Aplicação das metodologias 5s e design thinking na ETEC Professor Adhemar Batista Heméritas: Uma experiência de educação participativa e transformadora

APPLICATION OF THE 5S AND DESIGN THINKING METHODOLOGIES AT ETEC PROFESSOR ADHEMAR BATISTA HEMÉRITAS: AN EXPERIENCE OF PARTICIPATORY AND TRANSFORMATIVE EDUCATION

APLICACIÓN DE LAS METODOLOGÍAS 5S Y DESIGN THINKING EN LA ETEC PROFESOR ADHEMAR BATISTA HEMÉRITAS: UNA EXPERIENCIA DE EDUCACIÓN PARTICIPATIVA Y TRANSFORMADORA

Autor

URL do Artigo

https://iiscientific.com/artigos/F2D6D5

DOI

doi.org/10.63391/F2D6D5

Padovezi, Andreia Couto Dornel. Aplicação das metodologias 5s e design thinking na ETEC Professor Adhemar Batista Heméritas: Uma experiência de educação participativa e transformadora. International Integralize Scientific. v 5, n 49, Julho/2025 ISSN/3085-654X

Resumo

Este artigo apresenta a experiência de aplicação integrada das metodologias 5S e Design Thinking na Etec Professor Adhemar Batista Heméritas, com o objetivo de promover melhorias nos espaços escolares e fortalecer o protagonismo estudantil. A proposta surgiu da necessidade de atender à diretriz do Centro Paula Souza, que preconizava a implementação do 5S em todas as unidades escolares. Diante da amplitude da tarefa, optou-se por envolver os alunos do curso técnico de Administração na elaboração e execução das ações. Por meio de oficinas de Design Thinking, foram diagnosticados problemas reais enfrentados no cotidiano escolar, como a má conservação dos banheiros, o acúmulo de sujeira nas carteiras e a falta de conscientização coletiva. A partir desse diagnóstico, os estudantes propuseram soluções criativas e viáveis, como a instalação de um alvo nos mictórios masculinos, mutirões de limpeza, fiscalização colaborativa e a aplicação dos cinco sensos em seus lares. Os resultados demonstram que a integração entre 5S e Design Thinking favorece não apenas a melhoria física do ambiente escolar, mas também o desenvolvimento de competências como empatia, responsabilidade, disciplina e trabalho em equipe. Conclui-se que a combinação dessas metodologias fortalece uma cultura de corresponsabilidade e aprendizagem ativa.
Palavras-chave
educação profissional; metodologias ativas; 5s; design thinking; protagonismo estudantil.

Summary

This paper presents the experience of the integrated application of the 5S and Design Thinking methodologies at Etec Professor Adhemar Batista Heméritas, aiming to improve school spaces and strengthen student protagonism. The initiative emerged from the requirement set by Centro Paula Souza, which recommended the implementation of the 5S program in all school units. Given the scope of this task, students from the Technical Administration course were engaged in the planning and execution of the project. Through Design Thinking workshops, real problems in the school environment were identified, such as poor maintenance of bathrooms, dirty desks, and a lack of collective awareness. Based on this diagnosis, students proposed creative and feasible solutions, such as installing a target in the boys’ urinals, organizing cleaning task forces, implementing collaborative monitoring, and applying the five sensos in their homes. The results show that integrating 5S and Design Thinking not only improves the physical school environment but also promotes the development of skills such as empathy, responsibility, discipline, and teamwork. It is concluded that the combination of these methodologies fosters a culture of co-responsibility and active learning.
Keywords
vocational education; active methodologies; 5s; design thinking; student protagonism.

