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Resumo
INTRODUÇÃO
Este trabalho tem como escopo principal pesquisar dentro da área culinária as dificuldades de tradução do inglês para o português e explorar algumas possíveis dificuldades encontradas nas versões do português para o inglês.
A ânsia de realizar este estudo se intensificou devido ao filme Julie e Julia, um filme norte americano dirigido por Nora Ephron, no qual a personagem Julia Child, que estava morando na França, sentia uma grande dificuldade de encontrar um livro de receitas de culinária francesa escrito para americanos.
Desta forma, ela escreveu o livro Mastering the Art of French Cooking (1961), com Simone Beck e Louisette Bertholle.
Essa preocupação de se ter um livro com a culinária de um país totalmente adaptado para um povo de outro país e, consequentemente, de outra cultura, fez com que surgisse um questionamento ao redor das dificuldades que as pessoas que vivem dessa área passam no seu dia a dia.
As dificuldades dos tradutores de livros de receitas e as dificuldades de milhares de imigrantes que trabalham com culinária em países estrangeiros e precisam se adaptar e viver em constante pesquisa para que seu trabalho cotidiano seja realizado. Como a língua inglesa, assim como várias outras línguas, possui muitas variantes de acordo com o país, estado, classe social, entre outras, o profissional da área necessita estar sempre atento a essas variações para que seu trabalho seja concluído com sucesso. A metodologia utilizada neste trabalho teve como base a pesquisa dessas variantes e questionários com pessoas físicas que se enquadrem no perfil desses profissionais citados acima.
A coleta de dados foi realizada por meio de leitura de outros estudos que já foram realizados referentes à tradução da área culinária. Nessas leituras que foram realizadas, o objetivo principal era encontrar uma mesma receita ou ingredientes traduzidos de duas ou mais formas diferentes e este então seria o corpus para análise do projeto, onde a intenção é a de identificar o porquê dessas variações. Que podem ser regionais, sociais, conforme já explicado antes, ou por parte da origem do tradutor ou até mesmo por opção de um tradutor para que a tradução atinja o seu público específico.
FERRAMENTAS TEÓRICAS PARA TRADUÇÃO
Ao longo desses anos, a busca pela perfeição ao se traduzir tornou-se assunto constante na área da tradução.
De acordo com a proposta deste trabalho de investigar as dificuldades e facilidades de um tradutor da área culinária, podemos fazer alguns apontamentos e algumas explanações quanto às ferramentas teóricas que o tradutor possui para ter como base e assim conseguir ter êxito no seu trabalho de tradutor.
Muitas vezes para se traduzir uma receita culinária o tradutor pode encontrar uma grande dificuldade em como transpor um ingrediente que existe no país de origem da receita, mas dificilmente será encontrado no país de destino da tradução.
Dentre as inúmeras possibilidades de pesquisa que o tradutor ou o profissional da área culinária pode recorrer, acho importante destacar aqui neste trabalho um teórico que elucidou muito bem uma das grandes dúvidas na hora de se realizar uma boa tradução. Apresento então os termos Domesticação e Estrangeirismo.
Para ficar claro o significado desses termos, venho apresentar Lawrence Venuti que sugeriu essa dicotomia no livro The Translator’ s Invisibility (1995).
Entende-se que nenhuma dessas formas de tradução é superior ou inferior, são apenas formas distintas e abrem um leque de opção para os profissionais da área.
Alguns tradutores defendem a domesticação e outros o estrangeirismo.
O tradutor, ao optar pela domesticação, está escolhendo pesquisar recursos na língua de destino. Ana Lúcia Abreu (sem data, p. 1545) relata uma explicação sucinta e clara de domesticação:
A domesticação visa à facilitação da leitura, com eliminação de elementos que possam prejudicar o entendimento. Esse processo está diretamente ligado à redução do texto estrangeiro em detrimento dos valores culturais da língua-alvo.
