Gestão em instituição educacional frente aos avanços tecnológicos digitais

MANAGEMENT IN EDUCATIONAL INSTITUTIONS IN THE FACE OF DIGITAL TECHNOLOGICAL ADVANCES

GESTIÓN EN INSTITUCIONES EDUCATIVAS ANTE LOS AVANCES TECNOLÓGICOS DIGITALES

Autor

URL do Artigo

https://iiscientific.com/artigos/D049A2

DOI

doi.org/10.63391/D049A2

Teixeira, Andréia. Gestão em instituição educacional frente aos avanços tecnológicos digitais. International Integralize Scientific. v 5, n 49, Julho/2025 ISSN/3085-654X

Resumo

Este estudo tem o objetivo de analisar o papel da gestão escolar em instituição educacional em relação às tecnologias digitais, considerando-se imprescindíveis seus usos nos processos de gestão. Trata-se de uma pesquisa bibliográfica com abordagem qualitativa, subsidiadas por publicações eletrônicas indexadas em bases de dados de livre acesso. Os resultados destacam breves particularidades históricas, mencionando aspectos políticos que direcionaram a gestão educacional a partir do Brasil Colônia até a abertura política na década de 1980. Antes, já a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional LDBEN n. 4.024/61, em seu artigo 42 deliberou que o diretor de escola deveria ser educador qualificado. A Constituição Federal de 1988 promulga a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB) Lei nº 9.394/96), que organiza a educação brasileira mencionando a gestão democrática, estabelecendo para o ensino público as bases legal e filosófica acolhendo a comunidade escolar como sinônimo de gestão democrática. Aborda-se, na sequência, a gestão educacional frente as tecnologias digitais, apresentando o Programa de Inovação Educação Conectada, criado em 2017. A análise evidencia os problemas mais recorrentes nas questões de adoção das tecnologias digitais na gestão escolar, como a falta de conteúdo específico na formação do gestor e professores, as dificuldades de abrangência integral de alunos causada pelas falhas de recursos provocadas pelas questões sociais, como acesso a computadores, internet de qualidade, sobretudo, em regiões periféricas. O fortalecimento do debate teórico-crítico é essencial para enfrentar os desafios contemporâneos da gestão em instituições educacionais frente às tecnologias digitais.
Palavras-chave
gestão educacional; tecnologias digitais; formação de gestores; inclusão digital.

Summary

This study aims to analyze the role of school management in educational institutions in relation to digital technologies, considering their use as essential in management processes. This is a bibliographical research with a qualitative approach, supported by electronic publications indexed in open-access databases. The results highlight brief historical particularities, mentioning political aspects that guided educational management from Colonial Brazil until the political opening in the 1980s. Previously, the Law of Guidelines and Bases of National Education LDBEN No. 4,024/61, in its article 42, determined that the school principal should be a qualified educator. The Federal Constitution of 1988 promulgates the Law of Guidelines and Bases of National Education (LDB) Law No. 9,394/96), which organizes Brazilian education mentioning democratic management, establishing the legal and philosophical bases for public education, welcoming the school community as synonymous with democratic management. The following section addresses educational management in the face of digital technologies, presenting the Connected Education Innovation Program, created in 2017. The analysis highlights the most recurring problems in the adoption of digital technologies in school management, such as the lack of specific content in the training of managers and teachers, and the difficulties in reaching students fully due to lack of resources caused by social issues, such as access to computers and quality internet, especially in peripheral regions. Strengthening the theoretical-critical debate is essential to face the contemporary challenges of management in educational institutions in the face of digital technologies.
Keywords
educational management; digital technologies; training of managers; digital inclusion.

