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Resumo
INTRODUÇÃO
A evasão de estudantes é um evento dotado de uma certa complexidade, e que é bastante comum nas Instituições universitárias no mundo atual, portanto tornou-se alvo de pesquisas e análises, principalmente nos países de primeiro mundo (Rodrigues et al, 2015). No Brasil, as pesquisas sobre abandono e retenção nos cursos de ensino superior começaram em 1995, quando foi realizado o Seminário sobre evasão nas universidades brasileiras. A criação deste seminário aconteceu em decorrência dos dados estatísticos publicados pelo Ministério da Educação (MEC) em relação a performance das Instituições Federais, frente aos altos recursos públicos consumidos e aos resultados nada satisfatórios apresentados por essas instituições. Esse descontentamento teve como origem os altos índices de evasão dos estudantes nos cursos de graduação (Saccaro et al., 2019).
Ao tratar sobre o tema da evasão, inicialmente é necessário compreender seu conceito como palavra. A palavra evasão define uma postura ativa do estudante, que decide desligar-se da instituição de ensino por sua própria vontade e critério, diferente da exclusão, que exige a responsabilidade por parte da instituição de ensino por não possuir métodos de melhoria e orientação dos jovens que se apresentam para a formação (Schuarcz et al., 2014, Lima; Zago, 2018).
Assim como para o estudante, a evasão também gera prejuízos, já que os recursos financeiros por ele aplicados ao iniciar a formação superior e o tempo dedicado para o curso escolhido e não concluído poderiam ter sido alocados em atividades que lhe trariam retorno imediato. Há também a questão que envolve a frustração pessoal e profissional desse estudante por não ter conseguido concluir o curso. Frustração pessoal e profissional, sentimento de perda de tempo, prejuízo financeiro com os gastos iniciais para o ingresso no curso, desperdício de tempo, entre outros fatores, são os sentimentos pelo estudante que evade do curso escolhido e não concluído (Cunha et al, 2014).
O ingresso em uma Instituição de Ensino Superior (IES) é a ambição e o sonho de quase todos os estudantes da Educação Básica, pois associa-se esta entrada, quase sempre, a melhoria da qualidade de vida e o sucesso financeiro. Durante décadas, o ingresso na universidade era privativo a uma pequena parcela da população, na maioria jovens estudantes de classe média e alta, que estudavam em colégios particulares e alunos de cursinhos pré-vestibulares (Moura; Silva, 2007).
Entretanto, para os estudantes de escolas públicas periféricas, ocorre sempre um entrave maior quando se refere ao ingresso em universidades, já que existe uma defasagem grande no ensino público, e esta defasagem cria uma barreira para o despertar dos estudantes para a formação científica. Em um estudo de 2009, 39,2% dos alunos que responderam ao questionário do Exame Nacional de Cursos (ENADE), detinham uma renda familiar considerada baixa, de até três salários-mínimos (Gatti; Barreto, 2009).
Diversas pesquisas e estudos publicados nos últimos anos, abordam e analisam sobre o tema da evasão, principalmente nos cursos de licenciatura. Nestas pesquisas os autores discorrem e argumentam que o fenômeno da evasão escolar se relaciona a uma diversidade de variáveis, como a dificuldade na condição de permanência, com destaque a situação financeira, além de uma formação sólida na educação básica, que provenha uma base educacional aos alunos para ao ingressarem no ensino superior não sentirem dificuldades ao acompanhar o conteúdo ministrado (Teixeira, 2008, Alkmin et al., 2013, Lima; Machado, 2014).
O ponto de partida para mudar esta condição, está na mudança das maneiras e condições de aprendizagem na educação básica. A gravidade dos problemas enfrentados em relação à aprendizagem escolar na educação básica gera preocupações também, nos cursos de licenciatura, que são os responsáveis pela formação de professores para esse nível de ensino, em suas estruturas institucionais ou em seus currículos ou conteúdos formativos (Gatti et al, 2011).
Este estudo trata-se de uma revisão de literatura e guiou-se no diagnóstico dos possíveis fatores desencadeadores da evasão acadêmica nos cursos de formação de professores de licenciatura em Química em publicações em revistas científicas, e com os resultados obtidos, esclarecer e analisar os fatores que possam contribuir para aumentar a permanência dos egressos, não só nesses cursos, mas em todos os outros cursos de formação e bacharelado, e assim diminuir a evasão.
