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Resumo
INTRODUÇÃO
O artigo faz referência a formação dos jovens e adultos para uma possibilidade de resgate pessoal, para esse segmento a pessoas brasileira prejudicada por não ter acesso na época certa aos estudos em uma educação básica, ter o domínio da leitura e escrita como qualquer cidadão, como nota-se as Diretrizes Curriculares Nacional para a Formação dos Jovens e Adultos, documento datado em 2000.
Neste trabalho o importante papel que identificamos para o educador sendo o elemento privilegiado para iniciar uma etapa de inserção do jovem e adultos ao mundo e ao universo do letramento. Para que o educador deve ter como princípios esse sujeito na aprendizagem com todas abordagens de vida, mostrando a visão do mundo para compreender as peculiaridades que existe para aprender do mesmo modo.
Para Freire, (Moura,1999), a competência do educador em geral tem o início a compreensão de que para mudar é difícil, mas não é impossível. A compreensão deve ser vista por meio do conhecimento que liberam aos educadores entender as situações de objetividades e subjetividades em que todos encontram para um ensino de qualidade. Se essas condições constituem em barreiras que são difíceis de superar para a realização das tarefas históricas e de mudar o mundo, para outros, as dificuldades e os obstáculos não vão eternizar.
Na realização dessa pesquisa, constitui o referencial da teoria por meio dos pressupostos de Freire (1997), Soares (2003), e de Delors (1998), e demais autores.
O trabalho tem o objetivo de considerar as relações e as metodologias e da postura do professor nas salas de aula na formação dos Jovens e Adultos.
Conforme apontam Rempel et al. (2008), a pesquisa em percepção ambiental tem papel fundamental no planejamento do ambiente, conforme destacado pela Unesco (1973). A organização enfatiza que uma das barreiras para a proteção dos ecossistemas naturais é a existência de diferentes percepções sobre seus valores e importância entre pessoas de culturas variadas ou grupos socioeconômicos diversos, que exercem papéis sociais distintos nesses espaços.
Para tanto, a percepção ambiental pode favorecer uma interação harmoniosa entre o conhecimento local — seja do indivíduo, da população ou da comunidade — e o conhecimento científico tradicional, atuando como um importante instrumento educativo e transformador.
Conforme destacado por Ferreira (2001), a percepção ambiental também pode ser aplicada para avaliar processos de degradação ambiental em regiões específicas. No seu estudo sobre a Bacia do Limoeiro, o autor analisou dados perceptivos para evidenciar a degradação causada pela especulação imobiliária e ambiental, ressaltando a ausência de ação dos órgãos públicos responsáveis pelo licenciamento e monitoramento da urbanização.
Nesse contexto, pesquisas indicam que docentes e alunos possuem concepções distintas sobre o meio ambiente. Segundo Fontana et al. (2002), essas concepções podem variar desde uma visão abrangente, que inclui aspectos naturais, culturais, políticos, econômicos e sociais, até uma perspectiva reducionista, que exclui o ser humano como parte integrante do ambiente. É comum, por exemplo, que muitas pessoas associem o ambiente apenas à natureza, valorizando sua preservação, ou que considerem o ambiente como o lugar onde desejam viver.
Por outro lado, a abordagem da dimensão ambiental na educação muitas vezes se limita à inserção de temas ecológicos nas disciplinas escolares e à promoção de valores ambientais, sem aprofundar o conceito de ambiente e a complexidade que envolve a formação de novas mentalidades, conhecimentos e comportamentos (Leff, 2005).
De acordo com Villar et al. (2008), uma das grandes dificuldades para a proteção ambiental está nas diferenças de percepção sobre o valor e a importância do meio ambiente entre indivíduos de diferentes culturas e grupos socioeconômicos que exercem funções diversas na sociedade. Nesse sentido, a Educação Ambiental (EA) surge como uma ferramenta eficaz na defesa do meio ambiente, contribuindo para aproximar o ser humano da natureza e promovendo um futuro com melhor qualidade de vida, ao despertar maior responsabilidade e respeito pelo ambiente onde vivem (Fernandes & Pelissari, 2003).
