Atendimento hospitalar da cirurgia e traumatologia bucomaxilofacial, uma abordagem multidisciplinar

HOSPITAL CARE IN ORAL AND MAXILLOFACIAL SURGERY AND TRAUMATOLOGY, A MULTIDISCIPLINARY APPROACH

ATENCIÓN HOSPITALARIA EN CIRUGÍA ORAL Y MAXILOFACIAL Y TRAUMATOLOGÍA, UN ABORDAJE MULTIDISCIPLINARIO

Autor

URL do Artigo

https://iiscientific.com/artigos/63FEE0

DOI

doi.org/10.63391/63FEE0

Paixão, Alexandra dos Santos. Atendimento hospitalar da cirurgia e traumatologia bucomaxilofacial, uma abordagem multidisciplinar. International Integralize Scientific. v 5, n 50, Agosto/2025 ISSN/3085-654X

Resumo

A cirurgia e traumatologia bucomaxilofacial é uma especialidade essencial na Odontologia, especialmente em ambientes hospitalares, por lidar com casos complexos que exigem abordagem integrada e multidisciplinar. A atuação conjunta de diversos profissionais da saúde é fundamental para garantir a recuperação funcional e estética dos pacientes. A articulação entre cirurgiões, fisioterapeutas, psicólogos e outros profissionais melhora os resultados do tratamento, reduz o tempo de internação e promove acolhimento e segurança. No entanto, ainda existem falhas na padronização do atendimento inicial, especialmente na triagem e encaminhamento ao cirurgião bucomaxilofacial. Questão de pesquisa: como ocorre o atendimento hospitalar ao paciente com trauma bucomaxilofacial? Objetivo do estudo: avaliar esse atendimento desde a chegada do paciente, analisando protocolos e condutas clínicas, com o propósito de qualificar os serviços prestados e melhorar a assistência hospitalar na área.
Palavras-chave
cirurgia e traumatologia bucomaxilofacial; odontologia hospitalar; atendimento do cirurgião bucomaxilofacial em ambiente hospitalar.

Summary

Oral and maxillofacial surgery and traumatology is an essential specialty in Dentistry, especially in hospital settings, as it deals with complex cases that require an integrated and multidisciplinary approach. The joint action of several health professionals is essential to ensure the functional and aesthetic recovery of patients. The coordination between surgeons, physiotherapists, psychologists and other professionals improves treatment results, reduces hospitalization time and promotes care and safety. However, there are still gaps in the standardization of initial care, especially in screening and referral to the oral and maxillofacial surgeon. Research question: how is hospital care provided to patients with oral and maxillofacial trauma? Objective of the study: to evaluate this care from the patient’s arrival, analyzing protocols and clinical procedures, with the purpose of qualifying the services provided and improving hospital care in the area.
Keywords
oral and maxillofacial surgery and traumatology; hospital dentistry; oral and maxillofacial surgeon care in a hospital environment.

Resumen

La cirugía oral y maxilofacial y la traumatología son una especialidad esencial en Odontología, especialmente en el ámbito hospitalario, ya que abordan casos complejos que requieren un enfoque integral y multidisciplinar. La colaboración entre diversos profesionales de la salud es esencial para garantizar la recuperación funcional y estética de los pacientes. La coordinación entre cirujanos, fisioterapeutas, psicólogos y otros profesionales mejora los resultados del tratamiento, reduce el tiempo de hospitalización y promueve la atención y la seguridad. Sin embargo, aún existen deficiencias en la estandarización de la atención inicial, especialmente en la evaluación y la derivación al cirujano oral y maxilofacial. Pregunta de investigación: ¿Cómo se brinda atención hospitalaria a los pacientes con trauma oral y maxilofacial? Objetivo del estudio: Evaluar esta atención desde la llegada del paciente, analizando protocolos y procedimientos clínicos, con el fin de cualificar los servicios prestados y mejorar la atención hospitalaria en el área.
Palavras-clave
cirugía oral y maxilofacial y traumatologia; odontología hospitalaria; atención del cirujano oral y maxilofacial en el entorno hospitalario.

