Dança movimento terapia: Uma abordagem terapêutica integrativa para a saúde física e mental

DANCE MOVEMENT THERAPY: AN INTEGRATIVE THERAPEUTIC APPROACH TO PHYSICAL AND MENTAL HEALTH

TERAPIA DE MOVIMIENTO DE DANZA: UN ENFOQUE TERAPÉUTICO INTEGRATIVO PARA LA SALUD FÍSICA Y MENTAL

Autor

URL do Artigo

https://iiscientific.com/artigos/F77067

DOI

doi.org/10.63391/F77067

Braga , Vanessa Borges. Dança movimento terapia: Uma abordagem terapêutica integrativa para a saúde física e mental. International Integralize Scientific. v 5, n 49, Julho/2025 ISSN/3085-654X

Resumo

A crescente prevalência de transtornos mentais e doenças crônicas tem estimulado à busca por terapias alternativas aos tratamentos com psicofármacos e que promovam o bem-estar integral das pessoas. O presente estudo objetiva apresentar a Dança Movimento Terapia (DMT), como uma das práticas terapêuticas que integra o movimento corporal a expressão artística e interação social para promover a integração emocional, cognitiva, física e social do indivíduo. Ela tem se mostrado uma abordagem eficaz na promoção da saúde mental e física. O estudo explora também evidências científicas sobre os benefícios da dança como ferramenta terapêutica integrativa. Através da análise de estudos recentes, discute-se a eficácia da dança no tratamento de condições como ansiedade, depressão, comportamentos agressivos e distúrbios neurológicos, destacando a importância de abordagens interdisciplinares na promoção da saúde mental e física.
Palavras-chave
dança movimento terapia; psicoterapia corporal; terapias integrativas; psicoterapias expressivas; bem-estar.

Summary

The increasing prevalence of mental disorders and chronic diseases has stimulated the search for alternative therapies to psychotropic treatments that promote people’s overall well-being. This study aims to present Dance Movement Therapy (DMT) as one of the therapeutic practices that integrates body movement with artistic expression and social interaction to promote the emotional, cognitive, physical and social integration of the individual. It has proven to be an effective approach in promoting mental and physical health. The study also explores scientific evidence on the benefits of dance as an integrative therapeutic tool. Through the analysis of recent studies, the effectiveness of dance in the treatment of conditions such as anxiety, depression, aggressive behavior and neurological disorders is discussed, highlighting the importance of interdisciplinary approaches in promoting mental and physical health.
Keywords
dance movement therapy; body psychotherapy; integrative therapies; expressive psychotherapies; well-being.

Resumen

La creciente prevalencia de trastornos mentales y enfermedades crónicas ha impulsado la búsqueda de terapias alternativas a los tratamientos psicotrópicos que promuevan el bienestar general de las personas. Este estudio busca presentar la Danza Movimiento Terapia (DMT) como una de las prácticas terapéuticas que integra el movimiento corporal con la expresión artística y la interacción social para promover la integración emocional, cognitiva, física y social del individuo. Ha demostrado ser un enfoque eficaz para promover la salud mental y física. El estudio también explora la evidencia científica sobre los beneficios de la danza como herramienta terapéutica integrativa. A través del análisis de estudios recientes, se discute la efectividad de la danza en el tratamiento de afecciones como la ansiedad, la depresión, la conducta agresiva y los trastornos neurológicos, destacando la importancia de los enfoques interdisciplinarios para promover la salud mental y física.
Palavras-clave
terapia de movimiento danza, psicoterapia corporal; terapias integrativas; psicoterapias expresivas; bienestar.

INTRODUÇÃO

O corpo é o aspecto físico da personalidade e o Movimento é a personalidade tornada visível (Mary Starks Whitehouse). 

A crescente prevalência de transtornos mentais e doenças crônicas tem impulsionado a busca por terapias alternativas e complementares, uma vez que muitos pacientes buscam abordagens que promovam uma recuperação holística, que integre corpo, mente e espírito. 

A dança, forma de expressão corporal que transcende o entretenimento, consiste em uma modalidade de exercício físico e expressão artística e pessoal que vem sendo percebida como uma prática terapêutica inovadora e uma ferramenta terapêutica eficaz no tratamento de diversas condições físicas e emocionais. na qual integra movimento corporal, expressão artística, interação social.

