Adolescentes vivendo com HIV: Percepções sobre a condição de saúde e desafios na adesão à terapia antirretroviral

ADOLESCENTS LIVING WITH HIV: PERCEPTIONS OF HEALTH CONDITION AND CHALLENGES IN ADHERENCE TO ANTIRETROVIRAL THERAPY

ADOLESCENTES QUE VIVEN CON VIH: PERCEPCIONES SOBRE LA CONDICIÓN DE SALUD Y DESAFÍOS EN LA ADHERENCIA A LA TERAPIA ANTIRRETROVIRAL

Autor

URL do Artigo

https://iiscientific.com/artigos/0536FD

DOI

doi.org/10.63391/0536FD

Silva , Anderson Batista da . Adolescentes vivendo com HIV: Percepções sobre a condição de saúde e desafios na adesão à terapia antirretroviral. International Integralize Scientific. v 5, n 48, Junho/2025 ISSN/3085-654X

Resumo

Este estudo objetivou identificar as percepções de adolescentes vivendo com HIV sobre sua condição de saúde e os desafios enfrentados para adesão à terapia antirretroviral. Trata-se de uma revisão integrativa da literatura, com busca nas bases MEDLINE, LILACS e BDENF, no período de 2020 a 2025. Foram incluídos oito estudos que abordam a vivência com HIV na adolescência, revelando a presença de estigma, dificuldades com a revelação do diagnóstico, barreiras nos serviços de saúde e influência do suporte social e emocional na adesão ao tratamento. Os resultados reforçam a importância de estratégias integradas de cuidado, com foco no acolhimento, escuta e continuidade do acompanhamento dos adolescentes vivendo com HIV.
Palavras-chave
adolescente; HIV; terapia antirretroviral; enfrentamento; saúde pública.

Summary

This study aimed to identify the perceptions of adolescents living with HIV about their health condition and the challenges they face in adhering to antiretroviral therapy. It is an integrative literature review, with a search conducted in the MEDLINE, LILACS, and BDENF databases, covering the period from 2020 to 2025. Eight studies were included, addressing the experience of living with HIV in adolescence and revealing stigma, difficulties in disclosing the diagnosis, barriers in health services, and the influence of social and emotional support on treatment adherence. The results reinforce the importance of integrated care strategies focused on welcoming, listening, and continuous follow-up for adolescents living with HIV.
Keywords
adolescent; HIV; antiretroviral therapy; coping; public health.

Resumen

Este estudio tuvo como objetivo identificar las percepciones de los adolescentes que viven con VIH sobre su condición de salud y los desafíos para la adhesión a la terapia antirretroviral. Se trata de una revisión integradora de la literatura, con búsqueda en las bases de datos MEDLINE, LILACS y BDENF, en el período de 2020 a 2025. Se incluyeron ocho estudios que abordan la vivencia del VIH en la adolescencia, revelando la presencia de estigma, dificultades en la revelación del diagnóstico, barreras en los servicios de salud e influencia del apoyo social y emocional en la adhesión al tratamiento. Los resultados refuerzan la importancia de estrategias de cuidado integradas, centradas en la acogida, la escucha y el acompañamiento continuo a los adolescentes que viven con VIH.
Palavras-clave
adolescente; VIH; terapia antirretroviral; afrontamiento; salud pública.

INTRODUÇÃO 

Nas últimas décadas, os avanços no tratamento do HIV proporcionaram significativas melhorias na qualidade de vida e na expectativa de vida das pessoas vivendo com o vírus. Apesar disso, os números ainda preocupam: em 2022, 1,3 milhão de novas infecções foram registradas e cerca de 630 mil pessoas morreram por causas relacionadas à AIDS no mundo. Estima-se que 39 milhões de pessoas vivem atualmente com o HIV, segundo o relatório global mais recente do UNAIDS (2023).

