Autor
URL do Artigo
DOI
Resumo
INTRODUÇÃO
A sociedade atual enfrenta uma crise ambiental originada por vários fatores: desertificação, desflorestamento, aquecimento excessivo da terra, má distribuição de rendas, superpopulação, poluição e tantos outros malefícios causados ao planeta que atingem diretamente o próprio ser humano (Brandani et al., 2018).
Diante dessa crise ambiental a sociedade se vê na necessidade de criar e recriar uma nova postura favorável ao desenvolvimento sustentável. A educação ambiental (EA) veio surgir no cenário mundial, nas últimas três décadas, mas se consolidou como componente essencial da educação apenas em 1999, quando foi aprovado como lei (Santos, 2018).
A preocupação com a temática ambiental nas disciplinas escolares decorre das transformações ocorridas na relação sociedade-natureza que, devido às inovações tecnológicas e alterações no padrão de consumo, têm promovido a aceleração de processos de degradação ambiental ao alterar a dinâmica da natureza (Oliveira; Pereira, 2018).
A educação pode amenizar a situação da crise ambiental, principalmente a educação formal, em que o ensino fundamental concentra grande número de crianças e adolescentes aptos a ter acesso a conhecimentos que os façam refletir e agir de forma coerente com a necessidade do planeta (CRIBB, 2018).
Porém, conforme as ideias de Silva et al., (2019), não basta que haja uma educação em que apenas o conhecimento seja transmitido: é necessário que os alunos tenham uma aprendizagem significativa, voltada para a realidade, uma aprendizagem impregnada de sentidos.
Dessa forma, surge o seguinte questionamento: De que modo pode-se promover a construção e a manutenção de uma horta na escola, levando em consideração a sua contribuição e a sua importância como tema central para a educação ambiental? Este estudo justifica-se pelo fato de se perceber que a temática ambiental, atualmente, não está apresentando resultados suficientes, gerando, assim, a necessidade de trabalhos ligados a esse tema para se verificar até que ponto a educação ambiental influencia na construção de uma sociedade mais justa com o meio ambiente. Ademais, esse assunto está sendo muito debatido na atualidade e, nesse sentido, essa pesquisa dará uma importante contribuição do ponto de vista teórico e metodológico para discussões acerca da educação, da geografia e, mais especificamente, da educação ambiental.
MATERIAL E MÉTODOS
Trata-se de um estudo de revisão bibliográfica, com abordagem qualitativa, de caráter descritivo. De acordo com Gil (2019, p. 183), uma pesquisa bibliográfica possui características próprias, que: “Abrange toda bibliografia já tornada pública em relação ao tema estudado, desde publicações, teses, materiais cartográficos, etc”. Desse modo, este trabalho foi realizado com base na investigação e análise de pesquisas bibliográficas cujo conteúdo versavam sobre a temática proposta. Buscaram-se, assim, autores renomados da área que, por meio da pesquisa de campo e embasamento teórico discutissem acerca da temática proposta.
Para critérios de inclusão, foram considerados artigos científicos que contemplassem o tema proposto, publicados em português, no período compreendido entre 2017 a 2023. Foram excluídos artigos que estivessem fora da data estipulada de publicação, resumos de anais de eventos e com resultados parciais de pesquisa.
Para o levantamento dos artigos na literatura, realizou-se uma busca nas seguintes bases de dados: Scientific Eletronic Library Online (Scielo) e Google Acadêmico. Delimitou-se o estudo com os seguintes descritores e suas combinações na língua portuguesa: educação ambiental, horta escolar e sustentabilidade.
Seguindo os critérios de inclusão e exclusão estabelecidos nos critérios metodológicos dessa revisão, encontrou-se, primariamente, 64 artigos. Desses, 30 pertencem a bases de dados da Scientific Eletronic Library (SCIELO) e 34 ao Google acadêmico.
Após esta primeira etapa, realizou-se a leitura dos títulos e dos resumos dos 64 artigos e excluíram-se 05 que não estavam disponíveis na íntegra, 20 artigos excluídos apresentavam temas não relacionados ao objetivo deste estudo, 06 eram do tipo revisão de literatura (estudos secundários), e 08 eram do tipo dissertação e tese.