Resumen

Este artículo presenta la experiencia de aplicación integrada de las metodologías 5S y Design Thinking en la Etec Profesor Adhemar Batista Heméritas, con el objetivo de mejorar los espacios escolares y fortalecer el protagonismo estudiantil. La iniciativa surgió como respuesta a una directriz del Centro Paula Souza que orientaba la implementación del programa 5S en todas las unidades educativas. Debido a la magnitud del desafío, se decidió involucrar a los estudiantes del curso técnico de Administración en la planificación y ejecución del proyecto. A través de talleres de Design Thinking, se identificaron problemas reales del entorno escolar, como el mal estado de los baños, la suciedad acumulada en los pupitres y la falta de conciencia colectiva. A partir de este diagnóstico, los alumnos propusieron soluciones creativas y viables, como la colocación de un blanco en los urinarios masculinos, jornadas de limpieza, fiscalización colaborativa y la aplicación de los cinco sensos en sus hogares. Los resultados demuestran que la integración de 5S y Design Thinking no solo mejora el entorno físico escolar, sino que también desarrolla habilidades como empatía, responsabilidad, disciplina y trabajo en equipo. Se concluye que la combinación de estas metodologías fortalece una cultura de corresponsabilidad y aprendizaje activo.
Palavras-clave
educación profesional; metodologías activas; 5s; design thinking; protagonismo estudiantil.

INTRODUÇÃO 

A metodologia 5S tem suas raízes no Japão do pós-Segunda Guerra Mundial, quando empresas começaram a buscar formas de organizar seus ambientes de produção e eliminar desperdícios para garantir maior competitividade e qualidade (HIRANO, 1993). Desenvolvida por Kaoru Ishikawa e divulgada por Hiroyuki Hirano, essa abordagem teve grande impacto por seu caráter simples, eficiente e sistêmico. Os cinco sensos — Seiri (utilização), Seiton (ordenação), Seiso (limpeza), Seiketsu (padronização) e Shitsuke (disciplina) — constituem uma sequência lógica de ações que visam manter o local de trabalho limpo, organizado e seguro (OSADA, 1992). O senso de utilização (Seiri) propõe a delimitação entre o que é necessário e o que é supérfluo, permitindo eliminar itens que não agregam valor ao ambiente. Já o senso de ordenação (Seiton) busca dispor os materiais de forma lógica e acessível, evitando perdas de tempo e movimentos desnecessários. O terceiro senso (Seiso) incentiva a limpeza regular, que revela desgastes e anomalias. O quarto (Seiketsu) estabelece rotinas e padrões para manter os três primeiros sensos, enquanto o quinto (Shitsuke) reforça a disciplina e o hábito de seguir esses processos continuamente (PALADINI, 2006). Minetto Napoleão (2018) ressalta que o 5S não se trata apenas de organização física, mas de transformação de comportamentos, valores e cultura, propiciando um ambiente mais produtivo, saudável e sustentável.

No contexto educativo, o 5S transcende a simples organização física e torna-se ferramenta de formação para a vida profissional e social dos estudantes. Ferreira e Morais (2020) destacam que, quando aplicado em escolas, o 5S gera rotina de cuidado com o próprio ambiente, desenvolve o senso de responsabilidade e promove aprendizado ativo. Tais benefícios são consistentes com os resultados apresentados por Silva et al. (2017), que demonstram que a aplicação do 5S em unidades de ensino técnico aumenta a eficiência operacional, reduz desperdícios e fortalece o comprometimento dos alunos com o espaço coletivo.Contudo, apesar das vantagens comprovadas, muitos projetos de implementação de 5S falham quando dependem exclusivamente de uma única pessoa (geralmente o gestor ou professor responsável), que acaba sobrecarregado com a abrangência da tarefa. 

Foi exatamente essa situação que se apresentou na Etec Professor Adhemar Batista Heméritas, unidade vinculada ao Centro Paula Souza, que impôs a adoção da metodologia 5S em todas as suas áreas (salas de aula, biblioteca, cantina, banheiros, administrativo etc.). Diante da magnitude da operação, percebeu-se que a simples atuação de um professor, sem apoio coletivo, não seria suficiente para garantir sustentabilidade e impacto duradouro. Desse modo, decidiu-se envolver os alunos do curso técnico de Administração como atores centrais do processo, promovendo uma abordagem colaborativa, formativa e participativa.

