Integração de metodologias ativas, steam e cultura maker na educação técnica: Uma análise crítica à luz de modelos internacionais e da justiça educacional

INTEGRATION OF ACTIVE METHODOLOGIES, STEAM AND MAKER CULTURE IN TECHNICAL EDUCATION: A CRITICAL ANALYSIS IN LIGHT OF INTERNATIONAL MODELS AND EDUCATIONAL JUSTICE

INTEGRACIÓN DE METODOLOGÍAS ACTIVAS, STEAM Y CULTURA MAKER EN LA EDUCACIÓN TÉCNICA: UN ANÁLISIS CRÍTICO A LA LUZ DE MODELOS INTERNACIONALES Y JUSTICIA EDUCATIVA

Autor

URL do Artigo

https://iiscientific.com/artigos/EC2A86

DOI

doi.org/10.63391/EC2A86

Luiz, Elaine Cristine de Sousa. Integração de metodologias ativas, steam e cultura maker na educação técnica: Uma análise crítica à luz de modelos internacionais e da justiça educacional. International Integralize Scientific. v 5, n 50, Agosto/2025 ISSN/3085-654X

Resumo

O artigo examina a integração de metodologias ativas, abordagem STEAM e cultura maker no Ensino Médio Técnico público, ancorada em experiências do PIBID e referências internacionais. Parte-se de que a formação crítica e integral demanda inovação pedagógica articulada à equidade educacional. A pesquisa, qualitativa, baseia-se em análise documental e pesquisa-ação. Os resultados apontam que práticas interdisciplinares e tecnológicas potencializam aprendizagens significativas, desenvolvem competências do século XXI e ampliam o engajamento discente. Persistem desafios estruturais e formativos — infraestrutura e apoio institucional — que exigem políticas públicas integradas, formação docente contínua, gestão colaborativa participativa e fortalecimento das redes públicas para sustentabilidade.
Palavras-chave
metodologias ativas; STEAM; cultura maker; ensino técnico; justiça educacional.

Summary

The article examines the integration of active methodologies, the STEAM approach, and maker culture in Brazilian public technical high schools, grounded in PIBID experiences and international references. It assumes that critical, holistic education demands pedagogical innovation aligned with educational equity. This qualitative research draws on documentary analysis and action research. Findings indicate that interdisciplinary, technology-enhanced practices foster meaningful learning, build twenty-first-century competencies, and strengthen student engagement. Nonetheless, structural and training challenges persist—particularly infrastructure and institutional support—requiring integrated public policies, continuous teacher development, participatory collaborative management, and strengthened public school networks to ensure sustainability at scale across diverse contexts and regions.
Keywords
active methodologies; STEAM; maker culture; technical education; educational justice.

Resumen

El artículo examina la integración de metodologías activas, el enfoque STEAM y la cultura maker en el bachillerato técnico público brasileño, basada en experiencias PIBID y referencias internacionales. Parte de que una formación crítica e integral requiere innovación pedagógica alineada con la equidad educativa. La investigación, cualitativa, se apoya en análisis documental e investigación-acción. Los hallazgos indican que prácticas interdisciplinarias con tecnología favorecen aprendizajes significativos, desarrollan competencias del siglo XXI y fortalecen el compromiso estudiantil. Persisten desafíos estructurales y formativos —infraestructura y apoyo institucional— que exigen políticas integradas, formación docente continua, gestión colaborativa y redes públicas fortalecidas para la sostenibilidad.
Palavras-clave
metodologías activas; STEAM; cultura maker; educación técnica; justicia educativa.

INTRODUÇÃO

A educação técnica pública brasileira enfrenta o desafio de formar sujeitos críticos, criativos e socialmente comprometidos em um contexto de transformações tecnológicas aceleradas, desigualdades estruturais persistentes e novas demandas do mundo do trabalho. Apesar de avanços normativos como a Base Nacional Comum Curricular (BNCC) e o Plano Nacional de Educação (PNE), observa-se a permanência de práticas pedagógicas fragmentadas e centradas na transmissão de conteúdos, o que limita a integração de saberes e a construção de aprendizagens significativas.

