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Resumo
INTRODUÇÃO
Como objetivo geral, busca-se refletir sobre a importância do ensino interdisciplinar para as práticas educativas da Educação Infantil e dos anos iniciais do Ensino Fundamental, considerando-o como um recurso essencial no desenvolvimento das múltiplas aprendizagens da criança. Essas considerações levam a compreender que uma pesquisa sobre esse tema mostra-se adequada e oportuna, pois possibilita um aprofundamento nos conhecimentos científicos de maneira integrada, partindo de um tema específico de uma disciplina e estabelecendo conexões e interações com outros campos do saber em um mesmo processo de ensino. Tal perspectiva amplia as possibilidades de trabalho conjunto entre diferentes áreas do conhecimento.
O contato com as diferentes expressões educativas que a interdisciplinaridade engloba contribui para que professores e alunos se integrem de forma ativa em outros conteúdos e entre si, sendo fundamental para a formação discente em relação a um contexto específico. Esse processo varia de acordo com o grupo social ao qual cada indivíduo pertence, as informações às quais tem acesso e as atitudes de interação desenvolvidas diante desses acontecimentos. Dessa forma, como a escola é a principal organização de ensino, tanto o educador quanto o educando constituem os principais atores desse processo.
É neste ponto que se justifica este trabalho, para essa integralização se tornar em uma aprendizagem significativa na escola, a construção do currículo interdisciplinar é um método muito importante, já que o trabalho escolar é uma organização de conhecimentos sociais, fundamentados nos saberes culturais, ou seja, a atividade educativa baseada em propostas interdisciplinares para o ensino e aprendizagem infantil, é um trabalho dinâmico que deve envolver toda comunidade escolar. E mesmo permeados de desafios, o processo de ensino aprendizagem visa a construção social do aluno e o trabalho com currículo interdisciplinar tende a ser um caminho a ser percorrido neste intuito.
Diante do exposto, é válido ressaltar que uma pesquisa sobre os processos e a eficácia do ensino interdisciplinar no sistema educacional possibilita uma construção efetiva de conhecimentos. Articular essa construção com o ensino infantil significa compreender que as práticas pedagógicas constituem, sobretudo, experiências de aprendizagem significativa. Ao desenvolver um trabalho interdisciplinar, o docente deve ter como objetivo o enriquecimento das atividades em sala de aula, possibilitando a estruturação do conhecimento de forma mais integrada e significativa para os estudantes. Em suma, observa-se que a interdisciplinaridade está presente em todas as ações didáticas; por esse motivo, valorizá-la como fator essencial no processo de ensino-aprendizagem significa priorizar a qualidade da Educação Infantil e das séries iniciais.
O ENSINO INTERDISCIPLINAR NA EDUCAÇÃO INFANTIL E SÉRIES INICIAIS
O trabalho interdisciplinar traz uma transformação no conjunto de ações pelas quais o indivíduo interage com a realidade e assim como na vida prática, também na escola é preciso saber trabalhar em equipe. O processo de aprendizagem é socializador, e deve ser visto como fruto de um trabalho com a disciplina ou disciplinaridade, porém de forma séria e comprometida. Segundo Lück, sendo, pois, a “disciplina ou disciplinaridade resultado do paradigma positivista que vem orientando a produção do conhecimento, para compreendê-la mais plenamente, é útil, portanto, compreender esse paradigma”. (Lück, 1994, p.41).
A atitude interdisciplinar é um instrumento efetivamente integrador da ação docente, que ofereça orientação segura e possa contribuir para a qualidade do ensino. É uma proposta que serve de base para a construção de um saber necessário às transformações sociais, se caracteriza como ponto de partida para colocar o aluno de forma gradativa à compreensão, em contato com a realidade.
Entende-se por atitude interdisciplinar uma postura diante de alternativas que possibilitam conhecer mais e melhor; uma atitude de espera diante dos atos consumados; uma atitude de reciprocidade que impulsiona à troca e ao diálogo – seja com pares idênticos, pares anônimos ou consigo mesmo; uma atitude de humildade diante das limitações do próprio saber; uma atitude de perplexidade diante da possibilidade de desvendar novos conhecimentos; uma atitude de desafio – frente ao novo e na redimensionamento do que já se conhece; uma atitude de envolvimento e comprometimento com os projetos e com as pessoas neles envolvidas; uma atitude de compromisso em construir sempre da melhor forma possível; uma atitude de responsabilidade e, sobretudo, de alegria, revelação, encontro e vida (Fazenda, 1994, p. 82).
