Contribuições da terapia ocupacional no atendimento terapêutico de crianças com TEA

CONTRIBUTIONS OF OCCUPATIONAL THERAPY IN THE THERAPEUTIC CARE OF CHILDREN WITH ASD

CONTRIBUCIONES DE LA TERAPIA OCUPACIONAL EN LA ATENCIÓN TERAPÉUTICA DE NIÑOS CON TEA

Autor

URL do Artigo

https://iiscientific.com/artigos/DE9A61

DOI

doi.org/10.63391/DE9A61

Cruz, Vilma da . Contribuições da terapia ocupacional no atendimento terapêutico de crianças com TEA. International Integralize Scientific. v 5, n 50, Agosto/2025 ISSN/3085-654X

Resumo

Este artigo analisa as contribuições da Terapia Ocupacional no atendimento a crianças com Transtorno do Espectro Autista (TEA), enfocando estratégias que favorecem autonomia, autorregulação e participação social. Com base em revisão bibliográfica qualitativa, discutem-se os fundamentos teóricos aplicados à prática, ressaltando a atuação do terapeuta ocupacional na promoção da funcionalidade e qualidade de vida. O estudo destaca a importância de práticas individualizadas e do uso de recursos adaptativos que ampliem a participação da criança em diferentes contextos. Além disso, aborda os desafios e possibilidades da prática interdisciplinar, enfatizando a necessidade de intervenções colaborativas e centradas na singularidade de cada sujeito.
Palavras-chave
terapia ocupacional; transtorno do espectro autista; atendimento terapêutico; intervenção; inclusão.

Summary

This article analyzes the contributions of Occupational Therapy in the care of children with Autism Spectrum Disorder (ASD), focusing on strategies that foster autonomy, self-regulation, and social participation. Based on a qualitative bibliographic review, it discusses the theoretical foundations applied to practice, emphasizing the occupational therapist’s role in promoting functionality and quality of life. The study highlights the importance of individualized practices and adaptive resources that enhance children’s participation across contexts. Furthermore, it addresses the challenges and opportunities of interdisciplinary practice, emphasizing the need for collaborative and person-centered interventions that respect each child’s uniqueness and developmental potential.
Keywords
occupational therapy; autism spectrum disorder; therapeutic care; intervention; inclusion.

Resumen

Este artículo analiza las contribuciones de la Terapia Ocupacional en la atención a niños con Trastorno del Espectro Autista (TEA), enfocándose en estrategias que favorecen la autonomía, la autorregulación y la participación social. Basado en una revisión bibliográfica cualitativa, se discuten los fundamentos teóricos aplicados a la práctica, resaltando el papel del terapeuta ocupacional en la promoción de la funcionalidad y la calidad de vida. El estudio subraya la importancia de prácticas individualizadas y recursos adaptativos que amplíen la participación en distintos contextos. Además, aborda desafíos y posibilidades de la práctica interdisciplinaria, enfatizando la necesidad de intervenciones colaborativas.
Palavras-clave
terapia ocupacional; trastorno del espectro autista; atención terapéutica; intervención; inclusión.

INTRODUÇÃO

O Transtorno do Espectro Autista (TEA) é uma condição do neurodesenvolvimento caracterizada por alterações na comunicação social, comportamentos repetitivos e dificuldades sensoriais. Diante dessas especificidades, o atendimento terapêutico deve ser pensado de forma integrada e individualizada. 

É um distúrbio de desenvolvimento humano, resultado de uma perturbação de determinadas áreas do sistema nervoso central, que afetam a linguagem, o desenvolvimento cognitivo, intelectual e a capacidade de estabelecer relações com outras pessoas.” (Oliveira, 2020, p.03).

A compreensão sobre o TEA tem avançado consideravelmente nas últimas décadas, especialmente no que se refere às intervenções terapêuticas voltadas ao desenvolvimento e à inclusão social de crianças diagnosticadas. Dentre as práticas mais relevantes nesse campo, destaca-se a Terapia Ocupacional (TO), cuja abordagem amplia as possibilidades de atuação ao considerar o sujeito em sua totalidade — seus contextos, capacidades e desafios. 

