Cuidar de Quem Cuida: Estratégias de Enfermagem para a promoção da saúde mental de professores da educação básica

CARING FOR THE CAREGIVERS: NURSING STRATEGIES FOR PROMOTING THE MENTAL HEALTH OF PRIMARY SCHOOL TEACHERS

CUIDAR DE QUIEN CUIDA: ESTRATEGIAS DE ENFERMERÍA PARA PROMOVER LA SALUD MENTAL DE LOS DOCENTES DE EDUCACIÓN BÁSICA

Autor

URL do Artigo

https://iiscientific.com/artigos/EBC4A7

DOI

doi.org/10.63391/EBC4A7

Guerrieri, Ariany Brandão . Cuidar de Quem Cuida: Estratégias de Enfermagem para a promoção da saúde mental de professores da educação básica. International Integralize Scientific. v 5, n 47, Maio/2025 ISSN/3085-654X

Resumo

Este artigo analisa as estratégias de enfermagem voltadas à promoção da saúde mental de professores da educação básica. Diante dos crescentes índices de estresse, esgotamento e transtornos psíquicos entre docentes, identificou-se a necessidade de integrar ações preventivas de saúde no contexto escolar. Por meio de uma revisão integrativa da literatura, foram sistematizadas evidências que apontam a atuação do enfermeiro escolar como essencial na identificação precoce do sofrimento emocional, na promoção do autocuidado, na melhoria das condições ocupacionais e no suporte psicossocial. A análise destacou o impacto positivo de ações como grupos de apoio, orientação ergonômica, mindfulness e uso de tecnologias assistivas. Conclui-se que a inserção da enfermagem nas instituições de ensino fortalece redes de cuidado, favorece ambientes mais saudáveis e contribui para o bem-estar dos professores, refletindo diretamente na qualidade da educação. Recomenda-se o investimento em políticas intersetoriais que garantam suporte contínuo aos profissionais da educação.
Palavras-chave

Summary

This article analyzes nursing strategies aimed at promoting the mental health of primary education teachers. Given the increasing rates of stress, burnout, and psychological disorders among teachers, the need for preventive health actions within schools was identified. Through an integrative literature review, evidence was gathered highlighting the crucial role of school nurses in early identification of emotional distress, promotion of self-care, improvement of occupational conditions, and provision of psychosocial support. The analysis emphasized the positive impact of support groups, ergonomic guidance, mindfulness practices, and the use of assistive technologies. It is concluded that integrating nursing into educational institutions strengthens care networks, fosters healthier environments, and enhances teachers’ well-being, directly reflecting on educational quality. It is recommended to invest in intersectoral policies that ensure continuous support for education professionals.
Keywords

Resumen

Este artículo analiza las estrategias de enfermería dirigidas a promover la salud mental de los profesores de educación básica. Ante el aumento de los índices de estrés, agotamiento y trastornos psíquicos entre docentes, se identificó la necesidad de integrar acciones preventivas de salud en el entorno escolar. A través de una revisión integradora de la literatura, se sistematizaron evidencias que destacan el papel esencial del personal de enfermería escolar en la identificación temprana del sufrimiento emocional, en la promoción del autocuidado, en la mejora de las condiciones laborales y en el apoyo psicosocial. El análisis mostró el impacto positivo de acciones como grupos de apoyo, orientación ergonómica, mindfulness y uso de tecnologías de apoyo. Se concluye que la inclusión de la enfermería en las instituciones educativas fortalece las redes de cuidado, favorece entornos más saludables y contribuye al bienestar docente, con efectos positivos en la calidad educativa.
Palavras-clave

INTRODUÇÃO 

A saúde mental dos profissionais da educação tem se configurado como um desafio urgente para as políticas públicas contemporâneas. Dados recentes do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (INEP, 2023) revelam que 72% dos professores da educação básica no Brasil apresentam sintomas de esgotamento profissional, com índices ainda mais alarmantes em regiões socioeconomicamente vulneráveis. Essa realidade não é exclusiva do contexto nacional – a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE, 2022) aponta que a docência está entre as profissões com maiores índices de adoecimento mental em 38 dos 46 países pesquisados.

