Problemáticas na alfabetização nas séries iniciais

LITERACY PROBLEMS IN THE EARLY GRADES

PROBLEMAS DE ALFABETIZACIÓN EN LOS PRIMEROS GRADOS

Autor

URL do Artigo

https://iiscientific.com/artigos/5C47B9

DOI

doi.org/10.63391/5C47B9

Almeida , Luana Rodrigues de . Problemáticas na alfabetização nas séries iniciais. International Integralize Scientific. v 5, n 48, Junho/2025 ISSN/3085-654X

Resumo

O presente estudo tem como objetivo analisar os principais problemas enfrentados no processo de alfabetização nas séries iniciais. Foi realizado um estudo qualitativo através de uma revisão bibliográfica das obras de autores como Freire, Soares e Vygotsky. A análise mostrou que as maiores dificuldades estavam relacionadas à falta de formação dos professores, ao uso de métodos tradicionais, à falta de recursos pedagógicos e ao impacto de fatores socioeconômicos e emocionais no desenvolvimento dos alunos. Além disso, a falta de políticas públicas eficazes e as avaliações centradas apenas em resultados quantitativos foram identificadas como fatores que afetam a qualidade da alfabetização. Concluiu-se que a integração da escola, da família e da sociedade e a utilização de métodos pedagógicos atualizados e centrados no aluno são essenciais para garantir um processo de alfabetização mais eficaz e significativo.
Palavras-chave
alfabetização; letramento; séries iniciais; dificuldades de aprendizagem; formação docente.

Summary

This study aims to analyze the main problems faced in the literacy process in the early grades. A qualitative study was conducted through a bibliographic review of the works of authors such as Freire, Soares and Vygotsky. The analysis showed that the greatest difficulties were related to the lack of teacher training, the use of traditional methods, the lack of pedagogical resources and the impact of socioeconomic and emotional factors on student development. In addition, the lack of effective public policies and assessments focused only on quantitative results were identified as factors that affect the quality of literacy. It was concluded that the integration of school, family and society and the use of updated pedagogical methods centered on the student are essential to ensure a more effective and meaningful literacy process.
Keywords
literacy; literacy; early childhood education; learning difficulties; teacher training.

Resumen

Este estudio busca analizar los principales problemas que enfrenta el proceso de alfabetización en los primeros grados. Se realizó un estudio cualitativo mediante una revisión bibliográfica de las obras de autores como Freire, Soares y Vygotsky. El análisis mostró que las mayores dificultades se relacionaron con la falta de formación docente, el uso de métodos tradicionales, la falta de recursos pedagógicos y el impacto de factores socioeconómicos y emocionales en el desarrollo del alumnado. Además, se identificaron la falta de políticas públicas efectivas y evaluaciones centradas únicamente en resultados cuantitativos como factores que afectan la calidad de la alfabetización. Se concluyó que la integración de la escuela, la familia y la sociedad, y el uso de métodos pedagógicos actualizados centrados en el alumnado, son esenciales para garantizar un proceso de alfabetización más efectivo y significativo.
Palavras-clave
alfabetización; lectoescritura; series iniciales; dificultades de aprendizaje; formación del profesorado.

INTRODUÇÃO

O tema deste estudo diz respeito à alfabetização nas séries iniciais, uma questão que permanece no centro da educação brasileira. Alfabetizar é mais do que ensinar a decodificar palavras, é também ensinar aos alunos que a linguagem é uma prática social que permite sua plena inserção na sociedade. Apesar dos avanços teóricos e das orientações da Base Nacional Comum Curricular (BNCC), ainda são muitos os desafios no processo de alfabetização, principalmente nas escolas públicas, onde há significativas diferenças sociais, econômicas e culturais.

A relevância deste estudo reside no fato de que a alfabetização é um direito fundamental e uma etapa decisiva para a formação de cidadãos críticos e capacitados para interagir, compreender e modificar suas condições de vida. No entanto, inúmeros alunos ingressam no ensino básico sem terem adquirido competências de alfabetização suficientes durante vários anos, o que compromete todo o seu percurso acadêmico e social. Refletir sobre as dificuldades enfrentadas nesse processo é essencial para propor métodos de ensino mais eficazes.