Este trabalho teve como objetivo investigar, por modo da aplicação de um questionário, as percepções ambientais expressas por jovens e adultos com matrículas no ensino fundamental de uma escola da rede municipal de Belo Horizonte, MG. A motivação para o estudo surgiu diante da multiplicidade de conceitos sobre meio ambiente divulgados pelos meios de comunicação, que muitas vezes apresentam suas interpretações como verdades absolutas e reduzem o entendimento do ambiente apenas aos elementos da natureza.
O estudo também busca chamar a atenção para a relevância de se considerar as percepções ambientais sob a perspectiva individual, coletiva e comunitária, como meio de contribuir para o aprimoramento da Educação Ambiental (EA) e na formulação de políticas públicas mais efetivas. Nesse sentido, o trabalho pretende oferecer elementos que enriqueçam o debate ambiental, apresentando dados e reflexões acerca das diferentes visões de meio ambiente entre os estudantes da Formação dos Jovens e Adultos.
Whyte (1978) acrescenta que projetos focados na percepção ambiental auxiliam para o uso mais responsável dos recursos naturais, facilitam a colaboração da comunidade no desenvolvimento e planejamento regional, no intuito de assegurar o registro e a conservação dos conhecimentos e percepções ambientais.
FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA
A FORMAÇÃO DOS JOVENS E ADULTOS: CONCEITOS, FUNDAMENTOS E DESAFIOS NO MEIO AMBIENTE
Esse trabalho foi realizado em uma pesquisa bibliográfica, e em um trabalho de campo em uma escola na turma de alfabetização das Juventudes e Adultos da escola estadual em Belo Horizonte.
A escola está localizada em Belo Horizonte no bairro Barreiro. Os alunos da formação em alfabetização e educação de pessoas jovens e pessoas adultas são compostos de pessoas da classe média baixa: aposentados, trabalhadores informais e formais assalariados, dona de casa, imigrantes e pessoas com deficiências, foram registrado os dados por observação e entrevistas, baseado em um professor da classe e aos matriculados do curso.
O professor diz utilizar os seguintes materiais: Folhas A4, desenhos e letras móveis. O docente utilizou para esses alunos com necessidades especiais letras móveis de madeira.
Os objetivos das atividades propostas foram por modo de placas escritas, receitas médicas, jornais e embalagem de produtos. Os alunos aprenderam cada letra do alfabeto e como escrever os nomes, observou que o desenvolvimento das atividades era silábico ou silábico-alfabético. O professor disse que os aprendizes silábicos e silábico-alfabéticos ainda faltam muito para ser alfabetizado. Os outros alunos por trabalharem, ao final do expediente, vão para escola muito cansados, porém, tem muito interesse no aprendizado, valorizam o tempo que estão na escola.
A alfabetização da pessoa Jovens e da pessoa Adultos são direitos daqueles que foram excluídos da sala de aula por motivo de uma força maior, pelas condições para o trabalho e carga horária de trabalho. Em meados nos anos 80, segundo Soares (2003), as palavras da alfabetização e o alfabetizado eram de significativo consenso entre os profissionais da área da educação. A alfabetização é definida como ensinar e aprender e poder ler e escrever, o alfabetizado era quem aprendia a ler e a escrever.
A ideia de alfabetizar está ligada ao atendimento da linguagem e a forma de ensino escrita. Isso leva muitos anos de estudos com as demandas da sociedade atual, não colocar a alfabetização como somente aprender a ler e a escrever, mas, saber utilizar a leitura e a escrita em diversos meios.
Segundo Delors, (1998), a educação não serve para reunir pessoas mais para responder as questões:
Qual a finalidade do que se pode fazer vivendo juntos? É participação ativa do projeto de vida na sociedade. O objetivo da escola é criar condições para que o aluno possa confiar no professor, pois para que possa ter um bom aprendizado terá que ter essa confiança, é preciso que o professor busque métodos e práticas de ensino renovado e transformado adequando a cada cultura e classe social do aluno.