Resumen

Este estudio busca analizar el papel de la gestión escolar en las instituciones educativas en relación con las tecnologías digitales, considerando su uso esencial en los procesos de gestión. Se trata de una investigación bibliográfica con un enfoque cualitativo, basada en publicaciones electrónicas indexadas en bases de datos de acceso abierto. Los resultados destacan breves particularidades históricas, mencionando los aspectos políticos que guiaron la gestión educativa desde el Brasil colonial hasta la apertura política de la década de 1980. Anteriormente, la Ley de Directrices y Bases de la Educación Nacional (LDBEN) n.º 4.024/61, en su artículo 42, determinaba que el director de escuela debía ser un educador cualificado. La Constitución Federal de 1988 promulga la Ley de Directrices y Bases de la Educación Nacional (LDB) (Ley n.º 9.394/96), que organiza la educación brasileña, mencionando la gestión democrática, estableciendo las bases jurídicas y filosóficas de la educación pública y reconociendo a la comunidad escolar como sinónimo de gestión democrática. La siguiente sección aborda la gestión educativa frente a las tecnologías digitales, presentando el Programa de Innovación en Educación Conectada, creado en 2017. El análisis destaca los problemas más recurrentes en la adopción de tecnologías digitales en la gestión escolar, como la falta de contenidos específicos en la formación de directivos y docentes, y las dificultades para llegar plenamente al alumnado debido a la falta de recursos derivada de problemas sociales, como el acceso a ordenadores e internet de calidad, especialmente en las regiones periféricas. Fortalecer el debate teórico-crítico es esencial para afrontar los retos contemporáneos de la gestión en las instituciones educativas frente a las tecnologías digitales.
Palavras-clave
gestión educativa; tecnologías digitales; formación de directivos; inclusión digital.

INTRODUÇÃO

A gestão em instituições educacionais vem alcançando elevado interesse diante de sua relação com as tecnologias digitais, haja vista serem estas; ferramentas importantes para o desenvolvimento da educação em todos os níveis escolares. Neste contexto, considerando imprescindíveis seus usos nos processos de gestão, o objetivo do estudo é o de analisar a gestão em instituição educacional em relação às tecnologias digitais, 

Trata-se de um estudo pertinente diante dos problemas divulgados pela comunidade escolar sobre o enfrentamento cotidiano de organização própria da escola e, não rara às vezes, as esferas governamentais dificultam pela própria natureza do seu exercício. Vale registrar que um dos papéis da educação é torná-la atrativa para seu público, portanto, adentrar às tecnologias digitais acolhe a todos, compreendendo ações políticas e definições e elaborações de metas a serem implementadas e avaliadas, o que garante a busca de melhorias em caráter permanente.

Nesta direção buscou-se focar este estudo em considerações que trouxessem o histórico da gestão em instituições educacionais, de forma breve, mas possível de identificar tais avanços na linha do tempo, compreendendo o Brasil Colônia até a atualidade, apresentando alguns marcos legais e contribuições de autores, que versaram sobre gestão educacional democrática e tecnologias digitais.

A análise demonstra que a questão da gestão escolar e tecnologias digitais operam benefícios para o andamento educacional e promoção do aluno, entretanto, problemas estruturais emperram que a inclusão digital seja ampla, sobretudo, em regiões periféricas onde as políticas públicas devem atuar em seu papel de equidade social.

METODOLOGIA

Adota-se a pesquisa bibliográfica com abordagem qualitativa, subsidiada por publicações eletrônicas indexadas nas bases de dados digitais de livre acesso, que versam sobre a evolução histórica da gestão escolar, alguns marcos legais e os desafios da atuação do gestor diante da implementação das tecnologias digitais na escola.

DESENVOLVIMENTO

A gestão em instituições educacionais é caracterizada pela evolução histórica pontuada por contradições e interesses políticos da sociedade capitalista articulada pelas classes dominantes. Trata-se de uma temática recorrente e abrangente na produção acadêmica observando-se que não se esgota em relação a conteúdos como momentos políticos, administrativos, posicionamentos político-ideológicos, entre outros. Entretanto, paralelo a este cenário, historicamente, está o enfoque de contraposição quando a classe formula “a especificidade da escola”. Arroyo (2020), tece críticas a modelos ou concepções que, de fato, ferem as características desta escola enquanto ambiente de ensino-aprendizagem, situando-a como subalterna a interesses externos que não atingem os objetivos da escola. Para Arroyo (2020), tal contraposição está afirmando a autonomia, o propósito pedagógico e o papel social da escola contra quaisquer forças ou concepções que busquem desviar esses objetivos, transformá-la em algo que não é, ou subordiná-la a interesses externos que comprometem sua função essencial de promover a educação de forma ampla e emancipatória.

