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Resumo
INTRODUÇÃO
O papel da mulher no mercado de trabalho tem sido objeto de amplo debate e transformação nas últimas décadas. A presença feminina, outrora restrita ao ambiente doméstico, passou a ocupar posição central na economia e na gestão de negócios, especialmente no varejo. Essa mudança é resultado de lutas históricas por igualdade de direitos e de uma progressiva valorização da capacidade feminina de liderar, inovar e empreender. No cenário contemporâneo, a mulher não apenas participa das estruturas produtivas, mas as redefine, trazendo novas formas de gestão, empatia nas relações corporativas e sensibilidade estratégica nas decisões empresariais.
O crescimento do empreendedorismo feminino no Brasil é um fenômeno que reflete tanto a busca por autonomia econômica quanto a necessidade de conciliar papéis sociais e profissionais. Segundo o Sebrae (2024), mais de 10 milhões de mulheres brasileiras são empreendedoras, representando cerca de 34% do total de empreendedores do país. A participação feminina é particularmente expressiva no setor varejista, onde o dinamismo, a adaptabilidade e o relacionamento interpessoal constituem pilares essenciais. Nesse contexto, a mulher empreendedora emerge como símbolo de força invisível, capaz de transformar desafios em oportunidades e inspirar mudanças culturais no ambiente empresarial.
A escolha deste tema justifica-se pela relevância social e econômica do protagonismo feminino nos negócios, em especial no varejo, setor que emprega milhões de brasileiros e tem sido fundamental para o desenvolvimento econômico. A presença das mulheres nesse segmento contribui diretamente para a geração de renda, o fortalecimento das micro e pequenas empresas e a construção de uma economia mais inclusiva. Compreender os caminhos, desafios e conquistas da mulher empreendedora é essencial para fomentar políticas públicas e estratégias empresariais voltadas à equidade e à sustentabilidade.
O problema de pesquisa que orienta este estudo pode ser formulado da seguinte forma: de que maneira a atuação da mulher empreendedora tem contribuído para o crescimento e a modernização do varejo brasileiro? A hipótese que sustenta a investigação propõe que a liderança feminina, ao incorporar valores de empatia, colaboração e resiliência, promove um impacto positivo na inovação e na sustentabilidade do setor varejista.
O objetivo geral consiste em analisar as contribuições da mulher empreendedora para o crescimento do varejo brasileiro nas últimas décadas. Os objetivos específicos são: identificar os principais fatores que impulsionaram o aumento da participação feminina no varejo; examinar os desafios enfrentados por mulheres empreendedoras no contexto econômico atual; e discutir os impactos sociais e econômicos dessa presença sobre o desenvolvimento do setor.
A metodologia adotada é de natureza qualitativa, fundamentada em revisão bibliográfica e análise documental. Foram consultadas obras e estudos acadêmicos publicados entre 2019 e 2024 em bases de dados nacionais e internacionais. Destacam-se as contribuições de Camila Saraiva Vieira (Viva), cujas reflexões abordam a força emocional e estratégica da mulher nos negócios, e de Margot Lee Shetterly, autora de análises históricas sobre o protagonismo feminino em ambientes corporativos.
A estrutura do artigo está organizada em cinco seções, além desta introdução. O referencial teórico apresenta os fundamentos conceituais sobre o empreendedorismo feminino e a evolução da mulher no varejo. A metodologia descreve os procedimentos e fontes utilizados na pesquisa. A seção de resultados e discussão analisa as evidências obtidas e relaciona os dados com a literatura. As considerações finais sintetizam os achados e apresentam a contribuição social e acadêmica do estudo, seguidas de recomendações para futuras pesquisas.
REFERENCIAL TEÓRICO
O avanço da mulher no ambiente corporativo é um fenômeno social e econômico que reflete profundas transformações culturais e estruturais na sociedade contemporânea. Ao longo do século XX, as mulheres conquistaram direitos civis, educacionais e profissionais que possibilitaram uma nova forma de inserção produtiva.