Uma das práticas bastante assimiladas na formação dos jovens e adultos é incorporar a cultura e a realidade de cada aluno vivenciada no seu dia a dia, para a esse tipo de processo na educação fica evidente que não interfere na convivência do educando no mundo em que vive. Podemos observar que a postura do professor mesmo trabalhando com mais de 30 alunos em sala de uma escola entre eles, alguns em cadeiras de rodas, ele consegue atender todos sem fazer distinção ou descriminação.
O professor orienta os alunos para dividir e organizarem em grupos para que possa haver uma interação entre cada um, um aprendendo com as experiências dos outros e o professor auxiliando nesse conhecimento, sendo um auxiliador. Durante as atividades o professor se movimenta na sala respondendo suas dúvidas e suas perguntas e juntos podem conseguir chegar em um resultado proposto.
Com relação aos alunos com deficiência física, a estratégia do professor é sempre juntar-se com os demais da turma para que suas aprendizagens sejam relevantes como qualquer um dos alunos. Segundo Freire, a sociedade vive dividida em classes sendo que os privilégios de alguns impede que outros usufruam os bens produzidos. Refere-se a dois tipos da pedagogia: a pedagogia dominante, cuja pedagogia existe como práticas da dominação, e a pedagogia dos oprimidos que a formação é realizada como prática de liberdade.
Com vista à situação crítica em que o contexto escolar e o ensinamento e aprendizagem de pessoas jovens e pessoas adultas, considera-se a realidade dos alunos, pois muitos deles não tiveram a oportunidade de estudar, quando ainda estavam na faixa de idade própria para estudar.
ANÁLISES E DISCUSSÕES
Na história de uma educação de pessoas jovens e pessoas adultas nos anos 70 e 80, começou o ensino chamado de supletivo que existia no Brasil (Haddad,1987). Nessa época com surgimentos da indústria e havia a necessidade de muita mão de obra, surgiram as políticas que são públicas pensando na humanidade e na carreira profissional do indivíduo, tinha como valor da igualdade das oportunidade educacionais e para o trabalho, mais eles temiam que vários alunos que frequentavam o ensino regular poderia migrar para o supletivo, por ser em tempo menor, então fizeram a reforma em 1971, elevou-se a idade mínima para o ingresso no supletivo, com idade maior que 15 anos para os matriculados no fundamental e acima de 18 para os matriculados no ensino médio. Construiu um novo conceito da escola que facilitou o acesso à educação básica.
O perfil socioeducacional dos alunos era bem semelhante no curso do supletivo, sendo a maioria jovens, imigrantes e trabalhadores, sempre tinham as suas ocupações com o dia a dia do trabalho e com os estudos, mas esses cursos não adequaram às necessidades desse público, pela ausência de incentivo e da preparação dos professores na utilização da metodologia, como o tempo eram menores a didática do ensino teria que ter uma adequação, não resumindo drasticamente mais um ensino em menor tempo com a mesma eficiência.
A pesquisa recente (Haddad., 2002), permite dizer que uma escola ainda produz a estrutura de desigualdade social, através da evasão e do fracasso escolar. A população de classe baixa continua a dispor de trabalho durante o dia e o ensino da pessoa jovem e da pessoa adulta no noturno, produzindo a canseira e a fadiga, ambos em condições precárias. A escola no turno da noite ficou marginalizada e estendeu as dificuldades do ensino mais agravado, é a última opção para o trabalho dos professores, por ser em áreas periféricas e horários noturnos, ela tornou a última opção para o trabalho dos professores não permitindo a construção de uma identidade com o que é representado a escola. Por outro ponto de vista, a educação de pessoas jovens e pessoas adultas continua com condições precárias, onde estigmatiza com evasão escolar, nota-se de um sistema que é igual e independente e inferior ao sistema do ensino regular.
Muitos dos alunos colocam-se com complexo de inferioridade, notando-se sem capacidade e fracos, a sua visão é de ser preparado pela escola. A maioria é vista como parte do fracasso já que não conseguiram terminar o ensino da educação regular na idade própria e conta com fracasso da escola que já assimilam valores totalmente espalhados em relação à educação regular formal, que veem os supletivos como escolas credenciadoras.
