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Resumo
INTRODUÇÃO
O Transtorno do Espectro Autista (TEA) é um diagnóstico do neurodesenvolvimento caracterizado por déficits persistentes na comunicação social e por padrões restritos e repetitivos de comportamentos, interesses ou atividades. A forma como o autismo se manifesta muda conforme cada indivíduo, sendo também influenciado pelo meio social em que este se encontra. Considerando que as manifestações do TEA variam significativamente entre os indivíduos, torna-se imprescindível o uso de abordagens terapêuticas individualizadas e interdisciplinares, capazes de atender às necessidades específicas de cada pessoa (Resendes & Campos, 2024).
Nesse contexto, destaca-se a relevância de práticas baseadas em evidências, como a Terapia Ocupacional e a Análise do Comportamento Aplicada (ABA), que têm se mostrado eficazes na promoção da funcionalidade e da qualidade de vida de pessoas com autismo. A ABA é uma abordagem de tratamento que se concentra no uso de reforço positivo para melhorar as habilidades comportamentais, sociais, de comunicação e de aprendizado. Enquanto que a Teoria Ocupacional, tem como objetivo principal promover a autonomia, a independência e a participação do indivíduo em suas atividades cotidianas, por meio do uso terapêutico das ocupações (atividades significativas da vida diária) (Benitez et al., 2020).
Resendes e Campos (2024) mencionam que as abordagens interdisciplinares no campo da saúde e da educação especial representam um modelo de atuação centrado na integralidade do cuidado e na articulação de saberes entre diferentes áreas do conhecimento. No contexto do TEA, a complexidade do quadro clínico e a diversidade de manifestações comportamentais, cognitivas e sensoriais exigem estratégias terapêuticas que vão além da atuação isolada de cada profissional. A interdisciplinaridade, nesse sentido, promove a construção de planos terapêuticos compartilhados, com objetivos comuns e intervenções complementares, visando ao desenvolvimento global do indivíduo (Valentim, 2024).
No caso específico da integração entre a Terapia Ocupacional e a Análise do Comportamento Aplicada (ABA), a interdisciplinaridade possibilita o alinhamento entre o desenvolvimento funcional e o comportamento adaptativo, favorecendo a generalização das habilidades em diferentes contextos da vida diária (Benitez et al., 2020). Diante dessas considerações, a presente pesquisa busca responder à seguinte questão: como a atuação integrada da Terapia Ocupacional e da ABA contribui para o desenvolvimento funcional e comportamental de indivíduos com autismo?
Socialmente a pesquisa se justifica pela importância demonstrar que a atuação integrada entre a Terapia Ocupacional e a ABA junto a indivíduos com TEA é essencial, principalmente, em meio a crescente demanda por intervenções eficazes, centradas no desenvolvimento global do indivíduo. Como justificativa científica/profissional, é fundamental que produções científicas sejam produzidas sobre questões do campo da Psicologia para que possam aumentar o rol de materiais de pesquisa, e logo agregar conhecimento aos profissionais atuantes no mercado.
O objetivo central da pesquisa foi compreender como a atuação integrada da Terapia Ocupacional e da ABA contribui para o desenvolvimento funcional e comportamental de indivíduos com autismo. Para que tal alcance seja possível, estabelece-se objetivos secundários: I- abordar os fundamentos teóricos da Terapia Ocupacional e da ABA aplicados ao TEA; II- identificar os benefícios e desafios da atuação interdisciplinar entre terapeutas ocupacionais e analistas do comportamento; e III- verificar evidências científicas sobre a eficácia das intervenções combinadas no progresso de indivíduos com TEA.
Este estudo adota uma abordagem qualitativa, de natureza básica, com base em revisão bibliográfica de artigos científicos, livros, dissertações e documentos oficiais publicados entre 2017 a 2025. As fontes foram selecionadas a partir de bases de dados como Scielo, PubMed, CAPES e Google Acadêmico, utilizando descritores como “Transtorno do Espectro Autista”, “Terapia Ocupacional”, “ABA”, “Intervenção precoce” e “Abordagem interdisciplinar”. A análise dos dados se dará por meio da técnica de análise de conteúdo, visando à identificação de padrões, contribuições e lacunas existentes na literatura sobre a atuação integrada das práticas terapêuticas em questão.