As várias áreas convencionais do currículo não são independentes. É muito importante relacionar os assuntos entre elas, promovendo a interdisciplinaridade, que aponta para a necessidade de se considerar a complexidade da realidade para a melhoria do processo ensino aprendizagem. Vale ressaltar a importância das pesquisas que envolvem o trabalho com a interdisciplinaridade articulada ao currículo, uma vez que as atividades desenvolvidas nesse contexto são fundamentais para a compreensão e assimilação de conceitos. Nesse sentido, toma-se como referência Freire, ao afirmar:
Não há ensino sem pesquisa e pesquisa sem ensino. Esses quefazeres se encontram um no corpo do outro. Enquanto ensino continuo buscando, reprocurando. Ensino porque busco, porque indago e me indago. Pesquiso para constatar, constatando, intervenho, intervindo educo e me educo. Pesquiso para conhecer o que ainda não conheço e comunicar ou anunciar a novidade. (Freire, 1996, p.29).
É fundamental que o professor ao elaborar um trabalho interdisciplinar, defina bem as etapas e os objetivos, e tenha domínio desses objetivos, bem como proponha atividades que estejam em conformidade com as metas traçadas, prevendo reestruturação ao longo de sua execução. Desde o início, deve constar no projeto um produto final preestabelecido e compartilhado pelos alunos, assim como o material a ser utilizado já devidamente organizado e disponível para as crianças. Esse trabalho deve ser realizado de forma integrada e interdisciplinar.
Do nosso ponto de vista, é importante distinguir integração e interdisciplinaridade, e assegurar sua complementaridade. Como a interdisciplinaridade trata dos saberes escolares, a integração é, antes de tudo, ligada a todas as finalidades da aprendizagem. Ela deve estabelecer relações estreitas entre os conceitos de interdisciplinaridade e integração. (Lenoir, 1998, p.9).
A interdisciplinaridade deve ser sugerida em vários pontos do trabalho escolar, e é necessário relacionar os assuntos estudados com outros aspectos da realidade do aluno. Muitos desses aspectos não podem ser vistos como um ponto de mateira propriamente dito, muito pelo contrário, eles são abordados e estão inseridos em vários itens e ultrapassam de tal forma as discussões mais pontuais que, por isso mesmo, deve ser considerado o trabalha com os temas transversais.
Eles permeiam transversalmente os conteúdos de ensino e se concretizam em uma nova maneira de pensar e agir, resultando em uma educação para a cidadania, pois a interdisciplinaridade dá abertura, ao mesmo tempo, para trabalhar várias questões sociais introduzidas de forma integrada no ensino da Educação Infantil e das séries iniciais. Segundo os PCN, s:
A educação para a cidadania requer que questões sociais sejam apresentadas para a aprendizagem e a reflexão dos alunos, buscando um tratamento didático que contemple sua complexidade e sua dinâmica, dando-lhes a mesma importância das áreas convencionais. Com isso o currículo ganha em flexibilidade e abertura, uma vez que os temas podem ser priorizados e contextualizados de acordo com as diferentes realidades locais e regionais e que novos temas sempre podem ser incluídos. (Brasil, 1998, p.25).
Destaca-se, no entanto, a necessidade de manter a sintonia entre o tema e as características próprias da faixa etária, tomando o cuidado de não avançar para conteúdos para os quais os estudantes ainda não estejam preparados, considerando sempre o desenvolvimento intelectual e emocional do alunado. Os demais saberes sociais, informais, culturais, também ganham espaço e vez no trabalho interdisciplinar que lança mão dentro da Educação Infantil e nas séries iniciais de recursos como músicas, poemas, entrevistas, experimentos, jogos e imagens diversas, como veículos de construção de conhecimentos.
Quando a escola se abre em um novo olhar para Educação que ministra, a possibilidade de elaborar um Projeto Interdisciplinar começa a tomar forma, tornando-se mais concreta. A Interdisciplinaridade passa, então, a não ser mais vista como a negação da disciplina. Ao contrário, é justamente na disciplina que ela nasce. Muito mais que destruir as barreiras que existem entre uma e outra, a interdisciplinaridade propõe sua superação. Uma superação que se realiza por meio do diálogo entre as pessoas que tornam a disciplina um movimento de constante reflexão, criação – ação. Ação que depende, antes de tudo, da atitude das pessoas. É nelas que habita – ou – não uma ação, um Projeto Interdisciplinar. (José, 2010, p. 8)
Partindo do entendimento de que o currículo deve contemplar múltiplas oportunidades de aprendizagem, tanto na escola quanto na vida econômica, cultural e social, ele possibilita um trabalho multidisciplinar amplo e variado, promovendo interações entre as diversas áreas do conhecimento. Assim o trabalho com atividades interdisciplinares que inspiram a educação escolar e a formação de conceitos está fundamentado nas proposições: Quando se aprende de forma separada e estanque não há como fazer relações entre aquilo que se aprendeu teoricamente e o seu uso prático; Uma aprendizagem só é significativa e relevante quando ela tem valor para quem aprende. Vygotsky, “o único bom ensino é aquele que se adianta ao desenvolvimento”. (1987 – p. 31), e isso é possibilitado pelo trabalho interdisciplinar.
