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Resumo
INTRODUÇÃO
O direito à educação é uma das garantias fundamentais estabelecidas pela Constituição Federal de 1988 no Brasil, cujo artigo 205 define a educação como um “direito de todos e dever do Estado e da família”. Este direito visa o pleno desenvolvimento da pessoa, o exercício da cidadania e sua qualificação para o trabalho. A Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB), Lei nº 9.394/1996, reforça esse princípio, estabelecendo que a educação básica é obrigatória e gratuita dos 4 aos 17 anos. Ainda assim, apesar dos avanços significativos nas últimas décadas, especialmente com a ampliação da rede pública de ensino e programas como o Bolsa Família, o Brasil ainda enfrenta sérios desafios para garantir o acesso universal e equitativo à educação. Um dos maiores entraves é a evasão escolar, que afeta de forma desproporcional as populações mais vulneráveis, como crianças e adolescentes em situação de pobreza, áreas rurais, comunidades indígenas e quilombolas.
Dados recentes do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) indicam que milhares de crianças e adolescentes estão fora da escola, o que compromete não apenas seu desenvolvimento intelectual e social, mas também sua inserção futura no mercado de trabalho. As causas da exclusão escolar são multifatoriais, incluindo pobreza, trabalho infantil, violência doméstica, deficiência física ou mental e falta de acesso a serviços básicos, como transporte e saúde. Sem uma intervenção coordenada e intersetorial, essas barreiras estruturais podem perpetuar ciclos de exclusão social e educacional, agravando as desigualdades já existentes.
Em resposta a esse cenário, foi criada a estratégia da Busca Ativa Escolar, uma iniciativa desenvolvida em parceria entre o Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) e a União Nacional dos Dirigentes Municipais de Educação (UNDIME), que visa identificar, monitorar e reintegrar crianças e adolescentes fora da escola. Lançada em 2017, essa estratégia utiliza uma plataforma tecnológica que facilita a articulação entre diversas secretarias municipais e estaduais (como educação, saúde e assistência social) e mobiliza a sociedade civil, incluindo agentes comunitários, escolas e famílias, para garantir que nenhuma criança seja deixada para trás.
O diferencial da Busca Ativa Escolar está em seu caráter intersetorial e preventivo, uma vez que busca não apenas reintegrar os alunos ao ambiente escolar, mas também diagnosticar os fatores que levaram à exclusão. A plataforma permite um mapeamento detalhado das causas da evasão, oferecendo dados em tempo real que auxiliam os gestores públicos a desenvolverem políticas adaptadas à realidade local. Essa abordagem integrada contribui para o fortalecimento das políticas públicas de educação, uma vez que promove soluções personalizadas para cada contexto, envolvendo desde o fornecimento de transporte escolar até o acompanhamento psicológico dos estudantes e suas famílias.
Além de atuar como uma estratégia reativa, a Busca Ativa Escolar também se alinha aos princípios do Plano Nacional de Educação (PNE), que estabelece metas para a universalização do ensino básico e a redução das desigualdades educacionais. O PNE destaca a importância de ações que garantam a inclusão de todos os grupos sociais, reforçando o compromisso do Brasil com os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), particularmente o ODS 4, que visa assegurar uma educação inclusiva, equitativa e de qualidade para todos.
O presente artigo tem como objetivo analisar a Busca Ativa Escolar no contexto das políticas públicas brasileiras, destacando sua base legal e seu papel na formulação e implementação de estratégias intersetoriais de combate à exclusão escolar. A análise crítica sobre sua implementação, os resultados alcançados e os desafios enfrentados permite uma compreensão mais ampla de sua relevância no combate à evasão escolar e na promoção de uma educação inclusiva e equitativa. A metodologia deste estudo inclui revisão bibliográfica e análise documental de marcos legais e programas institucionais, além da análise de relatórios de desempenho da Busca Ativa Escolar em diferentes municípios brasileiros.
GARANTIA LEGAL DO DIREITO À EDUCAÇÃO NO BRASIL
A educação no Brasil é um direito fundamental assegurado pela Constituição Federal de 1988, que estabelece, em seu artigo 205, que “a educação, direito de todos e dever do Estado e da família, será promovida e incentivada com a colaboração da sociedade, visando ao pleno desenvolvimento da pessoa, seu preparo para o exercício da cidadania e sua qualificação para o trabalho.” Esse princípio torna a educação um pilar essencial para a construção de uma sociedade mais justa e igualitária, incluindo não apenas o Estado, mas também as famílias e a sociedade civil na promoção desse direito.
A Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB), instituída pela Lei nº 9.394/1996, reforça esse direito ao regulamentar o sistema educacional brasileiro, estabelecendo parâmetros e diretrizes para garantir a qualidade e a universalização da educação básica, que deve ser obrigatória e gratuita para crianças e adolescentes dos 4 aos 17 anos. A LDB visa assegurar o acesso, a permanência e a aprendizagem significativa de todos os alunos, com destaque para a promoção da inclusão e equidade no ambiente escolar.
Outro marco importante para a efetivação do direito à educação no Brasil é o Plano Nacional de Educação (PNE), instituído pela Lei nº 13.005/2014, que estabelece metas e diretrizes para a política educacional brasileira até 2024. O PNE visa assegurar a universalização do ensino básico e a ampliação do acesso ao ensino superior, com ênfase na redução das desigualdades educacionais, especialmente aquelas que afetam populações vulneráveis, como crianças de famílias de baixa renda, quilombolas, indígenas e pessoas com deficiência. Entre suas 20 metas, destacam-se o combate à evasão escolar, a melhoria da qualidade do ensino e a valorização dos profissionais da educação.
No contexto das legislações internacionais, o Brasil também é signatário de diversos tratados e convenções que reafirmam o compromisso com o direito universal à educação. A Convenção sobre os Direitos da Criança (1989), ratificada pelo Brasil, estabelece que toda criança tem o direito à educação, e o Estado deve garantir esse direito de forma equitativa e sem discriminação. Essa convenção reconhece o papel da educação no desenvolvimento integral da criança, buscando assegurar que ela alcance o máximo de suas potencialidades físicas, mentais, emocionais e sociais.
Mais recentemente, o Brasil assumiu o compromisso com os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), estabelecidos pela Agenda 2030 das Nações Unidas, em especial o ODS 4, que visa “assegurar a educação inclusiva, equitativa e de qualidade, e promover oportunidades de aprendizagem ao longo da vida para todos”. Esse objetivo vai ao encontro das políticas internas brasileiras, destacando a importância de eliminar barreiras socioeconômicas, culturais e geográficas que dificultam o acesso à educação, com foco especial em grupos marginalizados.
Apesar dos avanços significativos nas políticas educacionais, a implementação prática dessas garantias enfrenta desafios consideráveis, especialmente no combate à evasão escolar e à exclusão educacional. Segundo dados do Censo Escolar de 2022, milhões de crianças e adolescentes ainda estão fora da escola no Brasil, particularmente em áreas rurais, comunidades indígenas, periferias urbanas e entre famílias de baixa renda. A falta de infraestrutura adequada, a necessidade de transporte escolar e as condições socioeconômicas adversas são fatores que contribuem para essa exclusão, exigindo a implementação de políticas públicas efetivas que integrem diferentes esferas governamentais e setores da sociedade.
É nesse contexto que a Busca Ativa Escolar se destaca como uma estratégia concreta e inovadora para identificar e reintegrar crianças e adolescentes fora da escola, fortalecendo a garantia constitucional do direito à educação. A plataforma, desenvolvida pelo UNICEF em parceria com a UNDIME, oferece uma abordagem intersetorial, reunindo os esforços da educação, saúde e assistência social para mapear as causas da exclusão e propor soluções adequadas. Além de proporcionar um diagnóstico mais preciso sobre as razões que levam à evasão escolar, a Busca Ativa Escolar facilita a articulação de políticas públicas direcionadas e localizadas, garantindo uma resposta mais eficaz e rápida para cada realidade social e geográfica.
Essa articulação de políticas e práticas educacionais se apresenta como uma das principais ferramentas para enfrentar os desafios da exclusão escolar e promover o acesso equitativo à educação no Brasil. No entanto, a continuidade e ampliação de tais estratégias dependem do compromisso político, da coordenação intersetorial e da participação ativa da sociedade civil.
