Tendências da educação ambiental: Enfoque crítico para a sustentabilidade

TRENDS IN ENVIRONMENTAL EDUCATION: A CRITICAL APPROACH TO SUSTAINABILITY

TENDENCIAS DE LA EDUCACIÓN AMBIENTAL: ENFOQUE CRÍTICO PARA LA SOSTENIBILIDAD

Autor

URL do Artigo

https://iiscientific.com/artigos/B2E624

DOI

doi.org/10.63391/B2E624

Costa , Luiz Wagner Menezes da. Tendências da educação ambiental: Enfoque crítico para a sustentabilidade. International Integralize Scientific. v 5, n 50, Agosto/2025 ISSN/3085-654X

Resumo

Este artigo aborda a Educação Ambiental Crítica como abordagem fundamental para enfrentar os desafios socioambientais contemporâneos. Parte-se da análise das macrotendências da Educação Ambiental, destacando a vertente crítica por sua ênfase na reflexão política, na superação das desigualdades sociais e ambientais e na promoção de práticas educativas emancipatórias. A partir do contexto histórico-político brasileiro e das contribuições teóricas recentes, discute-se a importância de uma educação que vá além das mudanças comportamentais individuais, propondo a problematização dos modelos de produção e consumo e a construção de uma cidadania ambiental ativa. O estudo reforça que a Educação Ambiental Crítica contribui para a formação de sujeitos capazes de atuar na transformação social, articulando conhecimentos, valores e práticas que promovem a sustentabilidade ambiental e social.
Palavras-chave
educação ambiental crítica; sustentabilidade; educação.

Summary

This article discusses Critical Environmental Education as a fundamental approach to address contemporary socio-environmental challenges. It analyzes the major trends in Environmental Education, emphasizing the critical approach for its focus on political reflection, overcoming social and environmental inequalities, and promoting emancipatory educational practices. Based on the Brazilian historical-political context and recent theoretical contributions, it discusses the importance of education that goes beyond individual behavioral changes, proposing the problematization of production and consumption models and the construction of active environmental citizenship. The study reinforces that Critical Environmental Education contributes to the formation of individuals capable of acting towards social transformation by articulating knowledge, values, and practices that promote environmental and social sustainability.
Keywords
critical environmental education; sustainability; education.

Resumen

Este artículo aborda la Educación Ambiental Crítica como un enfoque fundamental para enfrentar los desafíos socioambientales contemporáneos. Se parte del análisis de las principales tendencias de la Educación Ambiental, destacando la vertiente crítica por su énfasis en la reflexión política, la superación de las desigualdades sociales y ambientales y la promoción de prácticas educativas emancipatorias. A partir del contexto histórico-político brasileño y las contribuciones teóricas recientes, se discute la importancia de una educación que vaya más allá de los cambios conductuales individuales, proponiendo la problematización de los modelos de producción y consumo y la construcción de una ciudadanía ambiental activa. El estudio refuerza que la Educación Ambiental Crítica contribuye a la formación de sujetos capaces de actuar en la transformación social, articulando conocimientos, valores y prácticas que promueven la sostenibilidad ambiental y social.
Palavras-clave
educación ambiental crítica; sostenibilidad; educación.

INTRODUÇÃO

A Educação Ambiental (EA) tem se consolidado como um campo fundamental para a compreensão e transformação das complexas relações entre sociedade e meio ambiente. Em um contexto marcado por profundas crises socioambientais decorrentes do modo de produção capitalista, torna-se imprescindível a adoção de perspectivas educativas que transcendam a simples transmissão de informações e propiciem a formação crítica e emancipatória dos indivíduos (Teixeira; Tozoni-Reis, 2017).

Nesse cenário, destaca-se a Educação Ambiental Crítica como um paradigma que busca articular dimensões políticas, sociais e econômicas, enfrentando as desigualdades e injustiças ambientais que afetam a sociedade contemporânea (Layrargues; Lima, 2018). 

Essa abordagem propõe um processo educativo reflexivo e político, que valoriza a construção de conhecimentos, atitudes e valores voltados para a transformação social e ambiental, e não apenas para mudanças comportamentais pontuais (Silva; Oliveira, 2023). A partir dessa perspectiva, a Educação Ambiental assume um papel estratégico na formação de sujeitos capazes de problematizar a realidade, questionando as estruturas de produção e consumo que sustentam os problemas ambientais atuais. 

Assim, o presente artigo tem como objetivo analisar os aspectos conceituais e as tendências políticas pedagógicas da Educação Ambiental Crítica, ressaltando sua relevância para o enfrentamento das crises socioambientais e para a construção de uma sociedade sustentável.