Realizou-se ainda, a sobreposição de bases de dados para remover duplicações nos artigos, excluindo-se 15 artigos duplicados. Por meio desta ação foram selecionados 10 estudos dos 64 artigos encontrados inicialmente, os quais atenderam o objetivo posposto para compor esta revisão.
O CONTEXTO DA EDUCAÇÃO AMBIENTAL NO BRASIL
Para explicar o ambiente biofísico como conhecimento associado aos problemas ecológicos com a finalidade de alertar e habilitar as pessoas para resolverem os problemas observados a Educação Ambiental tem um enfoque formativo (Luna; Abreu, 2018).
A educação ambiental no Brasil é um campo em crescente desenvolvimento, influenciado por uma série de fatores sociais, econômicos e políticos. Desde a década de 1980, com a promulgação da Constituição Federal de 1988, que reconheceu a importância do meio ambiente para a qualidade de vida, a educação ambiental ganhou espaço nas discussões sobre políticas públicas. Essa mudança de paradigma impulsionou a necessidade de integrar questões ambientais no currículo escolar, promovendo uma conscientização mais ampla sobre a preservação dos recursos naturais (Cascino, 2018).
Nos anos 1990, o Brasil passou a participar ativamente de conferências internacionais, como a Conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento, realizada no Rio de Janeiro em 1992. Esse evento foi um marco, pois resultou na Agenda 21, um plano de ação que enfatiza a importância da educação ambiental para o desenvolvimento sustentável. A partir de então, diversas iniciativas surgiram, buscando envolver a sociedade civil e o poder público na promoção de práticas sustentáveis. (Oliveira; Pereira, 2018).
A legislação brasileira, incluindo a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB), também reconhece a educação ambiental como uma componente essencial da formação dos cidadãos. Essa inserção formal nos currículos escolares, no entanto, enfrenta desafios práticos. Muitas instituições de ensino carecem de recursos e capacitação para implementar efetivamente programas de educação ambiental, o que resulta em uma abordagem muitas vezes superficial ou pontual (Silva et al., 2019).
Os Parâmetros Curriculares Nacionais (PCNs) desempenham um papel fundamental na orientação das práticas pedagógicas nas escolas brasileiras, especialmente no que se refere à educação ambiental. Eles oferecem diretrizes que ajudam os educadores a integrarem questões ambientais de maneira transversal nas diversas disciplinas, promovendo uma compreensão holística dos desafios enfrentados pelo meio ambiente. Com isso, espera-se que os alunos desenvolvam uma consciência crítica sobre sua relação com a natureza e a importância da sustentabilidade (Costa et al., 2020).
Uma das principais contribuições dos PCNs é a promoção de uma educação que valoriza a contextualização do conhecimento. Ao incluir temas como a biodiversidade, a conservação dos recursos naturais e a sustentabilidade no currículo, os educadores são incentivados a relacionar esses conteúdos com a realidade dos alunos. Isso permite que os estudantes reconheçam a relevância da educação ambiental em suas vidas diárias, tornando a aprendizagem mais significativa e engajadora (Oliveira; Pereira, 2018).
Além disso, os PCNs enfatizam a importância da formação de cidadãos conscientes e ativos. A educação ambiental não deve se limitar apenas à transmissão de informações, mas sim promover uma atitude proativa em relação à conservação e ao cuidado com o planeta. Os alunos são encorajados a participar de atividades práticas, como projetos de jardinagem, campanhas de reciclagem e iniciativas de proteção à fauna e flora locais, desenvolvendo habilidades essenciais para a cidadania e a liderança. (Silva et al., 2019).
A abordagem interdisciplinar proposta pelos PCNs é outra característica importante, pois permite que a educação ambiental seja trabalhada em conjunto com outras áreas do conhecimento. Por exemplo, temas ambientais podem ser abordados nas aulas de ciências, geografia, história e até mesmo nas artes, proporcionando uma visão mais integrada dos problemas e soluções. Essa articulação favorece o desenvolvimento de competências e habilidades diversificadas, que são fundamentais para a formação de cidadãos críticos e informados. (Brandani et al., 2018).