Nesse cenário, a articulação entre metodologias ativas, a abordagem STEAM (Ciência, Tecnologia, Engenharia, Artes e Matemática) e a cultura maker emerge como estratégia pedagógica capaz de romper com a lógica disciplinar estanque e potencializar o protagonismo discente. Essas abordagens favorecem a resolução colaborativa de problemas, a autoria e a aprendizagem significativa, alinhando-se a uma concepção de justiça educacional (Dubet, 2004; Saviani, 2008) que busca reduzir desigualdades e ampliar oportunidades formativas. No entanto, sua implementação exige não apenas inovação metodológica, mas também políticas públicas articuladas, infraestrutura adequada e formação docente contínua.

A problemática que orienta esta pesquisa pode ser assim formulada:

De que maneira a integração entre metodologias ativas, STEAM e a cultura Maker, fundamentada em princípios de justiça educacional, pode contribuir para a inovação pedagógica, a superação da fragmentação curricular e a formação crítica no Ensino Médio Técnico público brasileiro?

A justificativa reside na urgência de repensar o papel da escola técnica como espaço de formação omnilateral, capaz de preparar os estudantes não apenas para o mercado de trabalho, mas para a participação crítica e criativa na sociedade. A análise de experiências internacionais, como o modelo israelense — marcado pela integração entre educação técnica, ecossistemas de inovação e inclusão social — e o modelo finlandês — centrado na equidade, na autonomia curricular e na valorização docente —, oferece referências que, devidamente contextualizadas, podem inspirar políticas e práticas no Brasil. Além disso, iniciativas nacionais como o Programa Institucional de bolsas de iniciação à docência (PIBID) têm mostrado potencial para promover experiências interdisciplinares e tecnologicamente inovadoras, articulando a universidade, a escola  governo formando uma tríplice de parcerias em projetos com impacto social.

O objetivo geral deste estudo é:

Analisar de que modo a articulação entre metodologias ativas, abordagem STEAM e cultura maker, orientada por princípios de justiça educacional, pode contribuir para a inovação pedagógica e a formação crítica no Ensino Médio Técnico público brasileiro.

Os objetivos específicos são:

Discutir os fundamentos teóricos que sustentam essas abordagens;

Apresentar experiências formativas realizadas no âmbito do PIBID;

Analisar desafios e potencialidades da implementação dessas práticas no contexto escolar;

Refletir sobre elementos adaptáveis de modelos internacionais, como Israel e Finlândia, para o contexto brasileiro.

A metodologia adotada é de natureza qualitativa, com abordagem descritiva e analítica, fundamentada em análise documental e pesquisa-ação. O corpus inclui projetos desenvolvidos no PIBID e apresentados em feiras como a FETEPS, além de revisão bibliográfica baseada em autores como Papert (1980), Freire (1996), Saviani (2008), Resnick (2020), Morin (2000) e Dubet (2004), e em documentos oficiais como a BNCC, o PNE e a Estratégia Brasileira de Transformação Digital. A análise é conduzida por triangulação metodológica, articulando evidências empíricas, referencial teórico e diretrizes de políticas públicas.

Assim estruturada, a presente investigação busca contribuir para o debate acadêmico e para a formulação de políticas educacionais voltadas à construção de uma escola técnica pública inovadora, equitativa e socialmente relevante.

REFERENCIAL TEÓRICO

A construção de práticas pedagógicas inovadoras requer uma sólida fundamentação teórica que permita não apenas compreender os fenômenos educacionais contemporâneos, mas também transformá-los criticamente. Nesta seção, discutem-se os principais aportes conceituais que sustentam a integração entre metodologias ativas, abordagem STEAM e cultura maker no Ensino Médio Técnico, com base na justiça educacional e em experiências internacionais de referência.

METODOLOGIAS ATIVAS E APRENDIZAGEM SIGNIFICATIVA

As metodologias ativas se constituem como uma resposta crítica à pedagogia tradicional centrada na transmissão de conteúdos, estimulando autonomia, reflexão e protagonismo discente (Freire, 1996; Moran, 2015). 

Ausubel (1978) destaca a aprendizagem significativa como aquela que se ancora em estruturas cognitivas já existentes, enquanto Moran (2018) defende a flexibilização curricular e o uso de tecnologias digitais em projetos colaborativos. Estudos recentes, como Silva (2022), indicam que o Design Thinking associado a tecnologias digitais amplia a resolução de problemas reais e a integração curricular.

