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Resumo
INTRODUÇÃO
A efetivação da educação inclusiva requer o engajamento de todos os profissionais da escola, com destaque para o papel estratégico da coordenação pedagógica. Em um cenário onde a diversidade se apresenta como marca do ambiente educacional, torna-se imprescindível que a coordenação atue de forma articuladora entre os diferentes agentes da escola, especialmente entre os professores da sala de aula comum e os responsáveis pelo Atendimento Educacional Especializado (AEE). Essa articulação é fundamental para que se garanta a oferta de um ensino que considere as singularidades dos alunos com deficiência, transtornos globais do desenvolvimento e altas habilidades/superdotação.
A educação inclusiva, além de constituir um direito assegurado pela legislação brasileira, como a Lei Brasileira de Inclusão da Pessoa com Deficiência (Lei nº 13.146/2015), exige o desenvolvimento de práticas pedagógicas colaborativas que favoreçam o diálogo entre o ensino regular e os serviços especializados. No entanto, a realidade das escolas revela uma persistente fragmentação entre o trabalho realizado em sala de aula e o que se desenvolve na sala de recursos multifuncionais. Muitas vezes, a ausência de comunicação entre esses dois espaços pedagógicos compromete a qualidade do processo de ensino e aprendizagem dos estudantes público-alvo da educação especial.
Nesse contexto, a coordenação pedagógica se apresenta como um elo potencial entre os diferentes segmentos escolares. Sua atuação pode promover a mediação de saberes, o planejamento coletivo e a formação continuada, favorecendo a construção de práticas pedagógicas integradas. Como apontam Placco e Souza (2006), a função da coordenação não se restringe ao acompanhamento administrativo, mas deve estar orientada para o desenvolvimento profissional dos professores e para a promoção de um ambiente de escuta e cooperação.
Contudo, é preciso reconhecer que o papel da coordenação pedagógica ainda é pouco explorado em sua dimensão formativa, sendo comumente associado a tarefas burocráticas ou intervenções pontuais. Superar essa visão limitada exige compreender a coordenação como sujeito ativo no processo de inclusão, capaz de articular, mediar e fomentar práticas pedagógicas voltadas ao acolhimento da diferença e à superação das barreiras à aprendizagem. Segundo Mantoan (2006), a inclusão só se realiza quando há corresponsabilidade entre os profissionais, partilhando os desafios da aprendizagem com base na colaboração e na reflexão crítica.
Diante desse cenário, o presente artigo tem como objetivo analisar o papel da coordenação pedagógica no alinhamento entre as práticas da sala de aula comum e da sala de recursos multifuncionais, discutindo seus desafios e apontando caminhos para a construção de uma prática pedagógica integrada. Para isso, adota-se uma abordagem qualitativa, com base em revisão bibliográfica, apoiada em autores que discutem a gestão escolar, a coordenação pedagógica e a educação inclusiva. Pretende-se, assim, contribuir para o fortalecimento da função formativa da coordenação e para o avanço de uma cultura escolar mais democrática, colaborativa e inclusiva.
O PAPEL DA COORDENAÇÃO PEDAGÓGICA NA EDUCAÇÃO INCLUSIVA
A coordenação pedagógica ocupa um lugar estratégico dentro da organização escolar, sendo responsável por promover a articulação entre os diversos sujeitos e processos que compõem a prática educativa. No contexto da educação inclusiva, esse papel ganha ainda mais relevância, pois demanda um olhar atento à diversidade dos estudantes, à escuta dos professores e à mediação de práticas pedagógicas que favoreçam a equidade e o acesso de todos ao currículo. A atuação da coordenação, portanto, transcende a função técnico-administrativa e assume contornos formativos, colaborativos e éticos.
Segundo Placco e Souza (2006), a coordenação pedagógica deve ser compreendida como um agente formador que contribui com a organização coletiva do trabalho docente. Essa função formativa se concretiza por meio de momentos de escuta, orientação e reflexão com os professores, favorecendo o desenvolvimento de práticas inclusivas que reconheçam as diferenças como potencialidades educativas. A escuta ativa e a mediação de conflitos tornam-se, nesse sentido, instrumentos fundamentais para promover uma cultura pedagógica aberta ao diálogo e à construção coletiva do saber.