O desenvolvimento da pesquisa é disposto na próxima seção, sendo ele composto por quatro subseções, as quais dedicam-se a analisar teoricamente os objetivos específicos, com enfoque na resolução do problema de pesquisa. Por fim, a pesquisa dispõe da sua conclusão, retomando os principais resultados para indicar o atendimento aos objetivos e emitir a resposta ao problema de investigação, sob o constructo de uma dialogicidade crítica-científica da autora.
ASPECTOS GERAIS DO TRANSTORNO DO ESPECTRO AUTISTA (TEA)
A Associação Americana de Psicologia (APA), em 2014, definiu o Transtorno do Espectro Autista (TEA) como um transtorno do neurodesenvolvimento caracterizado por significativas dificuldades na interação social e déficits na comunicação, tanto verbal quanto não verbal. Assim como, é comum a manifestação de comportamentos estereotipados, restritos, repetitivos e inflexíveis, frequentemente direcionados a interesses, atividades e rotinas específicas.
Algumas características comportamentais definem bem o TEA. De acordo com o DSM-V, o autismo afeta o processamento de informações no cérebro, alterando a forma como as células nervosas e suas sinapses se conectam e se organizam (APA, 2014). O autismo é uma condição em que o indivíduo apresenta várias características, como hipersensibilidades, linguagens que variam de uma pessoa para outra, manias e comportamentos peculiares (Sella; Ribeiro, 2018).
Segundo Rotta, Ohlweiler e Riesgo (2015), as diferenças nos comportamentos apresentados por pessoas com autismo estão diretamente relacionadas à intensidade dos sintomas e ao nível de comprometimento. O TEA é caracterizado por uma ampla heterogeneidade, o que explica a grande variação entre os indivíduos diagnosticados. Assim, enquanto algumas pessoas não desenvolvem a comunicação verbal, outras conseguem se expressar verbalmente e estabelecer interações sociais de forma satisfatória.
O TEA é classificado em três níveis: leve, moderado e severo, diferenciando-se principalmente pela intensidade dos sintomas apresentados (Reis & Caron, 2017). Entender as necessidades específicas da pessoa com TEA, assim como adaptar métodos e estratégias didáticas que favoreçam sua inclusão psicossocial, exige o conhecimento aprofundado das particularidades e limitações de cada nível do transtorno. Essa classificação será detalhada no próximo subcapítulo e em seus respectivos subitens. No DSM-V, a Síndrome de Asperger — assim denominada em homenagem ao pediatra austríaco Hans Asperger — é um distúrbio neurobiológico que compromete a comunicação e a interação social, afetando significativamente a forma como o indivíduo percebe e interpreta o mundo ao seu redor (APA, 2014).
Guimarães (2017) destaca que, na atualidade, a Síndrome de Asperger está incluída no espectro autista, sendo reconhecida como a manifestação mais branda do transtorno, uma vez que crianças com esse diagnóstico não apresentam prejuízos severos nas funções cognitivas nem atrasos significativos na aquisição da linguagem oral. Esse grau demanda suporte psicossocial, educacional e outros acompanhamentos, realizados de maneira integrada e interdisciplinar.
Nas pesquisas preliminares realizadas acerca do autismo, a Síndrome de Asperger foi utilizada para nomear a manifestação do espectro que comprometia a interação social dos sujeitos de forma mais branda. Em outras palavras, as pessoas diagnosticadas mantêm suas capacidades intelectuais amplamente preservadas, porém demonstram retraimento nas relações sociais, com evidente limitação na comunicação não verbal (Reis & Caron, 2017).
Sella e Ribeiro (2018), ressaltam que crianças com autismo em grau leve costumam demonstrar o chamado “hiperfoco”, uma aptidão para direcionar intensa atenção a um tema específico com o qual se identificam profundamente, tornando-se verdadeiros especialistas nesse campo. Apresentam maior facilidade no processo de aprendizagem, uma vez que seu Quociente de Inteligência permanece dentro do parâmetro mínimo de 70 pontos. Além disso, conseguem desenvolver vínculos sociais e se comunicar com mais facilidade quando comparados a indivíduos com autismo em níveis moderado e grave.
A análise dos conceitos e principais características do autismo foi importante para auxiliar na compreensão da Terapia Ocupacional, essa que visa desenvolver a autonomia e a funcionalidade em atividades significativas da vida diária, ben como, a ABA oferece estratégias sistematizadas para o ensino de comportamentos adaptativos, com base em análise funcional e reforço positivo. Essa integração possibilita uma intervenção mais ampla, coerente e alinhada às necessidades específicas de cada indivíduo. Na próxima seção será apresentado os principais aspectos da Terapia Ocupacional.
