Índice de qualidade da água (IQA): Avaliação multiescalar com ênfase no projeto água de Minas e no Rio Uberabinha em Uberlândia

WATER QUALITY INDEX (WQI): MULTISCALE ASSESSMENT WITH EMPHASIS ON THE ÁGUA DE MINAS PROJECT AND THE UBERABINHA RIVER IN UBERLÂNDIA

ÍNDICE DE CALIDAD DEL AGUA (ICA): EVALUACIÓN MULTIESCALAR CON ÉNFASIS EN EL PROYECTO AGUA DE MINAS Y EL RÍO UBERABINHA EN UBERLÂNDIA

Autor

URL do Artigo

https://iiscientific.com/artigos/A024D1

DOI

doi.org/10.63391/A024D1

Silva, Emília Rosa da . Índice de qualidade da água (IQA): Avaliação multiescalar com ênfase no projeto água de Minas e no Rio Uberabinha em Uberlândia. International Integralize Scientific. v 5, n 48, Junho/2025 ISSN/3085-654X

Resumo

O Índice de Qualidade da Água (IQA) é uma ferramenta técnica e normativa amplamente utilizada para avaliar, de forma integrada e simplificada, a condição ambiental de corpos hídricos. Este artigo tem como objetivo analisar o IQA em diferentes escalas — global, nacional, estadual (Minas Gerais) e local (Uberlândia/MG) — destacando seus parâmetros, metodologia de cálculo, faixas de classificação e importância para a gestão dos recursos hídricos. A metodologia adotada baseia-se na revisão de literatura técnica e institucional, com ênfase nos dados fornecidos por órgãos como a CETESB, ANA, IGAM e organismos internacionais como a OMS e a ONU. Os resultados demonstram que, embora o IQA médio nacional e estadual se enquadre na faixa “boa”, há variações significativas em áreas urbanizadas, como observado no Rio Uberabinha, em Uberlândia, onde a qualidade da água decresce a jusante da cidade. Conclui-se que o IQA é um instrumento essencial para o planejamento ambiental, a formulação de políticas públicas e a promoção da governança hídrica, contribuindo para o cumprimento dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), especialmente o ODS 6, que trata do acesso à água potável e ao saneamento.
Palavras-chave
qualidade da água; IQA; gestão hídrica; Uberabinha; recursos hídricos.

Summary

The Water Quality Index (WQI) is a widely used technical and normative tool designed to assess, in an integrated and simplified manner, the environmental condition of water bodies. This article aims to analyze the WQI at multiple scales—global, national, state (Minas Gerais), and local (Uberlândia/MG)—highlighting its parameters, calculation methodology, classification ranges, and relevance for water resource management. The methodology is based on a review of technical and institutional literature, with emphasis on data provided by agencies such as CETESB, ANA, IGAM, and international organizations like WHO and the UN. The results show that, although the national and state average WQI falls within the “good” range, significant variations occur in urbanized areas, as observed in the Uberabinha River in Uberlândia, where water quality declines downstream of the city. It is concluded that the WQI is an essential instrument for environmental planning, public policy formulation, and the promotion of water governance, contributing to the achievement of the Sustainable Development Goals (SDGs), particularly SDG 6, which addresses access to clean water and sanitation.
Keywords
water quality; WQI; water management; Uberabinha; water resources.

Resumen

El Índice de Calidad del Agua (ICA) es una herramienta técnica y normativa ampliamente utilizada para evaluar, de manera integrada y simplificada, la condición ambiental de los cuerpos de agua. Este artículo tiene como objetivo analizar el ICA en diferentes escalas —global, nacional, estatal (Minas Gerais) y local (Uberlândia/MG)— destacando sus parámetros, metodología de cálculo, rangos de clasificación y su importancia para la gestión de los recursos hídricos. La metodología se basa en una revisión de literatura técnica e institucional, con énfasis en los datos proporcionados por organismos como CETESB, ANA, IGAM y entidades internacionales como la OMS y la ONU. Los resultados muestran que, aunque el promedio nacional y estatal del ICA se clasifica como “bueno”, existen variaciones significativas en áreas urbanizadas, como se observa en el río Uberabinha, en Uberlândia, donde la calidad del agua disminuye aguas abajo de la ciudad. Se concluye que el ICA es un instrumento esencial para la planificación ambiental, la formulación de políticas públicas y la promoción de la gobernanza del agua, contribuyendo al cumplimiento de los Objetivos de Desarrollo Sostenible (ODS), especialmente el ODS 6, que trata sobre el acceso al agua potable y al saneamiento.
Palavras-clave
calidad del agua; ICA; gestión hídrica; Uberabinha; recursos hídricos.

