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Resumo
INTRODUÇÃO
A gestão de enfermagem no serviço de emergência é um componente essencial para garantir a qualidade e a segurança da assistência prestada aos pacientes. O ambiente de emergência é marcado por alta complexidade, instabilidade e necessidade de respostas rápidas, o que exige do enfermeiro gestor habilidades técnicas, administrativas e relacionais para coordenar equipes, recursos e processos assistenciais (Jesus; Pfaffenbach; Gomes, 2024).
Nesse contexto, o cuidado humanizado torna-se um desafio constante, principalmente diante de fatores como a sobrecarga de trabalho, escassez de recursos e demandas imprevisíveis. A humanização da assistência em ambientes de urgência e emergência requer estratégias de gestão que promovam o acolhimento, a escuta qualificada e o respeito à singularidade de cada sujeito, tanto pacientes quanto profissionais (Ribeiro; Batista, 2021).
A atuação do enfermeiro gestor deve ir além da organização e supervisão de rotinas necessário adotar posturas que favoreçam a valorização da equipe, incentivem a comunicação e promovam o trabalho em equipe, especialmente em contextos críticos onde o sofrimento humano é evidente (Ferreira, 2023).
A Teoria das Relações Humanas, proposta por Elton Mayo, oferece subsídios relevantes para repensar a gestão em saúde, à medida que enfatiza a importância das relações interpessoais, da motivação e cooperação no ambiente de trabalho. Essa abordagem, ao considerar o ser humano como elemento central nas organizações, contribui para uma gestão mais sensível às necessidades dos trabalhadores e usuários (Mayo, 2023).
Diante desse cenário, este estudo propõe-se a responder à seguinte pergunta de pesquisa: de que maneira os princípios das Teorias das Relações Humanas podem contribuir para uma gestão de enfermagem mais eficaz e humanizada no serviço de emergência?
E o estudo justifica sua realização, pela necessidade de promover uma reflexão crítica sobre os modelos de gestão de enfermagem praticados nos serviços de emergência, que muitas vezes negligenciam o aspecto humano e relacional em nome da eficiência operacional. Adoção de práticas baseada na Teoria das Relações Humanas poderá contribuir para uma assistência mais acolhedora centrada no cuidado. Além disso, o fortalecimento das relações entre as equipes impactará na qualidade do cuidado e na saúde ocupacional.
Assim, o objetivo deste trabalho é analisar como os fundamentos da Teoria podem ser aplicados na gestão da enfermagem em serviços de emergência, de modo promover uma prática eficiente, colaborativa e humanizada.
METODOLOGIA
Este estudo adota uma abordagem qualitativa exploratória, com base em revisão bibliográfica. Foram selecionados artigos publicados entre 2019 a 2025 nas bases de dados, Scielo, Lilacs e Google Acadêmico, foram excluídas monografias, dissertações e teses, por ser impraticável analisá-las sistematicamente, bem como artigos de reflexão. Utilizaram-se as seguintes palavras chaves: Gestão em enfermagem, serviços de emergência, teorias das relações humanas, humanização da assistência.
Os artigos foram analisados com o objetivo de explorar as possibilidades de implementação da abordagem da Teoria das Relações Humanas no contexto dos serviços de atendimento de emergência, visando promover o bem-estar dos profissionais, elementos essenciais para a melhoria da qualidade do atendimento.
A pesquisa focou na aplicação da Teoria das Relações Humanas, desenvolvida principalmente por George Elton Mayo, ressaltando a relevância das relações interpessoais, da comunicação e da valorização dos profissionais no ambiente organizacional da enfermagem. Nessa perspectiva, envolve identificar categorias e subcategorias relacionadas às práticas de gestão, as relações interpessoais, à comunicação e o clima organizacional. Dessa forma, permitirá compreender profundamente os aspectos abordados no estudo, organizando as informações de maneira estruturada e significativa.
REFERENCIAL TEÓRICO
A GESTÃO DE ENFERMAGEM NO SERVIÇO DE EMERGÊNCIA
A gestão de enfermagem em unidades de emergência é um componente central para assegurar a organização, a continuidade e a qualidade da assistência prestada. O enfermeiro gestor atua como articulador entre os profissionais da equipe, os recursos disponíveis e as demandas do serviço, exercendo papel estratégico na tomada de decisões e na liderança das ações assistenciais (Almeida et al., 2021).