No Brasil, embora a taxa geral de detecção de novos casos esteja relativamente estabilizada, dados recentes apontam um aumento proporcional entre adolescentes e jovens, especialmente do sexo masculino. Entre 2007 e junho de 2023, foram registrados mais de 541 mil casos de HIV, com destaque para a faixa etária de 15 a 19 anos, onde a taxa de detecção atinge 6,1 casos por 100 mil habitantes entre meninos e 2,7 entre meninas, com variações regionais significativas (Brasil, 2023).

Entre os jovens, os fatores de risco mais associados à infecção incluem início precoce da vida sexual, múltiplos parceiros, uso inconsistente de preservativos, baixa escolaridade e contextos de vulnerabilidade social. Além disso, o estigma e o preconceito dificultam o acesso aos serviços e contribuem para o abandono do tratamento, especialmente entre adolescentes em processo de descoberta e aceitação da própria condição de saúde (Melo; Santos; Ferreira, 2022).

A adolescência, por si só, é marcada por intensas transformações biopsicossociais, exigindo adaptações emocionais e sociais. Quando atravessada por uma condição crônica como o HIV, essa etapa se torna ainda mais complexa, pois envolve medos, inseguranças e dificuldades para lidar com o diagnóstico, principalmente quando este é descoberto precocemente ou na transição para a vida adulta (Sousa et al., 2021).

As diretrizes clínicas atualizadas do Ministério da Saúde reforçam a importância da testagem precoce, da revelação do diagnóstico com apoio profissional e da imediata introdução da terapia antirretroviral (TARV), independentemente da contagem de CD4. Ainda assim, obstáculos estruturais e subjetivos dificultam a adesão ao tratamento, como a descontinuidade do cuidado, o despreparo dos profissionais para lidar com adolescentes e a falta de suporte psicossocial contínuo (Brasil, 2021).

Frente a esse cenário, torna-se essencial compreender como os adolescentes vivenciam a condição de viver com HIV, suas percepções sobre saúde e os fatores que favorecem ou dificultam a adesão à TARV. O presente estudo tem como objetivo identificar evidências científicas recentes acerca das percepções dos adolescentes vivendo com HIV sobre sua condição de saúde e os mecanismos de enfrentamento utilizados para adesão ao tratamento, com base em uma revisão integrativa da literatura publicada entre os anos de 2020 e 2025.

METODOLOGIA

Este estudo é de abordagem descritiva, pautado no método de revisão integrativa da literatura. Essa modalidade tem como principal objetivo a análise crítica e sistemática das evidências disponíveis sobre determinado tema, permitindo identificar o estado atual do conhecimento, bem como lacunas que justifiquem pesquisas futuras (Souza; Silva; Carvalho, 2021).

Foram estabelecidos os seguintes critérios de inclusão: a) estudos publicados entre os anos de 2020 e 2025, em periódicos indexados em língua portuguesa, inglesa ou espanhola; b) que abordem a percepção, os sentimentos e o enfrentamento de adolescentes vivendo com HIV; c) que apresentem dados relacionados à adesão à terapia antirretroviral; d) que estejam disponíveis gratuitamente em texto completo; e) estudos de natureza primária.

Os critérios de exclusão adotados foram: a) artigos duplicados (mesmo conteúdo identificado em mais de uma base de dados), que foram contabilizados uma única vez; b) estudos que não apresentavam relação direta com o tema central da pesquisa; c) publicações anteriores a 2020.

A coleta de dados ocorreu entre os meses de abril e maio de 2025, por meio das bases de dados Literatura Latino-Americana e do Caribe em Ciências da Saúde (LILACS), Medical Literature Analysis and Retrieval System Online (MEDLINE) e Banco de Dados de Enfermagem (BDENF), por meio da Biblioteca Virtual em Saúde (BVS). As estratégias de busca utilizaram os descritores controlados: “Adolescentes”, “Terapia Antirretroviral”, “HIV”, “Condições de Saúde” e “Estratégias de Enfrentamento”, combinados com operadores booleanos AND e OR.