O objetivo geral deste estudo foi analisar os principais desafios e problemas enfrentados no processo de alfabetização nas séries iniciais. O objetivo específico foi compreender os fatores pedagógicos, sociais e estruturais que influenciam a aprendizagem da leitura e da escrita e discutir alternativas para a melhoria desse processo nas escolas.

Nesse sentido, a questão que norteou este estudo foi: quais são os principais desafios enfrentados no processo de alfabetização nas séries iniciais e como eles afetam a aprendizagem dos alunos? Essa pergunta teve como objetivo orientar a reflexão sobre as práticas pedagógicas e os fatores externos que impedem o alcance da alfabetização.

A justificativa de ser desta investigação reside na necessidade de reconhecer que a alfabetização não deve ser vista como um processo puramente mecânico, mas como uma prática social, cultural e significativa. Além disso, a proporção persistentemente alta de crianças com habilidades insuficientes de alfabetização ao final do ciclo de alfabetização reforça a urgência de aprofundar essa discussão e propor caminhos em prol de uma educação de qualidade, inclusiva e transformadora.

Metodologicamente, este trabalho caracterizou-se por uma pesquisa qualitativa por meio de revisão bibliográfica. Utilizaram-se livros, artigos científicos e documentos oficiais que tratam de questões relacionadas à alfabetização, ao letramento, às práticas pedagógicas e ao desenvolvimento infantil. Analisaram-se os dados com base numa leitura dos autores selecionados, procurando compreender as diferentes perspectivas sobre o tema e a sua contribuição para a melhoria das práticas de ensino da alfabetização.

REVISÃO DA LITERATURA

CONCEITOS DE ALFABETIZAÇÃO E LETRAMENTO

O conceito de alfabetização não mudou ao longo do tempo desde a década de 1980, mas a maneira como a leitura e a escrita são ensinadas mudou, não mais apenas ensinando um código, mas como usar esse código na prática social do uso da linguagem. A alfabetização é geralmente entendida como a capacidade das pessoas de dominar pelo menos um método de escrita, e os dicionários tradicionais refletem esse entendimento. Como a alfabetização é um processo complexo, os professores devem estar preparados para lidar com ele, e sua prática muitas vezes se limita a ensinar substantivos e negritos (Ribeiro, 2018).

Embora o conceito de alfabetização tenha permanecido inalterado desde a década de 1980, o que mudou no ensino da leitura e da escrita é que não é mais suficiente ensinar a codificação, mas também ensinar como usar essa codificação nas práticas sociais de uso da linguagem. Desde então, surgiu outro conceito, o de alfabetização. O ensino não deveria ter como objetivo apenas a decodificação, sendo a principal função da escola ensinar as crianças a reconhecer letras, nomeá-las e estabelecer sistematicamente a relação entre letras e fonemas, mas sim iniciar a alfabetização mecânica, ou seja, ensinar a leitura sem sentido, isto é, ler um texto sem atribuir significado a ele (Antunes, 2016).

Freire (2015), argumenta que o conceito de alfabetização é mais amplo do que o domínio de códigos escritos. Em sua opinião, a leitura do mundo precede a leitura das palavras. Com base na antropologia, ele ressalta que os seres humanos do passado eram capazes de ler o mundo em que viviam antes de criar códigos linguísticos. Portanto, dar sentido aos métodos de leitura é fundamentalmente aprender a ler por meio da leitura e aprender a escrever por meio da escrita, pois quando um adulto ou uma criança entende o que está sendo lido, ele se apropria disso.

Ela também explica que a alfabetização tem um significado específico: “o processo de aquisição de códigos escritos, habilidades de leitura e escrita”. Ela também acrescenta que uma pessoa não pode ser considerada “alfabetizada” se puder apenas decodificar símbolos visuais a partir de símbolos sonoros, como “ler” sílabas isoladas; nem pode ser considerada “alfabetizada” se não puder usar corretamente o sistema ortográfico de seu idioma ao se expressar por escrito (Soares, 2020, p. 16).

