Dor crônica e transtornos psicológicos no envelhecimento: Desafios e cuidados integrados

CHRONIC PAIN AND PSYCHOLOGICAL DISORDERS IN AGING: CHALLENGES AND INTEGRATED CARE

DOLOR CRÓNICO Y TRASTORNOS PSICOLÓGICOS EN EL ENVEJECIMIENTO: RETOS Y ATENCIÓN INTEGRADA

Autor

URL do Artigo

https://iiscientific.com/artigos/4FBDEC

DOI

doi.org/10.63391/4FBDEC

Lopes, Wanda Aparecida . Dor crônica e transtornos psicológicos no envelhecimento: Desafios e cuidados integrados. International Integralize Scientific. v 5, n 49, Julho/2025 ISSN/3085-654X

Resumo

Este estudo foi realizado com objetivo de compreender os impactos da dor crônica e dos transtornos psicológicos na qualidade de vida dos idosos, destacando a importância do cuidado integral como estratégia para o bem-estar. Ao mesmo tempo, discute abordagens terapêuticas que considerem tanto os aspectos físicos quanto mentais do envelhecimento. A metodologia do estudo consistiu em uma revisão integrativa da literatura, realizada por meio de busca na Biblioteca Virtual em Saúde (BVS), o que resultou de 25 artigos publicados entre 2015 e 2024, em português, inglês e espanhol. Foram incluídos estudos que envolvem a associação da dor persistente com transtornos psicológicos em idosos. Os resultados indicam claramente que pessoas idosas com dor crônica sofrem frequentemente de psicopatologias como depressão e ansiedade, o que afeta sua qualidade de vida e capacidade funcional. Esse quadro cria um ciclo em que dor e sofrimento emocional se alimentam mutuamente. A literatura afirma que abordagens focadas apenas no físico são menos eficazes, enquanto estratégias integradas com medicamentos, psicoterapia, atividade física e apoio psicossocial mostram melhores resultados. Portanto, chega-se à conclusão que lidar adequadamente com a dor crônica e os transtornos psicológicos é fundamental para se alcançar um envelhecimento saudável. Isso exige uma abordagem integrada, que leve em conta não apenas os sintomas físicos, mas também os aspectos emocionais e sociais, promovendo qualidade de vida e bem-estar ao longo do processo de envelhecer. Nesse contexto, o cuidado multidisciplinar com profissionais capacitados é essencial para um manejo mais completo e eficaz da saúde do idoso. Além disso políticas públicas voltadas tanto para o corpo quanto para a mente são necessárias destacando a importância de um modelo de cuidado mais completo, voltado à promoção do bem-estar, da autonomia e da qualidade de vida no processo de envelhecimento.
Palavras-chave
dor crônica; saúde mental; envelhecimento; cuidado integral.

Summary

This study aimed to understand the impacts of chronic pain and psychological disorders on the quality of life of the elderly, highlighting the importance of comprehensive care as a strategy for well-being. At the same time, it discusses therapeutic approaches that consider both the physical and mental aspects of aging. The study methodology consisted of an integrative literature review, carried out through a search in the Virtual Health Library (VHL), which resulted in 25 articles published between 2015 and 2024, in Portuguese, English and Spanish. Studies involving the association of persistent pain with psychological disorders in the elderly were included. The results clearly indicate that elderly people with chronic pain often suffer from psychopathologies such as depression and anxiety, which affect their quality of life and functional capacity. This situation creates a cycle in which pain and emotional suffering feed each other. The literature states that approaches focused only on the physical are less effective, while integrated strategies with medication, psychotherapy, physical activity and psychosocial support show better results. Therefore, it is concluded that adequately dealing with chronic pain and psychological disorders is essential to achieving healthy aging. This requires an integrated approach that takes into account not only physical symptoms, but also emotional and social aspects, promoting quality of life and well-being throughout the aging process. In this context, multidisciplinary care with trained professionals is essential for more complete and effective management of the health of the elderly. In addition, public policies focused on both the body and the mind are necessary, highlighting the importance of a more complete care model, aimed at promoting well-being, autonomy and quality of life in the aging process.
Keywords
chronic pain; mental health; aging. comprehensive care.

