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Resumo
INTRODUÇÃO
Segundo Bauru (2011), no Brasil, as atividades práticas são consideradas uma forma de favorecer a consecução dos objetivos propostos pelos Parâmetros Curriculares Nacionais (PCN) para o ensino de Ciências. Os PCN de Ciências Naturais indicam que são procedimentos fundamentais para o ensino da área aqueles que permitem a investigação, a comunicação e o debate de fatos e ideias, possibilitados pela observação, experimentação, comparação, estabelecimento de relações entre fatos ou fenômenos.
O Instituto de Desenvolvimento Agropecuária do Estado Amazonas (2005) define que:
Aprender a se alimentar e cultivar a horta são resultados práticos e colhidos por algumas escolas. Os métodos de regeneração do solo e bioalternativas ainda são poucos divulgados. Para a implementação de uma horta, há primeiramente de ter o apoio dos alunos como um todo. À escola, os alunos, devem participar para que o sucesso seja alcançado.
Conforme Minc (2005, p.74), a educação ambiental é mudança de comportamento. Exige a combinação de elementos científicos e teóricos com experimentação, práticas e conhecimentos externos à escola.
Diante dessa necessidade, este projeto de Plantio e cultivo de hortaliças, foi colocado em prática na Escola da rede Pública, da zona Leste de Manaus.
A Horta pode ser um laboratório vivo para diferentes atividades didáticas. Além disso, o seu preparo oferece várias vantagens para a comunidade. Dentre elas, proporciona uma grande variedade de alimentos a baixo custo, no lanche das crianças, permite que toda a comunidade tenha acesso a essa variedade de alimentos por doação ou compra e também se envolva nos programas de alimentação e saúde desenvolvidos na escola. Portanto, o consumo de hortaliças cultivadas em pequenas hortas auxilia na promoção da saúde.
Portanto Sepror (2003), afirma que nas escolas onde a comunidade é mais carente, o sucesso das hortas tem sido em demasiado grande, face ao fato de terem um maior número de pessoas interessadas envolvidas no processo de execução e implementação. Couve, tomate, abóbora, pimenta, cebolinha e outros entre as hortaliças que foram selecionadas para serem cultivadas na horta da escola.
Segundo Fernandes. (2007), a alimentação adequada exige:
Alimentos contendo carboidratos (açúcares e amidos), proteínas, gorduras, sais minerais e vitaminas. Arroz, carne, manteiga, frutas e, principalmente as hortaliças, são exemplos de alimentos populares ricos nas substâncias citadas. Sendo assim, somente uma alimentação variada pode fornecer o necessário à manutenção da saúde, pois possuem elevados teores de sais minerais e vitaminas. É recomendável a ingestão de pelo menos três variedades preferencialmente de cores diferentes em cada refeição. Por isso, é importante ter na escola uma horta.
A horta serve como fonte de alimentação nutritiva e estabelecendo às atividades didáticas, que oferece grandes vantagens não só aos alunos, mas também a comunidade que pôde interagir de acordo com a alternância que oi promovida pelo próprio aluno, isto é participar, com a obtenção de alimentos de qualidade a baixo custo, além de ter um papel importante no resgate da cultura alimentar, com a intenção de fortalecer o vínculo positivo entre a educação e a saúde, promovendo um ambiente saudável, no qual teve uma melhora significativa na educação e a aprendizagem do aluno.
Já nos Parâmetros Curriculares Nacionais (2003), que valoriza:
A promoção da saúde ocorre quando são asseguradas as condições para a vida digna dos cidadãos, e, especificamente, por meio de educação de estilos de vida saudáveis, do desenvolvimento de aptidões e capacidades individuais, da produção de um ambiente saudável, entre as ações da natureza eminentemente protetoras da saúde, encontram-se também as medidas de vigilância epidemiológica, saneamento básico, vigilância sanitária de alimentos.
No entanto, Costa (1996), afirma que nada pode substituir o desejo de receber dos alimentos algo que possa superar a sensação da fome; é necessário compreender de modo mais amplo a importância das leis da nutrição e as consequências que a sua falta pode trazer para o organismo pela ausência de vitaminas e minerais.