Nesse sentido, o uso combinado do 5S com Design Thinking ganhou destaque por aliar organização comportamental a um processo criativo de resolução de problemas. O Design Thinking, originado no design industrial e desenvolvido por autores como Brown (2009) e Plattner, Meinel e Leifer (2011), é um método centrado no usuário, estruturado em cinco etapas: empatia, definição, ideação, prototipagem e teste. Cada fase visa envolver os participantes na compreensão profunda do problema, geração de ideias inovadoras, concretização de soluções tangíveis e testagem de protótipos em ambiente real. Dam e Siang (2018) apontam que essa metodologia estimula tanto o pensamento divergente — para explorar múltiplas possibilidades — quanto o convergente — para selecionar e aprimorar as melhores ideias —, sendo especialmente eficaz em contextos complexos e multidisciplinares.

A criatividade, a colaboração e o protagonismo são características centrais do Design Thinking, aspectos reforçados por Razzouk e Shute (2012). Esses autores demonstram que, quando aplicado em ambientes escolares, a abordagem promove autonomia, empatia e capacidade crítica nos alunos, contribuindo para a formação de cidadãos capazes de atuar de forma consciente e proativa em suas comunidades. A complementaridade entre as metodologias reside no fato de que o 5S fornece a base de organização, disciplina e cuidado rotineiro, enquanto o Design Thinking fornece a estrutura de pensamento sistêmico e criativo para abordar desafios e implementar melhorias significativas no espaço.

Na Etec Heméritas, a articulação entre 5S e Design Thinking se concretizou por meio de uma oficina organizada especialmente para esse fim. A etapa de empatia envolveu mapeamento de percepções com entrevistas e observação direta em diferentes setores da escola — salas de aula, banheiros, corredores, cantina e administrativo —, com participação dos estudantes. O foco eram  alunos e professores, que relatavam problemas cotidianos, como banheiros masculinos com mictório sem alvo, carteiras lotadas de lixo e resíduos, ausência de limpeza frequente e inexistência de fiscalização constante — apontando para uma fragilidade nos sensos de limpeza, ordenação e padronização. Essa fase também permitiu que os estudantes se colocassem no lugar dos usuários do espaço, cultivando empatia e compreensão sistêmica.

A fase de definição organizou os problemas em categorias: higiene, organização, rotinas de limpeza e cultura de conservação. Priorizaram-se os temas que impactavam a saúde (problemas no banheiro masculino), o uso frequente (carteiras e salas) e o comportamento coletivo (ausência de cultura), considerando urgência e viabilidade de intervenção.Em seguida, na etapa de ideação, os alunos definiram propostas de intervenção com potencial transformador. Dentre as ideias, destacaram-se: a instalação de um “alvo” nos mictórios masculinos — recurso lúdico que incentiva a limpeza por meio da precisão; a organização de um “Dia D” — mutirão de limpeza geral das salas e carteiras; o uso de carteiras sinalizadas com cores para identificar estados limpos, em atenção ou críticos; a criação de fiscais do 5S — alunos voluntários responsáveis por supervisionar e orientar os colegas sobre boas práticas; e a ampliação do projeto para a esfera pessoal, com aplicação do 5S nos guarda-roupas dos estudantes.

A prototipagem consistiu em testes práticos dessas iniciativas. Os “alvos” foram instalados de forma piloto, os mutirões foram marcados em datas específicas com avisos e mobilização, as carteiras ganharam sinalização por adesivos coloridos e os fiscais passaram por breve treinamento para execução de rondas e orientação. A fase de teste coletou feedback da comunidade escolar — alunos, professores e equipe técnica — por meio de observação, entrevistas e registros, o que possibilitou ajustes contínuos nos processos e atuou como elemento de aprendizagem e reflexão.