Esse ambiente é caracterizado por dinâmicas imprevisíveis, alta rotatividade de pacientes, exigências de respostas rápidas e constante pressão emocional da equipe, o que torna a atuação do gestor de enfermagem ainda mais complexa (Costa et al., 2022). Por isso, é fundamental que o enfermeiro, além das competências técnicas e administrativas, desenvolva habilidades relacionais e de liderança para promover um ambiente de trabalho funcional, ético e colaborativo (Santos et al., 2024).
HUMANIZAÇÃO NO CONTEXTO URGÊNCIA E EMERGÊNCIA
A Política Nacional de Humanização (PNH) busca transformar o cuidado no SUS, promovendo escuta, acolhimento e vínculo (Sousa et al., 2019). Na emergência, ela é essencial, envolvendo escuta ativa, empatia e respeito às subjetividades (Ribeiro; Batista, 2021). Desafios como excesso de demanda, recursos escassos e normas rígidas dificultam sua implementação (Barboza et al., 2020). O enfermeiro gestor deve equilibrar princípios da PNH com agilidade e segurança. A ética e o respeito à singularidade do paciente são essenciais para um cuidado integral (Santos; Silva, 2023). Também é importante promover espaços de escuta na equipe, fortalecendo a colaboração.
A APLICAÇÃO DA TEORIA DAS RELAÇÕES HUMANAS NA GESTÃO DE ENFERMAGEM
A Teoria das Relações Humanas, proposta por Elton Mayo, surgiu como uma reação à abordagem mecanicista das organizações e passou a defender a valorização dos aspectos sociais e emocionais no ambiente de trabalho. Essa teoria destaca a importância das relações interpessoais, da comunicação, da motivação e do sentimento de pertencimento como fatores fundamentais para a produtividade e a satisfação no trabalho (Santos et al., 2024).
No contexto da enfermagem, essa abordagem se mostra altamente relevante. Profissionais da linha de frente, especialmente em emergências, estão expostos a elevados níveis de estresse e sobrecarga, o que exige do gestor uma postura empática, colaborativa e sensível às necessidades da equipe (Silva et al., 2024),
Santos et al. (2023) ainda que o ambiente da emergência priorize a agilidade e técnica, é imprescindível que o gestor de enfermagem encontre um equilíbrio entre a eficiência e a humanização, promovendo uma cultura de cuidado voltado tanto para o paciente quanto para os profissionais
ANÁLISE E DISCUSSÕES
A presente revisão bibliográfica baseou-se na análise dos artigos sobre a gestão de enfermagem em serviços de emergência sob a ótica da Teoria das Relações Humanas, revelou uma série de categorias e subcategorias que são fundamentais para o entendimento do processo de gestão nesse contexto. A análise permitiu identificar temas recorrentes, como práticas de gestão, liderança, tomada de decisão, gerenciamento de recursos, relações interpessoais no ambiente de trabalho, empatia, escuta ativa, resolução de conflitos e o vínculo com pacientes e familiares.
CATEGORIA 1: PRÁTICAS DE GESTÃO DE ENFERMAGEM
SUBCATEGORIA 1.1 – ORGANIZAÇÃO E PLANEJAMENTO DA ASSISTÊNCIA
A organização e o planejamento são fundamentais para a eficácia dos serviços de emergência, exigindo fluxos bem definidos, alocação adequada de recursos e protocolos de assistência (Almeida et al., 2021; Silva et al., 2021; Costa et al., 2022). O enfermeiro deve atuar estrategicamente, com uma visão ampla do serviço, antecipando demandas e prevenindo falhas (Almeida et al., 2021; Costa et al., 2022; Ribeiro e Batista, 2021).
Em ambientes complexos, essa postura é essencial para otimizar processos. A liderança do enfermeiro gestor deve ser participativa, promovendo o envolvimento da equipe nas decisões (Ribeiro; Batista, 2021). Dessa forma, planejamento e organização ultrapassam o aspecto técnico, assumindo um papel estratégico (Almeida et al., 2021; Costa et al., 2022). Esse processo garante um cuidado mais eficiente, ético e centrado no paciente.
SUBCATEGORIA 1.2 LIDERANÇA E TOMADA DE DECISÃO
A liderança e a tomada de decisão são competências essenciais para os enfermeiros em emergências, atuando como mediadores entre a equipe e outros setores. Segundo autores como Almeida et al. (2021), Costa et al. (2022) e Ribeiro e Batista (2021), a liderança deve ser baseada na escuta, acolhimento e articulação de saberes, promovendo envolvimento e responsabilidade compartilhada nas ações de cuidado.
