Restrição alimentar como tratamento em crianças com diagnóstico de esofagite eosinofílica

FOOD RESTRICTION AS TREATMENT IN CHILDREN DIAGNOSED WITH EOSINOPHILIC ESOPHAGITIS

RESTRICCIÓN ALIMENTARIA COMO TRATAMIENTO EN NIÑOS CON DIAGNOSTICO DE ESOFAGITIS EOSINOFÍLICA

Autor

URL do Artigo

https://iiscientific.com/artigos/A12A86

DOI

doi.org/10.63391/A12A86

Afonso, Christiane Pereira e Silva . Restrição alimentar como tratamento em crianças com diagnóstico de esofagite eosinofílica. International Integralize Scientific. v 5, n 48, Junho/2025 ISSN/3085-654X

Resumo

Este estudo objetivou investigar a esofagite eosinofílica (EE) e avaliar os benefícios e repercussões de uma dieta baseada em restrições alimentares como forma de tratamento em crianças diagnosticadas com essa condição. A EE é uma doença inflamatória crônica que afeta o esôfago, marcada pela presença de eosinófilos nos tecidos esofágicos. Entre as causas, destacam-se: sensibilidade e alergias alimentares, alterações na microbiota intestinal e fatores genéticos. Os principais sintomas incluem dor abdominal, vômitos, diarreia, constipação, dificuldade para engolir e perda de peso. Para a realização desta pesquisa, foram selecionados artigos científicos entre 2020 a 2024 nas bases de dados Scielo, Portal Regional da BVS, Portal de Periódicos CAPES e PubMed, utilizando os descritores de busca: “Restrição Alimentar”, “Crianças pré-escolares” e “Esofagite Eosinofílica (EE)”. A pesquisa alcançou o objetivo de identificar a Restrição Alimentar como uma estratégia no combate à EE, ressaltando a necessidade de continuidade nas investigações sistemáticas e metanálises sobre o tema.
Palavras-chave
restrição alimentar; crianças pré-escolares; esofagite eosinofílica (EE).

Summary

This study aimed to investigate eosinophilic esophagitis (EE) and evaluate the benefits and repercussions of a diet based on food restrictions as a form of treatment in children diagnosed with this condition. EE is a chronic inflammatory disease that affects the esophagus, marked by the presence of eosinophils in the esophageal tissues. Among the causes, the following stand out: food sensitivity and allergies, changes in the intestinal microbiota and genetic factors. The main symptoms include abdominal pain, vomiting, diarrhea, constipation, difficulty swallowing and weight loss. To carry out this research, scientific articles between 2020 and 2024 were selected in the Scielo, BVS Regional Portal, CAPES Periodicals Portal and PubMed databases, using the search descriptors: “Food Restriction”, “Preschool children” and “Eosinophilic Esophagitis (EE)”. The research achieved the objective of identifying Food Restriction as a strategy to combat EE, highlighting the need for continued systematic investigations and meta-analyses on the subject.
Keywords
food restriction; preschool children; eosinophilic esophagitis (EE).

Resumen

Este estudio tuvo como objetivo investigar la esofagitis eosinofílica (EE) y evaluar los beneficios y repercusiones de una dieta basada en restricciones dietéticas como forma de tratamiento en niños diagnosticados con esta afección. La EE es una enfermedad inflamatoria crónica que afecta al esófago, marcada por la presencia de eosinófilos en los tejidos esofágicos. Entre las causas destacan: sensibilidad alimentaria y alergias, cambios en la microbiota intestinal y factores genéticos. Los principales síntomas incluyen dolor abdominal, vómitos, diarrea, estreñimiento, dificultad para tragar y pérdida de peso. Para realizar esta investigación, se seleccionaron artículos científicos entre 2020 y 2024 en las bases de datos Scielo, Portal Regional de la BVS, Portal Periódico CAPES y PubMed, utilizando los descriptores de búsqueda: “Restricción alimentaria”, “Niños en edad preescolar” y “Esofagitis eosinofílica (EE)”. La investigación logró el objetivo de identificar la Restricción Alimentaria como estrategia para combatir la EE, destacando la necesidad de continuidad en investigaciones sistemáticas y metanálisis sobre el tema.
Palavras-clave
restricción dietética; niños en edad preescolar; esofagitis eosinofílica (EE).

