Aplicabilidade da ciência ABA no escopo da terapia ocupacional: Uma revisão de literatura

APPLICABILITY OF ABA SCIENCE IN THE SCOPE OF OCCUPATIONAL THERAPY: A LITERATURE REVIEW

APLICABILIDAD DE LA CIENCIA ABA EN EL ÁMBITO DE LA TERAPIA OCUPACIONAL: UNA REVISIÓN DE LA LITERATURA

Autor

URL do Artigo

https://iiscientific.com/artigos/1DD016

DOI

doi.org/10.63391/1DD016

Mendes, Patrícia . Aplicabilidade da ciência ABA no escopo da terapia ocupacional: Uma revisão de literatura. International Integralize Scientific. v 5, n 48, Junho/2025 ISSN/3085-654X

Resumo

A Terapia Ocupacional (TO) e a Análise do Comportamento Aplicada (ABA) são duas abordagens terapêuticas com fundamentos teóricos e metodológicos distintos, porém frequentemente utilizadas de forma complementar no atendimento a indivíduos com transtornos do desenvolvimento, como o TEA. Cada uma possui princípios próprios, estratégias específicas de intervenção e objetivos terapêuticos que, embora diferentes em sua essência, podem convergir para promover avanços significativos na funcionalidade, na autonomia e na qualidade de vida do sujeito em processo terapêutico. O objetivo geral da pesquisa foi investigar de que maneira os princípios da ABA podem ser integrados à prática da Terapia Ocupacional para potencializar o desenvolvimento funcional e a autonomia de indivíduos com transtornos do neurodesenvolvimento. A metodologia utilizada foi de revisão bibliográfica de literatura para alicerçar a pesquisa com resultados extraídos de outros artigos científicos, com ano de publicação entre 2017 e 2024, no idioma inglês e/ou português, buscados nas bases de dados do PubMed e SciELO. Trata-se de uma pesquisa com abordagem qualitativa, de natureza básica, com objetivos descritivos e procedimento bibliográfico. Os resultados mostram que a aplicabilidade da Análise do Comportamento Aplicada no contexto da Terapia Ocupacional tem se consolidado como uma estratégia promissora para a promoção do desenvolvimento funcional de indivíduos com transtornos do neurodesenvolvimento. A articulação entre os princípios da ABA e os fundamentos da Terapia Ocupacional amplia as possibilidades terapêuticas, promovendo abordagens mais integradas, sistemáticas e eficazes. Nesse considerações finais, constatou-se que a combinação entre ABA e Terapia Ocupacional, quando fundamentada em princípios éticos, científicos e interdisciplinares, representa um caminho promissor para ampliar a qualidade dos atendimentos e proporcionar ganhos significativos na vida das pessoas com transtornos do neurodesenvolvimento, contribuindo para sua inclusão, autonomia e bem-estar.
Palavras-chave
integração interdisciplinar; terapia ocupacional; análise do comportamento aplicada (ABA).

Summary

Occupational Therapy (OT) and Applied Behavior Analysis (ABA) are two therapeutic approaches with distinct theoretical and methodological foundations, yet they are often used complementarily in the treatment of individuals with developmental disorders, such as Autism Spectrum Disorder (ASD). Each has its own principles, specific intervention strategies, and therapeutic goals that, although different in essence, can converge to promote significant improvements in functionality, autonomy, and quality of life of individuals undergoing therapy. The general objective of this research was to investigate how ABA principles can be integrated into Occupational Therapy practice to enhance functional development and autonomy in individuals with neurodevelopmental disorders. The methodology used was a literature review to support the research with findings from other scientific articles published between 2017 and 2024, in English and/or Portuguese, searched in the PubMed and SciELO databases. This is a qualitative research, basic in nature, with descriptive objectives and a bibliographic procedure. The results show that the applicability of Applied Behavior Analysis (ABA) in the context of Occupational Therapy has established itself as a promising strategy for promoting the functional development of individuals with neurodevelopmental disorders. The articulation between the principles of ABA and the foundations of Occupational Therapy expands therapeutic possibilities, promoting more integrated, systematic, and effective approaches. In these final considerations, it was found that the combination of ABA and Occupational Therapy, when grounded in ethical, scientific, and interdisciplinary principles, represents a promising path to enhance the quality of care and provide significant benefits in the lives of individuals with neurodevelopmental disorders, contributing to their inclusion, autonomy, and well-being.
Keywords
interdisciplinary integration; occupational therapy; applied behavior analysis (ABA).