Neste mesmo contexto, Paro (2022), reflete a necessidade de a escola contribuir para a transformação social e respectivas políticas públicas da educação com gestão, essencialmente, democrática e de qualidade, já que se configura pela própria luta voltada à democratização da sociedade.

Vale mencionar, ainda que brevemente, que a gestão educacional brasileira conforme o status quo inicia no período colonial, em 1599 o Ratio Studiorum, documento utilizado pelos jesuítas que orientou as formas de organização e administração, currículos e métodos para os estabelecimentos de ensino e, sobre isso, Oliveira (2018, p. 627-636), cita que a pedagogia atual está repleta de traços advindos do Ratio Studiorum, citando que “o nosso PPP (Projeto Político Pedagógico) […] possui traços que facilmente são identificados.”

Em 1759 foi determinado o fechamento dos colégios jesuítas e do ensino. O diretor exercia o papel de supervisionar o ensino, advertir e corrigir os professores e apresentar relatório ao imperador a respeito do andamento do ensino (Marques, 2020).

Em 1808, a Família Real chegou ao Brasil e fundou as primeiras escolas de ensino superior. No entanto, o Brasil deixou o período joanino com algumas escolas técnicas superiores, sem, no entanto, haver qualquer forma organizada de educação escolar (Paim, 2020). Na transição do império para a república a função da educação era moldar a população aos ideais de desenvolvimento e reconstrução da sociedade.

Após a crise de 1929 a administração escolar recebeu o documento Manifesto dos Pioneiros da Educação, na qual defendiam uma administração escolar que possibilitasse identificar os processos mais eficazes para fundamentá-los à educação (Santos; Almeida, 2022). 

As reformas implantadas na década de 1940 e nos anos seguintes trouxeram melhorias para gestão educacional, destacando-se a aprovação da Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional, a LDBEN n. 4.024/61, na qual em seu artigo 42 deliberou que “[…] o diretor de escola deverá ser educador qualificado” (Brasil, 1961), incluindo a descentralização do poder na escola e levando os Estados a regulamentar as questões referentes ao cargo de Direção.

Os anos de 1970 e 1980 definiram em todas as áreas a luta em favor da democratização da sociedade, defendendo a gestão democrática da educação, sendo contemplada na Constituição Federal do Brasil de 1988 com a promulgação da LDBEN, em 1996, estabeleceu a base legal e filosófica para que a comunidade escolar (professores, funcionários, pais, alunos e sociedade civil) tivesse participação nas decisões para a educação, rompendo com o modelo centralizador e autoritário que predominava anteriormente.

A Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB) de 1996 (Lei nº 9.394/96), é a principal lei que organiza a educação brasileira e, nela, a gestão democrática é explicitada como um dos princípios norteadores do ensino público.

A LDB prevê a participação dos profissionais da educação na elaboração do projeto pedagógico da escola e a participação das comunidades escolar e local em conselhos escolares ou órgãos equivalentes. Isso formaliza a ideia de que a escola não é apenas um espaço de ensino, mas um ambiente de participação cidadã e de construção coletiva. Paro (2022), reflete que mesmo no modo de produção capitalista é possível desenvolver uma gestão educacional voltada para a transformação social, através da participação, então, essencialmente, social. Diante do exposto, a questão da gestão em instituições educacionais deve revestir-se do caráter de essência política e de preocupação com o pedagógico que dão base ao conceito de gestão democrática. Neste contexto, o sociólogo Arroyo (2020, p. 773), pondera:  com propriedade: “O gerir os sujeitos, os coletivos sociais, étnicos, raciais, de classe tem tido centralidade na razão gestora do Estado. A administração da educação tem dado também centralidade à gestão dos sujeitos sociais?