INTRODUÇÃO

A Esofagite Eosinofílica (EE) imunomediada por IgE é uma doença crônica inflamatória do esôfago, caracterizada pela presença de eosinófilos no tecido esofágico. A restrição alimentar é um dos principais tratamentos para crianças com EE, visando reduzir a inflamação e aliviar os sintomas (Kestering, et al., 2022).

Segundo Martins et al. (2022), as causas prováveis para a EE são: Alergia a alimentos (leite, ovos, trigo, soja, nozes, etc.); Sensibilidade a alimentos; Alterações na microbiota intestinal e Fatores genéticos. Dentre as manifestações clínicas incluem-se: Dor abdominal; Vômitos; Diarreia; Constipação; Dificuldade para engolir e Perda de peso. A EE pode acarretar males à saúde como: Obstrução esofágica; Estenose esofágica; Hemorragia esofágica e Disfunção esofágica.

Para Mendonça e Pinto (2020), as intervenções Nutricionais junto às crianças podem incorporar: Avaliação nutricional inicial; Desenvolvimento de um plano alimentar personalizado; Monitoramento do crescimento e desenvolvimento; Educação nutricional para pais e cuidadores; Ajustes na dieta conforme necessário. Alimentos Comuns para Restrição: Leite e derivados, ovos, trigo e derivados, soja e derivados, nozes, sementes,  peixes e frutos do mar. A educação nutricional é fundamental para garantir a adesão a um plano alimentar e prevenir complicações.

A Sociedade Brasileira de Pediatria (2018), estima que a prevalência de EE em crianças é de 1-4% na população geral. Um estudo brasileiro encontrou que 71,4% das crianças com EE apresentavam sintomas gastrointestinais, sendo esta patologia mais comum em crianças com histórico de alergia ou asma. 

A questão de relevância para o estudo para ser respondida é: A restrição alimentar como tratamento em crianças pré-escolares com diagnóstico de esofagite eosinofílica, promove benefícios reais? 

Este estudo tem o objetivo de realizar uma revisão bibliográfica sobre a restrição alimentar como tratamento em crianças pré-escolares com diagnóstico de EE. Como objetivos específicos apresentam-se: características e consequências da EE; descrição dos possíveis impactos nutricionais da restrição alimentar na vida dessas crianças. 

A hipótese é que dietas restritivas podem gerar benefícios reais ao público-alvo em questão. O presente estudo visa explicar as características da doença, a partir da compreensão de sua Fisiopatologia, Etiologia e Prevalência. Ao abordar esses aspectos, este artigo pretende contribuir para um melhor entendimento da EE e, consequentemente, para um diagnóstico e tratamento mais eficazes. 

A ESOFAGITE EOSINOFÍLICA (EE) E SUAS CARACTERÍSTICAS 

De acordo com Freire et al. (2024), na década de 90 surgiram os primeiros relatos da patologia, que começou a apresentar um aumento na incidência de casos após o surgimento da endoscopia e da biópsia. Entretanto, os sintomas sistêmicos da Esofagite Eosinofílica são dificilmente notados por ser um problema de saúde que pode ser assintomático ou não.  

De acordo com Macedo, Caldas e Landim (2021), as formas de restrições alimentares comportam: Exclusão de alimentos alergênicos; Dieta de eliminação (exclusão de 1-2 alimentos por vez); Dieta de rotulagem (exclusão de alimentos com alto risco de alergia); Dieta Elemental (fórmulas hidrolisadas ou de aminoácidos). A restrição alimentar é um tipo de tratamento eficaz para crianças com EE e a intervenção nutricional deve ser personalizada e baseada em uma avaliação cuidadosa dos sintomas e necessidades nutricionais da criança. 