Fundamentadas em autores como Paulo Freire (1996) e José Moran (2015), propõem o deslocamento do professor de transmissor de informações para mediador de experiências de aprendizagem, fomentando a autonomia, a reflexão e o protagonismo discente.

Segundo Freire (1996), “ensinar não é transferir conhecimento, mas criar possibilidades para a sua produção ou a sua construção”. Essa perspectiva é ampliada por Moran (2018), que defende uma escola mais flexível, conectada às tecnologias digitais e centrada em projetos colaborativos. David Ausubel (1978), por sua vez, destaca a importância da aprendizagem significativa, que ocorre quando o novo conhecimento se ancora em estruturas cognitivas previamente existentes no estudante.

Além disso, a pesquisa de Maria Lúcia da Silva (2022) evidencia que a aprendizagem ativa orientada pelo Design Thinking, combinada com as tecnologias digitais, promove a integração entre áreas do conhecimento e favorece a resolução de problemas reais — condição essencial para a formação crítica no século XXI.

STEAM: INTEGRAÇÃO DO  SABER E PENSAMENTO SISTÊMICO 

A abordagem STEAM (Ciência, Tecnologia, Engenharia, Artes e Matemática) emerge como proposta educativa que rompe com a compartimentalização do saber. Inspirada no modelo norte-americano e cada vez mais difundida no Brasil, essa abordagem visa desenvolver o pensamento computacional, a criatividade e a capacidade de resolver problemas complexos (Castro da Silva, 2022).

Papert (1980), pioneiro do construcionismo, destaca que aprender é construir ativamente o conhecimento por meio da experiência concreta. Essa visão é retomada por Resnick (2020), criador do Scratch, que defende ambientes de aprendizagem que promovam o “aprender fazendo”, com base na experimentação e no erro como motor de descobertas.

Autores como D’Ambrosio (2020) e Morin (2000) ressaltam a necessidade de uma educação transdisciplinar, sensível à complexidade e à incerteza do mundo contemporâneo. STEAM, nesse sentido, oferece uma arquitetura educacional que permite o diálogo entre diferentes áreas do saber em projetos integradores com relevância social.

CULTURA MAKER E EDUCAÇÃO TECNOLÓGICA CRÍTICA

A cultura maker, que se manifesta na criação de objetos físicos com apoio de tecnologias como impressoras 3D, cortadoras a laser e kits de robótica, constitui uma poderosa aliada da abordagem STEAM. Ela valoriza a autoria, a inventividade e o pensamento crítico, ao mesmo tempo em que desafia a passividade tradicional do ambiente escolar.

Blikstein (2016) argumenta que os espaços makers não devem ser vistos apenas como ateliês tecnológicos, mas como laboratórios de cidadania e inclusão, desde que inseridos em contextos pedagógicos críticos. No mesmo sentido, a dissertação de Silva (2022) aponta que os projetos realizados em oficinas STEAM favoreceram a aprendizagem colaborativa, a empatia e o engajamento ético dos participantes, especialmente quando orientados por questões ambientais e sociais.

Behrens (2019) reforça que a prática pedagógica precisa se articular com os paradigmas da era digital e da sociedade do conhecimento, assumindo uma postura formativa mais investigativa, dialógica e comprometida com a emancipação humana.

JUSTIÇA EDUCACIONAL, CURRÍCULO INTEGRADO E POLÍTICAS PÚBLICAS 

A integração entre STEAM, metodologias ativas e cultura maker não pode ser desprovida de intencionalidade ética e política. A justiça educacional, nos termos de François Dubet (2004), exige que a escola seja capaz de compensar desigualdades estruturais e promover trajetórias escolares mais equitativas.

Nesse sentido, Saviani (2008) adverte para o risco da inovação pedagógica esvaziada de conteúdo social, e propõe uma pedagogia histórico-crítica comprometida com a formação omnilateral. As políticas públicas educacionais, como a BNCC (2018), o PNE (2014–2024) e a Estratégia Brasileira para a Transformação Digital (2018), apontam para a urgência de integrar as tecnologias digitais, a interdisciplinaridade e o protagonismo juvenil na formação básica e técnica.