Nessa explicação fica claro que o tradutor que opta pela domesticação irá pegar um texto original e realizar substituições de acordo com o idioma de destino. Por exemplo, nos Estados Unidos, existe um grande apresentador de um Talk Show noturno chamado David Letterman, hoje em dia com a popularização da TV a cabo, muitas pessoas no Brasil já o conhecem, porém há algum tempo atrás, quando a TV a cabo era para poucos e a internet também, ele não era tão conhecido no Brasil, desta forma, ao aparecer o nome dele em um livro americano, o tradutor brasileiro poderia substituir o nome de David Letterman pelo o de Jô Soares que é a referência brasileira de um apresentador de um programa de entrevistas noturno.
Ou como na expressão ‘’Running with Scissors’’, se traduzirmos literalmente ficaria ‘’Correndo com tesouras’’, o que na cultura brasileira não significaria nada, desta forma, o tradutor teria então que domesticar essa expressão usando outra que fizesse com que a intenção do escritor se completasse e se fizesse entender na língua de destino.
Segue um exemplo simples abaixo:
Original: Peter is running with scissors.
Tradução com o uso de domesticação: Pedro está brincando com fogo.
No caso de uma tradução de elementos culturais de um povo, também é necessário que se faça uma pesquisa para que o texto fique claro para um leitor, por exemplo, brasileiro que não conheça a cultura americana.
Por exemplo, se o tradutor pegar um texto americano que diz que ‘’Maria não vê a hora de fazer 16 anos para poder dirigir’’, ele precisará mudar para ‘’Maria não vê a hora de fazer 18 anos para poder dirigir’’ se ele quiser que qualquer leitor brasileiro, que tenha qualquer nível de conhecimento compreenda essa frase sem questionamentos. Porque se ele traduzir do jeito que está, algumas pessoas podem pensar que o texto está errado, pois não se dirige com 16 anos no Brasil.
O tradutor que, de modo geral, quer que todas as pessoas entendam o texto no qual ele se propôs a traduzir, optará pela domesticação em seu trabalho.
A domesticação é utilizada também para que se tente evitar o empréstimo ou o decalque linguístico.
Para que se tenha um entendimento do conceito do empréstimo Ana Frankenberg (2009, p. 44) relata:
A utilização de palavras estrangeiras tem sido desde sempre um tema envolto em controvérsia. Os falantes de uma língua recorrem a empréstimos ora quando não conseguem encontrar um equivalente na sua própria língua, ora quando querem, propositadamente, evocar significados que ultrapassam os meros significados proposicionais das palavras utilizadas. Enquanto o primeiro caso é frequentemente associado a um empobrecimento linguístico, o uso intencional de empréstimos pode também ser sinal de erudição e enriquecimento da língua.
Luiz Euclides da Silva Neves (2002 e 2003, p.4) oferta um bom exemplo de empréstimo:
A palavra stress entrou recentemente em nossa língua para denominar uma doença dos tempos modernos. Como o termo stress é muito produtivo, acabou sofrendo
adaptações ao português e hoje já é grafado estresse, além disso, já formamos palavras derivadas a partir da primitiva estresse, é o caso de estressado, estressante e desestressante. No caso de stress>estresse estamos diante de um empréstimo linguístico, já que o termo sofreu adaptações ao português, ou seja, foi-lhe acrescentado o grafema (letra) –e no início e no fim do vocábulo, já que não existem, no sistema escrito do português, palavras começando com o grafema –s, não seguido de grafemas que representem os fonemas vocálicos e nem palavras terminadas em – ss. Segue abaixo outro excelente exemplo de empréstimo dado por Luiz Euclides da Silva Neves (2002 e 2003, p.4 e 5):
Neste momento, não podemos deixar de mencionar a “criatividade” dos falantes brasileiros, que transformaram, por exemplo, o cheese, queijo em inglês, em apenas –X, em português. Notem como a “sonoridade” dos dois termos é quase semelhante, ou melhor, assim soou aos ouvidos daqueles. No entanto, não deixamos de importar, junto com o termo, a geração sanduíche, cuja base da alimentação quase diária são os búrgueres, batata frita e coca-cola. Ou ainda uma das explicações para a origem do termo forró. Contam que quando da construção das estradas de ferro no nordeste brasileiro, os ingleses organizavam festas for all , ou seja, para todos. Nestas festas, poderiam ir tanto os engenheiros como os operários. Os brasileiros transformaram então o for all em forró.