A relação entre corpo, mente e movimento tem sido amplamente explorada ao longo da história, seja no campo da filosofia, da medicina, da sociologia, da psicologia ou das artes. No campo da saúde física e mental, “o corpo o movimento e a dança vêm se destacando crescentemente como possibilidade terapêutica em abordagens variadas, que são marcadas pela multiplicidade de linhagens, molduras teórico-metodológicas e formas de atuação”. (Brito; Germano; Junior. 2021).

Segundo Santos (2007) “a arte oferece-nos um poderoso meio de expressão do mundo interno, de aprendizagem e relação conosco e com o outro, de comunicação e partilha de conhecimento. O corpo, o movimento e a arte apelam-nos a uma reação criativa conosco com o outro e com o meio”.  Por sua natureza social e emocional, a dança, oferece um espaço único para o autoconhecimento e a reconstrução da autoestima, além de proporcionar um efeito positivo no bem-estar físico e psicológico. 

Em diversas áreas da saúde e da psicologia essa relação entre corpo e mente tem sido cada vez mais valorizada. Nesse contexto, surgem abordagens terapêuticas que integram o corpo como elemento essencial para o cuidado psíquico, como é o caso da Bioenergética, da Biodança e da Dança-Movimento Terapia (DMT) e dançoterapia. Essas metodologias têm como base a premissa de que o corpo é um instrumento de expressão emocional e de transformação psíquica, atuando na promoção do bem-estar integral do indivíduo.

Segundo Brito; Germano; Junior (2021) existem um número significativos de práticas profissionais que reconhecem no corpo e nos movimentos corporais o potencial de auxiliar, tratar, transformar, curar e/ou aliviar pessoas em sofrimento psíquico e propondo a possibilidade de uma prática clínica para além das palavras, focada no corpo. Um corpo que é vida em movimento.

O poema “O corpo que dança”, de autoria desconhecida, sintetiza poeticamente o poder transformador da dança. 

O corpo que dança é o corpo que se encontra,
É a alma que se alinha
Ao ritmo da vida,
Ao pulsar de tudo o que se sente,
Ao desejo de ser, finalmente,
O que é.

Na literatura, “as práticas terapêuticas que envolvem intervenções sobre o corpo em movimento têm sido divididas entre as que integram, de um lado, o chamado campo da dança-movimento terapia (DMT) e, de outro, o campo das danças terapêuticas” (ADTA 2015, Brito; Germano; Severo Junior 2021).

Na área de atuação clínica é conduzida por psicoterapeutas profissionais, a (DMT) é composta por diferentes abordagens. Fora do campo psicoterápico propriamente dito, o benefício do movimento corporal para o bem-estar tem sido explorado por grupos de danças terapêuticas, isto é, que não exigem profissionais habilitados como psicoterapeutas. Essas incluem, por exemplo, a biodança e trabalhos que unem princípios da dança contemporânea aos da educação somática. (Araneda, 1991).

 Em nossa política pública de saúde, estão incluídas duas práticas de dança terapêutica (biodança e dança circular), além das práticas de dança realizadas na arteterapia. Conforme o publicado na portaria n.849 de 27 de março de 2017, o Ministério da Saúde (Brasil, 2006) incorporou a biodança, bem como dança circular, arteterapia, ayurveda, meditação, musicoterapia, naturopatia, osteopatia, quiropraxia, reflexoterapia, reiki, shantala, terapia comunitária integrativa e ioga no quadro de procedimentos do Sistema Único de Saúde (SUS), enriquecendo o rol de serviços disponíveis por meio da Política Nacional de Práticas Integrativas e Complementares (PICs)”. (Brito, Germano, Severo Junior, 2021). 