No âmbito da inclusão escolar, a coordenação pedagógica atua como elo entre os professores do ensino regular, os profissionais do Atendimento Educacional Especializado (AEE), os estudantes público-alvo da educação especial e suas famílias. É a partir desse lugar de articulação que o coordenador pedagógico pode contribuir para o alinhamento entre as práticas da sala de aula comum e da sala de recursos multifuncionais. Quando esse trabalho é realizado de forma sistemática, reflexiva e colaborativa, ele favorece a superação de barreiras pedagógicas e possibilita uma educação mais acessível a todos os estudantes.
Para Mantoan (2006), o processo de inclusão implica transformar as práticas escolares em sua totalidade, e não apenas adaptar o ensino para alguns alunos. Essa transformação exige uma gestão escolar que reconheça a importância da formação continuada, da avaliação formativa e da corresponsabilidade entre todos os profissionais da escola. Nesse sentido, a coordenação pedagógica torna-se peça-chave na mediação entre as exigências legais da inclusão e as condições concretas da prática docente.
Imbernón (2011), destaca que a formação docente não pode ser entendida apenas como um processo de transmissão de conhecimentos, mas como uma prática situada, construída no interior das instituições educativas. A coordenação pedagógica, ao acompanhar o cotidiano da escola, tem condições de promover uma formação que dialogue com a realidade dos professores, considerando seus desafios, suas limitações e suas possibilidades. Trata-se de uma formação ancorada na prática, que contribui para o aprimoramento das ações pedagógicas e para a consolidação de uma cultura inclusiva.
Dessa forma, é fundamental que as escolas reconheçam a importância da coordenação pedagógica como instância mediadora da inclusão. Sua atuação deve ser pautada pelo compromisso com a aprendizagem de todos os alunos, pela defesa de uma escola democrática e pela construção de espaços coletivos de reflexão e ação. A valorização do trabalho da coordenação como articulador entre ensino comum e AEE é um passo decisivo para a consolidação de práticas pedagógicas integradas e comprometidas com a equidade educacional.
A RELAÇÃO ENTRE SALA DE AULA REGULAR E SALA DE RECURSOS MULTIFUNCIONAIS
A construção de uma escola inclusiva pressupõe a articulação entre diferentes espaços pedagógicos que compõem o cotidiano escolar, especialmente entre a sala de aula regular e a sala de recursos multifuncionais. Esses dois ambientes, embora com finalidades distintas, devem atuar de forma complementar e colaborativa, visando garantir o acesso ao currículo, a permanência e o pleno desenvolvimento dos estudantes público-alvo da educação especial. Essa relação, no entanto, ainda é marcada por fragilidades institucionais, resistências pedagógicas e falta de integração entre os profissionais envolvidos.
A sala de aula regular é o espaço em que se desenvolve o currículo comum e onde, segundo os princípios da inclusão, todos os estudantes devem ter assegurado seu direito à aprendizagem. Já a sala de recursos multifuncionais é o ambiente em que se oferta o Atendimento Educacional Especializado (AEE), conforme estabelecido na Resolução CNE/CEB nº 4/2009, como um serviço complementar e não substitutivo ao ensino regular. O AEE tem como objetivo identificar, elaborar e organizar recursos pedagógicos e de acessibilidade que eliminem as barreiras para a plena participação dos alunos no ambiente escolar (Brasil, 2009).
Entretanto, na prática cotidiana das escolas, observa-se uma separação entre esses dois espaços, o que acaba comprometendo a efetividade do processo inclusivo. Em muitos casos, o trabalho realizado na sala de recursos não dialoga com as atividades da sala de aula regular, tornando o atendimento especializado um espaço isolado e desvinculado do projeto pedagógico da escola. Essa desarticulação decorre, em grande parte, da ausência de planejamento conjunto entre os professores do AEE e os professores regentes, bem como da falta de mediação por parte da equipe gestora, especialmente da coordenação pedagógica.