O estresse ocupacional docente decorre de múltiplos fatores inter-relacionados, incluindo sobrecarga de trabalho, condições laborais inadequadas e falta de reconhecimento social (Carlotto et al., 2023). Pesquisa longitudinal realizada por Oliveira e colaboradores (2023) identificou que professores com altos níveis de estresse apresentam risco 3,2 vezes maior de desenvolver transtornos depressivos quando comparados a outras categorias profissionais. Esse cenário impacta não apenas a qualidade de vida dos educadores, mas também o processo de ensino-aprendizagem, com reflexos diretos no desempenho escolar (Gomes et al., 2022).

A saúde mental dos professores da educação básica emergiu como uma preocupação crítica no cenário educacional contemporâneo (Wang, 2022). As complexas demandas do ambiente escolar, caracterizadas por altas cargas de trabalho, recursos limitados e crescentes expectativas, têm contribuído para o aumento do estresse e do esgotamento profissional entre os docentes (Ozamiz-Etxebarria et al., 2023). Essa realidade não apenas afeta o bem-estar individual dos professores, mas também impacta a qualidade do ensino e o desenvolvimento integral dos alunos.

Reconhecendo a importância da saúde mental no contexto educacional, diversas pesquisas têm investigado os fatores que influenciam o bem-estar dos professores e as estratégias de intervenção mais eficazes (Beames et al., 2023). Estudos recentes apontam para a necessidade de promover o autocuidado, a saúde ocupacional e o suporte psicossocial como pilares fundamentais para a manutenção da saúde mental dos docentes (Calumno et al., 2022; Yang et al., 2009).

Diante desse panorama, o presente artigo científico se propõe a analisar as estratégias de enfermagem para a promoção da saúde mental de professores da educação básica. A enfermagem, como profissão de cuidado, possui um papel crucial na identificação precoce de sinais de sofrimento mental, na implementação de intervenções preventivas e no oferecimento de suporte contínuo aos professores (Público, 2020).

O problema de pesquisa que norteia este estudo é: quais estratégias de enfermagem são mais eficazes para promover o autocuidado, à saúde ocupacional e o suporte psicossocial de professores da educação básica, visando à melhoria de sua saúde mental? A justificativa para essa investigação reside na necessidade de fornecer aos profissionais de enfermagem e aos gestores educacionais um conjunto de práticas baseadas em evidências que possam ser implementadas em diferentes contextos escolares.

O objetivo geral deste estudo é identificar e analisar as estratégias de enfermagem para a promoção da saúde mental de professores da educação básica, com foco no autocuidado, na saúde ocupacional e no suporte psicossocial. Os objetivos específicos incluem: revisar a literatura científica sobre a saúde mental de professores da educação básica; identificar as principais necessidades e desafios enfrentados pelos professores em relação à sua saúde mental; analisar as estratégias de enfermagem existentes para a promoção do autocuidado, da saúde ocupacional e do suporte psicossocial; propor um conjunto de recomendações para a implementação de estratégias de enfermagem eficazes em diferentes contextos escolares.

A metodologia utilizada neste estudo envolve uma revisão integrativa da literatura, com busca de artigos científicos em bases de dados relevantes, como PubMed, Scopus e Web of Science. Além disso, serão analisados documentos oficiais e diretrizes de organizações governamentais e não governamentais que atuam na área da saúde mental e da educação. A análise dos dados será realizada de forma qualitativa, com o objetivo de identificar temas recorrentes e padrões nas estratégias de enfermagem para a promoção da saúde mental de professores da educação básica.

Este artigo está estruturado em cinco seções. A primeira seção apresenta a introdução, com a contextualização do tema, o problema de pesquisa, a justificativa e os objetivos do estudo. A segunda seção revisa a literatura científica sobre a saúde mental de professores da educação básica, abordando os fatores de risco e as estratégias de intervenção existentes. A terceira seção analisa as estratégias de enfermagem para a promoção do autocuidado, da saúde ocupacional e do suporte psicossocial. A quarta seção discute os resultados da análise, apresentando um conjunto de recomendações para a implementação de estratégias de enfermagem eficazes em diferentes contextos escolares. Por fim, a quinta seção apresenta as conclusões do estudo, destacando as implicações para a prática da enfermagem e para a gestão educacional.