A BUSCA ATIVA ESCOLAR COMO POLÍTICA PÚBLICA INTERSETORIAL
A Busca Ativa Escolar vai além de uma simples estratégia educacional; ela representa uma política pública intersetorial essencial para enfrentar a exclusão escolar no Brasil. Reconhecendo que a evasão e a exclusão escolar não são problemas isolados, mas sim consequências de uma complexa rede de fatores sociais, econômicos e culturais, a Busca Ativa Escolar se propõe a integrar ações de diferentes setores, como saúde, assistência social e educação, envolvendo também as esferas municipais, estaduais e federal. Essa articulação é fundamental para a criação de um ambiente que favoreça o acesso à educação de forma inclusiva e equitativa.
A intersetorialidade, característica central da Busca Ativa Escolar, é crucial para a sua efetividade. A exclusão escolar pode resultar de múltiplas causas, incluindo pobreza, trabalho infantil, deficiência, violência, problemas de saúde e falta de suporte familiar. Por exemplo, crianças que enfrentam condições de vulnerabilidade social muitas vezes não têm acesso a transporte escolar adequado ou a serviços de saúde que poderiam ajudá-las a superar barreiras à educação. Portanto, a colaboração entre diferentes setores é vital para identificar e abordar essas questões de forma abrangente.
A plataforma Busca Ativa Escolar é um dos principais instrumentos dessa política, pois permite que agentes comunitários, gestores públicos e profissionais da educação registrem e monitorem casos de crianças fora da escola em tempo real. Com acesso a dados atualizados, os gestores podem identificar rapidamente quais estudantes estão fora da escola e quais são os fatores que contribuem para essa situação. Essa informação é essencial para o desenvolvimento de estratégias personalizadas e eficazes para reintegrar os alunos ao sistema educacional.
Além disso, a plataforma facilita a elaboração de planos de ação individualizados, considerando as especificidades de cada caso. Por exemplo, uma criança pode necessitar de transporte escolar para acessar a escola, enquanto outra pode precisar de programas de transferência de renda para aliviar a carga financeira sobre sua família, permitindo que seus responsáveis se concentrem na educação. Em casos de violência ou problemas de saúde mental, o acompanhamento psicológico pode ser essencial para garantir que a criança se sinta segura e apoiada em seu ambiente escolar.
A Busca Ativa Escolar também promove a sensibilização e capacitação dos agentes comunitários e dos profissionais envolvidos, permitindo que eles reconheçam e abordem as necessidades das crianças e suas famílias de maneira mais eficaz. Essa formação é fundamental para que esses profissionais possam atuar como mediadores entre as diferentes políticas públicas, assegurando que as crianças recebam não apenas a educação, mas também o suporte necessário para superar os obstáculos à sua inclusão e permanência no sistema educacional.
Ademais, a intersetorialidade é promovida por meio de reuniões regulares entre os diversos setores, onde são discutidos casos específicos e estratégias de intervenção. Essas reuniões garantem que todos os atores envolvidos na implementação da Busca Ativa Escolar estejam alinhados e informados sobre as ações a serem tomadas, promovendo uma abordagem colaborativa que potencializa os resultados.
Contudo, a efetividade da Busca Ativa Escolar ainda enfrenta desafios significativos, como a falta de recursos, a resistência à mudança por parte de alguns setores e a necessidade de uma maior coordenação entre as diferentes esferas de governo. Para que essa política alcance seus objetivos, é essencial que haja um compromisso político sólido e um investimento contínuo em formação, infraestrutura e recursos.
Em suma, a Busca Ativa Escolar se apresenta como uma política pública intersetorial inovadora que integra diversas áreas em prol da inclusão educacional, demonstrando que a colaboração entre diferentes setores é uma estratégia eficaz para enfrentar a exclusão escolar. A construção de uma rede de apoio robusta, capaz de identificar e intervir nas causas da evasão escolar, é crucial para garantir que todas as crianças tenham acesso ao direito à educação, conforme assegurado pela Constituição Federal.
O IMPACTO E DESAFIOS NA IMPLEMENTAÇÃO DA BUSCA ATIVA ESCOLAR
Desde sua criação, a Busca Ativa Escolar tem gerado impactos positivos na redução da exclusão escolar em diversos municípios brasileiros, especialmente em regiões periféricas e rurais. Essa iniciativa, que visa identificar e reintegrar crianças e adolescentes fora da escola, foi inovadora de maneira significativa em áreas que enfrentam barreiras tradicionais ao acesso educacional. Segundo dados do UNICEF, uma estratégia já ajudou a reintegrar milhares de estudantes à escola, contribuindo para o fortalecimento do cumprimento das metas do Plano Nacional de Educação (PNE), como a universalização da educação básica.