INTRODUÇÃO

A cirurgia e traumatologia bucomaxilofacial constitui uma especialidade fundamental na Odontologia, particularmente no ambiente hospitalar onde os casos apresentados frequentemente demandam intervenções de alta complexidade e uma abordagem integrada. O atendimento hospitalar de pacientes acometidos por traumas faciais, fraturas ou alterações maxilofaciais requer, além do conhecimento técnico- científico atualizado, um olhar multidisciplinar, visto que a recuperação funcional e estética destes indivíduos depende da atuação conjunta de diferentes profissionais da saúde (Neomax, 2023).

Nesse contexto, a articulação entre cirurgiões bucomaxilofaciais, cirurgiões plásticos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, nutricionistas e psicólogos potencializa os resultados do tratamento, promovendo cuidado integral ao paciente. Estudos mais recentes apontam que esta abordagem não apenas favorece o desfecho clínico, como também reduz o tempo de internação e proporciona maior acolhimento e segurança ao paciente (Pereira et al., 2022). Apesar dos reconhecidos avanços, persistem lacunas relacionadas à padronização do atendimento inicial, especialmente na avaliação clínica do paciente logo na chegada ao hospital e na delimitação dos fluxos que conduzem o encaminhamento ao cirurgião bucomaxilofacial.

Diante desse cenário, surge como questão de pesquisa: como é realizado o atendimento hospitalar ao paciente submetido à cirurgia de traumatologia bucomaxilofacial? Essa problemática ganha relevância ao evidenciar a importância de investigar as etapas iniciais do processo de atendimento, que podem influenciar diretamente o prognóstico do paciente. O objetivo geral deste estudo consiste em avaliar como se dá o atendimento hospitalar, identificando os protocolos e avaliações clínicas realizadas assim que o paciente chega à unidade e precedem o encaminhamento ao cirurgião bucomaxilofacial, de modo a contribuir para a qualificação dos serviços prestados e para a sistematização da assistência hospitalar nesta especialidade.

CONTEXTUALIZAÇÃO DO ATENDIMENTO EM CIRURGIA E TRAUMATOLOGIA BUCOMAXILOFACIAL

A Cirurgia e Traumatologia Bucomaxilofacial (CTBMF) no Brasil apresenta uma trajetória peculiar, marcada por constantes avanços técnicos e científicos. A consolidação desta especialidade, a partir da segunda metade do século XX, decorreu de um crescente reconhecimento da complexidade das lesões faciais e da necessidade de atuação especializada tanto em ambientes hospitalares quanto ambulatoriais (ABCCMF, s.d.). O estabelecimento do Conselho Federal de Odontologia em 1964 representou um marco, consolidando a CTBMF no país como disciplina fundamental da Odontologia e assegurando o desenvolvimento de protocolos específicos para o atendimento a traumas e patologias da região maxilofacial (Pary, 2018).

Historicamente, essa área da odontologia esteve associada ao tratamento de ferimentos de guerra e acidentes, realidade que se transformou com o avanço das técnicas cirúrgicas e tecnologias diagnósticas. Atualmente, o atendimento hospitalar aos pacientes vítimas de traumas bucomaxilofaciais abrange desde fraturas complexas, reconstruções estéticas, tratamento de tumores e infecções severas até procedimentos eletivos (Farret Odontologia, 2024). O surgimento de novos materiais de fixação óssea, aliado ao planejamento cirúrgico por imagens em três dimensões, permite intervenções mais precisas e previsíveis, o que contribui para melhores prognósticos.

No Brasil, a complexidade dos casos e a demanda frequentemente elevada por atendimento intensificaram a participação do cirurgião bucomaxilofacial nas equipes multidisciplinares de pronto atendimento. O ambiente hospitalar impõe desafios adicionais, tais como a necessidade de decisões rápidas frente aos quadros de politraumatismos, integração com outros especialistas e adaptação constante aos avanços tecnológicos e científicos (Marzola, 2012.). Além disso, o acesso desigual aos serviços especializados evidencia disparidades regionais no país, acentuando a importância de estratégias para ampliação da capacitação profissional e da infraestrutura hospitalar.

