A educação ambiental e a utilização de agrotóxicos: Construindo o dia a dia dos alunos do ensino fundamental

ENVIRONMENTAL EDUCATION AND THE USE OF PESTICIDES: BUILDING THE DAILY LIVES OF ELEMENTARY SCHOOL STUDENTS

EDUCACIÓN AMBIENTAL Y USO DE PESTICIDAS: CONSTRUYENDO LA VIDA COTIDIANA DE LOS ESTUDIANTES DE ESCUELA PRIMARIA

Autor

URL do Artigo

https://iiscientific.com/artigos/0AC813

DOI

doi.org/10.63391/0AC813

Souza, Marcelo Marcio Silva de. A educação ambiental e a utilização de agrotóxicos: Construindo o dia a dia dos alunos do ensino fundamental. International Integralize Scientific. v 5, n 50, Agosto/2025 ISSN/3085-654X

Resumo

O uso indiscriminado de agrotóxicos representa riscos significativos à saúde pública e ao equilíbrio ambiental. Este estudo investigou o conhecimento e a percepção ambiental de estudantes do ensino fundamental em duas escolas do Rio de Janeiro, localizadas em contextos rurais e urbanos. A pesquisa, de abordagem qualitativa, utilizou questionários e atividades educativas. Os dados revelaram limitações no entendimento dos impactos ambientais causados pelos agrotóxicos, apesar da valorização da preservação ambiental. Os resultados reforçam a importância de práticas pedagógicas que fomentem a alfabetização científica e a formação crítica de sujeitos comprometidos com a sustentabilidade e a justiça socioambiental.
Palavras-chave
agricultura; sustentabilidade; ensino fundamental.

Summary

The indiscriminate use of pesticides poses significant risks to public health and environmental balance. This study investigated the environmental knowledge and perception of elementary school students at two schools in Rio de Janeiro, located in rural and urban settings. The qualitative research used questionnaires and educational activities. The data revealed limitations in understanding the environmental impacts caused by pesticides, despite the importance placed on environmental preservation. The results reinforce the importance of pedagogical practices that foster scientific literacy and the critical development of individuals committed to sustainability and socio-environmental justice.
Keywords
agriculture; sustainability; elementary education.

Resumen

El uso indiscriminado de plaguicidas representa riesgos significativos para la salud pública y el equilibrio ambiental. Este estudio investigó el conocimiento y la percepción ambiental de estudiantes de primaria en dos escuelas de Río de Janeiro, ubicadas en entornos rurales y urbanos. La investigación cualitativa utilizó cuestionarios y actividades educativas. Los datos revelaron limitaciones en la comprensión de los impactos ambientales causados por los plaguicidas, a pesar de la importancia otorgada a la preservación del medio ambiente. Los resultados refuerzan la importancia de las prácticas pedagógicas que fomentan la alfabetización científica y el desarrollo crítico de individuos comprometidos con la sostenibilidad y la justicia socioambiental.
Palavras-clave
agricultura; sostenibilidad; educación primaria.

INTRODUÇÃO

Para atender a forte demanda por alimentos, a agricultura brasileira tem causado sérias preocupações ambientais, devido a sua forma de produção e aos seus efeitos adversos da utilização indiscriminada de agrotóxicos (Santos, 2023). Na busca por alternativas menos agressivas ao meio ambiente, Saraiva et al. (2024) reforça a importância da educação ambiental dentro do ambiente escolar para trazer a temática dos agrotóxicos na produção de alimentos.​ Ademais, diversos projetos voltados para os estudos ecológicos relacionados com a utilização de defensivos agrícolas e os efeitos ambientais têm despertado uma nova visão nos estudantes, promovendo então a percepção e a sensibilização quanto à proteção da natureza (Golçalves et al., 2024). 

A Educação Ambiental (EA), integrada à BNCC, promove a construção de uma consciência socioambiental crítica, incentivando atitudes éticas e sustentáveis (Brasil, 2018). Ao valorizar a relação entre agricultura e meio ambiente, a EA contribui para o desenvolvimento sustentável e a formação de cidadãos engajados (Gliessman, 2016). Projetos escolares que abordam o uso de agrotóxicos são fundamentais para conscientizar sobre seus riscos e estimular alternativas mais seguras (Soares et al., 2023; Costa et al., 2022).

Assim, a presente pesquisa justifica-se pela necessidade de conscientizar os estudantes sobre os riscos da utilização indiscriminada de agrotóxicos destacando que a agricultura e o meio ambiente devem caminhar juntos para um ambiente equilibrado. Evidencia então a urgência de repensar os modelos de produção convencionais e propor práticas educativas conscientes, relacionando meio ambiente, saúde, sustentabilidade e cidadania, despertando um viés crítico sobre a temática (Moura; Costa, 2022). 