Adicionalmente, a diversidade cultural e socioeconômica do Brasil apresenta um cenário complexo para a educação ambiental. O país abriga diferentes biomas, comunidades e realidades, o que requer uma abordagem contextualizada nas práticas educativas. Programas que ignoram essa diversidade tendem a falhar em sensibilizar e engajar os alunos, tornando a educação ambiental menos eficaz. (Cascino, 2018).
Nos últimos anos, iniciativas como hortas escolares e projetos de reciclagem têm sido implementadas em várias instituições de ensino, proporcionando experiências práticas e interativas que estimulam a consciência ambiental. Essas atividades não apenas ajudam a formar hábitos sustentáveis, mas também promovem um senso de pertencimento e responsabilidade social entre os estudantes. (Silva et al., 2019).
Além das escolas, a educação ambiental também se faz presente em outros espaços, como ONGs, associações comunitárias e programas de extensão universitária. Esses espaços têm se mostrado cruciais para a formação de redes de apoio e disseminação de conhecimento, permitindo que a educação ambiental alcance um público mais amplo. A colaboração entre diferentes setores da sociedade é fundamental para fortalecer as ações educativas. (Costa et al., 2020).
A tecnologia também desempenha um papel significativo na educação ambiental no Brasil. Com o avanço das ferramentas digitais, novas possibilidades de ensino e aprendizagem têm surgido. Plataformas online, aplicativos e redes sociais oferecem alternativas inovadoras para a disseminação de informações e práticas sustentáveis, ampliando o alcance das iniciativas de educação ambiental (Monteiro, 2019).
No entanto, ainda existem barreiras a serem superadas. A falta de formação continuada para educadores e a escassez de recursos financeiros limitam a implementação de projetos mais abrangentes. Além disso, a resistência de alguns setores da sociedade em aceitar a urgência das questões ambientais pode dificultar a efetividade das ações educativas. (Silva et al., 2019).
Apesar dos desafios, a educação ambiental no Brasil é uma área em expansão, com um potencial significativo para impactar as futuras gerações. O fortalecimento das políticas públicas e o engajamento da sociedade civil são fundamentais para que a educação ambiental se torne uma prioridade nas agendas educacionais, contribuindo para a construção de um futuro mais sustentável. O caminho a percorrer é longo, mas a conscientização e a mobilização da população são passos cruciais para transformar a realidade ambiental do país (Oliveira; Pereira, 2018).
EDUCAÇÃO AMBIENTAL NAS ESCOLAS: DESAFIOS E PERSPECTIVAS
A Educação Ambiental deve ser enfocada nas escolas no sentido de fortalecer sua prática, seja pela sua aplicabilidade na instituição escolar, seja pelo estímulo aos quais os professores dão aos alunos, para estes perceberem que não é possível conceber uma educação comprometida com a continuidade da vida humana (Oliveira; Pereira, 2018).
A educação ambiental nas escolas é um tema de crescente relevância, especialmente em um contexto global marcado por crises ambientais e a necessidade de promover a sustentabilidade. Um dos principais desafios enfrentados na implementação da educação ambiental é a resistência por parte de alguns educadores e instituições em adotar essa abordagem de forma efetiva. Muitas vezes, a falta de formação específica sobre o tema resulta em práticas pedagógicas que não conseguem engajar os alunos de maneira significativa. (Luna; Abreu, 2018).
Além disso, o currículo escolar tradicional muitas vezes não contempla a educação ambiental como um componente essencial, relegando-a a uma abordagem superficial. A integração efetiva dessa temática nos diferentes campos do conhecimento é crucial para que os alunos compreendam as interconexões entre meio ambiente, sociedade e economia. É fundamental que a educação ambiental não seja tratada como um tópico isolado, mas sim como uma parte intrínseca da formação integral do estudante. (Costa et al., 2020).