De acordo com estudos recentes, as causas predominantes dos traumas maxilofaciais em hospitais brasileiros permanecem associadas a acidentes automobilísticos, quedas e violência interpessoal, destacando-se como problema de saúde pública de significativa morbimortalidade (Marzola, 2012). O papel do cirurgião bucomaxilofacial, assim, ultrapassa o campo operatório, englobando o gerenciamento clínico, a reabilitação funcional e a integração do cuidado humanizado. A evolução desse atendimento reflete o investimento contínuo em formação, pesquisa e inovação, que promovem a qualificação dos serviços e sustentam a importância vital da CTBMF nos sistemas de saúde contemporâneos.

ABORDAGEM MULTIDISCIPLINAR NO AMBIENTE HOSPITALAR

A complexidade dos casos atendidos na cirurgia e traumatologia bucomaxilofacial exige, no âmbito hospitalar, uma abordagem multidisciplinar que garanta a integralidade do cuidado e o melhor desfecho clínico possível. A atuação conjunta de diferentes profissionais da saúde tornou-se um elemento estruturante nas instituições hospitalares de referência, pois permite não apenas a execução do tratamento cirúrgico adequado, mas também a recuperação funcional e reintegração social do paciente (Neomax, 2023).

A constituição de equipes multiprofissionais, frequentemente compostas por cirurgiões bucomaxilofaciais, ortodontistas, cirurgiões plásticos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, nutricionistas e psicólogos, tem se tornado uma prática consolidada diante das demandas cada vez mais abrangentes apresentadas pelos pacientes, sobretudo aqueles em situações de politraumatismos faciais (Nascimento, 2024). Esse modelo de atuação favorece a troca de saberes, o manejo eficiente de complicações e a promoção do cuidado centrado no paciente. Destaca-se, por exemplo, o papel da equipe de fisioterapia tanto no pré-quanto no pós-operatório, contribuindo para a reabilitação motora e funcional; os fonoaudiólogos desempenham importante papel na recuperação da mastigação, fala e deglutição; enquanto os psicólogos são fundamentais na abordagem do impacto emocional decorrente dos traumas (Nascimento, 2024).

São apontadas diversas vantagens oriundas da abordagem multidisciplinar, tais como a redução do tempo de internação, diminuição do índice de complicações pós- operatórias, melhor adesão ao tratamento e satisfação do paciente. Ademais, a integração entre cirurgiões bucomaxilofaciais e ortodontistas proporciona melhor planejamento cirúrgico e pós-operatório, influenciando diretamente no sucesso das reconstruções faciais complexas (Neomax, 2023). A colaboração com cirurgiões plásticos, por sua vez, intensifica o cuidado voltado tanto à estética quanto à função, agregando valor à recuperação global do paciente.

Contudo, a efetividade da abordagem multidisciplinar enfrenta desafios relacionados à comunicação entre as equipes, à coordenação das ações e à disponibilidade de recursos humanos e logísticos. A gestão destas equipes demanda protocolos integrados e fluxos claros de encaminhamento e atuação (Rosa, 2024). Nos ambientes hospitalares de grande porte ou de referência, essa articulação é mais frequente, enquanto em hospitais

de pequeno porte persistem dificuldades de implantação devido à limitação de profissionais especializados e infraestrutura.

De qualquer modo, o avanço da integração multidisciplinar é indissociável do investimento em formação continuada, estímulo à pesquisa e adoção de tecnologias inovadoras para diagnóstico e planejamento cirúrgico. A experiência nacional evidencia que a qualificação e articulação das equipes estão associadas à melhoria de prognóstico, menor morbidade e à promoção de um atendimento mais humanizado, aspecto este fundamental para pacientes com traumas complexos que demandam intervenções coordenadas e efetivas (Neomax, 2023; Nascimento, 2024).