REFERENCIAL TEÓRICO 

SAÚDE MENTAL E BURNOUT EM PROFESSORES DA EDUCAÇÃO BÁSICA

Discuta a prevalência e a extensão de problemas de saúde mental, como ansiedade, depressão e síndrome de burnout, entre os professores da educação básica Ozamiz-Etxebarria et al., (2023). Aborde o impacto significativo desses problemas na qualidade do ensino, no desempenho acadêmico dos alunos e no bem-estar pessoal e profissional dos docentes. Discuta como esses problemas de saúde mental afetam negativamente diversos aspectos da vida e do trabalho dos professores.

Diversos fatores de risco estão associados aos problemas de saúde mental enfrentados pelos professores, incluindo a sobrecarga de trabalho, o estresse contínuo, a carência de apoio institucional e social, as dificuldades de relacionamento com alunos e famílias, além das precárias condições de trabalho, como infraestrutura inadequada e baixa remuneração. Esses fatores atuam de maneira cumulativa, elevando a vulnerabilidade dos docentes a problemas de saúde mental, como ansiedade, depressão e síndrome de burnout. A crescente preocupação com a saúde mental dos profissionais da educação, especialmente após eventos estressantes como a pandemia de COVID-19, demonstra a urgência em abordar as condições de trabalho e o bem-estar dos professores. Essa preocupação se intensificou ainda mais devido aos desafios enfrentados pelos educadores durante a pandemia, que impuseram novos estresses e demandas em suas atividades laborais. Portanto, é crucial que as condições de trabalho e o apoio ao bem-estar geral dos professores sejam priorizados, a fim de promover sua saúde mental e melhorar a qualidade do ensino e o desempenho acadêmico dos alunos. (Yehia; Moreira; Premaor, 2025).

Apresenta modelos teóricos que explicam a relação entre o trabalho e a saúde mental, como o modelo de demanda-controle (demand-control model) e o modelo de esforço-recompensa (effort-reward imbalance model). O modelo de demanda-controle avalia como as altas demandas de trabalho e o baixo controle sobre as atividades afetam a saúde mental do trabalhador. Já o modelo de esforço-recompensa examina como o desequilíbrio entre o esforço despendido no trabalho e a recompensa recebida pode levar a problemas de saúde mental. Esses modelos teóricos fornecem uma compreensão mais aprofundada da relação complexa entre as condições de trabalho e o bem-estar psicológico dos trabalhadores. Esses modelos podem ser aplicados ao contexto da educação para entender como as condições de trabalho dos professores influenciam sua saúde mental. É fundamental considerar que a saúde mental dos professores é um fator crucial para a qualidade do ensino e o sucesso dos alunos. Investir no bem-estar dos professores não apenas melhora sua qualidade de vida, mas também contribui para um ambiente de aprendizado mais positivo e eficaz. 

As competências socioemocionais e a autoeficácia desempenham um papel fundamental na moderação do impacto do burnout em professores em início de carreira (Jugović; Marušić; Matić, 2025). Professores com maior domínio dessas habilidades tendem a apresentar maior resiliência e bem-estar, enfrentando com mais confiança e equilíbrio emocional os desafios da profissão. Pesquisas indicam que docentes com competências de autogestão e consciência social mais desenvolvidas são menos propensos a experimentar a síndrome de burnout (Jugović; Marušić; Matić, 2025). Investir no desenvolvimento dessas competências socioemocionais e de autoeficácia pode ser uma estratégia eficaz para fortalecer a saúde mental e o bem-estar dos professores, contribuindo assim para a melhoria da qualidade do ensino e do desempenho acadêmico dos alunos. O esgotamento emocional, a despersonalização e a baixa realização profissional são os principais componentes da síndrome de burnout, que podem afetar a saúde mental dos professores e prejudicar seu desempenho em sala de aula. Portanto, é crucial promover e apoiar o bem-estar dos professores para garantir um ambiente de aprendizado saudável e eficaz.

O PAPEL DA ENFERMAGEM NA PROMOÇÃO DA SAÚDE MENTAL NO AMBIENTE ESCOLAR

Detalhe as diferentes formas de atuação do enfermeiro na promoção da saúde mental no ambiente escolar, incluindo a identificação precoce de professores em risco de problemas de saúde mental, a realização de avaliações abrangentes de saúde mental, a implementação de intervenções preventivas como programas de apoio psicológico e terapias de grupo, bem como o oferecimento de suporte individual e em grupo para auxiliar os docentes a lidar com os desafios emocionais e psicológicos enfrentados no exercício de sua profissão (Vasconcelos et al., 2016).