OBJETIVO GERAL

A partir da Educação Ambiental, analisar comparativamente as percepções de estudantes do ensino fundamental sobre os efeitos dos agrotóxicos na agricultura, visando propor estratégias pedagógicas que estimulem a conscientização crítica sobre os impactos ambientais e à saúde pública.

OBJETIVOS ESPECÍFICOS

Analisar o conhecimento de alunos do ensino fundamental sobre os agrotóxicos, seus impactos socioambientais e à saúde humana;

Investigar o tratamento da temática dos agrotóxicos nas diretrizes curriculares e documentos oficiais da Educação Básica;

Propor estratégias interdisciplinares e pedagógicas que promovam práticas sustentáveis e consumo consciente no ambiente escolar;

Refletir sobre o papel da escola na implementação de projetos ambientais voltados à redução do uso de substâncias tóxicas na agricultura.

MATERIAL E MÉTODOS

Com o objetivo de aprofundar o entendimento sobre o uso de agrotóxicos, adotou-se uma abordagem quali-descritiva, analisando percepções de alunos do ensino fundamental quanto aos impactos ambientais e à saúde. Essa metodologia permite interpretar fenômenos naturais em diferentes contextos (Castro; Rezende, 2023) e descrever características sociais sem interferência do pesquisador (Gil, 2019). A pesquisa foi realizada na Escola Municipal Liddy Mignone, em Paty do Alferes, região agrícola da serra fluminense, e no Colégio Estadual Vinícius de Moraes, em Duque de Caxias, na região metropolitana do Rio de Janeiro.

O público-alvo da pesquisa foi composto por 58 alunos do ensino fundamental (8º e 9 ° anos), que receberam um formulário com perguntas fechadas e de múltipla escolha, elaboradas com base em estudos prévios focando a educação ambiental e a utilização de agrotóxicos. Os dados coletados foram analisados por meio da análise de conteúdo, permitindo a categorização e interpretação dos documentos de forma crítica e contextualizada, além de fornecer base para futuras ações governamentais e estratégias pedagógicas em prol de um manejo consciente (Ferreira; Lopes, 2023; Moura; Costa, 2022). 

RESULTADOS E DISCUSSÃO 

As atividades tiveram início com a avaliação dos conhecimentos a partir da aplicação do questionário. Dessa forma, quando os alunos foram questionados se sabiam o que era agrotóxico, (97 %) estudantes do município de Paty do alferes responderam corretamente e (90 %) do município de Duque de Caxias região metropolitana do Rio de Janeiro, também responderam adequadamente à pergunta, informando que agrotóxicos são produtos para eliminar as pragas nas culturas. Com relação à utilização dos agrotóxicos pelos agricultores, (98%) de todos os alunos pesquisados sabiam que a substância era utilizada para proteção das plantas contra os insetos e as doenças.  E ainda, sobre os possíveis problemas causados pelo uso de agrotóxicos na produção dos alimentos, (94 % e 97 %) respectivamente sabiam dos riscos da utilização desses produtos e que seu excesso pode prejudicar as plantas, os animais e a saúde humana (Figura 1).

Figura 1 – Conhecimento dos alunos sobre a utilização de agrotóxicos e os problemas causados pela sua utilização

Fonte: Elaborado pelo autor, (2025).

Embora os alunos apresentem uma boa percepção sobre o assunto, esses dados divergem em partes das pesquisas de Rezende; Almeida, (2023), uma vez que alunos de zonas rurais deveriam ter maior conhecimento empírico sobre o uso de agrotóxicos, porém os alunos da outra região analisada apresentaram um conhecimento bem próximo ou até mais esclarecido do que os alunos na zona rural, isso evidencia uma boa abordagem ambiental dos alunos da região metropolitana. 

A vivência em áreas de produção agrícola pode proporcionar maior familiaridade com práticas agrícolas, embora nem sempre com uma compreensão dos riscos envolvidos. Além disso, o conhecimento de comunidades rurais sobre agrotóxicos muitas vezes não é acompanhado de informações técnicas e científicas sobre os danos à saúde e ao meio ambiente (Silva et al. (2022). Segundo dados da Fiocruz (2023), os riscos de exposição a agrotóxicos são maiores em áreas rurais, mas a compreensão crítica sobre esses riscos é paradoxalmente menor, devido à naturalização dos processos de produção. Esse fato demonstra como o conhecimento não é apenas uma questão de vivência prática, mas também de formação política, pedagógica e também social (Fernandes; Barreto, 2024).