5S E DESIGN THINKING NA EDUCAÇÃO

FUNDAMENTOS DO 5S E SUA APLICAÇÃO NO CONTEXTO ESCOLAR

A metodologia 5S tem suas raízes no Japão do pós-Segunda Guerra Mundial, quando empresas começaram a buscar formas de organizar seus ambientes de produção e eliminar desperdícios para garantir maior competitividade e qualidade (HIRANO, 1993). Desenvolvida por Kaoru Ishikawa e divulgada por Hiroyuki Hirano, essa abordagem teve grande impacto por seu caráter simples, eficiente e sistêmico. 

Os cinco sensos — Seiri (utilização), Seiton (ordenação), Seiso (limpeza), Seiketsu (padronização) e Shitsuke (disciplina) — constituem uma sequência lógica de ações que visam manter o local de trabalho limpo, organizado e seguro (OSADA, 1992). O senso de utilização (Seiri) propõe a delimitação entre o que é necessário e o que é supérfluo, permitindo eliminar itens que não agregam valor ao ambiente. Já o senso de ordenação (Seiton) busca dispor os materiais de forma lógica e acessível, evitando perdas de tempo e movimentos desnecessários. O terceiro senso (Seiso) incentiva a limpeza regular, que revela desgastes e anomalias. O quarto (Seiketsu) estabelece rotinas e padrões para manter os três primeiros sensos, enquanto o quinto (Shitsuke) reforça a disciplina e o hábito de seguir esses processos continuamente (PALADINI, 2006). Minetto Napoleão (2018) ressalta que o 5S não se trata apenas de organização física, mas de transformação de comportamentos, valores e cultura, propiciando um ambiente mais produtivo, saudável e sustentável.

No contexto educativo, o 5S transcende a simples organização física e torna-se ferramenta de formação para a vida profissional e social dos estudantes. Ferreira e Morais (2020) destacam que, quando aplicado em escolas, o 5S gera rotina de cuidado com o próprio ambiente, desenvolve o senso de responsabilidade e promove aprendizado ativo. Tais benefícios são consistentes com os resultados apresentados por Silva et al. (2017), que demonstram que a aplicação do 5S em unidades de ensino técnico aumenta a eficiência operacional, reduz desperdícios e fortalece o comprometimento dos alunos com o espaço coletivo. Contudo, apesar das vantagens comprovadas, muitos projetos de implementação de 5S falham quando dependem exclusivamente de uma única pessoa (geralmente o gestor ou professor responsável), que acaba sobrecarregado com a abrangência da tarefa. Foi exatamente essa situação que se apresentou na Etec Professor Adhemar Batista Heméritas, unidade vinculada ao Centro Paula Souza, que impôs a adoção da metodologia 5S em todas as suas áreas (salas de aula, biblioteca, cantina, banheiros, administrativo etc.). Diante da magnitude da operação, percebeu-se que a simples atuação de um professor, sem apoio coletivo, não seria suficiente para garantir sustentabilidade e impacto duradouro. Desse modo, decidiu-se envolver os alunos do curso técnico de Administração como atores centrais do processo, promovendo uma abordagem colaborativa, formativa e participativa.

INTEGRAÇÃO ENTRE 5S E DESIGN THINKING: CONCEITOS E COMPLEMENTARIDADE

O uso combinado do 5S com Design Thinking ganhou destaque por aliar organização comportamental a um processo criativo de resolução de problemas. O Design Thinking, originado no design industrial e desenvolvido por autores como Brown (2009) e Plattner, Meinel e Leifer (2011), é um método centrado no usuário, estruturado em cinco etapas: empatia, definição, ideação, prototipagem e teste. Cada fase visa envolver os participantes na compreensão profunda do problema, geração de ideias inovadoras, concretização de soluções tangíveis e testagem de protótipos em ambiente real. Dam e Siang (2018) apontam que essa metodologia estimula tanto o pensamento divergente — para explorar múltiplas possibilidades — quanto o convergente — para selecionar e aprimorar as melhores ideias —, sendo especialmente eficaz em contextos complexos e multidisciplinares.