Outro desafio significativo é a escassez de recursos e infraestrutura adequada nas escolas. Muitas instituições enfrentam dificuldades para implementar projetos de educação ambiental devido à falta de espaços físicos, materiais e tecnologias que possibilitem atividades práticas. Sem um ambiente propício para a realização de atividades ao ar livre, como hortas escolares e projetos de preservação, fica comprometida a vivência prática do conhecimento adquirido (Oliveira; Pereira, 2018).
As práticas de educação ambiental também precisam ser contextualizadas às realidades locais. A diversidade cultural e socioeconômica das comunidades deve ser levada em consideração ao desenvolver projetos educacionais. A abordagem deve respeitar as especificidades de cada região, integrando saberes tradicionais e locais, o que enriquece a experiência educacional e fortalece o vínculo dos alunos com o meio ambiente (Oliveira; Pereira, 2018).
Por outro lado, a educação ambiental apresenta um grande potencial para a formação de cidadãos críticos e conscientes. Ao desenvolver a capacidade de análise e reflexão, os alunos tornam-se mais aptos a identificar problemas ambientais e a propor soluções. A promoção de discussões sobre temas atuais, como mudanças climáticas, biodiversidade e uso sustentável dos recursos naturais, contribui para que os estudantes se tornem protagonistas na busca por um futuro mais sustentável. (Cascino, 2018).
As parcerias com a comunidade e outras instituições também são fundamentais para o sucesso da educação ambiental nas escolas. Projetos colaborativos que envolvem famílias, ONGs e órgãos governamentais ampliam o alcance das ações educativas e fortalecem a consciência ambiental em toda a sociedade. Essas parcerias podem oferecer suporte logístico, financeiro e técnico, permitindo a realização de iniciativas mais amplas e efetivas. (Luna; ABREU, 2018).
A capacitação dos educadores é outro aspecto crucial para a implementação bem-sucedida da educação ambiental. Cursos de formação continuada e workshops são essenciais para que os professores adquiram novos conhecimentos e práticas pedagógicas. A troca de experiências entre educadores pode resultar em abordagens inovadoras e na criação de redes de apoio que incentivem a troca de saberes (Oliveira; Pereira, 2018).
O uso de tecnologias digitais também pode ser uma ferramenta poderosa na educação ambiental. Através de plataformas online, vídeos, aplicativos e redes sociais, é possível ampliar o alcance das iniciativas e engajar os alunos de forma mais dinâmica. As tecnologias permitem que os estudantes acessem informações atualizadas e participem de projetos colaborativos com outras escolas e comunidades ao redor do mundo. (Brandani et al., 2018).
Além disso, a avaliação das práticas de educação ambiental deve ser uma preocupação constante. É importante que as escolas desenvolvam indicadores que permitam medir o impacto das atividades realizadas e o nível de engajamento dos alunos. Essa avaliação pode oferecer subsídios para a melhoria contínua das práticas educativas e a identificação de novas oportunidades de aprendizado. (Oliveira; Pereira, 2018).
O DESENVOLVIMENTO DA EDUCAÇÃO AMBIENTAL POR MEIO DA HORTA ESCOLAR
O desenvolvimento da EA na educação ocorre principalmente por meio de atividades lúdicas que apresentam grande potencial educativo por contribuir no processo de desenvolvimento humano de modo a apropriar-se e intervir na realidade, reproduzir o que vive e promover a interação social (Luna; Abreu, 2018).
Uma ferramenta com grande potencial educativo e lúdico é a horta escolar, pois permite múltiplas experiências e transformações, além de abordar diversos conteúdos curriculares de forma significativa e contextualizada, abordando inúmeras áreas do conhecimento e afirmando o conceito de uma cultura sustentável (Oliveira; Pereira, 2018). O desenvolvimento da educação ambiental por meio da horta escolar é uma abordagem que tem se mostrado extremamente eficaz na formação de estudantes conscientes sobre a importância da sustentabilidade e da preservação do meio ambiente. (Oliveira; Pereira, 2018).