Resumen

La Terapia Ocupacional (TO) y el Análisis de la Conducta Aplicado (ABA) son dos enfoques terapéuticos con fundamentos teóricos y metodológicos distintos, pero que a menudo se utilizan de manera complementaria en la atención de personas con trastornos del desarrollo, como el Trastorno del Espectro Autista (TEA). Cada uno posee principios propios, estrategias específicas de intervención y objetivos terapéuticos que, aunque diferentes en su esencia, pueden converger para promover avances significativos en la funcionalidad, la autonomía y la calidad de vida del individuo en proceso terapéutico. El objetivo general de la investigación fue investigar de qué manera los principios del ABA pueden integrarse en la práctica de la Terapia Ocupacional para potenciar el desarrollo funcional y la autonomía de personas con trastornos del neurodesarrollo. La metodología utilizada fue una revisión bibliográfica de literatura para fundamentar la investigación con resultados extraídos de otros artículos científicos, publicados entre los años 2017 y 2024, en idioma inglés y/o portugués, buscados en las bases de datos PubMed y SciELO. Se trata de una investigación con enfoque cualitativo, de naturaleza básica, con objetivos descriptivos y procedimiento bibliográfico. Los resultados muestran que la aplicabilidad del Análisis Conductual Aplicado (ABA) en el contexto de la Terapia Ocupacional se ha consolidado como una estrategia prometedora para promover el desarrollo funcional de individuos con trastornos del neurodesarrollo. La articulación entre los principios del ABA y los fundamentos de la Terapia Ocupacional amplía las posibilidades terapéuticas, promoviendo enfoques más integrados, sistemáticos y eficaces. En estas consideraciones finales, se constató que la combinación entre ABA y Terapia Ocupacional, cuando se fundamenta en principios éticos, científicos e interdisciplinares, representa un camino prometedor para mejorar la calidad de las intervenciones y proporcionar beneficios significativos en la vida de las personas con trastornos del neurodesarrollo, contribuyendo a su inclusión, autonomía y bienestar.
Palavras-clave
integración interdisciplinaria; terapia ocupacional; análisis de la conducta aplicado (ABA).

INTRODUÇÃO

A Terapia Ocupacional (TO) e a Análise do Comportamento Aplicada (ABA) são metodologias terapêuticas diferentes, porém comumente se complementam, especialmente nas intervenções voltadas ao autismo e a outros distúrbios do neurodesenvolvimento. Enquanto a Terapia Ocupacional tem como objetivo principal o desenvolvimento de competências funcionais e a realização das atividades cotidianas, a ABA prioriza a modificação de comportamentos por meio do uso de reforçadores positivos e outras estratégias baseadas em princípios comportamentais.

Ferreira e Mariotti (2024), explicam que é necessário compreender que a Terapia Ocupacional concentra-se no desenvolvimento de habilidades funcionais, tais como vestir-se, alimentar-se, higiene pessoal, integração sensorial, desenvolvimento motor, autonomia e participação em atividades da vida diária. Sua intervenção é individualizada, adaptada às necessidades e características específicas de cada paciente, com ênfase na promoção da independência e da qualidade de vida. 

Enquanto que a ABA tem como foco principal a modificação de comportamentos por meio do uso de reforços positivos, visando o ensino de novas habilidades e a redução de comportamentos inadequados (Figueiredo et al., 2023). Trata-se de uma abordagem sistemática e baseada em evidências científicas, com intervenções fundamentadas nos princípios do comportamento. O processo terapêutico é estruturado, orientado por metas específicas e mensuráveis, utilizando procedimentos como reforço diferencial, modelagem, análise de tarefas e ensino estruturado, sempre com foco na promoção da autonomia e no desenvolvimento de repertórios funcionais (Sella & Ribeiro,  2018).