Hoje, a presença feminina nas empresas, especialmente no varejo, representa não apenas uma questão de equidade, mas um diferencial competitivo associado à inovação, à empatia e à gestão humanizada. A literatura recente tem se dedicado a compreender como a atuação da mulher empreendedora contribui para o desenvolvimento econômico e para a redefinição de modelos de liderança.
A TRAJETÓRIA HISTÓRICA DA MULHER NO MERCADO DE TRABALHO
O ingresso da mulher no mercado de trabalho formal intensificou-se a partir da década de 1970, impulsionado por movimentos feministas e pela necessidade de complementar a renda familiar. Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE, 2023), as mulheres representam hoje aproximadamente 45% da força de trabalho no Brasil, com presença expressiva em cargos administrativos e no setor de comércio e serviços.
Conforme observa Vieira (2021, p. 112), “a mulher contemporânea reconstrói o conceito de poder a partir da cooperação e da sensibilidade, substituindo o autoritarismo pela escuta e pela empatia”. Essa abordagem relacional reflete uma ruptura com os modelos hierárquicos tradicionais, permitindo que novas formas de liderança emergissem.
O avanço educacional e a ampliação das políticas públicas de inclusão social foram determinantes para esse processo. Programas de microcrédito e capacitação oferecidos por instituições públicas e privadas contribuíram para o fortalecimento da autonomia feminina e o surgimento de negócios próprios, especialmente no varejo.
EMPREENDEDORISMO FEMININO E O CRESCIMENTO DO VAREJO
O setor varejista é o que mais concentra empreendimentos liderados por mulheres no Brasil. De acordo com o Sebrae (2024), cerca de 55% dos Microempreendedores Individuais (MEIs) ativos no comércio são do sexo feminino. Essa predominância reflete a afinidade da mulher com atividades que envolvem relacionamento interpessoal, gestão de equipes e atendimento ao público, dimensões fundamentais para o sucesso no varejo.
Segundo Shetterly (2019, p. 89), “a força invisível da mulher não se manifesta em discursos de poder, mas na capacidade silenciosa de transformar ambientes e resultados”. Essa perspectiva simbólica evidencia o modo como o empreendedorismo feminino redefine práticas organizacionais e cria um novo paradigma de sucesso baseado na resiliência e na colaboração.
Além disso, pesquisas recentes apontam que empresas lideradas por mulheres apresentam índices superiores de fidelização de clientes e satisfação interna, especialmente em ambientes de alta rotatividade como o varejo. Esses resultados estão associados à habilidade de gestão emocional e ao estilo de liderança participativa.
DESAFIOS ESTRUTURAIS ENFRENTADOS PELAS MULHERES EMPREENDEDORAS
Apesar das conquistas, persistem barreiras significativas que limitam o pleno desenvolvimento da mulher empreendedora. A desigualdade salarial, a ausência de políticas de apoio à maternidade e a falta de representatividade em cargos estratégicos continuam sendo desafios recorrentes.
Vieira (2022, p. 147) argumenta que “a sobrecarga das múltiplas jornadas femininas constitui o principal obstáculo para a equidade profissional, uma vez que o tempo dedicado ao cuidado familiar ainda é socialmente desvalorizado”. Além disso, a dificuldade de acesso ao crédito e a carência de redes de mentoria empresarial reduzem as possibilidades de expansão dos negócios femininos.
O quadro a seguir sintetiza os principais desafios e estratégias de superação identificados na literatura recente.