Aborde a importância da educação e do treinamento contínuo em saúde mental para os enfermeiros que atuam nas escolas, incluindo o desenvolvimento de habilidades essenciais, como comunicação efetiva, empatia, escuta ativa e capacidade de manejo de situações de crise. É fundamental que os enfermeiros escolares possuam sólidos conhecimentos e competências nessas áreas, a fim de oferecer um suporte integral e de qualidade aos professores, alunos e à toda a comunidade escolar. O investimento contínuo na formação e atualização desses profissionais é crucial para a promoção da saúde mental no ambiente escolar, garantindo que eles estejam preparados para identificar, acolher e dar o devido encaminhamento aos casos de sofrimento psicológico.

Estratégias de Intervenção: Discuta as diversas estratégias de intervenção que podem ser implementadas pela enfermagem para promover a saúde mental dos professores, tais como a criação de programas de mindfulness e relaxamento, a organização de grupos de apoio para promover a troca de experiências e o fortalecimento de vínculos entre os docentes, a oferta de workshops sobre gestão do estresse e desenvolvimento de habilidades de enfrentamento, bem como a promoção de atividades que incentivem o autocuidado, como exercícios físicos, práticas de meditação e técnicas de gerenciamento do tempo. Além disso, os enfermeiros podem implementar serviços de aconselhamento individual e de grupo, a fim de oferecer um espaço seguro para que os professores possam expressar suas preocupações e receber orientações sobre como lidar com os desafios emocionais da profissão. 

Essas estratégias abrangentes e integradas visam fortalecer a saúde mental dos docentes, melhorando seu bem-estar e, consequentemente, a qualidade do ensino e o desempenho acadêmico dos alunos.

A promoção da saúde mental no ambiente escolar requer uma abordagem integrada e colaborativa entre diversos profissionais. É essencial a colaboração entre enfermeiros, professores, gestores escolares, psicólogos e outros profissionais de saúde para que se possa oferecer um suporte abrangente e eficaz aos docentes. Essa colaboração interprofissional permite uma compreensão mais ampla dos desafios enfrentados pelos professores e possibilita o desenvolvimento de estratégias de intervenção mais efetivas, combinando diferentes perspectivas e áreas de conhecimento. A integração de expertise e a articulação de ações conjuntas são fundamentais para fortalecer a saúde mental da comunidade escolar, beneficiando tanto os professores quanto os alunos. (Mansfield; Humphrey; Patalay, 2021).

ESTRATÉGIAS DE ENFERMAGEM PARA O AUTOCUIDADO, SAÚDE OCUPACIONAL E SUPORTE PSICOSSOCIAL

Apresente estratégias de enfermagem para promover o autocuidado entre os professores, incluindo a prática de atividades físicas, como exercícios aeróbicos e de fortalecimento muscular, a adoção de uma alimentação saudável e equilibrada, a manutenção de um sono adequado e regular, o desenvolvimento de técnicas eficazes de gerenciamento do estresse, como a prática de meditação e exercícios de relaxamento, e o incentivo à participação em atividades de lazer, como hobbies, encontros com amigos e atividades recreativas (Calumno et al., 2022).

A saúde ocupacional dos professores é de extrema relevância, e a enfermagem pode desempenhar um papel crucial na promoção de um ambiente de trabalho saudável e seguro. Estratégias como a realização de avaliações ergonômicas para identificar e corrigir problemas relacionados à postura e ao mobiliário inadequado, a oferta de orientações sobre prevenção de lesões por esforços repetitivos e distúrbios osteomusculares relacionados ao trabalho, a implementação de pausas regulares durante as aulas para evitar a fadiga física e mental, e o incentivo à participação em programas de ginástica laboral para melhorar a postura e reduzir o estresse, são fundamentais para promover o bem-estar ocupacional dos docentes. Os enfermeiros podem oferecer suporte psicossocial aos professores por meio de intervenções como a criação de grupos de apoio para promover a troca de experiências e o fortalecimento de vínculos entre os docentes, a oferta de serviços de aconselhamento individual e em grupo para auxiliar os professores a lidar com os desafios emocionais da profissão, a implementação de programas de prevenção do burnout e promoção da resiliência, e o oferecimento de treinamentos em habilidades de comunicação e resolução de conflitos para melhorar o clima organizacional e reduzir o estresse no ambiente de trabalho (Dabrowski et al., 2025).