MODELOS INTERNACIONAIS: FINLÂNDIA E ISRAEL COMO INSPIRAÇÃO CRÍTICA

A Finlândia e Israel têm se destacado internacionalmente por políticas educacionais que articulam inovação, equidade e excelência. Na Finlândia, a valorização docente, a autonomia curricular e o foco no bem-estar dos estudantes são pilares que garantem resultados expressivos em avaliações internacionais. Já Israel se destaca pela forte articulação entre educação técnica, empreendedorismo e ecossistemas de inovação.

Conforme análise de Almeida (2020), o êxito desses países não reside na mera adoção de tecnologias, mas em uma cultura educacional que valoriza a formação crítica, a experimentação e o desenvolvimento de competências socioemocionais. Adaptar tais práticas ao contexto brasileiro exige um olhar situado e dialógico, evitando a simples importação de modelos.

RESULTADOS E DISCUSSÃO

As experiências formativas analisadas no âmbito do PIBID evidenciaram que a integração entre metodologias ativas, a abordagem STEAM e a cultura Maker funciona como um catalisador de transformações no ensino técnico público. A implementação de práticas como a aprendizagem baseada em projetos, a sala de aula invertida e a gamificação ampliou o engajamento, a autonomia e a responsabilidade dos estudantes sobre o próprio processo de aprendizagem. Essa mudança não se limitou à participação mais ativa, mas envolveu também uma apropriação crítica do conteúdo, mediada por situações-problema que exigiam reflexão, tomada de decisão e aplicação prática dos conhecimentos.

A abordagem STEAM mostrou-se central para superar a fragmentação curricular. Ao articular saberes de áreas como Física, Matemática, Literatura e Programação em torno de desafios comuns, promoveu-se uma aprendizagem interdisciplinar, na qual conceitos abstratos ganharam sentido concreto no desenvolvimento de projetos. Um exemplo marcante foi a criação de jogos educativos com peças produzidas em impressoras 3D, que exigiram dos estudantes raciocínio lógico-matemático, sensibilidade estética, competências de design, domínio de modelagem digital e articulação de conteúdos escolares.

A cultura Maker, nesse contexto, não se restringiu ao uso de recursos tecnológicos ou laboratórios. Ela foi incorporada como uma filosofia educacional baseada no “aprender fazendo”, conforme defendem Papert (2008) e Resnick (2020). Os artefatos produzidos se tornaram expressões materiais de processos cognitivos complexos, configurando dispositivos de autoria e cidadania. Dessa forma, concretizou-se a proposta de formação omnilateral de Saviani (2008), ao integrar dimensões cognitivas, técnicas, sociais e criativas no enfrentamento de problemas reais.

Os efeitos dessas práticas também se estenderam aos licenciandos participantes do PIBID, que vivenciaram a mediação pedagógica em contextos reais e puderam conciliar teoria e prática. Essa experiência favoreceu o desenvolvimento de competências como planejamento interdisciplinar, gestão de grupos e avaliação formativa, aspectos frequentemente negligenciados na formação inicial docente.

A comparação internacional reforça que tais avanços só se consolidam de forma sistêmica quando sustentados por políticas públicas estruturadas. O modelo israelense mostra como a educação técnica pode se articular a redes de inovação e políticas nacionais de desenvolvimento tecnológico, enquanto o modelo finlandês destaca que a excelência educacional depende da equidade, da autonomia pedagógica e da valorização docente. Assim, percebe-se que as práticas brasileiras precisam ser mediadas criticamente, evitando a simples importação de modelos externos.

No entanto, persistem desafios que dificultam a consolidação dessas práticas, como a falta de infraestrutura adequada, a sobrecarga de trabalho docente, a escassez de tempo para planejamento interdisciplinar e a resistência cultural a mudanças metodológicas. Superar essas barreiras exige uma política nacional integrada, de longo prazo, que combine investimento em infraestrutura, valorização do magistério e promoção de práticas interdisciplinares permanentes.

Portanto, os resultados discutidos demonstram que a integração entre metodologias ativas, STEAM e cultura Maker não constitui apenas um recurso inovador, mas uma possibilidade concreta de redefinição do papel da escola técnica pública. Ao unir ciência, arte, tecnologia e cidadania em práticas colaborativas, essa abordagem contribui para formar sujeitos capazes de pensar criticamente, agir com criatividade e intervir eticamente nos desafios da sociedade contemporânea.