Nesse cenário, tanto a TO, como o atendimento terapêutico têm se consolidado como áreas fundamentais no acompanhamento clínico de crianças com TEA, por meio de intervenções mais humanizadas, centradas na funcionalidade e no cotidiano. O artigo em questão foi desenvolvido com foco no atendimento terapêutico de pessoas com TEA especialmente aquelas em situação de vulnerabilidade social, cujas condições de dependência comprometem a realização de atividades básicas e significativas da vida diária. 

Tais limitações envolvem não apenas os cuidados pessoais, mas também o acesso à escolarização formal, a inserção em práticas de lazer e, em muitos casos, a possibilidade de participação no mundo do trabalho. A partir dessa realidade, adotou-se como principal estratégia a reorganização do setting terapêutico — conceito fundamental na TO que se refere ao ambiente e ao modo de intervenção voltado ao sujeito e suas necessidades.

Nesse sentido, o setting (espaço terapêutico) deixa de ser apenas um espaço físico fixo e passa a representar um recurso dinâmico, adaptável à singularidade de cada indivíduo. A flexibilização do setting, portanto, torna-se essencial para garantir a experimentação de novas formas de interação com o mundo, possibilitando o desenvolvimento de habilidades sociais, cognitivas, sensoriais e funcionais. 

O Terapeuta Ocupacional atua em contextos diversos, com flexibilidade e adaptabilidade, é amplamente reconhecida na literatura da área. Por exemplo, Furtado (1999) discute a identidade profissional do terapeuta ocupacional, enfatizando a complexidade e a transdisciplinaridade da prática, sendo este um profissional que apresenta um setting flexível, por perpassar por vários espaços, com tempos distintos e com muitos objetivos e riqueza de situações que oportunizam ao sujeito uma relação terapêutica diferente do tradicionalismo de outras disciplinas

Enfim, o ‘setting’ terapêutico deve ser flexível, que se movimente, se transforme e possa ganhar novas formas e contornos, com elasticidade e plasticidade, nas múltiplas ações constituintes da profissão, se adaptando às demandas, e às propostas de atendimento com formatação de acordo com prioridades clínicas e/ou sociais e necessidades que emergem no processo terapêutico

Tal característica permite que o terapeuta ocupacional atue de forma não convencional, superando barreiras estruturais e simbólicas que, muitas vezes, perpetuam a exclusão social. E assim a análise desse contexto revela que, para além da intervenção clínica tradicional, é fundamental considerar os aspectos socioemocionais e socioculturais que atravessam a vida das pessoas com TEA. Ao flexibilizar o setting, o terapeuta ocupacional reconhece a potência da ação situada, ou seja, a importância de intervir nos ambientes onde o sujeito realmente vive, circula e experimenta o mundo, dentro da abordagem do atendimento terapêutico

Essa abordagem contribui para ressignificar o lugar da pessoa autista na sociedade, rompendo com a lógica da deficiência como sinônimo de incapacidade e abrindo espaço para a construção de trajetórias mais autônomas e participativas. Assim, a TO assume um papel estratégico no enfrentamento da exclusão e na promoção de práticas que afirmam a diversidade e a dignidade humana.

Diante desse cenário, surgem questões fundamentais: quais são as contribuições específicas da Terapia Ocupacional no atendimento terapêutico de crianças com TEA? Em que medida essa atuação pode potencializar o desenvolvimento, a autonomia e a inclusão dessas crianças?

O interesse em desenvolver este estudo decorre da relevância crescente da atuação da TO no campo do TEA. Apesar dos avanços teóricos e metodológicos, ainda existem lacunas na compreensão social e institucional sobre o papel do terapeuta ocupacional no atendimento terapêutico infantil. Assim, a pesquisa busca dar visibilidade à importância desta área e à forma como ela pode contribuir para o desenvolvimento global da criança, bem como subsidiar práticas interdisciplinares e inclusivas.

O objetivo do artigo é analisar as contribuições da TO no atendimento terapêutico de crianças TEA, portanto, trata-se de uma pesquisa qualitativa, de caráter exploratório e bibliográfico. Foi realizada uma revisão crítica da literatura sobre a atuação da TO com crianças com TEA, a partir de artigos científicos, livros e produções acadêmicas publicadas nos últimos dez anos. 