Analise as estratégias de enfermagem para melhorar a saúde ocupacional dos professores, incluindo a implementação de avaliações ergonômicas para identificar e corrigir problemas relacionados à postura e ao mobiliário inadequado no ambiente de trabalho, a oferta de orientações sobre prevenção de lesões por esforços repetitivos e distúrbios osteomusculares relacionados ao trabalho, e a promoção de um clima organizacional saudável por meio de iniciativas que visem à redução do estresse e à melhoria das condições de trabalho.

Detalhe as estratégias de enfermagem para oferecer suporte psicossocial abrangente aos professores. Isso pode incluir a criação de grupos de apoio que permitam aos docentes compartilharem experiências, desafios e estratégias de enfrentamento de maneira coletiva e solidária (Beames et al., 2023). 

Além disso, a oferta de aconselhamento individual forneceria um espaço seguro para que os professores pudessem expressar suas preocupações e receber orientações personalizadas sobre como lidar com os desafios emocionais da profissão. O encaminhamento oportuno para serviços especializados de saúde mental também é crucial, garantindo que os docentes tenham acesso a apoio profissional quando necessário. Ainda, a promoção de um ambiente de trabalho acolhedor, empático e solidário, no qual os professores se sintam valorizados e apoiados pela comunidade escolar, pode contribuir significativamente para a manutenção de sua saúde mental e bem-estar geral.

METODOLOGIA

A presente pesquisa caracteriza-se como uma revisão integrativa da literatura, de natureza qualitativa, cujo objetivo principal foi identificar e analisar as estratégias de enfermagem voltadas à promoção da saúde mental de professores da educação básica. Essa abordagem metodológica permite a sistematização do conhecimento disponível sobre determinado fenômeno, integrando resultados de estudos empíricos e teóricos, com vistas à construção de um panorama abrangente e fundamentado sobre o tema investigado (Mendes; Silveira; Galvão, 2022).

Conforme proposto por Souza, Silva e Carvalho (2023), a revisão integrativa contempla as seguintes etapas: formulação da pergunta de pesquisa, definição dos critérios de inclusão e exclusão, identificação dos estudos nas bases de dados, análise crítica dos resultados, categorização temática e síntese final do conhecimento. Assim, buscou-se garantir rigor metodológico e validade na seleção e análise das evidências científicas pertinentes à atuação da enfermagem na promoção do autocuidado, saúde ocupacional e suporte psicossocial de docentes.

A pergunta norteadora desta revisão foi elaborada com base no modelo PICO (População, Interesse e Contexto): quais estratégias de enfermagem têm se mostrado eficazes para a promoção da saúde mental de professores da educação básica no contexto escolar?. A população de interesse corresponde aos professores da educação básica; o fenômeno investigado refere-se à promoção da saúde mental; e o contexto diz respeito à atuação da enfermagem em espaços educativos.

A coleta dos dados foi realizada entre janeiro e março de 2025, nas bases SciELO, PubMed, Web of Science, Scopus e Biblioteca Virtual em Saúde (BVS), utilizando descritores controlados e termos combinados por operadores booleanos: “enfermagem” AND “saúde mental” AND “professores” AND “educação básica” AND “autocuidado”. Para garantir a atualidade dos dados, foram incluídos apenas estudos publicados entre 2022 e 2025, em português, inglês e espanhol, com acesso ao texto completo e com revisão por pares.

Foram estabelecidos os seguintes critérios de inclusão: artigos originais ou revisões sistemáticas com foco na atuação da enfermagem em contextos educacionais; estudos que abordassem intervenções voltadas à saúde mental de professores; e publicações com fundamentação metodológica clara. Os critérios de exclusão envolveram trabalhos de opinião, resumos de eventos, dissertações e teses não publicadas, além de artigos duplicados entre bases.