A sinergia entre a Terapia Ocupacional e a ABA pode resultar em intervenções significativamente mais eficazes, pois ambas as práticas podem se articular de maneira estratégica e colaborativa. Enquanto a Terapia Ocupacional ensina habilidades funcionais, como o ato de vestir-se, a ABA pode utilizar reforço positivo para promover a generalização e a manutenção desses comportamentos em diferentes contextos (Silva & Oliver, 2019).  Da mesma forma, o trabalho da Terapia Ocupacional na integração sensorial pode ser complementado por estratégias da ABA que auxiliem o indivíduo a regular suas respostas emocionais e comportamentais frente a estímulos sensoriais (Galaz & Pinã, 2021).

Contudo, é comum observar no campo clínico a ideia equivocada de que ABA e Terapia Ocupacional com abordagem em Integração Sensorial são terapias opostas e incompatíveis. Uma das críticas recorrentes é a de que a ABA, ao focar na extinção de comportamentos estereotipados, inibiria recursos importantes de autorregulação, frequentemente valorizados pela Terapia Ocupacional (Oliveira & Naves, 2023).  Nesse sentido, essa visão reducionista pode gerar conflitos terapêuticos e comprometer o progresso do indivíduo, especialmente quando não há diálogo entre as equipes ou quando há disputas implícitas sobre a eficácia de uma abordagem em detrimento da outra (Galaz & Pinã, 2021). No afã de conduzir a pesquisa foi construída a seguinte problemática: como os princípios da ABA  podem ser integrados à prática da Terapia Ocupacional para potencializar o desenvolvimento funcional e a autonomia de indivíduos com transtornos do neurodesenvolvimento? 

Justificou-se socialmente pela relevância de apontar que os princípios da ABA podem ser aplicados de maneira coerente e ética no contexto da Terapia Ocupacional, respeitando seus fundamentos, objetivos e práticas.  Academicamente a  pesquisa se justifica reside na necessidade de demonstrar que há uma carência de produções acadêmicas que abordem de maneira aprofundada a interface entre a TO  e ABA,  o que justifica a importância de fomentar discussões e reflexões sobre a temática. 

O objetivo geral da pesquisa foi  investigar de que maneira os princípios da ABA  podem ser integrados à prática da Terapia Ocupacional para potencializar o desenvolvimento funcional e a autonomia de indivíduos com transtornos do neurodesenvolvimento. Sendo assim, os objetivos específicos foram: a) compreender de que forma os princípios da ABA podem ser integrados às abordagens terapêuticas ocupacionais; b) identificar benefícios e limitações do uso da ABA em contextos de intervenção ocupacional; c) analisar evidências científicas relacionadas à atuação conjunta de terapeutas ocupacionais e analistas do comportamento; e d) refletir sobre as implicações éticas da integração entre as duas abordagens no cuidado centrado no indivíduo.

A  metodologia utilizada foi de revisão de literatura para dispor de resultados extraídos de estudos científicos e livros que abordam pontos vinculados à temática utilizada. Tratou-se de uma pesquisa de abordagem qualitativa, de natureza básica, de objetivos descritivos e de procedimento bibliográfico. O método-hipotético dedutivo foi adotado para expandir o campo dos efeitos dos resultados produzidos.

O desenvolvimento deste estudo é apresentado na seção seguinte, sendo constituído por três subseções, as quais se dedicam à análise teórica dos objetivos específicos, com foco na elucidação da problemática de pesquisa. Por fim, o trabalho apresenta suas considerações finais, nas quais se retomam os principais achados, com o intuito de verificar o cumprimento dos objetivos propostos e fornecer uma resposta à questão investigativa, sob uma perspectiva de diálogo crítico-científico da autora.