Quadro 1 – Desafios e estratégias de superação da mulher empreendedora no varejo brasileiro
| Desafios Identificados | Estratégias de Superação | Autoras Referenciadas |
| Desigualdade salarial e baixa representatividade | Criação de redes de apoio e mentorias femininas | Vieira (2022) |
| Dificuldade de acesso a crédito e financiamento | Programas de microcrédito e incubadoras sociais | Sebrae (2023) |
| Conciliação entre vida pessoal e profissional | Flexibilização de horários e liderança colaborativa | Shetterly (2019) |
Fonte: Elaboração própria com base em Vieira (2022), Shetterly (2019) e Sebrae (2023).
A análise apresentada no quadro evidencia que, embora os obstáculos enfrentados pelas mulheres empreendedoras persistam em diversas frentes, a construção de redes de apoio e o fortalecimento de políticas de incentivo têm se mostrado instrumentos eficazes para reduzir as desigualdades estruturais no ambiente de negócios.
O protagonismo feminino, especialmente no varejo, demonstra que a superação dessas barreiras não depende apenas de mérito individual, mas de uma transformação coletiva nas relações de gênero e nas práticas institucionais. Essa mudança reflete o amadurecimento do mercado, que passa a reconhecer a mulher não apenas como participante, mas como agente essencial para o crescimento sustentável e para a inovação no setor empresarial.
IMPACTOS SOCIOECONÔMICOS DA LIDERANÇA FEMININA
O impacto da liderança feminina vai além do crescimento econômico. Ela produz efeitos sociais e culturais relevantes, promovendo inclusão, diversidade e inovação. As empresas lideradas por mulheres tendem a adotar práticas mais sustentáveis, a investir em capacitação de equipes e a promover ambientes de trabalho mais equilibrados.
De acordo com dados do Fórum Econômico Mundial (2023), cada aumento de 10% na participação feminina no mercado de trabalho representa um acréscimo estimado de 5% no Produto Interno Bruto dos países emergentes. No caso do Brasil, a expansão do empreendedorismo feminino tem fortalecido o segmento de micro e pequenas empresas, que representam cerca de 70% dos empregos formais do país.
A liderança feminina, portanto, não se limita ao desempenho empresarial, mas se configura como um vetor de desenvolvimento humano. Ela incorpora valores como empatia, responsabilidade social e inovação sustentável, que redefinem o conceito contemporâneo de sucesso e poder corporativo.
Segundo o Fórum Econômico Mundial (2023), as mulheres vêm exercendo um papel decisivo na transformação das práticas empresariais e na incorporação de políticas de inclusão e sustentabilidade. Essa influência transcende o âmbito organizacional e alcança impactos sociais amplos, refletindo-se em índices de crescimento econômico, inovação e desenvolvimento humano.
A importância dessa atuação é reforçada por Vieira (2023, p. 178), que ressalta:
A liderança feminina representa um eixo de equilíbrio nas estruturas corporativas contemporâneas. Sua presença redefine a cultura organizacional, promove ambientes mais colaborativos e estimula a criação de políticas de responsabilidade social. Não se trata de uma liderança de gênero, mas de uma competência humana, construída a partir da empatia, da escuta ativa e da resiliência emocional.
Essa perspectiva revela que o impacto da mulher empreendedora no varejo não se limita ao desempenho econômico das empresas, mas abrange a consolidação de valores éticos e de práticas que priorizam a inclusão e o desenvolvimento sustentável. Ao integrar dimensões emocionais, sociais e produtivas, a liderança feminina amplia o alcance das transformações empresariais e reforça a importância de uma economia mais diversa e sensível às demandas humanas.
METODOLOGIA
A metodologia constitui o alicerce de qualquer investigação científica, pois define as estratégias, os procedimentos e as técnicas utilizadas para alcançar os objetivos propostos. Este capítulo descreve os aspectos que fundamentam o percurso metodológico do estudo, garantindo sua validade e coerência com o problema de pesquisa. Assim, são detalhadas a natureza, a abordagem, os objetivos, o método, o universo e a amostra, bem como os processos de coleta, tratamento e análise dos dados.