A estatística aponta que nos últimos anos o velho conceito da diminuição do ensino regular pela educação de pessoas jovens e pessoas adulta aponta com efeito que em 1997 a 2001, o ensino médio do regular aumentou em 31,1% das matrículas a educação de pessoas jovens e pessoas adulta aumentou em 152,6% (Gomes, Cameli, Assunção, 2002), a conclusão é que as pessoas do ensino médio e regular estava buscando a educação de pessoas jovens e pessoas adulta por estarem atrasados nos estudos.
Apesar de ter aumentado os alunos, a educação de pessoas jovens e de pessoas adultas ainda representa pouco aumento diante do aumento do ensino de aprendizagem regular, para cada agrupamentos de 50 alunos da modalidade do ensino regular, encontra-se 5 na aprendizagem de pessoas adultas, 90% a mais no ensino que é o regular. De maneira geral, é uma proporção de alunos da educação de pessoas jovens e pessoas adultas que tem sido muito modesta na população nacional, com baixa escolaridade, cuja média dos anos de estudo estão abaixo do mínimo obrigatório.
Pelo atraso crônico de grande parte provocada pelo baixo nível da eficiência para o sistema de ensino e com as altas taxas de reprovação, como também o abandono representa uma perda notável. O Brasil em 2000, tinha 9.424.131 alunos com idades de 15 a 17 anos matriculados na escola no ensino básico e médio, considerando a faixa etária para a população do censo que em 2000 havia 10.702.498 habitantes. A escolarização para a faixa etária seria de 88,1%, próxima dos países que são desenvolvidos. Além disso tudo, a escolarização de grupos de alunos com idade de 18 a 24 anos para a educação básica era de 31,3%. Se todos esses jovens ainda na educação escolar básica tivessem em cursos superiores, eles estariam ultrapassados a meta do correspondente Plano Nacional de Educação para 2011 (Brasil, 2001).
Ao aprofundar o entendimento sobre os públicos do ensino regular e da Educação de Jovens e Adultos (EJA), observa-se que, embora a idade ideal para conclusão do ensino médio seja de 17 anos, mais da metade dos estudantes encontra-se em situação de defasagem. Além disso, é possível perceber que grande parte desses alunos se aproxima da idade mínima legal para finalizar essa etapa, o que pode justificar a estabilidade numérica da EJA no período analisado, com indícios de possível queda ao final, sugerindo que essa modalidade possa estar assumindo esse papel. No ensino médio, os altos índices de repetência e evasão se acumulam, refletindo características comuns de sistemas educacionais com ampla inclusão, mas que enfrentam desafios significativos quanto à eficiência e à qualidade.
Verificou-se que 81,8% dos estudantes participantes da pesquisa demonstraram uma concepção “reducionista” sobre o meio ambiente, enquanto apenas 9,2% apresentaram uma visão “abrangente”. Conforme ilustrado nas citações presentes na Tabela 2, muitos alunos não se reconhecem como parte integrante do meio ambiente, enxergando-o como algo externo e separado do ser humano. Essa perspectiva tende a valorizar excessivamente os elementos naturais em detrimento da presença humana e de suas atividades.
Esses achados são consistentes com alguns estudos similares, embora não tenham sido identificadas na literatura pesquisas que abordem especificamente a percepção ambiental de pessoas jovens e pessoas adultas do ensino fundamental. Um exemplo é o trabalho de Hoefel et al. (2004), que analisou as concepções sobre natureza e sustentabilidade entre moradores dos municípios de Piracaia e Nazaré Paulista, na Região Bragantina, no estado de São Paulo. Nesse estudo, os autores observaram que a percepção de meio ambiente estava majoritariamente associada a uma visão conservacionista da natureza.
No presente estudo, foi possível observar, em diversas situações, uma discrepância entre o conteúdo escrito pelos alunos e a imagem selecionada por eles como representação de suas ideias. Quando solicitados a escolher, entre cinco imagens, aquela que melhor expressava sua concepção de meio ambiente, notou-se uma mudança significativa nos resultados. A quantidade de alunos com uma visão “reducionista” do meio ambiente, que anteriormente era de 81,8% com base nas respostas discursivas, caiu para 42,4%. Por outro lado, a porcentagem de estudantes que demonstraram uma concepção “abrangente” aumentou de 9,2% para 30,3%.