A criatividade, a colaboração e o protagonismo são características centrais do Design Thinking, aspectos reforçados por Razzouk e Shute (2012). Esses autores demonstram que, quando aplicado em ambientes escolares, a abordagem promove autonomia, empatia e capacidade crítica nos alunos, contribuindo para a formação de cidadãos capazes de atuar de forma consciente e proativa em suas comunidades. A complementaridade entre as metodologias reside no fato de que o 5S fornece a base de organização, disciplina e cuidado rotineiro, enquanto o Design Thinking fornece a estrutura de pensamento sistêmico e criativo para abordar desafios e implementar melhorias significativas no espaço.

A EXPERIÊNCIA DA ETEC HEMÉRITAS: RELATO DA APLICAÇÃO PRÁTICA

No Professor Adhemar Batista Heméritas, a articulação entre 5S e Design Thinking se concretizou por meio de uma oficina organizada especialmente para esse fim. A etapa de empatia envolveu mapeamento de percepções com entrevistas e observação direta em diferentes setores da escola — salas de aula, banheiros, corredores, cantina e administrativo —, com participação dos estudantes. O foco éramos nós, alunos e professores, que relatavam problemas cotidianos, como banheiros masculinos com mictório sem alvo, carteiras lotadas de lixo e resíduos, ausência de limpeza frequente e inexistência de fiscalização constante — apontando para uma fragilidade nos sensos de limpeza, ordenação e padronização. Essa fase também permitiu que os estudantes se colocassem no lugar dos usuários do espaço, cultivando empatia e compreensão sistêmica.A fase de definição organizou os problemas em categorias: higiene, organização, rotinas de limpeza e cultura de conservação. Priorizaram-se os temas que impactavam a saúde (problemas no banheiro masculino), o uso frequente (carteiras e salas) e o comportamento coletivo (ausência de cultura), considerando urgência e viabilidade de intervenção.

Em seguida, na etapa de ideação, os alunos definiram propostas de intervenção com potencial transformador. Dentre as ideias, destacaram-se: a instalação de um “alvo” nos mictórios masculinos — recurso lúdico que incentiva a limpeza por meio da precisão; a organização de um “Dia D” — mutirão de limpeza geral das salas e carteiras; o uso de carteiras sinalizadas com cores para identificar estados limpos, em atenção ou críticos; a criação de fiscais do 5S — alunos voluntários responsáveis por supervisionar e orientar os colegas sobre boas práticas; e a ampliação do projeto para a esfera pessoal, com aplicação do 5S nos guarda-roupas dos estudantes.

A prototipagem consistiu em testes práticos dessas iniciativas. Os “alvos” foram instalados de forma piloto, os mutirões foram marcados em datas específicas com avisos e mobilização, as carteiras ganharam sinalização por adesivos coloridos e os fiscais passaram por breve treinamento para execução de rondas e orientação. A fase de teste coletou feedback da comunidade escolar — alunos, professores e equipe técnica — por meio de observação, entrevistas e registros, o que possibilitou ajustes contínuos nos processos e atuou como elemento de aprendizagem e reflexão.

IMPACTOS E RESULTADOS EDUCACIONAIS DO PROJETO

Os resultados obtidos a partir da aplicação conjunta das metodologias 5S e Design Thinking na Etec foram significativos tanto do ponto de vista pedagógico quanto prático. Do ponto de vista físico e organizacional, observou-se uma melhora notável nos espaços comuns. A simples instalação do “alvo” no mictório masculino reduziu de forma visível os resíduos de urina fora do local apropriado, contribuindo para a limpeza e para a preservação da estrutura sanitária. A proposta, apesar de aparentemente simples, revela como soluções baseadas no comportamento do usuário podem ter grande impacto — uma ideia coerente com o princípio da empatia do Design Thinking. Segundo Brown (2009), a eficácia de uma solução está diretamente relacionada à sua capacidade de responder a uma necessidade real observada no cotidiano dos usuários, e não a partir de hipóteses distantes da realidade.