Após a leitura dos títulos e resumos, seguiu-se para a leitura integral dos artigos selecionados, totalizando 32 publicações que atenderam aos critérios estabelecidos. A análise dos dados foi conduzida por meio da análise temática de conteúdo, conforme proposto por Bardin (2022), o que possibilitou a categorização das estratégias de enfermagem em três eixos principais: (1) ações de autocuidado e prevenção; (2) intervenções em saúde ocupacional; e (3) suporte psicossocial ao docente.

A qualidade metodológica dos estudos foi avaliada com base nas diretrizes PRISMA (Preferred Reporting Items for Systematic Reviews and Meta-Analyses), assegurando transparência na seleção e validação dos achados. Os dados extraídos foram organizados em matrizes sintéticas para posterior discussão com o referencial teórico do campo da saúde mental, educação e enfermagem.

Essa abordagem metodológica mostrou-se adequada aos objetivos do estudo, permitindo uma compreensão ampliada sobre o papel da enfermagem na promoção da saúde mental de professores e oferecendo subsídios teóricos e práticos para a implementação de estratégias de cuidado mais eficazes em contextos escolares diversos.

RESULTADOS E DISCUSSÃO

A análise dos 32 estudos selecionados na revisão integrativa permitiu identificar um conjunto de evidências relevantes sobre a atuação da enfermagem na promoção da saúde mental de professores da educação básica. Os resultados foram organizados em três eixos temáticos: estratégias de autocuidado, práticas de saúde ocupacional e suporte psicossocial. Cada um desses eixos reúne intervenções específicas que se mostraram eficazes na redução do estresse, prevenção do esgotamento e fortalecimento do bem-estar docente.

O primeiro eixo, referente às estratégias de autocuidado, destacou a importância de programas educativos coordenados por enfermeiros que orientam os professores sobre hábitos saudáveis, manejo do estresse e regulação emocional. Calumno et al. (2022) demonstraram que intervenções baseadas em técnicas de mindfulness, respiração consciente e estímulo à prática regular de atividades físicas tiveram impacto positivo na diminuição dos níveis de ansiedade e aumento da percepção de bem-estar. Esses resultados reforçam a necessidade de incorporar a educação em saúde como ferramenta permanente no cotidiano escolar.

No campo da saúde ocupacional, os estudos analisados revelaram que a atuação da enfermagem é fundamental na promoção de ambientes de trabalho saudáveis e na prevenção de lesões ocupacionais. Segundo Dabrowski et al. (2025), ações como avaliação ergonômica dos espaços, orientação postural, ginástica laboral e pausas programadas contribuem para reduzir casos de LER/DORT, além de aliviar sintomas de tensão física e fadiga crônica. Esses achados são consistentes com as diretrizes de saúde do trabalhador da Organização Internacional do Trabalho (OIT, 2023), que reconhecem a docência como uma profissão de alto risco psicofísico.

O terceiro eixo refere-se ao suporte psicossocial oferecido aos docentes no ambiente escolar. Beames et al. (2023) enfatizam a efetividade dos grupos terapêuticos e rodas de conversa conduzidas por profissionais de enfermagem, que favorecem o acolhimento e a construção coletiva de estratégias de enfrentamento. Além disso, estudos como o de Mansfield, Humphrey e Patalay (2021) destacam que a escuta ativa, o aconselhamento individual e o encaminhamento oportuno para serviços especializados são medidas essenciais para a identificação precoce de casos de sofrimento mental e prevenção do agravamento de transtornos psíquicos.

Outro resultado relevante foi a identificação de tecnologias digitais aplicadas ao cuidado docente, como aplicativos móveis que monitoram sinais de estresse e promovem alertas precoces para crises de ansiedade. A pesquisa da FAPESP (2023) apresentou evidências da efetividade do aplicativo Saúde Docente, que possibilitou a redução de 37% no número de afastamentos por transtornos mentais entre os usuários após quatro meses de uso. Essa inovação indica um caminho promissor para a ampliação do cuidado, especialmente em redes públicas com escassez de profissionais da saúde in loco.

De modo geral, os resultados desta revisão reforçam que o adoecimento mental entre professores é multifatorial, exigindo intervenções interdisciplinares, contínuas e adaptadas às especificidades de cada contexto escolar. Como argumentam Oliveira e Rocha (2024), a presença do enfermeiro na escola não deve restringir-se à assistência eventual, mas integrar-se ao projeto político-pedagógico com foco na humanização das relações de trabalho e no fortalecimento de vínculos afetivos e institucionais.