Como os sintomas sistêmicos da EE são frequentemente difíceis de detectar, torna-se um fator que contribui para um diagnóstico tardio, o que pode levar a complicações graves, como estenose esofágica e obstrução. São apontados como Fatores Desencadeadores dessa patologia: a ingestão de alimentos alérgenos; estresse; infecções virais ou bacterianas e mudanças climáticas (Oliveira e Silva et al., 2023).

Diante desse cenário, é fundamental desenvolver entendimentos sobre a EE para garantir um rápido diagnóstico e tratamento efetivo. Para compreender as características da doença, é necessário abordar aspectos fundamentais como a fisiopatologia que consiste em identificar como a doença afeta o organismo e quais são os mecanismos envolvidos na inflamação do esôfago (Mateus; Souza, 2022). 

Os mesmos autores referem ser necessário observar a etiologia, visando perceber os fatores que desencadeiam a doença, incluindo alimentos alérgenos e outras possíveis causas, bem como identificar a prevalência da EE que consiste em entender a frequência da doença na população e quais são os grupos mais afetados. 

A fisiopatologia da EE está associada a fatores genéticos, ambientais e alérgenos que atraem eosinófilos e linfócitos T para essa área. As células T helper 2 são ativadas para produzir interleucinas que, por sua vez, estimulam a ativação dos eosinófilos e aumentam a produção de eotaxina-3, ao mesmo tempo em que reduzem a síntese de filagrina e desmogleína 1, comprometendo a barreira epitelial e favorecendo o processo inflamatório. Em crianças, isso pode resultar em dificuldades de crescimento e ganho de peso, enquanto os adultos podem apresentar disfagia, regurgitação e sensação de plenitude (Martins et al., 2022; Oliveira e Silva et al., 2023;).

A condição se manifesta pelo acúmulo de eosinófilos no esôfago, sendo mais comum em adultos. O diagnóstico é confirmado pela identificação de 15 eosinófilos em pelo menos uma das seis amostras de biópsias esofágicas obtidas por endoscopia. O tratamento inicial envolve o uso de Inibidores da Bomba de Prótons e corticosteróides, aliado a intervenções dietéticas. Quando a terapia não resulta em resposta adequada, pode ser necessário realizar dilatação mecânica por endoscopia e o uso de medicamentos biológicos (Martins et al., 2022; Caruso; Brandão, 2021).

Para Martins et al. (2022), a etiologia da EE é multifatorial e envolve uma combinação de fatores genéticos, ambientais e imunológicos. Alguns dos principais fatores etiológicos são: Fatores Genéticos ou Predisposição familiar: EE tende a ocorrer em famílias com história de alergias ou doenças inflamatórias; Mutações genéticas: Alterações nos genes relacionados à resposta imune e inflamação. 

De acordo com Oliveira e Silva et al. (2023), existem Fatores Ambientais que predispõem à doença: Alérgenos alimentares (Leite, ovos, trigo, soja, nozes, peixes e frutos do mar), Alérgenos ambientais (Pólen, poeira, mofo); Estresse; Fatores Imunológicos (Hipersensibilidade tipo 2: Reação imune mediada por IgE); Ativação de eosinófilos (Células imunes que liberam substâncias químicas inflamatórias); Desregulação da resposta imune: (Falha na regulação da resposta imune, levando à inflamação crônica). Outros Fatores: Alterações na microbiota intestinal; Doenças gastrointestinais pré-existentes (refluxo gastroesofágico entre outros); Uso de medicamentos (inibidores da bomba de prótons entre outros).

A prevalência da EE varia de acordo com a população estudada e o critério diagnóstico utilizado. A estimativa de prevalência mundial (1-4% da população geral). Prevalência por faixa etária: Crianças: 0,5-2%; Adolescentes: 1-3% e Adultos: 2-5%. Prevalência em grupos de risco: Pacientes com asma: 10-20%; Pacientes com alergia: 5-15% e Pacientes com doença celíaca: 2-5%. Essas estimativas podem variar dependendo do critério diagnóstico utilizado e da população estudada. Além disso, a EE pode ser subdiagnosticada, o que pode afetar as estimativas de prevalência.