Freitas e Ferreira (2023), destacam a importância de gerenciar conflitos, motivar profissionais e manter a qualidade, especialmente sob pressão. Ferreira (2023), reforça que um líder humanizado valoriza a subjetividade, respeita limites e estimula o crescimento coletivo. Assim, a liderança participativa, pautada em empatia e diálogo, contribui para um ambiente mais saudável, humanizado e fortalecido nas relações interpessoais na enfermagem de emergência.
SUBCATEGORIA 1.3 – GERENCIAMENTO DE RECURSOS HUMANOS E MATERIAIS
O gerenciamento de recursos humanos e materiais é um dos maiores desafios da gestão em enfermagem nos serviços de emergência, exigindo alocação estratégica da equipe e administração eficiente dos insumos (Almeida et al., 2021; Costa et al., 2022; Ribeiro; Batista, 2021). O enfermeiro gestor deve garantir profissionais em número e qualificação adequados para lidar com a complexidade dos atendimentos (Santos et al., 2023). O dimensionamento correto da equipe e a capacitação contínua impactam diretamente na qualidade e segurança da assistência.
A gestão de materiais também é essencial, já que sua indisponibilidade compromete o cuidado (Silva et al., 2021). O planejamento e controle de estoque evitam desperdícios e promovem resolutividade (Freitas; Ferreira, 2023). A escassez de recursos ou a sobrecarga da equipe afeta o bem-estar e a qualidade do atendimento (Silva et al., 2024). Por isso, o enfermeiro deve atuar como articulador das condições de trabalho. O gerenciamento vai além do técnico, sendo uma prática estratégica e relacional (Silva; Barboza; Almeida, 2020).
CATEGORIA 2: RELAÇÕES INTERPESSOAIS NO AMBIENTE DE TRABALHO
SUBCATEGORIA 2.1 – INTERAÇÃO ENTRE A EQUIPE DE ENFERMAGEM E PROFISSIONAIS DA SAÚDE
As relações interpessoais são fundamentais para um cuidado seguro, ético e humanizado nos serviços de emergência, influenciando diretamente a coesão da equipe e a qualidade da assistência (Santos, 2023). A integração entre profissionais favorece decisões mais assertivas e o enfrentamento coletivo de desafios (Ribeiro, 2021). Essa interação exige, além de competência técnica, habilidades comunicacionais, como empatia e escuta ativa.
A ausência de diálogo pode gerar conflitos e comprometer o cuidado (Freitas; Ferreira, 2023). Já um ambiente colaborativo torna o trabalho mais eficiente. O enfermeiro, nesse contexto, atua como facilitador das relações e articulador da equipe (Silva; Barboza; Almeida, 2020). Assim, as relações interpessoais não são apenas subjetivas, mas uma dimensão estratégica da gestão em saúde (Silva; Pereira; Costa, 2023).
SUBCATEGORIA 2.2 – RELAÇÃO ENFERMEIRO E PACIENTE E COM FAMILIARES
A relação entre enfermeiros, pacientes e familiares é essencial para a promoção do cuidado humanizado nos serviços de emergência, fortalecida por práticas como o acolhimento, a escuta ativa e a comunicação clara (Alves et al., 2018). A humanização envolve reconhecer as necessidades emocionais e informacionais dos familiares em situações de fragilidade (Sousa, 2019). O enfermeiro, ao estabelecer uma comunicação empática, atua como elo entre paciente, família e equipe.
Ribeiro (2021), destaca que a família deve ser vista como parte ativa do cuidado, necessitando orientação e inclusão. A exclusão familiar pode gerar insegurança, enquanto o diálogo aberto promove confiança e acolhimento. Assim, o vínculo construído entre enfermeiro, paciente e família favorece a adesão ao tratamento, reduz conflitos e promove uma assistência mais ética e integrada.
SUBCATEGORIA 2.3 – CONFLITOS INTERPESSOAIS E RESOLUÇÃO DOS PROBLEMAS
Os conflitos interpessoais nos serviços de emergência são comuns e geralmente provocados por estresse, sobrecarga de trabalho e falhas na comunicação (Lima et al., 2022). Quando mal gerenciados, afetam negativamente a dinâmica da equipe e a qualidade do cuidado. Divergências entre profissionais geram tensões e desgaste emocional, agravados por autoritarismo e falta de diálogo (Ribeiro, 2021). No entanto, conflitos podem ser oportunidades de crescimento quando abordados de forma construtiva.