BNCC E AS DIRETRIZES PARA O ENSINO

Em 20 de dezembro de 1996, foi publicada a Lei 9.394, cujo artigo 26.º trata das bases comuns da educação básica no Brasil. No entanto, só em 2014 se iniciou a ação de criação da Base Nacional Comum Curricular (BNCC), cuja primeira edição foi lançada em 2015. Após o lançamento da primeira versão, a BNCC foi alvo de três revisões, a segunda em 2016 e a terceira versão atual aprovada a 14 de dezembro de 2018 (Brasil, 2018).

A BNCC foi criada por pessoas que entendem de diversas áreas do conhecimento para adequar os planos de estudos dos sistemas e locais de ensino das unidades federativas, seguindo as normas e fundamentos da Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB, Lei 9.394/1996):

Art. 26. Os programas da educação infantil, do ensino fundamental e do ensi͏no médio devem ter uma base comum nacional, uzada por partes diferentes em cada sistema de ensino e em cada escola, com base em características sociais, culturais, econômicas e regionais locais dos estudantes (LDB, 1996).

De acordo com o site oficial da BNCC:

A base define os conhecimentos, as habilidades e as competências que todos os alunos devem adquirir ao longo do ciclo da educação básica (Brasil, 2018, p. 15).

Para alcançar maior equidade e garantir um nível igualitário de educação básica no Brasil, a BNCC lista dez habilidades comuns que todo aluno deve adquirir durante as três etapas da educação básica (Educação Infantil, Ensino Fundamental e Ensino Médio). A BNCC trabalha a parte da língua portuguesa, relacionando os textos ao local onde foram escritos e desenvolvendo as habilidades para usar a língua de forma eficaz na leitura, audição e produção de textos em diferentes mídias (Brasil, 2018).

DESAFIOS SOCIAIS E PEDAGÓGICOS

Por outro lado, a alfabetização é um termo que tem sido muito utilizado nos últimos anos. Mas agora é considerado um termo comum. Por outro lado, embora ainda não seja tão bem compreendido aqui ou no Brasil, vivemos em um momento em que a alfabetização está mudando tão rapidamente que não se sabe para onde está indo. Essa conversa precisa ser abordada com cautela (Hannon, 2018).

Como muitas dessas habilidades foram desenvolvidas e um grau de autonomia está vinculado às práticas linguísticas previstas, essas habilidades começam a ser apresentadas de forma próxima às exigências da prática social, muitas vezes misturando escuta, anotações, leitura e fala ao mesmo tempo. A alfabetização é a base para a participação efetiva na sociedade, pois é por meio dela que as pessoas se comunicam, acessam informações, expressam e defendem ideias, geram conhecimento, e é tarefa do professor proporcionar aos alunos o ambiente e os meios necessários para a construção desse conhecimento (Cerigatto; Casarin, 2017).

Lotsch (2016), afirma que a relação entre a palavra escrita e o sistema significado-símbolo é uma operação cognitiva que envolve processos específicos de codificar, decodificar, perceber, lembrar, traduzir e atribuir significado. Para que as crianças se tornem alfabetizadas, devem dominar a codificação acima referida, uma vez que a alfabetização e o letramento são processos diferentes, mas complementares no ensino da alfabetização. Por isso, ambos são importantes no processo de ensino e aprendizagem da iniciação alfabética. A alfabetização é mais do que a ordem alfabética, porque alfabetizar significa ensinar a ler e a escrever no contexto de vida dos alunos, e estes devem utilizar e participar nessas atividades.

A alfabetização permite que os alunos interajam não só com a sociedade, mas também com outras disciplinas. Apesar de ser alfabetizada, uma pessoa pode não ser letrada; por outras palavras, precisa de ter a oportunidade e a capacidade de se mover num mundo letrado. Muitas pessoas são analfabetas funcionais, pois apenas sabem decodificar a leitura e a escrita, mas não a utilizam como função social (Lotsch, 2016, p. 44). 

