Autor
URL do Artigo
DOI
Resumo
INTRODUÇÃO
A metodologia 5S tem suas raízes no Japão do pós-Segunda Guerra Mundial, quando empresas começaram a buscar formas de organizar seus ambientes de produção e eliminar desperdícios para garantir maior competitividade e qualidade (HIRANO, 1993). Desenvolvida por Kaoru Ishikawa e divulgada por Hiroyuki Hirano, essa abordagem teve grande impacto por seu caráter simples, eficiente e sistêmico. Os cinco sensos — Seiri (utilização), Seiton (ordenação), Seiso (limpeza), Seiketsu (padronização) e Shitsuke (disciplina) — constituem uma sequência lógica de ações que visam manter o local de trabalho limpo, organizado e seguro (OSADA, 1992). O senso de utilização (Seiri) propõe a delimitação entre o que é necessário e o que é supérfluo, permitindo eliminar itens que não agregam valor ao ambiente. Já o senso de ordenação (Seiton) busca dispor os materiais de forma lógica e acessível, evitando perdas de tempo e movimentos desnecessários. O terceiro senso (Seiso) incentiva a limpeza regular, que revela desgastes e anomalias. O quarto (Seiketsu) estabelece rotinas e padrões para manter os três primeiros sensos, enquanto o quinto (Shitsuke) reforça a disciplina e o hábito de seguir esses processos continuamente (PALADINI, 2006). Minetto Napoleão (2018) ressalta que o 5S não se trata apenas de organização física, mas de transformação de comportamentos, valores e cultura, propiciando um ambiente mais produtivo, saudável e sustentável.
No contexto educativo, o 5S transcende a simples organização física e torna-se ferramenta de formação para a vida profissional e social dos estudantes. Ferreira e Morais (2020) destacam que, quando aplicado em escolas, o 5S gera rotina de cuidado com o próprio ambiente, desenvolve o senso de responsabilidade e promove aprendizado ativo. Tais benefícios são consistentes com os resultados apresentados por Silva et al. (2017), que demonstram que a aplicação do 5S em unidades de ensino técnico aumenta a eficiência operacional, reduz desperdícios e fortalece o comprometimento dos alunos com o espaço coletivo.Contudo, apesar das vantagens comprovadas, muitos projetos de implementação de 5S falham quando dependem exclusivamente de uma única pessoa (geralmente o gestor ou professor responsável), que acaba sobrecarregado com a abrangência da tarefa.
Foi exatamente essa situação que se apresentou na Etec Professor Adhemar Batista Heméritas, unidade vinculada ao Centro Paula Souza, que impôs a adoção da metodologia 5S em todas as suas áreas (salas de aula, biblioteca, cantina, banheiros, administrativo etc.). Diante da magnitude da operação, percebeu-se que a simples atuação de um professor, sem apoio coletivo, não seria suficiente para garantir sustentabilidade e impacto duradouro. Desse modo, decidiu-se envolver os alunos do curso técnico de Administração como atores centrais do processo, promovendo uma abordagem colaborativa, formativa e participativa.
Nesse sentido, o uso combinado do 5S com Design Thinking ganhou destaque por aliar organização comportamental a um processo criativo de resolução de problemas. O Design Thinking, originado no design industrial e desenvolvido por autores como Brown (2009) e Plattner, Meinel e Leifer (2011), é um método centrado no usuário, estruturado em cinco etapas: empatia, definição, ideação, prototipagem e teste. Cada fase visa envolver os participantes na compreensão profunda do problema, geração de ideias inovadoras, concretização de soluções tangíveis e testagem de protótipos em ambiente real. Dam e Siang (2018) apontam que essa metodologia estimula tanto o pensamento divergente — para explorar múltiplas possibilidades — quanto o convergente — para selecionar e aprimorar as melhores ideias —, sendo especialmente eficaz em contextos complexos e multidisciplinares.
A criatividade, a colaboração e o protagonismo são características centrais do Design Thinking, aspectos reforçados por Razzouk e Shute (2012). Esses autores demonstram que, quando aplicado em ambientes escolares, a abordagem promove autonomia, empatia e capacidade crítica nos alunos, contribuindo para a formação de cidadãos capazes de atuar de forma consciente e proativa em suas comunidades. A complementaridade entre as metodologias reside no fato de que o 5S fornece a base de organização, disciplina e cuidado rotineiro, enquanto o Design Thinking fornece a estrutura de pensamento sistêmico e criativo para abordar desafios e implementar melhorias significativas no espaço.
