que busca identificar categorias, padrões e significados em textos escritos. De acordo com Bardin (2016, p. 38), “a análise de conteúdo é um conjunto de técnicas de análise das comunicações que visa obter indicadores, quantitativos ou não, que permitam inferências de conhecimento”.
Nesse estudo, a análise de conteúdo foi aplicada à identificação de tendências globais, ao exame da evolução histórica da energia solar e à comparação de projeções de diferentes instituições. Essa triangulação possibilitou conferir maior consistência às interpretações, reduzindo vieses provenientes de uma única fonte.
LIMITAÇÕES DA PESQUISA
Apesar do esforço metodológico, este estudo apresenta limitações que precisam ser reconhecidas. A principal delas diz respeito à ausência de dados primários, uma vez que a investigação baseou-se exclusivamente em fontes bibliográficas e documentais. Outra limitação refere-se à rápida evolução tecnológica do setor solar, que pode tornar algumas projeções defasadas em curto prazo.
Como destaca Godoy (2020), em pesquisas qualitativas exploratórias é fundamental reconhecer as limitações como parte do processo científico, pois elas não invalidam os resultados, mas indicam caminhos para investigações futuras. Assim, recomenda-se a realização de estudos de campo e análises empíricas complementares que possam validar ou atualizar as conclusões aqui apresentadas.
ASPECTOS ÉTICOS
A pesquisa respeitou integralmente os princípios éticos da produção científica, sobretudo no que diz respeito à fidelidade às fontes consultadas, à correta atribuição de autoria e à transparência na apresentação dos dados. Todo o material utilizado foi devidamente referenciado de acordo com a norma ABNT NBR 6023:2018, garantindo rigor acadêmico e respeito aos direitos autorais.
APRESENTAÇÃO DOS RESULTADOS
A análise realizada a partir de relatórios internacionais, artigos científicos e dados técnicos evidencia que a energia solar se consolidou como a fonte renovável de maior expansão na última década, com projeções que a colocam como protagonista da matriz energética mundial nas próximas décadas. Este capítulo discute os resultados encontrados a partir da revisão bibliográfica e documental, destacando elementos econômicos, tecnológicos e sociais que sustentam a evolução do setor.
O exame dos dados permitiu identificar três eixos centrais: a expressiva redução de custos da energia solar, sua expansão global em escala sem precedentes e as perspectivas de futuro que envolvem integração tecnológica e mudanças estruturais no setor energético.
REDUÇÃO DE CUSTOS
A queda dos custos da energia solar é determinante para sua disseminação global; a eletricidade fotovoltaica apresentou redução média de cerca de 89% entre 2010 e 2022, tornando-se a fonte mais competitiva em dezenas de países (Irena, 2023).
A revolução do setor fotovoltaico não se deve apenas ao avanço científico, mas também à maturação da cadeia produtiva, que reduziu drasticamente o preço dos módulos solares e permitiu que essa tecnologia fosse incorporada em larga escala ao cotidiano da sociedade (Fraas, 2014, p. 89). A redução de custos abrange módulos, inversores, estruturas e serviços de instalação; economias de escala reforçam a curva de aprendizado e sustentam novas quedas ao longo da próxima década (Irena, 2023).
Como efeito indireto, a competitividade da energia solar pressiona fontes fósseis, deslocando investimentos e acelerando a reconfiguração da matriz elétrica em favor das renováveis (Irena, 2023).
EXPANSÃO GLOBAL
A expansão da energia solar ocorre em todos os continentes, liderada por China e Índia, com forte crescimento em Estados Unidos e União Europeia; estimativas recentes mostram acréscimos anuais sem precedentes (IEA, 2023).
No Brasil, a fonte fotovoltaica avançou de forma acelerada desde 2019 e supera dezenas de gigawatts de potência instalada somando geração centralizada e distribuída, já figurando entre as maiores fontes da matriz elétrica nacional (Aneel, 2023).
Esse dinamismo reflete potencial geográfico e climático, mas também capacidade de mobilização de investimentos privados e públicos, com ganhos de autonomia energética e menor dependência de combustíveis importados (IEA, 2023).