Embora a (DMT) não tenha sido incorporada à saúde pública, na portaria nº 849 do Ministério da Saúde, porque os estados e municípios ainda não a aplicam. “A (DMT) é apresentada por seus praticantes como uma psicoterapia corporal baseada em evidências (Meekums, 2002; Cruz, 2016). Fundamenta-se em pesquisas que apontam que a expressão artística por meio da dança pode apoiar práticas terapêuticas (Payne, 1992, Farah, 2016, Brito; Germano; Severo Junior, 2021). O crescente número de investigações científicas sobre tal prática terapêutica por meio da dança (Kock et al., 2019) aponta o aumento no interesse por sua validação científica. A partir de entrevistas com profissionais brasileiros da (DMT), este estudo analisa as iniciativas de consolidação da área como linha de investigação científica e prática terapêutica baseada em evidências”. (Grossi, Barcelos, Oliveira, Souza. 2024).

Ainda segundo os mesmos autores “inúmeras investigações, abrangendo os domínios da expressão artística e do bem-estar físico, mental e emocional, defendem o emprego do movimento e da dança como uma modalidade terapêutica valiosa (Fux, 1983; Vianna, 1998; Berger, 2012). A aplicação da dança e do movimento como forma de terapia é teórica e praticamente fundamentada na psicologia do crescimento e desenvolvimento humano, pesquisas sobre comunicação não verbal, descobertas recentes em neurociência, processos criativos e vários sistemas de análise e observação de movimento (Payne, 1992; Farah, 2016; Brito; Germano Severo Junior, 2021)”.

Perante a valorização das práticas integrativas e complementares no Brasil, especialmente após a implementação da Política Nacional de Práticas Integrativas e Complementares no SUS (PNPIC), que fortalece o reconhecimento da dança como intervenção de saúde, (Brasil, 2017). 

Considerando a crescente preocupação mundial com a saúde biopsicossocial da população, o presente estudo bibliográfico visa apresentar a Dança Movimento Terapia (DMT), como uma das práticas terapêuticas que integra o movimento corporal a expressão artística e interação social para promover a integração emocional, cognitiva, física e social do indivíduo além de apresentar estudos científicos sobre os benefícios da dança como ferramenta terapêutica no tratamento de condições como ansiedade, depressão, comportamentos agressivos e distúrbios neurológicos, destacando a importância de abordagens interdisciplinares na promoção da saúde mental e física.

DANÇA MOVIMENTO TERAPIA: CONTEXTUALIZAÇÃO HISTÓRICA 

A prática da dança terapêutica remonta a tempos antigos, desde os tempos primitivos o homem movimenta seu corpo de forma ritmada para expressar aquilo que não pode ser dito apenas por intermédio das palavras. Dança-se para os deuses, para os mortos, para a colheita, para festejar, para entreter-se. Ao longo do tempo a dança se manifestou em cada época e lugar, uma cultura diferente, resultando na diversidade de danças que existem atualmente. (Bressan, 2011).

A Dança Movimento Terapia apresenta sua origem no início do século XX, quando pioneiras da dança moderna começaram a explorar o potencial terapêutico do movimento. Nos anos 1940 e 1950, a (DMT) emergiu da confluência entre a dança moderna e a psicologia. Marian Chace, nos Estados Unidos, e Mary Whitehouse, na Inglaterra, foram figuras centrais nesse processo. 

Marian Chace, dançarina e coreógrafa, abriu um estúdio de dança em Washington, D.C., na década de 1940, onde percebeu que alguns de seus alunos gostavam de dançar livremente como uma válvula de escape para suas emoções. Essa observação a impulsionou a explorar as possibilidades terapêuticas da dança e do movimento. Como voluntária iniciou seu trabalho terapêutico no Hospital St. Elizabeth, onde introduziu um programa chamado “Dança para a Comunicação” no qual observou que o movimento poderia servir como uma forma de comunicação para pacientes psiquiátricos, especialmente aqueles com esquizofrenia. Ela acreditava que a dança poderia expressar estados internos que não podiam ser articulados verbalmente, facilitando a expressão emocional e a conexão interpessoal. Em 1966, Chace fundou a American Dance Therapy Association (ADTA), consolidando a DMT como uma prática terapêutica reconhecida nos Estados Unidos. (Brito, Germano, Severo Junior, 2021)