INTRODUÇÃO

A água é um recurso essencial à vida, ao desenvolvimento econômico e à manutenção dos ecossistemas. No entanto, a crescente degradação ambiental, a urbanização desordenada e o lançamento inadequado de efluentes comprometem significativamente a qualidade dos corpos hídricos. Neste contexto, o Índice de Qualidade da Água (IQA) emerge como uma ferramenta indispensável para avaliar e comunicar, de forma objetiva e padronizada, a condição ambiental de rios, lagos e reservatórios (CETESB, 2018).

Desenvolvido originalmente pela National Sanitation Foundation (NSF), nos Estados Unidos, o IQA foi adaptado ao contexto brasileiro por instituições como a Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (CETESB) e adotado nacionalmente por órgãos como a Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA) e o Instituto Mineiro de Gestão das Águas (IGAM) (NSF, 2004). Este último, por meio do programa Água de Minas, realiza o monitoramento sistemático da qualidade da água em mais de 700 pontos no estado, incluindo o Rio Uberabinha, que corta a cidade de Uberlândia (IGAM, 2023).

A avaliação do IQA no Rio Uberabinha, tanto a montante quanto a jusante do perímetro urbano de Uberlândia, é estratégica para compreender os efeitos da urbanização, da ocupação do solo e da gestão de esgoto sobre a qualidade da água. A comparação entre esses dois trechos revela o impacto direto das atividades antrópicas e orienta a formulação de políticas públicas voltadas à proteção dos recursos hídricos (Brasil, 2020).

Dessa forma, este estudo tem como propósito analisar a metodologia e os resultados do Índice de Qualidade da Água em escalas global, nacional, estadual (com ênfase em Minas Gerais e no programa Água de Minas) e local (foco no Rio Uberabinha em Uberlândia).

OBJETIVO GERAL

Analisar o Índice de Qualidade da Água (IQA) como ferramenta de gestão hídrica, com ênfase nos dados do Programa Água de Minas, destacando os resultados de qualidade do Rio Uberabinha a montante e jusante da cidade de Uberlândia.

OBJETIVOS ESPECÍFICOS

  1. Apresentar o conceito e a metodologia de cálculo do IQA, com base em parâmetros físico-químicos e biológicos.
  2. Identificar os parâmetros utilizados, seus pesos e a importância técnica de cada indicador na avaliação da qualidade da água.
  3. Descrever as faixas de classificação do IQA e seus critérios de interpretação segundo o IGAM e outros órgãos oficiais.
  4. Analisar os resultados históricos e recentes do IQA em Minas Gerais, com destaque para o Rio Uberabinha.
  5. Discutir a importância do IQA na gestão de recursos hídricos, políticas públicas e controle ambiental no contexto urbano de Uberlândia.

A partir da integração entre as bases conceituais do IQA, os dados monitorados e a realidade hídrica local, busca-se evidenciar a relevância desta ferramenta para o diagnóstico e a tomada de decisões voltadas à sustentabilidade da bacia hidrográfica do Rio Uberabinha.

DESENVOLVIMENTO

CONCEITO E METODOLOGIA DE CÁLCULO DO ÍNDICE DE QUALIDADE DA ÁGUA (IQA)

O Índice de Qualidade da Água (IQA) é uma ferramenta técnica desenvolvida para simplificar e padronizar a avaliação da qualidade de corpos hídricos. Ele condensa múltiplos parâmetros físico-químicos, biológicos e organolépticos em um único valor numérico, variando de 0 a 100, facilitando a compreensão por parte de técnicos, gestores públicos e da sociedade (NSF, 1970; CETESB, 2022).

Originalmente criado pela National Sanitation Foundation (NSF) nos Estados Unidos, o IQA foi adaptado ao Brasil nos anos 1980 pela Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (CETESB), mantendo a estrutura metodológica original, porém ajustando os valores de referência aos padrões de qualidade da Resolução CONAMA nº 357/2005 e às condições ambientais do país (CETESB, 2022; Brasil, 2005).