Dentre inúmeras reivindicações e, por conseguinte, ações, a gestão da escola tem o papel de acompanhar os processos de evolução do ato de educar. Dentre esses, a adoção de processos de tecnologias digitais é imprescindível.

Destaca-se, também, que a capacitação de educadores e gestores é uma prioridade nas estratégias governamentais voltadas para a educação digital. Estudos recentes mostram que a formação contínua é indispensável para que professores integrem as tecnologias em suas práticas pedagógicas, superando resistências iniciais e promovendo maior engajamento dos alunos (Castro Filho et al., 2020). 

Essas ações são complementadas por programas que visam fornecer competências técnicas e pedagógicas para a utilização dos dispositivos tecnológicos em sala de aula. Para tanto, há que se destacar o papel imprescindível das políticas públicas brasileiras na promoção de equidade e inclusão digital nas escolas públicas e, neste contexto, o Programa de Inovação Educação Conectada prioriza a inclusão de escolas em áreas remotas e periféricas o que garante que todos os estudantes tenham acesso a recursos digitais (Brasil, 2020).

O panorama digital transformou a comunicação escolar, estreitando laços entre a escola, pais e comunidade através de aplicativos de mensagens e plataformas. Nesse contexto, Brito et al. (2024) ressaltam que gestores escolares reconhecem os benefícios dessas ferramentas, especialmente no acompanhamento do desempenho dos alunos e na comunicação familiar.

ANÁLISE E DISCUSSÃO DOS RESULTADOS

A evolução da gestão escolar no Brasil é marcada por uma transição significativa. Vieira e Bussolotti (2019, p. 50) apontam uma mudança “de uma gestão centralizada e burocrática para abordagens mais democráticas e participativas”, afastando-se das práticas tradicionais em favor de modelos mais colaborativos e inclusivos.

As tecnologias digitais trazem contribuições importantes para a otimização dos processos administrativos e pedagógicos na gestão escolar. Sistemas têm sido incluídos para organizar tarefas e aprimorar a eficiência, promovendo maior transparência e colaboração na equipe. Essas ferramentas facilitam a organização de projetos, permitindo ajustes em tempo real e elevando a produtividade das equipes (Ticon et al., 2024).

Contudo, apesar dos benefícios, essa abordagem tecnológica pode, paradoxalmente, limitar a participação e a colaboração no ambiente escolar. Mesmo com a crescente disponibilidade de recursos tecnológicos, muitos gestores ainda enfrentam desafios na capacitação para utilizá-los de forma eficiente e estratégica. Silva e Coutinho (2025) identificam que essa lacuna no preparo impede a inclusão eficaz das tecnologias e a maximização de seu potencial para melhorar a qualidade do ensino. Pesquisas atuais indicam que, sem uma formação contínua alinhada às demandas atuais, é difícil promover práticas inovadoras e integradas com as tecnologias digitais. Isso reforça a necessidade de um investimento mais robusto por parte dos órgãos competentes, tanto na oferta de programas de capacitação quanto na avaliação do impacto dessas iniciativas nas escolas (Silva e Coutinho, 2025).

Silva e Costa (2024) corroboram esse cenário, destacando que muitos gestores carecem da formação técnica necessária para utilizar ferramentas digitais eficientemente, o que compromete a efetividade da gestão escolar. A falta de conhecimento sobre as tecnologias disponíveis e sua integração estratégica no dia a dia escolar dificulta a implementação bem-sucedida de sistemas de gestão escolar.

A resistência cultural à mudança por parte da gestão escolar e dos professores não pode ser ignorada. Frequentemente, a insegurança e o desconhecimento no uso das tecnologias, decorrentes de falhas na formação, perpetuam práticas tradicionais. Freitas (2019) ressalta que a formação deve combinar aspectos técnicos e metodológicos, sendo essencial para que o potencial das tecnologias digitais seja plenamente explorado no ambiente escolar.