À semelhança do que ocorre do lado de fora da escola, às práticas pedagógicas incluirão as diversas alternativas de que o ser humano dispõe para a sua formação. Assim, a interdisciplinaridade funciona como uma mediação cultural.
[…]Trata-se, pois, de entender a educação como assimilação e reconstrução da cultura e a pedagogia como prática cultural, forma de trabalho cultural, que envolve uma prática intencional de produção e internalização de significados para a constituição da subjetividade. A pedagogia, justamente, opera, viabiliza essa mediação cultural por meio de várias instituições, agentes e modalidades, entre elas a educação escolar. Para isso, define objetivos, finalidades, formas de intervenção, pelo que dá uma direção de sentido, um rumo, ao processo educacional, tendo em vista a atuação dos educandos em uma sociedade concreta. (Libâneo, 2006, p. 867).
O ensino interdisciplinar, assim como o currículo, procura constituir um diálogo entre as várias disciplinas através de seus conteúdos, adequando uma coesão do saber qualificada pela ação-reflexão-ação constante, visando alcançar o desenvolvimento por meio da argumentação dos fatos e elementos analisados de maneira integradora, “[…] automaticamente há renúncia ao enfoque individualista e, portanto, fragmentado e superficial de tratamento ao conhecimento. Essa opção é feita tanto na seleção dos conteúdos, quanto no recorte e enfoque dado aos mesmos na prática escolar” (Paraná, 2008, p.11).
Para uma reorientação curricular integrador é necessário estar aberto a múltiplas possibilidades de aprender, a qualidade social e cultural da educação explicitada nas diretrizes e isto implica em ver a escola e o trabalho interdisciplinar como lugar de formação individual e coletiva.
Os conhecimentos não são mais apresentados como simples unidades isoladas de saberes. Uma vez que estes se inter-relacionam, contrastam, complementam, ampliam e influem uns nos outros. Disciplinas são meros recortes do conhecimento, organizados de forma didática e que apresentam aspectos comuns em termos de bases científicas, tecnológicas e instrumentais. (Brasil, 2002, p. 30).
O ensino interdisciplinar precisa está em conformidade à necessidade de superar a visão fragmentada das áreas do saber, na tentativa de se constituir articulação e coerência com os campos de conhecimento no processo de aprendizagem da Educação Infantil e séries iniciais conjecturando um eixo integrador, e identificando a importância do ensino interdisciplinar e sua contribuição social no contexto da sociedade, permitindo que o aluno se identifique como parte integrante e ativa do complexo social.
A interdisciplinaridade supõe um eixo integrador, que pode ser o objeto de conhecimento, um projeto de investigação, um plano de intervenção. Nesse sentido, ela deve partir da necessidade sentida pelas escolas, professores e alunos de explicar, compreender, intervir, mudar, prever, algo que desafia uma disciplina isolada e atrai a atenção de mais de um olhar, talvez vários (Brasil, 2002, p. 88-89).
Isso significa uma compreensão integrada dos fatos ou fenômenos estabelecidos entre os conceitos sociais e específicos, o que proporciona uma aproximação da realidade contextual do aluno. “O objeto da interdisciplinaridade é, portanto, o de promover a superação da visão restrita de mundo e a compreensão da complexidade da realidade…” (Lück, 1994, p.60). A interdisciplinaridade precisa ser vista dentro da ótica dos objetivos a que se propõe e do contexto da atividade em que será empregada. E para coerência de conteúdos interdisciplinares e aquisição de novos conhecimentos, é sugerido o trabalho que objetiva propostas diferentes de atividades.
Cada disciplina precisa ser analisada não apenas no lugar que ocupa ou ocuparia na grade, mas nos saberes que contemplam, nos conceitos enunciados e no movimento que esses saberes engendram, próprios de seu lócus de cientificidade. Essa cientificidade, então originada das disciplinas, ganha status de interdisciplina no momento em que obriga o professor a rever suas práticas e a redescobrir seus talentos, no momento em que ao movimento da disciplina seu próprio movimento for incorporado. O conceito de interdisciplinaridade […] encontra-se diretamente ligado ao conceito de disciplina, onde a interpenetração ocorre sem a destruição básica às ciências conferidas (Fazenda, 2008, p. 18-19).