Para que se entenda a diferença do empréstimo e do decalque linguístico, o professor Paulo Hernandes que possui um site com uma coluna chamada ‘’Você Sabia’’ elucida que diferentemente do empréstimo propriamente dito, em que uma forma da língua A é adotada pela língua B tal qual é recebida, muitas vezes com adaptações fônicas, no decalque é o sentido – e às vezes a ordem dos elementos – que é importado, mas a forma fônica permanece a da língua receptora.
É possível ler mais sobre a explicação do Professor Paulo Hernandes na parte de anexos (anexos 2) deste trabalho.
Temos como exemplo de decalque a palavra realize que em inglês significa perceber, porém em português existe um falso cognato que é realizar, que por sua vez tem um significado totalmente diferente que é o de tornar algo real, porém surgiu o decalque realizou que veio do inglês realize para dizer que a pessoa percebeu, entendeu determinada situação. Por exemplo: ‘’José realizou que não iria conseguir chegar a tempo’’.
Em algumas situações o tradutor não se sente à vontade para optar pela domesticação, ou pelo empréstimo ou decalque e prefere não traduzir a palavra em questão, deixando então a palavra original, desta forma, se faz presente o estrangeirismo.
Para se ter uma boa noção do que é o estrangeirismo, que é também muito confundido com o empréstimo, Edyta Jabłonka (sem data, p.207) conceitua:
Geralmente, pelo termo estrangeirismo definimos todas as palavras estrangeiras que
não estão integradas no léxico do português. Existem muitas palavras importadas de várias línguas que guardam o estatuto de estrangeirismo, sobretudo no caso de designarem as realidades específicas provenientes de outras culturas. É óbvio que as palavras de origem estrangeira passam por diversas transformações até se adaptarem do ponto de vista da fonética, da morfologia e da sintaxe. No entanto, não temos a certeza que estas palavras virão todas a ser integradas no léxico. Os estrangeirismos que ocorrem com uma frequência muito baixa na língua podem corresponder a hápax (os hápax são as formas que aparecem uma única vez num determinado corpus).
O tradutor que costuma optar pelo estrangeirismo, geralmente tem ciência que o texto que está trabalhando tem como público de destino pessoas cultas que vão entender as referências estrangeiras citadas no texto, ou porque são pessoas que fazem muitas leituras ou porque são viajadas. No entanto, o tradutor pode manter as palavras com a intenção de que as pessoas que estão lendo corram atrás dessas referências para crescerem culturalmente e ampliarem seus conhecimentos.
Algumas vezes é usado o recurso do rodapé, isto é, se mantém o estrangeirismo, porém se explica abaixo no texto do que se trata para o leitor entender o texto.
Como o exemplo citado acima de David Letterman, o tradutor manteria esse nome, não faria a domesticação mudando para Jô Soares, porém em nota de rodapé explica que David Letterman é um famoso apresentador de um programa de entrevista nos Estados Unidos. Desta forma, a compreensão do leitor seria integral. Porém ainda existe aquela opção de manter o estrangeirismo e não ter uma nota explicativa, isto é, as pessoas que irão entender serão aquelas com conhecimento prévio ou aquelas que irão parar de ler e pesquisar o significado da referência.