REFERENCIAL TEÓRICO
A evasão escolar é objeto recorrente em trabalhos acadêmicos, reportagens e artigos, o que leva a reflexão que existe, em todos os níveis educacionais, esta questão. Entretanto, este assunto tem se tornado perturbante com o sucessivo aumento da evasão no ensino superior, principalmente, nos cursos de licenciatura.
Segundo o censo da educação superior do ano de 2019, a evasão nesse nível de ensino vem aumentando em ritmo acelerado. Em 2010, a taxa de evasão estava em torno de 11,4%; em 2012, apenas dois anos depois, já estava em 36%; e em 2014 a taxa foi de 49% contra os 29,7% da taxa de conclusão e 21,2% da taxa de permanência, apesar do aumento no número de matrículas no ensino superior ter superado, em 2019, a marca de oito milhões e seiscentos mil alunos matriculados. Esse aumento no número de matrículas se deve, em grande medida, à expansão do ensino superior, em especial no setor privado e na modalidade de Ensino a Distância (EAD). Com estímulos por parte do governo federal, a participação da rede privada nas matrículas da educação superior em 2019 correspondeu a 94,9% de todas as matrículas de todas as IES, e a estimativa é a de que mais de quatro estudantes de graduação estão matriculados em instituições privadas (Brasil, 2020).
Em 2019, houve o ingresso de 3,6 milhões de novos estudantes em graduação no Brasil, um aumento de 5,4% em relação a 2018. Entretanto, desses novos discentes de graduação, 84,6% entraram em um curso de instituição privada, enquanto 15,4% ingressaram no ensino público. Um dos fatores que contribuíram para o crescimento do ensino superior privado é o maior interesse dos estudantes para os cursos de educação a distância (EaD), que nas instituições públicas possuem menor oferta (Brasil, 2020).
Nos cursos de licenciatura, as IES ofereceram em 2019, 6391 cursos nas várias áreas, 4,6% menos do que em 2009. Já os cursos a distância subiram de 485 em 2009, para 1234 em 2019, um aumento de 155% em uma década. Pinto (2014), considera este aumento das licenciaturas na modalidade EAD uma irresponsabilidade e que trarão consequências perversas para a educação brasileira, já que os acadêmicos dessa modalidade de ensino não são tão bem capacitados quanto os alunos dos cursos presenciais. Com este aumento da oferta, existe a tendência de achatamento de ainda maior dos salários, o que reforça o afastamento de docentes mais capacitados da profissão, professores tão necessários para melhorar a qualidade da educação básica no país.
Entretanto, existem outras preocupações com os cursos de licenciatura, se a evasão nos cursos de bacharelado tem altos índices, nos cursos de licenciatura esses números são ainda maiores, dignos de preocupação. Em todos os estados brasileiros, os números da evasão nos cursos de licenciatura são altos, sobretudo nos cursos de formação específica, como as Licenciaturas em Biologia, Matemática, Física e Química. Rabelo (2015), demonstrou que as taxas de concluintes nestes cursos são baixas, em torno de 42,6% para Biologia, 34,1% para Matemática, 20,5% para Física e 33,9% para Química, com uma retenção anual superior a 50%.
Com o número de alunos ingressantes e concluintes reduzindo a cada ano, os cursos de licenciatura têm formado menos professores. Mesmo com o incremento de vagas e políticas públicas de acesso ao ensino superior, a cada dia menos jovens optam pela carreira docente, e a maioria dos que escolhem estes cursos não pensam em exercer a profissão para a qual estão sendo formados (Brasil, 2020).
Deimling (2014), ao pesquisar a atratividade da carreira docente no Brasil pela visão dos alunos concluintes do ensino médio de diferentes regiões do país, relata que, apesar de reconhecer o valor do professor, a maioria dos estudantes indicou não ter intenção de seguir a profissão docente. Segundo o estudo, ao serem questionados se seguiram ou não à docência, a resposta negativa foi automática de muitos deles e ainda com expressões de rejeição seguidas de desconforto. Conforme os resultados desta pesquisa, para a amostra pesquisada a profissão enfrenta condições muitas vezes precárias de trabalho, o que gera insatisfação das pessoas inseridas no campo da docência e de rejeição daqueles que ainda estão para entrar no mercado de trabalho ou em processo de formação.