Além disso, os mutirões de limpeza (chamados de “Dia D”) não apenas ajudaram a restaurar a ordem e o estado das carteiras e salas de aula, como também promoveram o senso de pertencimento e responsabilidade coletiva. Os próprios alunos envolviam-se diretamente com a limpeza dos espaços que utilizavam, o que promoveu o fortalecimento dos sensos de Seiri (utilização), Seiso (limpeza) e Shitsuke (disciplina). De acordo com Lapa (1998), o envolvimento direto das pessoas com o ambiente em que vivem ou trabalham é um dos principais fatores que determinam o sucesso da implementação do 5S, pois somente quando os usuários compreendem o porquê das ações e se sentem parte do processo é que se torna possível consolidar uma mudança cultural duradoura.

A ação dos fiscais do 5S também demonstrou ser eficaz não apenas como ferramenta de controle, mas como instrumento de educação entre pares. Os alunos voluntários recebiam orientações básicas e passavam a circular pela escola, observando comportamentos e abordando colegas de maneira colaborativa. Esse modelo evitava punições formais e adotava uma abordagem de orientação e reforço positivo, estimulando a mudança de comportamento por influência entre os próprios estudantes. Isso se alinha ao que Razzouk e Shute (2012) apontam como característica do Design Thinking em contextos educacionais: o empoderamento dos participantes e a criação de redes de colaboração horizontalizadas, nas quais o conhecimento é construído de forma distribuída.

Um ponto particularmente inovador do projeto desenvolvido na Etec foi a aplicação do 5S nos guarda-roupas dos alunos, estendendo o aprendizado para fora da escola e promovendo a interiorização dos conceitos. Os alunos foram incentivados a aplicar os cinco sensos em seus próprios pertences, organizando gavetas, roupas e objetos pessoais. Essa atividade, relatada com entusiasmo por muitos pais e responsáveis, evidenciou a eficácia da metodologia na formação de hábitos de disciplina, cuidado e organização pessoal. A transposição do conteúdo aprendido em sala para a vida cotidiana mostra-se fundamental na perspectiva da educação integral e está em consonância com a Base Nacional Comum Curricular (BNCC), que valoriza o desenvolvimento de competências socioemocionais, tais como responsabilidade, autogestão e colaboração.

Do ponto de vista didático-pedagógico, o projeto propiciou a vivência de metodologias ativas de aprendizagem. Os alunos deixaram de ser apenas receptores de conteúdo para atuarem como protagonistas do processo educacional. A resolução de problemas reais, a tomada de decisões em grupo, a testagem de ideias e a autoavaliação tornaram-se práticas comuns durante a execução do projeto, o que reforça o modelo de ensino-aprendizagem defendido por autores como Moran (2015) e Freire (1996), para quem o conhecimento se constrói na ação transformadora da realidade. A participação ativa dos estudantes, aliada à orientação dos professores, gerou um ambiente de aprendizagem cooperativa e significativa, no qual teoria e prática se articularam de forma orgânica.

Além disso, vale destacar que a combinação entre 5S e Design Thinking permitiu à escola adotar um modelo de gestão participativa e inovadora, promovendo a integração entre os diversos setores da comunidade escolar. Equipe gestora, professores, alunos e funcionários participaram do processo, o que criou um clima institucional mais colaborativo e voltado à melhoria contínua. Essa abordagem coletiva está em consonância com os princípios da gestão democrática, defendidos pela Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB, Lei nº 9.394/1996), que valoriza a participação de todos os segmentos da comunidade escolar na construção do projeto político-pedagógico da escola.

Outra questão relevante está na dimensão da sustentabilidade do projeto. Muitas iniciativas escolares perdem força ao longo do tempo por não haver mecanismos de manutenção e acompanhamento. Nesse aspecto, o Design Thinking colaborou significativamente ao prever, na fase de testes e ajustes, a implementação de ações permanentes — como os fiscais, os adesivos nas carteiras e os mutirões programados — que garantem a continuidade do processo. O 5S, por sua vez, ao enfatizar os sensos de padronização e disciplina, reforça a necessidade de manutenção e aprimoramento constante das rotinas criadas. Portanto, a sinergia entre as duas metodologias não apenas viabilizou a implantação do projeto, como também contribuiu para sua sustentabilidade a longo prazo.