No termo estrangeirismo existem também aquelas palavras que já foram incluídas no léxico, por exemplo, do português e já fazem parte do cotidiano de uma nação. Seguem na parte dos anexos (anexo 2) alguns exemplos em inglês dessas palavras. Ana Lúcia Abreu (sem data, p.1552) abre em seu trabalho um ponto de vista sobre o momento em que o tradutor precisa optar pela domesticação ou pelo estrangeirismo:
É importante entender que o significado de um texto estrangeiro e de uma tradução
não será exatamente o mesmo, já que eles envolvem intenções e contextos diferentes. Com relação aos processos domesticação e estrangeirização, entendemos que o primeiro envolve a valorização da cultura do texto traduzido e o segundo a manutenção dos valores presentes no texto fonte.
Entretanto, uma tradução que não permite o espelhamento acaba gerando uma negação da obra estrangeira devido o leitor não se identificar com a tradução. Já o que favorece a estrangeirização é a oportunidade de conhecer novas culturas.
Esse processo permite que se desenvolva um público mais aberto às diferenças linguísticas e culturais.
Mônica Corrêa (2009, p. 47) também relata em seu trabalho que os tradutores podem ter um meio termo na hora de escolher entre a domesticação e o estrangeirismo:
As domesticações, se estão no nível de notas que explicam alusões, intertextualidade, em suma, referências culturais que devem, por alguma razão, transparecer plenamente na tradução, são, de fato, irrefutáveis. Mas as traduções também podem refletir os estrangeirismos sem se tornarem inteiramente domésticas, isto é, sem apagar as referências culturais estrangeiras, garantindo o estranhamento do texto.
Paulo Britto (2010, p.137), no entanto, nos mostra em seu trabalho uma outra justificativa que pode nortear o tradutor na hora de optar pela domesticação ou pelo estrangeirismo:
De modo geral, o tradutor tenderá a domesticar mais o original na medida em que ele julgar que a obra se destina a um leitor do qual se pode exigir pouco, um leitor que não terá grande conhecimento de culturas estrangeiras e que provavelmente não estaria interessado em fazer um esforço maior no sentido de se informar a respeito delas — ou seja, um leitor pouco dado a ler introduções e notas de rodapé. Por outro lado, se um livro naturalmente exige uma certa sofisticação intelectual para ser consumido, o tradutor pode pressupor que seu leitor fará de bom grado o esforço necessário para transportar-se a uma outra cultura, e desse modo produzirá um texto mais estrangeirizado.
Existem alguns casos, onde a editora que atua como contratante do tradutor impõe uma forma de trabalhar, não abrindo então essa possibilidade de opção para o tradutor.
ENTENDENDO A TRADUÇÃO DA ÁREA CULINÁRIA
Para entender a tradução da área culinária, precisamos conhecer um pouco da história de quando se iniciou esse processo de tradução de receitas. Susana Marques (2010, p.23) resumiu muito bem este início em sua dissertação:
Os primeiros livros de receitas em língua inglesa eram escritos apenas de cozinheiros para cozinheiros. Só a partir do século XVIII, os livros de culinária começaram a ter um formato semelhante ao que conhecemos hoje.
Durante esse século, todos os livros utilizados nos Estados Unidos eram oriundos da Inglaterra. Hannah Glass (1708-1770), Elizabeth Roffald (1733-1781) e Maria Rundell (1745-1829) foram as primeiras mulheres britânicas a escrever livros de receitas. No entanto, só no século XIX surgem os primeiros livros com estruturas de receitas mais semelhantes às que temos hoje em dia.
Modern Cookery for Private Families, de Eliza Acton, datado de 1845, é o primeiro livro de receitas inglês a apresentar os ingredientes, as quantidades e o tempo de preparação de uma forma uniforme e concisa.