Adachi (2009), descreve que um dos motivos de insatisfação com o curso escolhido ocorre por que o estudante tem que fazer uma opção, que na maioria das vezes é definitiva, pela profissão que vai seguir com apenas 17 anos. A pouca idade e parca experiência de vida levam o indivíduo a idealizar na escolha do curso, fundamentando em critérios sem relevância, e não se aprofundando no currículo do curso. Considerando os dados obtidos em nosso estudo, podemos concordar que o mesmo possa ter ocorrido com alguns dos participantes da nossa pesquisa.
Quanto ao gênero, em um estudo de Gatti e Barreto (2009), relata uma feminização da docência, já que a maioria dos estudantes em cursos de licenciatura é de sexo feminino. Esse domínio feminino teve início entre os anos cinquenta e sessenta, com a implantação dos ginásios, e após a disseminação das escolas de primeiro grau, após promulgação da Lei no 5.692/71. Este domínio se assegurou pela perda de prestígio da profissão, da piora nas condições de trabalho e da baixa remuneração, mostrando um atraso com relação aos cursos de formação de professoras primárias. No entanto, quando se trata de professor especialista (licenciaturas específicas), o sexo masculino ainda é a maioria.
Segundo Olinto (2011), o sexo feminino é maioritário entre os estudantes universitários, mas nos cursos de ciência e tecnologia, tem uma baixa presença. Mesmo se tratando de uma licenciatura, que segundo estudos, ocorre uma hegemonia do sexo feminino, o curso Licenciatura em Química, é um curso da área de exatas e uma licenciatura específica, e os estudos citados anteriormente, ocorre um predomínio do sexo masculino, isto ajuda a explicar o equilíbrio encontrado no nosso estudo.
A maioria dos alunos que trabalham, geralmente o fazem em tempo integral e cursam o ensino médio a noite, e assim podem demonstram certa dificuldade em obter um bom rendimento escolar. Além de faltar tempo para estudar, estes alunos ainda tem como limitante o cansaço de um dia de trabalho, e isso leva a uma deficiência séria na formação básica deles, que ao ingressarem na faculdade, mostram um ritmo de estudo muito abaixo do que o ensino médio, o que torna tênue a sua permanência no curso de graduação (Togni; Carvalho, 2007).
Segundo o estudo de Dias e Costa (2015), a maior dificuldade desses alunos está em ajustar o binômio trabalho/estudo e ainda adequar-se a um sistema de ensino desconhecido, já que as diferenças entre o ensino superior e o ensino médio são extraordinárias, ao exigir uma maior autonomia por parte do estudante e uma sólida base de conhecimentos prévios, situações nem sempre experimentadas pelos alunos de camadas mais pobres.
Alguns estudos demonstram que a maioria dos pesquisados evidenciaram a ausência de uma formação sólida no ensino médio que proveu suporte para prosseguir os estudos no ensino superior. A ausência dessa base prejudicou consideravelmente a permanência dos estudantes na universidade (Pacheco et al., 2008; Abreu; Ximenes, 2020). Como descrito anteriormente, os indicadores nacionais de educação mostram que os estudantes brasileiros têm ficado abaixo da média estabelecida como básica para o ensino médio em disciplinas como Matemática, isto indica que os estudantes terminam esse nível de ensino sem os requisitos mínimos necessários para dar continuidade aos seus estudos em nível superior (Gomes da Silva, 2019).
Esta baixa formação induz os concluintes do ensino médio a procurarem cursos de pouca concorrência, e os licenciatura têm pouca concorrência (Silva, 2018). O curso de Licenciatura em Química é ofertado em 301 IES, são centenas de vagas, estas vagas estão divididas para alunos de entidade pública de ensino, vagas destinadas a cotas raciais e vagas de preenchimento livre, e nem sempre as IES conseguem preencher todas (Semesp, 2019).