Na Etec Heméritas, a articulação entre 5S e Design Thinking se concretizou por meio de uma oficina organizada especialmente para esse fim. A etapa de empatia envolveu mapeamento de percepções com entrevistas e observação direta em diferentes setores da escola — salas de aula, banheiros, corredores, cantina e administrativo —, com participação dos estudantes. O foco eram alunos e professores, que relatavam problemas cotidianos, como banheiros masculinos com mictório sem alvo, carteiras lotadas de lixo e resíduos, ausência de limpeza frequente e inexistência de fiscalização constante — apontando para uma fragilidade nos sensos de limpeza, ordenação e padronização. Essa fase também permitiu que os estudantes se colocassem no lugar dos usuários do espaço, cultivando empatia e compreensão sistêmica.
A fase de definição organizou os problemas em categorias: higiene, organização, rotinas de limpeza e cultura de conservação. Priorizaram-se os temas que impactavam a saúde (problemas no banheiro masculino), o uso frequente (carteiras e salas) e o comportamento coletivo (ausência de cultura), considerando urgência e viabilidade de intervenção.Em seguida, na etapa de ideação, os alunos definiram propostas de intervenção com potencial transformador. Dentre as ideias, destacaram-se: a instalação de um “alvo” nos mictórios masculinos — recurso lúdico que incentiva a limpeza por meio da precisão; a organização de um “Dia D” — mutirão de limpeza geral das salas e carteiras; o uso de carteiras sinalizadas com cores para identificar estados limpos, em atenção ou críticos; a criação de fiscais do 5S — alunos voluntários responsáveis por supervisionar e orientar os colegas sobre boas práticas; e a ampliação do projeto para a esfera pessoal, com aplicação do 5S nos guarda-roupas dos estudantes.
A prototipagem consistiu em testes práticos dessas iniciativas. Os “alvos” foram instalados de forma piloto, os mutirões foram marcados em datas específicas com avisos e mobilização, as carteiras ganharam sinalização por adesivos coloridos e os fiscais passaram por breve treinamento para execução de rondas e orientação. A fase de teste coletou feedback da comunidade escolar — alunos, professores e equipe técnica — por meio de observação, entrevistas e registros, o que possibilitou ajustes contínuos nos processos e atuou como elemento de aprendizagem e reflexão.
5S E DESIGN THINKING NA EDUCAÇÃO
FUNDAMENTOS DO 5S E SUA APLICAÇÃO NO CONTEXTO ESCOLAR
A metodologia 5S tem suas raízes no Japão do pós-Segunda Guerra Mundial, quando empresas começaram a buscar formas de organizar seus ambientes de produção e eliminar desperdícios para garantir maior competitividade e qualidade (HIRANO, 1993). Desenvolvida por Kaoru Ishikawa e divulgada por Hiroyuki Hirano, essa abordagem teve grande impacto por seu caráter simples, eficiente e sistêmico.
Os cinco sensos — Seiri (utilização), Seiton (ordenação), Seiso (limpeza), Seiketsu (padronização) e Shitsuke (disciplina) — constituem uma sequência lógica de ações que visam manter o local de trabalho limpo, organizado e seguro (OSADA, 1992). O senso de utilização (Seiri) propõe a delimitação entre o que é necessário e o que é supérfluo, permitindo eliminar itens que não agregam valor ao ambiente. Já o senso de ordenação (Seiton) busca dispor os materiais de forma lógica e acessível, evitando perdas de tempo e movimentos desnecessários. O terceiro senso (Seiso) incentiva a limpeza regular, que revela desgastes e anomalias. O quarto (Seiketsu) estabelece rotinas e padrões para manter os três primeiros sensos, enquanto o quinto (Shitsuke) reforça a disciplina e o hábito de seguir esses processos continuamente (PALADINI, 2006). Minetto Napoleão (2018) ressalta que o 5S não se trata apenas de organização física, mas de transformação de comportamentos, valores e cultura, propiciando um ambiente mais produtivo, saudável e sustentável.