As dificuldades que foram surgindo com o decorrer dos anos na tradução de receitas culinárias, é possível dizer que se deve também à expansão dos meios de comunicação, da evolução geral do mercado publicitário e dos profissionais da área que foram ficando cada vez mais criativos. Com esse avanço, ocorreu um crescimento na procura de novas soluções para a tradução da área culinária e assim aumentou o desafio para os tradutores que tiveram que crescer profissionalmente e expandir os seus conhecimentos para dar conta da quantidade de trabalho, de mudanças e dificuldades extremas que os fizeram pesquisar cada dia mais. Susana Marques (2010, p.41 e 42) ressalta a importância dessa evolução:
Para além do vocabulário conhecido na língua materna, deparamo-nos cada vez mais com programas de televisão em língua estrangeira, nomeadamente o inglês, com a presença de grandes chefs de cozinha, livros com receitas originais e mais apelativas e criativas e produtos com nomes e rótulos estrangeiros. Com isto, surge a necessidade de evoluir na área da tradução de culinária. E daqui surgem também os problemas associados à tradução de conceitos de culinária.
A tradução de receitas envolve a adaptação de características textuais que variam de cultura para cultura, a adaptação de ingredientes e equipamentos que podem não ser comuns ou não existirem na cultura e língua de chegada e estes fatores dificultam, ou podem dificultar, como já foi referido, o trabalho do tradutor. Coloca-se aqui a questão da experiência de quem traduz e o conhecimento da língua e cultura de partida e de chegada. A inexistência destas condições pode trazer graves problemas de tradução, como por exemplo, traduções à letra e soluções pouco naturais, que tornam um texto pouco claro na língua de chegada.
Dentre as pesquisas realizadas, existe uma tese de doutorado que possui uma proposta de dicionário online bidirecional inglês-português voltado para o tradutor da área técnica da Culinária, uma vez que seria um grande facilitador para o profissional da área que, por falta de tal material, sempre se encontra perdido ou frustrado por fazer o seu trabalho incompleto ou até mesmo errado. Porque eles não encontram objetos de estudo confiáveis e se encontram sem saída quando precisam saber como o termo é usado de fato na área em questão na língua de chegada. Como as pessoas que trabalham com isso falam e escrevem. E mesmo com esse avanço citado acima e com o crescimento da busca por profissionais que traduzam para esta área, os dicionários tanto impressos quanto online continuam se preocupando mais com o léxico do que com as terminologias. No caso da área culinária é um pouco mais preocupante por não ser uma área muito prestigiada, Elisa Teixeira (2008, p.3) responsável pela tese citada acima destaca sua percepção quanto a isso:
Há áreas técnicas, é certo, que contam com maior número de obras, algumas muito bem elaboradas – no geral, campos de saber que desfrutam de grande prestígio social e/ou econômico, que lhes garante maior visibilidade e consideração (como é o caso, por exemplo, do Direito, da Medicina, da Economia e suas respectivas subáreas).
Mas, no geral, dicionários técnicos são escassos, quando não diminutos e incompletos. E a situação piora exponencialmente quando se trata de obras bilíngues, ainda que no Brasil o par de línguas português-inglês seja um dos que tem mais rendido publicações.
Elisa Teixeira (2008, p.4) destaca também as dificuldades que o profissional da área culinária enfrenta na hora de usar o material que deveria servir para ajudá-lo em seu trabalho, como é o caso da falta de informações importantes que não são encontradas nos dicionários existentes, informações essas, que são necessárias para que se desenvolva o trabalho de forma prática e correta e aproveita também e cita que além das dificuldades encontradas, o profissional pode lidar também com certo desprezo quanto às suas necessidades:
O tradutor, talvez por questões mercadológicas, costuma ser evocado na contracapa, na orelha ou na introdução de dicionários técnicos multilíngues, mas percebe logo a falácia ao tentar usar a obra recém-adquirida em sua prática diária, especialmente nos trabalhos de versão. De fato, na maioria desses dicionários, o autor parece ter se lembrado muito pouco do tradutor, ou até mesmo ter ignorado suas necessidades quando da compilação da obra. Onde estão os exemplos de uso? Onde se explica o grau de equivalência entre os termos? Qual dos dois ou mais equivalentes oferecidos (nos raros casos em que há mais de um) usar no texto de chegada?