A análise crítica da literatura permite perceber que, ao atuar nos diversos contextos ocupacionais, o terapeuta contribui não apenas para o desenvolvimento de habilidades funcionais, mas também para a reconstrução do lugar social da criança com TEA. A TO, ao investir na potência do cotidiano e na significação das atividades, resgata a autonomia como direito e transforma a intervenção em um espaço de escuta, respeito e valorização das diferenças. Nesse sentido, a ocupação deixa de ser apenas uma tarefa e passa a ser entendida como possibilidade de participação social.

Enfim, o material analisado foi interpretado à luz de autores nacionais da área da saúde, educação e neurodesenvolvimento. Ao longo do artigo, serão discutidas as práticas de intervenção da Terapia Ocupacional no atendimento de crianças com TEA, enfatizando aspectos sensoriais, motores, cognitivos e sociais, bem como sua articulação com a equipe interdisciplinar e com a família.

DESENVOLVIMENTO

A TO é uma área da saúde que busca promover a autonomia e a independência dos sujeitos por meio da realização de atividades significativas. No contexto do TEA, o terapeuta ocupacional atua considerando as dificuldades sensoriais, motoras, cognitivas e sociais que impactam diretamente a funcionalidade da criança.

Desse modo, a   TO desempenha um papel fundamental no desenvolvimento de crianças com dentro do TEA, utilizando o brincar como recurso terapêutico essencial. Segundo Fagundes, Farias e Andrade (2023), o brincar não é apenas uma atividade lúdica, mas uma ferramenta terapêutica que promove o desenvolvimento de habilidades motoras, cognitivas, afetivas e sensoriais. Através de atividades terapêuticas e lúdicas, a criança é estimulada a explorar, interagir e se expressar, facilitando a aquisição de novas habilidades e a superação de desafios do cotidiano. Além disso, o brincar terapêutico contribui para a melhoria da qualidade de vida da criança e de sua família, fortalecendo os vínculos afetivos e promovendo a inclusão social. 

Uma alternativa fundamentada é a teoria da Integração Sensorial (IS) desenvolvida por Anna Jean Ayres (1972). Ayres descreve a integração sensorial como o processo neurológico que organiza as sensações do corpo e do ambiente, permitindo respostas adaptativas e funcionais. Essa abordagem é amplamente utilizada por terapeutas ocupacionais para ajudar crianças a desenvolver habilidades de cuidado pessoal, comunicação e socialização por meio de atividades estruturadas e brincadeiras

Além disso, estudos contemporâneos destacam a eficácia da TO baseada na Integração Sensorial. Por exemplo, Schaaf et al. (2013) demonstraram que intervenções estruturadas nesse modelo podem melhorar significativamente o desempenho ocupacional e a participação de crianças com TEA. Essas intervenções envolvem atividades planejadas que promovem a organização do comportamento e a interação adaptativa com o ambiente

O Terapeuta Ocupacional utiliza as estratégias que favorecem a integração sensorial e a organização do comportamento, possibilitando que a criança interaja com o meio de forma mais adaptada”. Essas estratégias envolvem atividades estruturadas, brincadeiras, rotinas e exercícios que ajudam a criança a desenvolver habilidades de cuidado pessoal, comunicação e socialização.

A Terapia Ocupacional com crianças com TEA deve considerar o ambiente como um fator terapêutico fundamental. Organizar o espaço, os estímulos e os recursos são essenciais para promover a autorregulação e facilitar o engajamento da criança nas atividades (Gomes & Andrade, 2018, p. 45).

Além disso, o terapeuta ocupacional é responsável por realizar a avaliação das habilidades funcionais da criança, identificar suas dificuldades e potencialidades e planejar um programa de intervenção específico. A Avaliação do Processamento Sensorial, por exemplo, é uma das ferramentas utilizadas para compreender como a criança responde aos estímulos do ambiente. Muitas crianças com TEA apresentam hipersensibilidade ou hipossensibilidade sensorial, o que afeta diretamente sua capacidade de concentração, sua regulação emocional e sua participação nas atividades da vida diária

Nessa perspectiva, a TO atua não apenas na reabilitação das funções alteradas, mas também na construção de estratégias que valorizem a singularidade do sujeito, respeitando seu tempo e seu modo de ser. O brincar, por exemplo, é ressignificado como ferramenta terapêutica, considerando os interesses da criança e sua forma própria de se relacionar com o mundo.