Neste estudo, também foi feita aos alunos a pergunta sobre a frequência com que os docentes abordam a temática ambiental em uma sala de aula. Essa questão foi considerada relevante, tendo em vista a importância atribuída à inserção do tema como conteúdo transversal nos Parâmetros Curriculares Nacionais (PCNs), especialmente diante da crescente urgência das questões ambientais na sociedade contemporânea.
De acordo com os dados apresentados, verificou-se que o tema ambiental é trabalhado pelos professores com média ou alta frequência. Esse dado pode reforçar a hipótese de que a concepção dos alunos é, em parte, influenciada pela visão dos próprios docentes — embora as percepções dos professores não tenham sido objeto direto desta investigação. Vale destacar que uma abordagem ecológica do meio ambiente, ao ser transmitida aos alunos, tende a favorecer uma compreensão “reducionista” do conceito ambiental.
De toda forma, é fundamental adotar estratégias específicas na condução de atividades e dinâmicas voltadas à Educação Ambiental para pessoas jovens e adultos. Segundo Curvello & Latini (2007), esse público possui características particulares, para que é composto majoritariamente por adultos trabalhadores em busca de maior integração social e melhor qualidade de vida, além de jovens que, em muitos casos, não obtiveram êxito no ensino regular. Frequentemente, observa-se entre esses alunos uma desmotivação para uma aprendizagem, o que se reflete na dificuldade de compreensão dos conteúdos abordados na sala de aula.
Diante disso, cabe ao educador estabelecer vínculos entre os conteúdos trabalhados e as vivências pessoais dos alunos, respeitando suas trajetórias e contextos culturais. A proposta não é substituir concepções anteriores por novas ideias de forma impositiva, mas promover um espaço de diálogo e construção conjunta de significados, onde diferentes visões culturais possam se encontrar em um processo de crescimento mútuo.
Além disso, como destaca Canen (1999), as práticas pedagógicas voltadas a estudantes da educação de jovens e adultos devem contribuir para o fortalecimento da autoestima e da construção da identidade desse público. Embora a Educação Ambiental esteja prevista como tema transversal nos Parâmetros Curriculares Nacionais (PCNs) para todos as modalidades de ensino, abordagens sistêmicas e holísticas ainda são raramente aplicadas, ou quando o são, não consideram as especificidades dos alunos da EJA de forma adequada.
O ESTIGMA PARA UMA EDUCAÇÃO DE JOVENS E ADULTOS
Para compreender melhor essa questão, foi realizada uma pesquisa exploratória por meio de grupos focais em dois estabelecimentos da rede pública de Belo Horizonte, ambos de grande porte e reconhecida reputação. O primeiro, voltado exclusivamente para o ensino médio regular, está localizado no bairro Monte Verde; o segundo, dedicado à Educação de Jovens e Adultos (EJA) nos níveis fundamental e médio, situa-se no bairro Planalto.
Foram formados três grupos, sendo os participantes selecionados aleatoriamente pelas próprias unidades escolares. No caso da escola de ensino regular, a escolha contou com o apoio da coordenação pedagógica. Um dos critérios de seleção foi a experiência prévia dos alunos com a EJA. Em ambos os contextos, a participação foi bastante positiva, com os alunos demonstrando grande interesse em compartilhar suas vivências.
Os resultados da pesquisa não têm caráter representativo e, portanto, não podem ser generalizados, mas servem como base para sugestões de investigações futuras, com escopo mais amplo. Os grupos focais com alunos da EJA foram compostos, em sua maioria, por trabalhadores-estudantes, cujas atividades laborais eram frequentemente exercidas nas proximidades da escola.
Assim como indicado em estudos anteriores, os participantes tinham, em sua maioria, entre 25 e 50 anos de idade. Muitos haviam passado pela escolarização regular, mas apresentavam um histórico marcante de reprovações e abandono escolar, o que gerou defasagem idade-série. Entre os motivos para essa trajetória estavam a falta de oportunidades educacionais na região onde residiam, a proibição por parte dos maridos no caso das mulheres, a inadequação das instituições escolares, além de questões atribuídas à “falta de interesse ou esforço”. A maioria dos alunos exercia atividades braçais ou manuais, o que, de maneira geral, reflete tanto o perfil socioeconômico desses estudantes quanto o alto nível de dependência do ensino público de nível médio em Belo Horizonte. (Cavalcante, 2002), além de eventuais exigências educacionais impostas pelo mercado de trabalho.