METODOLOGIA

O presente estudo adota uma abordagem metodológica baseada na literatura científica nacional acerca do atendimento hospitalar a pacientes submetidos à cirurgia e traumatologia bucomaxilofacial, observando princípios éticos e diretrizes instituídas pelo Conselho Federal de Odontologia e pela Associação Brasileira de Cirurgia e Traumatologia Bucomaxilofacial. O delineamento caracteriza-se por ser qualitativo e descritivo, com ênfase na compreensão dos protocolos utilizados, no perfil do atendimento e na atuação multidisciplinar envolvida (CFO, 2023; Portal Hospitais Brasil, 2023).

A coleta de dados será realizada a partir de múltiplas fontes documentais, tais como diretrizes clínicas, literatura científica recente, artigos indexados e relatos de especialistas. Métodos qualitativos como entrevistas semiestruturadas, análise de prontuários hospitalares e observação direta de rotinas institucionais são apontados na literatura como estratégias efetivas para a investigação do atendimento multidisciplinar e dos fluxos clínicos adotados nos protocolos hospitalares do setor (Ribas, 2005; Unicamp, 2025).

Serão avaliadas práticas relativas ao acolhimento do paciente, à realização de triagem inicial, à indicação cirúrgica e ao encaminhamento para avaliação buco maxilo facial, bem como a interface entre os diversos especialistas que integram a equipe multidisciplinar. Em consonância com estudos recentes, a análise qualitativa desses dados utilizará a técnica de categorização temática, identificando padrões, semelhanças e variabilidades nos processos observados, conforme sugerido por métodos

de análise de conteúdo (Ribas, 2005).

No que se refere à análise descritiva, serão apresentados quadros sintéticos das informações extraídas dos relatos, prontuários e observações, empregando estatística descritiva (frequência, média e mediana) para a caracterização dos dados epidemiológicos encontrados, quando pertinente. O estudo observa os preceitos éticos definidos na Resolução 510/2016 do Conselho Nacional de Saúde para pesquisas que não envolvem diretamente experimentação em seres humanos, garantindo o sigilo das informações, anonimato dos sujeitos e conformidade quanto à aprovação em Comitê de Ética em Pesquisa, conforme exigido nos trabalhos da área (CFO, 2023; Bucomaxilo, 2023).

Ressalta-se que a opção por um método descritivo-qualitativo é justificada pela complexidade dos processos de atendimento em cirurgia e traumatologia bucomaxilofacial no contexto hospitalar brasileiro e pela necessidade de compreender, em profundidade, a articulação entre protocolos técnicos, saberes multiprofissionais e políticas institucionais. O rigor científico é garantido pela triangulação das fontes e pela utilização de diretrizes oficialmente reconhecidas para delimitação dos parâmetros analisados (Portal Hospitais Brasil, 2023).

AVALIAÇÃO DO PACIENTE E PROTOCOLOS DE ATENDIMENTO

A avaliação do paciente no contexto hospitalar é etapa essencial para o sucesso do cuidado em cirurgia e traumatologia bucomaxilofacial, influenciando diretamente o prognóstico e a qualidade dos desfechos. No Brasil, os protocolos de atendimento e os instrumentos utilizados para a avaliação inicial são embasados em diretrizes nacionais, legislações profissionais e evidências científicas atualizadas, com crescente estímulo à padronização e à segurança assistencial (Cofen, 2025).

A chegada do paciente à unidade hospitalar aciona fluxos previamente estabelecidos para a triagem, que contemplam a identificação criteriosa do quadro clínico, investigação do mecanismo de trauma, verificação de sinais vitais, avaliação do nível de consciência e sondagem acerca de comorbidades preexistentes. Essas etapas, realizadas seguindo roteiros sistematizados de atendimento, visam garantir a detecção precoce de situações que demandem intervenção imediata e o correto encaminhamento ao cirurgião bucomaxilofacial.