A Lei Brasileira de Inclusão da Pessoa com Deficiência (Lei nº 13.146/2015), estabelece que o sistema educacional deve ser inclusivo em todos os níveis e modalidades, garantindo o direito à educação com igualdade de condições. Esse princípio está diretamente relacionado à corresponsabilidade entre os profissionais da educação. A efetivação da inclusão não pode recair exclusivamente sobre o professor da sala de recursos, mas deve ser compreendida como tarefa coletiva da equipe escolar, com foco na superação das barreiras pedagógicas que dificultam a participação dos alunos com deficiência.
Nesse sentido, a Base Nacional Comum Curricular (BNCC) também reforça a importância de práticas pedagógicas que considerem a diversidade e promovam a equidade. Ao afirmar que “a escola deve garantir estratégias de ensino que promovam a aprendizagem de todos, respeitando os ritmos e estilos dos estudantes” (Brasil, 2017), a BNCC orienta o trabalho docente para a construção de práticas flexíveis e acessíveis, as quais só podem ser desenvolvidas a partir de um planejamento colaborativo e de uma escuta atenta às necessidades dos alunos.
Para Glat e Blanco (2007), a inclusão efetiva requer o rompimento com a fragmentação das práticas pedagógicas e o fortalecimento de uma cultura escolar que valorize a cooperação entre os profissionais. O diálogo entre o professor regente e o professor do AEE é fundamental para que o atendimento especializado não seja uma ação paralela, mas integrada ao processo pedagógico da escola. A articulação entre esses espaços depende diretamente da mediação da coordenação pedagógica, que deve favorecer encontros, promover momentos de planejamento conjunto e estimular a reflexão crítica sobre as práticas docentes.
Portanto, a relação entre a sala de aula comum e a sala de recursos multifuncionais deve ser pautada pela corresponsabilidade, pela escuta e pela cooperação. Cabe à coordenação pedagógica atuar como ponte entre esses espaços, fortalecendo o trabalho colaborativo e contribuindo para a construção de uma escola inclusiva, na qual todos os sujeitos possam aprender e participar de maneira equitativa.
BARREIRAS PARA O ALINHAMENTO ENTRE ENSINO COMUM E AEE
A implementação de uma proposta pedagógica inclusiva requer, entre outras condições, o alinhamento efetivo entre a sala de aula comum e o Atendimento Educacional Especializado (AEE). No entanto, esse alinhamento ainda é marcado por desafios estruturais, formativos e culturais que dificultam a construção de uma prática educativa verdadeiramente articulada e comprometida com a equidade. As barreiras que se impõem nesse processo são diversas e impactam diretamente a qualidade do atendimento oferecido aos estudantes público-alvo da educação especial.
Uma das barreiras mais recorrentes diz respeito à ausência de tempo institucionalizado para o planejamento coletivo. Embora a legislação reconheça a necessidade de articulação entre os profissionais envolvidos na educação inclusiva, como previsto na Resolução CNE/CEB nº 4/2009, a realidade das escolas revela que professores regentes e professores do AEE raramente dispõem de momentos formais para dialogar sobre seus estudantes. A falta de encontros sistemáticos compromete a continuidade pedagógica entre os dois espaços, dificultando a adaptação curricular e a personalização das estratégias de ensino.
Outra barreira significativa está relacionada à fragilidade da formação docente no que se refere à inclusão. Muitos professores ainda não possuem a formação necessária para compreender as especificidades dos alunos com deficiência, o que limita sua capacidade de elaborar planejamentos acessíveis e de atuar de forma colaborativa com os profissionais da sala de recursos. Segundo Pletsch (2009), a formação inicial dos professores pouco contempla a diversidade, e a formação continuada é frequentemente pontual e descontextualizada, sem articulação com a prática escolar cotidiana.