A EE é uma condição crônica e, atualmente, não há cura conhecida. No entanto, com tratamento adequado, é possível controlar os sintomas e melhorar a qualidade de vida dos pacientes. O tratamento para EE geralmente envolve a combinação de: Dieta restritiva (evitando alimentos alergênicos e/ou irritantes); Medicamentos (anti-inflamatórios, antialérgicos e/ou imunossupressores); Terapia nutricional (suplementação com nutrientes essenciais); Monitoramento contínuo por acompanhamento nutricional e médico regular para ajustar o tratamento conforme necessário (Macedo; Caldas; Landim, 2021).

Os referidos autores apontam ser importante notar que a EE é uma doença complexa e multifatorial, e a etiologia pode variar de pessoa para pessoa. O diagnóstico e tratamento precisam ser personalizados para cada paciente, visto que a intenção é reduzir a inflamação e os sintomas, prevenir complicações (como estenose esofágica) e melhorar a qualidade de vida do paciente. Em alguns casos, pacientes com EE podem experimentar períodos de remissão, onde os sintomas desaparecem ou diminuem significativamente. No entanto, é importante continuar com o tratamento e monitoramento para evitar recaídas.

Estudos recentes têm explorado novas opções terapêuticas, como: Terapia com anticorpos monoclonais, Imunoterapia e Transplante de células-tronco. No entanto, essas opções ainda estão em fase experimental e não estão amplamente disponíveis. É fundamental que pacientes com EE trabalhem em estreita colaboração com seus médicos e nutricionistas para se desenvolver um plano de tratamento personalizado e eficaz.

METODOLOGIA

Conforme Lakatos e Marconi (2017), as investigações de cunho social são características do método qualitativo, que não requer a quantificação estatística. Nesse contexto, ao optar por uma Revisão de Literatura, o presente estudo revela uma estrutura que é essencialmente qualitativa, descritiva e exploratória.

Para fundamentar a pesquisa bibliográfica, foram realizadas buscas sistemáticas nas principais plataformas de acesso a literatura científica, incluindo Scielo, Portal Regional da BVS, Portal de Periódicos CAPES e PubMed. Essas buscas foram realizadas com base em descritores específicos, nomeadamente: Restrição Alimentar, Crianças pré-escolares e Esofagite Eosinofílica (EE).

O objetivo central desta investigação foi orientado pela seguinte pergunta norteadora: A restrição alimentar como tratamento em crianças pré-escolares com diagnóstico de esofagite eosinofílica, promove benefícios reais? Com o objetivo de proporcionar uma análise rigorosa e baseada em evidências científicas, optou-se por selecionar artigos publicados entre os anos de 2020 a 2024. A pesquisa inicial resultou em 113 artigos relevantes.

Após uma avaliação cuidadosa dos descritores e uma leitura detalhada dos resumos, o número de artigos foi reduzido para onze artigos que foram considerados relevantes para a discussão. Na fase final do processo de exclusão e comparação de semelhanças, nove artigos foram selecionados como as bases para discussão e análise.

RESULTADOS

Os artigos analisados foram sintetizados conforme seu conteúdo original, mantendo o destaque para autor, ano, título, objetivo, método e considerações finais. A apresentação segue o conceito cronológico decrescente.