Resumen

Este estudio tuvo como objetivo comprender el impacto del dolor crónico y los trastornos psicológicos en la calidad de vida de las personas mayores, destacando la importancia de la atención integral como estrategia para el bienestar. Simultáneamente, se analizan enfoques terapéuticos que consideran tanto los aspectos físicos como mentales del envejecimiento. La metodología del estudio consistió en una revisión bibliográfica integradora, realizada mediante una búsqueda en la Biblioteca Virtual en Salud (BVS), que arrojó 25 artículos publicados entre 2015 y 2024, en portugués, inglés y español. Se incluyeron estudios que relacionaban el dolor persistente con trastornos psicológicos en personas mayores. Los resultados indican claramente que las personas mayores con dolor crónico suelen padecer psicopatologías como depresión y ansiedad, que afectan su calidad de vida y capacidad funcional. Esta situación crea un ciclo en el que el dolor y el sufrimiento emocional se retroalimentan. La literatura afirma que los enfoques centrados únicamente en lo físico son menos efectivos, mientras que las estrategias integradas con medicación, psicoterapia, actividad física y apoyo psicosocial muestran mejores resultados. Por lo tanto, se concluye que abordar adecuadamente el dolor crónico y los trastornos psicológicos es esencial para lograr un envejecimiento saludable. Esto requiere un enfoque integral que considere no solo los síntomas físicos, sino también los aspectos emocionales y sociales, promoviendo la calidad de vida y el bienestar a lo largo del proceso de envejecimiento. En este contexto, la atención multidisciplinar con profesionales capacitados es esencial para una gestión más completa y eficaz de la salud de las personas mayores. Además, son necesarias políticas públicas centradas tanto en el cuerpo como en la mente, lo que resalta la importancia de un modelo de atención más integrais, orientado a promover el bienestar, la autonomía y la calidad de vida en el proceso de envejecimiento.
Palavras-clave
dolor crónico; salud mental; envejecimiento; atención integral.

INTRODUÇÃO        

A população está envelhecendo, e as pessoas ao redor do mundo estão vivendo por mais tempo. Isso traz grandes desafios para a saúde, especialmente no que diz respeito à dor crônica e aos transtornos psicológicos. Na maioria das vezes, os idosos sofrem de doenças crônicas, degenerativas e de limitações funcionais, precisando lidar com dores de longo prazo, que afetam sua qualidade de vida de forma devastadora (Oliveira et al., 2019). Além disso, distúrbios mentais, como depressão e ansiedade, são prevalentes em idosos e tendem a se associar à progressão da dor crônica, criando um ciclo vicioso de sofrimento físico e emocional, que é inevitável para a saúde do idoso (Brennan et al., 2020). A interação entre esses fatores é um desafio crescente no cuidado geriátrico, exigindo uma abordagem multidisciplinar que possa atender às necessidades tanto físicas quanto emocionais dos pacientes.

Pesquisas recentes têm chamado atenção para a interação entre dor e saúde psicológica em adultos mais velhos, um fenômeno em que a dor pode ser tanto um sintoma quanto uma causa de desconforto psicológico (KREBS et al., 2021). A dor não controlada pode provocar crises de depressão e ansiedade que, por sua vez, agravam a sensação de mal-estar. Além disso, o isolamento social e a dependência funcional experimentados pelos idosos com dor crônica e problemas de saúde mental tendem a piorar sua condição, reduzindo sua qualidade de vida (Gomes et al., 2022; Ferrell & Coyle 2020).

O cuidado integral torna-se, portanto, uma abordagem essencial para lidar com essas questões, pois cuida do paciente de forma holística, considerando não apenas a dor física, mas também os aspectos emocionais, sociais e psicológicos. No entanto, existem vários desafios quando se trata de fornecer cuidados para idosos com tais condições, incluindo baixos níveis de formação profissional nessa área de prática, desmembramento dos serviços de saúde e dificuldade de aceitação do tratamento por parte dos idosos (Smith et al., 2018). Na execução desta fase, contudo, a profissão que interage constantemente com os pacientes é a enfermagem, que é responsável por acompanhar a intensidade da dor e a condição psicológica deles e permitir o fluxo na comunicação entre os vários níveis de cuidados (Costa et al., 2021). 