PRINCIPAIS CONCEITOS DIFERENÇAS  ENTRE  TERAPIA OCUPACIONAL (TO)  A ANÁLISE  DO COMPORTAMENTO  APLICADA (ABA) 

A Terapia Ocupacional e  a Análise do Comportamento Aplicada  são duas abordagens terapêuticas com fundamentos teóricos e metodológicos distintos, porém frequentemente utilizadas de forma complementar no atendimento a indivíduos com transtornos do desenvolvimento, como o TEA. Cada uma possui princípios próprios, estratégias específicas de intervenção e objetivos terapêuticos que, embora diferentes em sua essência, podem convergir para promover avanços significativos na funcionalidade, na autonomia e na qualidade de vida do sujeito em processo terapêutico (Bastos et al., 2025). 

A Terapia Ocupacional é uma ciência da saúde que busca promover a independência e a participação ativa dos indivíduos em atividades significativas de sua vida diária, como autocuidado, lazer, trabalho e socialização. Seu principal objetivo é capacitar o sujeito para desempenhar ocupações que promovam bem-estar e inclusão, considerando suas capacidades físicas, cognitivas, emocionais, sensoriais e sociais, bem como as demandas do ambiente e do contexto em que está inserido (Galaz & Pinã, 2021).

Oliveira e  Naves (2023), observam que a prática da TO baseia-se em uma avaliação global do indivíduo e desenvolve planos terapêuticos personalizados, que podem incluir atividades lúdicas, treino de habilidades motoras finas e grossas, intervenções sensoriais e adaptação de ambientes, sempre respeitando a individualidade e a subjetividade do paciente. Em casos de TEA, por exemplo, o terapeuta ocupacional pode atuar no desenvolvimento da integração sensorial, na ampliação da autonomia nas atividades de vida diária (AVDs), na estimulação da coordenação motora e na facilitação da participação social.

Por outro lado, a ABA é uma abordagem com base empírica e científica que utiliza os princípios da ciência do comportamento para promover mudanças socialmente significativas. ABA concentra-se na observação, mensuração e modificação do comportamento por meio de técnicas sistemáticas como reforçamento positivo, ensino por tentativas discretas (DTT), análise funcional do comportamento, modelagem, encadeamento e generalização de habilidades (Sella & Ribeiro, 2018). 

Ao contrário da TO, que trabalha com uma abordagem mais global  e integrativa, a ABA tem um foco mais analítico e estruturado, buscando identificar as relações entre comportamentos e seus antecedentes e consequências, para então implementar intervenções que aumentem comportamentos adaptativos e diminuam comportamentos disfuncionais. No contexto do TEA, a ABA é amplamente utilizada para o ensino de habilidades comunicativas, acadêmicas, sociais e funcionais, bem como para a redução de comportamentos autolesivos, estereotipias ou crises comportamentais (Oliveira & Naves, 2023).

As diferenças entre as duas abordagens tornam-se claras ao se observar seus focos centrais de atuação. A Terapia Ocupacional tem como eixo principal o fazer humano, ou seja, a ocupação em seus diversos domínios e contextos. Esta considera o sujeito em sua totalidade, promovendo a interação em atividades significativas que favoreçam sua autonomia e inclusão (Galaz & Pinã, 2021). Enquanto,  a ABA, por sua vez, fundamenta-se em princípios do behaviorismo radical e está voltada para a análise precisa dos comportamentos observáveis, priorizando intervenções com base em dados objetivos e critérios mensuráveis (Krahe, 2024). 

Outra diferença fundamental está no modo como cada abordagem lida com os comportamentos típicos do TEA. Na TO, por exemplo, comportamentos como a auto estimulação podem ser compreendidos como uma necessidade sensorial do indivíduo e, por isso, respeitados ou redirecionados por meio de estratégias de integração sensorial (Galaz & Pinã, 2021). E já na ABA, esses comportamentos são avaliados funcionalmente para verificar se possuem função de atenção, fuga, acesso a itens ou autorregulação, e são tratados conforme sua função e impacto na aprendizagem do sujeito. Essa divergência de compreensão pode gerar conflitos quando não há uma articulação eficaz entre as equipes, mas, quando bem integradas, essas abordagens se complementam e ampliam as possibilidades de intervenção (Sella & Ribeiro, 2018). 