No contexto educativo, o 5S transcende a simples organização física e torna-se ferramenta de formação para a vida profissional e social dos estudantes. Ferreira e Morais (2020) destacam que, quando aplicado em escolas, o 5S gera rotina de cuidado com o próprio ambiente, desenvolve o senso de responsabilidade e promove aprendizado ativo. Tais benefícios são consistentes com os resultados apresentados por Silva et al. (2017), que demonstram que a aplicação do 5S em unidades de ensino técnico aumenta a eficiência operacional, reduz desperdícios e fortalece o comprometimento dos alunos com o espaço coletivo. Contudo, apesar das vantagens comprovadas, muitos projetos de implementação de 5S falham quando dependem exclusivamente de uma única pessoa (geralmente o gestor ou professor responsável), que acaba sobrecarregado com a abrangência da tarefa. Foi exatamente essa situação que se apresentou na Etec Professor Adhemar Batista Heméritas, unidade vinculada ao Centro Paula Souza, que impôs a adoção da metodologia 5S em todas as suas áreas (salas de aula, biblioteca, cantina, banheiros, administrativo etc.). Diante da magnitude da operação, percebeu-se que a simples atuação de um professor, sem apoio coletivo, não seria suficiente para garantir sustentabilidade e impacto duradouro. Desse modo, decidiu-se envolver os alunos do curso técnico de Administração como atores centrais do processo, promovendo uma abordagem colaborativa, formativa e participativa.
INTEGRAÇÃO ENTRE 5S E DESIGN THINKING: CONCEITOS E COMPLEMENTARIDADE
O uso combinado do 5S com Design Thinking ganhou destaque por aliar organização comportamental a um processo criativo de resolução de problemas. O Design Thinking, originado no design industrial e desenvolvido por autores como Brown (2009) e Plattner, Meinel e Leifer (2011), é um método centrado no usuário, estruturado em cinco etapas: empatia, definição, ideação, prototipagem e teste. Cada fase visa envolver os participantes na compreensão profunda do problema, geração de ideias inovadoras, concretização de soluções tangíveis e testagem de protótipos em ambiente real. Dam e Siang (2018) apontam que essa metodologia estimula tanto o pensamento divergente — para explorar múltiplas possibilidades — quanto o convergente — para selecionar e aprimorar as melhores ideias —, sendo especialmente eficaz em contextos complexos e multidisciplinares.
A criatividade, a colaboração e o protagonismo são características centrais do Design Thinking, aspectos reforçados por Razzouk e Shute (2012). Esses autores demonstram que, quando aplicado em ambientes escolares, a abordagem promove autonomia, empatia e capacidade crítica nos alunos, contribuindo para a formação de cidadãos capazes de atuar de forma consciente e proativa em suas comunidades. A complementaridade entre as metodologias reside no fato de que o 5S fornece a base de organização, disciplina e cuidado rotineiro, enquanto o Design Thinking fornece a estrutura de pensamento sistêmico e criativo para abordar desafios e implementar melhorias significativas no espaço.
A EXPERIÊNCIA DA ETEC HEMÉRITAS: RELATO DA APLICAÇÃO PRÁTICA
No Professor Adhemar Batista Heméritas, a articulação entre 5S e Design Thinking se concretizou por meio de uma oficina organizada especialmente para esse fim. A etapa de empatia envolveu mapeamento de percepções com entrevistas e observação direta em diferentes setores da escola — salas de aula, banheiros, corredores, cantina e administrativo —, com participação dos estudantes. O foco éramos nós, alunos e professores, que relatavam problemas cotidianos, como banheiros masculinos com mictório sem alvo, carteiras lotadas de lixo e resíduos, ausência de limpeza frequente e inexistência de fiscalização constante — apontando para uma fragilidade nos sensos de limpeza, ordenação e padronização. Essa fase também permitiu que os estudantes se colocassem no lugar dos usuários do espaço, cultivando empatia e compreensão sistêmica.A fase de definição organizou os problemas em categorias: higiene, organização, rotinas de limpeza e cultura de conservação. Priorizaram-se os temas que impactavam a saúde (problemas no banheiro masculino), o uso frequente (carteiras e salas) e o comportamento coletivo (ausência de cultura), considerando urgência e viabilidade de intervenção.