O enfermeiro gestor tem papel crucial ao mediar conflitos, promover o diálogo e valorizar a escuta ativa (Silva; Amestoy, 2023). A gestão participativa e os espaços de escuta coletiva fortalecem a harmonia no ambiente de trabalho (Santos; Oliveira, 2024). Assim, a resolução de conflitos integra uma gestão humanizada, alinhada aos princípios da Teoria das Relações Humanas.
SUBCATEGORIA 2.4 – EMPATIA E ESCUTA ATIVA
A empatia e a escuta ativa são habilidades essenciais na enfermagem, especialmente nos serviços de emergência, onde as relações humanas são desafiadas por sofrimento e estresse. Segundo Sousa (2019), a escuta ativa permite ao enfermeiro captar as emoções e necessidades subjetivas do paciente, fortalecendo o vínculo terapêutico e promovendo um cuidado humanizado. Ribeiro (2021), enfatiza que a empatia é uma postura ética e profissional, que minimiza conflitos e aumenta a adesão ao tratamento.
Para Silva, Freitas e Ferreira (2023), a empatia também deve ser estendida à equipe de enfermagem, promovendo um ambiente de trabalho saudável e cooperativo. Santos (2023), destaca que, ao adotar uma postura acolhedora, o enfermeiro contribui para um ambiente mais harmonioso, impactando positivamente a qualidade do cuidado. Assim, empatia e escuta ativa são pilares estratégicos de uma gestão centrada nas pessoas.
CATEGORIA 3: COMUNICAÇÃO NO SERVIÇO DE ENFERMAGEM
SUBCATEGORIA 3.1 – COMUNICAÇÃO EFICIENTE ENTRE MEMBRO DA EQUIPE
A comunicação eficiente entre os membros da equipe de enfermagem é essencial para garantir a qualidade da assistência, promover a segurança do paciente e otimizar os processos de trabalho, especialmente em serviços de emergência (Jesus; Pfaffenbach; Gomes, 2024). Sousa (2019) destaca que a comunicação assertiva fortalece o vínculo entre os profissionais e organiza o cuidado. Ribeiro (2021), reforça que a troca constante de informações favorece decisões rápidas e humanizadas. Santos et al. (2024), alertam que a comunicação ineficaz pode gerar conflitos e comprometer a segurança do paciente, enquanto práticas bem estruturadas integram a equipe multiprofissional.
A liderança do enfermeiro é crucial para coordenar as interações (Silva; Amestoy, 2023; Ferreira, 2023; Freitas; Ferreira, 2023). Santos e Silva (2023), enfatizam a importância do desenvolvimento contínuo das competências comunicacionais para a eficácia do atendimento. Assim, canais de diálogo abertos e respeitosos fortalecem as relações e qualificam a assistência.
SUBCATEGORIA 3.2 – BARREIRAS E RUÍDOS NA COMUNICAÇÃO
As barreiras e os ruídos na comunicação entre os membros da equipe de enfermagem no serviço de emergência são desafios constantes, agravados pela sobrecarga de trabalho, estresse e falta de estrutura adequada (Silva et al., 2021; Lima et al., 2022; Santos et al., 2024). Fatores como hierarquização excessiva, falta de escuta e linguagem técnica incompreensível comprometem a clareza da informação e a continuidade do cuidado.
Em ambientes de urgência, a rapidez das decisões aumenta a probabilidade de falhas comunicacionais, com a falta de empatia e comunicação autoritária, enfraquecendo a interação entre os profissionais (Santos; Silva, 2023; Santos et al., 2024; Silva et al., 2023). Ribeiro (2021), alerta que esses ruídos podem resultar em duplicidade de tarefas e omissão de cuidados, prejudicando a assistência ao paciente. Por isso, é essencial adotar protocolos de comunicação, treinamentos e promover uma cultura de diálogo aberto e respeitoso.