O conceito de Índice de Qualidade da Água (Water Quality Index – WQI) tem sido amplamente difundido no mundo como uma ferramenta de gestão ambiental e comunicação pública. Seu objetivo central é consolidar múltiplas variáveis físico-químicas, biológicas e microbiológicas em um único valor numérico, representando a qualidade global de um corpo hídrico em relação ao seu uso predominante (abastecimento, recreação, proteção da biota, entre outros) (Brasil, 2020; NSF, 1970).

A abordagem internacional parte do princípio da simplificação técnica com transparência pública, especialmente para apoiar a tomada de decisão por gestores e o entendimento da sociedade civil (Brasil, 2020). A metodologia do WQI foi inicialmente desenvolvida pela National Sanitation Foundation (NSF) nos Estados Unidos na década de 1970 e, desde então, tem sido adaptada por diversos países conforme suas realidades ambientais e normativas (NSF, 1970).

EXEMPLOS DE APLICAÇÃO INTERNACIONAL

  • Estados Unidos (USEPA) O Environmental Protection Agency (EPA) utiliza sistemas de avaliação com base no WQI e indicadores específicos de suporte biológico, como o Index of Biotic Integrity (IBI). Os parâmetros variam conforme a região, mas o uso de OD, nutrientes, turbidez, pH e patógenos é comum. O WQI serve como base para os relatórios bianuais exigidos pelo Clean Water Act (EPA, 2020);
  • Canadá (Canadian Water Quality Index – CWQI) Desenvolvido pelo Canadian Council of Ministers of the Environment (CCME), o CWQI utiliza um modelo diferente, baseado em frequência de não conformidade com padrões legais. Ele avalia a extensão, frequência e amplitude dos desvios, e não apenas a média dos parâmetros (CCME, 2001);
  • Índia O Central Pollution Control Board aplica o WQI com foco em corpos hídricos urbanos e industriais, com adaptações regionais. A Índia tem mais de 2.500 estações de monitoramento com WQI reportado em cinco faixas de qualidade (Central Pollution Control Board, 2020);
  • Europa (Diretiva-Quadro da Água da União Europeia) Embora o WQI clássico não seja adotado, a Water Framework Directive (WFD) exige o monitoramento e classificação da água com base em status ecológico e químico, incluindo parâmetros físico-químicos, hidromorfológicos e biológicos. A integração é mais ampla, mas a ideia central de síntese permanece (EU Commission, 2021);
  • China A China utiliza o National Surface Water Quality Standard (GB 3838-2002), que inclui 24 parâmetros distribuídos em cinco classes de qualidade. O país também adota o conceito de índices integrados de qualidade, inclusive com aplicações para priorização de investimentos em saneamento (Ministry of Ecology and Environment, 2022);

Finalidades globais do uso do IQA/WQI:

  • Planejamento e priorização de investimentos públicos;
  • Licenciamento ambiental e fiscalização;
  • Comunicação ambiental com a população;
  • Monitoramento dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS 6.3.2 da ONU);
  • Avaliação de tendências temporais e alertas precoces para gestão de riscos.

CRÍTICAS E LIMITAÇÕES INTERNACIONAIS

A principal crítica internacional ao WQI tradicional é a sua incapacidade de captar contaminantes emergentes (como pesticidas, microplásticos, fármacos e metais traço) e eventos esporádicos, além da dependência de metodologias locais para definição dos subíndices (qi). Por isso, diversos países complementam o WQI com modelos ecotoxicológicos, índices biológicos, e monitoramento em tempo real com sensores remotos (UNESCO, 2021; OECD, 2022).

PARÂMETROS DO IQA: FUNÇÃO, IMPORTÂNCIA TÉCNICA E CRITÉRIOS DE PESAGEM

O uso do IQA ou seus equivalentes no mundo demonstra sua importância como indicador-síntese, facilitador de políticas públicas e comunicação intersetorial. Apesar das diferenças metodológicas, o conceito é compartilhado por todos os países que desejam avançar na gestão integrada e participativa dos recursos hídricos.