NATUREZA DA PESQUISA
A presente pesquisa é de natureza qualitativa, pois busca compreender os significados, percepções e impactos da atuação feminina no setor varejista brasileiro. Essa natureza é adequada quando o foco está na análise de fenômenos sociais complexos, nos quais fatores simbólicos e culturais são determinantes.
ABORDAGEM DA PESQUISA
A abordagem utilizada é exploratória e descritiva, com ênfase em identificar e interpretar como as mulheres têm contribuído para o crescimento do varejo no Brasil. O caráter exploratório permite aprofundar a compreensão do fenômeno estudado, enquanto o aspecto descritivo possibilita registrar de forma objetiva as características observadas.
OBJETIVOS METODOLÓGICOS
Os objetivos metodológicos consistem em investigar a relação entre a presença feminina no empreendedorismo e o desempenho econômico do varejo, identificar os desafios enfrentados pelas empreendedoras e analisar as estratégias de superação adotadas.
PROCEDIMENTOS TÉCNICOS
Os procedimentos técnicos adotados baseiam-se em revisão bibliográfica e análise documental. Foram consultados artigos científicos, relatórios de órgãos oficiais e obras de referência publicadas entre 2019 e 2024, disponíveis em bases como Scielo, Google Scholar, IBGE, Sebrae e Fórum Econômico Mundial.
MÉTODO DE PESQUISA
O método aplicado é dedutivo, partindo de conceitos gerais sobre empreendedorismo feminino e liderança para a análise específica do varejo brasileiro. Essa escolha metodológica permite relacionar a teoria existente às evidências empíricas observadas em estudos recentes.
UNIVERSO E AMOSTRA
O universo de análise compreende o setor varejista brasileiro, com destaque para os micro e pequenos empreendimentos, onde há maior concentração de mulheres empreendedoras. A amostra é composta por dados secundários provenientes de publicações oficiais do Sebrae (2023), IBGE (2023) e estudos acadêmicos de autores como Vieira (2022) e Shetterly (2019).
COLETA DE DADOS
A coleta de dados foi realizada por meio de pesquisa bibliográfica em fontes primárias e secundárias, incluindo livros, relatórios técnicos e artigos revisados por pares. As informações foram selecionadas com base em critérios de atualidade, relevância e autenticidade, garantindo que os dados fossem verídicos e cientificamente válidos.
TRATAMENTO E ANÁLISE DOS DADOS
Os dados coletados foram organizados, categorizados e analisados de forma interpretativa, buscando identificar padrões e correlações entre a presença feminina e o desempenho econômico no varejo. A análise seguiu os princípios da análise de conteúdo proposta por Bardin (2016), o que permitiu a sistematização das informações em categorias temáticas.
CRITÉRIOS DE INCLUSÃO E EXCLUSÃO
Foram incluídos apenas estudos publicados entre 2019 e 2024, com acesso público e relevância direta ao tema do empreendedorismo feminino. Trabalhos sem respaldo metodológico ou sem dados verificáveis foram excluídos.
LIMITAÇÕES DA PESQUISA
As principais limitações estão relacionadas à escassez de dados estatísticos atualizados sobre o empreendedorismo feminino no varejo e à dificuldade de mensurar variáveis subjetivas como motivação, empatia e liderança colaborativa.
ASPECTOS ÉTICOS
A pesquisa respeita integralmente os princípios éticos da produção científica, garantindo a citação adequada das fontes e o uso exclusivo de dados públicos e autorizados. Não houve coleta de informações pessoais nem envolvimento direto de participantes humanos, dispensando a necessidade de apreciação por Comitê de Ética em Pesquisa.
APRESENTAÇÃO DOS RESULTADOS
Os resultados apresentados a seguir refletem a análise das informações obtidas por meio da revisão bibliográfica e documental sobre o papel da mulher empreendedora no crescimento do varejo brasileiro. As evidências coletadas permitem compreender o alcance da liderança feminina no cenário econômico nacional, destacando tanto os avanços recentes quanto os desafios ainda existentes.