O projeto desenvolvido na Etec também serviu como ferramenta de integração curricular. Professores de disciplinas como Gestão de Pessoas, Ética, Empreendedorismo e Administração de Recursos Materiais puderam integrar conteúdos e competências ao projeto 5S, criando atividades interdisciplinares e projetos complementares. Os relatórios produzidos pelos alunos, as apresentações dos resultados, as análises de indicadores (como número de carteiras limpas ou frequência de participação) e os registros fotográficos foram utilizados como instrumentos de avaliação formativa e somativa. Isso promoveu uma aprendizagem significativa, pois os alunos puderam aplicar os conteúdos estudados na resolução de problemas concretos do ambiente em que convivem.

A articulação entre 5S e Design Thinking, portanto, revelou-se uma estratégia metodológica eficaz para promover não apenas melhorias físicas no ambiente escolar, mas também transformações profundas no modo como os estudantes se relacionam com o espaço, com os colegas e consigo mesmos. Como destacam Ferreira e Morais (2020), a educação técnica não pode se limitar à transmissão de conteúdos técnicos, mas deve atuar na formação integral do aluno, preparando-o para enfrentar desafios do mundo do trabalho e da vida em sociedade. O desenvolvimento de competências como empatia, cooperação, senso de responsabilidade, planejamento e criatividade foram nitidamente fortalecidos ao longo do projeto, apontando para uma formação que vai além da técnica.

Do ponto de vista institucional, o projeto também serviu como exemplo de boa prática a ser replicado em outras unidades do Centro Paula Souza. A mobilização dos estudantes, o engajamento dos professores e o retorno positivo da comunidade indicam que a iniciativa pode ser adaptada a diferentes realidades, respeitando as particularidades de cada escola. A utilização de metodologias ativas como o Design Thinking, em conjunto com ferramentas de qualidade como o 5S, pode ser uma alternativa viável e pedagógica para enfrentar problemas estruturais e comportamentais ainda presentes em muitas instituições de ensino técnico e profissionalizante.

Dessa forma, o projeto da Etec Professor Adhemar Batista Heméritas apresenta-se como uma experiência educativa bem-sucedida que articula teoria e prática, gestão e participação, organização e criatividade. Sua execução demonstrou que a escola pode ser espaço de transformação concreta e formação cidadã, desde que conte com metodologias adequadas, comprometimento coletivo e protagonismo estudantil.

CONSIDERAÇÕES FINAIS 

As experiências vivenciadas na Etec Professor Adhemar Batista Heméritas demonstram que a integração entre a metodologia 5S e o Design Thinking vai além da mera organização de espaços físicos, configurando-se como uma estratégia pedagógica transformadora. A implementação do projeto evidenciou que o engajamento coletivo, aliado a metodologias ativas, proporciona aos estudantes a oportunidade de desenvolver competências socioemocionais, habilidades de resolução de problemas e senso de responsabilidade social. A articulação entre teoria e prática fortaleceu o protagonismo estudantil, permitindo que os alunos atuassem como agentes efetivos de mudança em seu ambiente escolar.

Do ponto de vista educacional, o projeto consolidou-se como um modelo de aprendizagem significativa, no qual os conceitos abordados em sala foram aplicados a situações reais, promovendo o desenvolvimento de atitudes colaborativas e criativas. A combinação entre o caráter disciplinador do 5S e a abordagem criativa e empática do Design Thinking revelou-se fundamental para a sustentabilidade das ações, garantindo não apenas resultados imediatos, mas também a continuidade das boas práticas instauradas.

Além dos ganhos pedagógicos, a iniciativa impactou positivamente a gestão escolar, promovendo a integração entre diferentes setores e fomentando uma cultura de melhoria contínua. A participação ativa dos estudantes na identificação de problemas, na elaboração de soluções e na execução de ações reforçou a construção de uma escola mais democrática e participativa, alinhada aos princípios da LDB e às diretrizes da BNCC.