CARACTERIZAÇÃO E CONCEITO DA TERAPIA OCUPACIONAL NO TEA
A Terapia Ocupacional tem como foco principal promover a autonomia, a funcionalidade e a participação dos indivíduos em suas atividades cotidianas, por meio do uso terapêutico das ocupações, ou seja, das ações significativas que compõem a vida diária, como o autocuidado, o brincar, a escolarização e a interação social. No contexto do TEA, a Terapia Ocupacional atua de forma direcionada às necessidades específicas de cada indivíduo, considerando as características do neurodesenvolvimento, os déficits sensoriais e motores, bem como as limitações nas habilidades sociais e de comunicação funcional (Fernandes, Santos & Morato, 2018).
De acordo com Montenegro et al. (2020), as abordagens terapêuticas utilizadas pela Terapia Ocupacional no TEA variam conforme o perfil da pessoa atendida, podendo incluir estratégias baseadas na Integração Sensorial, no Modelo de Ocupação Humana (MOHO), em práticas centradas na família e no desempenho ocupacional. A abordagem de Integração Sensorial, busca reorganizar as respostas neurológicas aos estímulos sensoriais, auxiliando a criança a lidar com a hipersensibilidade ou a hiporreatividade comuns no espectro autista. Enquanto a MOHO enfatiza a motivação intrínseca, os padrões de comportamento ocupacional e a influência do ambiente no desempenho funcional, sendo amplamente aplicado em planos terapêuticos personalizados (Mapurunga et al., 2021).
Fernandes, Santos e Marato (2018, p. 30) cita que a Terapia Ocupacional portanto é:
O terapeuta ocupacional atua na avaliação e na intervenção com pessoas com TEA, propondo atividades que favorecem a aquisição de habilidades adaptativas, a modulação do comportamento, o engajamento social e a construção de rotinas funcionais. A atuação é pautada na observação clínica, em protocolos de avaliação padronizados e na colaboração com outros profissionais da equipe multidisciplinar, como analistas do comportamento, fonoaudiólogos e psicólogos. Dessa maneira, a Terapia Ocupacional contribui para o desenvolvimento global do indivíduo com TEA, respeitando suas particularidades, promovendo sua qualidade de vida e favorecendo sua inclusão social e escolar (grifos aplicados).
Nesse sentido , Montenegro et al. (2020) apontam que as intervenções terapêuticas no contexto do autismo devem ser pautadas na individualização do atendimento, na análise das necessidades funcionais e nas evidências científicas que orientam a prática clínica. Dada a heterogeneidade do espectro autista, as abordagens terapêuticas devem ser adaptadas às características específicas de cada indivíduo, contemplando aspectos sensoriais, motores, cognitivos, emocionais e sociais. Desse modo, a Terapia Ocupacional, nesse contexto, propõe estratégias que favorecem o desenvolvimento de habilidades funcionais por meio do engajamento em atividades significativas, que estimulem a autonomia e promovam a inclusão social (Mapurunga et al., 2021).
Entre as principais intervenções utilizadas na Terapia Ocupacional com indivíduos com TEA, destacam-se os programas de estimulação sensorial, o treinamento de habilidades da vida diária (AVDs), o desenvolvimento de habilidades sociais, a construção de rotinas estruturadas e o uso de recursos lúdicos e visuais para facilitar a comunicação e a compreensão de tarefas. Além disso, o terapeuta ocupacional pode trabalhar diretamente com a família e com a escola, orientando sobre adaptações ambientais e estratégias de manejo comportamental, com o objetivo de promover a generalização das habilidades adquiridas (Galaz & Pinã, 2021).
Fernandes, Santos e Morato (2018) explicam que as intervenções devem ser conduzidas com base em avaliações sistemáticas, que considerem tanto os déficits quanto às potencialidades do indivíduo. Ferramentas como protocolos de avaliação funcional, escalas de desempenho ocupacional e checklists de integração sensorial são comumente utilizadas para direcionar os objetivos terapêuticos. Ademais, a Terapia Ocupacional frequentemente se integra a outras abordagens, como a Análise do Comportamento Aplicada (ABA), possibilitando ações interdisciplinares que ampliam a eficácia dos programas de intervenção.