A cultura escolar também constitui um obstáculo à inclusão plena. A permanência de paradigmas excludentes, que valorizam a padronização e o rendimento homogêneo, dificulta o reconhecimento da diversidade como elemento constitutivo do processo educativo. Como observa Costa (2020), ainda há uma tendência de se atribuir exclusivamente ao professor do AEE a responsabilidade pela aprendizagem dos alunos com deficiência, como se o atendimento especializado fosse um espaço de compensação pedagógica, e não de articulação com o ensino comum.
Nesse contexto, a coordenação pedagógica muitas vezes aparece como figura ausente ou pouco envolvida na mediação entre os dois espaços. Em vez de atuar como articulador entre os professores, promovendo o diálogo e a corresponsabilidade, o coordenador pedagógico acaba limitado a funções burocráticas e administrativas, distanciando-se de sua função formativa. Glat e Fernandes (2005), ressaltam que a inclusão exige uma gestão escolar participativa, capaz de envolver toda a equipe em torno de um projeto pedagógico coletivo e coerente com os princípios da equidade e da valorização da diferença.
Além disso, a falta de clareza sobre os papéis e responsabilidades de cada profissional envolvido no processo inclusivo também contribui para o desalinhamento entre as práticas pedagógicas. A indefinição de atribuições e a sobreposição de funções geram ruídos na comunicação e na execução das ações, criando tensões entre os atores escolares e dificultando a construção de vínculos pedagógicos efetivos entre os dois espaços.
Superar essas barreiras implica, portanto, investir na formação continuada dos profissionais, na reorganização dos tempos escolares, na valorização da coordenação pedagógica como instância de mediação e no fortalecimento de uma cultura colaborativa. A educação inclusiva não se realiza apenas por meio de leis e discursos; ela depende de práticas institucionais cotidianas que reconheçam a importância do trabalho coletivo e da articulação pedagógica entre todos os segmentos da escola.
AÇÕES PEDAGÓGICAS PARA O ALINHAMENTO ENTRE PROFESSORES
O alinhamento entre a sala de aula comum e a sala de recursos multifuncionais exige, para além do reconhecimento institucional, a adoção de ações pedagógicas concretas que favoreçam o diálogo, a escuta e a corresponsabilidade entre os profissionais envolvidos. Nesse contexto, a coordenação pedagógica assume papel central como mediadora das práticas escolares, articulando saberes, promovendo formações e construindo condições para o planejamento colaborativo. O fortalecimento dessa mediação é condição indispensável para que a inclusão se efetive de forma sistemática e sustentável no cotidiano escolar.
Uma das estratégias mais eficazes para promover esse alinhamento é a realização de reuniões pedagógicas com foco na análise conjunta dos processos de aprendizagem dos estudantes público-alvo da educação especial. Essas reuniões devem ser organizadas pela coordenação pedagógica de maneira intencional, com objetivos claros, materiais de apoio e espaço para o compartilhamento de experiências entre os professores regentes, profissionais do AEE e, quando possível, outros membros da equipe escolar. Como apontam Placco e Souza (2006), a escuta qualificada e a reflexão coletiva sobre a prática favorecem o desenvolvimento de ações pedagógicas mais integradas e coerentes com as necessidades dos alunos.
Outra ação importante é a promoção de momentos de planejamento conjunto. A articulação de tempos e espaços que permitam a construção coletiva de planos de ensino é essencial para garantir que os conteúdos e estratégias utilizados na sala de recursos estejam alinhados ao que está sendo desenvolvido na sala regular. Essa integração evita a sobreposição ou a duplicação de conteúdos e favorece a continuidade pedagógica, permitindo que os estudantes compreendam o AEE como apoio à sua trajetória escolar, e não como intervenção paralela ou compensatória. Segundo Ainscow (2009), a colaboração entre professores é uma das práticas mais eficazes para a construção de escolas inclusivas, pois permite a troca de saberes, a resolução conjunta de problemas e o desenvolvimento de soluções inovadoras.