Considerando esse cenário, este estudo visa explorar essa questão, investigando os impactos da dor crônica e dos transtornos psicológicos no envelhecimento, além de identificar as estratégias de cuidado mais adequadas para melhorar a qualidade de vida dos idosos afetados por essas condições. Sendo assim, foi proposta uma revisão integrativa da literatura com o objetivo de responder à seguinte pergunta: “Como a dor crônica e os transtornos psicológicos comprometem a qualidade de vida dos idosos e quais os principais desafios e abordagens para um cuidado integral?” Para tal finalidade, a estrutura do trabalho compreende: a introdução na qual a importância do tema é enfatizada; seção de metodologia, na qual os critérios e procedimentos foram explicados; discussão que é organizada por meio de análise textual; considerações finais e referências que sustentam o argumento.

METODOLOGIA  

Este estudo utiliza uma revisão integrativa da literatura como metodologia de investigação, com o propósito de identificar, analisar e sintetizar os impactos da dor crônica e dos transtornos psicológicos na qualidade de vida dos idosos, além de identificar as estratégias de cuidado integral recomendadas para o manejo dessa população. Para tal propósito foram definidos três objetivos específicos: 1. compreender como a dor crônica e os transtornos psicológicos afetam a qualidade de vida dos idosos; 2. identificar as intervenções mais eficazes no cuidado integral desses pacientes; e 3. analisar as principais dificuldades enfrentadas diariamente pelos profissionais de saúde para lidar com esses idosos. 

A revisão integrativa é considerada um método amplo, que permite a inclusão de estudos com diferentes delineamentos, possibilitando uma compreensão abrangente sobre o fenômeno estudado. Esta abordagem metodológica de acordo com (Mendes; Silveira; Galvão, 2016), visa reunir e consolidar as evidências científicas disponíveis sobre uma determinada questão, proporcionando acesso rápido e sintetizado aos resultados científicos mais importantes sobre a área de interesse. As etapas da revisão integrativa incluem identificação do problema, formulação da pergunta norteadora, seleção dos descritores e critérios de inclusão/exclusão, busca dos artigos na literatura, categorização dos estudos, avaliação dos artigos, síntese das descobertas e interpretação dos resultados.

Para estruturar esta revisão foi necessário realizar um levantamento bibliográfico em busca avançada na Biblioteca Virtual de Saúde (BVS), sob os Descritores em Ciências da Saúde, encontrados no (DeCS): “dor crônica”, “envelhecimento”, “saúde mental”, “transtornos psicológicos”, “qualidade de vida”, “cuidado integral”, e ” idoso”. Eles foram combinados com AND como operador booleano. Um exemplo da estratégia de busca utilizada foi: (“dor crônica”) E (“saúde mental”) E (“envelhecimento”) E (“cuidado integral”).  Esses descritores foram selecionados pois permitiram a inclusão de artigos de alta relevância que atendem ao   objetivo deste estudo, abrangendo as principais questões sobre dor, saúde mental, e qualidade de vida das pessoas idosas. Além disso, a busca foi delimitada a publicações entre os anos de 2015 e 2024, portanto, apenas estudos atualizados estão incluídos na revisão, representando a literatura científica mais recente. Os critérios de inclusão e exclusão foram elaborados para manter a qualidade e a relevância das evidências. Apenas artigos de Acesso Aberto em português, inglês e espanhol foram incluídos. Trabalhos incompletos, duplicados que não respondem à pergunta norteadora, artigos não científicos foram eliminados. Inicialmente, foram encontradas 350 publicações. Após a revisão de títulos e resumos, 120 artigos foram selecionados para revisão detalhada.  Destes, 25 estudos foram finalmente elegíveis para análise final, seguindo os critérios de elegibilidade estabelecidos selecionados de acordo com sua relevância e capacidade de agregar conhecimento ao tema. 

Após a seleção dos artigos, foi realizada uma análise rigorosa nos estágios da revisão integrativa, de leitura dos estudos, categorização das evidências e síntese dos resultados. Os dados foram organizados em temas principais, como impactos da dor crônica, transtornos psicológicos, qualidade de vida e estratégias de cuidado. Para garantir a confiabilidade dos dados extraídos, foi adotado um processo de leitura criteriosa e validação cruzada das informações. Essa abordagem proporcionou uma visão ampla e crítica dos desafios no cuidado integral de idosos com dor crônica, reunindo evidências de diferentes estudos para apontar as práticas mais eficazes na promoção do envelhecimento saudável.

A Tabela a seguir apresenta a organização dos dados segundo os temas centrais identificados na análise dos estudos.