PARÂMETROS UTILIZADOS NO IQA

O IQA é composto por nove parâmetros-chave, cuja seleção se baseia em sua relevância para os usos múltiplos da água, especialmente o abastecimento público e a proteção da biota aquática. Cada parâmetro possui um peso específico (wi), que reflete sua importância relativa na composição do índice:

  • Oxigênio Dissolvido (OD) – Peso 0,17: Indicador da capacidade de suporte à vida aquática. Valores acima de 6 mg/L são desejáveis.
  • Coliformes Termotolerantes – Peso 0,15: Indicadores de contaminação fecal. Valores elevados (>1000 NMP/100 mL) sinalizam risco sanitário.
  • pH – Peso 0,12: Reflete a acidez ou alcalinidade da água. A faixa ideal está entre 6,0 e 9,0.
  • Demanda Bioquímica de Oxigênio (DBO5,20) – Peso 0,10: Mede a quantidade de matéria orgânica biodegradável. Valores aceitáveis variam até 5 mg/L.
  • Temperatura da água (∆T) – Peso 0,10: Influência solubilidade de oxigênio e metabolismo de organismos.
  • Nitrogênio Total – Peso 0,10: Nutriente que em excesso pode causar eutrofização.
  • Fósforo Total – Peso 0,10: Também associado à eutrofização. Valores acima de 0,1 mg/L podem induzir blooms de algas.
  • Turbidez – Peso 0,08: Expressa a presença de partículas em suspensão. Idealmente abaixo de 20 UNT.
  • Sólidos Totais – Peso 0,08: Soma de substâncias dissolvidas e suspensas. Limites de até 500 mg/L são aceitáveis para abastecimento.

Esses parâmetros são transformados em valores de qualidade (qi), utilizando curvas específicas para cada variável, baseadas em funções logarítmicas ou sigmoides.

CÁLCULO DO IQA

A fórmula do IQA é expressa por um produto ponderado dos subíndices (qi), de acordo com seus respectivos pesos (wi):

IQA = ∏ (qi^wi)

O valor final é arredondado para um número entre 0 e 100, classificado segundo as seguintes faixas:

  • Ótima (79–100): Água de excelente qualidade;
  • Boa (51–78): Adequada para os principais usos, mas com atenção a alguns parâmetros;
  • Regular (36–50): Requer tratamento adicional para usos mais exigentes;
  • Ruim (19–35): Inadequada para consumo humano sem tratamento intensivo;
  • Péssima (0–18): Alto nível de degradação ambiental (CETESB, 2022; ANA, 2023).

APLICAÇÕES E LIMITAÇÕES

O IQA é amplamente utilizado em relatórios técnicos, monitoramento ambiental, gestão de bacias hidrográficas e processos de licenciamento. No entanto, sua aplicação requer amostragem padronizada, uso de laboratórios certificados (ABNT NBR ISO/IEC 17025:2017) e atualização constante das curvas de conversão qi.

Embora eficaz na comunicação, o IQA não substitui análises específicas de toxicidade, metais pesados ou contaminantes emergentes. Por isso, sua utilização é complementar a outros instrumentos de gestão da qualidade da água.

PONDERAÇÃO E CÁLCULO

A atribuição dos pesos ao IQA não é arbitrária. Ela foi definida com base em estudos de sensibilidade e validação estatística da capacidade de cada parâmetro representar variações significativas na qualidade da água. O método adotado pela CETESB e IGAM continua a ser o mais utilizado no Brasil (CETESB, 2022; IGAM, 2023).

FAIXAS DE CLASSIFICAÇÃO E VALORES DE REFERÊNCIA DO ÍNDICE DE QUALIDADE DA ÁGUA (IQA)

A interpretação dos resultados do Índice de Qualidade da Água (IQA) é realizada por meio de faixas de classificação qualitativa, que têm como principal objetivo facilitar a comunicação dos dados técnicos com o público em geral, além de orientar ações de fiscalização ambiental e subsidiar a formulação de políticas públicas. Essa categorização permite, ainda, a comparação de séries históricas, a identificação de áreas prioritárias para intervenção e o monitoramento de tendências de melhoria ou degradação da qualidade da água ao longo do tempo.

CLASSIFICAÇÃO DO IQA NO BRASIL

No Brasil, a classificação do IQA segue a metodologia adaptada pela Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (CETESB), sendo amplamente adotada por órgãos como a Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA), o Instituto Mineiro de Gestão das Águas (IGAM) e outras entidades estaduais de meio ambiente. Essa classificação é baseada no valor final do índice, calculado a partir de nove parâmetros físico-químicos e microbiológicos, ponderados conforme sua relevância para a saúde ambiental e humana.

A classificação do IQA é dividida em cinco faixas qualitativas, cada uma representando um intervalo numérico específico e associada a uma interpretação ambiental. Essa estrutura facilita a compreensão dos dados por diferentes públicos e orienta ações de gestão e fiscalização ambiental.