Relacionando os conteúdos do PCN, com o espaço horta, poucas aulas são desenvolvidas em espaços não-formais para uma melhor compreensão da educação formal de atividades de ensino-aprendizagem, pois no assunto Saúde/PCN, é destacado que o desperdício de vegetais poderiam ser usados no plantio de hortas, ao invés de serem descartados no lixo. Porém, é um assunto que não é desenvolvido nas escolas, mesmo estando no PCN, mas não nos conteúdos a serem ministrados, se tornando opção de cada professor de Ciência/Biologia querer despertar o interesse nos alunos para a prática de ambientes rurais, o que de uma forma é um aprendizado interessante onde não requer apenas em fazer com quê o aluno aprenda a plantar e cultivar e sim estar por dentro de assuntos que estão ligados ao seu bem estar.
A aula feita como alternância, foi de grande proveito pelos alunos, pelo modo de as aulas estarem sendo desenvolvias de forma diversificada na disciplina de Biologia e não mais estarem na sala de aula, só na teoria.
A produção das hortaliças no complemento da merenda escolar, não foi verificada por um nutricionista, pois a escola não tem um acompanhamento ideal de um nutricionista
A horta é de importância fundamental para os alunos, porque melhora a qualidade da alimentação através do consumo de hortaliças frescas e variadas, reduzindo os gastos com a compra desses produtos, além de oportunizar a facilitação e dinamização da aprendizagem indispensável ao bom funcionamento do corpo humano.
Um dos fatores que estimulou a criação da Horta na escola foi a necessidade de melhorar a merenda escolar, que frequentemente é a principal refeição do dia, devido os alunos serem carentes, isto é, com poucas condições de renda, e por isso, com esse aprendizado, o aluno desenvolvendo também o que aprendeu na escola, levando para casa se tornará ainda um custo flexível com produtos bons para o consumo, sem o uso de agrotóxicos.
Segundo o Serviço nacional de aprendizagem rural (2012, p.11), cada espécie de planta e às vezes, cada cultivar necessita de certas condições de clima, solo e cuidados. O conhecimento das técnicas de cultivo é essencial para se obter alta produtividade com menor custo, menor impacto ambiental e maior benefício social.
Analisou-se também o efeito da aplicação das metodologias da Educação de campo no rendimento escolar, melhorando assim a prática da saúde nutritiva dos escolares com a horta , com um estímulo de interesse para uma alimentação mais saudável e para os problemas ecológicos, que contribui para a complementação de vitaminas e os minerais necessários ao bem estar físico, proporcionando uma grande variedade de alimentos com custo flexível.
PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS
O Projeto de Plantio e Cultivo de Hortaliças foi implantado na escola da Rede Pública Maria do Carmo nas turmas do Ensino Médio.
HORTA
No plantio de hortaliças foram observadas as atividades de plantar, cultivar, semear, transplantio, espaçamento, adubação, irrigação, colheita e a produtividade, a diversidade e reprodução das plantas, morfologia e fisiologia das plantas e fotossíntese, que é um assunto visto no Ensino Fundamental e Ensino Médio, onde os alunos compreenderam melhor estes assuntos na prática do plantio e cultivo.
As plantas também constituem a mais rica fonte de alimento da humanidade. Raízes, caules, folhas, frutos, sementes e até flores são largamente empregados na nossa culinária, pois o resultado do plantio contribui com a merenda escolar, tornando assim uma merenda mais saudável e bastante nutritiva.
Para a preparação do terreno foi cavada a terra com a enxada na profundidade de 1 palmo, revirando, afofando e quebrando os torrões.
Os canteiros tem uma largura de 1,0 a 1,20m e o comprimento varia.
Algumas hortaliças devem ser semeadas (plantadas), primeiro em um canteiro especial chamado sementeira que podem ser caixas, copinhos, tubetes, etc, que devem receber furos no fundo para escoar o excesso de água. Aí as plantas crescem até o transplante para o canteiro definitivo. Quando as plantas da sementeira (caixote ou copinho) já estavam desenvolvidas com 5 a 6 folhas ou com uns 10 cm de altura, foram mudadas para o local onde elas iriam crescer e produzir, fazendo o transplantio no final da tarde, e as mudinhas sofreram menos com a mudança; logo após, as mudinhas eram regadas.