A interdisciplinaridade busca estabelecer o diálogo entre as várias disciplinas, proporcionando uma unidade do saber caracterizada pela crítica permanente, com o objetivo de alcançar o desenvolvimento através da argumentação dos fatos e fenômenos observados. Como afirma Almeida “A interdisciplinaridade supõe como ponto de partida a união e como meta uma possibilidade de projeto integrador das ciências” (Almeida, 1988, p.31).
Através das proposições sobre o sentido da interdisciplinaridade, cabe salientar que se trata de uma visão global e de conjunto de uma realidade, mediante permanente associação das diferentes atividades das disciplinas através das quais podem ser analisadas e aplicadas dentro da conjuntura de aproveitar a integração dos assuntos.
Na perspectiva escolar, a interdisciplinaridade não tem a pretensão de criar novas disciplinas ou saberes, mas de utilizar os conhecimentos de várias disciplinas para resolver um problema concreto ou compreender um fenômeno sob diferentes pontos de vista. Em suma, a interdisciplinaridade tem uma função instrumental. Trata-se de recorrer a um saber útil e utilizável para responder às questões e aos problemas sociais contemporâneos (Brasil, 2002, p. 34-36).
A proposta de currículo e trabalho com a interdisciplinaridade precisa ser consequência de um trabalho sério e consciente, coerente, reflexivo, realizado por todos envolvidos no processo educacional. Trata-se de um trabalho que busca compreender e refletir sobre a ação da escola, que, em um contexto educacional, se encontra histórica e socialmente em constante mudança, enfrentando diversos desafios para alcançar seus objetivos de aprendizagem. Na perspectiva histórica deve se conhecer as requisições de transformações da sociedade atual, e na perspectiva social as requisições de transformações da realidade social e política. Dessa forma se evita o currículo fora do contexto, que não serve aos propósitos educacionais.
No currículo descontextualizado não importa se há saberes; se há dores e delícias; se há alegrias e belezas. A educação que continua sendo “enviada” por esta narrativa hegemônica, se esconde por traz de uma desculpa de universalidade dos conhecimentos que professa, e sequer pergunta a si própria sobre seus próprios enunciados, sobre seus próprios termos, sobre porque tais palavras e não outras, porque tais conceitos e não outros, porque tais autores, tais obras e não outras. Esta narrativa não se pergunta sobre os próprios preconceitos que distribui como sendo seus “universais”. Desde aí o que se pretende é, portanto, colocar em questão estes universais. O que está por traz da ideia de “Educação para a convivência com o Semiárido” é, antes de qualquer coisa a defesa de uma contextualização da educação, do ensino, das metodologias, dos processos. (Martins, 2004, p.31-32).
A interdisciplinaridade deve ser coerente com a proposta pedagógica da escola. Deve propor ao aluno atividades que permitem a construção permanente do conhecimento a partir de sua própria experiência no processo de interação com os outros e com o meio, e tem uma função de articular o trabalho educativo com a aprendizagem social que ocasiona muitas adições a este processo, além de uma forma espontânea e agradável de adquirir e compreender conceitos científicos, é uma expressão da imaginação, do livre criar, do experenciar, do jogar, do construir experimentos, e de testar habilidades.
Tendo isso como base, Gonçalves afirma que os caminhos da interdisciplinaridade devem ser trilhados pela equipe docente da escola: “O ponto de partida é determinado pelos problemas escolares compartilhados pelos professores e, por sua vez, pela experiência pedagógica .O destino é determinado pelos objetivos educacionais, ou melhor, pelo projeto político pedagógico da escola”. (2007, p.9).
O ensino interdisciplinar, por sua natureza específica, tem objetivos determinados, preestabelecidos (situações comunicativas), com destino social, de acordo com a necessidade da turma, e preocupação com a prática educativa, assim a interdisciplinaridade enriquece o currículo, que Rule (1973) define “como experiências humanas organizadas para a prática educativa”. Outro fator relevante é a política curricular que “Seleciona, ordena e muda o currículo” e Sacristan (2000, p.109), deixa a ponderação a respeito o quê e quem estabelece empenhos pela conjunção educacional que regulam o princípio curricular.