Em paralelo, a geração distribuída promove inclusão energética em regiões remotas e melhora indicadores socioeconômicos ao viabilizar eletrificação de serviços essenciais, como saúde e educação (Irena, 2021). Políticas de incentivo, linhas de crédito e estabilidade regulatória seguem como fatores críticos de aceleração (IEA, 2023).
PERSPECTIVAS FUTURAS
As projeções indicam protagonismo crescente da energia solar nas próximas décadas, com participação superior às fontes fósseis na geração elétrica global se as tendências atuais forem mantidas (Bloombergnef, 2022).
A consolidação desse papel exige integração com redes inteligentes, armazenamento em baterias de alta densidade e uso sinérgico para produção de hidrogênio verde. Nesse contexto, a energia solar, quando associada ao hidrogênio verde, ultrapassa a condição de mera fonte elétrica e assume caráter estratégico para a descarbonização de setores industriais e do transporte pesado, constituindo vetor central da economia de baixo carbono (Bockris, 1975, p. 210).
Desafios emergentes incluem gestão e reciclagem de módulos ao fim da vida útil, padronização de cadeias de suprimento e desenho de mercados de flexibilidade para acomodar variabilidade e intermitência (IEA, 2023). A digitalização com aprendizado de máquina e análise preditiva tende a elevar a eficiência operacional e a confiabilidade sistêmica (IEA, 2023).
DISCUSSÃO INTEGRADA
Os resultados apontam a energia solar como caminho irreversível da transformação energética, combinando vantagens econômicas, ambientais e sociais (IEA, 2023). A consolidação, entretanto, depende de políticas consistentes, inovação contínua e infraestrutura de armazenamento e digital.
A trajetória futura será híbrida e complementar: a energia solar avançará em conjunto com outras renováveis, elevando a segurança de suprimento e permitindo arranjos mais distribuídos, democráticos e resilientes (IEA, 2023; Irena, 2023).
CONSIDERAÇÕES FINAIS
A análise realizada ao longo deste estudo permite afirmar que a energia solar constitui não apenas uma alternativa de geração elétrica, mas um dos pilares centrais da transição energética contemporânea. O exame dos dados evidenciou que, em pouco mais de uma década, essa fonte deixou de ser marginal para ocupar posição estratégica nas políticas energéticas mundiais, alicerçada pela redução acentuada dos custos, pela rápida expansão global e pelas perspectivas de integração tecnológica.
Os resultados obtidos confirmam que a queda de preços dos sistemas fotovoltaicos transformou a energia solar na opção mais competitiva em diferentes mercados, inclusive em países em desenvolvimento. A combinação entre avanços científicos e amadurecimento das cadeias produtivas contribuiu para democratizar o acesso e favorecer a descentralização da geração elétrica, ampliando o impacto social positivo e fortalecendo a segurança energética.
Do ponto de vista global, a expansão da energia solar revela uma mudança paradigmática. Ao se consolidar como principal fonte renovável de crescimento, a solar assume um papel geopolítico relevante, reduzindo a dependência de combustíveis fósseis e contribuindo para a estabilidade internacional. Essa condição não se limita ao campo técnico, mas envolve profundas transformações econômicas, sociais e ambientais, capazes de redefinir a relação entre energia, desenvolvimento e sustentabilidade.
As perspectivas para as próximas décadas são promissoras. A integração da energia solar com tecnologias emergentes, como armazenamento em baterias de alta densidade, redes inteligentes e produção de hidrogênio verde, amplia seu alcance e sua capacidade de contribuir para a descarbonização em larga escala. No entanto, os desafios relacionados à reciclagem de módulos, à regulação de mercados e à necessidade de políticas públicas consistentes não podem ser negligenciados, sob risco de comprometer a trajetória de avanço já consolidada.
Conclui-se, portanto, que a energia solar não deve ser vista apenas como fonte de eletricidade limpa, mas como vetor de transformação civilizatória. Ela redefine a forma como a humanidade produz, distribui e consome energia, estimulando novos arranjos sociais e econômicos. Mais do que uma solução tecnológica, a energia solar simboliza um compromisso com o futuro sustentável do planeta, exigindo cooperação global, investimentos contínuos e inovação permanente.