  1. Faixa Ótima (IQA entre 79 e 100): Representa águas de excelente qualidade, com condições ideais para todos os usos, incluindo o abastecimento público com apenas desinfecção simples e atividades recreativas de contato direto, como natação. Essa faixa indica baixa presença de poluentes e parâmetros dentro dos limites ideais para a manutenção da vida aquática;
  2. Faixa Boa (IQA entre 51 e 78): Indica águas com boa qualidade, embora possam apresentar pequenas limitações em alguns parâmetros. Ainda são adequadas para o abastecimento humano, desde que submetidas a tratamento convencional. Também podem ser utilizadas para recreação, com menor risco à saúde;
  3. Faixa Regular (IQA entre 36 e 50): Refere-se a águas que apresentam qualidade intermediária, com presença de poluentes em níveis que exigem tratamento avançado para torná-las potáveis. O uso recreativo é desaconselhado, especialmente em atividades de contato direto, devido ao risco de contaminação;
  4. Faixa Ruim (IQA entre 19 e 35): Caracteriza águas comprometidas, com concentrações elevadas de poluentes orgânicos e microbiológicos. São inadequadas para a maioria dos usos, incluindo abastecimento e recreação, e representam risco à saúde humana e à fauna aquática;
  5. Faixa Péssima (IQA entre 0 e 18): Indica águas altamente degradadas, impróprias para qualquer uso sem tratamento extensivo. Nessa condição, a água pode conter substâncias tóxicas ou patógenos em níveis críticos, representando sérios riscos à saúde pública e ao equilíbrio ecológico.

Essas faixas são amplamente utilizadas por órgãos ambientais brasileiros, como a CETESB, a ANA e o IGAM, e estão alinhadas com os padrões estabelecidos pela Resolução CONAMA nº 357/2005, que define os limites de qualidade da água conforme a classe do corpo hídrico.

Essas faixas são utilizadas como referência para a interpretação dos dados de monitoramento da qualidade da água em corpos hídricos superficiais. Embora o IQA seja uma ferramenta de avaliação integrada, ele não substitui a classificação legal dos corpos d’água estabelecida pela Resolução CONAMA nº 357/2005. Essa resolução define os padrões de qualidade da água com base em classes (de 1 a 4), considerando os usos preponderantes dos corpos hídricos (CONAMA, 2005). Assim, o IQA atua como um instrumento complementar, permitindo uma visão sintética e comparativa da qualidade da água, enquanto a classificação legal estabelece os limites normativos para cada parâmetro individual.

ANÁLISE DOS DADOS HISTÓRICOS E RECENTES DO IQA NO BRASIL, MINAS GERAIS E UBERLÂNDIA

A análise dos dados históricos e recentes do Índice de Qualidade da Água (IQA) é fundamental para compreender a evolução da qualidade dos corpos hídricos ao longo do tempo, identificar padrões de degradação ou recuperação ambiental e subsidiar a formulação de políticas públicas mais eficazes. No Brasil, a Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA) coordena o monitoramento da qualidade da água em escala nacional, reunindo dados de milhares de pontos de coleta distribuídos por diferentes bacias hidrográficas. Segundo o relatório de conjuntura da ANA (2023), entre 2010 e 2023 foram registradas mais de 98 mil observações de IQA, com uma média nacional classificada como “boa”, embora com variações significativas entre regiões urbanas e rurais.

Em Minas Gerais, o Instituto Mineiro de Gestão das Águas (IGAM) mantém uma das redes de monitoramento mais abrangentes do país, com mais de 700 pontos de coleta. Os dados estaduais indicam que, embora a maioria dos corpos hídricos apresente qualidade “boa” ou “regular”, há trechos com qualidade “ruim” ou “péssima”, especialmente em áreas com intensa atividade urbana, industrial ou agropecuária (IGAM, 2023).

No contexto local, o município de Uberlândia é cortado pelo Rio Uberabinha, que é monitorado pelo IGAM em pontos a montante (antes da cidade) e a jusante (após a cidade). Os dados mais recentes apontam que, a montante, o IQA varia entre 70 e 80, indicando qualidade “boa” a “ótima”. No entanto, a jusante, os valores caem para a faixa entre 50 e 65, refletindo o impacto da urbanização, do lançamento de efluentes domésticos e industriais e da impermeabilização do solo urbano (IGAM, 2023). Essa diferença evidencia a importância do monitoramento contínuo e da implementação de medidas de saneamento e controle da poluição para preservar a qualidade dos recursos hídricos.