Para tanto, serão discutidas as principais macrotendências da Educação Ambiental, destacando-se a crítica como aquela que mais efetivamente contribui para a transformação social, à luz dos contextos históricos, políticos e epistemológicos que influenciam sua consolidação no Brasil e no mundo contemporâneo.

ASPECTOS E CONCEITOS DE EDUCAÇÃO AMBIENTAL

A Educação Ambiental (EA) tem se consolidado, nas últimas décadas, como um campo de prática e de reflexão essencial para a promoção de sociedades sustentáveis. Conforme apontam Carvalho e Machado (2021), a EA deve ser compreendida como um conjunto estruturado de ações pedagógicas e sociais voltadas à formação de sujeitos críticos e atuantes, capazes de analisar, compreender e intervir de forma consciente sobre as questões ambientais. 

Esses autores enfatizam que a EA não se restringe a conteúdos pontuais ou a ações isoladas, mas se configura como um processo permanente, dinâmico e transformador, cujo objetivo central é fomentar a mudança de atitudes e a adoção de práticas sustentáveis por parte de indivíduos e coletividades.

Nesse sentido, a dimensão educativa da EA não se limita ao ambiente escolar formal, mas também se estende a contextos não formais e informais, atingindo diferentes segmentos da sociedade. Trata-se, portanto, de um processo que busca ir além da transmissão de conhecimentos técnicos, promovendo a construção de valores, atitudes e competências que permitam enfrentar os desafios ambientais contemporâneos. 

Essa perspectiva se alinha ao entendimento de Santos (2022), para quem a Educação Ambiental é um instrumento estratégico para a reorganização das relações entre seres humanos e natureza, favorecendo a criação de novos paradigmas de desenvolvimento baseados na justiça social, na equidade e na preservação ambiental.

Ao longo de sua consolidação como campo de conhecimento e ação, diferentes organismos e eventos internacionais contribuíram para delinear os princípios e objetivos da Educação Ambiental. A UNESCO (2018) define a EA como um processo contínuo e permanente, no qual indivíduos e comunidades adquirem consciência crítica sobre o ambiente em que vivem, desenvolvendo conhecimentos, habilidades, valores e atitudes que os capacitam a agir de forma individual e coletiva na resolução de problemas ambientais e na prevenção de novos desafios. Essa definição reforça o caráter transformador e emancipatório da EA, compreendida como um processo que articula teoria e prática de maneira indissociável.

A Conferência de Estocolmo, realizada em 1972, marcou um ponto de inflexão na agenda internacional ao reconhecer a crise ambiental como um problema global que exigia respostas integradas e urgentes. Nesse encontro, a Educação Ambiental foi destacada como uma ferramenta indispensável para a formação de uma população consciente, informada e comprometida com a preservação ambiental, com competências técnicas, valores éticos e disposição para atuar de forma colaborativa na resolução de problemas ambientais (ONU, 2021).

Poucos anos depois, o Congresso de Belgrado, promovido pela UNESCO em 1975, ampliou essa perspectiva ao enfatizar a importância de uma educação voltada não apenas para o conhecimento, mas também para o desenvolvimento de atitudes e comportamentos que promovam a participação ativa dos cidadãos na solução das questões ambientais (UNESCO, 2018). Esse evento reforçou a necessidade de ações educativas integradas às políticas públicas e às iniciativas da sociedade civil, ressaltando que a EA não pode ser um esforço isolado, mas sim parte de um movimento global coordenado.

A Conferência de Tbilisi, realizada em 1977, aprofundou os princípios da EA, defendendo que ela deve integrar conteúdos e práticas orientados à resolução de problemas concretos do meio ambiente, adotando abordagens interdisciplinares e promovendo a participação ativa e responsável de todos os cidadãos (ONU, 2021). Nesse encontro, foram estabelecidas diretrizes que permanecem relevantes até hoje, como a necessidade de articulação entre conhecimento científico e saberes tradicionais, a promoção da consciência crítica e a ênfase na ação coletiva.

Por sua vez, a Conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento, realizada no Rio de Janeiro em 1992, resultou na Agenda 21, documento que consolidou a Educação Ambiental como um processo essencial para o desenvolvimento sustentável. Segundo a ONU (2015), a Agenda 21 reforçou a ideia de que a EA deve desenvolver uma população capaz de compreender a complexidade das questões ambientais, dotada de habilidades e motivações para atuar de forma proativa na resolução de problemas e na prevenção de impactos futuros. Essa visão amplia o escopo da EA, vinculando-a diretamente aos processos de planejamento e gestão ambiental em nível local, nacional e global.