A horta escolar não apenas oferece um espaço físico para o aprendizado prático, mas também serve como um laboratório vivo onde os alunos podem observar e experimentar o ciclo da vida, desde o plantio até a colheita. Essa experiência direta com a natureza estimula a curiosidade e o interesse dos alunos, permitindo que eles compreendam melhor os conceitos relacionados à ecologia e à agricultura sustentável (Dias, 2018).
Além disso, as hortas escolares promovem a interdisciplinaridade, permitindo que diferentes disciplinas se conectem de maneira prática. Por exemplo, em aulas de ciências, os alunos podem estudar o funcionamento dos ecossistemas, enquanto em matemática podem aprender sobre medidas e proporções ao calcular áreas e quantidades de sementes. Essa integração curricular ajuda os estudantes a verem a relevância do que aprendem em sala de aula, tornando o conhecimento mais significativo e aplicável à vida cotidiana. (Oliveira; Pereira, 2018).
As hortas também incentivam a alimentação saudável. Ao participar do cultivo de vegetais e ervas, os alunos desenvolvem um maior apreço por alimentos frescos e naturais, o que pode influenciar positivamente seus hábitos alimentares. Essa mudança de comportamento é essencial em um momento em que a obesidade infantil e doenças relacionadas à má alimentação são preocupações crescentes. Ao aprenderem sobre o valor nutricional dos alimentos que cultivam, os estudantes tornam-se mais propensos a escolher opções saudáveis. (Luna; Abreu, 2018).
Outro aspecto importante do desenvolvimento da educação ambiental através das hortas escolares é a promoção de habilidades sociais e de trabalho em equipe. Os alunos aprendem a colaborar uns com os outros para o cuidado da horta, o que fortalece o senso de comunidade e a responsabilidade compartilhada. Essas experiências coletivas são fundamentais para o desenvolvimento de competências sociais, como comunicação, empatia e resolução de conflitos. (Costa et al., 2020).
A horta escolar também serve como um meio de conscientização sobre as questões ambientais. Os alunos podem discutir temas como o uso responsável da água, a importância da biodiversidade e as práticas agrícolas sustentáveis. Essas discussões são fundamentais para que os estudantes entendam os impactos das atividades humanas no meio ambiente e a necessidade de adotar comportamentos mais sustentáveis no dia a dia (Carvalho, 2020).
Além disso, a criação de hortas escolares pode ser uma oportunidade para envolver a comunidade. Famílias e vizinhos podem ser convidados a participar do projeto, fortalecendo os laços comunitários e promovendo uma cultura de colaboração em torno da sustentabilidade. Eventos como feiras de troca de sementes e colheitas abertas ao público podem gerar um senso de pertencimento e responsabilidade coletiva. (Brandani et al., 2018).
Com a crescente urgência de lidar com as crises ambientais, é vital que as escolas adotem práticas que incentivem a educação ambiental de forma efetiva. A horta escolar representa uma ferramenta poderosa para essa finalidade, transformando o ambiente escolar em um espaço de aprendizado dinâmico e interativo. À medida que mais escolas implementam projetos de hortas, é possível vislumbrar um futuro onde as novas gerações estão mais bem preparadas para enfrentar os desafios ambientais que se avizinham
A horta escolar, portanto, não deve ser vista apenas como um espaço para cultivo, mas como um centro de aprendizado que promove a reflexão crítica sobre a relação entre ser humano e natureza. Essa abordagem holística é essencial para formar indivíduos que não apenas entendem a importância da sustentabilidade, mas que também se sentem motivados a agir em prol de um futuro mais verde e saudável (Lima; Souza, 2017).
Uma outra importante vantagem da horta é que as atividades desenvolvidas na sua instalação e manejo promovem o envolvimento de diversos profissionais da escola, além dos pais e outras pessoas da comunidade. Portanto, tal trabalho coletivo fortalece a relação da comunidade com a escola (Moreira; Quadros, 2017).
Em um trabalho desenvolvido na Escola Municipal Geraldino Neves Corrêa no distrito de Picadinha – Dourados/MS, Brandani et al., (2018) desenvolveu várias atividades ao longo do processo de instalação e manutenção da horta escolar.