Dos 29 alunos de Paty do Alferes, apenas 17% relataram que os efeitos dos agrotóxicos são abordados superficialmente na escola. Já na região metropolitana, todos afirmaram que o tema não é discutido. Sobre o destino das embalagens vazias, 90% e 87%, respectivamente, sabiam da necessidade de descarte por empresa especializada. Quanto à redução do uso de agrotóxicos, 90% dos alunos do interior e 100% da região metropolitana sugeriram o plantio caseiro ou consumo de alimentos orgânicos (Figura 2).

Figura 2 – Conhecimento dos alunos sobre os efeitos e a utilização de agrotóxicos em produções agrícolas, descarte de embalagens e redução do uso de agrotóxicos

Fonte: Elaborado pelo autor, (2025).

Os resultados revelam que os efeitos dos agrotóxicos são pouco discutidos nas escolas, gerando preocupação entre os alunos quanto à qualidade dos alimentos. Estudos (Pereira et al., 2022; Lima et al., 2023) apontam que a formação escolar ainda aborda superficialmente o tema. Isso reforça a necessidade de práticas pedagógicas que integrem os impactos dos agrotóxicos à saúde e ao meio ambiente, bem como políticas públicas que fortaleçam a educação ambiental (Martins; Almeida, 2021; Ferreira; Lopes, 2023).

Apesar da pouca abordagem sobre o assunto em sala de aulas, foi possível verificar que à grande maioria dos alunos pesquisados, apresentaram um bom conhecimento sobre o descarte correto das embalagens e também sobre o consumo consciente. Os discentes da região metropolitana, mesmo não estando diretamente em contato com as práticas agrícolas, tendem a associar os riscos do uso de agrotóxicos, demonstrando maior familiaridade com conceitos como alimentação orgânica e hábitos alimentares saudáveis, conforme verificado por Ribeiro et al. (2024). Esse saber não é frequentemente validado ou aprofundado no ambiente escolar, isso evidencia a importância de articular os saberes locais e as práticas pedagógicas, como propõem os princípios da sustentabilidade e da educação ambiental. Jacobi, (2022) destaca a necessidade de mais projetos nas escolas que conscientizem e informem sobre a temática em que as instituições estão inseridas, pois ela ocupa uma posição estratégica na formação de sujeitos críticos, conscientes e atuantes na preservação do meio ambiente e no enfrentamento dos desafios socioambientais contemporâneos. Oliveira et al. (2023), também justifica a importância das escolas na formação da consciência ambiental e ainda na formação de sujeitos críticos com capacidade de entender os processos e relações existentes entre a sociedade e o Meio Ambiente. 

EIXO II – EDUCAÇÃO AMBIENTAL E PRÁTICAS SUSTENTÁVEIS

No segundo eixo, abordaram-se questões sobre Educação Ambiental e práticas sustentáveis. Em Paty do Alferes, 83% dos alunos souberam definir corretamente o conceito, enquanto todos os alunos da escola da região metropolitana também responderam adequadamente. Contudo, apenas 34% dos estudantes de Paty relataram ações ambientais na escola, citando projetos com a empresa Iguá Rio Saneamento. Na outra escola, 48% apontaram iniciativas como reciclagem e preservação ambiental. Sobre o incentivo dos professores, 68% dos alunos de Paty e 51% da região metropolitana afirmaram que há estímulo, destacando ações como separação de resíduos e campanhas de reciclagem (Figura 3).

Figura 3 – Conhecimento dos alunos sobre a Educação Ambiental, ações voltadas à preservação e incentivo à práticas sustentáveis. 

Fonte: Elaborado pelo autor, (2025).

Os dados revelam que, embora professores da zona rural demonstrem maior envolvimento com práticas de educação ambiental, os alunos da região metropolitana apresentam conhecimentos mais consolidados sobre sustentabilidade e preservação ambiental. Isso se deve, em parte, ao acesso a projetos interdisciplinares e parcerias institucionais (Gomes et al., 2023; Nascimento; Pacheco, 2022). Já na zona rural, há menor reflexão crítica sobre impactos ambientais (Santos; Oliveira, 2024). A formação docente é um fator-chave, sendo mais qualificada em áreas urbanas (Ferreira et al., 2022). Quanto aos conceitos de sustentabilidade e agricultura orgânica, a maioria dos alunos demonstrou compreensão adequada (Figura 4).

Figura 4 – Conhecimento dos alunos sobre a sustentabilidade e a agricultura orgânica

Fonte: Elaborado pelo autor, (2025).