A alfabetização é entendida como um caminho para o letramento. Uma pessoa alfabetizada é aquela que conhece a palavra escrita e é capaz de ler e escrever, portanto, há uma necessidade de ampliar esse conhecimento e o indivíduo precisa entender o significado do texto. A alfabetização refere-se à aquisição de habilidades por meio da leitura, da escrita e do que é conhecido como prática de linguagem, ou seja, a aquisição da escrita. Essa aquisição geralmente ocorre por meio do processo de escolarização e, portanto, é formalmente ensinada. Portanto, a alfabetização pertence ao domínio pessoal (Tfouni, 2018).

Percebe-se que um dos principais desafios do processo educacional na atualidade é garantir que as crianças sejam empoderadas para aprender a ler e escrever e, assim, participar do mundo da escrita. Nesse contexto, o processo de alfabetização pode ser visto como uma etapa muito importante e fundamental na vida social e escolar dos alunos, como um processo de ensino ou aprendizagem da leitura e da escrita, bem como um resultado da ação dessas habilidades como prática social (Vieira; Aparício, 2020).

De acordo com Freire (2015), a leitura e a escrita carregam a bagagem de representar o mundo e a vida através das palavras e devem ser utilizadas como instrumento de conscientização e ampliação de competências na construção do conhecimento. A leitura do mundo precede a leitura das palavras, razão pela qual a posterior leitura das palavras não pode ser separada da continuidade da leitura das palavras. A linguagem e a realidade estão dinamicamente ligadas. Alcançar a compreensão do texto através da leitura crítica implica perceber a relação entre o texto e o contexto.

Ainda seguindo as ideias de Freire (2015), o ato de ler e escrever é crucial para a formação cultural do indivíduo, pois o integra na sociedade e o caracteriza como cidadão. O ser humano está rodeado pelo mundo da leitura, mas existem outros tipos de manifestações de práticas de leitura (Soares, 2017).

A alfabetização nas séries iniciais é uma das etapas mais importantes da Educação Básica, pois estabelece as bases para o desenvolvimento cognitivo, social e cultural das crianças. No entanto, ainda há uma série de problemas que comprometem a eficácia desse processo. O principal deles é a desigualdade de acesso a um ensino de qualidade, sobretudo nas zonas mais vulneráveis, onde faltam infra-estruturas adequadas, materiais didáticos e formação contínua dos professores (Vygotsky, 2021).

Para Alves e Nakano (2015), “dificuldade de aprendizagem” é um termo que se refere a dificuldades persistentes no domínio de competências académicas como a leitura, a escrita e a matemática, em resultado de uma disfunção do sistema nervoso central. Estas dificuldades prolongam-se por toda a vida e podem conduzir a problemas emocionais como a depressão e a ansiedade, exigindo um ensino especializado. Ao contrário das “dificuldades de aprendizagem”, que estão relacionadas com fatores pedagógicos, emocionais ou socioculturais, as dificuldades de aprendizagem resultam de alterações neurológicas que afetam o processo de aprendizagem.

A “falta de diagnóstico” e o “atraso nos encaminhamentos”, bem como a crença de que as crianças não estavam a ser acompanhadas por profissionais específicos foram aspectos destacados nos grupos focais (professores do ensino básico). Estas questões sugerem que a maioria dos problemas das crianças pode ser resolvida com a ajuda de psicólogos, terapeutas da fala e da linguagem e médicos (Paula, 2019).

As dificuldades surgem quando se trata da capacidade de focalizar e segmentar as cadeias de sons que compõem as palavras e de refletir sobre os seus segmentos. O termo “consciência fonológica” refere-se, portanto, à capacidade de perceber que as palavras são constituídas por diferentes sons ou sons codificados que podem ser decompostos em partes mais pequenas. É também a capacidade de atender e isolar as sequências de sons que compõem as palavras e de refletir sobre esses segmentos (Soares, 2020, p. 77).

