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Resumo
INTRODUÇÃO
O COVID-19 foi identificado pela primeira vez em dezembro de 2019, na cidade de Wuhan, na China. Desde então, a doença se espalhou rapidamente pelo mundo, levando a Organização Mundial da Saúde (OMS) a declarar uma pandemia em março de 2020. O agente etiológico foi rapidamente identificado como um novo coronavírus, sendo atualmente conhecido como Severe Acute Respiratory Syndrome Coronavirus 2 (SARS-CoV-2) e a doença causada pelo mesmo e denominada como COVID-19 (Coronavirus disease 2019) (Moura, 2021). Ainda segundo o autor, em 11 de março de 2020 foi classificada como pandemia, por ter sido disseminada em poucos meses, em abrangência global. No entanto, o início da epidemia data já de 2019, pelo que uma das preocupações globais é não só a fase da doença aguda e as suas consequências imediatas, mas também as eventuais sequelas a médio e a longo prazo, bem como o risco de cronicidade de alguns sintomas. À medida que o tempo decorreu desde o início da pandemia, tornou-se claro que alguns sintomas persistiram após a resolução da infeção aguda.
A infecção pelo SARS-CoV-2 não apenas resultou em um alto número de casos e mortes, mas também trouxe à tona uma série de complicações de saúde a longo prazo, conhecidas como “COVID longa” ou sequelas do COVID-19. A pandemia sobrecarrega os sistemas de saúde em todo o mundo. A necessidade de leitos hospitalares, ventiladores e equipamentos de proteção individual (EPIs) aumentou exponencialmente. Além disso, a interrupção de serviços de saúde regulares, como consultas e tratamentos para doenças crônicas, resultou em um aumento de complicações em outras áreas da saúde (Who, 2021).
Neste cenário, os trabalhadores da área da saúde vivenciaram enormes desafios no enfrentamento à pandemia como a falta de treinamento especializado para lidar com os casos mais graves, elevado grau de contágio no âmbito de trabalho, escassez de insumos, lesões por uso excessivo de EPIs, sobrecarga de trabalho, subcontratações, salários precários e os impactos sobre a saúde mental (Moura, 2023).
REFERENCIAL TEÓRICO
O estudo trata-se de uma revisão integrativa acerca dos aspectos relacionados às sequelas da COVID-19, tanto para os pacientes, quanto aos trabalhadores da saúde e aos sistemas de saúde pública.
HISTÓRICO DA CONTAMINAÇÃO
A primeira notificação de casos de pneumonia de causa desconhecida ocorreu em Wuhan, e em janeiro de 2020, o vírus foi identificado como um novo coronavírus. A rápida disseminação do vírus levou a medidas de contenção em diversos países, incluindo lockdowns e restrições de viagem. A vacinação em massa começou em dezembro de 2020, mas as sequelas da infecção continuam a ser um desafio significativo.
SEQUELAS DO COVID-19
As sequelas do COVID-19 podem afetar diversos sistemas do corpo humano. Estudos indicam que os pacientes que se recuperam da infecção podem apresentar sintomas persistentes, como fadiga, dificuldade respiratória, problemas cognitivos (conhecidos como “nevoeiro cerebral”), e complicações cardiovasculares. Cerca de 87% dos pacientes que foram hospitalizados relataram pelo menos um sintoma persistente após a recuperação (Carfì, 2020).
Os aspectos clínicos da COVID-19 podem variar de pessoa para pessoa, algumas podem ser assintomáticas, outras chegam a desenvolver sintomas leves e alguma parcela da população evolui para forma grave da doença, apresentando Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG), necessitando de hospitalização e maiores intervenções. Nos casos moderados a grave, a doença pode afetar o organismo como um todo, ocasionando danos agudos e a médio ou longo prazo. Os impactos na saúde do paciente infectado podem ser diversos, o que aumenta a preocupação dos setores de saúde e acarreta maiores custos assistenciais associados a essa população. Outra questão fundamental é o acompanhamento da evolução desses pacientes, a fim de ofertar uma rápida reabilitação e contribuir com a qualidade de vida e a promoção da saúde (Aguiar, 2022).
Dentre as possíveis sequelas respiratórias a longo prazo, foram detectadas alterações, como a redução da capacidade de difusão do monóxido de carbono (DLCO) e diminuição da capacidade de exercício, bem como anomalias radiográficas persistentes, incluindo aspectos compatíveis com fibrose pulmonar. A COVID-19 associa-se também a elevada prevalência de tromboembolismo venoso e trombose in situ, pelo que a doença tromboembólica crônica e a hipertensão pulmonar poderão surgir como complicações futuras, com grande impacto no desempenho no esforço físico. Sendo assim, a doença intersticial pulmonar e a doença vascular pulmonar parecem ser as principais sequelas respiratórias da COVID-19. Ainda segundo Moura, nesse mesmo estudo, as complicações cardíacas mais frequentemente associadas à COVID-19 são a miocardite (incluindo os casos fulminantes), as arritmias, a insuficiência cardíaca aguda e as síndromes coronárias agudas. Até 20% dos pacientes internados por infecção COVID-19 apresentaram elevação dos níveis séricos de troponina cardíaca, o que representa lesão miocárdica aguda e traduz maior gravidade da doença e pior prognóstico, incluindo admissão em unidade de cuidados intensivos e morte. Os pacientes com evidência de lesão miocárdica aguda tendem a ter idade mais avançada e a ter mais comorbilidades, incluindo obesidade, hipertensão arterial, diabetes, doença arterial coronária e insuficiência cardíaca crônica (Moura, 2021).