METODOLOGIA

A construção deste estudo demandou uma escolha metodológica alinhada ao objetivo central de analisar criticamente a integração entre metodologias ativas, STEAM e cultura Maker no ensino técnico público. Optamos por uma pesquisa qualitativa, de caráter descritivo e analítico, fundamentada na análise documental e na pesquisa-ação, conforme Creswell (2010). Essa escolha metodológica favorece não apenas a interpretação crítica dos fenômenos educacionais, mas também a possibilidade de intervir nos contextos observados, articulando teoria e prática.

O corpus da pesquisa reuniu projetos desenvolvidos no âmbito do PIBID, bem como experiências apresentadas em feiras como a FETEPS, articuladas à revisão bibliográfica de autores clássicos e contemporâneos (Freire, 1996; Saviani, 2008; Moran, 2015; Resnick, 2020; Dubet, 2004). Para garantir rigor e consistência, aplicamos a triangulação metodológica (Creswell, 2010), estruturada em três frentes complementares:

Evidências empíricas – observações, relatórios e registros de práticas pedagógicas;

Referenciais teóricos – literatura especializada sobre metodologias ativas, STEAM, cultura Maker e justiça educacional;

Políticas públicas – documentos oficiais como a BNCC, o PNE e a Estratégia Brasileira de Transformação Digital.

Essa triangulação assegurou múltiplas perspectivas de análise, fortalecendo a validade e a confiabilidade dos resultados. A pesquisa-ação, por sua vez, orientou a participação colaborativa de pesquisadores, professores e licenciandos, que atuaram conjuntamente na formulação, execução e avaliação das práticas. Assim, o estudo conciliou reflexão crítica e ação transformadora, favorecendo a formação docente inicial e ressignificando a função social da escola técnica pública.

Além disso, definimos um recorte temporal de 15 anos (2008–2023). Esse intervalo possibilitou integrar produções contemporâneas e aportes clássicos, garantindo tanto a atualidade quanto a profundidade histórica necessárias para compreender a evolução das práticas educacionais inovadoras em diálogo com os desafios contemporâneos.

Quadro de Referência Analítica

Dimensão Autor (Ano) Contribuição
Educação Freire (1996) Pedagogia da autonomia; protagonismo discente.
Saviani (2008) Pedagogia histórico-crítica; formação omnilateral.
Morin (2003) Pensamento complexo; religação dos saberes.
Cosson (2014) Letramento literário; interdisciplinaridade crítica.
Cultura Maker Papert (1980; 2008) Construcionismo; aprender fazendo.
Resnick (2020) Cultura maker; criatividade e aprendizagem em rede.
Blikstein (2016) Educação maker crítica; laboratórios como cidadania.
Metodologias Ativas Ausubel (1978) Aprendizagem significativa.
Moran (2015; 2018) Metodologias ativas; flexibilização curricular.
Behrens (2019) Protagonismo do aluno na aprendizagem.
D’Ambrosio (2020) Transdisciplinaridade; pensamento complexo.
Silva (2022) Design Thinking e integração curricular.
Perrenoud (2000) Formação docente para agir na incerteza.
Metodologia Científica Creswell (2010) Estruturação metodológica; triangulação.
Lakatos & Marconi (2003) Validade e confiabilidade.
Bardin (2011) Análise de conteúdo qualitativa.
Severino (2000) Organização do trabalho científico.
Sociologia Dubet (2004) Justiça educacional; compensação das desigualdades.
Fraser (2010) Justiça social; redistribuição e reconhecimento.
Demo (2011) Educação e qualidade; crítica às políticas públicas.

Fonte: Elaboração própria, a partir de Ausubel (1978); Bardin (2011); Behrens (2019); Blikstein (2016); Cosson (2014); Creswell (2010); D’Ambrosio (2020); Demo (2011); Dubet (2004); Fraser (2010); Freire (1996); Lakatos & Marconi (2003); Moran (2015; 2018); Morin (2003); Papert (1980; 2008); Perrenoud (2000); Resnick (2020); Saviani (2008); Severino (2000); Silva (2022).