Assim, compreende-se que a Educação Ambiental, em sua trajetória histórica e conceitual, transcende a mera transmissão de informações sobre ecossistemas ou preservação de recursos naturais. Ela se configura como um processo político-pedagógico que busca transformar valores, atitudes e práticas sociais, promovendo a participação cidadã e a corresponsabilidade pelo cuidado com o planeta. 

Ao integrar dimensões cognitivas, afetivas, éticas e práticas, a EA contribui para a formação de sujeitos capazes de intervir de forma consciente e responsável nas questões socioambientais, colaborando para a construção de sociedades mais equilibradas e resilientes. Portanto, ao considerar a Educação Ambiental sob a ótica das definições e diretrizes apresentadas por organismos internacionais e pela literatura acadêmica recente, percebe-se que ela deve ser entendida como um processo contínuo, crítico e transformador. 

Seu objetivo central é a formação de cidadãos comprometidos com a preservação do meio ambiente e com a promoção de uma sociedade justa, solidária e sustentável. Essa compreensão reforça a urgência de que a EA seja incorporada de maneira efetiva às políticas públicas, aos currículos escolares e às práticas comunitárias, de forma articulada e integrada, para enfrentar os desafios ambientais do presente e do futuro.

Por outro lado, conforme ressalta Souza (2020), é fundamental compreender que a Educação Ambiental (EA) é, antes de tudo, um processo educativo. Dessa forma, assim como a educação em geral apresenta múltiplos aspectos e abordagens, a EA também manifesta diversas vertentes, diferenciando-se principalmente pelos variados meios e contextos em que se desenvolve. 

Nesse sentido, Silva e Oliveira (2023) destacam que o campo social da Educação Ambiental é constituído por um conjunto heterogêneo de atores que, embora compartilhem um núcleo comum de princípios, divergem em suas concepções acerca da problemática ambiental, bem como nas propostas políticas, pedagógicas e epistemológicas apresentadas.

De acordo com Pereira e Costa (2019), diversos estudiosos reconhecem que a EA possibilita a melhoria da qualidade de vida por meio de ações educativas que promovem mudanças nas relações entre os seres humanos e o meio socioambiental em que estão inseridos. Assim, refletir sobre a Educação Ambiental implica considerá-la dentro de um horizonte educativo mais amplo, que ultrapassa a mera transmissão de informações. 

Nesse contexto, Silva e Oliveira (2023) identificam três macrotendências predominantes nos modelos político-pedagógicos da Educação Ambiental no Brasil: a conservacionista, a pragmática e a crítica. A macrotendência conservacionista manifesta-se por meio de correntes voltadas para a conservação ambiental, comportamentalismo, alfabetização ecológica, termo que deriva da proposta pedagógica desenvolvida por Capra (1999), a qual enfatiza o desenvolvimento de princípios ecológicos e sua transposição para uma ética social aplicável, além de atividades que valorizam o autoconhecimento e a percepção sensorial em contato direto com a natureza. 

Essa vertente destaca a importância da dimensão afetiva nas relações com o meio natural e busca mudanças comportamentais individuais orientadas pela valorização dos princípios ecológicos e pela relativização do antropocentrismo (Cardoso-Costa; Lima, 2018). Conforme apontam Silva e Oliveira (2023, p. 58), a tendência conservacionista:

É uma vertente historicamente consolidada entre seus defensores, atualizada sob discursos vinculados à ‘agenda verde’, tais como biodiversidade, unidades de conservação, biomas específicos, ecoturismo e práticas agroecológicas. Apesar de sua relevância, esta não representa a tendência hegemônica no campo da EA na atualidade, possuindo potencial limitado para se articular às forças que buscam a transformação social, uma vez que está dissociada das dinâmicas políticas e sociais e seus respectivos conflitos.

Por essa razão, embora produza mudanças culturais significativas, essa tendência é considerada conservadora, pois não questiona a estrutura socioeconômica vigente, limitando-se a pleitear reformas setoriais. Para que essas transformações culturais se concretizem, seria necessário incluir reflexões e mudanças nos âmbitos político e econômico, algo que essa corrente não contempla de forma efetiva.

MACROTENDÊNCIA PRAGMÁTICA E CRÍTICA NA EDUCAÇÃO AMBIENTAL

Já a macrotendência pragmática engloba sobretudo as correntes relacionadas à Educação para o Desenvolvimento Sustentável e ao Consumo Sustentável. Trata-se de uma expressão do ambientalismo orientado para resultados práticos e imediatos, alinhado ao pragmatismo e às lógicas do mercado ambientalista surgidas a partir da hegemonia neoliberal global consolidada desde a década de 1980, processo que, no Brasil, ganhou força no contexto do governo Collor de Mello nos anos 1990 (Silva; Oliveira, 2023).