Em seguida, na etapa de ideação, os alunos definiram propostas de intervenção com potencial transformador. Dentre as ideias, destacaram-se: a instalação de um “alvo” nos mictórios masculinos — recurso lúdico que incentiva a limpeza por meio da precisão; a organização de um “Dia D” — mutirão de limpeza geral das salas e carteiras; o uso de carteiras sinalizadas com cores para identificar estados limpos, em atenção ou críticos; a criação de fiscais do 5S — alunos voluntários responsáveis por supervisionar e orientar os colegas sobre boas práticas; e a ampliação do projeto para a esfera pessoal, com aplicação do 5S nos guarda-roupas dos estudantes.
A prototipagem consistiu em testes práticos dessas iniciativas. Os “alvos” foram instalados de forma piloto, os mutirões foram marcados em datas específicas com avisos e mobilização, as carteiras ganharam sinalização por adesivos coloridos e os fiscais passaram por breve treinamento para execução de rondas e orientação. A fase de teste coletou feedback da comunidade escolar — alunos, professores e equipe técnica — por meio de observação, entrevistas e registros, o que possibilitou ajustes contínuos nos processos e atuou como elemento de aprendizagem e reflexão.
IMPACTOS E RESULTADOS EDUCACIONAIS DO PROJETO
Os resultados obtidos a partir da aplicação conjunta das metodologias 5S e Design Thinking na Etec foram significativos tanto do ponto de vista pedagógico quanto prático. Do ponto de vista físico e organizacional, observou-se uma melhora notável nos espaços comuns. A simples instalação do “alvo” no mictório masculino reduziu de forma visível os resíduos de urina fora do local apropriado, contribuindo para a limpeza e para a preservação da estrutura sanitária. A proposta, apesar de aparentemente simples, revela como soluções baseadas no comportamento do usuário podem ter grande impacto — uma ideia coerente com o princípio da empatia do Design Thinking. Segundo Brown (2009), a eficácia de uma solução está diretamente relacionada à sua capacidade de responder a uma necessidade real observada no cotidiano dos usuários, e não a partir de hipóteses distantes da realidade.
Além disso, os mutirões de limpeza (chamados de “Dia D”) não apenas ajudaram a restaurar a ordem e o estado das carteiras e salas de aula, como também promoveram o senso de pertencimento e responsabilidade coletiva. Os próprios alunos envolviam-se diretamente com a limpeza dos espaços que utilizavam, o que promoveu o fortalecimento dos sensos de Seiri (utilização), Seiso (limpeza) e Shitsuke (disciplina). De acordo com Lapa (1998), o envolvimento direto das pessoas com o ambiente em que vivem ou trabalham é um dos principais fatores que determinam o sucesso da implementação do 5S, pois somente quando os usuários compreendem o porquê das ações e se sentem parte do processo é que se torna possível consolidar uma mudança cultural duradoura.
A ação dos fiscais do 5S também demonstrou ser eficaz não apenas como ferramenta de controle, mas como instrumento de educação entre pares. Os alunos voluntários recebiam orientações básicas e passavam a circular pela escola, observando comportamentos e abordando colegas de maneira colaborativa. Esse modelo evitava punições formais e adotava uma abordagem de orientação e reforço positivo, estimulando a mudança de comportamento por influência entre os próprios estudantes. Isso se alinha ao que Razzouk e Shute (2012) apontam como característica do Design Thinking em contextos educacionais: o empoderamento dos participantes e a criação de redes de colaboração horizontalizadas, nas quais o conhecimento é construído de forma distribuída.
Um ponto particularmente inovador do projeto desenvolvido na Etec foi a aplicação do 5S nos guarda-roupas dos alunos, estendendo o aprendizado para fora da escola e promovendo a interiorização dos conceitos. Os alunos foram incentivados a aplicar os cinco sensos em seus próprios pertences, organizando gavetas, roupas e objetos pessoais. Essa atividade, relatada com entusiasmo por muitos pais e responsáveis, evidenciou a eficácia da metodologia na formação de hábitos de disciplina, cuidado e organização pessoal. A transposição do conteúdo aprendido em sala para a vida cotidiana mostra-se fundamental na perspectiva da educação integral e está em consonância com a Base Nacional Comum Curricular (BNCC), que valoriza o desenvolvimento de competências socioemocionais, tais como responsabilidade, autogestão e colaboração.