Dentre as atividades educativas propostas e realizadas Brandani et al., (2018, p.53) destacaram:
Capacitação das professoras a respeito do tema “hortas escolares”; atividades práticas como coleta de amostras de solo, determinação do pH, e discussões teóricas sobre aspectos físicos, químicos e biológicos do solo; elaboração de diagnóstico sobre as condições da área onde a horta deveria ser implantada; planejamento e reconstrução da horta; resgate com os alunos, por meio de conversas, apresentação de teatro, confecção de desenhos e mesmo durante as atividades de plantio de mudas e sementes, conhecimentos relativos à importância de cultivar uma horta.
Portanto a horta na escola vem preencher uma lacuna, permitindo que haja a participação de toda a comunidade escolar, transformação social e inserção da escola junto à comunidade, cumprindo assim o papel fundamental que é a educação e o ensino (BrandanI et al., 2018).
Os benefícios da horta na escola são destacados em vários trabalhos como, por exemplo, os estudos de Moreira e Quadros (2017), Fiorotti et al. (2018), dentre outros, de modo que existe uma forte razão para se procurar inseri-la no cotidiano escolar como forma de tornar o ensino mais dinâmico. A implementação das hortas não só torna as aulas mais interativas, mas também permite que os alunos aprendam sobre a origem dos alimentos e os processos envolvidos em sua produção. Essa conexão prática com a natureza enriquece o aprendizado, tornando-o mais significativo e relevante para os estudantes.
A inserção das hortas no processo pedagógico pode oportunizar à comunidade escolar a reflexão sobre as questões ambientais. Esses espaços, além de funcionarem como áreas de cultivo, atuam como ambientes de discussão sobre a sustentabilidade e a preservação do meio ambiente. Ao cuidarem da horta, os alunos desenvolvem uma consciência crítica acerca de temas como desperdício de alimentos, uso consciente da água e a importância da biodiversidade, o que pode gerar mudanças de comportamento não apenas no ambiente escolar, mas também em suas casas e comunidades (Brandani et al., 2018).
Oliveira e Pereira (2018) destacam que as hortas escolares são uma ferramenta pedagógica que promove o aumento do consumo de frutas e hortaliças, possibilitando a melhoria de hábitos alimentares saudáveis e qualidade de vida. A falta de alimentação nutritiva e saudável no ambiente escolar é um grande problema de saúde. Nesse sentido, as hortas se tornam uma estratégia eficaz para combater a má alimentação, ao incentivar os alunos a se envolverem ativamente no cultivo e consumo de alimentos saudáveis, promovendo, assim, uma cultura de saúde e bem-estar.
No aspecto educacional, a horta na escola permite desenvolver atividades voltadas para a educação ambiental, educação alimentar e ensino de ciências. Além disso, pela facilidade de manejo das culturas olerícolas, torna-se uma atividade prática, lúdica e educativa que pode ser executada por toda a comunidade escolar (Luna; Abreu, 2018). Essa abordagem prática facilita a assimilação de conteúdos, permitindo que os alunos aprendam de forma integrada, envolvendo teoria e prática, o que contribui para um aprendizado mais sólido e duradouro (Dias, 2018).
Ademais, foi revelado nos estudos de Monteiro (2019) que a horta escolar terá papel pedagógico também na educação alimentar, bem como na conscientização dos alunos acerca da relevância dos cuidados da horta para o seu cotidiano, no âmbito escolar, social e ambiental. Essa conscientização é fundamental, pois os alunos passam a perceber a interconexão entre suas ações e o meio ambiente, compreendendo que pequenos gestos, como o cuidado com a horta, podem ter um grande impacto na sustentabilidade. Além disso, a horta promove o desenvolvimento de habilidades práticas e a valorização do trabalho coletivo, uma vez que todos os envolvidos aprendem a importância de colaborar e respeitar o espaço compartilhado (Carvalho, 2020).