Mary Whitehouse, influenciada por sua formação com Martha Graham e sua análise pessoal no Instituto Junguiano de Zurique, desenvolveu a abordagem conhecida como “Movimento Autêntico”. Essa prática enfatizava a espontaneidade e a consciência corporal, permitindo que os participantes explorassem e expressassem aspectos inconscientes de sua psique por meio do movimento. Whitehouse evitava os termos “dança” e “terapia”, preferindo “movimento” para descrever sua abordagem, considerando-o mais adequado para representar as dinâmicas corporais individuais. (Brito, Germano, Severo Junior, 2021)

Na década de 1970, a (DMT) começou a se expandir internacionalmente, com terapeutas e pesquisadores explorando suas aplicações em diversos contextos clínicos e sociais. A segunda onda de desenvolvimento da (DMT), ocorrida entre os anos 1970 e 1980, despertou grande interesse entre terapeutas americanos, que começaram a experimentar as aplicações psicoterapêuticas da dança e do movimento. Durante esse período, a (DMT) foi classificada como uma forma de psicoterapia, consolidando seu status como abordagem terapêutica válida e eficaz

Simultaneamente, abordagens como a Educação Somática, introduzida por Thomas Hanna em 1976, começaram a influenciar a (DMT). A Educação Somática enfatiza a consciência corporal e o movimento como processos de aprendizagem, integrando técnicas de conscientização corporal que complementam as práticas terapêuticas da dança, 

Atualmente, a (DMT) é reconhecida como uma prática terapêutica eficaz em diversos contextos, incluindo hospitais, clínicas, escolas e comunidades. Ela é aplicada no tratamento de uma variedade de condições, como transtornos de ansiedade, depressão, trauma e distúrbios alimentares, além de ser utilizada no desenvolvimento pessoal e na promoção do bem-estar. A abordagem continua a evoluir, incorporando novas pesquisas e práticas que ampliam sua eficácia e alcance.

DANÇA MOVIMENTO TERAPIA: DEFINIÇÃO E PRINCÍPIOS 

A Dança Movimento Terapia (DMT), ou Psicoterapia de Movimento e Dança (DMP) surge do encontro da dança com a psicologia e faz parte das chamadas “psicoterapias das artes criativas”que incluem a arteterapia, musicoterapia, teatroterapia e dança/movimento terapia. (Dança Movimento Terapia Brasil, 2020)

A terapia de dança/movimento é definida, pela American Dance Therapy Association/ADTA, (2020) como “o uso psicoterapêutico do movimento como um processo que promove a integração emocional, cognitiva, social e física de um indivíduo”, onde o corpo é o foco central no processo de tratamento, e o movimento é o veículo para expressar sofrimento físico, sentimentos e pensamentos. 

A Association for Dance Movement Psychotherapy UK (ADMP UK, 2025), no Reino Unido, define a DMP ou DMT como sendo um processo terapêutico onde que “reconhece o movimento corporal como um instrumento implícito de comunicação e expressão. É um processo relacional no qual clientes e terapeutas se envolvem criativamente por meio do movimento corporal e da dança, bem como da reflexão verbal e não verbal”. 

Conforme Brito, Germano, Junior, (2021), a ADMP UK, reconhece que o campo pertence à esfera das psicoterapias, e a formação dos profissionais se dá com treinamento e supervisão clínica, diferenciando-se das danças terapêuticas. A (DMT) é, assim, um campo específico, com método e pressupostos próprios, não sendo simplesmente a adição de movimentos na psicoterapia convencional. 

A Dança Movimento Terapia Brasil, (2020) por sua vez define a (DMT) como “uma proposta psicoterápica que visa um caminho em direção à saúde e ao crescimento pessoal, com a especificidade de que o trajeto será percorrido principalmente através do movimento, pois se utiliza da linguagem corporal como principal meio de comunicação e busca ampliar a consciência sobre si mesmo através desta linguagem e não da palavra, como as psicoterapias tradicionais”.  

Na (DMT) o “profissional habilitado, acompanha o outro no seu movimento, subjetivo e objetivo facilitando a construção de sentidos entre o mover e o sentir, entre o vivido na sessão e os padrões de pensamento, comportamento e sentimento, ampliando consciência sobre a forma única da pessoa de ser e estar no mundo”. (Dança Movimento terapia Brasil, 2020).