Para seleção dos estudos que compuseram a amostra, foi realizada leitura dos títulos e resumos, seguida da leitura integral dos textos completos. Ao final do processo, foram selecionados 8 artigos que atendiam aos critérios previamente definidos, os quais compuseram a amostra final analisada neste estudo.

Quadro 1 – Fluxograma de seleção dos artigos incluídos na revisão integrativa (2025)

Fonte: Dados da Pesquisa (2025). 

RESULTADOS E DISCUSSÕES

A seguir apresenta-se os resultados e as discussões sobre a temática em questão considerando o estudo integral dos 8 artigos selecionados. Nesta seção a discussão foi atrelada às evidências encontradas, fazendo uma síntese crítica do que os autores apresentaram, bem como a visão crítica e acadêmica dos pesquisadores para perspectivas de pesquisas futuras.

CARACTERIZAÇÃO DOS ESTUDOS

Após a leitura na íntegra dos textos selecionados, 8 estudos compuseram a amostra final desta revisão integrativa. Os critérios de seleção permitiram a inclusão de pesquisas desenvolvidas majoritariamente no Brasil, publicadas entre 2020 e 2025, com delineamento qualitativo, quantitativo ou misto. A maioria dos estudos explorou dimensões psicossociais da vivência com HIV na adolescência, considerando a influência do suporte familiar, estigmas sociais, revelação do diagnóstico e desafios à adesão ao tratamento antirretroviral.

O quadro 2,  a seguir apresenta os estudos identificados com título, primeiro autor, ano de publicação, periódico e base de dados:

Quadro 2 – Estudos primários identificados nesta revisão integrativa

Fonte: Dados da pesquisa (2025)

SÍNTESE DA REVISÃO INTEGRATIVA

A análise dos estudos revelou contribuições relevantes sobre as percepções dos adolescentes vivendo com HIV, com destaque para os fatores que influenciam a adesão ao tratamento, o papel do suporte social, o impacto do estigma e os desafios enfrentados nos serviços de saúde. A maioria dos trabalhos é de natureza qualitativa e destaca vivências subjetivas complexas, associadas à aceitação do diagnóstico, à relação com os profissionais de saúde e ao enfrentamento cotidiano da doença.

No quadro a seguir, apresenta-se os objetivos e principais resultados evidenciados nos trabalhos, assim, em relação ao desenho de estudo, são qualitativos, e quantitativos, A avaliação do desenho de estudo, como objetivos e resultados principais são importantes para identificar em qual direção o estudo foi considerado. 

Quadro 3 – Síntese dos principais resultados dos estudos relacionados ao tema

Fonte: Dados da pesquisa (2025)

DISCUSSÃO 

Os estudos analisados revelam que adolescentes vivendo com HIV enfrentam múltiplos desafios que interferem diretamente na adesão à terapia antirretroviral (TARV), sendo o estigma um dos fatores mais citados, tanto de forma externa quanto internalizada. A investigação de Ferreira et al. (2022), mostrou que o estigma internalizado compromete a autoestima dos adolescentes, gerando sentimentos de vergonha e isolamento social, o que afeta diretamente a continuidade do tratamento.

Esse achado dialoga com Oliveira et al. (2021), que demonstraram que a revelação tardia do diagnóstico contribui para dificuldades no engajamento e compreensão da necessidade do tratamento, atrasando o desenvolvimento do autocuidado e da autonomia. Complementando essa perspectiva, Lima et al. (2021), identificaram que o momento da revelação do diagnóstico é frequentemente marcado por reações negativas como medo e revolta, mas também pode representar um ponto de inflexão no fortalecimento da responsabilidade pessoal com a saúde.

A influência do suporte social é recorrente nos estudos. Ribeiro et al. (2020), reforçaram que vínculos familiares e escolares fortalecem o autocuidado, enquanto Mendes et al. (2022), apontaram que o apoio emocional, religioso e psicológico é essencial no enfrentamento inicial do diagnóstico, especialmente para adolescentes em maior vulnerabilidade social.