IMPACTOS POSITIVOS
Um dos principais impactos da Busca Ativa Escolar é a melhoria nas taxas de matrícula e frequência escolar em regiões afetadas pela exclusão. Os relatórios indicam que, nos municípios que adotaram essa política, as taxas de evasão diminuíram consideravelmente, com alguns locais registrando uma redução de até 30% na evasão escolar após a implementação da estratégia. Isso demonstra a eficácia da Busca Ativa em mobilizar recursos e esforços para garantir que crianças e adolescentes tenham acesso à educação.
Além disso, a Busca Ativa Escolar promoveu uma maior conscientização sobre a importância da educação dentro das comunidades. A mobilização de agentes comunitários e a participação ativa das famílias no processo educacional geraram um impacto positivo na valorização da educação. Campanhas de sensibilização realizadas em parceria com a comunidade têm contribuído para que os responsáveis pelas crianças entendam os benefícios da educação e se comprometam a mantê-las na escola.
Outro impacto relevante da Busca Ativa é a criação de um sistema mais eficiente de monitoramento das crianças fora da escola. O uso de uma plataforma digital para registro e acompanhamento de casos tem permitido que os gestores públicos obtenham dados em tempo real sobre a situação educacional de suas comunidades. Essa ferramenta facilita a identificação de padrões e a formulação de políticas específicas para atender às necessidades dos alunos.
DESAFIOS NA IMPLEMENTAÇÃO
Apesar dos resultados positivos, a implementação plena da Busca Ativa Escolar enfrenta desafios consideráveis. Um dos principais obstáculos é a falta de infraestrutura em algumas regiões, que pode dificultar o acesso das crianças à escola. Em áreas rurais e periferias urbanas, a ausência de transporte escolar adequado e de escolas próximas pode ser um fator decisivo na exclusão educacional.
Outro desafio é a necessidade de maior capacitação de agentes comunitários e profissionais de educação envolvidos na estratégia. Muitos desses agentes, embora motivados, carecem de formação adequada para lidar com as complexidades que envolvem a exclusão escolar. Programas de capacitação que oferecem ferramentas e conhecimentos necessários para a abordagem de questões intersetoriais são fundamentais para fortalecer a atuação desses profissionais.
A articulação efetiva entre diferentes setores governamentais também se apresenta como um desafio importante. A intersetorialidade é essencial para a efetividade da Busca Ativa, mas muitas vezes a comunicação entre as secretarias de educação, saúde e assistência social é precária. A falta de um sistema integrado de informações pode dificultar a coordenação dos esforços e a implementação de soluções que atendam às necessidades específicas de cada criança.
Além disso, a continuidade da estratégia diante das mudanças de gestão municipal ou estadual representa um obstáculo significativo. Muitas vezes, uma mudança de administração resulta na descontinuidade das ações inovadoras, colocando em risco a sustentabilidade das políticas de combate à exclusão escolar. Para mitigar esse problema, é crucial que a Busca Ativa Escolar seja institucionalizada nas políticas educacionais dos municípios, garantindo que sua implementação não dependa de gestões temporárias.
PERSPECTIVAS FUTURAS E RECOMENDAÇÕES DE POLÍTICAS PÚBLICAS E EDUCACIONAIS
Para que a Busca Ativa Escolar seja eficaz de forma ampla e rigorosa, é necessário que os governos brasileiros invistam em diversas frentes, que vão além da simples identificação e reintegração de estudantes fora da escola. As ações devem ser integradas e contínuas, com um foco claro na promoção do direito à educação para todos os cidadãos, especialmente os mais vulnerávei
INVESTIMENTO NECESSÁRIO
Um dos primeiros passos para fortalecer a Busca Ativa Escolar é o investimento em infraestrutura educacional. Muitas comunidades, especialmente em áreas rurais e periféricas, ainda carecem de escolas específicas e de transporte escolar acessível. É fundamental que os governos municipais e estaduais priorizem a construção e a manutenção das escolas, além de garantir que haja transporte seguro e eficiente para os estudantes. Esses investimentos são essenciais para criar um ambiente propício à educação e reduzir as barreiras ao acesso.