A resistência ao novo modelo de gestão escolar baseado em tecnologias digitais pode ser uma resposta natural à mudança, mas também está ligada à ausência de uma cultura digital consolidada nas escolas. Teles e Lima (2024) afirmam que para uma implementação tecnológica bem-sucedida, é necessário um esforço contínuo para superar essa resistência, por meio de programas de sensibilização, formação e o engajamento de toda a comunidade escolar. Para o gestor, a falta de capacitação específica representa um obstáculo significativo para a integração eficaz dos recursos digitais, especialmente no alinhamento dessas ferramentas às demandas pedagógicas e aos objetivos de ensino.

A incorporação de tecnologias digitais na gestão escolar otimiza a alocação de recursos e capacita os gestores a tomar decisões baseadas em dados. Conforme Teles e Lima (2024), o acesso em tempo real os dados de desempenho de alunos, finanças e recursos permite que os gestores tomem decisões mais assertivas, direcionando investimentos e ações pedagógicas de forma eficaz. A análise desses dados digitais também aponta áreas para aprimoramento, viabilizando ajustes rápidos e eficientes.

Além dos benefícios administrativos, as ferramentas digitais são cruciais para a personalização da aprendizagem e o monitoramento contínuo do desempenho dos alunos. Silva, Bilessimo e Machado (2021) destacam que essas ferramentas facilitam o acompanhamento individualizado, permitindo que gestores e professores identifiquem necessidades específicas e ofereçam suporte personalizado. Plataformas de avaliação e sistemas de monitoramento digital possibilitam acompanhar o progresso do aluno de perto, facilitando intervenções pedagógicas quando necessário. Teles e Lima (2024) enfatizam que esse acompanhamento detalhado contribui para aprimorar o processo de ensino-aprendizagem, promovendo a melhoria contínua da educação. Assim, o uso de ferramentas digitais na gestão escolar não só aprimora a administração, mas também beneficia diretamente a qualidade do ensino e o desenvolvimento dos estudantes.

No que tange às políticas públicas, elas têm desempenhado um papel crucial na promoção da inclusão digital nas escolas brasileiras, com as tecnologias digitais no cerne desse avanço. Iniciativas como já mencionada no Programa de Inovação Educação Conectada (2017) exemplificam esse esforço, investindo em infraestrutura e conectividade, especialmente em áreas remotas. No entanto, a efetividade dessas iniciativas ainda enfrenta desafios como a manutenção dos equipamentos e a capacitação dos profissionais para um uso eficiente.

Programa de Inovação Educação Conectada (PIEC), criado em 2017, é uma iniciativa do Ministério da Educação (MEC) que visa universalizar o acesso à internet de alta velocidade e promover o uso pedagógico de tecnologias digitais na educação básica pública. O programa busca transformar o ambiente escolar em um espaço preparado para a conectividade e oferecer aos alunos e professores novas oportunidades de aprendizado com o uso de recursos digitais (Brasil, 2017). 

O PIEC atua em diversas frentes, como: Infraestrutura (apoio à instalação e melhoria da conectividade), Recursos Educacionais (disponibilização de recursos digitais e ferramentas para uso pedagógico), Formação de Professores (cursos e atividades sobre o uso de tecnologias digitais) e Parceria com as Redes de Ensino (colaboração para inclusão do programa em todo o país). Sua importância reside em preparar os alunos para o futuro, melhorar a qualidade da educação (tornando o aprendizado mais dinâmico, interativo e personalizado) e reduzir desigualdades (Brasil, 2020).

Apesar dos progressos na distribuição de dispositivos e na expansão da conectividade, desigualdades regionais persistem e comprometem a equidade no acesso à tecnologia. Heinsfeld (2020) aponta que a falta de internet de qualidade e a escassez de energia elétrica adequada em certas localidades dificultam o uso pleno das ferramentas digitais, perpetuando as disparidades educacionais. A pesquisa também reitera a necessidade de regulamentar o uso responsável das tecnologias para garantir a segurança e a privacidade dos dados de estudantes e educadores. Cordeiro e Bonilla (2020) destacam a indispensabilidade de diretrizes claras e alinhadas às legislações vigentes, assegurando uma transformação digital ética e inclusiva.