Do ponto de vista didático-pedagógico, o projeto propiciou a vivência de metodologias ativas de aprendizagem. Os alunos deixaram de ser apenas receptores de conteúdo para atuarem como protagonistas do processo educacional. A resolução de problemas reais, a tomada de decisões em grupo, a testagem de ideias e a autoavaliação tornaram-se práticas comuns durante a execução do projeto, o que reforça o modelo de ensino-aprendizagem defendido por autores como Moran (2015) e Freire (1996), para quem o conhecimento se constrói na ação transformadora da realidade. A participação ativa dos estudantes, aliada à orientação dos professores, gerou um ambiente de aprendizagem cooperativa e significativa, no qual teoria e prática se articularam de forma orgânica.
Além disso, vale destacar que a combinação entre 5S e Design Thinking permitiu à escola adotar um modelo de gestão participativa e inovadora, promovendo a integração entre os diversos setores da comunidade escolar. Equipe gestora, professores, alunos e funcionários participaram do processo, o que criou um clima institucional mais colaborativo e voltado à melhoria contínua. Essa abordagem coletiva está em consonância com os princípios da gestão democrática, defendidos pela Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB, Lei nº 9.394/1996), que valoriza a participação de todos os segmentos da comunidade escolar na construção do projeto político-pedagógico da escola.
Outra questão relevante está na dimensão da sustentabilidade do projeto. Muitas iniciativas escolares perdem força ao longo do tempo por não haver mecanismos de manutenção e acompanhamento. Nesse aspecto, o Design Thinking colaborou significativamente ao prever, na fase de testes e ajustes, a implementação de ações permanentes — como os fiscais, os adesivos nas carteiras e os mutirões programados — que garantem a continuidade do processo. O 5S, por sua vez, ao enfatizar os sensos de padronização e disciplina, reforça a necessidade de manutenção e aprimoramento constante das rotinas criadas. Portanto, a sinergia entre as duas metodologias não apenas viabilizou a implantação do projeto, como também contribuiu para sua sustentabilidade a longo prazo.
O projeto desenvolvido na Etec também serviu como ferramenta de integração curricular. Professores de disciplinas como Gestão de Pessoas, Ética, Empreendedorismo e Administração de Recursos Materiais puderam integrar conteúdos e competências ao projeto 5S, criando atividades interdisciplinares e projetos complementares. Os relatórios produzidos pelos alunos, as apresentações dos resultados, as análises de indicadores (como número de carteiras limpas ou frequência de participação) e os registros fotográficos foram utilizados como instrumentos de avaliação formativa e somativa. Isso promoveu uma aprendizagem significativa, pois os alunos puderam aplicar os conteúdos estudados na resolução de problemas concretos do ambiente em que convivem.
A articulação entre 5S e Design Thinking, portanto, revelou-se uma estratégia metodológica eficaz para promover não apenas melhorias físicas no ambiente escolar, mas também transformações profundas no modo como os estudantes se relacionam com o espaço, com os colegas e consigo mesmos. Como destacam Ferreira e Morais (2020), a educação técnica não pode se limitar à transmissão de conteúdos técnicos, mas deve atuar na formação integral do aluno, preparando-o para enfrentar desafios do mundo do trabalho e da vida em sociedade. O desenvolvimento de competências como empatia, cooperação, senso de responsabilidade, planejamento e criatividade foram nitidamente fortalecidos ao longo do projeto, apontando para uma formação que vai além da técnica.
Do ponto de vista institucional, o projeto também serviu como exemplo de boa prática a ser replicado em outras unidades do Centro Paula Souza. A mobilização dos estudantes, o engajamento dos professores e o retorno positivo da comunidade indicam que a iniciativa pode ser adaptada a diferentes realidades, respeitando as particularidades de cada escola. A utilização de metodologias ativas como o Design Thinking, em conjunto com ferramentas de qualidade como o 5S, pode ser uma alternativa viável e pedagógica para enfrentar problemas estruturais e comportamentais ainda presentes em muitas instituições de ensino técnico e profissionalizante.
Dessa forma, o projeto da Etec Professor Adhemar Batista Heméritas apresenta-se como uma experiência educativa bem-sucedida que articula teoria e prática, gestão e participação, organização e criatividade. Sua execução demonstrou que a escola pode ser espaço de transformação concreta e formação cidadã, desde que conte com metodologias adequadas, comprometimento coletivo e protagonismo estudantil.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
As experiências vivenciadas na Etec Professor Adhemar Batista Heméritas demonstram que a integração entre a metodologia 5S e o Design Thinking vai além da mera organização de espaços físicos, configurando-se como uma estratégia pedagógica transformadora. A implementação do projeto evidenciou que o engajamento coletivo, aliado a metodologias ativas, proporciona aos estudantes a oportunidade de desenvolver competências socioemocionais, habilidades de resolução de problemas e senso de responsabilidade social. A articulação entre teoria e prática fortaleceu o protagonismo estudantil, permitindo que os alunos atuassem como agentes efetivos de mudança em seu ambiente escolar.