Vale citar que o terapeuta ocupacional como parte integrante imprescindível e indissociável no processo de promoção da autonomia e da funcionalidade de indivíduos com TEA, deve ter sua atuação é centrada na identificação e no fortalecimento das habilidades necessárias para a realização das atividades da vida diária e atividades instrumentais da vida diária (AIVDs), atividades escolares e sociais, promovendo o engajamento do sujeito em contextos diversos de forma significativa e independente. A autonomia, nesse cenário, não se limita à execução de tarefas, mas envolve também a capacidade de tomar decisões, estabelecer rotinas e participar ativamente da vida em comunidade (Mapurunga et al., 2021).
Assim, o trabalho do terapeuta ocupacional é essencial porque lida com questões relacionadas à integração sensorial, à organização do comportamento, à comunicação funcional e à autorregulação emocional — aspectos frequentemente afetados nesse transtorno. Por meio de atividades estruturadas, mediadas por objetivos terapêuticos claros, o profissional favorece a aquisição progressiva de competências que impactam diretamente na qualidade de vida e na independência do indivíduo (Silva & Oliver, 2019).
Portanto, além da intervenção direta com a pessoa com TEA, o terapeuta ocupacional também atua na orientação de familiares, cuidadores e profissionais da rede de apoio, promovendo a continuidade das estratégias terapêuticas em casa, na escola e em outros contextos sociais. Essa atuação colaborativa e transdisciplinar é essencial para a generalização das habilidades desenvolvidas e para a construção de uma rede de suporte que favoreça a inclusão social e a autodeterminação do sujeito.
ANÁLISE DO COMPORTAMENTO APLICADA (ABA) NO TEA
A integração das terapias com abordagens focadas no desenvolvimento da pessoa com deficiência de neurodesenvolvimento, como TEA, significa promover melhorias significativas no desenvolvimento global desses indivíduos. O autismo, como um espectro complexo, exige uma compreensão profunda das necessidades individuais, e essa combinação de terapias permite uma abordagem mais ampla e personalizada (Silva, 2018).
A ABA é uma técnica baseada em evidências que utiliza princípios de reforço positivo para melhorar habilidades sociais, comunicativas e acadêmicas. Quando essas estratégias são integradas ao currículo pedagógico, os educandos autistas tendem a apresentar avanços não só na aprendizagem, mas também no comportamento e na interação social. Dessa forma, a terapia ABA utiliza princípios comportamentais para definir metas, reforçar comportamentos e medir resultados (Lear, 2004). Trata-se de uma terapia com grande suporte científico, sendo o método de intervenção mais pesquisado e amplamente adotado, especialmente nos Estados Unidos e no Canadá, para proporcionar qualidade de vida às pessoas com TEA (Sousa et al., 2020).
De acordo com Souza et al. (2020) um dos fundamentos do método ABA é que certo comportamento pode ser determinado por qualquer ação observável e descritível, tendo sempre uma frequência e uma duração. O autor ainda afirma que o comportamento também pode ser explicado por meio da identificação do que antecedeu e das consequências que pode gerar (Silva, 2018). O autismo caracteriza-se por desafios nas áreas de comunicação, interação social e comportamento, demandando intervenções terapêuticas que sejam tanto individualizadas quanto multidimensionais.
Rosa (2022), explica que a ABA fundamenta-se na análise funcional do comportamento, visando compreender as relações entre estímulos ambientais, respostas comportamentais e suas consequências, com o objetivo de promover mudanças significativas e duradouras no repertório comportamental do indivíduo. Os pressupostos da ABA envolvem o uso sistemático de reforços positivos, a manipulação de contingências e a modelagem de habilidades por meio de procedimentos bem definidos, mensuráveis e replicáveis (Cavalcante et al., 2023).
A atuação do analista do comportamento é centrada na identificação das necessidades individuais da criança, no estabelecimento de metas específicas e no acompanhamento contínuo dos resultados por meio de registros e avaliações sistemáticas. Como já mencionado, a ABA pode ser aplicada de forma integrada com outras abordagens terapêuticas, como a Terapia Ocupacional, promovendo uma intervenção interdisciplinar e mais efetiva (Rosa, 2022).
Dessa forma, a Análise do Comportamento Aplicada constitui-se como uma ferramenta valiosa no campo da intervenção com pessoas com TEA, contribuindo significativamente para o aumento da qualidade de vida, da independência e da participação social desses sujeitos. Para uma análise mais profunda da importância da integração entre a ABA e a Terapia Ocupação na próxima seção será abordado aspectos importantes dessa interdisciplinaridade.