Os alunos da zona rural de Paty do Alferes são mais próximos da produção agrícola, mas demonstram menor consciência sobre sustentabilidade em comparação aos da região metropolitana (Figura 4). Segundo Silva e Rocha (2024), estudantes rurais convivem com a agricultura como fonte de renda familiar. Já os alunos urbanos, embora distantes da prática agrícola, têm maior acesso à informação ambiental. A urbanização favorece o contato com temas sustentáveis por meio da mídia, campanhas e projetos escolares (Pereira; Andrade, 2022; Costa et al., 2023). Portanto, a inserção da agricultura orgânica como eixo de práticas educativas sustentáveis constitui não apenas uma estratégia pedagógica, mas também um posicionamento político e ético em defesa da vida, da saúde e da natureza. Seu fortalecimento nas escolas públicas, sejam elas em ambientes rurais ou urbanos, podem contribuir para formar cidadãos críticos e engajados na construção de sociedades mais justas e sustentáveis.

A partir de então, foi perguntado aos alunos do ensino fundamental de Paty do Alferes sobre quais práticas agrícolas sustentáveis devem ser promovidas pela sua escola, (44 %) dos alunos optaram pela utilização de técnicas que economizem água, (31 %) acham interessante à produção de hortas orgânicas nas escolas, (13 %) optaram por projetos de produção de compostagem e apenas (10 %) gostam de projetos de plantio de árvores na escola. Já na escola da região metropolitana (51 %) dos alunos optaram pela produção de hortas orgânicas, (24 %) escolheram projetos voltados para a produção de compostagem, também (24 %) do alunado preferem participar de projetos que envolvam técnicas que economizem água e nenhum dos alunos da região metropolitana optaram por projetos de plantio de árvores na escola (Figura 5).

Figura 5 – Avaliação dos alunos entrevistados sobre quais práticas agrícolas sustentáveis devem ser promovidas pela escola. 

Fonte: Elaborado pelo autor, (2025).

Essa análise comparativa entre os alunos da zona rural e da região metropolitana revelou diferenças significativas nas preferências por projetos sustentáveis nas escolas. Foi possível verificar que os alunos da zona rural preferem projetos que economizem água, seguido pela produção de hortas nas escolas (Figura 5).  Essa percepção foi verificada também por Souza et al., (2023) onde destacou que para os estudantes da zona rural, a economia de água é uma preocupação concreta, pois esses alunos costumam lidar diretamente com a escassez ou gestão limitada de recursos hídricos, o que justifica a priorização desse tema em projetos escolares. Em contraponto, os alunos da outra escola na região metropolitana preferem projetos voltados para criação de hortas nas escolas, até porque isso é uma prática distante da sua realidade, o que corrobora com estudos feitos por Silva et al. (2021), onde relataram que à falta de contato com práticas agrícolas, desperta neles uma curiosidade e um desejo de vivenciar a produção de alimentos de forma mais próxima. Alunos de zonas urbanas demonstram abertura para práticas educativas que envolvam a produção de alimentos, o que está associado também a temas como segurança alimentar e hábitos saudáveis (Pereira; Costa, 2022).

Carvalho et al. (2023) destacam que alunos de áreas rurais desenvolvem uma consciência ambiental mais prática por estarem próximos da natureza e dos desafios do uso sustentável dos recursos. Essa diferença reflete realidades socioculturais distintas: no campo, há vivência direta com a produção e manejo ambiental; nas cidades, o distanciamento reforça o papel da escola como elo com o meio ambiente (Santos; Rocha, 2022). Projetos alinhados à realidade dos alunos promovem maior engajamento e consciência crítica, inclusive entre aqueles sem contato direto com a natureza (Oliveira et al., 2022; Ramos; Tavares, 2024).

E por fim, ao serem sondados sobre a importância de economizarem água e o porquê dessa atitude, (80 % e 94%) consideraram que se deve economizar o recurso, pois o recurso poderá se esgotar. Com relação ao que vem a ser reciclagem, (87% e 97 %) dos educandos respectivamente sabem que a técnica permite o reaproveitamento de materiais já utilizados para fazer novos produtos. E por fim, (99 %) de todos os alunos pesquisados consideraram importante para a proteção do planeta, a prática de hábitos saudáveis se quisermos garantir um planeta mais duradouro e saudável (Figura 6).

Figura 6 – Avaliação dos alunos entrevistados sobre práticas sustentáveis 

Fonte: Elaborado pelo autor, (2025).