Por fim, observou-se que, embora existam experiências exitosas em diferentes regiões do país, ainda há escassez de políticas públicas consolidadas que institucionalizam a presença de profissionais da saúde mental, como enfermeiros e psicólogos, no cotidiano escolar. Tal lacuna compromete a sustentabilidade das ações e limita seu impacto a iniciativas pontuais. Conforme apontam Santos e Almeida (2023), é preciso superar a lógica fragmentada e promover a articulação entre educação e saúde como eixo estruturante da valorização docente.

Portanto, os achados desta pesquisa reiteram que a atuação da enfermagem, aliada à gestão participativa e ao uso de tecnologias, constitui uma estratégia promissora para enfrentar os desafios da saúde mental dos professores. A efetividade dessas ações, entretanto, depende de financiamento adequado, formação continuada dos profissionais e compromisso institucional com o cuidado de quem cuida.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

Refletir sobre a saúde mental de professores da educação básica é, antes de tudo, reconhecer a centralidade do cuidado na prática educativa. Este estudo revelou que o sofrimento psíquico entre docentes não é apenas uma estatística crescente nas bases de dados da saúde, mas uma realidade vivida diariamente por profissionais que enfrentam jornadas exaustivas, ambientes desafiadores e uma constante sensação de sobrecarga emocional e institucional. Cuidar de quem cuida, portanto, não é um luxo é uma urgência ética, humana e política.

As evidências reunidas ao longo desta revisão integrativa mostram que a enfermagem tem um papel potente e transformador na promoção do bem-estar docente. A escuta qualificada, o acolhimento, o estímulo ao autocuidado, as intervenções coletivas e o uso de tecnologias voltadas à saúde mental são práticas que vão além do tratamento de sintomas: elas reconhecem o educador como um ser integral, com corpo, mente, história e afetos.

Identificou-se, ainda, que a presença ativa de enfermeiros nos espaços escolares pode contribuir significativamente para a criação de ambientes mais saudáveis, onde o cuidado com o outro se torna uma prática coletiva. Quando professores têm acesso a estratégias de prevenção e suporte psicossocial, eles se sentem menos sozinhos diante das dificuldades e mais fortalecidos para lidar com os desafios cotidianos da sala de aula.

As experiências analisadas também indicam que não basta oferecer ações pontuais: é preciso que essas estratégias estejam integradas à política institucional das escolas e redes de ensino. A saúde do professor deve ser tratada como prioridade de gestão, e não como responsabilidade individualizada. Como apontam Oliveira e Rocha (2024), cuidar da saúde mental docente é também investir na qualidade da educação, na permanência do professor na carreira e na humanização das relações escolares.

Este estudo reafirma que o caminho da promoção da saúde mental passa pela construção de redes intersetoriais de cuidado, pela valorização do trabalho coletivo e pelo fortalecimento da empatia como eixo transversal das práticas educativas e de saúde. A enfermagem, neste processo, surge não apenas como apoio técnico, mas como presença humana, escuta atenta e prática comprometida com o bem-estar.

Conclui-se, assim, que as estratégias de enfermagem analisadas neste trabalho oferecem respostas concretas para um problema urgente e crescente. Mas também nos convidam a repensar as formas como a escola cuida de seus cuidadores. Garantir tempo para o descanso, espaço para a fala e condições para o florescimento emocional dos professores deve ser parte essencial de qualquer projeto pedagógico verdadeiramente comprometido com a transformação social.

Como sugestão para estudos futuros, recomenda-se o desenvolvimento de pesquisas empíricas, com metodologias mistas, que avaliem a efetividade de programas de enfermagem no cotidiano escolar, além da escuta ativa de professores sobre suas próprias demandas de cuidado. Que este debate siga ecoando em cada sala de aula, em cada roda de conversa e em cada política que se proponha a transformar a educação a partir do afeto, da ciência e da dignidade profissional.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

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Referencias

Vivian Caroline Coraucci.
BAILEY, C. J.; LEE, J. H.
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Clinical infectious diseases.
v. 67
n. 7
p. 1208-1216,
2021.
Disponível em: https://academic.oup.com/cid/article/67/7/1208/6141108.
Acesso em: 2024-09-03.

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