Ferramentas digitais possuem o potencial de aperfeiçoar práticas administrativas e pedagógicas, elevando a eficiência e a transparência. Contudo, os desafios estruturais e culturais identificados evidenciam que a integração tecnológica exige um planejamento estratégico robusto e investimentos consistentes. A resistência cultural à mudança não deve ser subestimada; é fundamental fomentar uma cultura de inovação que encoraje gestores e professores a adotarem novas tecnologias com confiança e proatividade. Estratégias como workshops práticos, campanhas de conscientização e programas de mentoria podem ser eficazes para superar essas barreiras.

Em última análise, os achados sublinham que a transformação digital transcende a esfera tecnológica, abrangendo dimensões sociais e culturais. Para um impacto positivo e sustentável, é imperativo que todos os envolvidos — governo, escolas, professores, alunos e comunidade — trabalhem de forma colaborativa. Esse esforço conjunto é essencial para construir um ambiente educacional mais inclusivo, inovador e preparado para os desafios do século XXI.

CONSIDERAÇÕES FINAIS 

A análise realizada demonstrou que as questões de gestão escolar são tão antigas quanto a história do Brasil, estando sempre subordinada a contextos governamentais, do Brasil Colônia à atualidade, com tímidos progressos em relação à tomada de decisões que são destinadas ao gestor, embora todo o movimento de gestão democrática ocorrido no país.

Há que se pontuar que os anos de 1970 e 1980 inauguraram movimentos em favor da democratização da sociedade, da gestão democrática da educação, acolhida pela Constituição Federal do Brasil de 1988 com a promulgação da LDBEN, em 1996, trazendo a base legal filosófica e o termo comunidade escolar composto por todos os atores da educação e que estes pudessem participar nas decisões para a educação, rompendo com o modelo centralizador e autoritário que predominava anteriormente.

A Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB) de 1996 (Lei nº 9.394/96); organiza a educação brasileira e, nela, a gestão democrática é explicitada como um dos princípios norteadores do ensino público.

Sobre a gestão escolar e as tecnologias digitais percebe-se que estas caminham a passos lentos, revestidos de desafios provenientes, desde lacunas na formação dos gestores e professores, passando pelos problemas do cenário brasileiro trazidos pela desigualdade social, atingindo não somente o estudante em termos de impossibilidade de recursos para aquisição de equipamentos, como celulares, computadores e internet, como a fragilidade dos componentes geradores de ineficaz energia elétrica ou até mesmo ausência desta, em lugares periféricos ou comunidades rurais. 

Há que destacar que programa como o; “Programa de Inovação Educação Conectada”, sobretudo, em áreas remotas vem contribuindo com a expansão da gestão da tecnologia digital, embora ainda enfrente desafios como visto; voltados à manutenção dos equipamentos e a capacitação dos profissionais para um uso eficiente.

Entretanto, é fato que gestores empenhados e abertos às tecnologias digitais reconhecem benefícios das tecnologias digitais destacando que essas ferramentas facilitam o acompanhamento individualizado, permitindo que gestores e professores identifiquem necessidades específicas e ofereçam suporte personalizado.

A realidade brasileira, marcada por profundas desigualdades regionais e socioeconômicas, demanda estratégias que articulem as esferas federal, estadual e municipal na construção de uma rede de proteção social capaz de atender às necessidades diversas da população. Desse modo, é fundamental que as políticas públicas avancem no sentido da integração e da territorialização para que se tornem efetivas na promoção da cidadania na velhice.

A efetividade dos programas de inclusão tecnologia digital depende da existência de serviços bem estruturados, da qualificação contínua dos profissionais e da garantia de participação social da própria comunidade escolar na formulação, execução e avaliação das políticas. 

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

ARROYO,  Miguel Gonzales. Gestão da Educação com Justiça Social. Que Gestão dos Injustiçados? RBPAE. Revista Brasileira de Política e Administração da Educação. Seção Especial, v. 36 n. 2020.