As plantas escolhidas contribuíram e muito com a merenda escolar, no qual essas verduras são essenciais para garantir a Segurança Alimentar dos alunos. Para tanto elas podem enriquecer o arroz carreteiro, feijão com verduras, assim como outros pratos diversos, o que proporcionou aos alunos uma boa alimentação, no qual o estudante teve mais interesse em aprender a preparar a horta de forma criativa e ser informado sobre o seu valor nutritivo, principalmente na hora de participar do seu preparo, e ter um grande gosto ao consumir o que certamente ele ajudou a cultivar.
O plantio do tomate foi feito durante o ano todo de 250g/sementes ou mudas por área, sendo que a colheita foi realizada no prazo de 120 dias, com a produtividade de 16t (toneladas). O transplantio foi feito de 25 a 35 dias após a semeadura, quando as mudas já estavam com 6 ou mais folhas, com espaçamento de 1,0 x 0,50m. A adubação foi feita com cova de 2 litros de esterco, 50g de superfosfato triplo, 50g de cloreto de potássio, 10g de sulfato de amônio.
A época do plantio do pimentão ocorreu o ano todo, com a colheita feita em 110 dias após a semeadura, sendo que os pimentões poderiam ser colhidos verdes, com a produtividade por área de 16n (toneladas), de sementes ou mudas por área de 2Kg/sementes. Tendo o espaçamento de 1,0 x 0,50m, com semeadura em sementeiros distribuindo as sementes em sulcos espaçados de 10cm em 10cm. O transplantio ocorreu quando as mudas estavam com 8 a 10cm de altura, e na adubação foi aplicado por cova 2 litros de esterco de curral, 150 a 200g de superfosfato simples e 10 a 20g de cloreto de potássio.
O plantio do coentro ocorreu o ano todo, com a necessidade de 8 a 10Kg/sementes, com produtividade de 25.000 maços ou 2t (toneladas), sendo que a semeadura foi feita nos canteiros onde as sementes foram distribuídas em sulcos distanciados 20cm uns dos outros. A irrigação era feita diariamente com a colheita entre 50 e 60 dias após a semeadura arrancando-se as plantas.
O cultivo da cebolinha foi o ano todo, sendo que a semeadura distribui as sementes em sulcos distanciados 10cm uns dos outros (1g de sementes/m²), com o transplantio de 30 a 40 dias após a semeadura e o espaçamento de 20cm x 25cm. Na adubação foi usado de 30 a 50g de sulfato de amônio ou nitro cálcio, ou 15 a 30g de uréia/m², após cada corte e a irrigação feita diariamente. A colheita foi feita com 90 dias, cortando as folhas rente ao solo ou arrancando toda a planta.
O plantio do couve, ocorreu o ano todo, com a semeadura feita na sementeira em sulcos distanciados 10cm e 1cm de profundidade e transplantio quando as mudas estavam com 4 a 5 folhas e 10 a 15cm de altura, fez-se o transplantio em pequenas covas feitas em canteiros e o espaçamento de 1m x 50cm. Na adubação colocou-se em cada cova bem misturadas: 1 litro de esterco, 70g de superfosfato simples e 15g de cloreto de potássio. A cada 15 dias foi aplicado 20g de uréia/planta e 10g de cloreto de potássio/planta, quando do transplantio até o pegamento regado diariamente, depois a cada 2 dias, fazendo sempre a colheita que começou entre 60 e 70 dias após o plantio, colheu-se as folhas mais velhas duas vezes por semana.
O plantio da abobrinha foi realizado o ano todo. Foi plantado 3 à 4 sementes por cova e coberto com 2cm de terra, as covas tiveram no mínimo 30cm x 25cm de profundidade, o espaçamento de 3m x 4m, com a adubação por cova de 8 a 10 litros de esterco de curral mais 200g a 300g de superfosfato simples e de 30 a 50g de cloreto de potássio. As colheitas foram feitas quando os frutos estivam bem maduros, o que ocorreu entre 120 e 150 dias após a semeadura.