CONSIDERAÇÕES FINAIS
Como foi possível ver, este trabalho teve como meta principal a investigação das dificuldades do tradutor da área culinária e do profissional estrangeiro da área que trabalha em um país de língua inglesa.
Entre as dificuldades, no caso do tradutor, foi tido como norte as variações linguísticas encontradas em cada cultura, o que dificulta bastante o trabalho dos profissionais quando precisam encontrar a palavra certa para que o público-alvo possa entender perfeitamente o que é necessário ser compreendido para que sua receita culinária seja realizada com primor.
Desta forma, foram apresentadas as opções de formas de traduzir, denominadas como domesticação, empréstimo, decalque e estrangeirismo.
No caso do profissional da área que está em um outro país realizando seu ofício, foi possível ver como é complicado encontrar um material técnico com informações que possam suprir as necessidades do estrangeiro em compreender toda a cultura da culinária de determinado país. Como é complicado internalizar todas as variações dos ingredientes do país de língua inglesa em que se trabalha para o seu país de origem, como é o caso de ingredientes que existem em um país, porém não existem no outro.
Foi possível também verificar que os livros de receitas em língua inglesa eram escritos apenas por cozinheiros para cozinheiros e com o passar do tempo começaram a ser escritos e traduzidos para todos.
A internet se destacou como meio facilitador para os profissionais de hoje em dia, porque nela existe uma ampla fonte de pesquisa para o tradutor e para o profissional da área que além de poder traduzir palavras desconhecidas de seu repertório da área culinária, também podem ver imagens para ficar mais fácil de associar o formato ao nome do ingrediente.
As diferenças do Inglês Britânico para o Inglês Americano também fizeram parte do trabalho, que mostrou que mesmo não tendo mudanças tão agressivas de um para o outro, pode vir a confundir e a complicar um profissional que não tenha conhecimento dessas variações. Com a ajuda de uma profissional da área culinária o trabalho se concluiu com uma análise real do cotidiano, dificuldades e facilidades dessas pessoas que precisam aprender a cada dia para que o seu trabalho seja realizado com sucesso.
De uma forma geral, podemos concluir que o trabalho dos profissionais da área culinária que é realizado atualmente, mesmo com todas as dificuldades e materiais técnicos insatisfatórios, já é infinitamente melhor e mais fácil que o daqueles que trabalhavam em épocas que não havia todos esses facilitadores dos tempos modernos.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
BRITTO, Paulo Henriques. O tradutor como mediador cultural. Synergies Brésil n° spécial 2 – 2010 pp. 135-141. PUC-Rio. Disponível em: <http://ressources-cla.univ fcomte.fr/gerflint/Bresil_special2/britto.pdf>Acesso em 17 de fevereiro de 2012.
CORRÊA, Mônica Cristina. Tradução e Referências Culturais. Disponível em: <http://www.journal.ufsc.br/index.php/traducao/article/view/12198/11453> Acesso em: 17 de fevereiro de 2012.
MARQUES, Susana I. M. As palavras na cozinha de Jamie Oliver – Análise da tradução portuguesa de The Naked Chef. – Dissertação de Mestrado – Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra 2010. Disponível em: <
http://estudogeral.sib.uc.pt/bitstream/10316/15243/1/Disserta%C3%A7%C3%A3o%20mestra do_SusanaMarques.pdf > Acesso em: 09 de novembro de 2011.
MICHAELIS. Minidicionário Inglês-português, Português-inglês. Edição: 5 4. 1989 Comp. Melhoramentos de São Paulo, 1993 92 91 90. 665p.
TEIXEIRA, Elisa D. A lingüística de Corpus a serviço do tradutor: proposta de um dicionário de Culinária voltado para a produção textual. Tese de Doutorado – Universidade de São Paulo 2008. Disponível em:
<http://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/8/8147/tde-16022009-141747/pt-br.php> Acesso em: 06 de dezembro de 2011.
VENUTI, Lawrence. The Translator’s Invisibility: A history of translation. Londres e Nova York: Routledge, 1995. 353 p.
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