ABORDAGEM INTERDISCIPLINAR DA INTEGRAÇÃO ENTRE TERAPIA OCUPACIONAL E ABA
A abordagem interdisciplinar no atendimento a indivíduos com TEA representa uma estratégia imprescindível para assegurar intervenções mais integradas, consistentes e eficazes. Nesse sentido, a articulação entre a Terapia Ocupacional e a ABA configura-se como uma prática colaborativa que busca unir diferentes saberes e técnicas em prol do desenvolvimento global do sujeito. Ambas as áreas compartilham objetivos semelhantes no que se refere à promoção da autonomia, da funcionalidade e da qualidade de vida, embora operem com metodologias e fundamentos distintos (Bastos et al., 2025).
Para Cavalcante et al. (2023), a convergência entre essas práticas permite a construção de planos terapêuticos mais completos, que consideram tanto os aspectos comportamentais quanto as habilidades sensório-motoras, cognitivas e sociais. A atuação interdisciplinar exige comunicação constante entre os profissionais, planejamento conjunto e respeito às especificidades de cada área, garantindo que as intervenções sejam coesas e que as metas terapêuticas estejam alinhadas (Oliveira Oliveira, 2024).
Somado às abordagens interdisciplinares também ampliam a capacidade de resposta às necessidades específicas de cada indivíduo, uma vez que proporcionam uma análise mais abrangente do seu desempenho funcional, comportamental e social. A integração entre os profissionais fortalece a escuta ativa, a troca de conhecimentos e a personalização das intervenções, fatores que se mostram decisivos diante da complexidade e heterogeneidade do TEA. Assim, a atuação conjunta entre Terapia Ocupacional e ABA contribui para a construção de um cuidado mais humanizado, centrado na pessoa e respaldado por evidências científicas.
A atuação conjunta entre a Terapia Ocupacional e a ABA no atendimento a indivíduos com autismo oferece uma série de benefícios que contribuem para a eficácia e a integralidade do processo terapêutico (Rosa, 2022). Essa colaboração permite a construção de planos de intervenção mais abrangentes, que não apenas abordam os comportamentos-alvo com base em evidências científicas, como também consideram o contexto ocupacional e as necessidades funcionais do sujeito. A união dessas duas áreas favorece a compreensão multidimensional do indivíduo, promovendo avanços mais significativos em seu desenvolvimento global (Bastos et al., 2025).
Ferreira (2024), afirma que os principais benefícios dessa integração destaca-se a potencialização dos resultados clínicos, especialmente na aquisição e na generalização de habilidades sociais, comunicativas, adaptativas e motoras. A Terapia Ocupacional contribui com estratégias que incentivam a interação em atividades significativas e cotidianas, enquanto a ABA fornece ferramentas precisas para a análise funcional do comportamento, definição de metas mensuráveis e aplicação de reforçadores eficazes. Essa complementaridade possibilita intervenções mais direcionadas e adaptadas à singularidade de cada caso, respeitando o ritmo, os interesses e os desafios individuais (Rosa, 2022).
Outro aspecto relevante é a maior coesão entre os profissionais envolvidos, o que permite uma comunicação terapêutica mais fluida e assertiva, além da padronização de condutas e da otimização dos recursos clínicos. A atuação integrada também favorece a continuidade das estratégias nos diferentes ambientes em que a criança está inserida — como casa, escola e comunidade —, promovendo maior consistência nas práticas e facilitando a generalização dos comportamentos aprendidos (Bastos et al., 2025).
Assim como, a atuação conjunta contribui para a formação de uma rede de apoio mais sólida e efetiva, envolvendo família, cuidadores e demais profissionais da equipe multidisciplinar. Isso promove não apenas a melhora das habilidades funcionais da criança, mas também o fortalecimento do vínculo entre os profissionais e a família, fator fundamental para o sucesso terapêutico. Dessa forma, a integração entre Terapia Ocupacional e ABA configura-se como uma prática altamente benéfica, alinhada aos princípios da atenção integral e centrada no sujeito, consolidando-se como um modelo eficiente e humanizado de cuidado no contexto do TEA (Carvalho et al., 2017). Apesar da importância da interdisciplinar da integração entre Terapia Ocupacional e ABA, há desafios, assim como, Perspectivas na intervenção com pessoas com autismo, essa será a próxima abordagem.