SUBCATEGORIA 3.3 – COMUNICAÇÃO COMO ELEMENTO HUMANIZADO DO CUIDADO
A comunicação humanizada é essencial na prática de enfermagem em serviços de emergência, promovendo empatia, acolhimento e respeito mútuo entre profissionais e pacientes. Sousa (2019), destaca que uma comunicação sensível às necessidades emocionais e físicas do paciente fortalece o vínculo terapêutico e melhora a percepção do cuidado. Ribeiro (2021), acrescenta que a escuta ativa, o uso de linguagem acessível e o interesse genuíno refletem um cuidado centrado na pessoa, reduzindo o sofrimento e proporcionando segurança aos pacientes e familiares.
Sousa et al. (2019), Ribeiro e Batista (2021), e Santos et al. (2023), enfatizam que a escuta qualificada é um pilar da humanização e deve ser praticada em todas as etapas do atendimento. Além disso, Santos e Silva (2023), Ribeiro e Batista (2021) e Sousa et al. ressaltam que a comunicação empática e ética valoriza o paciente e rompe com práticas desumanizadas, tornando-se um ato de cuidado que vai além da técnica.
CATEGORIA 4: CLIMA ORGANIZACIONAL E CONDIÇÕES DE TRABALHO
SUBCATEGORIA 4.1 – SATISFAÇÃO E BEM-ESTAR
Silva et al. (2021), Silva, Pereira e Costa (2023) e Santos e Oliveira (2024), ressaltam que a satisfação e o bem-estar dos profissionais de enfermagem nos serviços de emergência estão intimamente ligados ao clima organizacional e às condições de trabalho. Ambientes acolhedores e relações interpessoais respeitosas contribuem para a motivação e desempenho da equipe (Silva et al., 2021; Pereira; Costa, 2023). Por outro lado, fatores como sobrecarga de trabalho, escassez de recursos e falta de reconhecimento impactam negativamente o bem-estar dos enfermeiros, refletindo na qualidade do cuidado (Silva et al., 2021; Freitas; Ferreira, 2023; Lima et al., 2022).
A promoção de um ambiente saudável reduz estresse e adoecimento, favorecendo o comprometimento da equipe. Além disso, a gestão humanizada é crucial para garantir a saúde mental e emocional dos profissionais (Almeida et al., 2021; Ribeiro; Batista, 2021; Freitas; Ferreira, 2023). Espaços de escuta e apoio institucional fortalecem a coesão da equipe e a satisfação dos enfermeiros.
SUBCATEGORIA 4.2 – SOBRECARGA DE TRABALHO E ESTRESSE EMOCIONAL
Silva et al. (2021), Freitas e Ferreira (2023) e Ribeiro e Batista (2021), destacam a carga de trabalho no serviço de emergência é frequentemente apontada nos estudos como um dos principais fatores que impactam negativamente o desempenho e o bem-estar dos profissionais da enfermagem. De acordo, a alta demanda por atendimentos, a rotatividade de paciente e necessidade de respostas rápidas geram um ambiente de constante pressão, leva à exaustão física e emocional da equipe.
Freitas e Ferreira (2023), ressalta que a sobrecarga compromete a qualidade do cuidado prestado, pois reduz o tempo de atenção individual ao paciente e limitam a incapacidade de atuação humanizada. Segundo Ribeiro e Batista (2021), destacam a insuficiência de recursos humanos e materiais agrava esse cenário, exigindo dos profissionais um esforço contínuo para suprir as demandas do setor, muitas vezes com sacrifício da própria saúde. Observa-se que esse excesso de responsabilidade pode gerar sentimentos de frustração, desvalorização e impotência.
SUBCATEGORIA 4.3 – RECONHECIMENTO PROFISSIONAL E VALORIZAÇÃO
O reconhecimento profissional e valorização são fatores cruciais para o bem-estar dos profissionais de enfermagem, especialmente em ambientes de alta pressão como os serviços de emergência. Silva et al. (2021), destacam que o reconhecimento adequado das habilidades e esforços dos enfermeiros não só melhora a satisfação e o desempenho da equipe, mas também contribui para a retenção dos profissionais.
Freitas e Ferreira (2023), ressaltam que a valorização do trabalho, tanto no aspecto técnico quanto no humano, é essencial para a motivação dos profissionais, reduzindo o estresse e a sobrecarga emocional. Almeida et al. (2021), reforçam que um ambiente que promove a valorização e o respeito mútuo favorece a coesão da equipe e o comprometimento com a missão institucional. Assim, reconhecer o esforço dos enfermeiros e oferecer espaços para seu crescimento são práticas que impactam diretamente na qualidade do cuidado e na saúde organizacional.