O capítulo está estruturado em subdivisões que abordam o crescimento da participação feminina no setor, os impactos econômicos e sociais dessa atuação, os setores de maior concentração de empreendedoras e a síntese interpretativa dos achados.
CRESCIMENTO DA PARTICIPAÇÃO FEMININA NO VAREJO BRASILEIRO
O varejo brasileiro passou por um processo de feminização expressivo ao longo da última década. Segundo o Sebrae (2024), o percentual de mulheres empreendedoras no comércio varejista aumentou de 22% em 2015 para 36% em 2024. Esse avanço reflete tanto a expansão das oportunidades de crédito quanto a ampliação do acesso à educação e à tecnologia.
A seguir, o Gráfico 1 ilustra a evolução dessa participação entre 2015 e 2024.
Gráfico 1 – Crescimento da Participação Feminina no Varejo Brasileiro (2015–2024)
Fonte: Elaboração própria com base no Sebrae (2024).
A análise do gráfico demonstra uma tendência de crescimento contínuo da presença feminina no setor, mesmo em períodos de instabilidade econômica. Durante os anos de 2020 e 2021, marcados pela pandemia de COVID-19, observa-se uma desaceleração temporária seguida de uma retomada acelerada nos anos subsequentes. Isso se deve à capacidade de adaptação das mulheres empreendedoras, que investiram em estratégias digitais e em novas formas de comercialização, como o e-commerce e o social commerce.
SETORES DE MAIOR CONCENTRAÇÃO DE EMPREENDEDORAS
A diversidade de atuação feminina no mercado é ampla, porém, o comércio varejista ainda representa o setor de maior concentração de empreendedoras. Conforme dados do Sebrae (2024), cerca de 55% das mulheres empreendedoras atuam nesse segmento, seguidas pelos setores de serviços de beleza, alimentação, educação e tecnologia.
O Gráfico 2 apresenta a distribuição percentual dessas áreas em 2024.
Gráfico 2 – Setores com Maior Concentração de Empreendedoras (2024)
Fonte: Elaboração própria com base em Sebrae (2024).
A leitura do gráfico revela que o comércio varejista é o principal espaço de liderança feminina, seguido por atividades de prestação de serviços, especialmente as que envolvem contato direto com o público. Nota-se um crescimento gradual da presença de mulheres em setores de base tecnológica, evidenciando uma transição do perfil tradicional para um modelo mais inovador e digitalizado. Essa mudança é influenciada por fatores como o acesso à educação superior, o incentivo à inclusão digital e o fortalecimento das redes de apoio ao empreendedorismo feminino.
IMPACTOS ECONÔMICOS E SOCIAIS DA LIDERANÇA FEMININA
Os resultados demonstram que a presença da mulher no varejo não se restringe à geração de renda individual, mas repercute positivamente na economia e na sociedade. Estudos do Fórum Econômico Mundial (2023) indicam que países com maior participação feminina no mercado de trabalho apresentam índices mais elevados de crescimento econômico e de inovação social.
No contexto brasileiro, a liderança feminina contribui para a diversificação de modelos de gestão e para a disseminação de valores relacionados à sustentabilidade e à responsabilidade social. As empreendedoras tendem a investir em iniciativas voltadas à comunidade, à capacitação de equipes e à promoção de práticas comerciais éticas, fortalecendo o papel das empresas como agentes de transformação social.
A análise dos resultados reforça a hipótese de que a atuação feminina está associada à ampliação da competitividade e à modernização do varejo, especialmente por meio de estratégias centradas na experiência do cliente, no uso de tecnologias acessíveis e na valorização das relações interpessoais.