Autores: Freire et al. (2024). Título: Hipertensão intracraniana idiopática ou pseudotumor encefálico: revisão sobre suas manifestações clínicas. Objetivo: Analisar as manifestações clínicas da esofagite eosinofílica em populações adultas e pediátricas. Método: Revisão integrativa da literatura. Considerações Finais: Os dados obtidos demonstram que crianças apresentam disfunção alimentar, sintomas de refluxo e dor abdominal. Foi constatada também a dismotilidade esofágica e complicações sérias, como perfuração do esôfago, em ambas as idades. A discussão enfatizou a relevância de diagnósticos diferenciais e de um manejo individualizado que visa aprimorar a qualidade de vida dos pacientes. Destaca-se que a compreensão das características clínicas e epidemiológicas da esofagite eosinofílica é fundamental para um diagnóstico precoce e um tratamento efetivo, prevenindo assim complicações e melhorando os resultados clínicos.

Autores: Torres, Tenório e Silva (2024). Título: Da etiopatogênese às estratégias terapêuticas: uma revisão integrativa da literatura sobre a esofagite eosinofílica. Objetivo: compreender e sintetizar informações desde os aspectos etiológicos até as estratégias terapêuticas, proporcionando uma visão holística e atualizada dessa condição médica. Método: Revisão integrativa da literatura. Considerações Finais: os resultados indicam que indivíduos com predisposição genética podem apresentar infiltração da mucosa esofágica com componentes granulocíticos, especificamente eosinófilos e basófilos, resultantes do consumo de determinados alimentos, como leite e trigo. 

As dietas de eliminação se destacam como uma opção terapêutica vantajosa, já que reduzem a necessidade de medicamentos crônicos para o controle da doença. Os inibidores da bomba de prótons (IBPs) representam uma escolha eficaz para o tratamento farmacológico da EE, podendo ser utilizados isoladamente ou em combinação com outras terapias. Portanto, é imprescindível ressaltar a necessidade de mais pesquisas, incluindo ensaios clínicos randomizados, para identificar as estratégias terapêuticas mais eficazes, que podem melhorar os sintomas e o bem-estar nutricional dos pacientes.

Autores: Xavier et al. (2024). Título: Abordagens terapêuticas da esofagite eosinofílica: revisão integrativa de literatura. Objetivo: Aprofundar o conhecimento sobre métodos alternativos de tratamento da EE. Método: Revisão bibliográfica de literatura. Considerações Finais: O estudo revisado fornece evidências sobre as opções terapêuticas disponíveis para o tratamento da EE. A combinação de terapia não farmacológica com tratamento medicamentoso é preferível, uma vez que contribui para a melhora progressiva dos sintomas dos pacientes. A combinação de dietas de eliminação com IBPs ou corticosteroides tópicos mostrou-se promissora no tratamento da maioria dos pacientes. A EE é uma condição relativamente nova, com progressão constante nas últimas duas décadas, especialmente entre os adultos.

Autores: Oliveira e Silva et al. (2023). Título: Esofagite Eosinofílica – uma revisão de literatura. Objetivo: Reunir informações por meio da análise de estudos recentes sobre aspectos inerentes à EE, incluindo epidemiologia, fisiopatologia, diagnósticos e tratamento. Método: Revisão bibliográfica de literatura. Considerações Finais: a EE é uma condição médica crônica associada a inflamação do esôfago, apresentando um aumento significativo na incidência nas últimas décadas. Embora frequentemente diagnosticada na infância ou em adultos mais velhos, a doença pode ser confundida com outras condições, como refluxo gastroesofágico, tornando o diagnóstico desafiador. Assim, é essencial que os profissionais de saúde considerem a esofagite eosinofílica como uma possível causa de sintomas esofágicos, especialmente em pacientes com histórico de alergias ou condições atópicas.

Autores: Queiros et al. (2023). Título: A prevalência da Esofagite Eosinofílica no Brasil – uma revisão de literatura. Objetivo: Revisar dados da literatura sobre a EE, ampliando o conhecimento sobre seus aspectos etiológicos e fisiopatológicos, além de discutir a incidência e prevalência no Brasil. Métodos: revisão sistemática de literatura no formato exploratório. Considerações Finais: a EE é uma doença em ascensão no Brasil, frequentemente subnotificada e que impacta significativamente a vida cotidiana das pessoas. A interação de antígenos e o epitélio esofágico pode desencadear sintomas como disfagia crônica, impactação alimentar e vômitos. Foi observada uma associação entre indivíduos atópicos e um maior desenvolvimento da doença. A realização de novas pesquisas sistemáticas e metanálises é necessária para aumentar o conhecimento sobre a EE, auxiliando os médicos generalistas, especialmente na atenção primária.