Além disso, a coordenação pedagógica pode atuar como promotora de processos de formação continuada no interior da própria escola, a partir das demandas concretas dos docentes. Essas formações não precisam ser necessariamente externas ou formais, mas podem ocorrer de maneira dialógica, a partir do estudo de casos, da análise de práticas ou da discussão de textos que problematizam os desafios da inclusão. Imbernón (2011), ressalta que a formação docente mais significativa é aquela que parte da realidade vivida pelos professores e que se dá em contextos colaborativos e reflexivos.
Outra ação relevante é o acompanhamento sistemático do processo de inclusão dos estudantes. A coordenação pode auxiliar no monitoramento da aprendizagem dos alunos com deficiência, promovendo encontros regulares entre os professores para discutir avanços, dificuldades e ajustes necessários. Esse acompanhamento não deve ter caráter fiscalizador, mas formativo, centrado no apoio e no fortalecimento das práticas pedagógicas. A escuta das famílias também pode ser incluída como estratégia de alinhamento, pois contribui para compreender os efeitos da escola na vida dos estudantes e favorece a construção de vínculos.
Por fim, é fundamental que a coordenação pedagógica assuma uma postura ética, sensível e propositiva frente aos desafios da inclusão. Sua atuação deve ser pautada pela defesa de uma escola que acolha as diferenças, que reconheça as potencialidades de cada sujeito e que esteja comprometida com a aprendizagem de todos. O alinhamento entre a sala de aula comum e a sala de recursos depende de ações concretas, mas também de uma mudança cultural, que só se torna possível com o envolvimento ativo e formador da coordenação pedagógica.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
A efetivação da educação inclusiva nas escolas brasileiras demanda mais do que a existência de legislações e políticas públicas. Exige práticas pedagógicas consistentes, articuladas e comprometidas com a aprendizagem de todos os estudantes. Nesse processo, o papel da coordenação pedagógica revela-se estratégico, especialmente no que se refere ao alinhamento entre a sala de aula comum e a sala de recursos multifuncionais. É nesse espaço de mediação e articulação que se constrói, cotidianamente, a possibilidade de uma escola mais democrática, acessível e humanizada.
Ao longo deste artigo, discutiu-se como a coordenação pedagógica pode e deve atuar como elo entre os profissionais do ensino comum e os do Atendimento Educacional Especializado, promovendo o diálogo, a escuta, o planejamento conjunto e a formação continuada. Essa atuação é fundamental para que o AEE não se configure como um serviço paralelo e desconectado da proposta pedagógica da escola, mas como um suporte pedagógico articulado às práticas da sala de aula regular. A inclusão se concretiza quando há corresponsabilidade, intencionalidade e compromisso coletivo com a equidade.
Foram também analisadas as barreiras que ainda dificultam essa articulação: a falta de tempo para o planejamento conjunto, a carência de formação docente voltada à diversidade, a fragmentação das ações pedagógicas e a invisibilização da função formativa da coordenação. Tais entraves não podem ser tratados como limitações individuais dos profissionais, mas como reflexo de uma estrutura escolar que ainda opera, em grande medida, sob uma lógica excludente e burocratizada.
Diante disso, torna-se necessário investir na valorização da coordenação pedagógica como instância mediadora da inclusão. Isso implica garantir condições reais para o exercício de sua função formativa, institucionalizar tempos e espaços para o planejamento colaborativo, fomentar uma cultura escolar pautada na escuta e no diálogo, e fortalecer a formação continuada no interior das próprias escolas. A coordenação, quando efetivamente reconhecida como articuladora do processo pedagógico, contribui de forma significativa para a superação das barreiras à aprendizagem e para a construção de uma escola em que todos os estudantes possam aprender com dignidade.
Conclui-se, portanto, que o olhar da coordenação pedagógica é indispensável para o alinhamento entre os espaços escolares e para o avanço de uma prática educativa que reconheça a diferença como potência. É por meio desse olhar sensível, ético e comprometido que a inclusão deixa de ser um ideal abstrato e se transforma em realidade concreta no cotidiano das escolas.
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