DESAFIOS E PERSPECTIVAS NA INTERVENÇÃO COM PESSOAS COM TEA
O acesso aos tratamentos para indivíduos com transtorno do espectro autista ainda representa um desafio significativo no contexto das políticas públicas de saúde, educação e assistência social. Diversos fatores contribuem para a limitação desse acesso, incluindo barreiras socioeconômicas, geográficas, institucionais e informacionais. A escassez de serviços especializados em determinadas regiões, sobretudo em áreas rurais ou periféricas, compromete a equidade na oferta de cuidados adequados e oportunos, dificultando a detecção precoce e o início de intervenções fundamentais para o desenvolvimento global do indivíduo com TEA (Fontenele & Lourinho, 2020).
Barroso (2017), cita que as desigualdades socioeconômicas são um dos principais obstáculos, uma vez que muitas famílias enfrentam dificuldades financeiras para custear atendimentos particulares ou realizar deslocamentos constantes até centros especializados. Sem mencionar , os longos períodos de espera em serviços públicos e a rotatividade de profissionais prejudicam a continuidade terapêutica e a eficácia dos tratamentos. Outro aspecto relevante diz respeito à insuficiência de profissionais qualificados para lidar com a complexidade do TEA, o que impacta diretamente na qualidade e na abrangência das intervenções oferecidas (Assis, Assis & Assis).
No campo educacional, a falta de formação específica para professores e o despreparo das instituições para receber estudantes com TEA também figuram como barreiras importantes. A ausência de uma rede integrada de apoio entre saúde, educação e assistência social dificulta a construção de um plano terapêutico efetivo, centrado nas necessidades do sujeito e em sua realidade sociocultural.
Dessa forma, enfrentar as barreiras de acesso ao tratamento de pessoas com TEA exige uma atuação intersetorial e contínua, pautada na ampliação da oferta de serviços, na capacitação profissional e no fortalecimento de políticas públicas inclusivas e efetivas. Somente com a superação desses entraves será possível garantir o direito à saúde, à educação e à dignidade para esse público, conforme preconizado por legislações nacionais e internacionais (Assis, Assis & Assis).
Santos e Fátima Silva (2024), explicam que a formação profissional adequada é um dos pilares fundamentais para a efetivação de práticas terapêuticas de qualidade no atendimento a indivíduos autista. Nesse contexto, observa-se a necessidade urgente de capacitação contínua e especializada dos profissionais das áreas da saúde, educação e assistência social, de modo que estejam aptos a compreender as especificidades do transtorno e a implementar intervenções baseadas em evidências científicas. A ausência de preparo técnico e teórico, muitas vezes presente na formação inicial, compromete a eficácia das abordagens utilizadas e limita o potencial de desenvolvimento das pessoas com TEA (Camargo et al., 2020).
A integração de disciplinas voltadas ao estudo do autismo nos currículos acadêmicos ainda é incipiente em muitas instituições de ensino superior. Essa lacuna contribui para uma prática profissional fragmentada e desarticulada, dificultando o trabalho interdisciplinar e o planejamento de intervenções individualizadas e contextualizadas (Santos & Fátima Silva, 2024). Assim como, a escassez de formação em metodologias como a ABA e em estratégias centradas no sujeito, como as desenvolvidas na Terapia Ocupacional, evidencia a importância de políticas institucionais que priorizem a qualificação técnica dos profissionais que atuam com esse público (Rosa, 2022).
Paralelamente, as políticas públicas voltadas à inclusão e à atenção integral às pessoas com TEA representam um instrumento essencial para assegurar o acesso aos serviços e o exercício pleno de seus direitos. No Brasil, marcos legais como a Lei nº 12.764/2012 — que institui a Política Nacional de Proteção dos Direitos da Pessoa com Transtorno do Espectro Autista — e a Lei Brasileira de Inclusão (Lei nº 13.146/2015) reforçam a importância da atuação intersetorial e da oferta de serviços articulados entre saúde, educação e assistência social. No entanto, a efetivação dessas normativas ainda encontra entraves na implementação prática, especialmente pela carência de investimentos, fiscalização e articulação entre os entes federativos (Molina, Francisco & Shimazaki, 2024).