Portanto, a experiência da Etec pode servir de inspiração para outras instituições que buscam aliar inovação pedagógica, gestão participativa e formação integral. A aplicação conjunta de 5S e Design Thinking demonstrou que, com criatividade, empatia e organização, é possível transformar não apenas o espaço físico, mas também a cultura escolar, preparando os alunos para os desafios do mundo do trabalho e da vida em sociedade.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS 

BROWN, Tim. Design thinking: uma metodologia poderosa para decretar o fim das velhas ideias. Rio de Janeiro: Alta Books, 2009.

DAM, Rikke; SIANG, Teo Yu. What is design thinking and why is it so popular?. The Interaction Design Foundation, 2018. Disponível em: https://www.interaction-design.org/literature/article/what-is-design-thinking-and-why-is-it-so-popular. Acesso em: 10 jun. 2025.

FERREIRA, Sandra; MORAIS, Vânia. A prática do 5S em ambientes educacionais: organização, disciplina e cidadania em foco. Revista Gestão Escolar, São Paulo, v. 9, n. 2, p. 42–55, 2020.

FREIRE, Paulo. Pedagogia da autonomia: saberes necessários à prática educativa. São Paulo: Paz e Terra, 1996.

HIRANO, Hiroyuki. 5S para operadores: a produtividade através da organização. São Paulo: IMAM, 1993.

LAPA, Jairo de Carvalho. Qualidade total na escola: uma proposta de transformação. Petrópolis: Vozes, 1998.

MINETTO NAPOLEÃO, Silvana. A aplicação do programa 5S como instrumento de mudança cultural em ambientes escolares. Revista Brasileira de Educação Profissional e Tecnológica, Brasília, v. 4, n. 1, p. 76–89, 2018.

MORAN, José Manuel. Metodologias ativas para uma aprendizagem mais significativa. In: BACICH, Lilian; MORAN, José Manuel; TREVISANI, Fernando (org.). Metodologias ativas para uma educação inovadora: uma abordagem teórico-prática. Porto Alegre: Penso, 2015. p. 15–33.

OSADA, Takashi. O método 5S: cinco passos para a melhoria contínua do ambiente de trabalho. São Paulo: IMAM, 1992.

PALADINI, Edson Pacheco. Gestão da qualidade: teoria e prática. 2. ed. São Paulo: Atlas, 2006.

PLATTNER, Hasso; MEINEL, Christoph; LEIFER, Larry (org.). Design thinking: understand – improve – apply. Heidelberg: Springer, 2011.

RAZZOUK, Rim; SHUTE, Valerie. What is design thinking and why is it important? Review of Educational Research, Washington, v. 82, n. 3, p. 330–348, 2012.

SILVA, Jorge A.; SOUSA, Ana C.; COSTA, Heloísa R. Metodologia 5S aplicada em ambientes escolares: um estudo de caso. Revista Científica da Faculdade de Educação e Meio Ambiente, Ariquemes, v. 8, n. 1, p. 93–108, 2017.

Padovezi, Andreia Couto Dornel. Aplicação das metodologias 5s e design thinking na ETEC Professor Adhemar Batista Heméritas: Uma experiência de educação participativa e transformadora.International Integralize Scientific. v 5, n 49, Julho/2025 ISSN/3085-654X

Referencias

Vivian Caroline Coraucci.
BAILEY, C. J.; LEE, J. H.
Management of chlamydial infections: A comprehensive review.
Clinical infectious diseases.
v. 67
n. 7
p. 1208-1216,
2021.
Disponível em: https://academic.oup.com/cid/article/67/7/1208/6141108.
Acesso em: 2024-09-03.

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v. 5
n. 49
Aplicação das metodologias 5s e design thinking na ETEC Professor Adhemar Batista Heméritas: Uma experiência de educação participativa e transformadora

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