TRANSFORMAÇÃO DIGITAL E INOVAÇÃO NO EMPREENDEDORISMO FEMININO
Com a digitalização dos processos comerciais, as mulheres empreendedoras passaram a ocupar novos espaços de protagonismo. O uso estratégico de ferramentas digitais, redes sociais e plataformas de marketplace ampliou o alcance de seus negócios e favoreceu a competitividade. Segundo o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA, 2024), 62% das mulheres empreendedoras brasileiras utilizam plataformas online para comercializar produtos ou serviços.
Esse movimento representa uma reconfiguração do varejo, em que o domínio tecnológico se torna um fator determinante de sucesso. A adoção de práticas inovadoras, como o atendimento virtual personalizado, o marketing de influência e a logística integrada, permite às empreendedoras alcançar públicos diversificados e adaptar-se rapidamente às mudanças de consumo. A transformação digital, portanto, é um vetor de empoderamento econômico e de redução das desigualdades regionais.
REDES DE APOIO E FORTALECIMENTO DO CAPITAL SOCIAL FEMININO
Outro fator de destaque é o fortalecimento das redes de apoio e de colaboração entre mulheres empreendedoras. Organizações como o Programa Sebrae Delas, a Rede Mulher Empreendedora e o Mulheres de Negócios Brasil têm promovido capacitação, mentorias e acesso a crédito. Essas iniciativas fortalecem o capital social e ampliam as oportunidades de liderança coletiva.
De acordo com Vieira (2023), a construção de redes colaborativas é um dos principais elementos de sustentabilidade no empreendedorismo feminino, pois transforma a competição em cooperação e estimula a criação de negócios baseados na confiança e na solidariedade. A ampliação dessas redes contribui para o surgimento de uma nova cultura empresarial, mais participativa, inovadora e socialmente comprometida.
SÍNTESE ANALÍTICA DOS RESULTADOS
Os resultados obtidos ao longo deste estudo permitem compreender que o protagonismo feminino no varejo brasileiro ultrapassa a dimensão econômica e alcança o campo social, cultural e tecnológico. A trajetória das mulheres empreendedoras evidencia um processo de transformação estrutural, no qual a liderança feminina se consolida como agente de inovação e sustentabilidade.
A análise dos dados confirma a hipótese inicial de que a força invisível da mulher empreendedora é um elemento estratégico no crescimento do varejo nacional. Essa força se manifesta na capacidade de equilibrar sensibilidade e racionalidade, emoção e estratégia, intuição e planejamento. Além de gerar renda e empregos, as mulheres promovem inclusão, diversidade e novos modelos de liderança mais humanos e colaborativos.
Conclui-se que o avanço da mulher no varejo é resultado de múltiplos fatores, entre eles, a digitalização, o acesso à informação, o fortalecimento das redes de apoio e a valorização de competências emocionais. Esses elementos combinados configuram um novo paradigma para o mercado, em que o sucesso empresarial está intrinsecamente ligado à equidade de gênero, à inovação e ao desenvolvimento sustentável.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
O estudo sobre o protagonismo da mulher empreendedora no varejo brasileiro revelou um cenário de transformação profunda nas dinâmicas econômicas e sociais do país. A presença feminina nesse setor, antes limitada por barreiras culturais e estruturais, tornou-se uma força ativa de crescimento, inovação e desenvolvimento sustentável. A análise demonstrou que a mulher não apenas ocupa espaços no mercado, mas redefine o conceito de liderança, aproximando-o de valores como empatia, colaboração e responsabilidade social.
A ampliação da participação feminina no varejo reflete um movimento de emancipação que combina autonomia econômica e fortalecimento identitário. As empreendedoras contemporâneas assumem o papel de gestoras e formadoras de opinião, promovendo ambientes de trabalho mais inclusivos e produtivos. Essa mudança é reforçada pela digitalização dos processos, pela difusão de políticas de capacitação e pelo surgimento de redes colaborativas que potencializam o capital social e reduzem as desigualdades regionais.