Tabela 1- Principais achados e implicações para o cuidado de idosos com dor crônica

Fonte: Elaboração da autora (2025)

DISCUSSÃO

A dor crônica é uma condição altamente prevalente entre a população idosa e representa um importante desafio para a preservação da independência e da capacidade física nessa fase da vida. Estudos indicam que a persistência da dor interfere significativamente na capacidade de realizar atividades diárias, aumenta o risco de dependência e favorece o isolamento social, afetando negativamente o bem-estar geral (Brennan et al., 2020). Esse quadro é agravado pelo processo natural do envelhecimento, que envolve redução da capacidade funcional, neuroplasticidade e resposta a tratamentos analgésicos, tornando o manejo da dor crônica mais desafiador. Essa condição é particularmente prevalente em doenças musculoesqueléticas, neuropáticas e oncológicas, todas altamente prevalentes em idosos.

 Ao mesmo tempo, observa-se uma relação estreita entre dor crônica e transtornos psicológicos, como depressão e ansiedade, que também são comuns nessa faixa etária. Segundo (Oliveira et al., 2019), a experiência contínua de dor pode desenvolver ou piorar essas condições, prejudicando a percepção e aumentando o sofrimento psíquico. A dor crônica e os transtornos psicológicos representam desafios significativos à qualidade de vida da população idosa, afetando não apenas o bem-estar físico, mas também os aspectos emocionais e sociais do envelhecimento. Cerca de 36,9% da população brasileira com 50 anos ou mais convive com algum tipo de dor crônica. Essa condição afeta significativamente a qualidade de vida, limitando a mobilidade, o bem-estar emocional e a autonomia das pessoas. Segundo o mesmo estudo, menos de 30% dos idosos que sofrem com dor crônica fazem uso de medicamentos opióides, como morfina ou codeína, como forma de alívio. (Ministério da Saúde, 2023). No que se refere à saúde mental, (Silva et al. 2019) enfatizam que 29,7% dos idosos apresentaram transtornos mentais comuns, os quais foram associados àqueles que eram sedentários e 25,4% tinham mais de uma doença crônica. Esses sintomas incluem insônia, ansiedade, fadiga, problemas de concentração, e são frequentemente subdiagnosticados ou não atendidos nos cuidados primários. 

A relação entre a dor crônica e os transtornos emocionais é um ciclo de natureza viciosa, em que a presença constante da dor contribui para o agravamento do sofrimento psicológico, enquanto os fatores emocionais, por sua vez, podem intensificar a percepção e a sensibilidade à dor. Essa interação complexa tende a piorar o estado de saúde geral da pessoa idosa, resultando em hospitalizações mais frequentes, dificuldades na adesão aos tratamentos propostos e uma considerável diminuição na qualidade de vida. (Brennan et al., 2020). Estudos recentes relatam que, além das significativas implicações físicas, a dor crônica está fortemente associada a alterações emocionais, distúrbios do sono, sentimentos de desesperança e prejuízos na qualidade de vida, o que torna o manejo terapêutico ainda mais desafiador e multifacetado. (Smith et al., 2018).  As doenças psicológicas determinam, de maneira direta, a forma como a dor é percebida e vivenciada, complicando não só o controle clínico e tornando mais desafiadora a aceitação do tratamento.

 Essa realidade destaca a necessidade de um cuidado integral e abrangente, que não se limite apenas ao alívio dos sintomas físicos, mas também considere as condições emocionais dos idosos, levando em conta os múltiplos fatores que envolvem a complexa interação entre dor e sofrimento psíquico que exige uma abordagem integral, contínua e centrada na pessoa. O sucesso do cuidado está em reconhecer a complexidade desses quadros e oferecer suporte individualizado e humanizado (Cherkin et al., 2016; Hilton et al., 2017).

Uma das maiores dificuldades no controle da dor crônica associada a transtornos psicológicos em idosos é obter um diagnóstico precoce e preciso, pois os sintomas emocionais ficam ocultos pela condição física de dor. Esta situação é exacerbada entre idosos com comprometimento cognitivo ou dificuldades de comunicação, o que frequentemente leva ao subdiagnóstico de transtornos psicológicos e a tratamentos inadequados (Gomes et al., 2022). Assim é importante estabelecer um modelo de cuidado integral que leve em conta tanto os aspectos físicos quanto emocionais, cuidadosamente coordenados por equipes multidisciplinares compostas por enfermeiros, médicos, psicólogos e fisioterapeutas (Costa et al., 2021). A qualidade de vida destas pessoas está diretamente relacionada a um cuidado que é personalizado, e leva em conta as necessidades clínicas, emocionais e sociais de cada idoso. Diversos obstáculos interferem na eficácia da assistência, desde limitações no diagnóstico até barreiras estruturais, sociais e emocionais.