SUBCATEGORIA 4.4 – CULTURA E ORGANIZACIONAL
A cultura organizacional desempenha um papel fundamental no ambiente de trabalho, influenciando diretamente o comportamento e a satisfação dos profissionais. Segundo Silva et al. (2021), uma cultura organizacional positiva, que valoriza a comunicação aberta, a colaboração e o respeito, contribui para a criação de um ambiente de trabalho saudável, reduzindo o estresse e melhorando a qualidade da assistência prestada.
Almeida et al. (2021), destacam que a cultura organizacional também impacta a motivação da equipe, incentivando o engajamento e o comprometimento com os objetivos da instituição. Freitas e Ferreira (2023), ressaltam que a adoção de práticas de gestão participativa e inclusiva fortalece a cultura de cuidado e acolhimento, essencial em serviços de alta complexidade, como os de emergência. Dessa forma, uma cultura organizacional sólida e alinhada com valores humanizados e colaborativos é crucial para o sucesso e bem-estar da equipe de enfermagem.
Os eixos temáticos identificados nesta pesquisa revelam uma profunda conexão com os princípios defendidos pela Teoria das Relações Humanas formulada por Elton Mayo na década de 1930. Tal abordagem surgiu como contraponto ao modelo mecanicista da administração científica, valorizando os aspectos emocionais, sociais e psicológicos do trabalho (Mayo, 2023; Chiavenato, 2014; Silva et al., 2021).
Na categoria Práticas de Gestão de Enfermagem, elementos como liderança, planejamento e supervisão destacam o papel do enfermeiro como mediador de relações, influenciando diretamente o comportamento da equipe (Mayo, 2023; Chiavenato, 2014).
A motivação dos trabalhadores, segundo Mayo (2023), está relacionada à forma como são tratados e integrados ao grupo, com foco na empatia, escuta ativa e resolução de conflitos.
A comunicação é essencial para fortalecer o grupo e criar um ambiente saudável (Chiavenato, 2014), sendo um pilar da gestão eficaz em enfermagem. Os enfermeiros devem estar atentos às dinâmicas humanas para promover cooperação e vínculos com a equipe e os usuários (Mayo, 2023; Almeida et al., 2021).
O clima organizacional também impacta o bem-estar, estresse e reconhecimento profissional, alinhando-se à visão de Mayo sobre as condições de trabalho e apoio emocional como fatores essenciais para o desempenho e engajamento (Mayo, 2023; Chiavenato, 2014). A valorização do profissional contribui para a qualidade do cuidado e fortalece a equipe.
Assim, os achados do estudo mostram que os fundamentos da Teoria das Relações Humanas permanecem atuais e relevantes, sobretudo em ambientes críticos como os serviços de urgência e emergência, onde a complexidade do cuidado exige mais que competências técnicas, exige sensibilidade, diálogo e liderança humanizada.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
A gestão de enfermagem em serviços de emergência, quando analisada sob ótica da Teoria das Relações Humanas, evidencia que as relações interpessoais, a valorização do ser humano e a comunicação eficaz são pilares essenciais para uma assistência qualificada. Por meio de análise temática dos artigos, foi possível identificar dimensões fundamentais como práticas de gestão, liderança, tomada de decisão, gerenciamento de recursos e a importância do relacionamento entre equipe, paciente e familiares.
Os resultados apontam que a atuação do enfermeiro gestor ultrapassa os limites da administração técnica, exigindo habilidades relacionais, empatia e escuta ativa. A organização e o planejamento da assistência, a liderança participativa e o gerenciamento de recursos humanos e materiais revelam-se estratégias indispensáveis para garantir a eficiência do cuidado e a humanização no atendimento. Além disso, a construção de vínculos interpessoais positivos no ambiente de trabalho fortalece o espírito de equipe, reduz conflitos e melhora os resultados assistenciais.
No que diz respeito à relação com o paciente e seus familiares, observa-se que a escuta, o acolhimento e a participação ativa desses sujeitos no processo de cuidado favorecem um ambiente mais ético, acolhedor e resolutivo. Assim, a gestão de enfermagem, fundamentada na Teoria das Relações Humanas, contribuiu para a promoção de um cuidado humano, eficiente e centrado nas necessidades das pessoas, fortalecendo a prática profissional e os resultados em saúde.
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