Brincar é uma atividade inerente ao comportamento infantil e essencial ao bem-estar da criança, pois colabora efetivamente para o seu desenvolvimento físico/motor, emocional, mental e social, além de ajudá-la a lidar com a experiência e dominar a realidade. Pode ser considerada como fonte de adaptação, e instrumento de formação, manutenção e recuperação da saúde (FONTES. 2010).

A relevância do brincar como recurso terapêutico tem sido amplamente discutida por diversos estudiosos da área da saúde e da educação, entre eles Azevedo e Fontes (2008), que apontam o brincar como um instrumento essencial no processo de desenvolvimento infantil e de reabilitação psicossocial., uma vez que a brincadeira proporciona à criança um contato com sentimentos de alegria, sucesso, realizações de seus desejos, bem como o sentimento de frustração. Esse jogo de emoções a ajuda a estruturar sua personalidade e a lidar com angústias

 Esses autores destacam que o ato de brincar não se restringe apenas a uma atividade lúdica ou de entretenimento, mas constitui um meio de expressão, comunicação e elaboração de experiências subjetivas. Em contextos terapêuticos, especialmente aqueles voltados à infância, o brincar atua como um facilitador da escuta sensível do profissional, favorecendo a aproximação com a criança e o acesso às suas emoções, vivências e conflitos internos.

Ao longo da história, os resultados positivos do brincar têm sido documentados em diferentes abordagens clínicas e pedagógicas, evidenciando seus efeitos na promoção da autonomia, no fortalecimento das habilidades cognitivas, sociais e motoras, e na reconstrução de vínculos afetivos. 

 

O brincar é então definido como uma modalidade terapêutica de escolha, permitindo melhorar as funções precisas da criança; é pelo brincar que o terapeuta ocupacional desenvolve as funções sensoriais, motoras ou cognitivas da criança. A avaliação do brincar também é considerada numa perspectiva do desenvolvimento, de maneira a medir as aquisições da criança em função de sua idade. (FERLAND, 2006, p. 40).

Azevedo e Fontes (2008) reforçam que, quando inserido de forma intencional no contexto terapêutico, o brincar permite à criança reorganizar simbolicamente situações difíceis, desenvolver a linguagem, experimentar papéis e criar soluções para problemas reais e imaginários. Assim, o brincar torna-se uma linguagem universal da infância, atravessada por significados terapêuticos profundos que potencializam a eficácia das intervenções, respeitando o tempo, o ritmo e a singularidade de cada sujeito.       

A brincadeira proporciona à criança um contato com sentimentos de alegria, sucesso, realizações de seus desejos, bem como o sentimento de frustração. Esse jogo de emoções a ajuda a estruturar sua personalidade e a lidar com angústias.  

Além disso, estudos como o de Oliveira (2020) enfatizam que a ludicidade é essencial na intervenção psicopedagógica com crianças com TEA, pois permite o desenvolvimento de habilidades socioemocionais, cognitivas e sensório-motoras, respeitando as necessidades e interesses individuais de cada criança.

Ainda que a Terapia Ocupacional traga benefícios evidentes no atendimento terapêutico, o trabalho interdisciplinar é indispensável. A articulação com psicólogos, pedagogos, fonoaudiólogos, psiquiatras e educadores fortalece o cuidado integral e amplia as possibilidades de desenvolvimento.

É fundamental que o terapeuta ocupacional esteja inserido em uma equipe multiprofissional, pois só assim será possível compreender e intervir de maneira mais eficaz nas múltiplas dimensões que atravessam a vida da criança com TEA 

A presença da família no processo terapêutico também é essencial. Quando os cuidadores são orientados e acolhidos, tornam-se parceiros ativos na promoção da autonomia e da inclusão da criança.

A atuação eficaz no cuidado de crianças com TEA requer uma abordagem multidisciplinar e o envolvimento ativo da família. Roiz e Figueiredo (2023) destacam que a adaptação das mães de crianças com TEA está diretamente relacionada à presença de uma rede de apoio que inclui profissionais de diversas áreas e o suporte familiar. A colaboração entre terapeutas ocupacionais, psicólogos, fonoaudiólogos, educadores e outros profissionais é essencial para oferecer intervenções integradas e personalizadas. 

Além disso, o apoio da família é crucial para a continuidade das estratégias terapêuticas no ambiente doméstico, promovendo a generalização das habilidades adquiridas e contribuindo para o bem-estar geral da criança. 