Segundo Alves (2024), o entendimento da relação da sociedade com natureza é bastante complexo e pode ser refletido principalmente de maneira dominante com o uso e controle dos recursos naturais, isso em geral envolve várias áreas relacionadas tanto às questões ambientais como a aspectos sociais, culturais, políticos e econômicos. Os dados obtidos na pesquisa revelam uma percepção significativa por parte dos estudantes da zona rural (80%) e da região metropolitana (94%) quanto à necessidade de economizar água, motivados pelo receio de que este recurso ficará escasso (Figura 6). Essa constatação dialoga com a crescente preocupação ambiental observada entre as novas gerações e reforça a eficácia de ações de Educação Ambiental (EA) nas escolas. Segundo Tavares; Gomes (2023), o uso racional da água tem sido um dos principais focos da EA, especialmente em contextos escolares, onde os estudantes podem vivenciar práticas cotidianas de economia, como o fechamento da torneira ao escovar os dentes ou o reaproveitamento da água da chuva para regar plantas. Esses dados também evidenciam um panorama promissor em termos de conscientização ambiental, visto que a água é um recurso vital e finito, cujo uso irresponsável pode gerar severas consequências ecológicas e sociais.      

A escassez hídrica já afeta milhões de brasileiros, e a educação ambiental é essencial para formar cidadãos conscientes (Barros et al., 2022). Dados mostram que 87% e 97% dos estudantes demonstram alto conhecimento sobre reciclagem, compreendendo seu papel na redução de impactos e no reaproveitamento de materiais. Esse saber deve ser incentivado por meio de projetos escolares, como coleta seletiva e reutilização de materiais (Silva et al., 2021). Mesmo em contextos rurais e urbanos, os alunos demonstraram boa compreensão, evidenciando que, quando incentivada, a Educação Ambiental cumpre seu papel de democratização do conhecimento (Cunha; Lima, 2024).

Dos estudantes pesquisados, 99% demonstraram compreender a relação entre hábitos conscientes e preservação ambiental, evidenciando a eficácia da Educação Ambiental (EA) quando aplicada de forma crítica e contextualizada (Ferreira; Morais, 2022). A inserção da EA nas políticas públicas tem ampliado projetos interdisciplinares voltados à sustentabilidade (Reis; Carvalho, 2023). Essas iniciativas, com apoio pedagógico, fortalecem os vínculos entre escola e comunidade, promovendo o engajamento crítico dos alunos e a transformação social por meio da participação ativa. 

CONSIDERAÇÕES FINAIS 

Diante dos dados analisados e das reflexões teóricas desenvolvidas ao longo desta pesquisa, confirma-se que a EA é uma ferramenta indispensável para a formação de sujeitos críticos, conscientes e capazes de agir de forma responsável frente aos desafios socioambientais contemporâneos. A atuação da escola como agente educativo e transformador se mostra essencial na promoção de práticas sustentáveis, na mudança de hábitos e na construção de uma cultura de respeito à vida e ao planeta (Jacobi, 2022). 

Foram levantadas importantes informações a respeito do conhecimento e percepção dos alunos sobre a utilização de agrotóxicos e seus efeitos para o meio ambiente, além de reforçar a importância das práticas sustentáveis no dia a dia dos alunos. Foi possível verificar o quanto é relevante o trabalho de Educação Ambiental dentro das instituições de ensino, principalmente quando estas se localizam em áreas expostas aos efeitos de produtos químicos. Tais resultados confirmam o que defendem Oliveira; Costa (2023), ao afirmarem que a EA deve ser transversal, dialógica e conectada com a realidade dos alunos, promovendo o protagonismo juvenil e o engajamento comunitário. 

Apesar do reconhecimento da importância da Educação Ambiental pela Resolução CNE/CP nº 2/2012, temas como produção de alimentos e uso de agrotóxicos ainda são pouco abordados. A inserção nas práticas pedagógicas é limitada, marcada por lacunas informativas e desinteresse estudantil. Para que cumpra seu papel transformador, é preciso integrá-la efetivamente ao currículo, com formação docente contínua e apoio institucional (Silva et al., 2021).

Esta pesquisa reafirma que a Educação Ambiental, quando integrada de forma crítica ao projeto pedagógico, promove saberes e valores essenciais à construção de uma sociedade sustentável e participativa. A alta porcentagem de alunos conscientes sobre economia de água e reciclagem evidencia a incorporação de valores ambientais (Ferreira; Morais, 2022). Conclui-se que práticas bem conduzidas despertam a consciência ecológica desde cedo. É fundamental fortalecer essa abordagem no ensino fundamental, com ações interdisciplinares e materiais pedagógicos que incentivem o debate crítico sobre o modelo agrícola e seus impactos socioambientais.

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Acesso em: 2024-09-03.

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A educação ambiental e a utilização de agrotóxicos: Construindo o dia a dia dos alunos do ensino fundamental

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