Segundo Souza (2015), essa vertente pragmática está profundamente vinculada ao modelo de produção e consumo predominante no pós-guerra e poderia assumir um caráter crítico ao articular as dimensões sociais, culturais, econômicas, políticas e ambientais na reflexão sobre os impactos e resíduos gerados pelo atual padrão produtivo. No entanto, tal potencial foi desviado para uma abordagem predominantemente pragmática e adaptativa. 

A macrotendência pragmática, no âmbito da Educação Ambiental, busca adequar-se ao contexto neoliberal de redução da intervenção estatal, o que impacta diretamente o conjunto das políticas públicas, incluindo aquelas voltadas para a proteção ambiental. 

Layrargues (2015) destaca que o pragmatismo ambiental apresenta duas características principais. A primeira é a carência de uma reflexão profunda que permita compreender o contexto mais amplo e a inter-relação entre as causas e consequências dos problemas ambientais. Essa limitação advém de uma confiança acrítica na neutralidade da ciência, o que gera uma visão superficial e despolitizada tanto da sociedade quanto do meio ambiente. 

A segunda característica é a busca constante por ações que entreguem resultados tangíveis rumo a um futuro sustentável, desde que estas permaneçam dentro dos limites do realismo político, da viabilidade econômica e da manutenção do status quo. No âmbito da Educação Ambiental, essa orientação corresponde à perspectiva da “atividade-fim”, que privilegia intervenções pragmáticas em detrimento de transformações estruturais.

Ao analisar as tendências conservacionista e pragmática, Layrargues e Lima (2018) evidenciam que ambas constituem momentos sucessivos de uma mesma linhagem de pensamento, adaptada às demandas econômicas e políticas vigentes. Assim, a macrotendência pragmática representa uma atualização neoliberal e modernizada da tendência conservacionista, ajustando-se ao novo contexto social, econômico e tecnológico, mas compartilhando com ela a omissão diante das questões de desigualdade e injustiça social.

Em contraposição, a macrotendência crítica, conforme definem Layrargues e Lima (2018), reúne correntes como a Educação Ambiental Popular, Emancipatória e Transformadora. Fundamenta-se em uma perspectiva crítica dos processos que perpetuam a dominação social e os mecanismos de acumulação de capital, visando o enfrentamento das desigualdades e das injustiças ambientais e sociais.

As abordagens críticas da Educação Ambiental posicionam-se contra as correntes hegemônicas e conservadoras ao incorporar as dimensões sociais, políticas e econômicas nos debates, problematizando as contradições inerentes aos modelos de desenvolvimento vigentes. No Brasil, a consolidação da Educação Ambiental crítica foi impulsionada por um contexto histórico marcado pela redemocratização após duas décadas de regime militar, pelo surgimento de novos movimentos sociais que expressavam conflitos e demandas ambientais, pelo ambiente favorável proporcionado pela Conferência do Rio de 1992, e pelo amadurecimento de uma consciência socioambiental articulada entre desenvolvimento, saberes disciplinares e lutas sociais (Layrargues; Lima, 2018).

Assim como no ambientalismo em geral, a macrotendência crítica da Educação Ambiental possui um viés eminentemente sociológico e político, incorporando temas como cidadania, democracia, participação, emancipação, conflito, justiça ambiental e transformação social. Essa perspectiva também favoreceu o surgimento e a consolidação da Ecologia Política como uma abordagem interpretativa dos fenômenos ambientais (Layrargues; Lima, 2018).

Além da dimensão política, a Educação Ambiental crítica reconhece a complexidade das questões sociais atuais, entendendo que problemas ambientais não podem ser reduzidos a soluções simplistas ou fragmentadas. Essa abordagem promove a ressignificação de dualismos estabelecidos pelo paradigma cartesiano, tais como indivíduo e sociedade, sujeito e conhecimento, saber e poder, natureza e cultura, ética e técnica. 

O pensamento ambiental crítico contemporâneo entende que reducionismos, inclusive sociológicos e políticos, empobrecem a análise, tornando imprescindível a inclusão das dimensões culturais, individuais e subjetivas, que emergem das contínuas transformações sociais. Assim, as dimensões políticas e sociais da educação e da vida humana são fundamentais, mas inseparáveis dos valores, crenças e subjetividades dos indivíduos (Santos; Melo, 2021).