Este é um aspecto específico da política educativa que estabelece a forma de selecionar, ordenar e mudar o currículo dentro do sistema educativo, tornado claro o poder e a autonomia que diferentes agentes têm sobre ele, intervindo, dessa forma, na distribuição do conhecimento dentro do sistema escolar e iniciando na prática educativa, enquanto apresenta o currículo seus consumidores, ordenam seus conteúdos e códigos de diferentes tipos. (Sacristan , 2000; p 109).
É indiscutível a necessidade de repensar, elaborar e reelaborar situações pedagógicas, pensando em uma organização curricular e condições favoráveis ao estímulo da inteligência humana. É importante buscar métodos produtivos, que abrangem a diversidade encontrada no sistema educativo e as possibilidades de incoerência, como suscitação do conhecimento, e as dificuldades, os desafios, pesquisados para uma intervenção positiva. A interdisciplinaridade busca estabelecer o sentido da unidade entre as disciplinas e consiste em uma visão de conjunto, que possibilita a superação da fragmentação do saber, assim como a troca dos vários conhecimentos específicos de cada área.
Tal organização curricular enseja a interdisciplinaridade, evitando-se a segmentação, uma vez que o indivíduo atua integradamente no desempenho profissional. Assim, somente se justifica o desenvolvimento de um dado conteúdo quando este contribui diretamente para o desenvolvimento de uma competência profissional. Os conhecimentos não são mais apresentados como simples unidades isoladas de saberes, uma vez que estes se inter-relacionam, contrastam, complementam, ampliam e influem uns nos outros. Disciplinas são meros recortes do conhecimento, organizados de forma didática e que apresentam aspectos comuns em termos de bases científicas, tecnológicas e instrumentais. (Brasil, 2002, p. 30).
Do ponto de vista interdisciplinar, o desenvolvimento de habilidades do pensamento, pelo ensino aprendizagem, concorre para a compreensão e domínio integrativo dos conteúdos de outras áreas curriculares, levando à produção de novos conhecimentos e possibilitando a resolução de problemas. Por meios de conceitos básicos do ensino interdisciplinar, o aluno compreenderá o processo dinâmico e contínuo de aprendizagem que resultam em relações que os saberes estabelecem entre si. A escola deve se comprometer com o momento histórico no qual se encontra, ela não é um corpo a parte do sistema, precisa ir mais além do que transmitir conteúdos específicos, deve ser antes de tudo agente transformador da sociedade, buscando para que esta se torne ativa, dinâmica, preparadora e atual. Ao compreender esse dinamismo, o aluno se insere em seu processo de ensino, desenvolve uma aprendizagem significativa.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
Este trabalho foi delimitado a necessidade de refletir sobre a interdisciplinaridade na Educação Infantil e Ensino Fundamental, como um recurso muito rico em possibilidades de construção de conhecimentos baseado em um currículo que atende as características de flexibilidade, adequação a contextos socioculturais, satisfação de necessidades de aprendizagens, respeito e diversidades, dimensão integradora, enriquecimento cultural, atividades práticas e propostas alternativas, e todas são apontadas como práticas significativas.
É evidente que escolas reestruturam sua função social, seu saber e o seu papel no processo de ensino, envolvendo muitas abordagens a Educação, e a construção do currículo escolar valorizando a interdisciplinaridade é um trabalho dinâmico que deve envolver alunos e toda comunidade escolar na organização de conhecimentos.
Ao desenvolver um trabalho que valoriza a interdisciplinaridade, deve ter o objetivo de enriquecer o trabalho em sala de aula, possibilitando a construção do conhecimento de forma mais integrada e significativa para as crianças. Na parte específica de cada disciplina o professor pode se orientar e construir projetos, assim como a explicitação de seus objetivos gerais e específicos. Vale ressaltar que todo trabalho interdisciplinar desenvolvido no âmbito escolar necessita de um planejamento que englobe todas as fases para viabilizar a sua execução.
Dessa forma a interdisciplinaridade não é somente para ser usada como cronograma de conteúdos, situações didáticas ou técnicas de ensino, mas sim como referencial para o trabalho docente e discente como análise, reflexão e questionamentos sobre a redefinição dos objetivos que se pretende alcançar para uma real e gradativa apropriação dos conhecimentos, através de um estudo vivo e dinâmico, advindo das aspirações de uma escola que deseja realizar uma educação efetiva de fato, partindo de uma proposta curricular aberta, progressista e integrada, por isso, predisposta a reelaborações. Assim como a proposta pedagógica cada escola deve elaborar o seu currículo interdisciplinar integrando o educando ao seu processo educativo, como ser humano, ser tecnológico, ser individual, ser social, alternando e fundamentando as formas e métodos de ensino aprendizagem.
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