Nas últimas décadas, os avanços no campo da pesquisa científica, da tecnologia assistiva e das abordagens terapêuticas voltadas ao autismo têm contribuído significativamente para a ampliação das possibilidades de intervenção e para a melhoria da qualidade de vida das pessoas diagnosticadas com o transtorno. O reconhecimento da neurodiversidade e a valorização de práticas baseadas em evidências têm favorecido a construção de modelos de atenção mais inclusivos, centrados na singularidade de cada indivíduo e na promoção da sua autonomia funcional e social (Barroso, 2017).
Entre os progressos mais relevantes, destacam-se o desenvolvimento de metodologias mais sensíveis à heterogeneidade do espectro, como programas personalizados de ensino, protocolos de intervenção precoce e o uso de tecnologias digitais, que vêm sendo incorporadas tanto em contextos clínicos quanto educacionais (Rosa, 2022). A realidade virtual, os aplicativos de comunicação alternativa e aumentativa, bem como as plataformas interativas, representam ferramentas promissoras no suporte ao desenvolvimento das habilidades sociais, cognitivas e comunicativas de crianças, adolescentes e adultos com TEA (Sousa et al., 2020).
No campo da Terapia Ocupacional e da ABA observa-se uma tendência crescente de integração entre diferentes abordagens terapêuticas, o que possibilita intervenções mais abrangentes e alinhadas às demandas complexas dos usuários. A incorporação da avaliação funcional, do planejamento centrado na pessoa e da colaboração interdisciplinar contribui para a efetividade das práticas clínicas, promovendo ganhos significativos na funcionalidade e na participação social dos indivíduos com TEA (Mapurunga et al., 2021).
Assim, as possibilidades futuras apontam para a construção de um modelo de atenção cada vez mais humanizado, personalizado e cientificamente embasado, capaz de responder às demandas diversas das pessoas com TEA em suas múltiplas dimensões de vida. A consolidação desses avanços dependerá da continuidade dos esforços colaborativos entre academia, serviços públicos, organizações da sociedade civil e famílias, em prol de uma sociedade verdadeiramente inclusiva.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
A pesquisa mostrou em seus resultados que a atuação integrada da Terapia Ocupacional e da ABA contribui para o desenvolvimento funcional e comportamental de indivíduos com autismo. Constatou-se a combinação dessas duas abordagens, quando aplicada de forma articulada e interdisciplinar, potencializa significativamente os resultados terapêuticos, favorecendo avanços mais consistentes nas habilidades adaptativas, cognitivas, sociais e comunicativas dos indivíduos com autismo.
Ao abordar os fundamentos teóricos da Terapia Ocupacional e da ABA aplicados ao contexto do TEA, observou-se que ambas as práticas compartilham princípios fundamentais centrados no sujeito, na funcionalidade e na promoção da autonomia. A Terapia Ocupacional contribui com intervenções voltadas à realização de atividades significativas, à construção da independência e ao fortalecimento da participação social. A ABA, por sua vez, oferece estratégias comportamentais sistemáticas e mensuráveis, com foco na aquisição de novos comportamentos e na diminuição de condutas disfuncionais.
No que se refere aos benefícios da atuação conjunta entre terapeutas ocupacionais e analistas do comportamento, a pesquisa evidenciou que a interdisciplinaridade favorece um planejamento terapêutico mais completo e personalizado, com intervenções que contemplam múltiplas dimensões do desenvolvimento humano. Entre os principais desafios, destacam-se a necessidade de comunicação eficaz entre os profissionais, a formação adequada para o trabalho colaborativo e a superação de possíveis sobreposições de atuação.
Por fim, a verificação de estudos científicos revelou que a aplicação integrada dessas abordagens apresenta resultados positivos, especialmente quando iniciada precocemente e sustentada por práticas baseadas em evidências. Os achados indicam melhorias significativas em áreas como autonomia nas atividades de vida diária, regulação emocional, comportamento social e desempenho escolar.
Dessa forma, conclui-se que a articulação entre Terapia Ocupacional e ABA constitui uma estratégia eficaz e promissora na atenção a pessoas com TEA. A convergência entre essas práticas permite intervenções mais amplas, centradas nas necessidades específicas do indivíduo, e fundamentadas em um modelo de cuidado ético, técnico e humanizado. Recomenda-se, portanto, o fortalecimento da formação interdisciplinar e o incentivo à cooperação entre profissionais como elementos essenciais para a qualificação dos serviços destinados à população autista.
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