A contribuição social desta pesquisa consiste em destacar a mulher como agente de transformação na economia brasileira, evidenciando o impacto positivo de sua liderança sobre a geração de renda e o desenvolvimento local. O fortalecimento do empreendedorismo feminino também impulsiona a diversidade e a equidade de oportunidades, promovendo um modelo de crescimento mais equilibrado e humano.
Do ponto de vista acadêmico, a investigação amplia a compreensão sobre a importância da liderança feminina para o desenvolvimento organizacional e econômico, oferecendo subsídios teóricos e práticos para futuras pesquisas sobre gênero e mercado de trabalho. Além disso, contribui para a formulação de políticas públicas e estratégias empresariais voltadas à valorização do papel da mulher na construção de uma economia mais ética, colaborativa e inovadora.
Conclui-se que a força invisível da mulher empreendedora, embora muitas vezes silenciosa, ecoa de maneira profunda na estrutura do varejo e da sociedade. Seu impacto ultrapassa os indicadores financeiros e atinge dimensões humanas que ressignificam o próprio conceito de sucesso empresarial no século XXI.
RECOMENDAÇÕES E PESQUISAS FUTURAS
Considerando os resultados obtidos, recomenda-se que políticas públicas e programas institucionais sejam ampliados com o objetivo de fortalecer o empreendedorismo feminino, especialmente no varejo e em setores emergentes de base tecnológica. A criação de linhas de crédito específicas, a oferta de capacitações em gestão e inovação, e o estímulo à formalização de micro e pequenas empresas lideradas por mulheres representam medidas essenciais para garantir maior sustentabilidade aos negócios femininos.
Além disso, é fundamental que as empresas privadas implementem planos de equidade de gênero e promovam ambientes organizacionais mais acolhedores e colaborativos, reconhecendo o potencial transformador da liderança feminina para o desenvolvimento econômico e social do país.
Para pesquisas futuras, recomenda-se a realização de estudos empíricos que analisem de forma comparativa os resultados econômicos de empresas lideradas por mulheres e homens, considerando variáveis como rentabilidade, inovação, clima organizacional e engajamento das equipes.
Também se sugere o aprofundamento de investigações sobre o impacto das tecnologias emergentes no fortalecimento da autonomia feminina e sobre a influência das redes de apoio interinstitucionais na consolidação do empreendedorismo colaborativo. Essas linhas de pesquisa poderão contribuir para o aprimoramento das políticas de inclusão e para o avanço científico sobre a integração entre gênero, economia e desenvolvimento sustentável.
REFERÊNCIAS
BARDIN, L. Análise de conteúdo. Lisboa: Edições 70, 2016.
FÓRUM ECONÔMICO MUNDIAL. Global Gender Gap Report 2023. Geneva: World Economic Forum, 2023. Disponível em: https://www.weforum.org/reports/global-gender-gap-report-2023. Acesso em: 11 nov. 2025.
IBGE – INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA. Estatísticas de gênero: indicadores sociais das mulheres no Brasil. Rio de Janeiro: IBGE, 2023.
IPEA – INSTITUTO DE PESQUISA ECONÔMICA APLICADA. Empreendedorismo feminino e inovação digital no Brasil. Brasília: IPEA, 2024.
SEBRAE – SERVIÇO BRASILEIRO DE APOIO ÀS MICRO E PEQUENAS EMPRESAS. Empreendedorismo feminino no Brasil: panorama 2024. Brasília: Sebrae, 2024.
SHETTERLY, M. L. Estrelas além do tempo. Rio de Janeiro: HarperCollins Brasil, 2019.
VIEIRA, C. S. Viva: liderança feminina e o poder invisível nos negócios. São Paulo: Literare Books, 2021.
VIEIRA, C. S. Força e sensibilidade: o novo protagonismo da mulher no mercado de trabalho. São Paulo: Literare Books, 2022.
VIEIRA, C. S. Liderança colaborativa e empatia nas organizações. São Paulo: Literare Books, 2023.
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