Autores: Kestering et al. (2022). Título: Esofagite eosinofílica: uma condição inflamatória crônica do esôfago. Objetivo: Evidenciar dados da literatura sobre a EE com o intuito de ampliar, fomentar e realizar um processo de atualização do assunto para médicos e acadêmicos de medicina, visando o melhor aprendizado sobre a patologia e melhores condutas perante diagnósticos positivos. Método: Revisão bibliográfica de literatura. Considerações finais: a EE é uma patologia de difícil diagnóstico devido ao fato de expressar sintomas parecidos com o da Doença do Refluxo Gastroesofágico (DRGE) que, quando presente, deve ser tratada rapidamente, com o intuito de evitar prejuízos funcionais e promover melhor qualidade de vida para esses pacientes.

Autores: Martins et al. (2022). Título: Epidemiologia e tratamento da Esofagite Eosinofílica: uma revisão narrativa. Objetivo: revisar de forma didática a abordagem geral da EE, discutindo desde a epidemiologia até o tratamento. Método: revisão bibliográfica de literatura. Considerações finais: a EE ainda é uma enfermidade de difícil diagnóstico com presença de sintomas confundidos com Doença do Refluxo Gastroesofágico. Quando presente, a esofagite eosinofílica deve ser rapidamente tratada, evitando complicações.

Autores: Mateus e Souza (2022). Título: Esofagite Eosinofílica: os processos inflamatórios causados pelos alérgenos alimentares. Objetivo: entender mais sobre as questões acerca da EE. Método: revisão integrativa de literatura. Considerações finais: o conteúdo abordado com base nos artigos pesquisados demonstra que o leite, amendoim, ovos, soja, crustáceos e trigo estão entre os principais alimentos que induzem os sintomas inflamatórios da EE, assim fazendo com que o indivíduo apresente dificuldades na sua alimentação seguida por manifestações clínicas como a disfagia e impactação alimentar.

Autores: Caruso e Brandão (2021). Título: Esofagite eosinofílica: progresso clínico e principais abordagens terapêuticas em pacientes pediátricos. Objetivo: investigar as características clínicas e epidemiológicas, a resposta ao tratamento e a evolução dos pacientes diagnosticados com EE na infância, em acompanhamento a um serviço de referência. Método: Estudo de coorte retrospectivo que analisou dados de pacientes entre 0 a 18 anos diagnosticados com EE nos Ambulatórios de Gastroenterologia Pediátrica de um hospital de nível terciário. Considerações finais: observou-se uma predominância de pacientes do sexo masculino, com idade mediana de 5 anos, uma forte correlação com condições atópicas e uma média de 5 endoscopias por paciente durante o acompanhamento. O tratamento mais comum consistiu na combinação de dieta de exclusão, IBP e corticoide administrado por via oral. A maior parte dos pacientes apresentou evolução positiva com as terapias recomendadas.

Autores: Macedo, Caldas e Landim (2021). Título: Uso da dieta de eliminação no tratamento de Esofagite Eosinofílica: uma revisão de literatura. Objetivo: compreender e sintetizar os apontamentos apresentados nos artigos estudados sobre a EE, suas causas, características e tratamentos. Método: revisão integrativa de literatura. Considerações finais: a partir dos estudos realizados, foi possível concluir que houve uma melhora significativa no quadro clínico dos pacientes estudados após a adesão às dietas de exclusão e dietas de eliminação empíricas. Além disso, verificou-se que alimentos específicos, como o ovo, trigo, glúten e leite exercem uma influência marcante na EE, afetando diretamente a manifestação dos sintomas. Diante desses resultados, é fundamental ressaltar a importância do acompanhamento contínuo e da adesão rigorosa à dieta recomendada para pacientes com EE. Essa abordagem é crucial para o sucesso do tratamento e para a redução efetiva da sintomatologia associada à doença.