IMPORTÂNCIA DO IQA PARA A GESTÃO DE RECURSOS HÍDRICOS E POLÍTICAS PÚBLICAS

O Índice de Qualidade da Água (IQA) desempenha um papel estratégico na gestão integrada dos recursos hídricos, ao fornecer uma visão sintética e acessível da condição ambiental dos corpos d’água. Sua principal contribuição está na capacidade de transformar dados técnico-científicos complexos em informações compreensíveis para gestores públicos, tomadores de decisão e a sociedade civil, promovendo a transparência e o engajamento social na proteção dos recursos hídricos (CETESB, 2022; ANA, 2023).

Na prática, o IQA é utilizado como ferramenta de apoio ao planejamento ambiental, subsidiando o enquadramento dos corpos d’água conforme os usos preponderantes definidos pela Resolução CONAMA nº 357/2005. Ele também orienta ações de fiscalização, priorização de investimentos em saneamento básico, controle de fontes poluidoras e recuperação de bacias hidrográficas degradadas. Além disso, o índice é amplamente empregado em programas de educação ambiental, por sua linguagem acessível e caráter visual, contribuindo para a conscientização da população sobre a importância da preservação da água (IGAM, 2023; ANA, 2023).

Do ponto de vista institucional, o IQA fortalece a governança da água ao integrar informações de diferentes órgãos e escalas de monitoramento, promovendo a articulação entre políticas públicas de meio ambiente, saúde, agricultura e desenvolvimento urbano. Sua aplicação contínua permite o acompanhamento de metas ambientais, como as previstas nos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), especialmente o ODS 6, que trata do acesso à água potável e do saneamento para todos (UN Water, 2023).

Portanto, o IQA não é apenas um indicador técnico, mas uma ferramenta de gestão ambiental e social, essencial para a formulação de políticas públicas baseadas em evidências e para a promoção do uso sustentável dos recursos hídricos.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

A análise multiescalar do Índice de Qualidade da Água (IQA) — abrangendo os contextos global, nacional, estadual e local — permitiu compreender de forma integrada a importância dessa ferramenta para a avaliação e gestão dos recursos hídricos. Ao longo do estudo, foi possível apresentar o conceito e a metodologia do IQA, destacando seus nove parâmetros fundamentais e os respectivos pesos atribuídos, conforme a adaptação brasileira da metodologia da National Sanitation Foundation (NSF) (CETESB, 2022; ANA, 2023).

A explicação das faixas de classificação qualitativa do IQA demonstrou como esse índice facilita a comunicação entre técnicos, gestores e a sociedade, ao mesmo tempo em que orienta ações de fiscalização e políticas públicas. A análise dos dados históricos e recentes revelou padrões de qualidade da água no Brasil, com destaque para o estado de Minas Gerais e o município de Uberlândia, onde o Rio Uberabinha apresenta variações significativas entre os trechos a montante e a jusante da área urbana (IGAM, 2023).

Por fim, a discussão sobre a importância do IQA evidenciou seu papel estratégico na gestão ambiental, no planejamento territorial, na educação ambiental e na formulação de políticas públicas baseadas em evidências. O IQA se consolida, assim, como um instrumento técnico e socialmente relevante, capaz de promover a governança hídrica e contribuir para o alcance dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), especialmente no que se refere ao acesso à água de qualidade e ao saneamento básico (UN Water, 2023).

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

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CONSELHO NACIONAL DO MEIO AMBIENTE (CONAMA). Resolução nº 357, de 17 de março de 2005. Dispõe sobre a classificação dos corpos de água e diretrizes ambientais para o seu enquadramento. Diário Oficial da União: seção 1, Brasília, DF, 18 mar. 2005.

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Silva, Emília Rosa da . Índice de qualidade da água (IQA): Avaliação multiescalar com ênfase no projeto água de Minas e no Rio Uberabinha em Uberlândia.International Integralize Scientific. v 5, n 48, Junho/2025 ISSN/3085-654X

Referencias

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Clinical infectious diseases.
v. 67
n. 7
p. 1208-1216,
2021.
Disponível em: https://academic.oup.com/cid/article/67/7/1208/6141108.
Acesso em: 2024-09-03.

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