BRASIL. Lei nº 4.024, de 20 de dezembro de 1961. Fixa as Diretrizes e Bases da Educação Nacional. Brasília, DF: Diário Oficial da União, 27 dez. 1961. Disponível em: http://www.mec.gov.br. Acesso em: maio 2025

BRASIL. Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996. Estabelece as diretrizes e bases da educação nacional. Brasília, DF: Diário Oficial da União, 23 dez. 1996. Disponível em: http://www.mec.gov.br. Acesso em: maio 2025.

BRASIL. Ministério da Educação. Programa de Inovação Educação Conectada. 2017. Disponível em: https://www.gov.br/mec/pt-br/assuntos/programas-e-projetos/educacao-conectada. Acesso em: 15 jun. 2025.

BRITO, M.; GONDIM, R. S.; VASCONCELOS, F. H. L.; PAIM, I. M. Integração das Tecnologias Digitais da Informação e Comunicação com a Prática da Gestão Escolar: um Estudo de Caso. Revista de Educação, v. 25, n. 1, p. 74-80, 2024. Disponível em: https://www.periodicos.capes.gov.br/index.php/acervo/buscador.html?id=W4397294013&tas k=detalhes&utm_source=chatgpt.com. Acesso em 12 jun. 2025.

CASTRO FILHO, J. A.; RAABE, A. L. A.; HEINSFELD, B. D. S. Políticas públicas para as tecnologias na educação e a educação em computação. Revista Tecnologias na Educação, v. 12, n. 33, p. 1-23, 2020.

CORDEIRO, S. F. N.; BONILLA, M. H. S. Educação e tecnologias digitais: políticas públicas em debate. In: Anais do Seminário Nacional de Inclusão Digital, 2020.

HEINSFELD , Bruna Damiana; PISCHETOLA, Magda. O discurso sobre tecnologias nas políticas públicas em educação. Educ. Pesqui. 45 , 2019. Disponível em: https://www.scielo.br/j/ep/a/XPSDrBf4TFCSNzfxW9jMWww/, Acesso em: 8 mai. 2025.

MARQUES, Lígia. A Instrução Pública em Portugal no Século XVIII: Entre o Antigo Regime e as Luzes. Coimbra: Imprensa da Universidade de Coimbra, 2020.

OLIVEIRA, Leilson et al. Um Estudo sobre a Pedagogia Jesuítica: o Ratio Studiorum e um breve Comparativo ao Projeto Político Pedagógico. Rev. Mult. Psic. v.12, n. 41, p. 627-636, 2018.

PAIM, Marco Antônio. O Legado Joanino na Educação Brasileira: Do Ensino Superior às Primeiras Letras. Rio de Janeiro: FGV Editora, 2020.

PARO, V. H.. Administração escolar: introdução crítica (16a ed.). São Paulo: Cortez. 2022.

SANTOS, Ana Lúcia; ALMEIDA, José Luiz (Org.). O Manifesto dos Pioneiros da Educação Nova: 90 anos de um documento que ainda ecoa. Curitiba: Appris, 2022.

SILVA, A. V. V.; COSTA, A. Inteligência artificial na educação: aliada ou ameaça para o professor? Cuadernos  de  Educación  y  Desarrollo, v. 16, n. 1, p. 70-74, 2024. Disponível em: https://ojs.europubpublications.com/ojs/index.php/ced/article/view/3238. Acesso em: 10 jun. 2025.

SILVA, J. B.; BILESSIMO, S. M. S.; MACHADO, L. R. Integração de tecnologia na educação: proposta de modelo para capacitação docente inspirada no TPACK. Educ. Rev., v. 37, 2021. Disponível em: https://doi.org/10.1590/0102-4698232757. Acesso em: 16 jun. 2024.

SILVA, P. C. da; COUTINHO, D. J. G. Tecnologias na gestão escolar: inovações e desafios no contexto educacional contemporâneo. Revista Ibero-Americana de Humanidades, Ciências e Educação, v. 11, n. 3, p. 2134–2151, 2025.