Para plantar o repolho foi necessário 250g/sementes por área. A semeadura, foi feita na sementeira, em sulcos distanciados de 10cm uns dos outros e com 1cm de profundidade. O transplantio foi realizado quando as mudas estavam com 4 a 5 folhas e 10 a 15cm de altura, e esse transplantio foi feito em pequenas covas feitas em canteiros, com espaçamento de 80cm x 50cm, e a irrigação do transplantio foi feita até o pegamento regar diariamente, então, depois a cada 2 dias.
O plantio do quiabo foi feito o ano todo, com o espaçamento de 40 a 50 cm entre as covas por 1m entre linhas e o plantio de 3 ou 4 sementes por cova, tendo a necessidade de 2Kg/sementes com 16t (toneladas), com a colheita realizada entre 80 e 90 dias após o semeio, com os frutos colhidos antes de se tornarem fibrosos.
O maxixe foi plantado o ano todo, com a colheita realizada no período de 70 dias, tendo a produtividade de 5t (toneladas), o que equivale de 300g/sementes ou mudas, com o espaçamento de 2,0 x 2,0.
Todas essas mudas foram plantadas em 9 canteiros, sendo que 2 canteiros, ficaram exclusivos só para a plantação de abobrinha.
Este estudo analisou o interesse dos alunos que foram divididos por turmas, sendo a primeira turma responsável na parte do aprendizado do controle e conhecimento, no qual no primeiro bimestre participaram diretamente na produção do experimento da horta e no segundo bimestre, foi feita a troca das turmas, pois os que ainda não haviam participado no primeiro bimestre puderam concluir no segundo, onde foi feita uma nova análise de conhecimento e desempenho de acordo com a disciplina e o interesse dos alunos. E nos outros dois bimestres (3° e 4°), sucessivamente, sempre desenvolvendo atividades progressivas, atraentes e variadas.
O rodízio dos alunos foi feito da seguinte maneira: alguns alunos se voluntariaram, como uma espécie de “agentes ambientais”, onde desenvolveram as mesmas atividades das outras turmas divididas por bimestre sendo que, com uma atividade diferenciada, a de “fiscalização” de acompanhamento e controle das atividades que os demais alunos desenvolveram na horta.
Os alunos desenvolveram importante trabalho na escola e na comunidade, onde todos foram capacitados para isso, pois ajudaram e muito a divulgar o projeto, e da necessidade de viver de forma saudável se alimentando bem com produtos de ótima qualidade, sem o uso de agrotóxicos, com o objetivo de que tudo o que foi adquirido durante toda a realização da Horta, tiveram o interesse de se também construir uma em casa, daí é que vem o envolvimento da comunidade com o fator escola.
RESULTADOS
É viável a produção da Horta escolar, pois teve um melhoramento significativo no ensino de Biologia, mostrando as diversas formas de se trabalhar o conteúdo da disciplina, pois os alunos não mais se prendiam a uma sala de aula e sim tendo interesse por um novo aprendizado que foi posto em prática, aprendendo a se nutrir de forma correta com uma boa alimentação e equilibrada agindo principalmente no bom desempenho dos alunos, pois relataram que com o desenvolvimento do projeto conseguiram ter uma melhor qualidade de vida. Criando em sua vida a cultura de poder plantar e cultivar alimentos saudáveis em casa, sabendo de cada nutriente que as hortaliças possuem e o seu manuseio, isto é, a forma correta de higienização na hora dessas hortaliças irem para a mesa. Os alunos ao final de toda a pesquisa feita confeccionaram uma Cartilha Ambiental, esta com informações coletadas de seus experimentos e experiências vividas com a Horta mediante à comunidade escolar de forma positiva, frisando sempre sobre a importância de se ter uma Horta de forma mais saudável possível para uma ótima qualidade de vida.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
Este projeto é uma ferramenta eficiente em busca de pessoas mais saudáveis, e só foi possível pela dedicação dos alunos, dos funcionários, dos professores e toda a comunidade escolar participativa.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
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BAURU. Ciência e Educação. Vol. 17, no. 4. 2011.
COSTA, Renata BL. Revista Saúde Pública. Vol. 34, São Paulo, 2000.
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MINC, Carlos. Ecologia e cidadania. 2. Ed. Moderna. São Paulo, p.74, 2005.
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SEPROR, Secretaria de Estado da Produção Agropecuária, Pesca e Desenvolvimento Rural Integrado. Amazonas, 2003.
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