Além disso, a capacitação dos profissionais envolvidos na Busca Ativa Escolar deve ser uma prioridade. A formação contínua de agentes comunitários, educadores e gestores públicos é crucial para que eles possam lidar com as complexidades que envolvem a exclusão escolar. Os programas de capacitação devem incluir não apenas aspectos pedagógicos, mas também habilidades sociais e culturais, para que esses profissionais possam entender e atender às necessidades específicas das comunidades em que atuam.
PROMOÇÃO DAS CAMPANHAS DE CONSCIENTIZAÇÃO
A promoção de campanhas de conscientização sobre a importância do direito à educação é uma recomendação vital para a eficácia da Busca Ativa Escolar. Tais campanhas são fundamentais não apenas para informar a população sobre os benefícios da educação, mas também para sensibilizar as famílias sobre os impactos negativos da exclusão escolar na vida das crianças e adolescentes. A conscientização ajuda a criar um ambiente social que valorize a educação e incentive as famílias a se engajarem na matrícula e permanência de seus filhos na escola.
Essas campanhas devem ser organizadas em colaboração com as comunidades, levando em conta suas especificidades culturais e sociais. A utilização de meios de comunicação locais, como rádios comunitárias, redes sociais e eventos comunitários, pode ser uma estratégia eficaz para divulgar informações. As mensagens devem ser elaboradas de forma acessível, utilizando linguagem clara e exemplos concretos que ressoem com a realidade das famílias. O envolvimento de líderes comunitários, organizações não governamentais e grupos locais podem potencializar o alcance e a eficácia das campanhas.
Além disso, é crucial que as campanhas abordem temas como a importância da educação para o desenvolvimento pessoal e profissional, os direitos das crianças e adolescentes e os recursos disponíveis para apoiar as famílias na educação dos filhos. Esse tipo de abordagem não apenas informa, mas também empodera as famílias, permitindo que elas reconheçam seu papel ativo na educação de seus filhos. Iniciativas que mostram histórias de sucesso de alunos que superaram desafios e alcançaram seus objetivos educacionais podem ser especialmente motivadoras.
CONTINUIDADE E FORTALECIMENTO DAS POLÍTICAS INTERSETORIAIS
A continuidade das políticas intersetoriais é fundamental para a eficácia da Busca Ativa Escolar. Isso exige o fortalecimento da cooperação entre os diferentes níveis de governo municipal, estadual e federal. A articulação entre as secretarias de educação, saúde, assistência social e outras áreas deve ser promovida, garantindo que as soluções definidas sejam holísticas e atendam às diversas necessidades dos alunos e suas famílias.
Para isso, é essencial que os governantes desenvolvam protocolos de colaboração que incluam reuniões regulares entre as diferentes secretarias e órgãos envolvidos. A criação de comitês intersetoriais pode facilitar a troca de informações e a definição de estratégias conjuntas, como a implementação de programas que integram ações de saúde e educação, além de assistência social.
A promoção de uma cultura de colaboração entre os diferentes setores também é necessária. Isso pode ser alcançado por meio de treinamentos e workshops que incentivam o entendimento das responsabilidades e competências de cada área, assim como a importância da interdependência na promoção do direito à educação. Uma abordagem intersetorial permite que os fatores que levam à exclusão escolar como pobreza, saúde precária e falta de apoio social sejam envolvidos de forma integrada, maximizando a eficácia das ações resolvidas.
MONITORAMENTO E ADAPTAÇÃO ÀS REALIDADES LOCAIS
O monitoramento constante da plataforma de Busca Ativa Escolar é imprescindível para garantir sua eficácia. É necessário que haja um sistema de avaliação que permita acompanhar o progresso das iniciativas e identificar áreas que serão alvo de ajustes. Isso envolve uma coleta de dados sobre a taxa de reintegração escolar, a frequência dos alunos e o impacto das ações adotadas, permitindo uma análise contínua das estratégias.
Além disso, a adaptação das estratégias às realidades locais é essencial, especialmente em contextos como áreas rurais, comunidades indígenas e quilombolas, onde as barreiras ao acesso à educação podem ser mais destacadas. Isso inclui considerar questões como a língua, a cultura e as especificidades de cada comunidade na formulação de políticas. A participação das comunidades no processo de monitoramento pode trazer insights valiosos sobre os desafios enfrentados e as melhores práticas a serem adotadas.