Autores: Mendonça e Pinto (2020). Título: Esofagite eosinofílica na pediatria: um conceito em evolução. Objetivo: Analisar os fatores que dificultam o diagnóstico e a variação da apresentação clínica da doença em pacientes pediátricos. Método: Revisão bibliográfica de literatura. Considerações finais: A média de idade em que ocorrem os diagnósticos hoje ainda é tardia, o que possibilita a evolução da doença para complicações evitáveis. A partir dos critérios diagnósticos, deve-se atentar também a esta doença quando o paciente apresenta sintomas esofágicos, com o objetivo de evitar que ocorra uma piora do quadro. É fundamental uma abordagem proativa para garantir um diagnóstico precoce e um tratamento eficaz.

DISCUSSÃO

A análise dos artigos sobre a esofagite eosinofílica (EE) revela uma condição complexa e multifacetada que requer um diagnóstico precoce e um tratamento individualizado. De acordo com Freire et al. (2024), a EE apresenta sintomas como disfagia crônica, impactação alimentar, vômitos e dor abdominal, especialmente em crianças. Esses achados são compatíveis com os estudos de Oliveira e Silva et al. (2023) e Kestering et al. (2022), que também destacam a importância do diagnóstico diferencial, pois a EE pode ser confundida com outras condições, como refluxo gastroesofágico.

No entanto, Torres, Tenório e Silva (2024) enfatizam a importância da predisposição genética e do consumo de alimentos específicos, como leite e trigo, no desenvolvimento da EE. Essa perspectiva é compartilhada por Mateus e Souza (2022), que destacam a relação entre a EE e os alérgenos alimentares. Já Xavier et al. (2024) enfatizam a eficácia das dietas de eliminação e dos inibidores da bomba de prótons (IBPs) no tratamento da doença.

Além disso, Caruso e Brandão (2021), demonstram a eficácia da combinação de dieta de exclusão, IBP e corticoide no tratamento de pacientes pediátricos com EE. Esses resultados são semelhantes aos encontrados por Macedo, Caldas e Landim (2021), que ressaltam a importância da adesão rigorosa à dieta recomendada para pacientes com EE.

Contudo, é importante notar que os estudos de Queiros et al. (2023) e Mendonça e Pinto (2020), destacam a necessidade de mais pesquisas sobre a epidemiologia e o tratamento da EE no Brasil. Essa perspectiva é compartilhada por Martins et al. (2022), que enfatiza a importância da epidemiologia e do tratamento da EE em adultos.

Em relação às diferenças entre os estudos, é importante notar que Torres, Tenório e Silva (2024), destacam a importância da predisposição genética, enquanto Mateus e Souza (2022), enfatizam a relação entre a EE e os alérgenos alimentares. Além disso, Caruso e Brandão (2021), se concentram no tratamento de pacientes pediátricos, enquanto Martins et al. (2022), se concentram no tratamento de adultos.

Outro ponto importante é a questão da subnotificação da EE, destacada por Oliveira e Silva et al. (2023) e Kestering et al. (2022). Isso pode ser um obstáculo para o diagnóstico precoce e o tratamento eficaz da doença.

Portanto, é fundamental realizar mais pesquisas para melhorar o manejo da EE e reduzir a sintomatologia associada à doença. Além disso, é importante aumentar a conscientização sobre a EE entre os profissionais de saúde e promover a adesão rigorosa à dieta recomendada para pacientes com EE.

Os autores apresentados neste estudo apontam que a EE é uma condição complexa que requer um diagnóstico precoce e um tratamento individualizado. A compreensão das características clínicas e epidemiológicas da EE é fundamental para um diagnóstico eficaz.