COMPLICAÇÕES NO SETOR DE SAÚDE
A pandemia sobrecarrega os sistemas de saúde em todo o mundo. A necessidade de leitos hospitalares, ventiladores e equipamentos de proteção individual (EPIs) aumentou exponencialmente. Além disso, a interrupção de serviços de saúde regulares, como consultas e tratamentos para doenças crônicas, resultou em um aumento de complicações em outras áreas da saúde (WHO, 2021).
No Brasil, um estudo realizado pelo projeto Monitora Covid-19, da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) (FIOCRUZ, 2021), mostrou como a pandemia impactou os atendimentos do Sistema Único de Saúde (SUS). Durante um ano e meio, o sistema registrou uma redução de 1,7 milhão de internações e cirurgias eletivas, o que equivale a uma queda de 9,9%, mesmo considerando o número de pessoas internadas por causa da Covid-19. A pesquisa indica que o sistema de saúde enfrentou um verdadeiro colapso nesse período, afetando não só o tratamento da Covid-19, mas também os atendimentos de rotina para outros problemas de saúde. De acordo com Boletim Epidemiológico divulgado pelo Ministério da Saúde brasileiro, até o dia 4 de julho de 2020, 173.440 casos de Síndrome Gripal (SG) foram confirmados para a Covid-19 em profissionais da área da saúde de todo o país. As profissões com maior registro de casos foram as de técnicos ou auxiliares de enfermagem (59.635), seguidas pelas de enfermeiros (25.718) e médicos (19.037). Os profissionais supramencionados, além de apresentarem maior risco de infecção pelo novo vírus, foram expostos à possibilidade de que faltem equipamentos de proteção individual, ventiladores mecânicos, insumos hospitalares, além de precisarem decidir, por vezes, quais pacientes terão direito a determinadas tecnologias assistivas (Dantas, 2021).
No Brasil, existem pesquisas para compreensão dos impactos na Saúde Mental dos profissionais de saúde nesse período. Em Brasília, estudo que avaliou médicos residentes em atuação durante a pandemia, nos meses de abril e junho de 2020, apontou que, devido à ansiedade desses profissionais, 25% afirmaram ter cogitado trocar de especialidade. E, entre os sintomas de ansiedade, os mais detectados foram: incapacidade de relaxar, medo de que aconteça o pior e nervosismo, constatados de forma moderada em 41,7%. Além disso, 83,3% afirmaram que a qualidade geral do sono esteve prejudicada e 75% apresentaram sonolência diurna. (Dantas, 2021).
Neste cenário, os trabalhadores da área da saúde vivenciaram enormes desafios no enfrentamento à pandemia como a falta de treinamento especializado para lidar com os casos mais graves, elevado grau de contágio no âmbito de trabalho, escassez de insumos, lesões por uso excessivo de EPIs, sobrecarga de trabalho, subcontratações, salários precários e os impactos sobre a saúde mental (Moura, 2023),
METODOLOGIA
A revisão integrativa constitui uma metodologia que envolve a análise sistemática de estudos relevantes, com o objetivo de fundamentar a tomada de decisão clínica e promover a melhoria da prática baseada em evidências. Essa abordagem permite a síntese do estado atual do conhecimento sobre um determinado tema, além de identificar lacunas no conhecimento que demandam investigação adicional (Mendes, 2008).
Para a elaboração da revisão integrativa, inicialmente, define-se o objetivo específico do estudo, formulando-se perguntas de pesquisa ou hipóteses a serem testadas. Em seguida, realiza-se uma busca sistemática para identificar e coletar o maior número possível de estudos primários relevantes, de acordo com critérios de inclusão e exclusão previamente estabelecidos.
Os estudos selecionados são submetidos a uma avaliação crítica dos critérios metodológicos utilizados, a fim de verificar sua validade científica. Este procedimento resulta na exclusão de estudos metodologicamente inadequados, reduzindo o número de trabalhos incluídos na fase final da análise. Os dados extraídos desses estudos são analisados de forma sistemática, seguindo procedimentos que garantem a consistência e a reprodutibilidade da análise. Por fim, os dados são interpretados, sintetizados e as conclusões são formuladas com base na integração dos resultados obtidos, contribuindo para o avanço do conhecimento na área de estudo. Foram seguidas as seguintes etapas:
1: Identificação do tema e seleção da hipótese ou questão de pesquisa para a elaboração da revisão integrativa.