Quanto aos princípios básicos que envolve essa prática integrativa American Dance Therapy Association/ADTA (2020), destaca a interconexão corpo-mente, a expressão emocional através do movimento, a ampliação da consciência corporal, os processos de cura e transformação, o relacionamento terapêutico, a improvisação e a criatividade, os processos inconscientes, o uso do corpo como instrumento, a abordagem holística e integrada e o desenvolvimento de habilidades. 

Sobre a interconexão corpo- mente, essa abordagem, parte do princípio de que corpo e mente estão profundamente interligados, influenciando-se mutuamente. Mudanças no corpo podem afetar estados emocionais e mentais, e vice-versa. Essa interconexão é essencial para a compreensão e tratamento de questões emocionais e psicológicas.

Quanto a expressão emocional através do movimento, para a (DMT), o movimento é uma linguagem que pode expressar emoções e sentimentos, mesmo quando a linguagem verbal não é suficiente. Através da dança, é possível acessar e explorar emoções que podem estar bloqueadas ou não reconhecidas. Essa expressão não verbal facilita o processo terapêutico e promove a liberação emocional.

No princípio da ampliação da consciência corporal a psicoterapia, visa aumentar a consciência do próprio corpo, de suas sensações e limites. Isso inclui a percepção do espaço, do ritmo, da energia e dos diferentes movimentos corporais. Essa ampliação da consciência corporal contribui para o autoconhecimento e para a melhoria da postura e do equilíbrio emocional.

Os processos de cura e transformação refere-se ao uso da prática da (DMT) para promover processos de cura e transformação pessoal, seja em nível individual ou grupal. Sendo o movimento usado como um instrumento para lidar com traumas, ansiedade, depressão e outras condições emocionais. Essa abordagem terapêutica facilita a ressignificação de experiências e a promoção de mudanças comportamentais positivas.

O princípio relacionamento terapêutico diz respeito a relação terapêutica entre o terapeuta e o paciente que é essencial na (DMT). O terapeuta facilita o processo de exploração e expressão, oferecendo um espaço seguro e acolhedor para o paciente se expressar, sendo que essa relação de confiança é indispensável para o sucesso do tratamento e para o estabelecimento de objetivos terapêuticos eficazes.

Quanto a improvisação e a criatividade, na (DMT), eles são incentivados com o intuito de permitir que o paciente se conecte com sua própria intuição e criatividade, onde a liberdade criativa facilita a expressão autêntica e promove a descoberta de novas formas de ser e estar no mundo. 

Em relação aos processos inconscientes, essa proposta entende, que o movimento pode ser uma forma de acessar e processar conteúdos inconscientes, permitindo que o paciente alcance uma maior compreensão de si mesmo. Essa exploração do inconsciente contribui para a resolução de conflitos internos e para o fortalecimento da saúde mental.

O princípio do uso do corpo como instrumento, na (DMT), o corpo é um instrumento de comunicação e interação, tanto com o terapeuta quanto com o ambiente e com outros participantes quando as atividades são realizadas em grupo. Sendo que essa utilização do corpo como meio de expressão pode ampliar as possibilidades de comunicação e fortalecer a conexão interpessoal.

Outra característica da (DMT) diz respeito a ela ser uma abordagem holística e integrativa que considera a pessoa como um todo, integrando mente, corpo e emoções, onde o foco está na promoção do bem-estar físico, emocional e mental. As abordagens holísticas, em geral, reconhecem a complexidade do ser humano e buscam promover a harmonia entre suas diferentes dimensões.

No que se refere ao princípio do desenvolvimento de habilidades, por intermédio da (DMT) é possível desenvolver diversas habilidades, como a consciência corporal, a expressão emocional, a criatividade, a comunicação não verbais e a capacidade de lidar com emoções, autoconfiança, autonomia pessoal e autoexposição por intermédio da integração dos aspectos emocionais, cognitivos físico e sociais do eu. O desenvolvimento dessas habilidades e outras mais, contribuem para o crescimento pessoal e para a melhoria da qualidade de vida.