Do ponto de vista educacional, o projeto consolidou-se como um modelo de aprendizagem significativa, no qual os conceitos abordados em sala foram aplicados a situações reais, promovendo o desenvolvimento de atitudes colaborativas e criativas. A combinação entre o caráter disciplinador do 5S e a abordagem criativa e empática do Design Thinking revelou-se fundamental para a sustentabilidade das ações, garantindo não apenas resultados imediatos, mas também a continuidade das boas práticas instauradas.
Além dos ganhos pedagógicos, a iniciativa impactou positivamente a gestão escolar, promovendo a integração entre diferentes setores e fomentando uma cultura de melhoria contínua. A participação ativa dos estudantes na identificação de problemas, na elaboração de soluções e na execução de ações reforçou a construção de uma escola mais democrática e participativa, alinhada aos princípios da LDB e às diretrizes da BNCC.
Portanto, a experiência da Etec pode servir de inspiração para outras instituições que buscam aliar inovação pedagógica, gestão participativa e formação integral. A aplicação conjunta de 5S e Design Thinking demonstrou que, com criatividade, empatia e organização, é possível transformar não apenas o espaço físico, mas também a cultura escolar, preparando os alunos para os desafios do mundo do trabalho e da vida em sociedade.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
BROWN, Tim. Design thinking: uma metodologia poderosa para decretar o fim das velhas ideias. Rio de Janeiro: Alta Books, 2009.
DAM, Rikke; SIANG, Teo Yu. What is design thinking and why is it so popular?. The Interaction Design Foundation, 2018. Disponível em: https://www.interaction-design.org/literature/article/what-is-design-thinking-and-why-is-it-so-popular. Acesso em: 10 jun. 2025.
FERREIRA, Sandra; MORAIS, Vânia. A prática do 5S em ambientes educacionais: organização, disciplina e cidadania em foco. Revista Gestão Escolar, São Paulo, v. 9, n. 2, p. 42–55, 2020.
FREIRE, Paulo. Pedagogia da autonomia: saberes necessários à prática educativa. São Paulo: Paz e Terra, 1996.
HIRANO, Hiroyuki. 5S para operadores: a produtividade através da organização. São Paulo: IMAM, 1993.
LAPA, Jairo de Carvalho. Qualidade total na escola: uma proposta de transformação. Petrópolis: Vozes, 1998.
MINETTO NAPOLEÃO, Silvana. A aplicação do programa 5S como instrumento de mudança cultural em ambientes escolares. Revista Brasileira de Educação Profissional e Tecnológica, Brasília, v. 4, n. 1, p. 76–89, 2018.
MORAN, José Manuel. Metodologias ativas para uma aprendizagem mais significativa. In: BACICH, Lilian; MORAN, José Manuel; TREVISANI, Fernando (org.). Metodologias ativas para uma educação inovadora: uma abordagem teórico-prática. Porto Alegre: Penso, 2015. p. 15–33.
OSADA, Takashi. O método 5S: cinco passos para a melhoria contínua do ambiente de trabalho. São Paulo: IMAM, 1992.
PALADINI, Edson Pacheco. Gestão da qualidade: teoria e prática. 2. ed. São Paulo: Atlas, 2006.
PLATTNER, Hasso; MEINEL, Christoph; LEIFER, Larry (org.). Design thinking: understand – improve – apply. Heidelberg: Springer, 2011.
RAZZOUK, Rim; SHUTE, Valerie. What is design thinking and why is it important? Review of Educational Research, Washington, v. 82, n. 3, p. 330–348, 2012.
SILVA, Jorge A.; SOUSA, Ana C.; COSTA, Heloísa R. Metodologia 5S aplicada em ambientes escolares: um estudo de caso. Revista Científica da Faculdade de Educação e Meio Ambiente, Ariquemes, v. 8, n. 1, p. 93–108, 2017.
Área do Conhecimento