Apesar dessas diferenças conceituais e metodológicas, a atuação conjunta entre ABA e Terapia Ocupacional tem se mostrado extremamente eficaz, especialmente quando realizada de forma integrada, com diálogo entre os profissionais envolvidos e foco no bem-estar do paciente. A combinação entre o olhar funcional e sensorial da TO com o rigor analítico e sistemático da ABA permite intervenções mais completas, capazes de atender às necessidades complexas e multidimensionais de indivíduos com transtornos do neurodesenvolvimento (Bastos et al., 2025). 

Logo, embora a Terapia Ocupacional e a Análise do Comportamento Aplicada apresentem diferenças significativas em seus fundamentos teóricos, métodos de intervenção e objetos de estudo, ambas compartilham o compromisso com a promoção da autonomia, da funcionalidade e da qualidade de vida do indivíduo. Quando aplicadas de forma ética, colaborativa e interdisciplinar, essas abordagens potencializam os resultados terapêuticos, contribuindo para o desenvolvimento global e para a inclusão efetiva dos indivíduos atendidos.

A APLICABILIDADE DA ABA NA TERAPIA OCUPACIONAL 

A aplicabilidade da Análise do Comportamento Aplicada no contexto da Terapia Ocupacional tem se consolidado como uma estratégia promissora para a promoção do desenvolvimento funcional de indivíduos com transtornos do neurodesenvolvimento, em especial aqueles diagnosticados com Transtorno do Espectro Autista.  A articulação entre os princípios da ABA e os fundamentos da Terapia Ocupacional amplia as possibilidades terapêuticas, promovendo abordagens mais integradas, sistemáticas e eficazes no enfrentamento das demandas comportamentais, sensoriais e funcionais desses sujeitos (Martins & Andrade, 2024). 

As intervenções baseadas em ABA, quando incorporadas à prática da Terapia Ocupacional, contribuem significativamente para o desenvolvimento de habilidades funcionais. Por meio de estratégias estruturadas, como o reforço positivo, a análise funcional do comportamento e o ensino por tentativas discretas , é possível facilitar a aquisição de habilidades relacionadas às atividades de vida diária,  como higiene pessoal, alimentação, vestuário e organização do ambiente (Almeida, Bueno & Assis, 2024). 

No que tange ao suporte a indivíduos com TEA, a integração da ABA à Terapia Ocupacional mostra-se particularmente eficaz na promoção de comportamentos adaptativos e na diminuição de comportamentos disfuncionais que interferem na participação ocupacional. A ABA fornece subsídios para compreender a função de determinados comportamentos típicos do espectro autista — como autoestimulação, evasão de tarefas e comportamentos agressivos — e orienta intervenções que visam substituir esses comportamentos por respostas socialmente apropriadas (Leite & Sposito, 2024). 

Quando esses princípios são utilizados em conjunto com as abordagens sensoriais e motoras da Terapia Ocupacional, os ganhos terapêuticos tendem a ser potencializados, possibilitando intervenções mais personalizadas e centradas nas reais demandas do indivíduo. Por exemplo, ao identificar que um comportamento de agitação tem uma origem sensorial, a equipe terapêutica pode combinar estratégias de autorregulação sensorial com reforços comportamentais, criando um plano de intervenção mais eficaz e respeitoso à neurodiversidade (Martins & Andrade, 2024). 

A colaboração interdisciplinar entre terapeutas ocupacionais e analistas do comportamento é um dos pilares para o êxito dessa integração. A comunicação efetiva entre os profissionais, a definição de objetivos terapêuticos comuns e a construção de planos de intervenção coesos são elementos fundamentais para garantir a coerência e a complementaridade das práticas (Almeida, Bueno & Assis, 2024). Essa articulação favorece a compreensão mútua das especificidades de cada abordagem, permitindo que as ações se desenvolvam de forma sinérgica, sem sobreposição ou conflitos de métodos. Além disso, o trabalho conjunto contribui para a criação de uma linguagem terapêutica compartilhada, que valoriza tanto a mensuração objetiva de progressos quanto a compreensão subjetiva das experiências ocupacionais do indivíduo (Galaz & Pinã, 2021).