Em consonância com a legislação vigente, destaca-se o papel dos protocolos de enfermagem, validados pelo Conselho Federal de Enfermagem (COFEN), que norteiam a atuação segura do profissional, especialmente nos momentos críticos do contato inicial e no monitoramento do paciente ao longo do processo de cuidado. Esses protocolos, além de padronizar condutas, promovem integração entre as diferentes categorias profissionais, favorecendo a abordagem multidisciplinar (Cofen, 2025).

As práticas recomendadas exigem do enfermeiro conhecimento aprofundado dos Protocolos Clínicos e Diretrizes Terapêuticas (PCDT), os quais estabelecem critérios claros para a identificação de gravidade, priorização de atendimento e classificação de risco. Tais diretrizes, atualizadas periodicamente pelo Ministério da Saúde, são referência obrigatória para todos os profissionais envolvidos no atendimento hospitalar, possibilitando uma assistência baseada em evidências e alinhada à legislação (Brasil, 2024b).

Adicionalmente, a capacitação periódica das equipes, promovida por conselhos de classe e associações profissionais, constitui estratégia fundamental para a sustentabilidade dos protocolos e para a atualização quanto às melhores práticas assistenciais (Cofen, 2025). As ferramentas de avaliação, como os formulários padronizados e os fluxogramas, possibilitam o registro sistemático das informações essenciais e favorecem o acompanhamento clínico contínuo, que é indispensável para a avaliação dinâmica da resposta do paciente e para a gestão de riscos assistenciais.

Portanto, a avaliação do paciente e a adoção rigorosa de protocolos representam elementos-chave para a qualificação do atendimento em cirurgia e traumatologia bucomaxilofacial no ambiente hospitalar brasileiro. A articulação entre normativas legais, evidências científicas e prática assistencial, somada à capacitação contínua das equipes, contribui de forma decisiva para a segurança, eficiência e humanização do cuidado prestado aos pacientes que demandam atenção especializada nesta área.

RESULTADOS E DISCUSSÃO

A análise do atendimento hospitalar na cirurgia e traumatologia bucomaxilofacial no Brasil revela avanços significativos na estruturação dos fluxos de cuidado e na adoção de estratégias multidisciplinares. Dados recentes mostram que a implantação de programas de residência e especialização, aliados à oferta ampliada de

procedimentos por meio do Sistema Único de Saúde (SUS), tem promovido melhoria do acesso e da qualidade do atendimento, sobretudo em hospitais de referência (Bucomaxilo, 2024; Hospital Mandaqui, 2025).

O impacto positivo da abordagem multidisciplinar é recorrente nos relatos de sucesso clínico. A integração entre cirurgiões bucomaxilofaciais, clínicos, fonoaudiólogos, psicólogos e equipes de enfermagem é considerada determinante para a obtenção de melhores desfechos funcionais e estéticos, além de contribuir para a redução do tempo de internação e da incidência de complicações pós-operatórias (São Marcos, 2025). Este modelo propicia a troca de informações clínicas, otimiza o planejamento de intervenções cirúrgicas e favorece o acompanhamento contínuo do paciente, aspectos essenciais à recuperação integral.

A implementação de protocolos clínicos padronizados, baseada em diretrizes nacionais e recomendações institucionais, também se destaca como fator preponderante para a segurança e a eficiência do atendimento. Programas de residência e capacitação destacam a padronização como temática central, desde a triagem inicial do paciente até o seguimento pós-operatório (Hospital Mandaqui, 2025; Hcanmt, 2024). Observa-se, por exemplo, que procedimentos estruturados para a avaliação inicial e manejo dos traumas maxilofaciais contribuem para a detecção precoce de situações de risco e para o direcionamento célere aos especialistas, garantindo maior previsibilidade na evolução clínica.