Os alfabetizadores podem achar que o conhecimento sobre alfabetização é acessível a muitos, mas é importante saber interpretar os procedimentos de alfabetização desenvolvidos para a sala de aula. É importante entender que as atividades de interpretação e escrita começam antes da escolarização e fazem parte de um sistema conceitual pré-formado. O conhecimento do aluno é reconstruído através de sua experiência de produção de textos, de sua elaboração e de seu esforço pessoal: o professor deve ser o mediador dessa construção. Às vezes, essa construção pode parecer estranha para o professor alfabetizador, mas ele deve entender o que as crianças estavam pensando quando escreveram o texto (Vygotsky, 2021).

Outro desafio recorrente é o desfasamento entre as práticas de ensino e as necessidades reais dos alunos. Muitos professores continuam a utilizar métodos de ensino tradicionais e unidimensionais que não têm em conta os diferentes estilos de aprendizagem. Este fato pode levar à falta de interesse, à dificuldade em acompanhar o ritmo da aula, à frustração e a lacunas na aquisição de competências de leitura e de escrita (Bes et al., 2018).

A formação inicial e contínua dos professores é também uma questão importante. Em muitos casos, os profissionais da educação não estão devidamente preparados para lidar com as especificidades da alfabetização, o que afeta a qualidade do ensino e da aprendizagem. Além disso, a falta de valorização e reconhecimento da profissão docente tem um impacto direto na motivação e no desempenho dos educadores (Moura, 2019).

Um dos maiores desafios dos professores alfabetizadores é abandonar as abordagens pedagógicas desfasadas da atualidade, repensar as suas práticas de ensino e ultrapassar os muros da escola. Proporcionar experiências significativas, dialogar com a realidade dos alunos e adaptar-se à velocidade com que a informação e a tecnologia circulam na sociedade é “o desafio do educador na sociedade contemporânea, mais do que alfabetizar, investir na constituição de leitores e escritores, incorporar em sua prática os sentidos políticos da formação humana.” (Colello, 2021, p. 83).

Os desafios enfrentados pelos professores alfabetizadores de hoje são inúmeros: falta de apoio familiar, falta de interesse e atenção dos próprios alunos, problemas psicológicos e emocionais, professores mal formados e inseguros. Os alunos já não são sujeitos passivos, mas sim sujeitos ativos no processo de alfabetização (La Banca, 2019).

Para realizar um processo de ensino e aprendizagem coerente e centrado no aluno, é necessário ter uma bagagem de conhecimentos, estar pronto para entender que o aluno trouxe conhecimentos igualmente importantes, e que expor esses conhecimentos faz parte da aprendizagem, ver o aluno como um todo, enxergar suas particularidades e limitações, e abandonar os velhos métodos de memorização mecânica e soletração, e fazer uso dos novos métodos, pois um método sozinho não alfabetizará todos os alunos (Moura, 2019).

De acordo com Paula (2019), embora a persistência de questões e controvérsias em torno dos métodos de alfabetização não possa ser atribuída a uma única causa, pois a questão está ligada a múltiplos fatores, uma explicação se sobrepõe a outras possíveis: os métodos de alfabetização sempre foram problemáticos porque decorrem de diferentes conceituações do objeto da alfabetização, ou seja, de uma diferente conceituação do que se ensina quando se ensina a língua escrita.

Os problemas socioeconômicos enfrentados pelas famílias dos alunos também têm um impacto negativo na alfabetização. As crianças que vivem em situações de fome, violência doméstica ou abandono têm dificuldade em concentrar-se e desenvolver-se plenamente na escola, visto que estes fatores externos acabam por interferir diretamente na aprendizagem (Bes et al., 2018).

Outro obstáculo é a falta de políticas públicas eficazes e de longo prazo para a alfabetização. As frequentes mudanças nas orientações pedagógicas, a falta de investimento e a descontinuidade dos programas não favorecem um sistema de alfabetização sólido e eficiente. É necessário um planejamento estratégico que tenha em conta as necessidades reais das escolas e dos alunos (Paula, 2019).

As dificuldades e os desafios que se colocam à educação vão muito além do ambiente escolar. As desigualdades estruturais existentes em nossa sociedade, a falta de recursos nas escolas públicas e a necessidade de implementação de políticas públicas continuam a impedir que alcancemos a escola ideal e que possamos realmente oferecer oportunidades para todas as crianças (Soares, 2020).