Contudo, essa integração não está isenta de desafios. Dentre os principais entraves estão as divergências conceituais entre as abordagens, a resistência de alguns profissionais à interdisciplinaridade e a necessidade de formação continuada para que os terapeutas ocupacionais possam compreender e aplicar os princípios da ABA de forma ética e embasada (Leite & Sposito, 2024). 

Ainda assim, as possibilidades que emergem dessa junção são significativas. A prática baseada em evidências, aliada ao olhar humanizado e centrado na ocupação, permite uma atuação mais abrangente, que considera tanto o comportamento observável quanto os aspectos contextuais e subjetivos da funcionalidade humana. A superação desses desafios requer uma postura aberta à colaboração, ao diálogo interprofissional e ao reconhecimento da complementaridade entre as ciências envolvidas (Martins & Andrade, 2024). 

Portanto, a incorporação dos princípios da ABA na Terapia Ocupacional representa uma possibilidade concreta de enriquecimento das práticas clínicas, especialmente no atendimento a pessoas com TEA (Galaz & Pinã, 2021). A convergência entre as duas abordagens favorece não apenas o desenvolvimento de habilidades adaptativas, mas também a construção de uma prática terapêutica mais efetiva, coerente e centrada no sujeito, que respeita suas necessidades, potencialidades e singularidades no processo de desenvolvimento e inclusão social.

CONTRIBUIÇÕES DA ABA PARA A TERAPIA OCUPACIONAL E SUAS RESPECTIVAS LIMITAÇÕES, CONSIDERAÇÕES  ÉTICAS  E PERSPECTIVAS FUTURAS DE ATUAÇÃO INTEGRADA

A articulação entre a Análise do Comportamento Aplicada  e a Terapia Ocupacional tem se mostrado uma estratégia promissora no campo das intervenções clínicas voltadas a indivíduos com Transtornos do Neurodesenvolvimento, especialmente aqueles diagnosticados com Transtorno do Espectro Autista. As contribuições da ABA para a prática ocupacional são significativas, principalmente no que diz respeito à estruturação de planos terapêuticos baseados em dados observáveis, mensuráveis e replicáveis (Leite & Sposito, 2024). 

Martins e Andrade (2024), apontam que ao  incorporar os princípios da ABA,  como o reforço positivo, a análise funcional do comportamento e o ensino por encadeamento de tarefas, a Terapia Ocupacional amplia sua capacidade de intervir de forma mais objetiva e sistemática sobre comportamentos que interferem na autonomia e na participação do sujeito em atividades significativas da vida diária.

Nesse sentido, a ABA oferece uma base metodológica robusta que pode potencializar os resultados terapêuticos da Terapia Ocupacional, especialmente na promoção de habilidades adaptativas, na redução de comportamentos desafiadores e na generalização de aprendizagens em contextos naturais. A aplicação conjunta de estratégias comportamentais e ocupacionais permite uma abordagem mais integrada, centrada tanto na funcionalidade quanto na modificação comportamental, contribuindo para intervenções mais eficazes e duradouras (Galaz & Pinã, 2021).

Nesse sentido, a ABA oferece uma base metodológica robusta que pode potencializar os resultados terapêuticos da Terapia Ocupacional, especialmente na promoção de habilidades adaptativas, na redução de comportamentos desafiadores e na generalização de aprendizagens em contextos naturais. A aplicação conjunta de estratégias comportamentais e ocupacionais permite uma abordagem mais integrada, centrada tanto na funcionalidade quanto na modificação comportamental, contribuindo para intervenções mais eficazes e duradouras  (Almeida, Bueno & Assis, 2024). 