Por fim a (DMT/DMP) oferece “uma intervenção corporificada que leva em consideração a experiência vivenciada pelo cliente no contexto social em que vive, como ele vivencia a vida em seu corpo e a relação com ele, como pensa sobre si mesmo e seus relacionamentos, bem como respostas emocionais que podem ser difíceis de expressar em palavras”. (Admpuk , 2025). Sendo que no contexto psicoterapêutico o movimento, a dança é utilizado para o tratamento de uma variedade de problemas neurológicos, psicológicos, de relacionamento e sociais. O movimento a dança oferece também a oportunidade para que as pessoas desenvolvam seu próprio potencial criativo.

PESQUISAS QUE DEMONSTRAM OS BENEFÍCIOS DA DANÇA. 

Conforme o mencionado anteriormente, a literatura tem evidenciado um número crescente de estudos que apontam para os efeitos positivos da dança e da Dança Movimento Terapia no bem-estar físico, psicológico e social.

Há evidências científicas sobre os benefícios da dança para a saúde ao longo da vida, mesmo em níveis amadores de participação. Estudos comparativos não intervencionistas (onde os participantes que dançam atualmente são comparados com não dançarinos) relataram que os dançarinos melhoraram a aptidão cardiovascular (Baldari et al., 2001), força do tronco, equilíbrio dinâmico (Donath et al., 2014), e conteúdo mineral ósseo (BMC) (Mathews et al., 2006), quando comparados aos participantes do grupo controle com idade e sexo correspondentes. (Santos, et al. 2025).  

No contexto das políticas públicas, Mariano e Graup (2024), apud Santos, et al. (2025) evidenciam os benefícios proporcionados por intervenções dançantes no Sistema Único de Saúde (SUS), indicando que essas ações contribuem para a promoção da saúde emocional e o aumento da participação social. Tais iniciativas fortalecem o envolvimento dos indivíduos nos espaços coletivos, estimulando o cuidado consigo e com o outro por meio da expressividade corporal.

Feitosa et al. (2024) acrescentam uma perspectiva neurocientífica à discussão, ao afirmarem que a dança atua positivamente sobre a estrutura cerebral, favorecendo a plasticidade neuronal. Um processo que contribui para o aprimoramento da regulação emocional e para o fortalecimento de comportamentos positivos, evidenciando o valor da dança como recurso terapêutico complementar no campo da saúde mental. 

Segundo Seewald (2023) no âmbito da Dança Movimento Terapia, a revisão literária demonstra os efeitos positivos da (DMT) no tratamento de diferentes problemas de saúde mental tais como:

na depressão e ansiedade (Kock et al., 2007; Koch et al., 2019), depressão leve (Hyvönen et al., 2020; Jeong et al., 2005; Punkamen et al., 2014), depressão crónica (Pylvänäinen et al., 2015; Röhricht et al., 2013), nas perturbações do espectro da esquizofrenia (Lee et al., 2015; Martin et al., 2016; Rohricht & Priebe, 2006), do espectro do autismo (Hartshorn et al., 2001; Hildebrandt et al., 2016; Santos et al.,2018) e perturbações da alimentação e da ingestão (Savidaki et al., 2020). Os resultados destes estudos demonstram que a DMT trouxe uma diminuição dos níveis de depressão e ansiedade, indicando um aumento da vitalidade, qualidade de vida, habilidades interpessoais e cognitivas dos participantes (Koch et al., 2019); redução dos sintomas depressivos (Koch et al., 2007), e do sofrimento psicológico em adolescentes do sexo feminino com depressão leve (Jeong et al., 2005); redução dos sintomas negativos comuns na esquizofrenia, como o “embotamento afetivo”, dificuldades de atenção (Martin et al., 2016), e retardo psicomotor (Röhricht & Priebe, 2006); diminuição dos sintomas depressivos em pacientes com síndromes depressivas crónicas, moderadas ou graves (Pylvänäinen et al., 2015; Röhricht et al., 2013); diminuição da raiva e agressividade em pacientes com esquizofrenia, e melhoria de suas relações interpessoais e habilidades de comunicação (Lee et al., 2015); redução dos sintomas negativos em crianças autistas (Hartshorn et al., 2000), indicando uma melhoria na independência funcional e na comunicação (Santos et al., 2018); e redução dos sintomas negativos em adolescentes e adultos autistas (Hildebrant et al., 2016); melhoria na imagem corporal e preocupação com o peso entre pacientes com distúrbios alimentares (Padrão & Coimbra, 2011; Savidaki et al., 2020). 