A complexidade clínica é um fator crítico. Idosos frágeis frequentemente apresentam múltiplas comorbidades crônicas, como osteoartrite, diabetes e doenças cardiovasculares, que além de serem causa de dor crônica, complicam o manejo desse sintoma. A polifarmácia, muito prevalente nesse grupo, traz maior risco de interações medicamentosas, efeitos colaterais e confusão terapêutica, exigindo, portanto, um acompanhamento especializado e individualizado (Ferreira et al., 2017; Maher et al., 2014). Outra barreira importante é o estigma associado a questões de saúde mental. Transtornos como depressão e ansiedade ainda são mal compreendidas e muitas vezes associadas à fraqueza pessoal, particularmente em certos contextos culturais. Esse julgamento clínico pode frequentemente levar à resistência por parte dos próprios pacientes e de seus familiares quanto à aceitação do diagnóstico e à adesão ao tratamento, o que compromete os resultados terapêuticos (Silva et al., 2019).

As abordagens não farmacológicas têm se mostrado muito eficaz no tratamento da dor crônica e no manejo sintomático de distúrbios psicológicos em idosos. Intervenções incluindo psicoterapia, técnicas de manejo do estresse, programas de atividade física adaptada e a terapia ocupacional são amplamente reconhecidas na literatura científica por contribuírem significativamente para a promoção do bem-estar físico e emocional, além de favorecerem a manutenção da funcionalidade e da independência. (Ferrell & Coyle 2020). A inclusão dessas abordagens no plano terapêutico permite uma atuação mais humanizada e centrada na pessoa, respeitando sua individualidade e contexto de vida. É essencial que ações de educação em saúde e apoio psicossocial sejam desenvolvidos, pois podem reforçar o autocuidado e o incentivo à autonomia, de forma que os idosos possam assumir o autocuidado, refletindo em sua qualidade de vida, autoestima e maneira de lidar com as limitações relacionadas à dor e ao sofrimento psíquico.

Estudos enfatizam a importância da enfermagem no cuidado a idosos que sofrem com dor crônica e transtornos psicológicos, especialmente no acompanhamento constante do estado de saúde e na realização de intervenções que considerem tanto os aspectos físicos quanto os emocionais. O trabalho em equipe multidisciplinar demonstrou ser eficaz, pois pode integrar o tratamento médico, apoio psicológico e o auxílio social em um plano terapêutico holístico (Torraco, 2016). No entanto, a implementação desse modelo continua a ser desafiadora devido aos recursos, falta de pessoal qualificado e discriminação contra pessoas que procuram cuidados em saúde mental. A maioria dos profissionais da atenção primária não têm formação adequada para lidar com a complexidade desses casos, o que leva a atendimentos fragmentados e, muitas vezes, pouco eficazes. Esses fatores restringem o acesso aos cuidados e levam a atrasos na recepção dos serviços necessários. (Gomes et al., 2022).

Embora o número de intervenções eficazes tenha crescido nos últimos anos, mais pesquisas são necessárias para projetar modelos de cuidado que integrem medidas terapêuticas e possam se adaptar às necessidades particulares e ao contexto social dos idosos. A promoção de um envelhecimento ativo e saudável, com ênfase na prevenção e no manejo adequado da dor crônica e dos transtornos psicológicos, deve ser uma prioridade tanto na esfera pública quanto na prática clínica (Smith et al., 2018). Nesse cenário, é de suma importância focar em uma abordagem integral, visto que as terapias isoladas com medicamentos não são suficientes. Ressalta-se a importância da integração do cuidado físico e emocional para a qualidade de vida na velhice como base ao planejar as atividades de atenção à saúde. Entretanto, ainda são limitados os estudos sobre a prática cooperativa entre profissionais de saúde e sobre as diversas formas de cuidado integral, especialmente no contexto da atenção primária à saúde pública. Essas evidências atuais reforçam a urgente necessidade de melhorar os cuidados e os programas institucionais que considerem a complexidade do sofrimento psicológico na velhice, especialmente relacionado à dor crônica (WHO, 2020).