O quadro acima sintetiza os pesquisadores que fundamentam esta pesquisa, destacando a relevância de suas contribuições e a motivação que orientou a escolha de cada dimensão teórica. Assim, evidencia-se a consistência da base analítica construída.

DESCRITORES E PROCEDIMENTOS

Descritores: qualitativa; pesquisa-ação; interdisciplinaridade; justiça educacional; cultura maker; metodologias ativas.

Procedimentos: revisão bibliográfica sistemática; análise documental (PIBID e FETEPS); observação participante; triangulação teórica, empírica e normativa.

Intervalo temporal: 15 anos (2008–2023), contemplando produções clássicas e recentes para assegurar rigor e atualidade.

Portanto, a metodologia adotada estruturou-se em uma perspectiva crítica e participativa, integrando análise teórica, documental e empírica. O uso da triangulação metodológica e o recorte temporal de 15 anos permitiram compreender o fenômeno de forma abrangente e atualizada. Desse modo, estabelecemos uma base sólida para interpretar os resultados e discutir como a integração entre metodologias ativas, STEAM e cultura Maker pode contribuir para a transformação da educação técnica pública.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

A análise das experiências desenvolvidas no âmbito do PIBID demonstrou que a integração entre metodologias ativas, abordagem STEAM e cultura maker constitui uma estratégia pedagógica de elevado potencial transformador para a educação técnica pública. Longe de configurar uma simples adição de recursos ou modismos tecnológicos, essa articulação revelou-se capaz de reconfigurar a dinâmica de ensino-aprendizagem, ao promover o protagonismo estudantil e a construção coletiva do conhecimento.

A aplicação de metodologias ativas — como a Aprendizagem Baseada em Projetos, a sala de aula invertida e a gamificação — favoreceu não apenas a motivação e a autonomia dos estudantes, mas também a apropriação crítica de conteúdos, mediada por desafios autênticos e contextos reais. A abordagem STEAM, ao articular Física, Matemática, Literatura, Programação e outras áreas, rompeu barreiras disciplinares e viabilizou aprendizagens significativas, enquanto a cultura maker potencializou a materialização do conhecimento por meio da criação de jogos e protótipos em impressoras 3D, articulando teoria e prática, ciência e arte, técnica e cidadania.

Essa configuração responde, de forma prática, ao conceito de formação omnilateral defendido por Saviani (2008), ao integrar dimensões cognitivas, técnicas, estéticas e éticas em torno de problemas reais. Projetos interdisciplinares desse tipo não apenas desenvolvem competências socioemocionais e digitais, mas também favorecem a compreensão sistêmica da realidade, condição essencial para uma atuação cidadã crítica e transformadora.

A análise comparativa com modelos internacionais reforça que a inovação pedagógica não se sustenta na ausência de políticas públicas consistentes. Israel ilustra a eficácia de uma rede técnica ancorada em laboratórios maker, parcerias estratégicas com empresas e programas de formação docente contínua. A Finlândia, por sua vez, demonstra que a equidade, a autonomia escolar e a valorização docente são pilares inegociáveis para a qualidade e a inclusão. O Brasil, ao buscar inspiração nessas experiências, precisa evitar a transposição acrítica, adaptando elementos de forma situada às suas condições socioeconômicas, culturais e institucionais.

Persistem, contudo, desafios estruturais e formativos: resistência cultural à mudança, insuficiência de infraestrutura tecnológica, carência de espaços de planejamento interdisciplinar e formação docente insuficiente para o uso crítico de tecnologias e metodologias inovadoras. Superar essas barreiras requer uma política nacional integrada, de longo prazo, que combine investimento em infraestrutura, valorização do magistério e consolidação de práticas interdisciplinares no currículo técnico.

Conclui-se que a articulação entre metodologias ativas, STEAM e cultura maker, orientada por princípios de justiça educacional, representa não apenas uma inovação didática, mas um caminho estratégico para a reinvenção da escola técnica pública. Ao unir produção material, resolução de problemas reais e diálogo entre diferentes campos do saber, essa proposta contribui para formar sujeitos capazes de pensar, criar e agir de modo crítico e solidário — condição imprescindível para a construção de uma educação comprometida com a equidade e a transformação social.

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Disponível em: https://academic.oup.com/cid/article/67/7/1208/6141108.
Acesso em: 2024-09-03.

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