Ademais, a avaliação inadequada dos esforços de alfabetização é também um obstáculo. Em muitos casos, a avaliação centra-se apenas nos resultados quantitativos e não tem em conta os progressos individuais e a qualidade da aprendizagem. Para ultrapassar os problemas de alfabetização, é necessária uma abordagem integrada que envolva as escolas, as famílias, as comunidades e o Estado, a fim de promover um ensino e uma aprendizagem mais inclusivos, eficazes e humanos (Colello, 2021).

METODOLOGIA

Este trabalho caracterizou-se por uma pesquisa qualitativa, exploratória e descritiva, por meio de uma revisão de literatura. A amostra foi composta por livros, artigos científicos e documentos oficiais, selecionados de acordo com sua relevância para os temas alfabetização, letramento, séries iniciais, dificuldades de aprendizagem e formação de professores, e publicados entre 2015 e 2021 para garantir a atualização das discussões e análises.

Os instrumentos de coleta de dados incluíram as bases de dados Scielo, Google Scholar, periódicos CAPES e biblioteca digital, e foram utilizados os seguintes descritores: “alfabetização”, “letramento”, “séries iniciais”, “dificuldades de aprendizagem” e “formação docente”. Os procedimentos metodológicos incluíram a identificação de critérios de inclusão e exclusão, priorizando informações atualizadas, coerentes com os temas propostos e que contribuíssem para a análise. Uma vez selecionadas as fontes, procedeu-se à sua leitura pormenorizada e o conteúdo foi arquivado e organizado para posterior análise.

As fontes foram analisadas por meio de uma metodologia qualitativa de interpretação crítica e reflexiva, com base em referenciais teóricos de autores como Freire (2015), Soares (2020), Vygotsky (2021), Colello (2021) e Moura (2019). Esta análise tem como objetivo compreender como os desafios pedagógicos, sociais e estruturais afetam diretamente o processo de alfabetização nas séries iniciais e identificar possíveis métodos e estratégias para superá-los no atual contexto educacional.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

A análise da literatura mostra que os principais problemas da alfabetização nas séries iniciais estão diretamente relacionados à formação inadequada dos professores, à utilização de métodos de ensino ultrapassados, à escassez de recursos didáticos e às dificuldades socioeconômicas dos alunos. Além disso, destacam-se como problemas as falhas nas políticas públicas, as avaliações focadas apenas em indicadores quantitativos e a baixa integração entre escola, família e comunidade.

A análise dos dados mostra que esses desafios têm um profundo impacto no processo de aprendizagem, dificultando o desenvolvimento pleno das habilidades de leitura e escrita. Apesar das diretrizes estabelecidas em documentos como a BNCC, ainda há um descompasso entre as orientações teóricas e a realidade da escola, especialmente no contexto de vulnerabilidade social. Abordagens centradas no aluno e que respeitem os diferentes ritmos e estilos de aprendizagem têm se mostrado mais eficazes, mas ainda não são universais.

Concluiu-se que, para promover uma alfabetização significativa, é necessário romper com as práticas tradicionais e adotar abordagens mais interativas e inclusivas. A focalização e a formação contínua dos professores, o reforço de políticas públicas sustentáveis e o envolvimento das famílias e das comunidades são fundamentais para ultrapassar as barreiras identificadas. A investigação futura poderá aprofundar a eficácia das abordagens inovadoras e investigar estratégias específicas para reduzir as desigualdades educativas nos primeiros anos de escolaridade.

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Almeida , Luana Rodrigues de . Problemáticas na alfabetização nas séries iniciais.International Integralize Scientific. v 5, n 48, Junho/2025 ISSN/3085-654X

Referencias

Vivian Caroline Coraucci.
BAILEY, C. J.; LEE, J. H.
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Disponível em: https://academic.oup.com/cid/article/67/7/1208/6141108.
Acesso em: 2024-09-03.

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Problemáticas na alfabetização nas séries iniciais

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