2: Estabelecimento de critérios para inclusão e exclusão de estudos/ amostragem ou busca na literatura.
3: Definição das informações a serem extraídas dos estudos selecionados/ categorização dos estudos.
4: Avaliação dos estudos incluídos na revisão integrativa
5: Interpretação dos resultados
6: Apresentação da revisão/síntese do conhecimento.
RESULTADOS E DISCUSSÕES
A emergência de casos de pneumonia de etiologia desconhecida foi inicialmente registrada em Wuhan, China, culminando na identificação, em janeiro de 2020, de um novo coronavírus, posteriormente denominado SARS-CoV-2. A rápida disseminação global do vírus levou à implementação de medidas de contenção, incluindo lockdowns e restrições de mobilidade internacional. A vacinação em massa teve início em dezembro de 2020, contudo, as sequelas associadas à infecção continuam representando um desafio clínico relevante. Estudos indicam que os indivíduos recuperados podem apresentar sintomas persistentes, tais como fadiga, dispneia, dificuldades cognitivas (comumente referidas como “nevoeiro cerebral”) e complicações cardiovasculares. Aproximadamente 87% dos pacientes hospitalizados relataram pelo menos um sintoma residual após a fase aguda da doença (Carfì, 2020).
A apresentação clínica da COVID-19 apresenta variações interindividuais, incluindo quadros assintomáticos, sintomas leves e formas graves que evoluem para Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG), requerendo hospitalização e intervenções intensivas. Nos casos moderados a graves, a doença pode comprometer múltiplos sistemas orgânicos, ocasionando danos agudos e potenciais sequelas de médio a longo prazo (Aguiar, 2022).
Entre as sequelas respiratórias de longo prazo, destacam-se alterações como a redução da capacidade de difusão do monóxido de carbono (DLCO), diminuição da capacidade de exercício físico e anomalias radiográficas persistentes, incluindo padrões compatíveis com fibrose pulmonar. A COVID-19 também está associada a uma elevada prevalência de eventos tromboembólicos venosos e trombose in situ, sugerindo que complicações crônicas como a doença tromboembólica venosa, hipertensão pulmonar e doenças intersticiais pulmonares possam surgir futuramente, impactando significativamente a capacidade funcional respiratória. as complicações cardíacas mais frequentes associadas à COVID-19, conforme Moura, incluem miocardite (inclusive casos fulminantes), arritmias, insuficiência cardíaca aguda e síndromes coronarianas agudas (Moura, 2021).
A pandemia também sobrecarregou os sistemas de saúde globalmente. Houve aumento exponencial na demanda por leitos hospitalares, ventiladores mecânicos e equipamentos de proteção individual (EPIs). Ademais, a interrupção de serviços de saúde regulares, incluindo consultas e tratamentos para doenças crônicas, resultou em aumento de complicações em outras áreas da saúde, conforme relatado pela Organização Mundial da Saúde (WHO, 2021).
No Brasil, um estudo realizado pelo projeto Monitora COVID-19, da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) (FIOCRUZ, 2021), mostrou como a pandemia impactou os atendimentos do Sistema Único de Saúde (SUS). Durante um ano e meio, o sistema registrou uma redução de 1,7 milhão de internações e cirurgias eletivas, o que equivale a uma queda de 9,9%, mesmo considerando o número de pessoas internadas por causa da Covid-19. As profissões com maior registro de casos foram as de técnicos ou auxiliares de enfermagem e médicos pois foram expostos à possibilidade de que faltem equipamentos de proteção individual, ventiladores mecânicos, insumos hospitalares, além de precisarem decidir, por vezes, quais pacientes terão direito a determinadas tecnologias assistivas.
Neste cenário, os trabalhadores da área da saúde vivenciaram enormes desafios no enfrentamento à pandemia como a falta de treinamento especializado para lidar com os casos mais graves, elevado grau de contágio no âmbito de trabalho, escassez de insumos, lesões por uso excessivo de EPIs, sobrecarga de trabalho, subcontratações, salários precários e os impactos sobre a saúde mental. (Moura, 2023).
CONSIDERAÇÕES FINAIS
O mundo viveu uma pandemia provocada pelo vírus SARS-CoV-2, denominada de COVID-19. Houve medidas drásticas como Lockdowns, que afetou a vida de toda a humanidade, causando medo e estranheza. Sequelas ficaram tanto em pacientes quanto na sociedade. Os trabalhadores da área da saúde viveram superações e traumas ao mesmo tempo.
No Brasil, o sistema de saúde sofreu sobrecarga devido aos atendimentos aos pacientes infectados e consequentemente houve redução de atendimentos a outros pacientes com diferentes diagnósticos, trazendo prejuízo para a saúde.
As sequelas do COVID-19 representam um desafio significativo e a compreensão das complicações da infecção a longo prazo é crucial para o desenvolvimento de estratégias de tratamento e reabilitação. A pesquisa contínua e o monitoramento dos pacientes recuperados são essenciais para mitigar os impactos da pandemia.
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