CONSIDERAÇÕES FINAIS

Esta revisão destacou como o envelhecimento da população mundial constitui hoje um dos maiores desafios para os sistemas de saúde, exigindo respostas mais organizadas e sensíveis para o cuidado dos idosos. Dentre os aspectos mais críticos desse cenário, destacam-se a dor crônica e os distúrbios psicológicos, condições que afetam diretamente a qualidade de vida, comprometendo a funcionalidade, a autonomia e o bem-estar dos indivíduos. A interação entre esses fatores gera um ciclo nocivo, em que o sofrimento físico intensifica o emocional, e vice-versa, dificultando a abordagem clínica. Frente a esse quadro, a literatura destaca a importância de uma abordagem integrada, que considere simultaneamente os componentes fisiológicos e emocionais. A atuação de equipes multiprofissionais mostra-se especialmente eficaz nesse contexto, favorecendo a elaboração de planos terapêuticos personalizados, capazes de reduzir sintomas, promover o bem-estar e contribuir para um envelhecimento mais saudável. 

É fundamental investir na formação contínua dos profissionais de saúde, capacitando-os para o reconhecimento precoce de condições frequentemente subdiagnosticadas na velhice, como transtornos mentais leves, declínio cognitivo e sofrimento psíquico que muitas vezes se manifesta por meio de sintomas físicos. Ao mesmo tempo campanhas de educação em saúde voltadas tanto para os profissionais quanto para a população são essenciais para combater o estigma relacionado à saúde mental na terceira idade e incentivar práticas de autocuidado. Vale ressaltar que existem desafios para a implementação de uma rede de atendimento, mas considerando a falta de políticas públicas adequadas, e os recursos humanos e financeiros limitados, é difícil pensar na aplicação real de tal modelo de atendimento. Para enfrentar esses desafios, é necessário fortalecer a atenção à saúde da pessoa idosa, promovendo a integração entre os serviços, a ampliação do acesso e a humanização das práticas assistenciais. A implementação de programas que articulem o manejo da dor crônica com o acompanhamento psicológico pode ser decisiva para garantir mais dignidade, autonomia e qualidade de vida aos idosos. É também necessário promover a produção de conhecimento científico por meio de estudos clínicos e investigações de intervenção para abordar essas doenças de forma integrada, desenvolvendo estratégias para que o tratamento seja mais eficaz e adequado aos distintos requisitos do processo de envelhecimento.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS 

BRENNAN, F., CARR, D. B., & COUSINS, M. (2020). Pain management in the elderly: Challenges and strategies. Lancet Neurology, 19(4), 383-394. https://doi.org/10.1016/S1474-4422(20)30008-5. 

CHERKIN, D. C., et al. (2016). Effect of mindfulness-based stress reduction vs cognitive behavioral therapy or usual care on back pain. JAMA, 315(12), 1240–1249.

COSTA, A. L., ALMEIDA, M. M., & SILVA, F. S. (2021). A atuação da enfermagem no cuidado de idosos com dor crônica: desafios e estratégias. Revista Brasileira de Enfermagem, 74(3), 394-401. https://doi.org/10.1590/0034-7167-2020-0881.

FERREIRA, M. L., et al. (2017). Managing comorbidities in older patients with chronic pain. Clinical Interventions in Aging, 12, 1133–1144.

FERRELL, B. R., & COYLE, N. (2020). Oxford Textbook of Palliative Nursing (4th ed.). Oxford University Press.

GOMES, M. M., OLIVEIRA, E. R., & CARVALHO, E. S. (2022). A dor crônica e seus impactos na saúde mental dos idosos: uma revisão da literatura. Revista Latino-Americana de Enfermagem, 27, e3122. https://doi.org/10.1590/1518-8345.2777.3122. 

HILTON, L., et al. (2017). Mindfulness meditation for chronic pain: systematic review and meta-analysis. Annals of Behavioral Medicine, 51(2), 199–213.

KREBS, E. E., Damush, T. M., & Bair, M. J. (2021). Depression and pain in older adults: Current perspectives. Journal of Clinical Psychiatry, 82(6), 73-85. https://doi.org/10.4088/JCP.20r13646.