CONSIDERAÇÕES FINAIS
Com esse trabalho, pode-se concluir que trabalhar com a temática horta orgânica no ambiente escolar é importante para os alunos das escolas brasileiras, pois é através dela que eles vão aprender sobre o meio ambiente e sobre a necessidade de se preservar o mesmo.
A Educação Ambiental deve ser interdisciplinar, ou seja, trabalhada em todas as disciplinas, porém muitos professores por terem pouco tempo não trabalham o assunto em suas disciplinas ou acabam pensando que é apenas o professor de biologia que deve trabalhar o assunto.
Mesmo com a Educação Ambiental presente no projeto político pedagógicos das escolas, este muitas vezes não é conhecido pelos professores ou mesmo não é cumprido pelos mesmos, devido à falta de tempo e ao extenso currículo a ser cumprido em cada disciplina, o que deve ser feito é uma reforma curricular.
Pode-se considerar discrepâncias entre o que é oficialmente posto e o que é efetivamente realizado na educação o papel de construir com seus alunos e sua comunidade o processo de Educação Ambiental conhecendo a partir deles a realidade local em seus variados aspectos.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
BRANDANI, J.Z. et al. A horta escolar promovendo a educação ambiental e alimentar de crianças da Escola Municipal Geraldino Neves Corrêa no distrito de Picadinha – Dourados/MS. Realização, v.1, n. 2, 2018.
BRASIL. Ministério da Educação. Secretaria de Educação Média e Tecnológica. Parâmetros Curriculares Nacionais: introdução aos Parâmetros Curriculares Nacionais. Brasília, 1998.
CARVALHO, Isabel Cristina de Moura. Educação ambiental: a formação do sujeito ecológico. São paulo: Cortez, 2020.
CASCINO, Fábio. Educação Ambiental: princípios, história, formação de professores. 3ª ed. São Paulo: editora Senac, 2018.
COSTA, T. G. et al. A importância da horta escolar para aprendizagem dos alunos e o desenvolvimento da sustentabilidade. São Paulo: Editora Realize, 2020.
CRIBB, S. A educação ambiental através da horta escolar. Reget, v. 16, n. 62, 2018.
DIAS, Genebaldo Freire. Educação Ambiental: princípios e praticas. 6º ed. São Paulo: Gaía, 2018.
FIOROTTI, Josiana Laporti et al. Horta: a importância no desenvolvimento escolar. Revista Gestão Ambiental, v.71, n.16, 2018.
GIL, A.C. Como elaborar projetos de pesquisa. São Paulo. Atlas, 2019.
LIMA, G. M. M.; SOUZA, J. I. Educação ambiental e implantação de horta escolar. Cadernos de Agroecologia, v. 10, n. 3, 2017.
LUNA, R. R.; ABREU, L. R. Horta na escola: incentivo ao cultivo e a interação com o meio ambiente. Reget, Santa Maria, v. 19, n. 1, p. 248-253, 2018.
MONTEIRO, Lurdinalva Pedrosa. Horta na escola: praticando a interdisciplinaridade e desenvolvendo a sustentabilidade. Revista Gestão Ambiental, v.11, n.4, 2019.
MOREIRA, F. S.; QUADROS, M. A. A. A Horta Escolar na Educação Ambiental e Alimentar: Experiência do Projeto Horta Viva nas Escolas Municipais de Florianópolis. In: EXTENSIO: Revista Eletrônica de Extensão, Santa Catarina, n. 6, 2017.
OLIVEIRA, F; PEREIRA, E. Horta escolar e Educação Ambiental. Revista Brasileira de Educação Ambiental, v. 13, n. 2, 2018.
SANTOS, A. L.; et al. A horta escolar como uma ferramenta didático pedagógica no ensino de Educação Ambiental. Brazilian Journal of Development, v. 6, n. 10, 2020.
SANTOS, M. M. C. dos. Educação Ambiental e Políticas Públicas: vivências nas escolas municipais. Curitiba: CRV, 2018.
SILVA, M. C. O.; et al. Educação para a sustentabilidade: um enfoque interdisciplinar. Revista Brasileira de Educação Ambiental, v. 1, n. 1, 2019.
Área do Conhecimento