Segundo Adachi (2009), a concorrência no curso de graduação está relacionada ao prestígio social do curso, e aqueles cursos que têm menor concorrência tendem a ter um número maior de evadidos. Aos cursos de Medicina, Direito e Engenharia, atribuem-se altos salários, maiores oportunidades de emprego e alto grau de satisfação profissional com valorização da mesma. Com isso, estes cursos são, em sua maioria, altamente concorridos. Por outro lado, cursos com baixo prestígio social têm menor procura, como são as licenciaturas, as quais são tem possibilidades limitadas, baixo sucesso financeiro, condições nem sempre favoráveis de trabalho e falta de prestígio social. Estudantes destes cursos, tem a tendência de evadirem da universidade assim que aparecerem as primeiras dificuldades.
Com a concorrência tão baixa, torna-se muito fácil o ingresso. Com ingresso facilitado muitos estudantes escolhem a licenciatura sem considerar a vocação, mas tão somente a vontade ou necessidade de ter um diploma de ensino superior. Entretanto, ao aparecerem as dificuldades para conclusão do curso, evadem sem concluí-lo (Kussuda, 2017, Santos, 2018).
Tartuce et al (2010), relata que as escolhas profissionais são influenciadas pelo modo como o estudante tem percepção da carreira e de si próprio em relação ao trabalho, já que essas escolhas dependem de fatores como autoconhecimento, interesses, habilidades, maturidade, valores, traços da personalidade e expectativas com relação ao futuro profissional.
Da mesma maneira, ao fazer essas escolhas, as pessoas levam em consideração o contexto social, as relações do indivíduo com a sociedade e a projeção dessa relação em sua identidade profissional. Nesse sentido, aqueles que escolhem a docência como profissão demonstram que a motivação para o ingresso na docência se fixa no campo dos valores altruístas e da realização profissional fortemente ligada a imagem de si mesmo como detentor de um dom, uma vocação para o magistério. Contudo, com a complexidade da atividade docente e o baixo prestígio social e econômico da profissão, tem-se gerado a sensação de frustração e desânimo pela carreira.
Para Dias e Costa (2015), um dos desafios encontrados pelos jovens que chegam na universidade, vindo das camadas mais pobres da população, na realização e conclusão de um curso de nível superior se refere a sua baixa bagagem cultural. Esta bagagem cultural não está ligada somente aos hábitos de estudo que facilitam a vida acadêmica, mas principalmente a fatores como as expectativas do estudante sobre seu desempenho, além do seu comprometimento com o curso e as condições que têm para se dedicar aos seus estudos e de ter acesso aos bens culturais.
Após analisar o exposto acima, consideramos que a condição socioeconômica justifica o fato da maioria desses estudantes encontrarem dificuldades de diferentes origens socioeconômicas de chegarem no ensino superior, principalmente por restrições financeiras, o que corrobora o estudo de Tartuce et al (2010), que relata que os estudantes dos cursos de licenciatura em sua maioria, possuem, recursos escassos para investir em ações culturais que lhes proporcionem experiências variadas, como maior acesso à leitura, cinema, teatro, eventos culturais e viagens.
Outro fator crucial na decisão de abandonar o curso, é a localização da moradia. Na maioria dos casos, os estudantes que são de outras cidades precisam de maior suporte financeiro dos pais e familiares. Já aqueles que a família reside na cidade do curso, torna-se menos difícil a sua permanência na IES. Entretanto, aqueles que se deslocam todos os dias para participar das aulas é mais complicado, já que, além de alimentação, eles precisam gastar com o valor do transporte, uma vez que os ônibus que os transportam para a universidade são em sua maioria de particulares e os governos municipais nem sempre ajudam nas despesas. Para aqueles que recebem bolsa, ou outro tipo de ajuda financeira, da universidade ou da família, esse problema é menor, entretanto para os outros esse fator influencia e pode ser o agente causador do abandono do curso.
Para os alunos de outras cidades, além do deslocamento diário até a faculdade, ainda tem outro fator que atrapalha a sua permanência no curso, que é o apoio e incentivo da família, alguns deles disseram que não tiveram apoio dos pais, ou do marido. E ainda comentaram que, como a maioria dos pais não concluíram nem a educação básica, não veem a importância do curso superior e acham perda de tempo e dinheiro se dedicarem aos estudos (Assis, 2013; Vicente, 2015).