As três macrotendências da Educação Ambiental são: conservacionista, pragmática e crítica; identificadas por Layrargues e Lima (2018) apresentam correspondência conceitual e epistemológica com aquelas classificadas por Tozoni-Reis (2014) como natural, racional e histórica, respectivamente. Diante dos desafios contemporâneos da modernidade, que demandam abertura ao diálogo, inclusão e inovação, a Educação Ambiental crítica torna-se cada vez mais necessária, especialmente porque a aprendizagem e a transformação social são processos indissociáveis no campo educacional.

Acredita-se que, entre as três grandes vertentes da Educação Ambiental, a abordagem crítica é a que melhor se alinha ao enfrentamento das múltiplas crises socioambientais desencadeadas pelo modo de produção capitalista vigente. Nesse sentido, conforme apontam Teixeira e Tozoni-Reis (2017, p. 05), “os princípios da educação ambiental crítica podem proporcionar condições efetivas para a superação da crise estrutural que afeta a sociedade contemporânea”.

Essa abordagem procura articular as dimensões políticas, as desigualdades sociais e as injustiças ambientais, buscando a superação das relações de dominação que marcam a sociedade moderna. Alinhados a essa visão, compreendemos, em consonância com Tozoni-Reis (2010, p. 179):

A Educação Ambiental Crítica (EAC) consiste em um processo político de apropriação crítica e reflexiva de conhecimentos, atitudes, valores e comportamentos, cujo objetivo é a construção de uma sociedade sustentável, tanto do ponto de vista ambiental quanto social — trata-se, portanto, de uma educação ambiental emancipatória e transformadora.

De acordo com Sorrentino, Mendonça e Junior (2015), a Educação Ambiental possibilita a construção de uma ação política fundamentada na cidadania, pois, ao educar para a responsabilidade social e ambiental, promove-se a formação de coletividades conscientes e comprometidas com o mundo em que vivem.

Diante disso, percebe-se que uma Educação Ambiental que responda efetivamente aos anseios sociais é aquela que ultrapassa a mera alteração de comportamentos individuais, como exemplifica Layrargues (2016). Segundo o autor, focar apenas em mudanças comportamentais, por exemplo, o simples ato de não jogar lixo nas ruas é insuficiente para enfrentar os problemas socioambientais em sua complexidade. Ao invés disso, tais questões devem ser abordadas como temas centrais que provocam a problematização da realidade, favorecendo a construção de um pensamento crítico capaz de conscientizar e engajar os indivíduos.

Retomando o exemplo da produção de resíduos, seria fundamental questionar os motivos sociais e econômicos que levam à geração excessiva de lixo, estimulando o debate sobre os modelos de produção e consumo vigentes. Esse enfoque promove uma educação política voltada para a intervenção social, capaz de fomentar transformações estruturais nas relações sociais.

Como enfatiza Freire (2018), a educação deve ser um instrumento de esperança e luta, que construa utopias possíveis por meio do engajamento crítico e coletivo de pessoas que acreditam e trabalham na construção de um mundo mais justo, equitativo e sustentável.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

A Educação Ambiental Crítica emerge como uma abordagem indispensável para a compreensão e enfrentamento dos complexos desafios socioambientais contemporâneos, especialmente aqueles originados pelo modelo capitalista de produção e consumo. Ao articular dimensões políticas, sociais e culturais, esta vertente propicia uma reflexão profunda sobre as desigualdades e injustiças ambientais, promovendo a formação de sujeitos críticos e comprometidos com a transformação social e ambiental.

O presente estudo evidenciou que, diferentemente das tendências conservacionista e pragmática, a Educação Ambiental Crítica não se limita a mudanças comportamentais superficiais, mas busca problematizar as estruturas econômicas e sociais que sustentam os problemas ambientais, integrando saberes e práticas que visam a emancipação e a construção de uma sociedade sustentável e mais justa.

Assim, reforça-se a necessidade de fortalecer esta perspectiva no âmbito educacional, valorizando processos educativos que promovam a cidadania ambiental ativa, o engajamento político e a transformação das relações sociais. Dessa forma, a Educação Ambiental Crítica se apresenta como um instrumento estratégico para a construção de futuros sustentáveis, pautados na justiça social e na responsabilidade ambiental.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

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Costa , Luiz Wagner Menezes da. Tendências da educação ambiental: Enfoque crítico para a sustentabilidade.International Integralize Scientific. v 5, n 50, Agosto/2025 ISSN/3085-654X

Referencias

Vivian Caroline Coraucci.
BAILEY, C. J.; LEE, J. H.
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Clinical infectious diseases.
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2021.
Disponível em: https://academic.oup.com/cid/article/67/7/1208/6141108.
Acesso em: 2024-09-03.

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Tendências da educação ambiental: Enfoque crítico para a sustentabilidade

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