Resultados práticos provenientes da aplicação dos protocolos e da abordagem integrada evidenciam taxas elevadas de recuperação funcional e estética, com relatos de satisfação dos pacientes e de seus familiares, principalmente em casos de traumas complexos e grandes reconstruções (Bucomaxilo, 2024; São Marcos, 2025). Instituições que investem em equipes multidisciplinares e capacitação permanente apresentam menor incidência de infecções, menores índices de complicações e melhores indicadores de reabilitação precoce, validando a eficácia das estratégias adotadas.

Contudo, desafios persistem, principalmente quanto à necessidade de expansão do acesso especializado em regiões menos assistidas e à uniformização da qualidade do atendimento. Relatórios institucionais e artigos de revisão apontam a carência de recursos humanos qualificados e de infraestrutura adequada em determinados contextos regionais,  ressaltando a importância do investimento contínuo em formação profissional e atualização de protocolos baseados em evidências científicas (Hcanmt, 2024).

Também é ressaltada a necessidade de estudos longitudinais que avaliem, a longo prazo, os resultados clínicos e o impacto psicossocial das intervenções. A tendência à expansão dos programas de residência, atualização epidemiológica constante e implementação de fluxos institucionais integrados representa perspectiva promissora para a consolidação de um modelo de atendimento hospitalar em cirurgia e traumatologia bucomaxilofacial mais equitativo, seguro e centrado na integralidade do cuidado (Bucomaxilo, 2024; São Marcos, 2025).

CONSIDERAÇÕES FINAIS

A análise do atendimento hospitalar em cirurgia e traumatologia bucomaxilofacial (CTBMF) no Brasil permite a identificação de avanços expressivos nos últimos anos, especialmente no tocante à integração de tecnologias inovadoras, à implementação de protocolos padronizados e à consolidação de uma abordagem multidisciplinar. O emprego de ferramentas como a impressão 3D no planejamento cirúrgico e em procedimentos complexos, aliado ao uso de métodos diagnósticos avançados, tem contribuído de maneira significativa para a precisão do tratamento e para uma recuperação mais célere e eficiente dos pacientes (Brasil, 2024a).

A atuação conjunta de equipes multiprofissionais permanece como elemento central para os resultados favoráveis observados, proporcionando um cuidado integral e maior satisfação do paciente. Estudos recentes atestam que a abordagem integrada entre cirurgiões bucomaxilofaciais, radiologistas, anestesiologistas, fisioterapeutas, fonoaudiólogos e psicólogos impacta positivamente nos desfechos clínicos, reduzindo complicações e otimizando a reabilitação pós-operatória (Slmandic, 2025).

Apesar dos progressos, persistem desafios importantes relacionados à desigualdade de acesso a tecnologias e à qualificação profissional em diferentes regiões do país. A heterogeneidade de recursos e infraestrutura nos hospitais evidencia a necessidade de políticas públicas voltadas à ampliação do acesso, à capacitação continuada e à padronização nacional de diretrizes, de modo a garantir qualidade e equidade no atendimento em todo o território nacional (Facesteam, 2024). No contexto dos protocolos, a necessidade de sua adoção e contínua atualização aponta para a importância de investir em pesquisa nacional e na formação permanente das equipes, visando a incorporação de práticas baseadas em evidências e a melhoria constante dos serviços oferecidos. A tendência à expansão da integração multidisciplinar e ao uso de tecnologias digitais, incluindo inteligência artificial e modelagem tridimensional, configura-se como promissora para elevar o padrão do atendimento hospitalar em CTBMF (Brasil, 2024a).

Recomenda-se, portanto, que a consolidação de protocolos nacionais integrados, o investimento em ferramentas tecnológicas e a intensificação da cooperação entre ensino, pesquisa e prática clínica sejam considerados pilares para o futuro da especialidade. Dessa forma, poderá ser alcançado um modelo de atendimento mais eficiente, seguro e humanizado, capaz de responder às demandas crescentes da população e de promover a excelência nos cuidados em cirurgia e traumatologia bucomaxilofacial.

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