No âmbito dos serviços de saúde, a descontinuidade no acompanhamento e a baixa qualidade do vínculo com os profissionais são barreiras centrais. Silva et al. (2024), destacaram que a rotatividade das equipes e a ausência de escuta empática fragilizam a confiança do adolescente no cuidado. Essa crítica é também evidenciada por Martins et al. (2023), que apontaram a importância da presença de profissionais de referência e da atuação articulada da Atenção Primária à Saúde na promoção da adesão à TARV.

Além disso, as dificuldades práticas com o uso contínuo da medicação — como os efeitos colaterais, os horários e o desânimo — foram amplamente relatadas pelos participantes do estudo de Santos et al. (2023), que apontaram o quanto essas questões podem ser minimizadas quando há suporte institucional e familiar estruturado.

Ao articular os achados dos oito estudos, observa-se que a vivência do adolescente com HIV está entrelaçada a múltiplas dimensões: individual, familiar, institucional e social. Os fatores que favorecem a adesão à TARV são complexos e envolvem a aceitação do diagnóstico, o acesso a informações claras, a qualidade da relação com os profissionais de saúde e o suporte emocional. A ausência de qualquer um desses elementos pode comprometer o tratamento, acentuando as vulnerabilidades já presentes.

Dessa forma, os estudos apontam para a necessidade urgente de políticas públicas que promovam a formação continuada das equipes de saúde para lidar com a especificidade da adolescência, além de estratégias que garantam confidencialidade, vínculo e acompanhamento psicossocial contínuo nos serviços.

CONSIDERAÇÕES FINAIS 

A presente revisão integrativa permitiu identificar e analisar evidências recentes sobre as percepções de adolescentes vivendo com HIV e os principais desafios relacionados ao enfrentamento da condição de saúde e à adesão à terapia antirretroviral. Os estudos analisados evidenciam que a adolescência, por si só uma fase de intensas transformações, torna-se ainda mais complexa quando atravessada por uma condição crônica como o HIV.

Entre os elementos centrais encontrados, destacam-se o impacto do estigma — tanto social quanto internalizado —, a importância do suporte familiar e social, e o papel estratégico dos serviços de saúde, especialmente da Atenção Primária, na garantia do cuidado longitudinal e acolhedor. A revelação do diagnóstico, quando conduzida de forma sensível e com apoio, pode favorecer o fortalecimento do autocuidado e a responsabilização do adolescente sobre sua saúde. Por outro lado, a ausência de preparo das equipes de saúde, aliada à descontinuidade do vínculo e à fragilidade do apoio psicossocial, configura-se como um obstáculo relevante à adesão ao tratamento.

A análise dos oito estudos permitiu ainda identificar que a TARV, embora amplamente disponível no Brasil, continua sendo um desafio cotidiano para muitos adolescentes, exigindo mais do que prescrição: requer acompanhamento próximo, empatia, diálogo e ações integradas entre saúde, educação e comunidade.

Dessa forma, destaca-se a necessidade de investimentos contínuos em estratégias de cuidado centradas na singularidade do adolescente, considerando suas vivências, contextos sociais e emocionais, bem como a capacitação permanente das equipes multiprofissionais. A construção de uma abordagem integral e intersetorial pode representar um avanço significativo na superação das barreiras que ainda dificultam a adesão plena ao tratamento e a promoção da saúde dos adolescentes que vivem com HIV.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

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Silva , Anderson Batista da . Adolescentes vivendo com HIV: Percepções sobre a condição de saúde e desafios na adesão à terapia antirretroviral.International Integralize Scientific. v 5, n 48, Junho/2025 ISSN/3085-654X

Referencias

Vivian Caroline Coraucci.
BAILEY, C. J.; LEE, J. H.
Management of chlamydial infections: A comprehensive review.
Clinical infectious diseases.
v. 67
n. 7
p. 1208-1216,
2021.
Disponível em: https://academic.oup.com/cid/article/67/7/1208/6141108.
Acesso em: 2024-09-03.

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