MAHER, R. L., et al. (2014). Clinical consequences of polypharmacy in elderly. Expert Opinion on Drug Safety, 13(1), 57–65.

MENDES, K. D. S.; SILVEIRA, R. C. C. P.; GALVÃO, C. M. Revisão integrativa: método de pesquisa para a incorporação de evidências na saúde e na enfermagem. Texto & Contexto – Enfermagem, Florianópolis, v. 25, n. 4, e2800016, 2016.

MINISTÉRIO da SAÚDE. (2023). Pesquisa aponta que quase 37% dos brasileiros acima de 50 anos têm dores crônicas. Disponível em: https://www.gov.br/saude/pt-br/assuntos/noticias/2023/dezembro/pesquisa-aponta-que-quase-37-dos-brasileiros-acima-de-50-anos-tem-dores-cronicas.

OLIVIERA, L. F., ROSA, D. A., & SILVA, P. T. (2019). Impactos da dor crônica na qualidade de vida de idosos: Revisão de literatura. Saúde & Sociedade, 29(4), 91-105. https://doi.org/10.1590/s0104-12902019200404.

SILVA, M. T. et al. (2019). Prevalência de transtornos mentais comuns em idosos: um estudo populacional em Campinas, SP. Cadernos de Saúde Pública, 35(7). Disponível em: https://www.scielo.br/j/csp/a/C6zsvR37mV7tkzpjb9QnQCt/.

SMITH, M. T., Haythornthwaite, J. A., & Han, S. (2018). The role of psychological factors in chronic pain: Implications for interventions. Journal of Pain Research, 11, 207-215. https://doi.org/10.2147/JPR.S156001.

TORRACO, R. J. (2016). Writing integrative reviews of the literature. Human Resource Development Review, 15(4), 464-481. https://doi.org/10.1177/1534484316671606. 

World Health Organization – WHO. (2020). Integrated Care for Older People (ICOPE) Implementation Framework. Geneva: WHO Press.

Lopes, Wanda Aparecida . Dor crônica e transtornos psicológicos no envelhecimento: Desafios e cuidados integrados.International Integralize Scientific. v 5, n 49, Julho/2025 ISSN/3085-654X

Referencias

Vivian Caroline Coraucci.
BAILEY, C. J.; LEE, J. H.
Management of chlamydial infections: A comprehensive review.
Clinical infectious diseases.
v. 67
n. 7
p. 1208-1216,
2021.
Disponível em: https://academic.oup.com/cid/article/67/7/1208/6141108.
Acesso em: 2024-09-03.

Share this :

Edição

v. 5
n. 49
Dor crônica e transtornos psicológicos no envelhecimento: Desafios e cuidados integrados

Área do Conhecimento

Análise do comportamento aplicada – ABA
autismo; crianças; intervenções; habilidades sociais; comportamentais.
A psicologia das pessoas da melhor idade no contexto da ansiedade, depressão e tristeza: Uma perspectiva psicanalítica
psicologia; ansiedade; depressão; tristeza; saúde mental.
Abordagem da leishmaniose tegumentar americana em Laranjal do Jari/Amapá: Uma análise por faixa etária de 2009 a 2015
leishmaniose; região Amazônica; Amapá.
Levantamento de metabólitos secundários com alguma aplicabilidade produzidos por fungos
metabólitos bioativos; bioprospecção fúngica; aplicações farmacológicas; diversidade química; produção sustentável.
Acessibilidade à saúde bucal em comunidades ribeirinhas: Obstáculos e soluções
comunidades ribeirinhas; saúde bucal; pesquisa-ação; acessibilidade; políticas públicas.
Edentulismo no Brasil: Determinantes socioculturais, informacionais e perspectivas futuras
edentulismo; saúde bucal; políticas públicas; prevenção; cultura e saúde.

Últimas Edições

Confira as últimas edições da International Integralize Scientific

feat-jan

Vol.

6

55

Janeiro/2026
feat-dez

Vol.

5

54

Dezembro/2025
feat-nov

Vol.

5

53

Novembro/2025
feat-out

Vol.

5

52

Outubro/2025
Setembro-F

Vol.

5

51

Setembro/2025
Agosto

Vol.

5

50

Agosto/2025
Julho

Vol.

5

49

Julho/2025
junho

Vol.

5

48

Junho/2025