SILVA, Paulo César da. Tecnologias na gestão escolar: inovações e desafios no contexto educacional contemporâneo. 2024. Disponível em: https://revistadifatto.com.br/artigos/tecnologias-na-gestao-escolar-inovacoes-e-desafios-no-contexto-educacional-contemporaneo/. Acesso em: 14 jun. 2025.

TELES, S. F. S.; DOS SANTOS LIMA, K. V. Novos contextos de aprendizagem na perspectiva docente: desafios e oportunidades no uso de tecnologias educacionais. Diálogos e Perspectivas Interventivas,   v.   5,   n.   1,   p.   e  20154-e20154,   2024.   Disponível   em: https://www.revistas.uneb.br/index.php/dialogos/article/view/20154. Acesso em: 10 jun. 2025.

TICON, S.; LEGEY, A. P.; ARANTES, S. S. F.; CONCEIÇÃO, F. C.; NEVES, L. R. A Utilização do Trello para Otimização da Gestão Escolar: Uma Abordagem Prática Mediada pelas Novas Tecnologias Digitais em Escolas Brasileiras. SciELO Preprints, 2024. Disponível em: https://data.scielo.org/dataset.xhtml?fileAccess=Public&fileSortField=date&persistentId=doi%3A10.48331%2Fscielodata.DFSXFR&tagPresort=false&utm_source=chatgpt.com. Acesso em: 12 jun. 2025.

VIEIRA, A. E. R.; BUSSOLOTTI, J. M. Gestão escolar. Interação. Revista de Ensino,  Pesquisa  e  Extensão,  v.  20,  n.  1,  p.  45-70,  2019.

Teixeira, Andréia. Gestão em instituição educacional frente aos avanços tecnológicos digitais.International Integralize Scientific. v 5, n 49, Julho/2025 ISSN/3085-654X

Referencias

Vivian Caroline Coraucci.
BAILEY, C. J.; LEE, J. H.
Management of chlamydial infections: A comprehensive review.
Clinical infectious diseases.
v. 67
n. 7
p. 1208-1216,
2021.
Disponível em: https://academic.oup.com/cid/article/67/7/1208/6141108.
Acesso em: 2024-09-03.

Share this :

Edição

v. 5
n. 49
Gestão em instituição educacional frente aos avanços tecnológicos digitais

Área do Conhecimento

IMPACTO DAS TECNOLOGIAS EDUCACIONAIS NO SUPORTE A ALUNOS COM DIFICULDADES – UM ESTUDO NA ESCOLA JOSÉ AUGUSTO GAMA DE SOUZA
tecnologias educacionais, dificuldades de aprendizagem, ensino-aprendizagem, tecnologias assistivas.
Integração de blockchain permissionado e inteligência artificial: Um framework para transparência e eficiência no procurement corporativo
blockchain permissionado; inteligência artificial; procurement; smart contracts; governança de dados.
Investigação baseada em dados: O impacto da inteligência artificial na eficiência das operações policiais
inteligência artificial; investigação policial; governança digital; ética algorítmica; segurança pública.
Inteligência estratégica: Lições da inteligência policial para a tomada de decisão em ambientes corporativos
inteligência estratégica; tomada de decisão; inteligência policial; gestão de riscos; competitividade empresarial.
A importância do uso da tecnologia em investigações policiais em ambientes críticos controlados
tecnologia; investigações policiais; segurança pública; aeroportos; inteligência artificial.
IA responsável e desenvolvimento seguro: uma Abordagem multidimensional entre tecnologia, direito e ética
inteligência artificial; governança algorítmica; ética digital; compliance tecnológico; segurança da informação.

Últimas Edições

Confira as últimas edições da International Integralize Scientific

feat-jan

Vol.

6

55

Janeiro/2026
feat-dez

Vol.

5

54

Dezembro/2025
feat-nov

Vol.

5

53

Novembro/2025
feat-out

Vol.

5

52

Outubro/2025
Setembro-F

Vol.

5

51

Setembro/2025
Agosto

Vol.

5

50

Agosto/2025
Julho

Vol.

5

49

Julho/2025
junho

Vol.

5

48

Junho/2025