É importante também que a tecnologia utilizada na plataforma de Busca Ativa Escolar seja intuitiva e acessível, permitindo que todos os usuários, desde gestores até comunidades possam registrar e acessar informações de maneira eficaz. O treinamento contínuo dos usuários da plataforma garantirá que todos estejam capacitados para utilizar uma ferramenta de forma eficaz.
MARCO LEGAL ROBUSTO
Por último, é vital que as políticas públicas baseadas na Busca Ativa Escolar sejam acompanhadas de um marco legal robusto e contínuo . Esse marco deve garantir a sustentação das iniciativas e permitir a adaptação do programa às novas demandas sociais e educacionais. A legislação deve prever mecanismos de financiamento estável e compromisso político a longo prazo, garantindo que a Busca Ativa Escolar não seja uma política pontual, mas sim uma estratégia contínua de combate à exclusão educacional.
O fortalecimento das bases legais pode incluir a criação de leis específicas que asseguram a continuidade das ações da Busca Ativa Escolar, independentemente de mudanças nas administrações governamentais. Tais legislações também devem definir claramente os papeis e responsabilidades de cada ente federativo na implementação e supervisão da política.
Além disso, um marco legal robusto deve contemplar a participação social na formulação e revisão das políticas. Isso pode ser feito por meio de consultas públicas e audiências que permitam que a sociedade civil, incluindo famílias e alunos, expressem suas necessidades e sugestões. A transparência e a prestação de contas em relação ao uso de recursos e aos resultados também são fundamentais para fortalecer a confiança da comunidade nas políticas públicas.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
A Busca Ativa Escolar é uma ferramenta estratégica e inovadora no combate à exclusão escolar no Brasil, desempenhando um papel fundamental na promoção do direito à educação. Sua importância não se limita apenas à reintegração de crianças e adolescentes fora da escola, mas se estende à transformação das condições sociais que perpetuam a exclusão educacional. Ao considerar e considerar as múltiplas causas da evasão escolar, a Busca Ativa Escolar se posiciona como um componente essencial de uma abordagem mais ampla e integrada para a educação no país.
A efetividade dessa iniciativa depende de uma articulação intersetorial robusta, que deve envolver não apenas as secretarias de educação, mas também os setores de saúde, assistência social, e outros órgãos governamentais e da sociedade civil. Essa integração é crucial para abordar as diversas barreiras que as famílias enfrentam como pobreza, falta de acesso a serviços de saúde e questões sociais que afetam o ambiente escolar. Por meio dessa articulação, as políticas públicas podem ser mais eficazes, promovendo soluções personalizadas que atendam às necessidades específicas de cada comunidade.
A implementação da Busca Ativa Escolar deve ser contínua e adaptada às realidades locais. O reconhecimento das particularidades de cada região, seja em áreas urbanas ou rurais, é fundamental para que as estratégias adotadas sejam eficazes. A coleta e análise de dados em tempo real, juntamente com o monitoramento constante das iniciativas, garantem que os programas sejam flexíveis e responsivos às mudanças nas dinâmicas sociais e econômicas, garantindo que as ações permaneçam relevantes e impactantes.
Além de cumprir uma função prática, a Busca Ativa Escolar reafirma o compromisso do Estado e da sociedade civil com a inclusão educacional. Essa política não é apenas uma resposta aos desafios imediatos da evasão escolar, mas também um reflexo de uma visão mais ampla de justiça social e igualdade de oportunidades. Ao priorizar a educação como um direito inalienável, a sociedade brasileira dá um passo significativo na construção de uma base sólida para o desenvolvimento humano e social.
Por fim, a Busca Ativa Escolar se configura como uma política pública essencial para a construção de uma sociedade mais equitativa e inclusiva. Seu sucesso depende do envolvimento de todos os atores sociais, governo, comunidades e organizações da sociedade civil em um esforço coletivo para garantir que nenhuma criança ou adolescente fique à margem do sistema educacional. A partir de um compromisso genuíno com a educação, é possível criar um futuro mais justo, onde todos tenham a oportunidade de alcançar seu pleno potencial e contribuir para o desenvolvimento do país. A busca pela educação é, portanto, uma busca pela dignidade, pela cidadania e pela construção de um Brasil mais solidário e igualitário.
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