CONSIDERAÇÕES FINAIS

A Terapia Ocupacional oferece contribuições valiosas no atendimento terapêutico de crianças com Transtorno do Espectro Autista, especialmente no que diz respeito à promoção da funcionalidade, da autorregulação e da inclusão social. 

Ao considerar as especificidades sensoriais, motoras e cognitivas de cada criança, o terapeuta ocupacional atua de forma personalizada, respeitando os ritmos individuais e fortalecendo a participação nas atividades do cotidiano. Conclui-se que a atuação integrada da Terapia Ocupacional no contexto interdisciplinar é essencial para o cuidado eficaz e humanizado da criança com TEA.

A ampliação do olhar clínico para além dos sintomas visíveis do TEA permite à Terapia Ocupacional uma intervenção mais sensível às singularidades de cada criança. Ao compreender o comportamento não apenas como uma expressão de conduta, mas como um reflexo de demandas sensoriais e emocionais não atendidas, o terapeuta ocupacional contribui de maneira decisiva para a construção de estratégias reguladoras e adaptativas.

No campo sensorial, a Terapia Ocupacional destaca-se por suas abordagens centradas no processamento sensorial, permitindo que a criança explore e compreenda seu próprio corpo e as respostas que emite ao ambiente. Tal intervenção não apenas favorece a autorregulação, mas também amplia a capacidade de engajamento nas atividades da vida diária, promovendo maior autonomia e autoestima.

Ademais, o trabalho com as habilidades motoras finas e grossas, essencial no desenvolvimento de pré-requisitos para a escrita, a alimentação, a higiene e o brincar, confere à Terapia Ocupacional um papel fundamental no desenvolvimento global da criança. A intervenção motora, quando realizada de forma lúdica e contextualizada, favorece a aprendizagem e fortalece vínculos afetivos entre a criança e o terapeuta.

Outro aspecto relevante é a mediação das relações sociais por meio do brincar terapêutico, recurso amplamente utilizado pelos terapeutas ocupacionais. O brincar, como ferramenta de expressão e construção simbólica, permite que a criança com TEA experimente interações sociais de forma segura, aprendendo a compreender regras, turnos de fala, expressões emocionais e cooperação.

A atuação da Terapia Ocupacional no ambiente escolar também deve ser destacada. Ao colaborar com professores e equipe pedagógica, o terapeuta propõe adaptações ambientais e metodológicas que favorecem a permanência da criança na escola comum, promovendo equidade e condições reais de aprendizagem. Assim, a Terapia Ocupacional reforça os princípios da educação inclusiva e contribui para o cumprimento dos direitos das crianças com deficiência.

Do ponto de vista familiar, a Terapia Ocupacional estabelece um canal de escuta e orientação que fortalece o protagonismo da família no processo terapêutico. A capacitação dos cuidadores e a criação de rotinas familiares adaptadas são fundamentais para a continuidade do trabalho realizado em sessão, potencializando os avanços da criança no seu próprio ambiente.

 E, por outro lado, é importante ressaltar que a eficácia da Terapia Ocupacional no atendimento a crianças com TEA depende de uma prática fundamentada em evidências científicas e em constante atualização. O investimento em formação continuada, pesquisa e avaliação sistemática das intervenções é indispensável para garantir resultados efetivos e éticos no cuidado à infância autista.

A atuação interdisciplinar, nesse contexto, é ampliada pela presença ativa da Terapia Ocupacional nas discussões clínicas. A colaboração entre fonoaudiólogos, psicólogos, médicos, psicopedagogos e outros profissionais se mostra mais eficiente quando o terapeuta ocupacional contribui com sua escuta qualificada e análise funcional do desempenho ocupacional da criança.

Por fim, conclui-se que a Terapia Ocupacional não apenas contribui para a melhora das habilidades adaptativas da criança com TEA, mas também promove sua dignidade, identidade e inclusão em todos os contextos da vida. É uma prática que valoriza o potencial humano, rompe com os estigmas e fortalece a autonomia, reafirmando o compromisso ético com uma sociedade mais justa, plural e acolhedora.

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Cruz, Vilma da . Contribuições da terapia ocupacional no atendimento terapêutico de crianças com TEA.International Integralize Scientific. v 5, n 50, Agosto/2025 ISSN/3085-654X

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Contribuições da terapia ocupacional no atendimento terapêutico de crianças com TEA

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