Entre as desvantagens apontadas, os participantes da pesquisa reconheceram que o ensino individualizado apresentava limitações. Muitos relataram insatisfação com professores que não seguiam o modelo tradicional de ensino, reclamando de cansaço, falta de atenção por parte de alguns docentes e do fato de não fornecerem respostas prontas, estimulando em vez disso a pesquisa autônoma. Nessa dinâmica, o aprendizado dependia fortemente da iniciativa e esforço dos próprios alunos, além do apoio entre colegas.
Uma das questões mais críticas observadas foi que, embora a aprovação fosse facilitada, essa mesma facilidade acabava gerando um estigma para quem obtinha o diploma por essa via. A escola não oferecia preparação adequada para os processos seletivos de ingresso no ensino superior, tampouco para concursos públicos, nem fornecia acesso a cursos preparatórios. Isso dificultava a realização de sonhos como o ingresso em uma universidade pública e gratuita.
A percepção social negativa era notada por diversos estudantes, inclusive no ambiente de trabalho. Um dos relatos foi: “Quem faz supletivo é rotulado e acaba com um histórico ruim perante os outros. O conteúdo oferecido na escola não garante um bom emprego; vai depender do esforço individual. Não dá para assimilar tudo o que seria necessário. Quem faz supletivo está sempre atrás de quem cursa o ensino regular. Tenho medo de não conseguir competir em um concurso público.”
Outras dificuldades citadas incluíam a falta de disciplina de alguns colegas, o desinteresse de parte dos alunos, comportamentos inadequados, carências na infraestrutura e até reclamações sobre a venda de materiais escolares a preços similares aos do comércio local. Apesar dos desafios, a maioria dos participantes revelou gostar da instituição e demonstrava uma visão relativamente positiva sobre o futuro, com o desejo de continuar os estudos.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
A Formação dos Jovens e Adultos é uma ferramenta poderosa de transformação social, pois permite que milhares de pessoas retomem seus estudos, reconstruam projetos de vida e fortaleçam sua autonomia. No contexto escolar, é de grande importância que educadores e gestores compreendam as especificidades desse público, respeitando suas vivências, ritmos e motivações. Valorizar a formação dos jovens e adultos é reconhecer que na educação deve-se ser inclusiva e contínua ao longo da vida, sem restringir-se à infância e adolescência. Investir em políticas públicas, formação docente e metodologias adequadas é um passo essencial para garantir que o direito à educação seja, de fato, universal. Assim, a escola se consolida como espaço de acolhimento, reconstrução de saberes e dignidade.
Vivemos em uma sociedade letrada, mesmo com pessoas jovens e pessoas adultas que nunca frequentaram a escola possuem algum conhecimento sobre a escrita e, principalmente, reconhecem sua importância, pois sentem na pele as consequências da exclusão por não serem alfabetizados.
Nesta pesquisa, realizada em uma sala de alfabetização de pessoas jovens e pessoas adultas, foi possível perceber claramente o quanto os alunos valorizam a oportunidade de participar de um processo de ensino e aprendizagem no qual sentem que, de fato, estão aprendendo. Observou-se também a complexidade do trabalho docente nesse contexto, especialmente devido às diferentes velocidades de aprendizagem entre os alunos. Compreender a prática do professor que atua especificamente na formação dos jovens e adultos é essencial para entender as particularidades desse tipo de ensino e para planejar intervenções que visem garantir uma educação de qualidade — que assegure acesso, permanência e a aquisição de conhecimentos fundamentais para a vida e o trabalho —, contribuindo efetivamente para a inclusão social e o pleno exercício da cidadania.
A formação dos jovens e adultos já obteve importantes conquistas, mas a formação de professores reflexivos, comprometidos com sua prática pedagógica e em constante busca por metodologias que promovam aprendizagens significativas, é fundamental para que esse segmento educacional alcance plenamente seus objetivos.
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