Bem como, o uso da ABA em contextos ocupacionais requer atenção redobrada a princípios éticos, como o consentimento informado, a dignidade da pessoa, a autonomia do sujeito e a não supressão de comportamentos que tenham função autorregulatória, especialmente no caso de indivíduos com hipersensibilidades ou dificuldades sensoriais. A intervenção precisa, portanto, ser cuidadosamente planejada, considerando a função do comportamento, os limites da técnica e a escuta ativa da equipe interdisciplinar, da família e do próprio sujeito (Leite & Sposito, 2024). 

Nesse contexto, emergem perspectivas futuras promissoras para a atuação integrada entre terapeutas ocupacionais e analistas do comportamento. A construção de equipes interprofissionais com formação continuada, a criação de protocolos de atendimento colaborativos e a implementação de estratégias centradas na pessoa e baseadas em evidências são caminhos viáveis para potencializar os efeitos terapêuticos. Além disso, investir em pesquisas científicas que investiguem os impactos dessa integração pode oferecer subsídios teóricos e práticos para o aperfeiçoamento da atuação clínica (Almeida, Bueno & Assis, 2024).

Logo,  a colaboração entre a ABA e a Terapia Ocupacional demanda não apenas uma articulação técnica, mas também uma abertura epistemológica e ética para a construção de intervenções mais eficazes, respeitosas e individualizadas. Trata-se de reconhecer que ambas as abordagens possuem aportes valiosos, e que, quando aliadas de maneira colaborativa e responsável, podem contribuir de forma substancial para o desenvolvimento funcional, emocional e social de indivíduos em condição de vulnerabilidade neuropsicossocial.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

Com base na análise dos estudos revisados, conclui-se que a integração dos princípios da ABA à prática da Terapia Ocupacional constitui uma estratégia eficaz para potencializar o desenvolvimento funcional e a autonomia de indivíduos com transtornos do neurodesenvolvimento.  A articulação entre ambas as abordagens terapêuticas, quando realizada de forma colaborativa, respeitosa e centrada nas necessidades do sujeito, permite intervenções mais consistentes, individualizadas e baseadas em evidências.

Em relação ao objetivo geral, a investigação demonstrou que os princípios da ABA , como o reforço positivo, a análise funcional do comportamento e o ensino por encadeamento de tarefas,  podem ser incorporados de forma complementar às intervenções ocupacionais, favorecendo a aquisição de habilidades adaptativas e a redução de comportamentos desafiadores em contextos naturais. A prática conjunta oferece ferramentas valiosas para a promoção da autonomia, da independência e da participação ativa em atividades da vida diária.

Quanto aos objetivos específicos, a pesquisa permitiu compreender que  a integração entre a TO e ABA  é possível, porém,  mediante o diálogo interdisciplinar e a construção de planos terapêuticos coesos, baseados em metas funcionais. Assim como, destacou-se  como benefícios a clareza metodológica, a objetividade na coleta de dados e a mensuração dos progressos; e como limitações, os riscos de intervenções excessivamente padronizadas e a necessidade de adaptação dos métodos à individualidade sensorial e subjetiva de cada paciente.

Dessa forma, pode-se afirmar que a combinação entre ABA e Terapia Ocupacional, quando fundamentada em princípios éticos, científicos e interdisciplinares, representa um caminho promissor para ampliar a qualidade dos atendimentos e proporcionar ganhos significativos na vida das pessoas com transtornos do neurodesenvolvimento, contribuindo para sua inclusão, autonomia e bem-estar.

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Mendes, Patrícia . Aplicabilidade da ciência ABA no escopo da terapia ocupacional: Uma revisão de literatura.International Integralize Scientific. v 5, n 48, Junho/2025 ISSN/3085-654X

Referencias

Vivian Caroline Coraucci.
BAILEY, C. J.; LEE, J. H.
Management of chlamydial infections: A comprehensive review.
Clinical infectious diseases.
v. 67
n. 7
p. 1208-1216,
2021.
Disponível em: https://academic.oup.com/cid/article/67/7/1208/6141108.
Acesso em: 2024-09-03.

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Aplicabilidade da ciência ABA no escopo da terapia ocupacional: Uma revisão de literatura

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