Santos, (2022) aborda a aplicação (DMT) direcionada ao público infantojuvenil e destaca a importância da expressão corporal e do movimento como ferramentas terapêuticas no desenvolvimento emocional e cognitivo de crianças e adolescentes. O autor, enfatiza que a (DMT) oferece um espaço seguro para que os jovens possam explorar e expressar suas emoções, promovendo a autoconfiança e a autoestima. Além disso, discute os desafios e as potencialidades dessa abordagem no contexto educacional e terapêutico, sugerindo que a integração da dança como recurso na intervenção psicomotora pode melhorar a percepção de qualidade de vida de indivíduos com dificuldades intelectuais e desenvolvimentais.

Já Grossi et. al. (2024) apontam os benefícios da (DMT) no contexto de acolhimento a mulheres em situação de vulnerabilidade, destacando que embora as abordagens integrativas, como a (DMT) estejam despertando interesse crescente faz-se necessário a implantação de parâmetros curriculares e regulamentação, além de protocolo único de acompanhamento ou atendimento além pesquisas que investiguem a aplicação da (DMT) em projetos públicos de atendimento a mulheres vítimas de violência, visando oferecer um suporte mais abrangente e eficaz.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

As conclusões desse artigo ressaltam a valorização das práticas integrativas e complementares no Brasil, após a implementação da Política Nacional de Práticas Integrativas e Complementares no SUS (PNPIC), que fortalece o reconhecimento da dança como intervenção de saúde. Sendo que a Danço Movimento Terapia embora não tenha sido incorporada à saúde pública, na portaria nº 849 do Ministério da Saúde, porque os estados e municípios ainda não a aplicam, ela é apresentada por seus praticantes como uma psicoterapia corporal baseada em evidências. 

Ressalta-se a (DMT) como uma abordagem integrativa e eficaz para o tratamento de diversas condições emocionais e psicológicas, onde seus princípios fundamentais proporcionam uma base sólida para a prática terapêutica, promovendo a saúde e o bem-estar do indivíduo. Trata-se de uma abordagem holística de cura, baseada na afirmação empiricamente comprovada de que mente, corpo e espírito são interconectados e não podem ser pensados de forma separada, uma vez que as mudanças no corpo são refletidas na mente e vice-versa.

Devido à valorização dessa prática e ao crescente interesse apresentado na literatura sobre os benefícios da dança no campo da saúde.  Conclui-se que a (DMT) pode se constituir em uma estratégia relevante para a construção de políticas públicas voltadas ao cuidado integral do indivíduo.

Contudo, considerando a crescente prevalência de transtornos mentais, e a preocupação mundial com a saúde mental da população, faz – se necessário, cada vez mais pesquisar, debater, esclarecer preconceitos e desenvolver políticas públicas que previnam e cuidem da saúde da população.  

Nesse sentido para que as práticas terapêuticas integrativas, dentre elas a (DMT) possam contribuir e favorecer o desenvolvimento biopsicossocial do ser humano é fundamental que mais estudos e pesquisas sejam realizados para aprofundar o entendimento sobre os mecanismos e benefícios da (DMT), visando ampliar sua aplicação e reconhecimento na área da saúde. 

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Braga , Vanessa Borges. Dança movimento terapia: Uma abordagem terapêutica integrativa para a saúde física e mental.International Integralize Scientific. v 5, n 49, Julho/2025 ISSN/3085-654X

Referencias

Vivian Caroline Coraucci.
BAILEY, C. J.; LEE, J. H.
Management of chlamydial infections: A comprehensive review.
Clinical infectious diseases.
v. 67
n. 7
p. 1208-1216,
2021.
Disponível em: https://academic.oup.com/cid/article/67/7/1208/6141108.
Acesso em: 2024-09-03.

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Edição

v. 5
n. 49
Dança movimento terapia: Uma abordagem terapêutica integrativa para a saúde física e mental

Área do Conhecimento

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