Quanto ao que motiva o indivíduo a ingressar no curso de Licenciatura em Química, a maioria responde que pela alta oferta de vagas e a falta de concorrência, outros disseram pelo sonho de ser professor e uns por gostarem de Química, os outros que para amadurecimento e conhecer a como é a vida universitária e a partir daí transferir para outros cursos dentro da própria IES (Tartuce et al., 2010). A opção pela docência na maioria das vezes não acontece com intenção de concluir um projeto de vida. Ao contrário, a escolha é uma alternativa provisória para a carreira profissional, o aluno aproveita o momento favorável até conseguir se formar na profissão pretendida (Santos Júnior, 2013).
Em relação às dificuldades encontradas no curso, Melo e Saldanha (2020), em um estudo no IF – Ceará, campus de Quixadá, relataram que a maioria da evasão dos alunos do curso de Licenciatura em Química se dá pelas dificuldades encontradas nas disciplinas que usam matemática, e isto quase sempre ocorre já no primeiro ano do curso. Além do mais estas disciplinas são as que mais causam reprovação e retenção, mas segundo as autoras o primeiro ano do curso é uma fase de adaptação e transição do ensino básico para a universidade.
Entre os fatores que influenciaram na evasão estão as reprovações e retenções, sob a ótica dos alunos, estão a ocorrência de um déficit educacional, falta de experiência com disciplinas mais específicas, falta de sintonia com o curso, muito conteúdo a ser aprendido em pouco tempo, falta de planejamento e organização do aluno para estudar (Figueiredo; Salles, 2017). O curso de Licenciatura em Química tem um nível de dificuldade alto, por ser um curso de Ciências Exatas, especialmente no que diz respeito às disciplinas do primeiro ano do curso (Santana, 2012).
O desencanto com a universidade, geralmente se explica pela falta de uma base curricular sólida na Educação Básica, mas também pelo choque de realidade que estes estudantes levam ao entrar em um curso superior. No ensino superior as disciplinas são mais específicas e consequentemente mais difíceis.
Destaca-se ainda, a necessidade de atuação das políticas públicas sobre a evasão, levando em consideração os fatores intervenientes apontados nesta pesquisa. Ela não é eficiente em alguns casos e, em outros, não consegue atingir o que se propõe. Grande parte das políticas públicas, a partir da década de 1990, buscou atender, principalmente, a uma demanda de ingresso no Ensino Superior. As políticas públicas educacionais precisam considerar mais a necessidade de articulação com as políticas públicas de outras áreas, para não ignorar aspectos intervenientes no fenômeno da evasão, que são externos ao sistema educacional. As condições de vida dos estudantes, assim como aspectos culturais e econômicos, devem ser consideradas no desenvolvimento de políticas públicas, para aumentar as possibilidades de atingimento de melhores resultados sobre o fenômeno da evasão.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
Analisando esta pesquisa, os principais motivos que levaram à evasão, notamos que são os mesmos apontados por vários autores em pesquisas anteriores. Os vários motivos para esta evasão podem ser classificados em dois grupos: o primeiro grupo está ligado intimamente às causas internas da Instituição de Ensino Superior (IES), e no segundo grupo são os que se relacionam a causas externas à instituição, isto é, são motivos intrínsecos ao próprio estudante, como, por exemplo, dificuldades financeiras, decepção com o curso escolhido, e ainda os problemas pessoais, de várias causas, como mudança de residência, adversidades na saúde, problemas na relação familiar, conjugal e psicológicos.
Um dos motivos mais significativos na evasão dos cursos superiores, principalmente nos de licenciatura, é a questão financeira. As instituições públicas e privadas, relatam como razão principal da evasão, a insuficiência de recursos financeiros para o aluno dar prosseguimento aos estudos.
Outro motivo que infere diretamente no problema da retenção e da evasão escolar, é o insucesso escolar. Este fator não é exclusivo das Instituições de Ensino Superior do Brasil, já que ocorre em áreas diferentes e instituições de outros países.
Por ser um fator que tem várias nuances (Falta de formação de qualidade no Ensino Médio, Desmotivação, Falta de orientação vocacional, Dificuldades de conciliar o binômio trabalho/faculdade e por fim os Problemas financeiros), o que torna mais complicado para se ter uma única solução e com isto aumenta a necessidade de estudos para se compreender esta ocorrência. Posto isto, o insucesso escolar não deve ser visto como um fato isolado, e como responsabilidade exclusiva do aluno, mas sim como um episódio que tem proporções muito significativas tanto social, como economicamente.
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