RECOMENDAÇÕES E PESQUISAS FUTURAS
O avanço da energia solar como fonte hegemônica da matriz energética mundial impõe desafios que vão além da esfera técnica. Embora os resultados aqui apresentados confirmem a viabilidade econômica, tecnológica e ambiental da expansão fotovoltaica, a consolidação definitiva dessa fonte dependerá de ações articuladas em múltiplos níveis. Por esse motivo, são elencadas recomendações práticas e direcionamentos para pesquisas futuras que podem ampliar a compreensão e acelerar o processo de transição energética.
RECOMENDAÇÕES PRÁTICAS
Em primeiro lugar, recomenda-se que os governos nacionais e organismos multilaterais fortaleçam políticas de incentivo para a adoção de sistemas fotovoltaicos, tanto em larga escala quanto em geração distribuída. A literatura evidencia que programas de subsídios, linhas de financiamento acessíveis e estabilidade regulatória são fatores decisivos para o crescimento contínuo do setor (IEA, 2023).
Além disso, é fundamental que sejam criados programas robustos de reciclagem e reaproveitamento de módulos fotovoltaicos, dado que o aumento da produção inevitavelmente gerará resíduos significativos nas próximas décadas. A integração da energia solar a estratégias de economia circular assegurará não apenas sustentabilidade ambiental, mas também novas oportunidades de negócios e inovação tecnológica (Irena, 2023).
Por fim, recomenda-se maior investimento em pesquisa aplicada voltada à integração entre energia solar, armazenamento e redes inteligentes. A digitalização e o uso de tecnologias de análise preditiva, como inteligência artificial, podem otimizar o equilíbrio entre oferta e demanda, garantindo estabilidade no fornecimento (Bloombergnef, 2022).
INDICAÇÕES DE PESQUISAS FUTURAS
Do ponto de vista acadêmico, há lacunas que ainda precisam ser exploradas. Estudos de campo que avaliem o impacto da energia solar em comunidades isoladas, por exemplo, podem fornecer dados empíricos valiosos sobre o papel dessa fonte na redução das desigualdades sociais.
Outra linha de investigação relevante envolve a análise do ciclo de vida dos módulos fotovoltaicos, desde a extração de matérias-primas até o descarte final. Pesquisas desse tipo podem subsidiar políticas públicas e práticas empresariais alinhadas aos princípios da sustentabilidade integral (Irena, 2023).
Por fim, estudos comparativos entre diferentes regiões do mundo podem esclarecer de que maneira fatores geopolíticos, climáticos e socioeconômicos influenciam a adoção da energia solar. Esse tipo de abordagem contribuirá para formular modelos de governança energética mais adaptados a realidades locais, sem perder de vista a integração global necessária para a transição energética (IEA, 2023).
REFERÊNCIAS
BLOOMBERGNEF. Global energy outlook 2022 [Perspectiva energética global 2022]. New York: BloombergNEF, 2022.
BOCKRIS, J. O’M. Energy: the solar-hydrogen alternative [Energia: a alternativa solar-hidrogênio]. New York: Wiley, 1975.
FRAAS, L. M. Low-cost solar electric power [Energia solar elétrica de baixo custo]. New York: Springer, 2014.
GREEN, M. A. Solar cells: operating principles, technology, and system applications [Células solares: princípios de operação, tecnologia e aplicações de sistemas]. Englewood Cliffs: Prentice-Hall, 1982.
GREEN, M. A.; HISHIKAWA, Y.; WARTA, W.; DUNLOP, E. D.; LEFEBVRE, J.; HOHENBERGER, P.; HOUSCHKA, D. Solar cell efficiency tables (version 56) [Tabelas de eficiência de células solares (versão 56)]. Progress in Photovoltaics: Research and Applications, v. 28, n. 7, p. 629-638, 2020.
IEA. Renewables 2023 [Renováveis 2023]. Paris: International Energy Agency, 2023.
IRENA. Off-grid renewable energy solutions 2021 [Soluções de energia renovável fora da rede 2021]. Abu Dhabi: International Renewable Energy Agency, 2021.
IRENA. Renewable power generation costs in 2022 [Custos de geração de energia renovável em 2022]. Abu Dhabi: International Renewable Energy Agency, 2023.
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