Os supracitados autores recomendam: Aumentar a conscientização sobre a EE entre os profissionais de saúde; Realizar mais pesquisas sobre as estratégias terapêuticas mais eficazes; Implementar uma abordagem proativa para garantir um diagnóstico precoce e um tratamento eficaz; Promover a adesão rigorosa à dieta recomendada para pacientes com EE e; Desenvolver estratégias para reduzir a subnotificação da EE.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

A análise integrativa da literatura sobre a esofagite eosinofílica (EE) revelou uma condição complexa e multifacetada que requer um diagnóstico precoce e um tratamento individualizado. A compreensão das características clínicas e epidemiológicas da EE é fundamental para um diagnóstico eficaz e para o desenvolvimento de estratégias terapêuticas eficazes.

Os resultados desta revisão demonstram que a EE é uma doença em ascensão, especialmente entre adultos e crianças com histórico de alergias ou condições atópicas. A predisposição genética e o consumo de alimentos específicos, como leite e trigo, são fatores importantes no desenvolvimento da EE. Além disso, a subnotificação da EE é um obstáculo significativo para o diagnóstico precoce e o tratamento eficaz. As estratégias terapêuticas mais eficazes incluem as dietas restritivas, e podem adotar os tratamentos farmacológicos como inibidores da bomba de prótons (IBPs) e corticoides.

As dietas restritivas são uma abordagem fundamental no tratamento da esofagite eosinofílica (EE). As opções mais comuns incluem: Dieta de eliminação de alimentos comuns: exclui alimentos frequentemente associados à EE, como leite, trigo, ovo, soja, amendoim e frutos do mar; Dieta de exclusão de alimentos específicos: personalizada para cada paciente, exclui alimentos identificados como desencadeadores da EE; Dieta de rotulagem de alimentos: envolve a identificação e rotulagem de alimentos potencialmente alergênicos ou irritantes.

A adesão rigorosa à dieta recomendada é crucial para o sucesso do tratamento. No entanto, é fundamental realizar mais pesquisas para melhorar o manejo da EE e reduzir a sintomatologia associada à doença.

Portanto, é necessária uma abordagem multidisciplinar para melhorar o manejo da EE, incluindo a educação continuada dos profissionais de saúde, investimento em pesquisas clínicas e epidemiológicas, implementação de protocolos de diagnóstico e tratamento padronizados e desenvolvimento de estratégias para aumentar a adesão ao tratamento e reduzir a subnotificação da doença.

Em síntese, a esofagite eosinofílica é uma condição complexa que requer um diagnóstico precoce e um tratamento individualizado. A compreensão das características clínicas e epidemiológicas da EE é fundamental para um diagnóstico eficaz. É essencial realizar mais pesquisas para melhorar o manejo da EE e reduzir a sintomatologia associada à doença.

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Acesso em: 2024-09-03.

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Edição

v. 5
n. 48
Restrição alimentar como tratamento em crianças com diagnóstico de esofagite eosinofílica

Área do Conhecimento

Análise do comportamento aplicada – ABA
autismo; crianças; intervenções; habilidades sociais; comportamentais.
A psicologia das pessoas da melhor idade no contexto da ansiedade, depressão e tristeza: Uma perspectiva psicanalítica
psicologia; ansiedade; depressão; tristeza; saúde mental.
Abordagem da leishmaniose tegumentar americana em Laranjal do Jari/Amapá: Uma análise por faixa etária de 2009 a 2015
leishmaniose; região Amazônica; Amapá.
Levantamento de metabólitos secundários com alguma aplicabilidade produzidos por fungos
metabólitos bioativos; bioprospecção fúngica; aplicações farmacológicas; diversidade química; produção sustentável.
Acessibilidade à saúde bucal em comunidades ribeirinhas: Obstáculos e soluções
comunidades ribeirinhas; saúde bucal; pesquisa-ação; acessibilidade; políticas públicas.
Edentulismo no Brasil: Determinantes socioculturais, informacionais e perspectivas futuras
edentulismo; saúde bucal; políticas públicas; prevenção; cultura e saúde.

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